Algomais Saúde

“Observamos, cada vez mais, pacientes jovens chegando ao hospital.”

Essa segunda onda da Covid-19 tem requerido muito das energias e até da capacidade de convencimento dos profissionais de saúde. Além de cuidarem de pacientes que agora estão em estados mais graves do que no início da pandemia e de conviverem com o aumento de óbitos, eles agora precisam convencer muitas pessoas que chegam aos hospitais de que não existe tratamento precoce eficaz para a doença. “Muitos vêm com informação já construída na sua cabeça de que vão tomar um coquetel de medicações e na verdade não é isso que acontece. Temos sempre que estar nesse convencimento com os pacientes e isso realmente demanda muito tempo”, lamenta a infectologista Millena Pinheiro, supervisora médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Português. Nesta entrevista a Cláudia Santos, a médica comenta o atual estágio da pandemia, observa que a Covid-19 tem acometido mais os jovens, lastima a lentidão do processo de vacinação e analisa as possibilidades de mutação do novo coronavírus. Millena também fornece dicas importantes sobre o uso de máscaras e faz um apelo à população para cumprir o isolamento social. Como tem sido a rotina de trabalho dos profissionais no tratamento aos pacientes com Covid-19 nos serviços médicos onde a senhora trabalha? Tem sido uma rotina muito cansativa, primeiro porque o número de pacientes aumentou bastante nessas últimas quatro a seis semanas. Observamos, cada vez mais, pacientes jovens chegando aos hospitais, os pacientes têm chegado um pouco mais tardiamente na evolução da sua doença. Muitas vezes já chegam bem inflamados, com quadro respiratório mais ou menos estabelecido, demandando oxigênio, muitos deles demandando UTI. Portanto, são pacientes mais complicados que chegam ao hospital atualmente. E há o cansaço de todo esse período. É um atendimento que demora muito, precisamos no paramentar e nos desparamentar com bastante cuidado. Em razão de tantas fake news, os pacientes têm muitas perguntas, principalmente sobre tratamentos que, na verdade, não são liberados como tratamento precoce. Sabemos que não existe, do ponto de vista científico, uma evidência de que se previna com tal tratamento. Temos que, realmente, justificar bastante, porque que não vamos usar a medicação X, Y ou Z. Enfim, hoje em dia é um momento muito delicado, porque os pacientes estão muito complexos, não só do ponto de vista de doença mas, também, do ponto de vista de exigência de informação. Muitos vêm com informação, já construída na sua cabeça, de que vão chegar no hospital, vão tomar um coquetel de medicações e na verdade não é isso que acontece. Temos sempre que estar nesse convencimento com os pacientes e isso realmente demanda muito tempo. Então, fora o tempo da paramentação, tem o tempo dessa conversa para explicar tudo direitinho, o paciente se convencer e ficar seguro. Muitas vezes, acaba até nem acontecendo, porque o paciente quer porque quer tomar a medicação X, por exemplo. E, aí, chama a segunda opinião, terceira opinião. Enfim, é um momento delicado, o que torna cansativo esse atendimento. Na sua opinião, quais as expectativas da evolução da pandemia em Pernambuco e no Brasil? Estamos em plena segunda onda, com um número elevado de casos, um número elevado de mortes, inclusive muito mais elevado do que na primeira onda e vemos que as medidas que podem melhorar a aceleração desse vírus não estão sendo efetivamente tomadas. Muitas vezes por parte da população que está cansada e que precisa trabalhar, se movimentar, cansada de ficar isolada em casa. Essas pessoas têm saído. E também por  causa do poder público que não quer mais tomar medidas que não são simpáticas, eles não querem mais fazer lockdown. Eu entendo que existe a balança entre a economia e a saúde e que é preciso ter muito equilíbrio para não esgotar um lado nem o outro. Existem essas questões de fechamento de muitos comércios por falta de público. Existe também a questão das escolas, que é um local que muitas pessoas defendem que se mantenha aberto. Em muitos países da Europa, são consideradas essenciais, foram as últimas a serem fechadas, ficaram abertas durante boa parte da pandemia. Já aqui existem duas situações bem diferentes: as escolas públicas, que ainda não abriram na sua grande maioria; e as escolas particulares, que abriram em sistema híbrido. Mas que, ainda assim, em algumas, houve impacto na transmissão, em outras não, dependendo muito da forma como cada escola aplica os seus protocolos de segurança. A relação da família com a escola também tem que ser muito próxima. Da forma como estamos acelerando os casos e estão sendo conduzidas as medidas que podem efetivamente conter esse avanço da pandemia, vejo que teremos ainda muitos óbitos. Isto porque não se está restringindo circulação de pessoas de uma forma adequada apenas nesse horário das 20h às 5h da manhã. Por que essa restrição nesse horário não é efetiva? Porque esse não é o período de maior aglomeração. E, muitas vezes, as pessoas que querem fazer algum encontro, vão antecipar e vão terminar nesse horário e, às vezes, até há uma aglomeração antes das 20h, em alguns locais, porque as pessoas vão ter menos tempo para se encontrar e resolver seus problemas. Acredito que esse tipo de medida é insuficiente para impactar os números. Neste nível que está a pandemia qual a melhor maneira de usar máscara: a de pano, a PFF2 ou usar duas máscaras? Bom, o mais importante é a máscara se adaptar bem ao seu rosto. Não pode ter frestas laterais, frestas na região do nariz e, se for a de pano, você tem que fazer aquele teste da vela, que é você tentar soprar a vela, estando de máscara, e não conseguir apagá-la. Neste caso, é uma máscara segura para você usar. A PFF2 é a máscara também chamada de N95, sua indicação maior é para pacientes que estejam gerando aerosol, ou seja, pacientes entubados, que usam algum tipo de terapia respiratória, que estejam usando nebulização (o que é muito raro, na verdade, que a gente não orienta nebulizar esses pacientes). Ela é usada principalmente quando se

