Levantamento do Nube mostra que profissionais buscam alternativas como trabalho remoto, folga e banco de horas para lidar com o desgaste emocional
Uma pesquisa realizada pelo Nube aponta que 37,25% dos profissionais iriam trabalhar mesmo sem condições emocionais, por se sentirem obrigados a manter suas atividades. O levantamento, feito com participantes de diferentes regiões do país, também mostra que 27,62% tentariam negociar uma folga ou recorrer ao banco de horas, enquanto 26,87% solicitariam trabalho remoto naquele dia. Outros 7,53% faltariam e explicariam o motivo ao gestor, e 0,73% inventariam uma doença física para justificar a ausência.
Flexibilidade diante do esgotamento
Somados, os profissionais que recorreriam ao trabalho remoto ou à negociação de folga e banco de horas representam 54,49% dos participantes. Para Bianca Figueiredo, analista de treinamento do Nube, os resultados ajudam a compreender os fatores que influenciam a decisão de continuar trabalhando mesmo diante do desgaste. “Indica a presença de fatores culturais relacionados à culpa, ao medo de julgamento ou à preocupação com impactos na carreira. No entanto, essa decisão também pode estar associada ao senso de responsabilidade profissional, à insegurança financeira ou até à incerteza sobre o nível de esgotamento necessário para justificar uma ausência”, explica.
Empresas e saúde emocional
Para a especialista, políticas claras sobre flexibilidade, banco de horas e comunicação de dificuldades podem reduzir a insegurança dos trabalhadores sobre como agir nesses momentos. “Uma parcela significativa dos profissionais sente necessidade de manter suas atividades mesmo sem estar em condições ideais de desempenho. Por isso, políticas claras, parâmetros transparentes e canais acessíveis de conversa ajudam a reduzir ambiguidades, aumentam a previsibilidade na gestão das equipes e atuam de forma preventiva contra o esgotamento”, afirma.
Sinais de alerta no trabalho
Mudanças de comportamento também podem indicar situações de desgaste emocional. “A identificação precoce exige uma combinação de liderança preparada, acompanhamento contínuo e um ambiente psicologicamente seguro. Mudanças bruscas no padrão de comportamento, isolamento de pessoas normalmente participativas, oscilações inéditas na produtividade ou atrasos frequentes podem funcionar como sinais de alerta”, explica. Entre as iniciativas citadas para acompanhar as equipes estão pesquisas de clima organizacional, reuniões periódicas entre líderes e funcionários e programas de apoio emocional.
Papel das lideranças
Bianca também aponta que gestores podem atuar por meio de ajustes temporários de demandas, prazos e prioridades e do acesso a recursos de apoio psicológico e do RH. “O papel da liderança deve ser pautado pelo acolhimento, pela escuta ativa e busca de soluções práticas. Antes de qualquer medida, é fundamental compreender a causa da sobrecarga e criar um ambiente seguro para conversas sobre saúde mental”, afirma. “Vai além de reagir quando o problema já está instalado, gestores têm um papel fundamental na prevenção, promovendo equilíbrio, clareza de expectativas e uma cultura na qual pedir ajuda não seja visto como sinal de fraqueza”, conclui.

