Stênio Cuentro defende um CREA-PE protagonista no desenvolvimento de Pernambuco

A Algomais entrevistou os candidatos à presidência do CREA-PE para apresentar aos leitores as propostas e prioridades de cada concorrente para o futuro da entidade e para os desafios da engenharia, da agronomia e das geociências em Pernambuco. Todos os candidatos (Inaldo Marques, Hilda Gomes, Stênio Cuentro e Nielsen Christianni) receberam exatamente o mesmo conjunto de perguntas, garantindo igualdade de condições para a apresentação de suas ideias.

Nesta entrevista, o engenheiro civil Stênio Cuentro apresenta suas propostas para a presidência do CREA-PE. Com mais de quatro décadas de atuação profissional, incluindo experiência na gestão pública, no Sistema Confea/Crea e na presidência da Associação Brasileira de Engenheiros Civis em Pernambuco (ABENC-PE), ele defende um Conselho com maior protagonismo nas discussões sobre o desenvolvimento do Estado, fortalecimento da fiscalização profissional, valorização da categoria e ampliação da presença da instituição em todas as regiões de Pernambuco.

Qual deve ser o papel do CREA nos debates sobre desenvolvimento econômico de Pernambuco?

Servir a sociedade, aos profissionais e empresas de engenharia é a missão do CREA/PE, razão primordial pela qual a inserção nos debates de interesse geral e especialmente no desenvolvimento econômico de Pernambuco, torna-se obrigação da gestão. Esse é um dos caminhos para mostrar a todos e a cada um a importância da engenharia, da agronomia e das geociências na construção do estado e do País, responsáveis que somos, pela produção de mais de 70% das riquezas. Essa participação na vida das pessoas se dá de uma forma tão orgânica que poucos percebem a mão do engenheiro no seu dia a dia. Redes de água e esgotos, habitações, energia elétrica, estradas, pontes, viadutos, equipamentos médicos e de medicina, roupas, alimentos, meios de transporte, papel, as notícias que chegam, os celulares, meio ambiente, tudo tem a nossa forte participação. De sorte que a nossa presença nos debates sobre o desenvolvimento econômico daqui e do país é imprescindível, mais do que isso, liderar esses debates tem que ser um trabalho objetivo com metas a serem buscadas permanentemente.

Pernambuco enfrenta problemas históricos de mobilidade, drenagem urbana e ocupação desordenada. Como o CREA pode contribuir para soluções concretas?

Tais problemas podem ser observados com mais importância na Região Metropolitana do Recife, mas, à medida que os centros urbanos do Agreste e Sertão se expandem e adensam, começam a reduzir a qualidade de vida das pessoas, que se veem diante de perda de tempo em deslocamentos diários, enchentes e alagamentos de ruas e avenidas, deslizamento de encostas dos morros nos períodos de chuvas, só para citar alguns. O transporte de massa por metrô, a desocupação de margens de canais e rios, o adensamento populacional em conjuntos habitacionais de qualidade, a reocupação do centro do Recife, a modernização dos planos diretores, de uso e ocupação do solo, por exemplo. Observamos que nos últimos anos nós engenheiros nos afastamos do centro dessas discussões, responsabilidade deve ser compartilhada com o CREA/PE, fato é que o planejamento com a qualidade de vida das pessoas, o bem morar nas cidades, o ir e vir de forma segura e confortável, os serviços de boa qualidade necessários à população a tempo e a hora, deve ser prioridade. A liderança desses debates deve ficar a cargo do Conselho que reúne mais de 42.000 profissionais de todas as áreas e detém conhecimento técnico adequado e suficiente para a construção das soluções.

As mudanças climáticas têm provocado enchentes, deslizamentos e eventos extremos em Pernambuco. Qual deve ser a contribuição do CREA nesse debate?

