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Violações contra a pessoa idosa crescem 82% em 2019

O ano de 2019 foi marcado pelo aumento de violações contra a pessoa idosa, notificadas pelo Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência Contra a Pessoa Idosa (CIAPPI), programa vinculado à Secretaria Executiva de Direitos Humanos (SEDH). De janeiro a dezembro do ano passado foram quantificadas 2.845 ocorrências, um aumento de 82%, se comparadas ao mesmo período de 2018, com 1.151. De acordo com o CIAPPI, no ranking dos crimes está à negligência em primeiro lugar, com 1.013 casos, seguida da violência financeira, com 694, e em terceiro lugar, a psicológica com 580. Ainda segundo o programa, também foi constatado o aumento das denúncias que em 2018 foram 796 e em 2019 somaram 1.450. Para o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, o aumento reflete a sensibilização da população e o fortalecimento da pessoa idosa para denunciar. “O Governo de Pernambuco vem trabalhando com afinco na perspectiva de sensibilizar as pessoas a denunciarem, além de estarmos também esclarecendo a vítima de que é possível se livrar de qualquer tipo de violação”, relata.

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Desmate de fragmento da Mata Atlântica eleva temperatura local

Elton Alisson  – Estudo feito por pesquisadores das universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp) revela que, se um fragmento de Mata Atlântica de aproximadamente um hectare tiver 25% de sua área desmatada, a temperatura local aumenta 1º C. Se todo o pequeno remanescente for desflorestado, portanto, o impacto na temperatura máxima local pode chegar a 4º C. Os dados foram divulgados na revista PLOS ONE. “Conseguimos detectar efeitos climáticos de aquecimento causado pelo desmatamento de florestas nessa escala de fragmentos da Mata Atlântica, muito comuns no Sudeste do país”, disse à Agência FAPESP Humberto Ribeiro da Rocha, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e coordenador do trabalho. A investigação foi conduzida no âmbito de dois projetos: um vinculado ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e outro ligado ao Programa BIOTA-FAPESP. De acordo com Rocha, já havia evidências científicas de que o desmatamento de florestas tropicais promove o aquecimento do ar em escala local, mas baseadas em medidas de grandes áreas desmatadas, obtidas principalmente de estudos feitos na Amazônia. “Não havia uma informação detalhada sobre o efeito do desmatamento em pequenos fragmentos, nem estudos que levassem em conta diferentes níveis de antropização [mudanças por ação humana]”, disse Rocha, membro da coordenação do PFPMCG. A fim de suprir essa lacuna, os pesquisadores analisaram a relação entre o grau de desmatamento e o aquecimento da temperatura local em remanescentes da Mata Atlântica situados na Serra do Mar, no litoral norte de São Paulo, por meio de estimativas da temperatura da superfície terrestre (LST, na sigla em inglês). Essas estimativas da temperatura superficial são feitas a partir de dados de emissão de fluxos de calor (térmicos) em todo o globo, registrados continuamente por sensores ópticos no infravermelho, como os acoplados aos satélites do Programa Landsat, da agência espacial americana, a Nasa. Com base nesses dados, foi calculada uma média anual de temperatura superficial de dezenas de milhares de amostras de áreas da Mata Atlântica com aproximadamente um hectare e com cobertura florestal variável do nível total até o desmatamento integral. Os fragmentos florestais também apresentavam diferentes graus de antropização, com variação de 1%. Os cálculos, feitos durante o doutorado da pesquisadora Raianny Leite do Nascimento Wanderley, sob orientação de Rocha, indicaram que as áreas com menor cobertura florestal apresentam temperaturas mais altas. Cada aumento de 25% na retirada da cobertura vegetal nativa resultou no aquecimento de 1º