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Campus Party: criar cidades inteligentes ainda é desafio para o Brasil

Ferramentas utilizadas pela sociedade para a comunicação, transporte, entretenimento e diversas outras atividades cotidianas têm se transformado rapidamente e hoje, com a ampliação dos serviços oferecidos por plataformas web e aplicativos, são muito diferentes do que eram há 10 ou 15 anos. Segundo o pesquisador do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) de Campinas Vinícius Garcia, por causa da influência da tecnologia, o mundo passa atualmente pela “terceira onda de transformação social”. Na primeira “onda”, houve a expansão em nível comercial das tecnologias, com o acesso gradativo a computadores, equipamentos digitais e à internet. Depois, com a chegada da tecnologia móvel (mobile), os cidadãos passaram a ter maior participação e protagonismo nas atividades tecnológicas. Agora, segundo Garcia, a internet das coisas se expande e é a vez dos objetos serem inseridos nesse contexto. Esses temas são foco de debates da primeira edição da Campus Party Brasília, que acontece até sábado (17) na capital. De acordo com o pesquisador, a implantação da internet das coisas é fundamental para alcançar cidades inteligentes e humanas – conceito em que as localidades são digitalizadas não só pela instalação de tecnologias, mas pela integração de dados e informações em um sistema único. Esse cenário muda a percepção de paradigmas e a forma como são vistas as relações de trabalho, por exemplo. De acordo com o presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas (CIH), André Gomyde, a mais-valia gradativamente sai de cena para dar lugar à operação por máquinas em diversos serviços, o que traz novos desafios. “Cada vez menos teremos trabalho braçal e intelectual. Começamos a viver uma Era do Conhecimento, que passa a ser o grande capital. Este será o paradigma pelo qual teremos que lutar.” Enquanto atualmente a propriedade de dados e das tecnologias da informação se concentra nas mãos das grandes empresas, a perspectiva do desenvolvimento de cidades inteligentes busca ampliar esse tipo de informação também para a sociedade, segundo Gomyde. “Nas cidades inteligentes e humanas nós vamos conseguir ser proprietários do conhecimento”, afirma. No Brasil, desenvolver cidades inteligentes ainda é um desafio pela falta de experiências em grande escala. De acordo com o pesquisador Vinicius Garcia, alguns problemas das cidades já têm soluções desenvolvidas, mas não se encontram. Para ele, é necessário um macroambiente de implantação dessas experiências. “Precisamos da união de evolução tecnológica, políticas públicas, maturidade de mercado e comportamento social [abertura da sociedade] compatíveis”, explica. Políticas Públicas Para o deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), criador da Frente Parlamentar Mista em Apoio às Cidades Inteligentes e Humanas, a busca por soluções para as cidades por meio de tecnologias e sistemas de informação integrados precisa de políticas públicas que, no Brasil, ainda engatinham. “Estamos muito atrasados e precisamos nos adequar. Temos que conectar as pessoas, por isso precisamos pensar como ampliar a banda larga no Brasil. Hoje, só 50% dos brasileiros a têm em casa”, ponderou. Além do aumento da conectividade para a participação social, o processo para a criação de cidades inteligentes demanda a criação de planos de ação de médio e longo prazo. O grupo de trabalho do Congresso tem o objetivo de construir agendas para arrecadar contribuições, pesquisar exemplos do mundo e fazer fóruns para o debate com a sociedade. Segundo Lippi, um dos caminhos é um acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para desonerar e diminuir a burocracia para implantação de sensores e equipamentos necessários para trabalho integrado dessas cidades. Hoje, segundo o deputado, o desenvolvimento está diretamente relacionado à capacidade de comunicação. “A tecnologia da informação é estruturante para o desenvolvimento social”. Outra frente de trabalho é a criação do Plano Nacional de Internet das Coisas, que visa aproveitar janelas de oportunidades atuais e futuras para colocar o Brasil como produtor dessa tecnologia. Experiências para implementação das cidades inteligentes têm sido feitas em diversos municípios do país, segundo o diretor de Inclusão Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Américo Bernardes. Segundo ele, as comunidades precisam se apropriar da tecnologia em vez de serem meras usuárias. “Elas são fundamentais nas decisões a respeito das necessidades.” Atualmente, o programa Cidades Digitais do ministério existe em 75 cidades, onde estão à disposição aplicativos de uso gratuito como o e-SIC, para agendamento de serviços da saúde ou de compromissos das prefeituras; o i-Educar, para atividades educativas; e o Urbem, que reúne informações financeiras e tributárias do município. (Agência Brasil)