“Observamos, cada vez mais, pacientes jovens chegando ao hospital.” Read More »

Como escolher o chocolate da Páscoa? Nutricionista orienta

A data mais doce do ano está chegando e são muitas as opções de ovos, barras e bombons de chocolate para deixar o domingo de páscoa em família ainda mais adocicado. O Brasil é um dos maiores produtores de cacau do mundo e, de acordo com a Organização Internacional de Cacau, a produção brasileira está na sétima posição mundial. Um país que tem uma fabricação muito forte conta também com uma tradição que resiste e é fortalecida a cada ano, mas é preciso cautela na hora de escolher e consumir esse tipo de alimento, seja nesta época ou durante todo o ano. Os famosos e queridos ovos de páscoa enchem os olhos pelas inúmeras alternativas de sabores e chega ser difícil saber qual o melhor, não só para o paladar, mas para a saúde também. “Os melhores chocolates são aqueles que têm mais de 60% de cacau, pois eles possuem menos gorduras e ainda oferecem os benefícios do cacau, quanto mais cacau melhor”, orienta a nutricionista e coordenadora da pós-graduação em nutrição clinica e funcional da Faculdade IDE, Ana Rampelotti, sobre qual tipo escolher. A quantidade também importa e para quem gosta de chocolate como sobremesa todos os dias, é preciso cuidado. “Se o consumo for diário, é importante considerar a quantidade máxima de 20 gramas para mulheres e 40 gramas para homens. A qualidade do chocolate é ainda mais importante caso o consumo seja todos os dias”, revela a nutricionista, que conta também que para quem está de dieta e não vai abrir mão da tradição, o ideal é escolher o seu ovo preferido no menor tamanho disponível nas prateleiras do supermercado e chocolatarias. Mesmo optando pelos mais indicados, a palavra continua sendo cautela. “Se consumido com frequência e em grande quantidade, o chocolate (especialmente aqueles mais pobres em cacau) pode levar ao aumento de peso, aumento de gordura na região abdominal, aumento do colesterol, aumento dos triglicerídeos, aumento do risco de diabetes e doenças cardíacas”, alerta Ana Rampelotti. sobre os perigos de exagerar na dose do chocolate. É preciso ficar atento também com aqueles que na propaganda prometem ser boas alternativas de quem busca uma páscoa mais saudável. “Os chocolates diet (zero açúcar) devem ser consumidos apenas por pessoas que tem diabetes, eles não são mais saudáveis. Se por um lado eles não têm açúcar, por outro, são mais ricos em gorduras. Os chocolates light são mais difíceis de serem encontrados, eles tem 25% menos calorias quando comparados com o chocolate tradicional, essas calorias reduzidas podem ser por uma redução de açúcar ou gordura. Esse tipo de chocolate é interessante para quem busca controlar o peso, mas também não pode ser consumido em excesso”, atenta a coordenadora da pós-graduação em nutrição clinica e funcional da Faculdade IDE. Sobre o chocolate que deve ficar por último na lista de desejos e que é preciso evitar, a profissional de nutrição revela quem é ele. “É o chocolate branco, por ser o que tem menos cacau e mais gordura saturada, que é aquela relacionada a doenças do coração e aumento dos níveis de gordura no sangue”. Dieta na Páscoa Para quem está de dieta, esta época é uma verdadeira tentação e para continuar firme neste propósito é preciso ajuda. “Como presente de Páscoa, peça a colaboração dos seus amigos e familiares, explique que você está cuidando da sua saúde e por isso não pode exagerar no chocolate, ou repasse esse tipo de presente para crianças que não receberam presente de páscoa. Se você gosta muito d chocolate, escolha o menor tamanho e coma”, aconselha a professora. É difícil resistir com tantas sobremesas “chocolatudas” desta data e até quem estava seguindo a risca os cuidados pode acabar perdendo o controle, mas isso não é motivo para desanimar ou criar neuras. “Só há uma coisa que vale a pena fazer: voltar para a dieta o mais rápido possível, sem tentar compensar, sem restrições exageradas, apenas volte para uma rotina saudável. A páscoa acontece apenas uma vez por ano e com certeza ela não é a culpada pelo aumento de peso de ninguém”, aponta Ana. Depois disso tudo, o auxílio de bebidas detox está liberado, mas com o equilíbrio de sempre. “Os sucos e chás podem ser utilizados desde que não haja exagero e que o restante da alimentação esteja adequada”. Ansiedade e chocolate Ansiosos precisam ficar atentos para não usar a Páscoa como desculpa para descontar toda ansiedade no chocolate. “Como estamos passando mais tempo dentro de casa, é importante não ter ‘estoque’ de um alimento que gostamos muito e que é difícil controlar a quantidade. A dica é se permitir comer o seu chocolate preferido na Páscoa, mas, comprar uma quantidade pequena e comer aos poucos. Também é importante não comer o chocolate com fome, consuma ele após as grandes refeições, de preferência o almoço”, finaliza a nutricionista e coordenadora da pós-graduação em nutrição clinica e funcional da Faculdade IDE, Ana Rampelotti.

