*Por Claudia Andrade
No dia 25 de agosto, o Dia do Second Hand convida a sociedade a olhar para a moda além das tendências e do consumo. Comprar, vender, trocar, doar, reparar e reutilizar roupas, calçados e acessórios prolongam a vida útil dos produtos e se relacionam diretamente à economia circular.
Nesse contexto, os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) têm papel estratégico. Eles aproximam o consumidor da logística reversa e criam um caminho para que itens que já não têm utilidade para uma pessoa possam continuar circulando, ser reaproveitados ou receber uma destinação adequada.
A economia circular propõe uma mudança em relação ao modelo linear de extrair, produzir, consumir e descartar. Em vez de considerar um produto encerrado quando deixa de ser utilizado pelo primeiro consumidor, a circularidade busca preservar o valor de produtos e materiais pelo maior tempo possível, reduzindo desperdícios e a necessidade de novos recursos.
Essa visão está alinhada aos princípios promovidos pelas Nações Unidas, especialmente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12 (ODS 12), que trata de consumo e produção responsáveis. A Agenda 2030 estimula o uso eficiente dos recursos naturais, a redução de resíduos e padrões mais sustentáveis de produção e consumo.
É nesse cenário que o second hand ganha relevância. Quando uma roupa, um sapato, uma bolsa ou um acessório é vendido, doado ou reutilizado, seu tempo de uso pode ser ampliado. Essa permanência em circulação é um dos elementos da economia circular.
O papel dos PEVs
Os Pontos de Entrega Voluntária do Repense Reuse, iniciativa da Humana Brasil, são uma dessas estruturas. A rede conta com mais de 600 contêineres distribuídos pela Bahia, Sergipe, Pernambuco e Distrito Federal. Neles, podem ser entregues roupas, sapatos, bolsas, mochilas, acessórios e roupas de cama.
Os PEVs estabelecem uma ponte entre o consumidor e a cadeia de reaproveitamento. Após a coleta, os materiais entram em uma cadeia organizada de logística e curadoria, na qual cada item é avaliado de acordo com suas condições e possibilidades de reaproveitamento.
Esse processo é essencial para a circularidade porque a economia circular não se resume à reciclagem. Ela envolve ampliar a vida útil, estimular o reuso, promover reparos, recuperar materiais e reduzir a geração de resíduos. A logística reversa cria esse caminho de volta para produtos que já cumpriram uma etapa de sua trajetória.
Basta separar os itens que não utiliza mais e encaminhá-los a um PEV. Uma atitude simples pode permitir que aquilo que estava parado em um guarda-roupa retorne a uma cadeia de valor.
Uma nova vida para o que já existe
O Dia do Second Hand é uma oportunidade para ampliar a conversa sobre o futuro da moda. A data ajuda a compreender que reutilizar mantém produtos em circulação e fortalece a economia circular.
Uma roupa não precisa ter uma única história. Um sapato pode encontrar novos passos. Uma bolsa pode mudar de dono. E, quando uma peça deixa de ser utilizada, os PEVs podem representar um novo ponto de partida.
Ao aproximar a logística reversa do cotidiano, os mais de 600 PEVs do Repense Reuse oferecem aos consumidores uma alternativa para encaminhar roupas, calçados e outros artigos têxteis. Assim, second hand, reutilização, logística reversa e pontos de entrega fazem parte de uma mesma transformação: consumir melhor, reduzir desperdícios e fazer com que aquilo que já existe permaneça útil pelo maior tempo possível.
*Claudia Andrade é Executiva de Implementação do Repense Reuse da Humana Brasil