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População brasileira já pagou R$ 1 trilhão em impostos este ano

A marca de R$ 1 trilhão no painel do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi registrada às 8h desta sexta-feira (16). O valor equivale ao total de impostos, taxas e contribuições pagos pela população brasileira desde o dia 1º de janeiro de 2017. Em 2016, o montante de R$ 1 trilhão foi alcançado em 5 de julho. O presidente da entidade, Alencar Burti, explica que a arrecadação aumenta quando há crescimento econômico e elevação de impostos. “Já que nossa economia não está crescendo, essa diferença de 19 dias reflete aumentos e correções feitos em impostos e isenções, além da obtenção de receitas extraordinárias como o Refis [parcelamento de débitos tributários]. Reflete também a inflação, que, apesar de ter caído, segue em patamar alto”, analisa. Para Burti, “no segundo semestre, espera-se elevação da arrecadação em função da melhora da atividade econômica”. Arrecadação federal O presidente da ACSP esclarece que, embora a arrecadação federal tenha caído em termos reais, é o número nominal (sem descontar a inflação), o mesmo medido pelo Impostômetro, que deve ser analisado. “Nosso painel não mede apenas tributos federais. Também entram na conta os estaduais e municipais. O que temos que observar são os valores nominais, porque os gastos são todos nominais”. (Agência Brasil)

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Maio teve 57 homicídios a menos que o mês anterior

O mês de maio registrou 457 homicídios, 57 a menos que abril, quando foram contabilizados 514 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs). A redução de 13,9% na média diária (o mês de maio tem 1 dia a mais que abril) faz parte das estatísticas da segurança apresentadas, na tarde desta quarta-feira (14/06), pelo secretário de Defesa Social, Angelo Gioia, em coletiva de imprensa na sede da SDS. “O trabalho das polícias vem dando resultados importantes, quebrando uma longa sequência de meses de ascensão dos CVLIs desde 2014, quando a hierarquia e a disciplina foram subvertidas dentro das corporações. Assim como no último dia 15, em que apresentamos dados de abril, com 35 assassinatos a menos em relação a março (com total de 549 CVLIs), mantemos o mesmo discurso: Pernambuco tem ainda um elevado patamar de crimes letais contra a vida e não há qualquer motivo para celebração, pois estamos distantes do objetivo. Mas é inegável que estamos encurtando distância e bloqueando, pouco a pouco com mais eficiência, por meio de operações especializadas, a ação até então desenfreada de grupos de extermínio”, avaliou Gioia. Nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP), houve uma leve redução considerando a média diária. Foram 326 ocorrências por dia no mês de maio, contra 330 cada dia do mês anterior (queda de 1,48%). No recorte dos roubos a ônibus, maio registrou 105 assaltos a coletivos, contra 102 no mês anterior. A média diária, no entanto, manteve-se praticamente estável, com 3,39 contra 3,40 no mês de abril. “Os roubos a ônibus tiveram uma queda muito drástica em relação aos primeiros meses do ano, quando chegamos a ter uma média diária de 6,4 assaltos/dia, no mês de janeiro (199 no total). É natural que tenhamos mais dificuldade na redução, mas essa queda de quase 50% em relação ao início de 2017 tem relação direta com a prisão, pela Força Tarefa da Polícia Civil, de 78 suspeitos dessa prática, além da maior ostensividade nos principais corredores”, explica o secretário. Em maio, foram registrados 1.699 ocorrências de roubos de veículos, contra 1.780 em abril, representando uma redução de 7,63%. Com relação aos furtos, a queda foi maior: 10,47% (556 em maio contra 601 em abril). Na contabilidade dos bancos, não houve alteração nos roubos a agências bancárias (2 para cada mês), arrombamentos a caixas eletrônicos (também 2 em cada mês) e assaltos a carro-fortes (1 em maio e 1 em abril). “É importante ressaltar que, somente em 2017, 75 pessoas com ação comprovada nessa modalidade, inclusive com uso de explosivos, foram presas pela Força-Tarefa da Polícia Civil”, complementa o secretário. Também no período de maio, considerando todas as modalidades criminosas, as polícias prenderam 3.009 pessoas, dos quais foram cumpridos 494 mandados de prisão, 2.062 em flagrante delito e apreenderam 453 menores por atos infracionais. Já nos indicadores de violência doméstica e familiar, em maio foram contabilizados 2.674 casos, contra 2.706 em abril (menos 32 ocorrências). Fazendo o recorte dos estupros, as polícias receberam, no período, 147 queixas, contra 151 no mês anterior (leve redução de 2,65%). (Governo do Estado de Pernambuco)