Como escolher o chocolate da Páscoa? Nutricionista orienta Read More »

Casos de fraturas dentárias crescem durante a tensão da pandemia

A ansiedade e a tensão se manifestaram em uma variedade de males físicos durante a pandemia de Covid-19. A mais recente evidência disso é que a saúde bucal também foi afetada com o aumento de casos de dentes fraturados. A percepção de incômodo ao abrir e fechar a boca, bem como a emissão de sons estranhos, são indicadores de que os dentes estão pagando o preço do estresse. O período difícil envolvendo o novo coronavírus fez com que as pessoas desenvolvessem bruxismo, que pode ser definido com uma atividade parafuncional que inclui o apertamento ou ranger dos dentes, podendo acometer pessoas de todas as idades. O causador dessas fraturas inclui: dor espontânea durante o ato de mastigar, lesões orofaciais e periodontal, distúrbio da articulação temporomandibular, sensação estranha na mastigação e mobilidade dentária excessiva. De acordo com a cirurgiã-dentista, Cláudia Albuquerque, da clínica Maxi Dente, o ranger dos dentes leva inicialmente ao desgaste dentário, mas pode ser mais agudo, como a quebra do dente (coroa). A restauração pode ser uma alternativa para solucionar o problema, ou em casos extremos, quando a fratura se estende até a raiz do dente, a saída é um implante dentário ou a extração. ‘‘É inevitável que com o bruxismo, a estrutura dentária seja prejudicada com desgastes. E, além da questão estética, quando isso acontece, problemas como cárie e sensibilidade dentária acabam sendo mais propícios a aparecer. A restauração é uma boa opção para recuperar a estética dos dentes que sofreram desgaste’’, afirma. Ainda de acordo com a Dra. Cláudia Albuquerque a maioria das pessoas não estão tendo o sono reparador que precisa, devido a tensão do coronavírus. ‘‘Desde o começo da pandemia, muitos pacientes estão sofrendo com insônia e ansiedade. Por conta do estresse causado pelo coronavírus, o corpo fica em um estado de agitação e, em vez de repousar e recarregar as energias, toda a tensão vai direto para os dentes, que sofre uma sobrecarga gigantesca’’ enfatiza a cirurgiã-dentista.

