Com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, Eduardo Moscovis expõe a violência humana em monólogo inédito; temporada acontece entre 23 de 24 de maio, no Teatro Luiz Mendonça
Trabalho que marca a primeira parceria de Eduardo Moscovis com o diretor Rodrigo Portella, o monólogo “O motociclista no globo da morte”, do dramaturgo, diretor e ator Leonardo Netto cumpre uma curta temporada no Recife. As sessões acontecem nos dias 23 e 24 de maio, no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem. Devido à alta procura, haverá uma sessão extra no sábado, às 18h. Para manter o caráter intimista da montagem, a capacidade do teatro será reduzida para 300 lugares.
A obscura gênese da violência — seja ela inerente à natureza humana e, portanto, incontornável, ou fruto das relações sociais — é a principal premissa do espetáculo. Ao contar uma história que, em tese, poderia acontecer com qualquer um, o espetáculo provoca ao diluir as fronteiras entre vítima e algoz, civilizado e selvagem. “O que mais me cativou no texto foi perceber que o protagonista é um homem que tem uma vida correta, pacífica, com quem eu facilmente me identificaria, mas que, assim como seu antagonista — um homem vil em todos os aspectos —, pode se igualar a ele ao cometer um ato de extrema violência”, conta Eduardo Moscovis, que encena seu segundo monólogo — o primeiro foi “O Livro” (2011), de Newton Moreno, com direção de Christiane Jatahy. “Mesmo com a ausência da contracenação, que é um dos grandes desafios do monólogo, fui arrebatado pelo texto do Leo, e o processo tem sido muito prazeroso”, completa.
O diretor Leonardo Netto passou a se questionar sobre o que leva alguém a cometer um ato violento — e também a filmá-lo, publicá-lo e consumi-lo – depois de assistir em uma rede social, a um vídeo de extrema violência,. Outras questões emergiram, como o fascínio e a idolatria por assassinos, psicopatas e serial killers ao longo da história. “A espetacularização, a romantização e a banalização da violência, potencializadas pela multiplicação de câmeras e pela internet, talvez nos tornem mais insensíveis a ela”, reflete o autor. O incômodo persistiu até que decidiu escrever a peça, como forma de elaborar essa experiência. “Foi perturbador assistir, e escrever também foi difícil. Muitas vezes precisei parar”, revela. Durante o processo, passou a imaginar Eduardo Moscovis — com quem dividiu o palco em “Corte Seco” (2010) — como protagonista.
“O título surgiu como uma metáfora da iminência do desastre. Assim como no globo da morte, vivemos tentando nos desviar da catástrofe o tempo inteiro.” Em sua primeira parceria com Rodrigo Portella, Moscovis destaca: “Ele é um diretor-criador, que pensa a cena e o teatro de forma muito genuína e potente”. Para construir a dramaturgia e o espaço cênico, Portella opta por uma encenação minimalista. “O espetáculo acontece na cabeça do espectador. Qualquer elemento concreto seria uma distração. O personagem constrói um discurso que se aproxima da literatura, convocando o público a imaginar. Temos, assim, uma relação íntima e direta entre ator e espectador, do início ao fim”, afirma o diretor.
“A ideia é enfatizar o caráter comum desse acontecimento, que poderia acontecer com qualquer um de nós. Um evento extraordinário em um lugar ordinário, executado por um homem ordinário.” Nesse sentido, trilha sonora (André Muato), figurino (Gabriella Marra) e iluminação (Ana Luzia de Simoni) reforçam essa abordagem. Portella identifica ainda uma camada político-social: “Sem nomear lados, o espetáculo evidencia a polarização ideológica em que a sociedade brasileira está imersa”.
SERVIÇO
“O motociclista no globo da morte” – com Eduardo Moscovis
Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu – Boa Viagem, Recife)
23 e 24 de maio
Sábado, às 18h (sessão extra) e 20h. Domingo, às 19h.
.Capacidade reduzida: 300 lugares
Ingressos: pelo site do Teatro (https://teatroluizmendonca.byinti.com/#/event/o-motociclista-no-globo-da-morte) e na bilheteria.
R$ 150, inteira; R$ 75, meia-entrada.