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Petrobras reduz preços da gasolina e do diesel nas refinarias

A Petrobras reduziu o preço médio da gasolina e do diesel nas refinarias em 2,3% e 5,8%, respectivamente. Pelos cálculos da estatal, se o ajuste for repassado integralmente e não houver alterações nas demais parcelas que compõem o preço ao consumidor final, o valor da gasolina na bomba pode cair 0,9% ou R$ 0,03 por litro, em média; e o do diesel pode cair 3,5%, ou cerca de R$ 0,11 por litro, em média. No entanto, segundo a companhia, esse impacto depende de outros fatores da cadeia de combustíveis, principalmente distribuidoras e postos revendedores. A decisão do Grupo Executivo de Mercado e Preços da Petrobras acompanha a política de preços da companhia, anunciada em outubro de 2016. De acordo com a estatal, a redução reflete as variações recentes nos preços internacionais do petróleo que, depois de flutuar ao redor de US$ 50 por barril, registrou queda sucessiva e está abaixo de US$ 46 por barril atualmente. Além disso, segundo a Petrobras, há interferência do câmbio. Frequência de reajustes A estatal também informou nesta quarta que os reajustes de preços, atualmente feitos uma vez por mês, passarão a ocorrer em períodos mais curtos, por causa das volatilidades observadas no mercado internacional. Segundo o comitê, os intervalos de 30 dias “não têm sido suficientes para refletir as volatilidades de preços de internacionais de derivados e câmbio entre as datas dos reajustes”. (Agência Brasil)

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Convivência com o Semiárido e Cisterna-calçadão são compartilhadas em Angola

Tecnologia social que tem feito a diferença no Semiárido brasileiro, a cisterna-calçadão será compartilhada pela primeira vez com famílias agricultoras de Angola, a partir de um intercâmbio de experiências realizado pela Ajuda da Igreja Norueguesa (AIN) com a ONG Diaconia. A cooperação terá uma duração de 45 dias a começar hoje (15), com a ida do assessor político-pedagógico Afonso Cavalcanti e do pedreiro construtor de cisternas Dilson Nunes de Brito, ambos do Sertão do Pajeú. Na programação, estão previstas oficinas para construção de quatro tecnologias em comunidades rurais de duas províncias do país, que vivenciam realidades semelhantes ao Semiárido, de períodos cíclicos de seca. A iniciativa é um projeto piloto, que também envolve outras tecnologias a serem experimentadas posteriormente, como o biodigestor. “Queremos fortalecer o intercâmbio na perspectiva do conhecimento mútuo. Muito além de implementar tecnologias, queremos aprender, valorizar a cultura local e debater estratégias para que as pessoas manejem o ambiente em que elas vivem, tendo consciência de como as mudanças do clima afetam sua vida”, destaca Afonso. “Pra mim, o momento é de ansiedade e alegria, por essa nova experiência na minha vida”, afirma o pedreiro Dilson, 37 anos, que pela primeira vez vai atravessar o oceano e conhecer outra parte do mundo. Agricultor do Sítio Santa Rita, em São José do Egito, ele já prestou serviços de construção de cisternas em várias comunidades rurais ao longo dos últimos 8 anos. Cisterna Calçadão – Tecnologia que capta a água da chuva por meio de um calçadão de cimento construído sobre o solo, a cisterna-calçadão tem capacidade para armazenar até cerca de 52 mil litros de água. A água captada é utilizada para irrigar quintais produtivos: plantar fruteiras, hortaliças e plantas medicinais, e para criação de animais. A tecnologia faz parte de diversas estratégias desenvolvidas pela Diaconia e parcerias como a Articulação Semiárido (ASA), a partir dos conceitos da agroecologia e da convivência com as mudanças climáticas.