Casos de fraturas dentárias crescem durante a tensão da pandemia Read More »

Pesquisa da UFPE: exercício físico contribui para prevenir ou reduzir a gravidade da Covid-19

Da Ascom da UFPE A importância do exercício físico como fator de melhora da imunidade e seu possível efeito modulador das formas mais graves da Covid-19 foram avaliadas no artigo de revisão “The Relevance of a Physical Active Lifestyle and Physical Fitness on Immune Defense: Mitigating Disease Burden, With Focus on Covid-19 Consequences” (“A relevância de um estilo de vida ativo físico e aptidão física na defesa imunológica: atenuação da carga de doença, com foco nas consequências da Covid-19”), publicado no jornal científico Frontiers in Immunology. O artigo científico foi coordenado pelo professor e pesquisador do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) da UFPE Fabricio Souto e contou também com a participação de Tayrine Filgueira, Angela Castoldi, Lucas Santos, Matheus Fernandes, Weydyson Anastácio, Eduardo Zapaterra e Tony Santos, todos pesquisadores da UFPE. E ainda teve participação do médico Geraldo Amorim, preceptor da Residência de Nefrologia do Hospital das Clínicas da UFPE, unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). “O sedentarismo é uma das condições que agravam a Covid-19 por manter o corpo inflamado. Essa inflamação crônica presente também em obesos, renais crônicos e diabéticos compromete a resposta imunológica, favorecendo não só a infecção pelo vírus como também a hiperinflamação, responsável pela gravidade da Covid”, explica Amorim. O artigo cita estudos que demonstram que o exercício feito de forma aguda ou crônica atua como agente imunomodulador, ou seja, ele age equilibrando a resposta das células inumes contra os invasores, como o vírus da Covid-19, minimizando os sintomas. É importante pontuar a diferença entre o conceito de atividade física (qualquer ação diária que faz o corpo gastar energia, como subir escadas, lavar pratos, varrer a casa etc.) e o conceito de exercício físico, que é a atividade física repetida e periodizada por um profissional da área. “Pesquisas demonstram que o exercício físico crônico reduz em até 30% as manifestações clínicas em infecções respiratórias, como a gripe, por exemplo. O exercício pode não impedir diretamente a infecção pelo novo coronavírus, mas pode atenuar o aparecimento das formas graves, como o acometimento pulmonar, pelo seu efeito anti-inflamatório”, salienta Geraldo Amorim, que também é especialista em Medicina do Esporte. A publicação defende a prática de exercícios durante a pandemia e durante o isolamento social, explicando os seus benefícios para a saúde física e mental e para a preservação da massa muscular, em especial em indivíduos idosos. “O exercício físico feito em casa ou ao ar livre libera substâncias analgésicas, sedativas e que promovem o bem-estar e melhoram a musculatura, órgão muito afetado pela Covid-19. A perda de massa muscular nesses pacientes é elevada, pioram a qualidade de vida e geram altos custos com a reabilitação desses indivíduos”, completa Geraldo Amorim. O protocolo de exercício, recomendado pelo Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM, da sigla em inglês) e chancelado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), orienta de 150 a 300 minutos de atividade cardiorrespiratória de intensidade moderada a vigorosa e duas sessões de treinamento de força muscular por semana para a população em geral, com supervisão e periodizado. “O importante, nesta pandemia, é conscientizar a população a começar a ‘se mexer’. Se o indivíduo é sedentário deve iniciar uma caminhada 30 minutos três vezes por semana e ir aumentando a quantidade de dias de forma gradativa. Essa pequena mudança já começa a trazer benefícios para a saúde”, afirma o médico.

