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Quem sou eu para escrever alguma coisa?

Por Marina Daineze, Diretora de Imagem e Comunicação da Vivo Um dos meus desafios atuais no trabalho é coordenar uma das frentes dos grupos de diversidade na Vivo. São grupos de afinidade, formados por colaboradores internos engajados em discutir e construir ações propositivas nestes temas. A experiência é sempre muito rica e transformadora, principalmente por estar à frente do pilar de gênero, que aborda as temáticas relacionadas às mulheres na empresa. Nestes encontros, posso estar junto das colaboradoras das mais diversas áreas da companhia, que possuem muito em comum: são inteligentes, preparadas, competentes, fortes, mas com muitas inseguranças. Venho percebendo que à medida que elas evoluem em suas carreiras dentro da Vivo, apresentam uma tendência a duvidar de si mesmas, como uma autossabotagem. Isso não é novo e tem nome: Síndrome da Impostora. Embora receba o nome de “Síndrome”, ela não é uma doença mental, mas é uma desordem psicológica cheia de sintomas. Os primeiros aparecem como uma dúvida sobre o merecimento por algumas realizações profissionais, depois vêm como rejeição a alguns elogios, medo ao mostrar seu trabalho, dificuldade de dizer não e até mesmo compulsão por agradar. A síndrome atinge seu ápice com o sentir-se uma verdadeira fraude, geralmente ao alcançar uma posição de destaque. Este conceito foi desenvolvido pelas psicólogas americanas Pauline Rose Clance e Suzanne Imes em 1978 e, ao que tudo indica, ainda não tem solução. Mulheres notáveis como Viola Davis e Michelle Obama poderiam facilmente participar do nosso grupo de diversidade e compartilhar suas histórias, pois elas também assumem sentir esta insegurança. É uma distorção na percepção de si mesma que culmina na falta de autoestima para atuar em espaços relevantes ou sem histórico de representatividade feminina. Isso pode levar a profissional a ficar constantemente tentando provar sua capacidade através de esforços exaustivos. Se não reconhecida, pode levar à inércia total. Ainda que não esteja exclusivamente vinculado ao gênero feminino, é mais frequente ocorrer entre mulheres por conta dos problemas estruturais que nós enfrentamos em todos os espaços da sociedade. Precisamos pensar em soluções para este problema estrutural e atingir um equilíbrio com a mobilização de todos. A flexibilidade nos estilos de liderança é essencial para essa transformação. É preciso questionar os modelos vigentes e fomentar uma cultura empresarial de conscientização e combate a todo tipo de preconceito, começando pelas altas hierarquias. A Jornada da Diversidade é um bom exemplo do que funciona. Na Vivo, selecionamos um tema por mês para ser debatido e para promover a conscientização de toda empresa, envolvendo todos os gêneros neste processo. Neste mês da mulher, a Síndrome da Impostora é o assunto, pois mesmo que não seja novidade, ainda não é amplamente conhecido, principalmente entre os homens. Teremos um dia de palestras com líderes femininas trazendo conscientização, acolhimento e abertura para debate entre todos. Além das discussões, queríamos realizar algo palpável para confirmar nosso comprometimento e fomentar a mudança. Elaboramos um treinamento interno em colaboração com a Impulso Beta, consultoria de diversidade focada na gestão de gênero, e vamos incentivar o trial do aplicativo Mulheres Positivas, projeto que aborda temas do universo feminino, já disponível para os colaboradores da Vivo. Acredito muito nestas ações porque, apesar de parecerem pequenas, são o início de um processo transformador. Quanto mais cedo a mulher compreender o ambiente, se preparar, entender a importância de sua autoconfiança, maior a chance de êxito. Com isso, ela percebe também que apropriar-se de sua história é a estratégia mais sólida para lidar com o mundo corporativo. Afinal, conforme conquistamos novos espaços, enfrentamos também a resistência dos velhos paradigmas e abrimos caminho para outras mulheres fazerem o mesmo. A insegurança geralmente aparece quando há uma oportunidade de crescimento. Entender a sensação de fraude como um indício de sucesso pode ser uma saída para enfrentar a inércia do medo. Falo isso porque já me senti assim e reconheço que foi o meu maior desafio profissional. A pergunta “Quem sou eu para escrever alguma coisa?”, por exemplo, é algo que eventualmente aparece em minha mente quando decido expor minhas ideias. Mas ela não me paralisa, pois me aproprio da minha história para continuar. Eu sou Marina Daineze, diretora de comunicação e marketing da Vivo, mãe, mulher e tenho, sim, muito a compartilhar. Que este artigo seja um incentivo para que todas as mulheres assumam a liderança, principalmente a de suas vidas. E, com isso possam empoderar e contribuir com muitas outras mulheres nesta jornada.