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Pesquisa da TGI e Amcham-Recife revela desafios dos pequenos e médios empresários

Em tempos turbulentos causados não apenas pelas incertezas da economia, como também em razão do cenário político nacional, é importante que os pequenos e médios empresários não se rendam ao desânimo e tampouco ao desespero. A recomendação é do consultor e sócio da TGI Fábio Menezes. “Mesmo com toda a instabilidade, o consumidor continua a adquirir produtos e serviços. Os namorados, por exemplo, não vão deixar de presentear no dia 12 de junho”, justifica o consultor que apresentou durante o Encontro de Pequenas e Médias Empresas da Amcham, realizado em maio, os resultados da pesquisa produzida pela TGI e pela Câmara Americana de Comércio Recife (Amcham-Recife) sobre o setor. Entre outros temas, a sondagem revelou os principais desafios dos pequenos e médios empresários pernambucanos para superar o atual período de crise. Em relação ao mercado, o setor enfrenta a necessidade de ampliar os negócios e retomar o crescimento com rentabilidade, garantir a receita mantendo os clientes atuais e administrando a inadimplência, além de investir em inovação e em comunicação. “A pesquisa trouxe também conteúdos importantes relacionados aos desafios da gestão, como ampliação da eficiência e da produtividade”, acrescenta Fábio. Quanto à equipe, os entrevistados salientaram a necessidade de capacitar os funcionários para estarem bem preparados para a retomada da economia. “Esse é um ponto relevante, porque o movimento inicial dos empresários é reduzir equipe quando a crise se instala. Porém, se o corte não for realizado de forma criteriosa, pode-se prejudicar muito as condições de competitividade não só no momento atual mas, quando o mercado começar a se recuperar, a empresa não terá condições de atender a demanda”, adverte Fábio. Em síntese, segundo o consultor, a pesquisa mostrou que os esforços estão concentrados na readequação para superar a crise. É natural, sobretudo em períodos de dificuldades econômicas, haver um achatamento das margens de lucros, os preços caem, em razão da queda da demanda (o consumidor fica mais receoso de comprar), a concorrência torna-se mais acirrada, tornando mais difícil elevar a rentabilidade com aumento das vendas. Uma ferramenta valiosa para enfrentar essa situação, revela o consultor, é a Matriz Produto x Mercado, também conhecida como Matriz de Ansoff (nome do estudioso que a concebeu). Uma das alternativas recomendadas pela ferramenta é desenvolver um novo produto ou serviço para os clientes atuais. Outra solução seria investir na ampliação de mercado: vender os produtos e serviços já produzidos para novos clientes com perfil diferenciado do atual público-alvo. Melhor ainda, recomenda o consultor, seria a completa diversificação, isto é, o desenvolvimento de um novo produto ou serviço para um novo cliente. “Não é fácil conceber e implementar essas inovações, afinal sempre há uma resistência natural, quando se está acostumado a trabalhar com determinado produto e um segmento de clientela. Mas recomendo que haja um esforço nesse sentido”, aconselha o sócio da TGI. A sondagem entrevistou 168 pessoas, a maioria dos entrevistados (79%) eram sócios das empresas. A pesquisa foi realizada entre os meses de março e abril deste ano. Os resultados coletados mostraram ainda que 81% das empresas ouvidas são do segmento de serviços; seguido de comércio (10%); indústria (7%); e 2% de agronegócio. ENCONTROS Lançado em maio, o Encontro de PMEs da Amcham passará a ter reuniões bimestrais e abordará temáticas estratégicas para o mercado local. É uma parceria da câmara de comércio e a TGI, com patrocínio da Queiroz Cavalcanti. “Noventa por cento da nossa base de associados é composta de pequenas e médias empresas. Elaboramos esse encontro porque queríamos muito um programa que falasse diretamente para os gestores desse setor”, explica Alessandra Andrade, gerente regional da Amcham-Recife. O grande percentual de pequenas e médias empresas associadas à Amcham é um reflexo da realidade de Pernambuco e do Brasil. Manuela Moura, sócia-diretora da Queiroz Cavalcanti, ressalta que o setor representa 27% do PIB brasileiro (de acordo com dados do Sebrae) e 52% dos empregos formais do País (IBGE/2015). “Pesquisa da Deloitte revelou que o número dessas empresas abertas no Nordeste registrou um aumento de 34% no período de 2013 a 2015”, salienta Manuela, acrescentando que a região foi a que apresentou o maior crescimento no País. Ela lembra que esse segmento teve um importante incentivo em 2016 com a mudança na legislação do Simples Nacional que permitiu que empresas que faturassem até R$ 4,8 milhões por ano pudessem entrar nesse regime tributário. Entretanto, ela ressalta que no Brasil ainda há dificuldade para atrair investimentos para as pequenas e médias empresas. Uma possibilidade que começa a ser construída é a obtenção de recursos por meio do mercado de capitais. “A B3 (antiga Bovespa) está procurando criar um mercado de small caps (como é conhecida a negociação de ações de PME)”, informa Manuela. Um outra empresa, a ATS, acrescenta a advogada, está em processo de autorização do Cade para criar uma bolsa de valores específica para esse segmento que funcionaria no Rio de Janeiro e seria afiliada à Bolsa de Nova Iorque. “Se a economia melhorar e se o Cade aprovar, há grandes chances que ela venha a se instalar no País” estima Manuela. *Por Cláudia Santos

