A retomada do dinamismo do Centro do Recife passa por uma combinação de fatores que vão além do comércio tradicional. Para o presidente da Fecomércio-PE (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco), Bernardo Peixoto, a reativação da região depende de investimentos estruturadores, da valorização das vocações econômicas locais e da criação de um ambiente mais seguro e atrativo para consumidores e empreendedores. Nesse contexto, novos empreendimentos e a reocupação urbana surgem como peças-chave para impulsionar novamente a atividade econômica nos bairros centrais.
O Centro ainda é relevante economicamente, mas perdeu dinamismo em áreas-chave. O que precisa acontecer, na prática, para o comércio tradicional voltar a competir com shoppings e o e-commerce?
Para o comércio tradicional do Centro do Recife voltar a ter a pujança de outrora é necessário explorar suas vocações. Em 2024, o estudo da Fecomércio-PE analisou os principais polos econômicos do Centro do Recife. O segmento de tecnologia da informação e comunicação trouxe resultados positivos ao Recife Antigo, com o Porto Digital, assim como o polo de saúde fortalece a Ilha do Leite. Da mesma forma, deve-se incentivar o comércio varejista e atacadista concentrado em São José, Santo Antônio e Boa Vista. Além disso, são necessários incentivos fiscais, isenções tributárias e esforços do poder público para garantir a segurança, qualidade de vida e a tranquilidade de comerciantes e consumidores.
Segurança, mobilidade e degradação urbana aparecem como os maiores entraves para atrair consumidores. Qual desses fatores hoje é o mais crítico? O que depende do setor privado e o que passa pelo poder público nesse cenário?
A segurança figura entre os fatores de maior sensibilidade para o consumidor que frequenta o Centro do Recife, sendo um campo em que a Guarda Municipal, em articulação com a Polícia Militar, dispõe de instrumentos para atuação coordenada e possui toda capacidade de solucionar. Por sua vez, a degradação urbana pode ser enfrentada com a participação da iniciativa privada, por meio de parcerias público-privadas (PPPs), a exemplo do que ocorreu no Recife Antigo.
O estudo que vocês publicaram em 2024 (Perspectivas e Oportunidades Econômicas – Centro do Recife) aponta novos empreendimentos imobiliários e possibilidade de retomada residencial. O senhor acredita que trazer moradores de volta é a chave para reativar o comércio ou o modelo do Centro precisa ser outro?
Sem dúvida, trata-se de um dos pontos mais relevantes para a retomada da circulação de moradores no Centro do Recife. A migração de habitantes para áreas periféricas reduz a base de consumidores e enfraquece a atividade comercial. Além do retorno habitacional, a recomposição da dinâmica econômica da região também depende da qualificação do espaço urbano, com manutenção, limpeza e reordenamento das vias, da ampliação da oferta de estacionamentos para facilitar o acesso de consumidores e do fortalecimento do turismo religioso, aproveitando o patrimônio histórico e cultural do Centro para ampliar o fluxo de visitantes e estimular o comércio e os serviços locais.
Em que estágio está o projeto anunciado pelo Fecomércio-PE no Centro? Como o empreendimento ajudará na revitalização da região?
O edital de licitação para o início das obras do edifício San Diego, na Avenida Dantas Barreto, será lançado no dia 8 de maio. O local abrigará um centro de referência em inovação voltado ao varejo, estruturado como um hub de desenvolvimento para o comércio, com projeção de circulação diária de cerca de 1.200 pessoas no edifício. Essa iniciativa tende a produzir efeitos sobre o ecossistema do varejo no Centro do Recife. A circulação diária estimada amplia o fluxo de consumidores na região, com impacto direto sobre estabelecimentos do entorno. A presença de um equipamento dessa natureza ajuda na requalificação do ambiente urbano, incentiva a ocupação de imóveis e pode induzir a instalação de novos serviços complementares, como alimentação, logística e apoio empresarial.