C na temperatura local, chegando a 4º C no caso de desmatamento total. “Esse padrão detectado é interpretado como uma caracterização de impacto da perda de cobertura florestal no microclima do ambiente”, disse Rocha. Impactos na floresta Segundo os pesquisadores, os fragmentos de Mata Atlântica abrangidos pelo estudo, situados em maior altitude, têm proporcionalmente maior quantidade de carbono estocado no solo em comparação com áreas da Amazônia. Dessa forma, o desmatamento dessas áreas pode comprometer o balanço de carbono da floresta. “A Mata Atlântica, que hoje está em equilíbrio ou talvez esteja marginalmente absorvendo carbono da atmosfera, pode passar a ser uma fonte emissora”, ponderou Carlos Joly, professor da Unicamp e um dos autores do estudo. O aumento da temperatura nesses fragmentos de floresta afeta mais a respiração do que a fotossíntese das plantas. Esse efeito também contribui para a liberação de maiores quantidades de carbono da floresta para a atmosfera, afirmou Joly, que é membro da coordenação do BIOTA-FAPESP. “A combinação desses dois processos cria uma sinergia maléfica para aumentar as emissões de carbono da floresta para a atmosfera”, acrescentou. De acordo com Joly, ainda não se sabe se os efeitos do aumento da temperatura nos fragmentos de Mata Atlântica em razão do desmatamento são iguais em todas as espécies de árvores. Normalmente, são as espécies pioneiras – que sobrevivem em condições desfavoráveis devido à alta capacidade reprodutiva – que apresentam maior capacidade de resistir a mudanças de temperatura, explicou o pesquisador. “Ainda não temos condições de prever em quanto tempo, mas no longo prazo certamente o aumento da temperatura em fragmentos de Mata Atlântica causado pelo desmatamento pode influenciar, de forma diferenciada, a sobrevivência de espécies de árvores na floresta”, disse. “Pode ser que ocorra uma diminuição de espécies típicas de uma floresta madura e aumente a proporção de espécies de maior plasticidade, que, em geral, são as pioneiras ou secundárias iniciais.” Funções comprometidas Considerada uma das florestas mais ricas e ameaçadas do planeta, a Mata Atlântica ocupa hoje 15% do território brasileiro, em região que abrange 72% da população do país. Dados recentes do Atlas da Mata Atlântica indicam que foram perdidos 113 quilômetros quadrados (km2) do bioma entre 2017 e 2018. O monitoramento é feito de forma contínua pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Além dos impactos na biodiversidade, o desmatamento, ainda que em escala pequena, compromete importantes serviços ecossistêmicos prestados pela Mata Atlântica, entre eles a regulação térmica, ressaltam os autores. “A floresta é importantíssima para manter as temperaturas mais amenas em escalas local e regional. A mudança em seu funcionamento pode comprometer essa função”, disse Joly. O abastecimento de água também pode ser impactado. A Mata Atlântica abriga sete das nove maiores bacias hidrográficas do país, que são as cabeceiras de rios que abastecem reservatórios responsáveis por quase 60% da produção da energia hidrelétrica e fornecem água para 130 milhões de habitantes do país. “A Mata Atlântica não produz água, mas protege as nascentes e permite o armazenamento nos reservatórios para consumo, geração de energia, irrigação agrícola e pesca, entre outras atividades”, apontou Joly. Por estar situada em áreas extremamente íngremes, como as encostas, a floresta ajuda a evitar deslizamentos de terra, muito comuns em períodos de chuvas intensas. “A remoção ou a mudança no funcionamento desses fragmentos de floresta pode diminuir muito essa proteção”, afirmou Joly. Segundo o pesquisador, o Estado é o maior indutor do desmatamento na Mata Atlântica, hoje reduzida a 12,4% da área original, em razão da construção de obras de infraestrutura, como

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Resfriados, gripes e os cuidados com a automedicação

