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O Direito no Grande Sertão: Veredas

*Por Paulo Caldas Dentre os conceitos vivenciados nos mundos das leis e das letras, o segmento literário ganha expressiva presença neste “Estado de exceção e sistema jagunço – Literatura e Direito em Grande Sertão: Veredas”, estudo de Aline Crispino Pessôa Saraiva, sobre a consagrada obra de Guimarães Rosa. Trata-se de uma publicação resultante de continuadas horas de pesquisa, dedicação e da verve da autora. O conteúdo mostra ainda detalhes diversificados nos escritos até então conhecidos sobre a incursão do escritor mineiro nestes grandes sertões.  Universo propício ao surgimento de consagrados nomes na arte das letras e no criar de textos, Pernambuco assiste ao surgimento de mais uma estrela no firmamento onde habitam Bandeira, Cabral, Freyre, Ariano, Carrero… Aline traz um brilho inovador a esta constelação. O livro reúne conceituados nomes na missão de apresentar suas credenciais e aqui se encontram os professores Eduardo César Maia, da Universidade Federal de Pernambuco e Elizabeth Cardoso da PUC São Paulo.  Segundo o crítico literário alemão Stefan Wilhelm “Willi” Bolle, professor titular da Universidade de São Paulo, famoso por seus estudos sobre Guimarães Rosa, ao pesquisar ‘’o sistema jagunço’’, uma instituição na qual sobrevivem a transgressão da lei, a violência e o domínio do crime – “Aline estimula a reflexão sobre causas e ameaças do estado de exceção no contexto político atual…” O lançamento traz o selo da Dialética Editora, coordenação editorial de Karine Martins e concepção de capa de Luís Zenha. Os exemplares podem ser adquiridos no site da editora wwweditoradialetica.com. * Escritor

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Curso gratuito capacita mulheres para atuar na economia criativa no interior de Pernambuco

Formação em gestão cultural oferece vagas na Mata Norte e mira geração de renda e fortalecimento de projetos locais Estão abertas até o dia 8 de abril as inscrições para o curso “Mulheres na Cultura – Formação em Gestão Cultural”, iniciativa gratuita voltada à qualificação de mulheres que desejam atuar no setor cultural no interior de Pernambuco. A formação vai selecionar 20 participantes e será realizada na cidade de Condado, na Mata Norte, com foco na prática e na realidade dos territórios culturais da região. Formação voltada ao território Podem participar mulheres a partir de 18 anos residentes em municípios da Mata Norte, como Aliança, Carpina, Nazaré da Mata, Timbaúba e Tracunhaém, entre outros. A proposta busca ampliar o acesso à formação técnica em uma região com forte tradição cultural, mas que ainda enfrenta desafios estruturais no setor. Conteúdo prático e troca de experiências Com carga horária de 20 horas, o curso será realizado nos dias 11 e 18 de abril, na Escola Municipal Antônio Pereira de Andrade (EMAPA), em Condado. As aulas serão conduzidas pelas produtoras culturais Juçara, da Cabocla Produção, e Joana D’arc Ribeiro, da Amata Produção. A programação inclui ainda um bate-papo com convidadas como Mery Lemos e Rute Pajeú, ampliando a troca de experiências com profissionais atuantes na área. Economia criativa em expansão A iniciativa dialoga com um setor em crescimento no Brasil. A economia criativa responde por cerca de 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) e gera mais de 7 milhões de empregos formais e informais no país, superando segmentos tradicionais como a indústria automobilística. Nesse contexto, a formação de mulheres em gestão cultural surge como estratégia para ampliar oportunidades de renda, fortalecer iniciativas locais e diversificar a produção cultural. Acesso a projetos e políticas públicas O curso também aborda, na prática, como transformar ideias em projetos viáveis, capazes de acessar editais, captar recursos e gerar impacto social. A gestão cultural envolve desde o planejamento até a execução de ações como eventos, oficinas e atividades culturais financiadas por políticas públicas, contribuindo para movimentar a economia nos territórios. As participantes terão acesso a material didático, alimentação durante a formação e certificação ao final do curso. O resultado da seleção será divulgado no dia 9 de abril, nas redes sociais da Cabocla Produção. Serviço Curso “Mulheres na Cultura – Formação em Gestão Cultural”Inscrições: até 8 de abrilVagas: 20Datas das aulas: 11 e 18 de abril de 2026Local: Escola Municipal Antônio Pereira de Andrade (EMAPA), Condado – PE Inscrição online: https://forms.gle/pEjBbpGZmqYMLNgB9Inscrição presencial: Secretaria de Desenvolvimento Sustentável de Condado (Rua Anísio Monteiro de Barros, 81, Centro – Laranjeiras), das 8h às 13hMais informações: www.instagram.com/caboclaproducao | cabocla@caboclaproducao.com