Pesquisa da UFPE: exercício físico contribui para prevenir ou reduzir a gravidade da Covid-19 Read More »

Pernambuco anuncia compra de 4 milhões de doses da Spunitik V

No último sábado (20/03), o governador Paulo Câmara anunciou a compra de 4 milhões de doses da vacina Sputnik V, adquiridas através de negociação direta do Consórcio Nordeste com o Fundo Soberano da Rússia. Os primeiros lotes devem chegar ao Brasil no mês de abril. Aprovado na Rússia, Argentina, Hungria, Sérvia, Bielorrúsia, Paraguai e Emirados Árabes Unidos, o imunizante ainda aguarda a liberação pela Anvisa. O governador também anunciou que mais 172 mil doses da Coronavac e outras 36 mil da AstraZeneca/Oxford chegaram a Pernambuco, possibilitando o início da vacinação em idosos acima de 70 anos de idade em todo o Estado. Paulo Câmara reforçou ainda que não é hora de baixar a guarda, uma vez que estamos enfrentando um momento bastante difícil da pandemia, que precisa da colaboração de todos para ser superado. O Governo de Pernambuco continuará buscando oportunidades de aquisição direta de imunizantes, enquanto conta com o apoio da população durante a quarentena. COVAX Ontem chegaram ao Brasil também as primeiras doses de vacina contra a covid-19 fornecidas pelo consórcio Covax Facility. As doses que chegaram são da vacina Oxford/AstraZeneca, fabricada pelo SK Bioscience, da Coreia do Sul. Essa é a mesma vacina que está sendo fabricada em solo brasileiro pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e que teve aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Pernambuco anuncia compra de 4 milhões de doses da Spunitik V Read More »

Pandemia afeta saúde mental de crianças e jovens, dizem psiquiatras

Da Agência Brasil A pandemia do novo coronavírus afetou não só a saúde mental dos adultos, mas também das crianças e adolescentes. É o que afirma o professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), Guilherme Polanczyk. “A pandemia, e todo o contexto que a acompanha, têm gerado situação de estresse em crianças, adolescentes e adultos. Como as crianças e adolescentes são menos infectados e como, muitas vezes, o sofrimento deles fica mais desapercebido, eles tendem a ser mais negligenciados”, disse o especialista. Segundo o médico, sintomas como irritabilidade, mudanças de humor, insônia, dificuldade de concentração podem ser fáceis de se identificar em adultos, mas apresentam diversas nuances quando se trata de crianças e adolescentes. Polanczyk analisa que a idade da criança também interfere na forma como ela reage à pandemia. As crianças menores, por serem mais dependentes dos pais, vão lidar com a pandemia muito em função de como os pais estão lidando e como o ambiente está organizado. “As crianças maiores sentem falta dos amigos. Elas já têm capacidade maior de compreensão de uma forma autônoma, muitas vezes não completamente adequada, ou de uma forma não completamente realista, e podem interpretar de forma mais catastrófica algumas situações”, disse. O professor defendeu a retomada das aulas presenciais ou híbridas, desde que garantidas as medidas de segurança aos alunos e profissionais da educação, porque representa uma nova fase de desenvolvimento para os pequenos. “É preciso sensibilidade para poder explicar para as crianças o que está acontecendo, mostrar a importância de enfrentar, eventualmente, o desconforto social ou o medo da contaminação, e que esse cenário é combatido com os cuidados de higiene, por exemplo”. Polanczyk disse que crianças que apresentam sintomas como dificuldade para dormir, relatos de preocupação, alterações de comportamento e até queixas de dor física merecem atenção especial. Os pais devem ficar atentos a qualquer um desses sinais e buscar a ajuda de um profissional de saúde. Sofrimento indireto Em sua prática médica psiquiátrica diária, o professor de Psiquiatria da Escola Médica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), Daniel Monnerat, disse que, apesar de estatisticamente as crianças serem menos infectadas, elas acabam sofrendo indiretamente, primeiro com uma “menor” preocupação dos seus familiares em termos delas estarem com menor fruição, aproveitando menos as rotinas diárias. Segundo, elas acabam sofrendo, indiretamente, por estarem reclusas, mais introspectivas, vivendo uma vida mais caseira porque os pais, por serem adultos, ao cumprirem as medidas de isolamento para não infectarem outras pessoas, ficam mais tempo em casa e isso interfere na socialização dos menores, nas atividades lúdicas, recreativas. “Por tabela, essas crianças acabam, de alguma forma, sofrendo por essa reclusão que se impôs a todos nós pela pandemia da covid-19”. Monnerat explicou que, para afirmar que o maior efeito da pandemia se dá em crianças maiores ou menores, é preciso analisar como era o estilo de vida diária dessas crianças e adolescentes pré-pandemia. Muitas vezes, alguns deles já eram mais introspectivos, mais caseiros, usavam ferramentas, como redes sociais e internet, para fazer contatos com os amigos. Para esses, o isolamento pode não ter afetado muito o modus operandi (modo de agir) que eles tinham anteriormente. Quadros de depressão Por outro lado, segundo o professor da PUC Rio, para aqueles adolescentes que faziam viagens e socializavam nos finais de semana, com certeza esse isolamento e os critérios mais rígidos que a população está enfrentando, sobretudo este ano, a pandemia está sendo mais difícil. Monnerat observou ainda que para pacientes que já tinham algum diagnóstico psiquiátrico, a pandemia pode exacerbar esses sintomas, fazendo com que eles precisem de mais atendimento médico, com intervenção de medicamentos mais incisiva e, quando isso não é realizado, pode fazer com que quadros de depressão, de ansiedade e de rejeição se acentuem. Monnerat reforçou a necessidade de os pais e responsáveis explicarem às crianças que as medidas de isolamento social impostas pelas autoridades sanitárias não são um castigo, mas foram determinadas pensando na coletividade. “Eu acredito que as crianças tendem a sofrer menos, porque elas estão sendo sensibilizadas, desde o começo da pandemia, a pensar no coletivo. Mas se são crianças que vivem em família com algum desfalque emocional, com ausência de progenitores e vivem mais à deriva, no sentido emocional e educacionalmente falando, elas já estão sofrendo muito e sofrerão mais ao perceberem que poderão retomar as atividades”. É preciso contextualizar os casos e entender os anseios dessas crianças e jovens, disse.