Liderar os debates, informar à população, cobrar responsabilidades dos gestores públicos, construir e colaborar na implantação de políticas públicas que visem o enfrentamento da situação que passa o planeta. Recife e região são áreas nas quais essas mudanças virão com maior força. Fato é que, o avanço do mar sobre as zonas litorâneas nos últimos 50 anos na RMR, indica que as mudanças já estão em curso. Constatar o aumento do nível dos oceanos que já cobriu muitas áreas do planeta e já está em nossas portas, impelem a tomada de decisões para o quê, a nossa engenharia detém conhecimento para mitigar esses efeitos. Amsterdã e Veneza, por exemplo, convivem com o elevado nível do mar, mesmo se encontrando bem abaixo da superfície. A aplicação de um conjunto de soluções para redução das emissões e melhoria da qualidade de vida das pessoas é e será exemplo de cidadania, mas, a execução de intervenções físicas necessárias e suficientes demanda conhecimento, tecnologia e trabalho. Isso nós engenheiros sabemos fazer. Falta a decisão política para sua concretude.

Que legado o senhor(a) gostaria de deixar para o estado caso seja eleito(a) presidente do CREA-PE? Que ações iniciativas estão nos seus planos de ação?

Tenho afirmado em todos os debates que a nós profissionais do sistema nos falta um plano, um que seja nosso, construído com nossa visão de sociedade, e do juramento que fizemos em servi-la e a todos, sem isso, somos parte dos planos de outros. Nesse plano, devemos constatar as ameaças e fraquezas que nos cercam, assim como, as nossas fortalezas e oportunidades que estão ao nosso redor. Propor os devidos remédios para aquelas e maximizar estas. A implantação da 1ª. Residência Técnica de Engenharia no País é o passo mais importante a ser dado. Melhor qualificado esse engenheiro será disputado pelo mercado, melhor remunerado, mais respeitado e seguramente ocupará os espaços de decisão para implantação das políticas públicas de interesse da população. Para que isso ocorra, conclamo a todos e a cada um para que formemos uma aliança, com objetivos e metas comuns, há espaço para todos; nos próximos anos, o Brasil precisará dobrar a quantidade de engenheiros para superar todos os seus gargalos sociais e econômicos. Isso tem que ser feito com profissionais bem qualificados. Recursos naturais, território, riquezas, competência, tudo isso temos, só nos falta um bom plano.

Qual é hoje o maior problema enfrentado pelos profissionais registrados no CREA-PE? Como valorizar engenheiros, agrônomos e geocientistas em um mercado cada vez mais competitivo?

Liderança. Comprometida, engajada, capaz de construir amplas e sólidas alianças, conquistar os espaços que nos são próprios. Liderança para construir um plano. Liderança para mostrar a sociedade o quanto somos importantes na vida de todos. No dia a dia, fiscalizar o exercício ilegal da profissão. Desde a construção civil sem a presença de um profissional habilitado, passando por um profissional que responda legalmente pelas obras públicas, ou um receituário agronômico firmado pelo engenheiro qualificado. Baixos salários, excesso de cursos de engenharia, e como resultado, avaliação muito baixa do ensino. Engenheiros formados sem a frequência de laboratórios específicos, sem as práticas dos serviços e obras minimamente necessários. Isso leva ao desencanto com a profissão, a baixa procura e a desvalorização profissional. Há muito a ser feito.

Como fortalecer a presença do CREA no interior do estado?

Nossa chapa é composta por profissionais renomados de todas as regiões do estado. Para a direção da Mútua, nossa caixa de assistência profissional, Bruno Lagos em Caruaru, Julimar Viana em Carpina, Renato Faccioly em Petrolina, sob a liderança nacional de Joel Krueger no CONFEA, em Brasília. Esse exemplo de fortalecimento e representação territorial construímos à frente da ABENC/PE – Associação Brasileira de Engenheiros Civis em Pernambuco, da qual sou presidente licenciado. Nossa entidade conta com mais de 540 profissionais em todo estado, por isso mesmo, sua diretoria e conselhos estão de igual forma distribuídos, isso nos permite escutar a todos e em todos os recantos de Pernambuco. Esse é o caminho de como fortalecer o nosso CREA/PE, isso nós fizemos e faremos, com a participação de todos.

Mini Biografia: Stênio de Coura Cuentro é engenheiro civil com mais de 40 anos de experiência em infraestrutura, saneamento e gestão pública. Foi superintendente, conselheiro e vice-presidente do CREA-PE, além de coordenador nacional da Engenharia Civil no Confea. Atualmente, preside a ABENC-PE e possui atuação em projetos no Brasil e no exterior.

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