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“Lugar de mulher é onde ela quiser”

Você já ouviu falar em empoderar-se, empoderamento e empoderada? Esses e outros sinônimos fazem parte do dia-a-dia de todo mundo e principalmente da autoestima de uma mulher, ou quando uma amiga fala para a outra “Aceite seu corpo, ele é lindo”, “Você pode viajar sozinha sim, isso vai contribuir para a sua carreira” ou a expressão “Lugar de mulher é onde ela quiser”. Afinal o que é Empoderamento Feminino? Este é um ótimo momento para debater e discutir o tema, já que neste mês, celebramos o Dia Internacional da Mulher em (08) de março. Para que não haja equívoco ou comparação entre Empoderamento Feminino e Feminismo, aqui vai a diferença. Feminismo é um movimento que prega a ideologia da igualdade social, política e econômica entre os gêneros. Já o Empoderamento Feminino é a consciência coletiva, expressa por ações que visam fortalecer as mulheres e desenvolver a equidade de gênero. O primeiro termo é uma consequência do movimento feminista, mas ambos os temas diferem, mesmo estando interligados. Empoderar-se é o ato de adquirir poder sobre si, embora a mulher ainda lute bastante para conquistar o seu espaço nas organizações e provar serem capazes de fazer parte do crescimento destas empresas, muitas mulheres também precisam reconhecer que elas são capazes de chegar longe em carreiras profissionais e objetivos, para então poder começar as mudanças. Em 2010, a ONU lançou os princípios de empoderamento das mulheres, no intuito de colocar em prática um posicionamento positivo da mulher no mundo. Estes princípios são: • Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível. • Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação. • Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa. • Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres. • Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e “marketing”. • Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social. • Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero. De lá para cá, estes princípios ainda precisam ser massificados e aplicados. O empoderamento está presente em grandes ações, como, por exemplo, quando empresas decidem seguir uma política interna de equidade entre gêneros e quebra de preconceitos contra as mulheres. Um exemplo a ser citado é o Grupo Alpha, um grupo educacional do Recife, idealizado por duas mulheres, as CEOs Luciana Vitor e Suelandre Gonsalves. O Grupo iniciou suas operações em 2012, e hoje detém de 90% da sua gestão liderada por mulheres, onde é coordenado com apenas 10% do público masculino. O Grupo empresarial vem dando certo, sob ótica feminina da qual é perceptiva e persistente, além de outros atributos, galgando dia a dia seu crescimento e conquistando resultados positivos no quesito educação de qualidade. Os cargos são estratégicos que vão desde diretores, gestores acadêmicos e gestores administrativos. Para Priscila Santana, Diretora de Marketing do Grupo Alpha, é muito gratificante fazer parte do quadro funcional da empresa. “Assumir um cargo de gestão tão importante no Grupo Alpha, é uma realização desafiadora, por isso, me sinto grata e realizada pelo trabalho que exerço com tanto afinco. É um orgulho saber que além de mim, temos na instituição outras gestoras empoderadas compondo o quadro da empresa, que ‘Case de sucesso’. A prova disso é o nosso crescimento gradual.” Ressaltou a gestora. Você mulher! Pode aplicar o empoderamento em sua vida, trabalhe a sua confiança, se fortaleça e busque com garra de dedicação os seus sonhos. Assim que se sentir empoderada, poderá encorajar outras mulheres: amigas parceiras e familiares com seu exemplo. Como surgiu o Dia Internacional da Mulher: Conta-se uma história que no dia 25 de março de 1911, um incêndio atingiu uma fábrica têxtil em Nova York. Neste incidente cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Por isso, foi criada a data “Dia internacional da mulher”, para lembrar e homenagear aquele dia que marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século XX, durante a Segunda Guerra Mundial. Bem antes do incêndio, durante a Segunda Guerra Mundial, houve lutas que também propiciaram na criação da data, no final do século XIX, grupos femininos de operárias protestavam em países da Europa e nos Estados Unidos por melhores condições de trabalho, redução na jornada de trabalho e salários justos além, do fim da exploração infantil. Desde 1960, a comemoração do dia 8 de março já era tradicional, mas só em 1975, o Dia Internacional da Mulher, foi oficializado pela ONU, declarando o Ano Internacional das Mulheres, para atuar no combate as desigualdades e discriminação de gênero em todo mundo.

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SBPC e as mulheres nos seus espaços de poder e decisão