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Festival RioMar de Literatura destaca humor em edição de 2026 no Recife

Evento reúne nomes nacionais e locais no Teatro RioMar com debates, apresentações e ações sociais no dia 23 de abril O Festival RioMar de Literatura chega à sua 12ª edição consolidado no calendário cultural do Recife, trazendo como tema “O Humor na Literatura e no Cinema”. O evento será realizado no dia 23 de abril, a partir das 17h, no Teatro RioMar Recife, com uma programação que reúne painéis, apresentações artísticas e nomes de destaque da cena cultural brasileira. A abertura contará com uma encenação de trecho da obra O Auto da Compadecida, seguida por painéis com convidados como Luís Miranda, que abordará sua trajetória no humor, em conversa mediada pelo produtor cultural João Suassuna. A programação também inclui a participação da escritora Socorro Acioli, vencedora do Prêmio Jabuti, que compartilhará experiências no universo literário. Entre os destaques, estão ainda a atriz Tânia Maria, reconhecida por sua atuação em “O Agente Secreto”, e o cineasta Leonardo Lacca, que participou da produção do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho. Os painéis terão mediação da jornalista Beatriz Castro. O encerramento fica por conta do escritor e cordelista Jessier Quirino, com apresentação marcada pelo humor e pela cultura nordestina. Além da programação principal, o festival promove, na manhã do mesmo dia, uma ação de contação de histórias no Instituto JCPM de Compromisso Social, voltada para crianças de comunidades do entorno, como Pina e Brasília Teimosa. Também será realizada uma campanha de arrecadação de livros infantis e juvenis, que serão destinados à ONG Amigos no Sertão, que atua há mais de uma década com ações sociais no interior de Pernambuco. SERVIÇOFestival RioMar de Literatura📅 23 de abril de 2026📍 Teatro RioMar Recife (piso L4)🎟️ Ingressos: R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira), à venda no App do RioMar Recife

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O Ano do Nirvana

*Paulo Caldas  “O Ano do Nirvana”, de Walther Moreira Santos, é uma obra que transita entre o cotidiano opressivo e a busca pela fuga. Narrada na primeira pessoa acompanha Laura, funcionária pública protegida pelo prestígio de um tio poderoso e corrupto. No ambiente de trabalho, ela é alvo do rancor de Marinete, colega que construiu carreira meritória — desde a aprovação em concurso público até a ocupação de cargos ao longo de décadas, experiência que deixou marcas profundas em seu rosto. Obediente aos preceitos do bem escrever, o autor seduz o leitor cena por cena. O conteúdo alterna o clima de nepotismo, regalias e conflitos com o alívio encontrado nos fins de semana em cenários cuidadosamente construídos, como um trecho de praia em uma cidade violenta e tomada por turistas. A esse ambiente soma-se a figura definida por Ele, um garoto de programa cujo esboço bem delineado reforça o vazio que permeia a paixão entre Laura e Patrício, um namorado convencional. Com perfil de romance amoroso, narrativa e diálogos bem construídos, “O Ano do Nirvana” conquistou o Prêmio Kindle de Literatura, um dos mais importantes concursos literários do Brasil, promovido pela Amazon Brasil, Audible e Grupo Editorial Record. A publicação traz o selo da Editora José Olímpio. Os exemplares podem ser adquiridos pelo e-mail sac@record.com.br. *Paulo Caldas é escritor

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Livro infantil resgata memória das travessias no Rio Capibaribe e destaca cultura popular do Recife

