Projeto chega à 7ª edição com oficinas itinerantes em cinco cidades e ações online, reforçando a interiorização da produção documental no Estado
Ao completar 17 anos de atuação, o projeto Documentando inicia, a partir deste mês de abril, uma nova temporada de atividades formativas no Agreste pernambucano, reafirmando seu papel na descentralização do audiovisual no Estado. A 7ª edição prevê a realização de oficinas presenciais em cinco municípios, Surubim, João Alfredo, Brejo da Madre de Deus, Cachoeirinha e Bezerros, entre os dias 13 de abril e 30 de maio de 2026, além de um módulo online complementar. A iniciativa, que já impactou milhares de participantes ao longo de sua trajetória, segue ampliando o acesso à linguagem cinematográfica e incentivando a produção independente fora dos grandes centros.
Criado em 2009 pelo cineasta Marlom Meirelles, o Documentando consolidou-se como uma das principais ações de formação audiovisual em Pernambuco. Ao longo das edições, o projeto tem atuado diretamente na formação de novos realizadores, oferecendo uma imersão completa nas etapas de produção de um documentário, do roteiro à edição. A proposta pedagógica alia teoria e prática, estimulando os participantes a explorarem suas próprias vivências e a construírem narrativas que dialoguem com temas sociais, identitários e territoriais. Ao final de cada oficina, os alunos produzem coletivamente um curta documental, fortalecendo o vínculo entre criação artística e realidade local.

A edição de 2026 deve beneficiar cerca de 300 estudantes, muitos deles sem experiência prévia na área. Com carga horária de 20 horas por oficina, as atividades incluem encontros presenciais e conteúdos virtuais, como videoaulas e palestras com profissionais do setor. Além do aprendizado técnico, os participantes têm contato com reflexões sobre o mercado audiovisual e estratégias de circulação de obras, ampliando suas perspectivas de atuação profissional.
Em seus 17 anos, o Documentando acumula números expressivos: mais de 3 mil estudantes formados, mais de 100 oficinas realizadas em mais de 50 cidades brasileiras, abrangendo oito estados e até uma experiência internacional. Como resultado direto desse processo, mais de 100 documentários foram produzidos, muitos deles exibidos e premiados em festivais nacionais. Parte desse acervo está disponível gratuitamente ao público na plataforma do projeto, reforçando o compromisso com a democratização do acesso ao cinema.
A culminância da atual temporada será uma mostra audiovisual em Bezerros, reunindo os filmes produzidos ao longo das oficinas. O momento marca não apenas o encerramento das atividades, mas também a celebração de novos olhares e narrativas que emergem do interior do Estado. A identidade visual desta edição foi desenvolvida pelo artista Max Motta, contribuindo para a construção estética do projeto.
Segundo Marlom Meirelles, o Documentando ultrapassa a dimensão técnica do ensino audiovisual ao promover transformações sociais nos territórios onde atua. “A cada nova temporada, reafirmamos um compromisso que vai além do audiovisual: provocar escuta, despertar olhares e criar caminhos para que novas vozes contem suas próprias histórias”, destaca o realizador. Com trajetória que inclui séries como “Questão de Gênero” e “Sertão Virgolino”, o cineasta também se prepara para filmar seu primeiro longa-metragem, “A Boa Vista Não Me Ilude Mais”, previsto para o segundo semestre de 2026.
Ao longo de sua história, o projeto evidencia como o audiovisual pode funcionar como ferramenta de cidadania, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Ao estimular a produção documental a partir das próprias comunidades, o Documentando contribui para a visibilidade de narrativas frequentemente invisibilizadas, fortalecendo identidades e ampliando o repertório cultural pernambucano.
As inscrições para as oficinas são gratuitas e realizadas pelo site oficial do projeto, mantendo o compromisso com o acesso público e inclusivo à formação cultural.