*Por Maria do Rosário Andrade Leitão e Maria do Carmo F. Soares A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi fundada em 8 de julho de 1948, na sede da Associação Paulista de Medicina, com aprovação do seu primeiro estatuto. A primeira Reunião Anual da SBPC, sob a presidência dos Professores Jorge Americano e Henrique da Rocha Lima, realizou-se em Campinas, SP, de 11 a 15 de outubro de 1948, no formato de Conferências e Simpósios, sendo um dos instrumentos de fortalecimento da sociedade pelo seu aspecto de contemplar trabalhos acadêmicos de todas as áreas do conhecimento. O objetivo da reunião foi o de tentar, pela primeira vez no Brasil e, talvez na América do Sul, a integração de todas as atividades científicas, em conjunto homogêneo, de maneira a facilitar troca de visitas, discussões e sugestões entre cientistas. A partir de então, a Reunião Anual, foi sendo construída de forma coletiva e se tornou o maior evento da SBPC, realizada de forma ininterrupta, desde 1949 a 2021, embora a 72a edição tenha sido realizada de forma virtual e remota, devido a Covid-19, mas prestando e trazendo muitos esclarecimentos científicos em todas as áreas do conhecimento científico. A trajetória da SBPC, uma instituição sólida, conhecida e respeitada no âmbito científico, vai ser aqui abordada a partir da inserção das mulheres, enquanto Presidentes e Secretárias, e mais particularmente sua participação na Regional de Pernambuco rumo aos seus 70 anos de existência. Para entender o processo de inserção e visibilidade das mulheres, na educação e na ciência, é necessário debruçar-se sobre a literatura fundamentada na epistemologia feminista, que vem sendo elaborada e publicada há algumas décadas, na qual as autoras vêm teorizando sobre o lugar das mulheres, nas ciências, nas profissões, nos espaços de poder e decisão, temas que tem sido objeto de pesquisa no Núcleo de Pesquisa-Ação Mulher e Ciência – NPAMC/UFRPE desde 2014, do qual as autoras são membros. Núcleo que se propôs a contribuir no resgate da história das mulheres, relacionar a educação superior às relações de gênero, aportar dados a um campo temático no qual a literatura ainda é insuficiente sobre as mulheres na academia, na ciência e nas sociedades científicas. Neste contexto, vale pontuar dados sobre o espaço ocupado pelas mulheres no prêmio Nobel: Física – total 216, sendo 212 homens e 4 mulheres; Química – total 186, sendo 180 homens e 6 mulheres; Fisiologia total 222, sendo 210 homens e 12 mulheres; Literatura – total 117, sendo 101 homens e 16 mulheres; Paz – total 135, sendo 121 homens e 14 mulheres. É importante também explicitar que há ações afirmativas desenvolvidas no Brasil, para visibilizar as mulheres na ciência, entre elas: 1) O Programa Mulher e Ciência, uma política pública criada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -CNPq para “estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero, mulheres e feminismos no País; promover a participação das mulheres no campo das ciências e carreiras acadêmicas e, 2) O Prêmio Carolina Bori Ciência e Mulher, criado em 2015 com os objetivos de fomentar a inclusão das mulheres na ciência e contribuir no aumento da participação das novas gerações de cientistas. Essas ações afirmativas, foram historicamente reivindicadas em pautas de inclusão das mulheres em todo o tecido social, um exemplo é o movimento sufragista, explicitado pela historiadora, Mônica Karawejczyk em sua tese de doutorado “A Igreja Católica e o voto feminino no Rio Grande do Sul (1891-1935)”; foi em 25 de outubro de 1927, que o movimento sufragista no Brasil alcançou sua primeira vitória: o reconhecimento do alistamento eleitoral feminino no estado do Rio Grande do Norte e tal vitória contou com a participação ativa da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). Portanto, o voto feminino no Brasil tardou, mas veio com luta e pressão, que deram resultado, uma vez que as restrições ao voto feminino foram retiradas, quando da publicação do código eleitoral em 24 de fevereiro de 1932 e, foram então instituídos o voto secreto e o voto feminino eleitoral. O movimento sufragista surgiu como uma resposta à exclusão das mulheres na política. Portanto, muitas desigualdades legais, econômicas, educacionais e cientificas precisaram ir sendo vencidas paulatinamente e de forma contínua numa construção coletiva. Assim, ao longo da segunda metade do século XX foram configuradas outras pautas de lutas, nas quais a sociedade é questionada sobre papeis sociais dos homens e mulheres, é sobre este período que trata o texto escrito por Hildete Melo e Ligia Rodrigues (2006) e publicado inicialmente pela SBPC, o qual dá visibilidade a participação das mulheres na ciência, por meio da publicação “Pioneiras da Ciência no Brasil”. Posteriormente, foi divulgado no site do CNPq, cuja apresentação da obra chama a atenção sobre a legitimação das cientistas brasileiras, o reconhecimento de suas contribuições para o avanço da ciência, realizado por estas pioneiras que visibilizaram em suas contribuições à sociedade as conquistas das mulheres no que concerne ao acesso ao saber e ao poder Nesse contexto, baseando-se no Projeto Memória da SBPC e nas Estatísticas da Base de Currículos da Plataforma Lattes, o texto “As Relações de Gênero na presidência e diretorias da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência”, de autoria das docentes/pesquisadoras Maria do Carmo F. Soares, Juliana S. Lima e Mª do Rosário de F. Andrade Leitão, publicado em 2016 nos anais do 19º Encontro da Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher e Relações de Gênero – REDOR, buscou apresentar subsídios para uma reflexão, a partir do conceito de relações sociais de gênero, na trajetória histórica dessa sociedade científica e no painel de doutores/as do país. Constatou-se a sub-representação das mulheres nos espaços de ciências, no caso, na SBPC, foi identificado nos dados que explicitaram num total de 34 gestões da SBPC, 6 (seis) foram presididas por um quantitativo de 3 (três) mulheres que ocuparam o cargo de presidente da SBPC. E dentre elas, uma reconduziu o mandato por mais uma gestão e, a última mulher presidente, por 3 (três) gestões consecutivas. A

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Distritão deve ser novidade nas eleições 2022