Obra de Catharina Rosendo relembra a história dos barqueiros e será lançada com programação cultural na Zona Norte Antes da construção de muitas pontes, eram os barcos que garantiam a conexão entre bairros do Recife. Essa relação histórica com o Rio Capibaribe inspira o livro infantil Acorda Rio – Memórias de uma travessia, da artista visual pernambucana Catharina Rosendo. A obra será lançada neste domingo (22), às 15h, no Jardim Secreto do Poço, na Zona Norte da capital. O livro resgata a trajetória do barqueiro Antônio José da Cunha, conhecido como Pai, que mantém até hoje a travessia entre os bairros do Poço da Panela e da Iputinga. Herdado de gerações anteriores, o ofício atravessa o tempo como símbolo de resistência e preservação de saberes tradicionais, mesmo diante das transformações urbanas que afastaram a cidade de seus rios. Com narrativa poética e ilustrações em aquarela feitas pela própria autora, a obra convida leitores a enxergar os rios como territórios vivos da memória recifense. O título faz referência à corda utilizada por Pai na condução do barco, funcionando como metáfora de ligação entre passado e presente. O livro também conta com recurso de audiodescrição via QR code, ampliando o acesso ao público. “Essa história nasceu de conversas à beira do rio, de idas e vindas sobre a travessia. Foi assim que conheci Pai, barqueiro de ofício herdado do pai e do avô, como quem herda não apenas um trabalho, mas também respeito e cuidado com a natureza. Esse ofício foi um dos mais importantes da cidade. Conectava bairros, comércios e territórios. Criava pontes antes que elas existissem. Abria, em silêncio, rotas de fuga para quem buscava liberdade. Os canoeiros, junto com Pai, ajudaram a erguer a cidade”, explica a autora. O lançamento acontece no Dia Mundial da Água e contará com roda de conversa, sessão de autógrafos e exibição do curta Entre Margens, dirigido por estudantes e inspirado na mesma travessia que deu origem ao livro. O projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo em Pernambuco, com apoio do Governo do Estado e do Ministério da Cultura. ServiçoEvento: Lançamento do livro Acorda Rio – Memórias de uma travessiaData: Domingo, 22 de marçoHorário: 15hLocal: Jardim Secreto do Poço

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Visita Guiada da primeira edicao 2024 Creditos Icaro Benjamin

Visita guiada acessível leva audiodescrição a pontos históricos do Centro do Recife

Projeto Visões Sonoras da Cidade promove experiência inclusiva com audiodescrição e Libras em percurso por locais simbólicos da capital pernambucana Uma iniciativa que une acessibilidade, patrimônio e inclusão vai ocupar as ruas do Centro do Recife no dia 19 de março. Em sua segunda edição, o projeto Visões Sonoras da Cidade realiza uma visita guiada aberta ao público, transformando paisagens urbanas em experiências narradas por meio da audiodescrição. A proposta busca ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual à arquitetura e aos elementos históricos da cidade, contribuindo para fortalecer o sentimento de pertencimento e a relação com o espaço urbano. A atividade contará com audiodescrição ao vivo e simultânea, além de interpretação em Libras. O percurso terá início às 14h, em frente ao Mercado de São José, seguindo para o Pátio do Terço, passando pelo Pátio de São Pedro e encerrando no Parque de Esculturas Francisco Brennand. A visita funcionará também como um teste público, permitindo avaliar as percepções e experiências dos participantes diante das audiodescrições elaboradas para cada local. Desenvolvido pela Com Acessibilidade Comunicacional e financiado pelo Governo do Estado de Pernambuco por meio do Funcultura, o projeto revela cenários e características desses espaços para pessoas com deficiência visual e também para pessoas neurodivergentes, incentivando uma vivência mais sensorial e inclusiva da cidade. “A ideia do projeto surgiu da convivência com pessoas cegas ou com baixa visão, e da percepção de que a relação com a cidade era auditiva e espacial, mas faltavam referências visuais. Com a audiodescrição, é possível traduzir o espaço em palavras, permitindo que diferentes públicos compreendam detalhes arquitetônicos como dimensões, cores, materiais, formas e estética. É um trabalho detalhado, que envolve visitas técnicas, pesquisa, elaboração de roteiro, revisão, gravação e edição”, explica a audiodescritora, idealizadora do Visões Sonoras da Cidade e diretora-executiva da Com Acessibilidade Comunicacional, Liliana Tavares. Na primeira edição, realizada em 2024 com incentivo da Lei Paulo Gustavo por meio da Prefeitura do Recife, foram produzidas audiodescrições de seis paisagens emblemáticas da área central, como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus, a Torre Malakoff, o casario da Rua da Aurora, a fachada do Teatro de Santa Isabel e a Praça da República. O material produzido ficará disponível no YouTube e também por meio de QR Codes instalados em placas nos pontos culturais contemplados. ServiçoVisita guiada acessível – Visões Sonoras da CidadeData: 19 de marçoHorário: 14hLocal de saída: em frente ao Mercado de São José, Centro do RecifeMais informações: https://comacessibilidade.com.br/visoes-sonoras-da-cidade/

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“O Agente Secreto” vence prêmios no Satellite Awards e ultrapassa 2,5 milhões de espectadores no Brasil