Pandemia afeta saúde mental de crianças e jovens, dizem psiquiatras Read More »

Vacina de Oxford imuniza contra a variante brasileira de covid-19

Da Agência Brasil A vacina de Oxford produzida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca é eficaz contra a variante brasileira do novo coronavírus. A confirmação é da coordenadora dos centros de pesquisa da vacina de Oxford no Brasil e diretora do Instituto para a Saúde Global da Universidade de Siena (Itália), a médica carioca Sue Ann Costa Clemens. De acordo com a pesquisadora, o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, e que no Brasil está sendo produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), demonstrou eficácia em neutralizar a variante P.1 do novo coronavírus. A variante brasileira, identificada em janeiro, em Manaus, reage de forma idêntica à variante britânica ao imunizante de Oxford. A declaração se baseia em pesquisa que ainda não foi revisada por outros cientistas e nem publicada em revista, mas está disponível online. O estudo contou com a colaboração de pesquisadores da Fiocruz Amazônia e do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). De acordo com Sue Ann, os pesquisadores esperavam que a variante brasileira se comportasse como a sul-africana, mas “testes indicaram que ela tem comportamento semelhante à britânica, em que há, sim, impacto na neutralização [do novo coronavírus]”. No mês passado, a Universidade de Oxford já havia anunciado que a vacina é eficaz contra a variante do Reino Unido. A médica observa que a eficácia fica acima dos 70% nos casos leves e chega a 100% quando se trata de casos graves e hospitalização. Apesar de se verificar uma pequena perda de neutralização na comparação com as cepas mais comuns, ainda assim o efeito das vacinas não ficou comprometido em relação à P.1, situação similar à observada para a cepa britânica (conhecida como B.1.1.17). O trabalho avaliou a capacidade da cepa originada no Amazonas de escapar de anticorpos – não somente os induzidos por vacinas, mas também do soro de convalescente (anticorpos gerados por quem teve a infecção há mais tempo), e os chamados anticorpos monoclonais, que são um tipo de remédio biológico. Segundo Sue Ann, “as cepas brasileira e britânica se comportam de maneira muito semelhante. No caso da variante britânica, a eficácia caiu pouco, de 80% para 75%. Temos que esperar os estudos de efetividade aqui, mas acreditamos que vá ser um índice parecido para a P.1. É um resultado muito positivo”, avaliou.

