*Por Manu Siqueira
A lembrança mais longínqua que tenho da Itália é da adolescência. Enquanto todas as minhas amigas do colégio faziam excursões para celebrar seus 15 anos na Disney, eu já sonhava com a Itália. Não me pergunte o porquê. Talvez pelo fato de sempre, desde muito nova, ser uma amante das artes, da arquitetura, da música, da história e de uma boa gastronomia. Talvez por isso a Itália ocupasse esse lugar em que meus olhos brilhavam e meu coração acelerava só de me imaginar diante de tanta beleza. Mas há um certo mistério nessa relação. Algo que não acontecia com outros países.
Pois bem, ano passado, assistindo a um episódio da série Emily in Paris, que estava sendo gravada em Roma, aquele desejo adormecido acordou. E acordou gigante, potente, com muita força. Liguei para uma amiga querida e planejamos, muito descompromissadamente, uma eurotrip para este ano. Portugal, Holanda e Itália seriam os destinos. Minha amiga, infelizmente, não seguiu com os planos, mas eu decidi, não sei com qual coragem, ir assim mesmo, sozinha, pela primeira vez na Europa, aos 49 anos.

Eu devo muito dessa decisão ao meu terapeuta. Ele me ajudou a identificar o quanto a autossabotagem, o medo e as crenças limitantes adiaram essa decisão por uma vida inteira. No final de setembro, meus pés pisaram pela primeira vez em um lugar que, na minha cabeça, seria impossível de conhecer. Muito menos completamente sozinha. Roma foi o início de uma experiência de nove intensos dias pela Itália. Logo Roma, que, se lida de trás para frente, forma a palavra amor. E amor foi o que eu mais senti por Roma.
Seu cheiro, seus sabores, suas cores, sua vibração. Roma mexe com a emoção da gente. Mesmo cansada, depois de uma viagem longa, assim que cheguei ao hotel, tomei um banho rápido e fui ver o Coliseu à noite, todo iluminado. Eu estava eufórica e emocionada. Meus olhos marejaram. O Coliseu é de uma imponência, grandeza e beleza que deixam a gente meio tonta, meio embriagada. É uma visão tão impactante que a gente esquece o que houve lá dentro. Havia uma lua cheia que deixava tudo mais bonito e romântico. Sim, Roma é um caso de amor. É paixão que arrepia e sabor que a gente não esquece.

Foi muito significativo começar essa aventura por Roma, a cidade eterna, que se tornou um império e é berço da civilização ocidental e cristã. Cheguei prontíssima para incendiá-la com amor, liberdade e uma felicidade que transbordava por toda a minha pele.
Comi uma pizza. Celebrei aquele momento simples com gratidão. No outro dia, contratei um passeio guiado para percorrer suas ruas. Horas e horas caminhando, tentando aproveitar cada segundo daquela experiência. Coliseu, Fórum Romano, Piazza Navona, Fontana di Trevi, Museus do Vaticano, Capela Sistina, Castelo Sant’Angelo e Circo Máximo são alguns dos lugares que me marcaram pela exuberância e beleza.

À noite, fiz uma coisa que jamais imaginei fazer um dia: andei de moto pelas suas charmosas e escuras ruas. Uma experiência totalmente extraordinária. Acho arrebatador quando a gente tem medo de alguma coisa e a vida vem e diz: “Vem cá! Experimenta! Vai que você gosta…”. E eu simplesmente me permiti, mesmo com medo. E foi incrível! Inesquecível poder dar uma voltinha pelas ruas noturnas de Roma e sentir aquele vento gelado tocando a minha pele. Todo o meu medo desapareceu num passe de mágica. E fui apenas feliz naquele momento. Experimentar os costumes culturais do lugar sempre me fez vibrar por dentro. E as lambretas, motos e vespas são muito tradicionais em todo o país.
No dia seguinte, fiz um bate e volta em dois lugares que quero muito conhecer com calma: Nápoles e Capri. Mas esse já é assunto para outro artigo. Ah! A “pasta” carbonara que jantei na última noite em Roma foi marcante. Uma massa leve, muito saborosa, que só depois descobri que precisava misturá-la bem para atiçar seu sabor e aroma e comê-la quente.
Roma é poesia escrita nas rochas, nas pedras históricas que a circundam. Termino este texto com um trechinho da música “Sarà Perché Ti Amo”, superviralizada nas redes sociais e que traduz um pouco do que senti: “É tão lindo, que não me parece real; se o mundo é louco, o que tem de estranho? Louco por louco, pelo menos nos amamos!”. É assim que me despeço de Roma, amando-a. Trago comigo as melhores lembranças, um coração quentinho, olhos agradecidos por terem visto tanta beleza e, o mais importante, a certeza de que voltarei em breve.

Se você, que me leu até aqui, tem um desejo que parece difícil de realizar, tenha-o como prioridade. Planeje-se, tenha foco e siga adiante. A viagem já começa quando você decide realizá-la. É um processo gostoso, prazeroso. Sua visão de mundo se amplia. Você se transforma. É arrebatador! E eu já estou planejando a minha próxima viagem. Bora?
*Manu Siqueira é jornalista