Sol, chuva e carnaval. Nessa época do ano, devido mudanças de temperaturas e aglomerados em tempos de folia, resfriados e gripes são bastantes comuns. Para combater os sintomas, a maioria recorre diretamente às farmácias em busca de analgésicos, antitérmicos, xaropes e descongestionantes. Apesar de muitos desses medicamentos estarem disponíveis nas prateleiras, já que podem ser adquiridos sem prescrição médica, não são isentos de riscos, como alerta o farmacêutico Diego Medeiros, coordenador e professor da pós-graduação em farmácia clínica, com ênfase na prescrição farmacêutica da Faculdade. Seja qual for a infecção viral, com um “simples” resfriado, que têm início mais lento e leve, ou uma gripe, mostrando sintomas mais fortes, sendo provocada, geralmente, pelos vírus Influenza (tipos A e B), os cuidados com a automedicação devem ser os mesmos. “O paciente pode e deve procurar orientação do farmacêutico na hora de comprar um remédio. Além de orientar o paciente quanto ao uso dos medicamentos, o profissional deve esclarecer que, se os sintomas não minimizarem com o uso dos medicamentos em determinado período, um médico deve ser procurado para uma investigação sobre o quadro do paciente”, explica o professor da pós-graduação em farmácia clínica da Faculdade IDE. Entre os sintomas mais comuns de gripes e resfriados estão a coriza, irritação nos olhos, dor de garganta e tosse. Por se tratar de um transtorno autolimitado, até certo ponto, a população busca tratamento para os sintomas pontuais. “É comum o emprego de analgésicos para as dores e febre, anti-histamínicos e descongestionantes nasais para as corizas e entupimento do nariz. Inclusive, muitos medicamentos apresentam vários fármacos em associação num único comprimido ou cápsula, como Coristina e Multigripe”, conta o farmacêutico Diego Medeiros. Mas qualquer um desses remédios, se usados com frequência e por um tempo maior que o recomendado, podem causar sérios prejuízos à saúde. Um deles são os descongestionantes, que trazem riscos com o uso prolongado. “Como evento adverso provoca o que chamamos de ‘efeito rebote’, quando o corpo adquire dependência a uma determinada substância. Então, na ausência dela, o organismo provoca sintomas que acabam estimulando você a administrar a substância. Por exemplo, o corpo causa congestão nasal se não administrar um descongestionante, tornando assim o paciente dependente do medicamento”, explica o professor de farmácia da Faculdade IDE Diego Medeiros. Além disso, alguns descongestionantes podem ser absorvidos pela circulação e promover a ação em receptores ao longo do corpo, não somente na mucosa nasal, podendo causar problemas cardíacos. Segundo o farmacêutico, uma dica é usar solução hipertônica nasal, que é um soro fisiológico mais forte, como alternativa ao descongestionante nasal. Outro alerta é com os analgésicos e antitérmicos, podendo causar problemas gástricos. “O paracetamol não deve ser utilizado em grandes quantidades, pois oferece risco de toxicidade hepática. Já o AAS pode provocar sangramento nos pacientes. Logo, esses medicamentos não devem ser usados por mais de cinco dias. Caso persistam os sintomas, o médico deverá ser consultado para um diagnóstico mais preciso”, orienta professor de farmácia Diego Medeiros. Propaganda de medicamentos para gripes incentivam a automedicação? É comum ver muitos comerciais de medicamento para gripes. Mas é importante procurar um médico ou farmacêutico antes de usar até esses medicamentos “liberados”? De acordo com o coordenador e professor da pós-graduação em farmácia clínica da Faculdade IDE, Diego Medeiros, a busca pelos farmacêuticos se torna mais fácil à população, “pois estes medicamentos, em geral, são de venda livre e há uma cultura de que as pessoas já se diagnosticam por conta própria. O que, em si, não é errado. O farmacêutico, por estar presente com maior facilidade, tende a promover os esclarecimentos com mais facilidade”. Além disso, as pessoas também tendem a minimizar a necessidade de ir a um médico, por muitas vezes acharem ser “só uma gripezinha”. “É aí que o farmacêutico, não só orienta o paciente quanto ao uso dos medicamentos, como deve orientar um médico deve ser procurado para uma investigação sobre o quadro do paciente, caso os sintomas não minimizarem com o uso dos medicamentos”, detalha o profissional de saúde, lembrando que as farmácias devem contar com farmacêuticos em tempo integral para prestar orientações quanto ao uso dos medicamentos. Inclusive, a indicação e prescrição de medicamentos dentro da farmácia é uma prerrogativa exclusiva dos farmacêuticos, bem como a intercambialidade, ou seja, a troca de medicamentos. Isso porque, algumas pessoas acabam pedindo orientação para os atendentes nas farmácias, muitas vezes por não entendem as diferenças nas funções. “Os auxiliares de farmácia têm função primordial na farmácia, mas não compete a eles essa atividade, pois não possuem competência técnica para assumir essa responsabilidade”, explica o farmacêutico. ARBOVIROSES – Muitas vezes confundidos com gripes, os sintomas de arboviroses, como a zika, chikungunya e dengue, para muitos enfermos são muito intensos e o uso de compostos químicos ajudam a aliviar os incômodos causados pela doença. Mas a ingestão dessas substâncias sem orientação médica pode agravar ainda mais o caso. “Se não houver o devido acompanhamento, as pessoas podem estar utilizando medicamentos em dosagens elevadas para poder contornar sintomas como uma febre alta. Nesse caso, o fato de estar mascarando a febre alta com medicamentos pode levar o paciente a complicações e agravos da condição clínica”, pontua o professor de farmácia da Faculdade IDE Diego Medeiros.