Vacina de Oxford imuniza contra a variante brasileira de covid-19 Read More »

Neurologista apresenta 10 dicas para a higiene do sono

O sono, conhecido por todos como período de descanso, mais do que isto, é uma Função biológica essencial para manutenção da Vida, quando há redução temporária da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária, para permitir a restauração diária das funções físicas dos órgãos, cérebro e mente. Pela sua importância em manter uma vida saudável, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou o Dia Mundial do Sono que, este ano, será comemorado no dia 19 de Março. De acordo com a neurologista do Instituto Real Neuro e especialista em Sono, Dra Clelia Franco, a campanha visa alertar tanto a área de saúde como a população em geral, sobre a importância do sono na qualidade de vida, na saúde global, no desempenho pessoal e profissional, desempenho cognitivo e aprendizado, impactando diretamente em todos os campos da sociedade. “Com o slogan deste ano ‘Sono Regular, Futuro Saudável’, a campanha traz o foco para o papel fundamental de garantir o bom sono na vida diária hoje pelo impacto já cientificamente reconhecido do mesmo na prevenção de enfermidades na vida futura em várias áreas da saúde humana, em todas as faixas de idade”, comenta. Portanto, garantir um sono saudável significa prevenir doenças cardiocerebrovasculares como HAS, AVC, arritmias, infarto; além de doenças metabólicas como a obesidade, diabetes e prejuízo no crescimento, prejuízos da atenção e sonolência excessiva diurna. Este último pode ocasionar risco de acidentes, prejuízos do aprendizado, memória e cognitivos em geral, transtornos na regulação imunológica, transtornos do humor e do comportamento, entre tantos outros. Ainda de acordo com a Dra. Clelia, para evitar problemas de saúde ocasionadas pelo sono de Má qualidade, é preciso, antes de dormir, desligar os aparelhos eletrônicos como a TV e o celular. Assistir TV antes de dormir pode condicionar o cérebro a se manter desperto. Outra dica importante é praticar sempre um ‘ritual’ antes de dormir como tomar banho quente, escovar os dentes, vestir pijama. Isso já vai te preparar “mentalmente” para o sono. “Ter uma hora certa pra ir pra cama condiciona o organismo a relaxar e entender que já está na hora de se desligar. Alimentos leves como iogurte ou Frutas são uma boa pedida antes de dormir”, explica, acrescentando que carboidratos pesados devem ser evitados na última refeição do dia. Higiene do Sono. 10 passos: 1.Procure deitar e se levantar em horários regulares todas as noites; 2.Vá para a cama somente quando estiver com sono; 3.Não use a cama para atividades de trabalho ou alimentar-se, prefira a sala ou outro ambiente. A cama deve estar relacionada como ato de dormir; 4.Evite ficar na cama sem dormir. Se necessário levante e faça uma atividade calma até ficar sonolento novamente. Ficar na cama rolando de um lado para outro gera estresse e piora a insônia; 5.Estabeleça um ritual de relaxamento antes de se deitar; um banho quente, diminuir a luminosidade do quarto enquanto se prepara para deitar; 6.Evite uso de luz azul de eletrônicos antes de dormir, álcool e de cafeína pelo menos 6 horas antes do seu horário de dormir; 7.Não se alimente com alimentação pesada próximo ao horário de dormir; 8.Evite cochilos durante o dia; eles atrapalham seu sono à noite. 9.Procure se ocupar durante o dia, evitando o ócio. 10.Faça atividades físicas regularmente, porém evite exercícios fortes no final do dia, prefira os períodos da manhã ou almoço. No final do dia, os exercícios precisam ser mais leves como alongamento ou caminhadas, e pelo menos 3 horas antes de dormir.

Neurologista apresenta 10 dicas para a higiene do sono Read More »

O que é coinfecção e por que se preocupar com ela?