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Futebol feminino pode crescer com nova legislação para a modalidade

O futebol feminino no País pode apresentar um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos. Tudo porque a Fifa (Federação Internacional de Futebol), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) decidiram que para participar dos campeonatos, os clubes precisarão ter uma equipe de categoria de base feminina ou se associar a um que já a tenha e seja estruturada. O prazo estabelecido para os times da série A foi até 2018 e os de outras divisões até 2019. “Com essa medida vai ser possível que em, aproximadamente quatro anos, tenhamos o mesmo nível de competitividade e qualificação do futebol feminino americano, que foi o que despontou mais rapidamente no mundo”, prevê o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho. Ele acredita que a Copas do Mundo feminina impulsionaram a decisão da Fifa, uma vez que houve um bom índice de audiência. A quantidade de times femininos, porém, ainda é pequena. Dos 20 clubes que irão disputar a Série A do Campeonato Brasileiro em 2017, somente oito possuem equipes formadas por mulheres. No Recife, dos três times principais, apenas Náutico e Sport estão com o feminino atuando. Em março de 2014, as jogadoras do Sport tinham encerrado os treinos e as competições devido à dificuldades financeiras. Elas só treinavam aos sábados e a maioria tinha outro emprego, porque não conseguia se sustentar como atletas. Em janeiro deste ano, o clube rubro-negro retornou com o feminino, por meio de investimentos (alimentação, hospedagem, pagamento − que antes não era oferecido). “Hoje, posso afirmar que o melhor time, em relação à estrutura no Nordeste, é o Sport”, assegura Djanira Ricardo dos Santos, coordenadora da equipe feminina de futebol do time. “As jogadoras estão profissionalizadas, com carteira assinada”, completa. Para Nira, como é conhecida, os investimentos não têm relação direta com as exigências da Fifa, mas ela acredita que a medida foi a melhor coisa que aconteceu para o futebol protagonizado pelas mulheres. O Santa Cruz, por sua vez, está desde o final de 2016 sem equipe feminina. A decisão de encerrar o time foi tomada após problemas estruturais e financeiros. Segundo o diretor de comunicação do clube, Inácio França, a previsão é que no próximo ano elas voltem a treinar e disputar campeonatos. “Vamos elaborar projetos, fazer um orçamento, identificar as profissionais para contratação, decidir o local onde serão os treinos, até mesmo quem será o treinador”, explica França. Já o Náutico, tem buscado parcerias e pensa em profissionalizar as jogadoras no futuro. O técnico do Futebol Feminino do Náutico, Jeronson de França Neto ou Zera, como é conhecido, avalia a necessidade de alguns ajustes para que a equipe volte a competir como nos anos anteriores. “Infelizmente o apoio que recebemos do clube não é suficiente para mantermos um time forte, que possa competir nacionalmente. O suporte é mais focado em assistência médica, treino, e inscrições em torneios”, relata. Por enquanto, como o Estádio dos Aflitos passa por reforma, o time está treinando no espaço cedido pela Marinha do Brasil e no Quartel do Derby. “Mas buscamos nos reestruturar, procurando financiamentos de parcerias que possam arcar com ajuda de custo”, espera o técnico. “A ideia é que a partir do segundo semestre estejamos mais organizados, para assim nos adequarmos às novas exigências”, projeta Zera. Para o técnico do Náutico, a medida da Fifa e das federações veio para suprir algumas lacunas na modalidade. “Falta investimento nos times femininos. Os clubes também entendem o futebol feito por mulheres como uma despesa, ao invés de ser investimento”, afirmou. “É um mercado que hoje, fora do País, está bem consolidado em relação a estrutura, investimento e qualidade das jogadoras”, adverte o técnico. Atualmente os clubes brasileiros participam dos torneios femininos sem terem qualquer despesa. No período de competição, normalmente a CBF em parceira com a Caixa Econômica Federal, custeia hospedagem, alimentação e passagem aérea. Além desse auxílio, os clubes ganham cotas para investir nas equipes: Sport e Vitória, por exemplo, que estão na Série A, recebem em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil. Já para os times da Série B, na faixa dos R$ 10 mil. Bárbara Micheline, goleira do Sport, começou aos 12 anos jogando futsal. Após um treino no campo, em 2005, foi chamada para a categoria Sub-20 da seleção brasileira e desde 2007 está na seleção principal, com algumas passagens em outros times do Brasil e do mundo. A goleira observa o futebol feminino no País ainda engatinhando para um maior reconhecimento, mas começa a se popularizar. “Lembro que em 2007 a seleção disputou o final do Pan-Americano no Rio de Janeiro e levou ao estádio mais de 50 mil pessoas, assim como, no ano passado, quando disputamos as Olimpíadas na Arena Manaus, 60 mil pessoas foram assistir à partida. Isso é um feito muito grande para o futebol feminino”, comemora. Bárbara ainda acredita que a nova medida vai ser fundamental para o crescimento do futebol feminino e a valorização das jogadoras. “Futuramente, vai ser muito difícil encontrar uma atleta de futebol feminino desempregada, que é uma coisa muito frequente ainda hoje”. Veja também: Vitória, um case de sucesso do futebol feminino   *Por Paulo Ricardo