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Novas tecnologias visam reduzir mortes por doenças cardiovasculares

Maria Fernanda Ziegler  – Dispositivos que auxiliam o coração a bombear sangue enquanto o paciente aguarda por um transplante, técnicas cirúrgicas menos invasivas e um hidrogel que, no futuro, vai permitir a impressão 3D de órgãos e tecidos em laboratório. Essas são algumas das soluções que estão sendo desenvolvidas por pesquisadores paulistas para combater a principal causa de morte no país e no mundo: as doenças cardiovasculares. As inovações visam criar alternativas terapêuticas para pacientes com condições graves, como é o caso da insuficiência cardíaca – responsável por 27,5 mil mortes anuais no país segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). De acordo com a entidade, a cada 90 segundos uma pessoa morre no Brasil em decorrência de problemas diversos no coração. “Um transplante no Brasil demora cerca de dois anos. Além da oferta limitada de órgãos, é preciso levar em conta uma série de fatores que dificultam o procedimento. O número de pacientes com problemas cardiovasculares é muito grande e, por isso, é importante desenvolvermos dispositivos no país a preços mais acessíveis”, disse José Roberto Cardoso, pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), durante o Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação sobre “Novas Tecnologias para o Coração”. O evento foi organizado pela FAPESP e pelo Instituto do Legislativo Paulista na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em dezembro. O próximo encontro da série será no dia 26 de março e terá como tema Indústria 4.0. Assistência ventricular A equipe de Cardoso, que inclui pesquisadores do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, desenvolve um dispositivo de assistência ventricular para pacientes adultos com insuficiência cardíaca – condição em que o órgão não consegue bombear o sangue adequadamente. O equipamento serve como uma bomba para ser implantada ao lado do coração do doente, com a finalidade de complementar ou suprir a função cardíaca debilitada. O projeto é apoiado pela FAPESP. “O dispositivo visa auxiliar o coração debilitado durante o período de espera pelo transplante, mantendo níveis fisiológicos de pressão e fluxo, reduzindo a mortalidade de pacientes na fila de espera e após o transplante”, disse. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, em 2016 foram realizados 353 transplantes de coração no Brasil. Estudos indicam que a mortalidade de pacientes na fila de espera pode chegar a 40%. “Precisamos encontrar uma solução nacional e não simplesmente copiar os materiais usados lá fora, que são caros e inviáveis para o Sistema Único de Saúde. No comparativo entre um dispositivo importado e um nacional, o importado ficaria em R$ 800 mil, enquanto o nacional em R$ 100 mil”, disse. Outro projeto, também apoiado pela FAPESP, busca desenvolver um dispositivo de assistência ventricular para pacientes pediátricos que necessitam de um transplante cardíaco. A pesquisa foi vencedora do prêmio Péter Murányi 2015 . “Em nosso país não temos opção de suporte circulatório de longa duração para pacientes cardiopatas pediátricos e juvenis com insuficiência cardíaca grave. Trata-se de um grupo de pacientes com necessidades específicas. Estamos