Filme de Kleber Mendonça Filho conquista Melhor Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura e já soma mais de 70 prêmios no circuito mundial O longa “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, segue ampliando seu alcance no Brasil e no exterior. A produção pernambucana já foi vista por 2,5 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros e continua em cartaz mesmo após 19 semanas de exibição, ocupando atualmente cerca de 330 salas no país. De acordo com dados do Filme B, entre os longas indicados ao Oscar de Melhor Filme, é o título com maior bilheteria no Brasil, apesar de ter o menor orçamento entre os concorrentes. A trajetória internacional também ganhou novo destaque nesta semana. O filme foi premiado no Satellite Awards, organizado pela International Press Academy, nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator de Drama, concedido a Wagner Moura. Com esse reconhecimento, a produção já acumula mais de 70 prêmios ao redor do mundo, consolidando-se como um dos títulos brasileiros mais celebrados da atual temporada de premiações. Nos próximos dias, o público terá a oportunidade de assistir ao longa em sessões especiais em 35mm realizadas em diferentes cidades do Brasil. A iniciativa oferece uma experiência diferenciada ao recuperar a exibição em película, formato tradicional do cinema que valoriza a fotografia e a atmosfera da obra. Ambientado em 1977, o filme acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia que retorna ao Recife tentando deixar para trás um passado misterioso. No entanto, ao chegar à cidade em busca de tranquilidade, descobre que o lugar está longe de ser o refúgio que imaginava. A produção é uma coprodução internacional liderada pela Cinemascópio, com participação das empresas MK2 Films, One Two Films e Lemming. No Brasil, a distribuição é realizada pela Vitrine Filmes, com patrocínio da Petrobras. O longa segue em campanha para o Oscar 2026, onde concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Wagner Moura), Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco. Serviço“O Agente Secreto” segue em exibição em cinemas do Brasil e em sessões especiais em 35mm. O filme também já está disponível em plataformas de streaming.