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Veio a demissão. E agora?

Num período de crise prolongada como a que o Brasil enfrenta, o desemprego é um dos efeitos colaterais que mais afeta a população. Hoje são nada menos que 14 milhões sem emprego no País, segundo dados de abril do IBGE. É normal para quem está nessa condição sentir-se triste e até apreensivo. É preciso um tempo para assimilar essa situação difícil, porém o profissional não pode sucumbir ao desânimo e desespero, que podem atrapalhar na busca por uma recolocação no mercado de trabalho. Carla Miranda, sócia da ÁgilisRH, recorda-se de um candidato a uma vaga num processo de seleção que se colocava pouco confiante, que mal se ouvia sua voz na entrevista. “Por mais talentoso que fosse, as empresas tendiam a não contratá-lo em razão da sua postura”, alerta Carla. A saída é levantar a cabeça e traçar algumas estratégias para conseguir voltar a trabalhar. Um passo importante é estar atento às oportunidades, recorrer a sites de empregos e a redes sociais como o Likedin. Um cuidado importante: procurar empresas idôneas para enviar o currículo. Uma pesquisa nos sites de busca da internet ajuda a identificar organizações sérias. Essa pesquisa também será muito útil no momento da entrevista do processo de seleção. É possível conhecer como as organizações estão atuando, seus investimentos, o perfil do seu consumidor, etc, por meio do site das empresas onde se pretende trabalhar, da fanpage no Facebook e do noticiário. De posse dessas informações, o candidato à vaga, ao ser entrevistado, pode adaptar o seu discurso à realidade da organização. Outra dica preciosa é aproveitar o tempo vago para estudar para concurso e avisar aos amigos e às pessoas do seu network que está disponível para o mercado de trabalho. E nada de sentir-se constrangido por solicitar essa ajuda. Afinal, como ressalta Carla, as empresas não empregam para atender ao pedido de um amigo, mas sim em razão da competência do profissional e da disponibilidade de vaga. E, falando em network, uma boa forma de fazer relacionamentos é matricular-se num curso, oportunidade que permite conhecer pessoas de várias empresas. Além, claro, de se reciclar e ficar atualizado com as inovações da área em que se atua. Enquanto não aparece uma contratação, deve-se estar aberto a trabalhos como freelancer. “Fazer prestação de serviço de forma não continuada é uma maneira de manter-se no mercado e ainda obter renda”, aconselha a sócia da ÁgilisRH. Na hora de fazer o currículo todo cuidado é pouco. Nada de fotos – porque nem sempre a imagem é adequada, ainda mais se for um retrato três por quatro. A regra é ser objetivo. “Não precisa colocar molduras, cores, nem enfeites. Deve ser limpo e direto”, alerta Carla. Seguindo essa linha, as informações devem ser enxutas, mas não tão sucintas a ponto de não revelarem as habilidades do candidato. Por isso, é importante informar as atividades desenvolvidas nos empregos anteriores e os cursos como os de extensão e pós-graduação. Mas deve-se evitar colocar no currículo aqueles com matrícula trancada ou incompletos. Da mesma forma, não mencionar que possui inglês ou qualquer outro idioma em nível intermediário. “Caso a pessoa não seja fluente não vai conseguir executar a função exigida pela empresa”, recomenda Carla. Também estão descartadas frases subjetivas do tipo: “tenho liderança e empatia”. Deve-se evitar, ainda, dados relativos à documentação, como RG, CPF, o que é até perigoso. Bastam as informações essenciais para contatar o candidato, como endereço, telefone e e-mail. Nesse período de busca por uma colocação no mercado de trabalho torna-se imprescindível ficar de olho no bolso. Afinal, sem a renda proveniente do salário, a saída é “esticar” ao máximo o dinheiro da indenização e do seguro desemprego. É hora de liquidar o cartão de crédito, as prestações, não fazer novas dívidas e reduzir os gastos. “Sempre há gordura para cortar”, assegura Carla Miranda. Por fim, é interessante abrir os olhos para outras possibilidades de atuação em áreas distintas das que trabalhava. Muitas pessoas chegam até a abrir um negócio próprio. Veja na próxima edição da Algomais dicas para quem quer empreender.