*Por Maurício Costa Romão A Câmara dos Deputados voltou a tratar de mudança do sistema eleitoral brasileiro, desta feita buscando substituir o proporcional pelo majoritário. A mudança seria uma forma de superar as dificuldades causadas para muitos partidos pelo fim das coligações proporcionais e pela instituição da cláusula de desempenho partidário. Como não há tempo hábil para implementar o modelo majoritário de voto no formato distrital puro ou misto, para viger em 2022, até porque seria necessário delimitar espaços geográficos distritais nos estados da federação, os debates iniciais têm convergido para a modalidade distritão, cuja proposta, aliás, já fora derrotada no plenário do Congresso Nacional, em 2017. O distritão é uma variante magnificada do distrital puro. Pelo mecanismo, a circunscrição eleitoral seria um grande distrito (o estado, o município). Pernambuco, por exemplo, conformaria um distrito com 25 cadeiras de deputado federal, cuja ocupação dar-se-ia pelos 25 candidatos mais votados da eleição (a chamada “verdade eleitoral”). O distritão é louvado (1) por eleger os mais votados do pleito; (2) pela sua simplicidade (inteligibilidade); (3) por respeitar a vontade do eleitor; (4) por fortalecer os principais partidos e evitar fragmentação partidária e (5) por impedir transbordamento (spillover) de votos de puxadores para candidatos de pouca dimensão eleitoral. O rol dos deméritos, todavia, é apreciável: (a) reduz o pluralismo político do Parlamento; (b) diminui a participação das minorias; (c) tem baixa taxa de renovação da representação, devido ao recall dos atuais eleitos; (d) concentra mais votos e representantes nos partidos grandes; (e) supervaloriza as pessoas famosas (extra partidárias) em detrimento da qualidade da representação; (f) aumenta a personalização da representação; (g) tem baixa accountability (pouca ligação entre o parlamentar e as bases eleitorais); (h) relega partidos a plano secundário; (i) estimula competição entre correligionários de um mesmo partido e (j) favorece a influência do poder econômico. Um argumento de convencimento expressado por alguns parlamentares é o de que o distritão seria implantado agora, mas como transição para o modelo distrital misto, que vigeria a partir de 2030. No mecanismo misto o eleitor vota duas vezes e uma parte dos parlamentares é eleita pelo sistema majoritário-distrital puro e a outra parte pelo proporcional de lista fechada. Um dos modelos mais complexos em uso nas democracias contemporâneas. A justificativa de que o distritão seria um aprendizado para o distrital misto não se sustenta. São dois sistemas que guardam entre si enormes diferenças. E tem uma questão lógica: se o distritão não serve para ser permanente, por que submeter o país a essa traumática temporariedade? Ademais, o argumento da transição pressupõe que o distrital misto é superior ao distritão – a ponto deste servir apenas de trampolim para aquele – ou ao proporcional de lista aberta – a ponto de este ser substituído por ambos. Todos os sistemas eleitorais têm vantagens e desvantagens e é sempre controverso se falar de superioridade de um sobre outro, pois “nenhum sistema de voto é justo, perfeito, ideal” (“Teorema da Impossibilidade de Arrow”). Note-se, enfim, que a proposta de mudança de modelo eleitoral ressurge de forma flagrantemente casuística: “facilitar a vida de partidos nanicos” (Poder360, 24/02/21). O propósito explicitado é o de desfazer o regramento constitucional de 2017, que diminui a fragmentação partidária e imprime qualidade ao sistema político. Uma propositura vazada em tais desígnios não pode prosperar. ———————————————————————— Maurício Costa Romão, é Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. mauricio-romao@uol.com.br

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Homenagem aos 110 anos de Zé Dantas

*Por Aluísio Lessa Zé Dantas é imortal. José de Sousa Dantas Filho, nasceu em Carnaíba. Filho de José de Sousa Dantas, fazendeiro, comerciante e ex-prefeito da cidade de Flores, e de Josefina Alves Siqueira Dantas. Sob pressão familiar, migrou para o Recife ainda jovem. Aos 17 anos. Com uma meta estabelecida: ser médico. “Virar um doutor”, como ainda se costuma dizer pelas bandas das cidades do interior do Estado. Aluno aplicado, concluiu o ensino médio e se formou em medicina. Fez carreira no Rio de Janeiro no exercício da profissão. Médico residente obstreta e depois diretor do Hospital dos Servidores. Foi casado com a também pernambucana Yolanda Dantas. Teve três filhos. Morreu em 1961. Seu principal legado: a poesia, a música, a cultura nordestina. Carnaíba integra o cinturão do Sertão do Pajeú, região que historicamente tem três características no seu DNA. O Rio Pajeú, a polarização política entre forças progressistas e setores conservadores e a cultura da poesia popular. E foi nesse ambiente que Zé Dantas, um dos compositores mais geniais da Música Popular Brasileira nasceu e se formou. Conheceu Luiz Gonzaga pessoalmente aos 26 anos, no Recife. Escreveu composições antológicas. Que não as assinava, a seu próprio pedido, temendo represálias de seus pais. A juventude consagrou autores como Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre tantos outros, nas chamadas composições de protesto, no final da década 60. “Mas doutô uma esmola a um homem qui é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”, versos de Vozes da Seca, Zé Dantas denuncia a injusta e criminosa desigualdade regional contra o Nordeste. Na década de 50. Ou seja, cerca de 10 anos antes. No próximo dia 27 de fevereiro de 2021 Zé Dantas faria 110 anos se vivo fosse. Infelizmente, para todos nós, a Pandemia não permite uma comemoração com muito forró, em Carnaíba, como havia pensado e programado o prefeito Anchieta Patriota. Mas Zé Dantas estará vivo em nossos corações e mentes para a eternidade. Ele é imortal como um bem cultural e imaterial do Nordeste, do Brasil. E se refletirmos sobre sua história de vida, que o destino lhe impôs decidir entre ser reconhecido como um doutor ou um poeta popular, fica a lição de que nada vale estar acima dos nossos sonhos. Viva Zédantas, imortal, imortal! *Por Aluísio Lessa é deputado estadual pelo PSB. Foi reeleito para o seu terceiro mandato consecutivo. O deputado é presidente da Comissão de Finanças na Alepe.