Com o surgimento de novas variantes do vírus da Covid-19 e a rápida disseminação delas na população brasileira, uma nova situação surge no horizonte do sistema de saúde, a possibilidade coinfecção. Para entender o que é, quais os riscos disso e se há alguma diferença no tratamento da doença, o repórter Rafael Dantas conversou com o biomédico virologista Kledoaldo Lima, tutor da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS). Neste contexto da pandemia, qual a diferença entre infecção, reinfecção e coinfecção? A infecção nada mais é do que a entrada do micro-organismo, no caso da pandemia o micro-organismo da Covid-19, e a consequente proliferação dele em algum sítio anatômico humano, nesse caso nos pulmões. A reinfecção geralmente acontece quando o indivíduo se infecta novamente após um período de cura. Então, ele se curou da primeira infecção e, posteriormente, meses depois, semanas depois, ele vem a se contaminar outra vez. Coinfecção é um caso ainda está sendo analisado pela literatura científica em relação SarsCov2. Mas a coinfecção é quando nós temos variantes diferentes que infectam ao mesmo tempo o indivíduo. Ou então, elas infectam num curto espaço de tempo, de diferença, e em algum momento do tempo elas ao mesmo tempo estão presentes no tecido pulmonar. O que se sabe até o momento sobre a coinfecção de Covid-19 em relação aos sintomas? As pessoas ficam mais graves? Atualmente, a gente sabe pouca coisa sobre os mecanismos de coinfecção do SarsCov2. Tem pouquíssima coisa relatada no mundo. Há alguns trabalhos sendo desenvolvidos, mas a gente tem relatos de caso em Portugal que onde se observou em uma adolescente de 17 anos, mulher, que foi hospitalizada. Ela passou bastante tempo hospitalizada e eles conseguiram identificar duas variantes diferentes. A paciente apresentou sintomas mais graves e também teve maior tempo de transmissão do vírus. Então, o vírus estava apto pra ser transmitido por mais tempo. Então, esse é um dos perigos da coinfecção que ainda está sendo analisado. Mas estamos engatinhando no conhecimento desse tipo de caso, são pesquisas iniciais ainda. As pessoas que tiveram mais de uma variante da Covid-19 são mais propensas a ter sequelas maiores? No relato de caso desse estudo em Portugal, sim. O que se observou nessa menina foi: ela foi infectada com duas variantes diferentes, teve sintomas mais severos e esteve apta a transmitir o vírus por mais tempo, já que o vírus permaneceu viável no seu trato respiratório por mais tempo. A prevenção e o tratamento dos casos de coinfecção de Covid-19 são semelhantes aos de uma infecção comum do coronavírus? Sim. A prevenção e o tratamento nos casos de coinfecção continuam sendo os mesmos daqueles usados para os casos de infecção por uma única variante. O que a gente pode diferenciar e que ainda está sendo avaliado nas coinfecções, é que o paciente talvez precise ficar um pouco mais tempo isolado, já que o vírus nesses casos tende a ficar mais tempo no trato respiratório. Quais os riscos que as coinfecções podem trazer para o controle da pandemia, caso se aumentem os casos? É possível, por exemplo, que isso estimule novas variantes do vírus? Existe uma preocupação em relação a possibilidade de que se venha confirmar realmente que o coronavírus tenha essa propensão, essa facilidade a fazer coinfecção. Principalmente se ele tiver essa possibilidade de permitir que haja coinfecção num número muito grande de pessoas. Então, isso é preocupante porque os vírus que pertencem à família Coronaviridae, que o SarsCov2 está presente, têm uma grande chance de recombinação. Eles se recombinam muito fácil. Então, se houver realmente uma facilidade desse micro-organismo de poder causar co-infecções em um mesmo indivíduo e num grande número de indivíduos, a chance de recombinação viral será maior, já que o vírus tem essa característica de se recombinar. Consequentemente, podem surgir aí novas variantes e muito possivelmente possam surgir variantes com escapes, que sejam imunes às vacinas. Então, essa é a grande preocupação.

O que é coinfecção e por que se preocupar com ela? Read More »

Governadores do Nordeste confirmam compra de 37 milhões de doses da Sputinik V

Os governadores que integram o Consórcio Nordeste anunciaram a confirmação da compra de mais 37 milhões de doses da vacina russa Sputinik V.  A aquisição é fruto da articulação entre o Consórcio Nordeste e o Fundo Soberano Russo, responsável pela venda do imunizante desenvolvido pelo Instituto Gamaleya. Segundo cronograma acordado com a fornecedora russa, os imunizantes serão entregues em lotes, sendo 2 milhões de doses em abril, 5 milhões de doses em maio, 10 milhões de doses em junho e 20 milhões de doses em julho. O Sistema Único de Saúde (SUS) ficará responsável não só pelo pagamento, mas também pelo transporte, armazenamento, distribuição e por agilizar o processo de certificação das vacinas junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Governadores do Nordeste confirmam compra de 37 milhões de doses da Sputinik V Read More »