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Josefina Campos

O Agente Secreto: reverberações psíquicas em três dimensões

Filme de Kléber Mendonça Filho mobiliza memória, identidade cultural e símbolos locais que dialogam profundamente com o público *Por Josefina Campos Sendo “O Agente Secreto”, de Kléber Mendonça Filho, um filme tão plural na oferta de imagens e significados, qualquer análise sobre sua repercussão no público exige observar elementos centrais de suas cenas e de sua narrativa. Ambientada nos anos 1970, a obra propõe desde o título uma provocação: afinal, quem é o agente secreto da história? A pergunta atravessa toda a trama. Seria o protagonista Armando/Marcelo, pesquisador foragido que tenta escapar de eventos traumáticos do passado? Ou seriam aqueles que lhe oferecem abrigo e proteção, como Dona Sebastiana, Elza e o Sr. Alexandre? A própria ideia de “agente secreto” se abre para múltiplas interpretações. Em determinado plano simbólico, até mesmo a Perna Cabeluda, figura lendária do imaginário recifense, surge como metáfora. Uma presença misteriosa que ecoa o clima de vigilância e medo da época. Nesse sentido, a expressão poderia remeter também aos agentes da repressão da ditadura, militares ou aliados do poder econômico, que operavam nas sombras em defesa da chamada “ordem”. O título do filme, portanto, já nasce como uma metáfora aberta. Outro aspecto marcante da obra é o paradoxo entre ação e silêncio. Embora tenha elementos de thriller político, o filme se constrói com muitas pausas, lacunas e zonas de obscuridade. Em diversos momentos, a narrativa flerta com o onírico, povoada por simbolismos e ambiguidades. Os personagens falam pouco, mas expressam muito por meio de gestos, olhares e silêncios. Esse tipo de construção convida o espectador a preencher sentidos e mobiliza camadas profundas da experiência emocional. Para compreender esse processo de envolvimento psíquico, é possível recorrer a um conceito da psicologia analítica de Carl Gustav Jung: a chamada função transcendente. Trata-se de um movimento psíquico no qual conteúdos inconscientes são tocados, emergem e se tornam disponíveis à consciência, favorecendo uma maior integração da personalidade. A arte frequentemente produz esse efeito, ampliando o senso de si mesmo. O “O Agente Secreto”, pela densidade de suas imagens e lacunas narrativas, parece estimular esse processo com especial intensidade. Um dos eixos centrais da trama é a questão da identidade. Personagens precisam ocultar quem são para sobreviver, adotando nomes falsos. Armando busca pistas sobre sua origem materna. Já Fernando, o médico, carrega marcas profundas em seu próprio processo de formação identitária, atravessado pela ausência dos pais. Paralelamente, jovens pesquisadoras investigam conexões que permitam compreender melhor a memória sociopolítica daquele período. Em meio a apagamentos e silêncios, típicos das ditaduras, há também aqueles que, simbolicamente, “dão o sangue” para preservar a memória. A dimensão da identidade também se expressa com força no plano cultural e geográfico. O filme está profundamente enraizado no território de Recife e de Pernambuco, algo que gera forte identificação com o público local. Elementos simbólicos da cultura regional aparecem de forma orgânica ao longo da narrativa: o Cinema São Luiz, verdadeiro protagonista geográfico do filme; a referência aos ataques de tubarão na capital pernambucana; a presença da La Ursa, figura tradicional do carnaval; e a citação da mangaba, fruta típica da região. A trilha sonora também reforça essa identidade cultural. Em uma cena emblemática de suspense, surge a música “A Briga do Cachorro com a Onça”, executada pela Banda de Pífanos de Caruaru, referência incontornável da cultura musical pernambucana. Um dos momentos mais impactantes do filme ocorre durante o carnaval em frente ao Cinema São Luiz. Na cena, alegria e tensão se entrelaçam, vida e morte convivem, e os paradoxos do enredo se condensam em uma sequência visualmente poderosa. O frevo toma conta da rua, com participação dos Guerreiros do Passo, grupo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. O resultado é um clímax emocional que mistura memória afetiva, festa popular e drama histórico. Essa forte presença de símbolos locais também provoca uma reação coletiva entre os recifenses. Ao ver sua cidade, seus costumes e sua cultura projetados para o mundo, parte do público reage com orgulho e entusiasmo, algo que já se apresenta em manifestações populares como bonecos gigantes representando Kléber Mendonça Filho e Wagner Moura, além de blocos carnavalescos inspirados no filme e até a presença da lendária Perna Cabeluda no Galo da Madrugada. É o orgulho recifense, como se costuma dizer, “em linha reta”. Os personagens também contribuem para esse retrato simbólico da cultura nordestina. Dona Sebastiana aparece como a clássica “mainha” que resolve qualquer problema, seja um conflito doméstico ou um embate com a autoridade. O Sr. Fernando surge como o trabalhador bonachão, apaixonado por futebol e pelos rituais simples da vida cotidiana. Já o delegado Euclides encarna uma figura ambígua de poder, mistura de cordialidade e autoritarismo, lembrando os velhos “capitães do mato” da história brasileira. São personagens que ecoam tipos sociais reconhecíveis no imaginário coletivo da região. No plano nacional, o impacto do filme também passa por dois fatores importantes. O primeiro é a revisitação de um período histórico marcado pela repressão da ditadura militar. Ao trazer à tona experiências vividas entre silêncios, mentiras e violência institucional, o filme funciona como um lembrete: isso aconteceu com o país. A narrativa revela o alcance da vigilância estatal ao mostrar que a perseguição não recaía apenas sobre militantes políticos, mas também sobre cidadãos comuns, como o protagonista, um pesquisador acadêmico. Recontar essa história tem um valor simbólico profundo. A ausência de memória histórica consistente pode gerar, no imaginário coletivo, uma espécie de dissonância psíquica. Uma lacuna entre realidade e narrativa oficial. Recuperar essas experiências ajuda a recompor esse tecido simbólico e fortalece a consciência coletiva sobre o passado. O segundo fator é o reconhecimento internacional do filme. “O Agente Secreto” vem acumulando prêmios e projeção em festivais ao redor do mundo, ampliando o prestígio do cinema brasileiro contemporâneo. Na corrida pelo Oscar, a produção conquistou quatro indicações importantes: Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco. Agora, resta ao público brasileiro acompanhar e torcer. Mais do que uma disputa por estatuetas, o sucesso do filme reforça

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Amado Mundo lança concurso cultural e vai levar um espectador para Lisboa