desenvolvendo uma bomba pulsátil que atua conectada ao coração por meio de cânulas”, disse Idágene Cestari, diretora da Divisão de Bioengenharia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP. De acordo com a pesquisadora, a bomba do dispositivo é controlada por um console à beira do leito, onde são ajustados todos os parâmetros de suporte ao coração, como a frequência de batimentos da bomba, por exemplo. “Esse sistema de suporte requer a hospitalização do paciente e é indicado para pacientes em lista de espera para o transplante cardíaco. Em outro projeto dessa mesma linha de pesquisa, estamos desenvolvendo um dispositivo implantável que permite a assistência por tempo mais prolongado e não requer a hospitalização do paciente após o implante do dispositivo”, disse Cestari. Prótese inédita Também foi apresentada durante o ciclo ILP uma técnica conhecida como endobentall, que une duas tecnologias – inserção de válvulas por cateter e stents – para criar uma prótese única, que pode ser inserida pela perna do paciente e conduzida até o coração. O método pode substituir uma grande cirurgia na válvula do coração e na artéria aorta. “Graças à técnica, desenvolvida com o apoio da FAPESP, hoje não precisamos mais abrir o peito do paciente e parar o coração para tratar uma doença grave, como estenose aórtica associada a aneurisma de aorta ascendente. Isso certamente vai contribuir para a redução de risco e de mortalidade desses pacientes”, disse Diego Felipe Gaia dos Santos, professor de Cirurgia Cardiovascular da Unifesp. A equipe liderada por Gaia foi a primeira a tratar, em humano, problemas na válvula aórtica (saída de sangue do coração) e ao mesmo tempo a aorta ascendente (vaso que leva sangue para o coração e outros órgãos) sem a necessidade de abrir o paciente. Órgãos do futuro Outros métodos de engenharia apresentados visam, no futuro, desenvolver órgãos e tecidos artificiais. A empresa TissueLabs, apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequena Empresas (PIPE-FAPESP), desenvolve um hidrogel que permite a impressão 3D de órgãos e tecidos em laboratório. A startup fabrica e vende hidrogéis de diferentes tecidos para pesquisadores de várias partes do mundo. O material pode ser usado tanto em estudos in vitro como em modelos animais. Para produzir o hidrogel, a empresa usa órgãos de animais. “Retiramos todas as células dos órgãos de porcos, deixando só a matriz extracelular, as proteínas comuns a todos os animais (tanto humanos quanto os porcos). A partir dessa matriz fabricamos o hidrogel, que é misturado com células-tronco ou mesmo células adultas já diferenciadas. Com isso, é possível imprimir essa composição no formato tridimensional de um órgão ou de um tecido”, disse Gabriel Liguori , pesquisador do InCor. Para fins didáticos, Liguori costuma fazer um paralelo entre a técnica e a construção de uma casa. “Os tijolos seriam as células, e o nosso material, o cimento. Nosso objetivo é dar suporte para que as células-tronco tenham uma estrutura tridimensional”, disse. “É claro que esses órgãos ainda estão muito distantes de se tornarem realmente funcionais. Com o nosso material já é possível fabricar tecidos, ainda que

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Núcleo de terapias em Petrolina amplia possibilidades de tratamento do autismo

