Símbolo histórico do comércio recifense, a Rua da Imperatriz Tereza Cristina concentra hoje alguns dos maiores desafios para a revitalização do Centro. Entre imóveis subutilizados, perda de dinamismo e mudanças no perfil de consumo, a via se tornou também ponto de partida para uma tentativa estruturada de reverter esse cenário. A parceria entre Sudene e UFPE aposta na construção de um modelo que vá além de intervenções pontuais, mirando soluções que possam ser replicadas em outras áreas do Nordeste.
Nesse processo, um dos pilares do projeto é a construção de diretrizes a partir de uma leitura aprofundada da realidade atual da rua, sem perder de vista sua trajetória histórica e seu papel urbano. “As diretrizes vocacionais para a Rua da Imperatriz, que são parte do produto final da pesquisa, levarão em conta as vivências da atualidade da via e do entorno, na compreensão de sua trajetória histórica e das dinâmicas contemporâneas para a reativação de usos em sítios históricos, bem como a escuta ativa de atores sociais que se envolvem direta ou indiretamente nesse contexto, por meio das Oficinas Participativas, tudo com o aporte da literatura especializada dos campos do planejamento urbano e da preservação cultural, em uma simbiose entre as dimensões empíricas e técnico-científicas”, explica Juliana Barreto, pesquisadora do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural da UFPE.
A complexidade do território também exige uma abordagem multidisciplinar, como explica Iana Laudermir, professora de planejamento urbano e regional no Curso de Arquitetura e Urbanismo e na Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE. “Os principais aspectos que devem ser considerados para atuar na Rua da Imperatriz estão sendo contemplados pelos estudos da equipe técnica do projeto, assim como pela participação de consultores especializados na compreensão dos espaços públicos, da mobilidade urbana, de políticas públicas para o patrimônio cultural e dos entraves para dinamização imobiliária. Outra consultoria especializada em diálogo social presta assessoria para que o processo de elaboração das diretrizes seja permeado pelo diálogo com os atores sociais que vivenciam e planejam a área, reforçando o caráter integrado da iniciativa”.

Do ponto de vista institucional, a proposta é transformar essa experiência em uma política mais ampla de requalificação urbana. A intenção é que os aprendizados obtidos na Rua da Imperatriz sirvam de base para outras intervenções no Nordeste, conectando planejamento, financiamento e articulação entre diferentes atores. “Ele foi concebido como um laboratório de políticas públicas, capaz de gerar um modelo replicável para outros centros urbanos do Nordeste. A partir de um diagnóstico multidimensional, que envolve aspectos urbanísticos, econômicos e culturais, nós buscamos estruturar uma metodologia baseada em evidências, escuta social e integração institucional”, afirma o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre. Segundo ele, a expectativa é que iniciativas como essa ajudem a reposicionar áreas históricas como polos ativos de desenvolvimento econômico e social.


