Levantamento da CNDL e do SPC Brasil revela que 41% já gastaram mais do que podiam e 36% contraíram dívidas ou atrasaram contas devido a compras não planejadas
As facilidades oferecidas pelo comércio eletrônico, associadas às promoções e à influência das redes sociais, têm estimulado compras sem planejamento e ampliado os riscos para o orçamento das famílias. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, revela que 69% dos consumidores que compram pela internet nas capitais brasileiras admitem fazer compras por impulso. Além disso, 41% afirmam já ter gastado mais do que podiam. O comportamento também se tornou mais frequente: a proporção dos que compram impulsivamente quase sempre passou de 10%, em 2025, para 14%, em 2026, enquanto aqueles que fazem isso frequentemente passaram de 15% para 19%.
Compras não planejadas comprometem o orçamento
As consequências aparecem no pagamento das contas. Segundo o levantamento, 36% dos consumidores que compram por impulso já contraíram dívidas ou atrasaram compromissos financeiros em razão dessas aquisições. Entre os jovens de 18 a 28 anos, o percentual chega a 45%. O cartão de crédito é o principal compromisso afetado, mencionado por 15% dos entrevistados. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário exige atenção diante do custo elevado do crédito e das dificuldades de organização financeira. “Os resultados chamam a atenção em um ambiente econômico no qual o custo elevado do crédito e o comprometimento da renda dificultam a organização financeira. Para quem já enfrenta problemas para pagar as contas, compras não planejadas podem agravar o endividamento e comprometer ainda mais a capacidade de pagamento. Mesmo consumidores que estão com as contas em dia podem acabar entrando na inadimplência ao acumular despesas que não estavam previstas no orçamento”, destaca.
Promoções e redes sociais impulsionam o consumo
As ofertas promocionais são o principal estímulo para as compras por impulso, apontadas por 57% dos entrevistados, seguidas pelo frete grátis (48%) e pelos descontos com tempo limitado (27%). As redes sociais também exercem influência significativa: 58% dos consumidores que compram impulsivamente afirmam já ter adquirido produtos após assistir a vídeos no Instagram, TikTok ou YouTube. Entre os itens mais comprados sem planejamento estão roupas, sapatos e acessórios (37%), comidas e bebidas por delivery (32%) e cosméticos e produtos de beleza (30%). A combinação de publicidade direcionada, facilidade de pagamento e ofertas temporárias favorece decisões rápidas, muitas vezes sem uma avaliação prévia da necessidade da compra.
Emoções também influenciam as decisões de compra
O levantamento mostra que os impulsos de consumo não estão associados apenas às estratégias comerciais. A busca por recompensa (18%), os momentos de felicidade intensa ou comemoração (17%) e o tédio ou a sensação de vazio (12%) aparecem entre os fatores emocionais que motivam aquisições não planejadas. A solidão e a tristeza também ganharam importância, passando, respectivamente, de 5% e 6%, em 2025, para 9% em ambos os casos, em 2026. Apesar disso, 43% dos consumidores que compram por impulso nunca refletiram sobre as emoções que influenciam esse comportamento. Após as compras, 59% relatam sentimentos negativos, incluindo arrependimento, culpa e preocupação com as dívidas.
Planejamento financeiro é fundamental para evitar dívidas
Diante dos resultados, a CNDL e o SPC Brasil destacam a importância de acompanhar os gastos, avaliar a necessidade de cada aquisição e evitar o acúmulo de parcelas. O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro, alerta para os riscos de interpretar qualquer desconto como uma oportunidade de economia. “O consumidor precisa entender que nem toda promoção representa uma oportunidade de economia. Quando a compra não é necessária ou não cabe no orçamento, o desconto pode acabar se transformando em mais uma dívida. Em um país onde muitas famílias já convivem com contas atrasadas e dificuldades para renegociar seus compromissos, controlar os gastos é fundamental. O planejamento financeiro permite identificar prioridades, evitar o acúmulo de parcelas e impedir que o consumo por impulso comprometa a saúde financeira da família.” A pesquisa ouviu 800 consumidores que realizaram compras pela internet nos 12 meses anteriores, com coleta entre 25 de maio e 4 de junho de 2026. A margem de erro dessa amostra é de 3,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