Especializado no tratamento pediátrico de patologias físicas e cognitivas a exemplo da síndrome de Down, paralisia cerebral, distrofias musculares e Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Núcleo de Terapias da Unimed Vale do São Francisco, em Petrolina – PE, obteve um resultado surpreendente em 2019, com o atendimento de crianças de 0 a 12 anos. Somente para se ter uma ideia dos avanços conseguidos, o setor multiprofissional que cuida do TEA, transtorno caracterizado pela dificuldade na comunicação social e presença de comportamentos repetitivos, realizou mais de 70% dos 21.196 atendimentos feitos pelo Núcleo no ano passado. E o que é mais gratificante, os pacientes conseguiram respostas bastante positivas no aumento da independência, socialização, iniciativa, estímulo das habilidades motoras e desenvolvimento das áreas sensoriais. De acordo com a fisioterapeuta e gerente de Terapias Continuadas da Unidade, Danielle Alencar, o Núcleo oferece um serviço completo de atendimento pediátrico interdisciplinar. “Contamos com uma equipe de 24 profissionais qualificados nas áreas de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia”, afirmou a gerente que também é especialista em Gestão de Serviço de Saúde. São desenvolvidas técnicas a exemplo de integração sensorial, terapia aquática, linguagem PECS (comunicação alternativa), TEACCH (programa para melhorar a comunicação), psicomotricidade e análises de comportamento. Segundo a médica especialista em Neurologia Pediátrica, Adriana Tenório, o trabalho começa com o acolhimento familiar, passa pelo atendimento interdisciplinar e se conclui com um tratamento unificado, individualizado para cada caso. “Aqui os pacientes encontram bons profissionais e com o auxílio dos pais engajados que seguem as orientações médicas, conseguimos melhores resultados com terapias cada vez mais acertadas”, ressaltou. O Núcleo de Terapias da Unimed Vale do São Francisco possui um ginásio equipado, com estrutura completa de integração sensorial (piscina de bolinhas, balanços diversos, tirolesas, cama elástica e parede de escalada) além de três salas com estruturas para integração sensorial, piscina coberta e aquecida. Serviço: O Núcleo de Terapias da Unimed Vale do São Francisco fica na rua Dr. Nestor Cavalcanti, 206/ Vila Mocó – Petrolina, PE. (87) 3866 – 7936. Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Atendimento mediante indicação médica.

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Empório Mineiro Cheirin Bão chega ao Plaza Shopping

O Empório Mineiro Cheirin Bão inaugurou hoje (21) sua unidade no Plaza Shopping. O empreendimento é a quarta franquia do grupo Universal Franchising, neste modelo, em Pernambuco. Seu mix de produtos traz delícias típicas de Minas Gerais, entre elas cachaças artesanais, geleias, biscoitos, doces, pão de queijo, tapiocas, bolos e cafés moídos e coados na hora. A loja funciona no piso L2 do mall, com mesas distribuídas pelo hall para que os clientes possam apreciar os sabores da gastronomia mineira.

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Pesquisa investiga como trauma pode ser transmitido entre gerações

