Cultura e história

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Curso gratuito capacita mulheres para atuar na economia criativa no interior de Pernambuco

Formação em gestão cultural oferece vagas na Mata Norte e mira geração de renda e fortalecimento de projetos locais Estão abertas até o dia 8 de abril as inscrições para o curso “Mulheres na Cultura – Formação em Gestão Cultural”, iniciativa gratuita voltada à qualificação de mulheres que desejam atuar no setor cultural no interior de Pernambuco. A formação vai selecionar 20 participantes e será realizada na cidade de Condado, na Mata Norte, com foco na prática e na realidade dos territórios culturais da região. Formação voltada ao território Podem participar mulheres a partir de 18 anos residentes em municípios da Mata Norte, como Aliança, Carpina, Nazaré da Mata, Timbaúba e Tracunhaém, entre outros. A proposta busca ampliar o acesso à formação técnica em uma região com forte tradição cultural, mas que ainda enfrenta desafios estruturais no setor. Conteúdo prático e troca de experiências Com carga horária de 20 horas, o curso será realizado nos dias 11 e 18 de abril, na Escola Municipal Antônio Pereira de Andrade (EMAPA), em Condado. As aulas serão conduzidas pelas produtoras culturais Juçara, da Cabocla Produção, e Joana D’arc Ribeiro, da Amata Produção. A programação inclui ainda um bate-papo com convidadas como Mery Lemos e Rute Pajeú, ampliando a troca de experiências com profissionais atuantes na área. Economia criativa em expansão A iniciativa dialoga com um setor em crescimento no Brasil. A economia criativa responde por cerca de 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) e gera mais de 7 milhões de empregos formais e informais no país, superando segmentos tradicionais como a indústria automobilística. Nesse contexto, a formação de mulheres em gestão cultural surge como estratégia para ampliar oportunidades de renda, fortalecer iniciativas locais e diversificar a produção cultural. Acesso a projetos e políticas públicas O curso também aborda, na prática, como transformar ideias em projetos viáveis, capazes de acessar editais, captar recursos e gerar impacto social. A gestão cultural envolve desde o planejamento até a execução de ações como eventos, oficinas e atividades culturais financiadas por políticas públicas, contribuindo para movimentar a economia nos territórios. As participantes terão acesso a material didático, alimentação durante a formação e certificação ao final do curso. O resultado da seleção será divulgado no dia 9 de abril, nas redes sociais da Cabocla Produção. Serviço Curso “Mulheres na Cultura – Formação em Gestão Cultural”Inscrições: até 8 de abrilVagas: 20Datas das aulas: 11 e 18 de abril de 2026Local: Escola Municipal Antônio Pereira de Andrade (EMAPA), Condado – PE Inscrição online: https://forms.gle/pEjBbpGZmqYMLNgB9Inscrição presencial: Secretaria de Desenvolvimento Sustentável de Condado (Rua Anísio Monteiro de Barros, 81, Centro – Laranjeiras), das 8h às 13hMais informações: www.instagram.com/caboclaproducao | cabocla@caboclaproducao.com

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Lancamento

“Sertão de Lembranças” é lançado no Museu Cais do Sertão

Obra reúne fotografias e poemas sobre memória e cotidiano no Sertão do Pajeú O livro Sertão de Lembranças, do fotógrafo e professor da Universidade Federal de Pernambuco José Afonso Jr., será lançado no dia 7 de abril, às 19h, no Museu Cais do Sertão, no Bairro do Recife. A obra reúne fotografias e poemas produzidos a partir de uma pesquisa realizada entre 2021 e 2024 no Sertão do Pajeú, com foco na relação entre imagens, memória e cotidiano no interior pernambucano. O projeto teve origem na observação de fotografias familiares em residências da região, utilizadas como ponto de partida para compreender como lembranças são construídas e reinterpretadas ao longo do tempo. A partir desse material, o autor desenvolveu um conjunto de registros visuais articulados com textos poéticos, propondo uma leitura que conecta território, identidade e narrativa. A publicação foi viabilizada por meio do Funcultura (edital 2022) e reúne diferentes linguagens. Além das fotografias de José Afonso Jr., o livro conta com poemas da poetisa Mariana Véras, que elaborou textos a partir das imagens, e de Leonardo Bastião, agricultor aposentado e poeta iletrado. Segundo o autor, a proposta inverte, em parte, a lógica tradicional da poesia do Pajeú, em que o verso costuma surgir a partir de um mote pré-definido. No projeto, as imagens funcionam como elemento inicial para a criação poética. Em alguns casos, o processo também ocorreu de forma inversa, com fotografias produzidas a partir da leitura dos poemas. A pesquisa que deu origem ao livro dialoga ainda com a distinção entre memória e lembrança. Enquanto a memória é compreendida como construção coletiva, associada a narrativas compartilhadas, a lembrança é tratada como experiência individual, marcada por interpretações e ressignificações no presente. Outro aspecto observado durante o trabalho foi o papel das mulheres na preservação de acervos fotográficos domésticos. De acordo com o autor, eram majoritariamente elas as responsáveis por guardar e narrar as histórias associadas às imagens, o que influenciou a escolha por uma interlocução poética feminina no desenvolvimento da obra. Parte do conteúdo do projeto está disponível online, em plataforma que reúne galeria virtual, textos acadêmicos e um vídeo sobre o processo criativo.