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O que diz o livrinho? (por Francisco Cunha)

Feitas as contas, tenho mais de 40 anos de “janela”, observando com atenção o cenário político e econômico do País. Sim, desde que entrei na faculdade acompanho atentamente a cena nacional e posso dizer, sem medo de errar, que não lembro de ter visto uma situação política tão “enevoada” no curto prazo como esta que estamos vivendo nos dias de hoje. Fui testemunha ocular da segunda metade da ditadura militar, vivi a incerta abertura democrática, a luta e a conquista da anistia, a angustiante eleição e morte de Tancredo Neves, o titubeante governo Sarney, o decepcionante Plano Cruzado, a efervescente Assembleia Nacional Constituinte, a festa das eleições diretas para presidente, a surpresa da eleição, do confisco e do impeachment de Collor, o insólito governo Itamar, a desconfiança e o sucesso do Plano Real, a eleição e o governo de FHC, a revolucionária eleição e o governo distributivista de Lula, e o errático período Dilma. Sem falar na infinidade de crises inclusas em todos esses períodos… Todavia, sempre tinha um sentimento mais ou menos claro do que viria depois da tempestade, mesmo quando ela parecia (e era!) bem forte. Hoje, o tempo nublou de vez e a crise da sucessão do presidente Temer mergulhou nas “brumas de Avalon”, com o País literalmente dividido entre “coxinhas” e “mortadelas”, o que dificulta em muito a saída negociada do impasse… Em meio às névoas da incerteza, todavia, tenho uma firme convicção: a saída tem que ser constitucional, qualquer que seja ela! O Estado de Democrático de Direito foi, junto com a estabilidade econômica, a grande conquista da luta cidadã de toda uma geração, empreendida ao longo das últimas décadas. Qualquer tentativa de aventura fora disso, não podemos esquecer, é crime de lesa-pátria! Relata a crônica histórica que o primeiro presidente eleito depois da ditadura Vargas, o marechal Eurico Gaspar Dutra, sempre que lhe apresentavam alguma questão politicamente cabeluda, perguntava, apontando para o pequeno exemplar da Constituição de 1946 que levava consigo: “o que diz o livrinho?” O próprio presidente Temer, professor de direto constitucional que é, no seu discurso pós-impeachment, citando o presidente Dutra, prometeu ter sempre esta atenção. É chegada a hora do mais duro teste dos últimos tempos: fora do “livrinho” não há salvação e todo o resto, por mais sedutor que seja, não passa de aventura casuística!

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Por que os brasileiros jogam lixo na rua?