Maria Fernanda Ziegler  – É sabido que situações adversas ocorridas na infância, como negligência ou violência física, psíquica e sexual, podem ter reflexos negativos na saúde mental durante a vida adulta. Estudos também demonstraram que esses efeitos negativos podem ser transmitidos para gerações futuras, mesmo que os descendentes não tenham vivenciado tais experiências. O chamado trauma intergeracional foi observado pela primeira vez em descendentes de sobreviventes dos campos de concentração. Agora, os mecanismos de transmissão envolvidos serão investigados em uma pesquisa com 580 gestantes em situação de vulnerabilidade na cidade de Guarulhos (SP). O estudo, apoiado pela FAPESP e pelos National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, é conduzido por pesquisadores da Columbia University e da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Embora alguns estudos tenham demostrado a influência de eventos adversos ocorridos na infância da gestante sobre o desenvolvimento cerebral de sua prole, pouco se sabe ainda sobre os mecanismos envolvidos no processo. Nosso estudo é o primeiro a analisar as alterações placentárias e o neurodesenvolvimento do bebê por meio de análises genéticas, imagens de ressonância magnética neonatal e avaliações cognitivas”, disse Andrea Parolin Jackowski, professora da Unifesp e coordenadora do projeto no Brasil. Transmissão via placenta Segundo Jackowski as hipóteses predominantes relacionam a transmissão intergeracional de trauma a altos níveis de marcadores inflamatórios ou de cortisol – o hormônio do estresse – durante a gestação. Tal condição resultaria em alterações epigenéticas (modificações bioquímicas nas células que controlam a ativação ou silenciamento de genes) que são transmitidas para os bebês. De alguma forma, as substâncias pró-inflamatórias e o cortisol produzidos durante a gravidez de mulheres que sofreram traumas na infância ativa ou silencia genes ligados a problemas de saúde mental – como depressão, déficit de atenção e outros. “Isso é transmitido para o feto via placenta, que é o meio de comunicação entre a mãe e o feto. São essas alterações epigenéticas placentárias que alteram o desenvolvimento cerebral do feto”, disse. Prevenção Além de entender o mecanismo de transmissão do trauma intergeracional, o projeto tem o objetivo de identificar formas possíveis de prevenir problemas de saúde mental nos filhos de mulheres com esse histórico. “Podemos identificar quais comportamentos são alterados por esses mecanismos e pensar em formas de prevenção, possivelmente a ser adotada durante a gestação”, disse. O estudo vai avaliar 580 grávidas atendidas em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) de Guarulhos. O grupo será divido em dois: um composto por 290 mulheres que sofreram eventos adversos na infância e o outro por aquelas que não vivenciaram tais problemas. Além da análise genômica e epigenômica da placenta e de amostras de sangue (para ver marcadores de inflamação) e de cabelo (nível de cortisol) das mães e dos bebês, o estudo também vai acompanhar o neurodesenvolvimento do controle cognitivo dos bebês por 24 meses após o nascimento. A associação entre o trauma materno e o desenvolvimento do bebê será observada por meio de imagens de ressonância magnética de crânio dos neonatos e avaliações comportamentais de controle cognitivo aos 12 e 24 meses. “Sabe-se que as mães com histórico de experiências adversas na infância têm risco aumentado de gerar filhos que logo após o nascimento apresentam alteração em alguns circuitos cerebrais responsáveis pelo controle cognitivo. Aos 24 meses é possível identificar essas alterações no desenvolvimento. Por volta dos cinco ou seis anos, essas crianças apresentam risco aumentado de desenvolver comportamentos impulsivos”, disse. Jackowski destaca que, embora existam estudos em andamento focados no desenvolvimento infantil, inclusive na Columbia University, nenhum deles conseguiu tão a fundo as vias que relacionam experiências adversas na infância, inflamação, placenta e cérebro. “Só foi possível realizar esse estudo no Brasil porque infelizmente existe uma população vulnerável a vários tipos de violência e, felizmente, existe o SUS. Desse modo, conseguimos coletar informações detalhadas e de qualidade em uma população de baixa renda e em contexto propício para a realização de futuras intervenções que venham a quebrar esse ciclo de impacto da violência tão cedo quanto possível”, disse. O projeto é o desdobramento de um estudo-piloto realizado também em três UBS e uma maternidade em São Paulo com 40 grávidas e seus bebês. “Nossa ideia é, no futuro, prolongar o estudo com as 580 grávidas e acompanhar as crianças até a idade escolar”, disse. Agência FAPESP

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Mutirão de Saúde do Chegando Junto realiza mais de 200 ultrassons neste sábado (18)