Promoção acontece durante a live de acompanhamento do Oscar e inclui passagem, hospedagem e jantar exclusivo no restaurante Cícero Durante a transmissão ao vivo do Oscar, o projeto Amado Mundo vai promover um concurso cultural que premiará um participante com uma viagem para Lisboa. A iniciativa convida o público a torcer pelo cinema brasileiro enquanto acompanha a live organizada pelo grupo, transformando a cerimônia em uma experiência interativa nas redes sociais. O vencedor ganhará uma viagem para a capital portuguesa, com passagem aérea e hospedagem pagas para uma pessoa. Além disso, o prêmio inclui um jantar exclusivo no restaurante Cícero, em Lisboa, espaço que celebra a arte e a cultura brasileiras na cidade. A experiência gastronômica será assinada pela chef brasileira Alessandra Montagne, reconhecida internacionalmente e que em breve abrirá um restaurante no Museu do Louvre, em Paris. O jantar especial reforça a proposta do prêmio de conectar a produção cultural brasileira com sua presença no cenário internacional. Para participar, é preciso publicar durante a live do Amado Mundo um vídeo de até 15 segundos no Instagram ou no X mostrando a torcida pelo cinema brasileiro no Oscar e indicando que está acompanhando a transmissão. O participante deve marcar o perfil do Amado Mundo, usar a hashtag #AmadoMundoNoOscar e seguir a página do projeto. O perfil também precisa estar aberto para que o vídeo possa ser localizado pela organização. A cobertura do Amado Mundo sobre o Oscar começa no dia 15 de março, às 19h, uma hora antes da cerimônia, com uma live dedicada a acompanhar os bastidores e a repercussão da principal premiação do cinema mundial. A transmissão terá análise das categorias, comentários sobre os indicados e espaço para a torcida pelas produções brasileiras. O programa será apresentado pelos jornalistas Guilherme Amado e Beatriz Bulla, direto do estúdio no Brasil, com participação do jornalista e crítico Miguel Barbieri, colunista do Amado Mundo. De Los Angeles, a jornalista, roteirista e crítica Isabella Faria entra ao vivo trazendo o clima da cidade, a movimentação dos brasileiros e as expectativas antes e durante a entrega das estatuetas.

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Recife comemora 489 anos com shows, festivais e programação cultural gratuita durante todo o mês

Agenda preparada pela Prefeitura inclui concertos, cinema ao ar livre, salto de paraquedistas e apresentações de artistas nacionais O Recife inicia nesta quarta-feira (11) a programação especial em comemoração aos 489 anos da cidade, celebrados oficialmente no dia 12 de março. Organizada pela Prefeitura, a agenda reúne cerca de duas dezenas de eventos gratuitos que seguem até o dia 29, ocupando teatros, praças e espaços públicos com música, cinema, artes cênicas e atividades culturais voltadas a moradores e turistas. A abertura acontece no Teatro de Santa Isabel, com o início da temporada 2026 da Orquestra Sinfônica do Recife. As primeiras apresentações ocorrem nos dias 11 e 12 de março, com regência do maestro José Renato Accioly e repertório que homenageia ritmos locais, o músico Chico Science e produções do cinema pernambucano. A orquestra retorna ao palco nos dias 24 e 25 com novo programa musical. Entre os destaques da programação está o Recife Frevo Festival, que terá apresentações gratuitas no Teatro do Parque no dia 12 e uma etapa formativa no Paço do Frevo no dia 14. As atividades incluem concertos, performances e debates sobre a tradição e a renovação do frevo, reunindo músicos, passistas e pesquisadores do gênero. Também no dia 12 será instalado o novo letreiro “RECIFE” no Marco Zero, renovando um dos principais cartões-postais da capital. No dia 15, a agenda cultural se divide entre diferentes pontos da cidade. O Parque Apipucos recebe sessão de cinema ao ar livre com exibição de produções do cineasta Kleber Mendonça Filho e transmissão da cerimônia do Oscar. Na mesma data, o Cais da Alfândega será palco do Festival Nova Brasil, com shows de artistas como Dudu Nobre, Rael, Chico Chico, Sandra Sá e Mariana Aydar, enquanto o Parque das Graças recebe o tradicional concerto sobre as águas da Orquestra Cidadã. A programação segue ao longo do mês com demonstração de paraquedismo no Pina, no dia 22, concerto da Banda Sinfônica do Recife no Teatro do Parque, no dia 25, além da feira Maré Cultural no Boulevard da Rio Branco. O encerramento acontece nos dias 28 e 29 com o Festival de Jazz do Recife, na Praça do Arsenal, reunindo artistas brasileiros e internacionais em apresentações gratuitas. SERVIÇO Aniversário de 489 anos do RecifePeríodo: de 11 a 29 de marçoLocais: diversos espaços culturais e públicos da cidadeAcesso: programação gratuita, com algumas atividades sujeitas à retirada de ingressos nos locais ou plataformas indicadas pela Prefeitura do Recife.

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