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Conservação urbana e predial fora de pauta?

*Por Juliana Cunha Barreto Manutenção, conservação, zeladoria. Parecem vocábulos comuns e de pouca expressividade, quando o assunto é a ânsia pela máxima ocupação do território urbano, como um dos reflexos do atraente mercado imobiliário das grandes cidades; e no Recife, não parece diferente. As preocupações que envolvem a conservação do sistema ambiental, em sentido amplo, e a manutenção das estruturas edificadas, em escala pormenorizada, parecem comuns nos discursos urbanísticos, mas longe de uma aplicação prática – afinal, aliar as demandas da sociedade contemporânea com as premissas da sustentabilidade não é tarefa simples. De modo específico, é no exato desafio da manutenção periódica predial, geralmente mais aproximada ao cotidiano cidadão, que são observados os conflitos da qualidade do ambiente construído, capazes de resultar em vulnerabilidades estruturais e perdas de materiais construtivos — situações que põem em risco a permanência do edifício e a vida dos ocupantes e usuários. Foi nesses termos que vimos, recentemente, os danos construtivos do edifício São Cristóvão, situado na emblemática Rua da Aurora, ocasionarem uma morte de civil. Lamentavelmente, esse caso não é isolado e o referido logradouro também já protagonizou outros feitos de natureza destrutiva, sendo extensivos à histórica vizinhança dos bairros adjacentes, Boa Vista e Santo Amaro, para não listar alguns outros relegados do protagonismo urbano. Legislação para a orientação de vistorias e manutenções de rotina em condomínios existe, assim como profissionais habilitados a tanto também. Arquitetos e Urbanistas, no âmbito de suas atribuições, detém a capacidade técnica de periciar edificações e avaliar danos físicos, o que pode ser uma atividade compartilhada com outros profissionais especializados, do campo da engenharia, por exemplo. A depender do elemento arquitetônico ou estrutural, sua função na edificação e interface com as intempéries, a rotina de manutenção pode ser diversa, sendo inclusive sugerida a elaboração de um plano de conservação preventiva, que indique os riscos, as orientações de manutenção e a periodicidade — serve de guia aos gestores ou gerentes prediais. Além da otimização dos custos que uma conservação periódica pode oferecer, com o acompanhamento de um profissional especializado, a preservação da vida se coloca como algo ainda mais valioso. Na possibilidade de efetiva contribuição ao tema, torna-se apropriado chamar a atenção para a iniciativa de criação de um escritório gestor do centro do Recife, recentemente anunciada pela municipalidade, cujos objetivos, ainda desconhecidos, podem naturalmente serem sensíveis ao tema da manutenção, conservação, zeladoria. Tanto no sentido da preservação do patrimônio cultural, como do estímulo à manutenção física das estruturas edificadas, para que outros incidentes não voltem a acontecer. *Juliana Cunha Barreto é Arquiteta e Urbanista. Docente do Centro Universitário UNIFBV (juliana.barreto@professores.unifbv.edu.br)

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Memória da SBPC-PE: Quem esteve à frente nos 70 anos da regional?