O Brasil é o quarto mercado mundial em produtos de limpeza, depois dos EUA, China e Japão, segundo pesquisa realizada pelo Euromonitor. Isso significa que o brasileiro é muito cioso da limpeza da sua casa. O mesmo, porém, não acontece da porta para fora. Basta observar as ruas das cidades brasileiras e constatar a grande quantidade de lixo acumulada. Para se ter ideia, no Recife, em vias como as Avenidas Conde da Boa Vista e Guararapes, o trabalho de varrição chega a acontecer sete vezes por dia. Para o antropólogo Roberto DaMatta, esse comportamento tem origem na conflituosa relação que o brasileiro tem com as áreas privadas e públicas. A rua, sendo de todos, é tratada como se fosse de ninguém. “A representação da casa denota uma apropriação de um espaço que você possa chamar de seu. Já a rua é o lugar onde cada um deve zelar por si”, explica o estudioso que abordou o assunto na obra A Casa & a Rua. DaMatta ainda explica que o descaso com o que é público tem origens históricas. “Surge desde a época dos grandes impérios, onde se tinha uma lei para os nobres e, outra, para o povo, e um mesmo crime era julgado de forma diferente”, explicou. Para o professor, essa ideia de impunidade foi se perpetuando por gerações resultando no chamado “jeitinho brasileiro”. “A diferença é que hoje na Europa, por exemplo, existam multas severas para quem despeja o lixo no lugar inadequado. Mas nós brasileiros vamos sempre achar que podemos driblá-la ou que a punição não vai acontecer com a gente, então continuamos mantendo esse hábito e jogando a responsabilidade para o outro”, destaca. Cidades como o Rio de Janeiro e Jaboatão dos Guararapes já dispõem dessa legislação. Mas, em outras localidades, essas ações punitivas não ganharam tanto alcance por falta de regulamentação. A psicóloga social, Helenilda Cavalcanti, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), também acha, como DaMatta, que leis são importantes, mas não resolvem o problema. “Acredito ser fundamental uma formação como cidadão, que não se aprende necessariamente na escola”, afirmou. “Muitas vezes não temos uma atenção com o espaço público, por pensarmos que a responsabilidade é do outro, mas não damos conta de que vivemos em sociedade e nossas atitudes, por menores que sejam, como realizar a coleta seletiva, pode mudar tudo”, avaliou. “As leis podem ser importantes, mas também tem que partir de nós mesmos querer ajudar”, concluiu. Implicações históricas também são o ponto de partida da análise de Tiago César, professor de história da Universidade Católica (Unicap). A falta de atenção do poder público, segundo o acadêmico, levou as populações a jogarem seus lixos em locais baldios ou desabitados. “Essa prática era comum desde o Brasil Colônia e, embora as Câmaras Municipais legislassem sobre o assunto, sabemos que, mesmo sob o risco de multas, a população continuava a jogar seus dejetos em locais inapropriados. Estamos falando de um costume de longa duração que necessita de tempo e de um trabalho intensivo de parceria dos políticos com a sociedade”, analisa. “Hoje se quisermos mudar essa prática precisaríamos ter, primeiramente, reformas básicas e inteligentes nos locais mais degradados de nossas cidades, permitindo com que as classe sociais mais atingidas se sintam parte dela, começando por ter acesso a uma infraestrutura de qualidade, além de se potencializar uma escolarização de nível, paralelamente, e um trabalho de conscientização”, sugeriu o professor Tiago. Entretanto, ele explica que o descuido com o que é público não é um fenômeno associado unicamente a um grupo ou classe social. “Já vi gente muito instruída, estudando em ótimos colégios, jogando o papel do sanduíche no chão, tendo ao lado uma lixeira”, ressalva. DaMatta também acredita que a alternativa para resolver o problema seriam medidas de conscientização. “Possíveis programas educacionais, aliados a campanhas eficientes que incentivem a população e atendam as camadas mais necessitadas”, explicou. Já o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier, salienta que se deve levar em conta a dimensão cultural em relação a políticas públicas voltadas para os resíduos. “Nós convivemos com o lixo e não ficamos indignados. Os japoneses, por exemplo, se sentem incomodados, porque já faz parte da cultura deles. O brasileiro vai para o estádio, vê a sujeira no chão e pode até não ficar confortável, mas não toma nenhuma iniciativa para mudar aquilo”, destaca. Entre as soluções apontadas por Sérgio Xavier está um sistema de coleta seletiva eficiente, uma economia que valorize o resíduo – através da reciclagem, por exemplo, campanhas de integração com cooperativas, uma logística que facilite a entrega do material para reciclar. No entanto, Xavier ressalta as dificuldades de efetivar medidas que visem a conscientização da população. “Temos um grande analfabetismo ambiental no nosso País e no mundo, muitas vezes as pessoas não sabem que o lixo pode ser reaproveitado, que uma casca de uma fruta pode virar um adubo, por exemplo”, observa. *Por Paulo Ricardo

Por que os brasileiros jogam lixo na rua? Read More »