A Prefeitura do Recife promoverá, neste sábado (18), o primeiro Mutirão de Saúde do Programa Chegando Junto deste ano. Sairão da fila de espera para exames de ultrassonografia 235 pacientes que aguardavam pelo procedimento. Os exames serão feitos na RC Diagnósticos, clínica que faz parte da rede complementar da Secretaria de Saúde (Sesau) do Recife e fica localizada na Encruzilhada, Zona Norte da cidade. Desde junho, quando o Programa Chegando Junto foi lançado, foram ofertadas mais de 12 mil vagas em consultas com especialistas, exames e pequenas cirurgias, e foram realizados mais de seis atendimentos por causa da abstinência, que chega a 45%. O acesso dos recifenses ao mutirão é através de agendamento via Sistema de Regulação, para os usuários que estão com sua solicitação pendente no sistema. Todas as 235 pessoas agendadas para este sábado receberam uma ligação e mensagem de texto informando da vaga para atendimento, confirmando a disponibilidade de comparecimento na data. Por isso, é importante que os dados cadastrais estejam atualizados na unidade de saúde de referência para que a equipe da Sesau consiga o contato com o usuário e possa garantir sua participação no mutirão. CHEGANDO JUNTO – Lançado em junho, o Programa Chegando Junto reúne uma série de ações de assistência à população e apoio à geração de renda em prol da população que vive nas áreas mais vulneráveis da cidade. Uma das iniciativas são as Frentes de Trabalho Miguel Arraes, que pagam diárias a quem colabora com os mutirões de retirada de entulhos (bens inservíveis) no entorno de unidades de saúde, por exemplo. Desde agosto, a Prefeitura do Recife já pagou mais de 800 diárias, totalizando mais de R$ 40 mil. Já foram realizados também minicursos de formação com foco no empreendedorismo e na geração de renda, como corte de cabelo, manutenção de bicicleta e artesanato, incluindo a entrega de kits com o material necessário para início das atividades. Também começaram a ser sorteados mensalmente 100 kits com bicicleta e smartphone com pacote de dados para que os beneficiados aumentem sua renda prestando serviços para os diversos aplicativos de entrega a domicílio disponíveis no mercado.

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No mês de conscientização sobre Saúde Mental, especialistas falam das demências

“Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos. Então, para que eu vivo? Vivo para cada dia. Vivo o presente”. A reflexão é da personagem central do livro Para Sempre Alice, uma renomada neuro-linguista que, ironicamente, descobre e passa a conviver com a Doença de Alzheimer. Assim como a personagem, cerca de 1,2 milhões de pessoas, a maioria com 60 anos ou mais, vivem com demências no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). No mês marcado pela conscientização sobre a Saúde Mental, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) alerta para a importância das demências, doenças neuro-degenerativas, de curso crônico, irreversível, que causam a diminuição progressiva das funções cognitivas, alterações de comportamento e perda da capacidade funcional. Segundo a psicóloga especialista em Gerontologia, Eloisa Adler, a longevidade é um desafio do século XXI. Doenças como o câncer e as demências têm maior prevalência com o avançar da idade. “Uma pessoa acometida por uma demência perde progressivamente a sua autonomia, ou seja, a capacidade de fazer suas próprias escolhas e tomar decisões”. O médico geriatra Paulo Canineu detalha que os primeiros sintomas geralmente são de alterações da memória recente. “Também pode haver mudanças de comportamento, ansiedade e depressão, evoluindo lentamente para perda de nexo, incontinências fecal e urinária e imobilidade física, que pode levar a pessoa a ficar acamada”, diz. “A autonomia, um referencial fundamental da Bioética contemporânea, como um princípio lapidar da liberdade de escolhas, é comprometida precocemente na devastadora Doença de Alzheimer”, acrescenta a médica geriatra Claudia Burlá. Família e atendimento especializado De acordo com Canineu, tratar uma pessoa que teve infarto, por exemplo, é diferente de tratar outra com uma demência, como a Doença de Alzheimer, a mais frequente entre elas. “Enquanto a primeira depois de um ano pode melhorar, fazendo uma reabilitação e melhorando os hábitos, a segunda, terá uma evolução progressiva por mais precoce que seja o diagnóstico e o início do tratamento”, explica. Nesse momento a presença e o envolvimento da família são essenciais, enfatiza Burlá: “Os familiares têm responsabilidade de proteger e cuidar da pessoa idosa com diagnóstico de algum tipo de demência”. De acordo com a especialista, além disso, não adianta apenas prescrever remédios, mas realizar um trabalho integrado, multi-interdisciplinar de reabilitação cognitiva e suporte familiar. Adler e Burlá complementam que a abordagem integrada geronto-geriátrica é a base para a maximização da autonomia e otimização funcional da pessoa idosa nos diferentes cenários do processo do envelhecimento.

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