*Por Maria do Rosário Andrade Leitão e Maria do Carmo F. Soares Celebrar os 70 anos da SBPC regional de Pernambuco é um fato singular, especialmente no atual momento nacional e internacional, que envolve os avanços e reconhecimento da ciência e, de forma antagônica, o negacionismo científico, uma realidade bem diferente do contexto dos anos 1950, quando foi criada a Divisão Regional do Recife, posteriormente, denominada Regional de Pernambuco. O século XX foi marcado pelo reconhecimento dos avanços científicos e tecnológicos, evidenciado especialmente no pós-guerra. A concepção de Ciência e Tecnologia alcançou status de ser capaz de superar obstáculos anteriormente intransponíveis, entre eles: o controle da taxa de natalidade, tratamento do câncer, fertilização in vitro, cobertura vacinal, entre outros avanços da medicina. Foi nesse contexto de credibilidade da C&T e do fortalecimento e crescimento das instituições acadêmicas e de pesquisa em Pernambuco que foi criada a SBPC-PE. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência foi fundada em 08/07/1948, pelos professores Maurício Rocha da Silva, Paulo Sawaya e José Reis, inspirados em modelos de associações semelhantes já existentes na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Argentina, instituição que desde o seu início estruturou suas representações em várias capitais do país Resgatar fragmentos da memória da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência aqui, em Pernambuco, consiste em tecer fios do passado, reagir contra a sombra do esquecimento sobre nossas histórias de vidas e de nossas instituições. Maurice Halbwachs em sua obra “A memória coletiva”, nos conduz a reflexão de que a memória se constrói a partir das vivências sociais e, portanto, constitui-se a partir de um legado coletivo, as histórias dialogam com individualidades e experiências coletivas que definem identidades sociais, nesse caso, um coletivo de cientistas secretários/as da SBPC-PE. O texto se propõe a resgatar, de forma sucinta, a memória de pessoas que possibilitaram a concretização da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em Pernambuco, a partir das representações dos 20 secretários regionais. O texto dá continuidade ao aprofundamento do tema de resgate da memória, já iniciado com publicações anteriores, a exemplo, do JC online, da Revista algomais online e dos Anais 72ª Reunião Anual da SBPC-UFRN/2020. Recuperar a trajetória da Regional SBPC-PE consiste em visibilizar a participação de 20 pessoas que se comprometeram, e se comprometem, a apoiar e estimular a ciência, a defender a liberdade e a obtenção de recursos para a realização das pesquisas científicas, a fomentar o compromisso ético na pesquisa e na divulgação dos dados científicos. Trata-se de pessoas que têm contribuído ao longo de 70 anos, no processo de diálogo entre ciência e sociedade. Ao todo, são 20 gestões, iniciadas em 1951, com Newton da Silva Maia, seguido por Nelson Ferreira de Castro Chaves (1955), Frederico Adolfo Simões Barbosa (1961-1963), Bento Magalhães Neto (1963-1971), Naíde Regueira Teodósio (1971-1973), Dalmo Nunes G. de Oliveira (1973-1977), José Aarão Martins de Carvalho (1977-1979), Silvio José Macêdo (1980-1981/ 1984-1985), André Freire Furtado (1982-1983), Hélio Teixeira Coelho (1986-1988), Luís Antônio Marcuschi (1988-1990), Abraham Benzaquen Sicsú (1990-1992), Celso Pinto de Melo (1992-1994), Sérgio Machado Rezende (1994-1996), José Antônio Aleixo da Silva (1998-2004), Ivan Vieira de Melo (2004-2009), Francisco Luís dos Santos (2009-2011), Rejane Jurema Mansur Custódio Nogueira (2011-2015), Marcos Antônio Ramos Pereira de Lucena (2015-2019) e Maria do Carmo Figueredo Soares, atual Secretária Regional da SBPC em Pernambuco, desde 2019. Alguns já concluíram sua contribuição entre nós aqui na terra, mas deixaram o seu legado científico e marcaram a história da SBPC-PE, Newton da Silva Maia, seguido por Nelson Ferreira de Castro Chaves, Frederico Adolfo Simões Barbosa, Bento Magalhães Neto, Naíde Regueira Teodósio, Dalmo Nunes Gonçalves de Oliveira e Luís Antônio Marcuschi. A quem prestamos nossas homenagens póstumas e gratidão Buscamos responder à pergunta: Quem são os cientistas e as cientistas que ocuparam o a cargo de Secretários e Secretárias de SBPC Regional – Pernambuco? A resposta que sistematizamos é que corresponde a um coletivo de 20 gestores, dos quais sob o enfoque de gênero, 03 gestões exercidas por mulheres, uma no século XX e duas no século XXI e as outras 17 gestões exercidas por homens. Quanto à formação acadêmica, são 05 da área de Saúde, 02 da área de Ciências Biológicas, 01 da área Ciências Humanas e 12 da área de Exatas (Física, Engenharias, Mecânica, Agronomia, Engenharia de Pesca). No que tange à internacionalização desses e dessas cientistas tem-se a realização de formação e/ou participação em grupos de pesquisas nos seguintes países: Estados Unidos, França Inglaterra, Alemanha, Argentina e Suíça. Na trajetória profissional, essas pessoas contribuíram nas seguintes instituições: Organização Mundial da Saúde (OMS); Ministério de Ciência e Tecnologia; Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), nos cargos de docente, diretores, pró-reitores, vice-reitor e reitor; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Aggeu Magalhães (IAM): criado em 1950, o instituto pertencia à Divisão de Organização Sanitária(DOS) do Ministério da Educação e Saúde; Fiocruz Pernambuco e diversas instituições do Governo do Estado de Pernambuco; FUNDAJ; CNPq; CAPES. Interessante também pontuar que quatro gestões seguidas foram exercidas por médicos e outras quatro do total de 20 gestões foram exercidas por físicos, grandes contribuições pessoais e institucionais que dialogavam com a UFPE e com o Instituto Ageu Magalhães. A UFRPE esteve presente na Secretaria Regional da SBPC -PE em quatro gestões. Muitas são as contribuições dos Secretários e das Secretárias da SBPC-PE, na sociedade, seja local, nacional e internacional. Independentemente da diversidade de gênero, raça, formação acadêmica, trajetória profissional, quem exerceu a função de secretário foram docentes/pesquisadores socialmente responsáveis que buscaram superar desafios, atuando com uma concepção da ciência que dialoga com seu tempo e com as mudanças sociais. Dedicaram parte de suas vidas e de seus esforços em prol da SBPC acreditando e imbuídos nos seus princípios. *Maria do Rosário Andrade Leitão e Maria do Carmo F. Soares são respectivamente Secretária adjunta e Secretária Regional da SBPC-PE

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Riscos e impactos sociais causados pela cultura do cancelamento

A expressão do momento é “cultura do cancelamento”. Para alguns, um meio de romper a estrutura de poder que blinda os privilegiados. De fato, foi dessa forma que grupos minoritários conseguiram expor violações e fazer denúncias a direitos humanos pelo mundo afora. Para quem se debruça sobre o comportamento que ganhou ainda mais visibilidade, e provocações, a partir de um reality show, exibido em canais aberto e por assinatura, alguns questionamentos merecem atenção: o “cancelar” resolve problemas estruturais de desigualdade ou apenas reproduz uma lógica punitivista? Qual o limite do linchamento em território virtual? A minha reflexão é que a cultura do cancelamento surge para dar visibilidade a grupos minoritários e denunciar pessoas de poder que, até então, eram intangíveis. E os impactos provenientes desse comportamento, contudo, são efêmeros, imediatistas e pouco efetivos para aqueles que são adeptos à prática. Muitos desses cancelamentos perdem força após a sua “explosão” e os cancelados continuam sua vida e profissão naturalmente. A reflexão que devemos fazer é se essa é a única forma de trazer à tona a discussão de questões, que já são difíceis de serem tratadas e compreendidas pela maioria das pessoas, de forma violenta e rebatida. A depender da forma falada se aproxima do formato violência com violência, gerando ódio, exclusão e falta de diálogo. Não há um convite à reflexão, à troca de ideia, será que cancelar alguém traz resultado? Pesquisadores apontam que a cultura do cancelamento foi difundida a partir do movimento #MeToo, com denúncias nas redes sociais para expor relatos de assédio sexual, especialmente na indústria do entretenimento. A dinâmica foi incorporada de vez nos meios digitais com a nova face de que não é necessário cometer um crime para ser cancelado. Basta a formulação de ideias equivocadas, ou por pura ignorância acerca de um assunto, e o cancelled aponta. Se, para alguns, o cancelamento traz o lado positivo de romper uma estrutura de poder para fazer uma denúncia justa que, de outra forma, não seria ouvida, por outro, fica uma interrogação sobre se o movimento foi perdendo o senso de proporção. Será que estamos abertos ao diálogo? Ou, de fato, é melhor cancelar alguém, sem nem compreender como se deu aquele processo de aprendizagem, sobre conteúdos polêmicos? São questionamentos que nos mostram o quanto estamos sendo empáticos uns com os outros, o quanto estamos respeitando as diferenças… sem dar oportunidade de diálogo. *Vladya Lira, psicóloga, mestre em Psicologia, doutoranda em Psicologia Clínica e professora do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE)

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Franquia empresarial, sistema, obrigações e contratos

A antiga lei de franquia já dispunha, e a nova lei igualmente dispõe: franquia empresarial é um sistema. Mas qual a relevância jurídica disso? Sistema indica a natureza organizacional da franquia empresarial, que por sua vez influencia na dogmática de direito obrigacional e contratual que dela se desenvolvem. Sistemas, segundo os dicionários mais comuns, são conjuntos de elementos, concretos ou abstratos, intelectualmente organizados. Segundo sociologia jurídica, em especial a teoria dos sistemas autopoiéticos, sistemas são relações autoreferenciais entre estrutura (normas) e operação (processo): as operações seguem a estrutura do sistema. Isso leva à conclusão que a sorte dos sistemas de franquia empresarial decorrem das relações entre estrutura e operações. Aí está a importância da correta formatação da Circular de Oferta de Franquia, do Contrato de Franquia, dos Manuais de Franquia e demais instrumentos que formatam os sistemas de franquias. É em razão da estrutura do sistema de franquia que as operações ocorrerão. Mas como formatar esse conjunto de instrumentos contratuais que estruturam os sistemas de franquia? Com base em que normativa deve se calcar a formatação? Veja-se que para o Código Civil, são obrigações as de dar, fazer e não fazer. Em uma relação contratual de fornecimento, seja de consumo, comercial ou civil, é fácil enxergar tais obrigações, mormente as de dar e fazer. Há um cliente nos contratos de fornecimento. Mas numa relação contratual de franquia, quem é cliente de quem? Em verdade, franqueadores e franqueados têm clientes, que são seus consumidores. Mas entre franqueador e franqueados não há relação de clientela, e sim de parceria. E quais são as obrigações decorrentes de relações contratuais de parceria? Aquelas derivadas dos princípios e cláusulas gerais de probidade e boa-fé (objetivas, obviamente), conforme artigo 422 do Código Civil. Com o pensamento acima exposto, diversas implicações dogmáticas surgem. Questiona-se: como se dá o inadimplemento contratual nos sistemas de franquia, uma vez que não são cláusulas de fazer ou de dar as principais existentes? O que se descumpre? Considerando-se que se descumprem deveres originados dos princípios e cláusulas gerais de probidade e boa-fé, quais são os deveres oriundos da probidade e da boa-fé? Para iniciar a análise, identificamos a probidade com o dever de coordenação e a cooperação com o dever de cooperação. Por fim, observa-se que os sistemas de franquia empresarial são formatado por contratos de adesão, frente a necessidade de padronização das relações contratuais como um todo, o que faz incidir os artigos 423 e 424 do Código Civil. Ademais, as recentes modificações sofridas pela função social do contrato (artigos 421 e 421-A do Código Civil) não surtem efeitos sobre os sistemas de franquia empresarial, simplesmente porque não há paridade ou simetria entre franqueador e franqueados. *Arnaldo Rizzardo Filho, mestre em direito público pela UNISINOS/RS e professor do Instituto Luiz Mário Moutinho / E-mail: arnaldorizzardofilho@hotmail.com

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Além do cadeado: como identificar sites falsos e não cair em golpes

*Por Dean Coclin, Diretor Sênior de Desenvolvimento de Negócios da Digicert Roubo de senhas de streamings, redes sociais, WhatsApp falso, notícias falsas sobre Covid-19 e a vacina, golpes e ataques de ransomware mais sofisticados são algumas das principais ameaças às quais os usuários estão expostos. Não é novidade: a tecnologia facilitou a rotina das pessoas, especialmente com a pandemias. Hoje precisa sair de casa para fazer um pagamento, fazer compras ou mesmo ir a uma reunião. A Internet se tornou um universo à parte, cheio de transações. Porém, aproximadamente 11% dos usuários brasileiros da rede mundial de computadores já perderam dinheiro com esquemas fraudulentos. É resultado de pesquisa da Confederação Nacional dos Lojistas (CNDJ) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Para evitar fraudes, o uso de certificados TLS para proteger e identificar sites se expandiu drasticamente na Internet. Isso foi impulsionado por navegadores que mostram indicadores negativos para sites não https, incentivando os sites a usar TLS. São três os tipos de certificados TLS: Validação de Domínio (DV), Validação de Organização (OV) e Validação Estendida (EV). Entendas as diferenças entre eles: ● Certificado de Validação de Domínio: eles são verificados em um registro de domínio para provar a propriedade do domínio do site. No entanto, os certificados DV não oferecem informações de identificação organizacional. Portanto, não é recomendado usar certificados DV para fins comerciais. ● Certificado de Validação de Organização: para receber um certificado OV, as organizações são autenticadas pela CA (Autoridade Certificadora) em bancos de dados de registro de negócios hospedados por governos. As CAs podem exigir certos documentos e contato pessoal para garantir que os certificados OV contenham informações comerciais legítimas. Este é o tipo de certificado padrão exigido em um site comercial ou público. ● Certificado de Validação Estendida: eles contêm etapas de validação adicionais e oferecem o mais alto nível de autenticação para proteger sua marca e seus usuários. Embora nem todo site na web use certificados EV, eles são usados ​​pelas principais organizações do mundo para garantir a confiança do usuário. Mais da metade dos 400 principais sites de comércio eletrônico usam EV, de acordo com dados de 2019 da Comscore e Netcraft. Eles descobriram que mudar de certificados OV para EV aumenta as transações online e melhora a confiança do cliente. Em todos os casos, a criptografia é fornecida entre o navegador e o servidor. No entanto, a criptografia não fornece autenticação. Sabemos que o navegador está criptografando dados para algum servidor com um nome de domínio verificado. Mas não sabemos nada sobre esse domínio com um certificado DV. Com OV e EV, recebemos mais informações sobre o domínio, incluindo a localização da empresa (OV), e ainda mais detalhes com EV. Olhando além da fechadura Com o advento de uma web que é mais de 90% criptografada e com navegadores mostrando um cadeado sólido para todos os sites https, independentemente do tipo de certificado, é uma falácia apenas “procurar o cadeado”, pois isso é insuficiente para proteger os usuários de sites fraudulentos. Os usuários devem ser diligentes em procurar pistas sobre a identidade do site. Com certificados EV, você deve clicar no cadeado para ver o nome legal da empresa. Isso fornece excelente visibilidade de que o site foi autenticado. Outra pista a procurar é o nome da Autoridade de Certificação (CA) que emitiu o certificado do site. Com alguns navegadores, os usuários podem passar o mouse sobre o bloqueio para ver o nome da CA. Se o indicador disser “Verificado pelo DigiCert”, você pode ter certeza de que a identificação do site foi verificada de acordo com os requisitos da indústria. CAs líderes, como DigiCert, estão constantemente atualizando os padrões globais pelos quais CAs validam identidades e seguem processos rigorosos. Os certificados OV e EV requerem algum esforço para serem obtidos. Primeiro, a entidade solicitante deve ser uma organização válida e a CA deve examinar os registros públicos para autenticá-la. Como isso envolve trabalho manual, há um custo associado à aquisição do certificado. Normalmente, não são obstáculos para organizações legítimas. Mas, para os cibercriminosos, eles fornecem um atrito significativo, que pode ser evitado com a obtenção de um certificado DV. Conseqüentemente, o DV se tornou o certificado preferido de hackers e criminosos. Uma pesquisa recente mostrou que quase metade dos sites de phishing agora têm o cadeado. Na maioria das vezes, os certificados DV são obtidos com facilmente para esses sites. Os hackers sabem que podem solicitar DV automaticamente sem fornecer nenhuma informação pessoal e são oferecidos gratuitamente por algumas CAs. Assim, hackers obtém certificados de fornecedores conhecidos de certificados gratuitos ou de baixo custo, com pouca ou nenhuma validação realizada. Dada a fácil disponibilidade desses certificados, não é de admirar que os cibercriminosos estejam adotando DV para legitimar seus sites. Não se esqueça do básico O que os consumidores podem fazer para reconhecer sites fraudulentos? São três as palavras: examine, examine e examine. 1. Embora no passado fosse normal apenas procurar a fechadura, agora a fechadura deve ser examinada. Passe o mouse sobre o bloqueio para ver qual CA emitiu o certificado. Se for DigiCert, você pode ter certeza de que o site foi verificado de acordo com os padrões da indústria e que, no caso de um certificado OV ou EV, a identidade do proprietário do site foi examinada para proteção adicional. 2. Observe atentamente a barra de endereço e leia o endereço com atenção. É o que você espera? 3. Clique no cadeado para revelar informações adicionais sobre o site. Se estiver usando um certificado EV, o nome da empresa será identificado imediatamente após clicar no cadeado. Mas e se o site estiver usando um certificado DV? Isso significa que não é confiável? Não, não necessariamente. Novamente, tome cuidado ao examinar os itens acima. Milhões de sites usam DV e é perfeitamente adequado para muitas aplicações. Mas as transações financeiras / de e-commerce não são uma delas.

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