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Bloco Rural Estrelinha lança primeiro álbum e circula por Pernambuco para difundir o frevo da Mata Norte

A agremiação da Zona da Mata Norte aposta em circulação cultural e registro audiovisual para manter vivo um dos últimos blocos rurais em atividade no Estado Com o objetivo de preservar e difundir uma das manifestações mais raras da cultura popular pernambucana, o Bloco Rural Estrelinha inicia, neste mês de abril, a circulação estadual do espetáculo “Cantos do Estrelinha”, marcando também o lançamento de seu primeiro álbum e reforçando a presença do frevo da Mata Norte em diferentes territórios do Estado. A estreia acontece no dia 4 de abril, em Nazaré da Mata, na sede do Maracatu de Baque Solto Estrela Brilhante, dando início a uma turnê que percorre ainda Limoeiro e Olinda. A proposta vai além das apresentações: inclui cortejos e rodas de diálogo com grupos convidados, como o Coco de Mano de Baé e a Orquestra Henrique Dias, promovendo o encontro entre o frevo, o maracatu rural e o coco de roda. Fundado em 1962, o Estrelinha é um dos últimos blocos rurais em atividade ao lado do Caravana Andaluza e da Boneca Janaína da Alegria, mantendo viva uma tradição surgida na Zona da Mata Norte e marcada, desde a origem, pela inclusão das mulheres no carnaval rural. Hoje sediado em Nazaré da Mata, o bloco carrega elementos do maracatu, do frevo e do congado, reafirmando sua identidade híbrida. A agremiação é conduzida pela família Vieira, com Narciso Vieira como mestre de apito e Paula Vieira na presidência, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo. A direção musical do álbum e do espetáculo é assinada por Nailson Vieira, em um trabalho que alia tradição e atualização estética.

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Festival RioMar de Literatura destaca humor em edição de 2026 no Recife

Evento reúne nomes nacionais e locais no Teatro RioMar com debates, apresentações e ações sociais no dia 23 de abril O Festival RioMar de Literatura chega à sua 12ª edição consolidado no calendário cultural do Recife, trazendo como tema “O Humor na Literatura e no Cinema”. O evento será realizado no dia 23 de abril, a partir das 17h, no Teatro RioMar Recife, com uma programação que reúne painéis, apresentações artísticas e nomes de destaque da cena cultural brasileira. A abertura contará com uma encenação de trecho da obra O Auto da Compadecida, seguida por painéis com convidados como Luís Miranda, que abordará sua trajetória no humor, em conversa mediada pelo produtor cultural João Suassuna. A programação também inclui a participação da escritora Socorro Acioli, vencedora do Prêmio Jabuti, que compartilhará experiências no universo literário. Entre os destaques, estão ainda a atriz Tânia Maria, reconhecida por sua atuação em “O Agente Secreto”, e o cineasta Leonardo Lacca, que participou da produção do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho. Os painéis terão mediação da jornalista Beatriz Castro. O encerramento fica por conta do escritor e cordelista Jessier Quirino, com apresentação marcada pelo humor e pela cultura nordestina. Além da programação principal, o festival promove, na manhã do mesmo dia, uma ação de contação de histórias no Instituto JCPM de Compromisso Social, voltada para crianças de comunidades do entorno, como Pina e Brasília Teimosa. Também será realizada uma campanha de arrecadação de livros infantis e juvenis, que serão destinados à ONG Amigos no Sertão, que atua há mais de uma década com ações sociais no interior de Pernambuco. SERVIÇOFestival RioMar de Literatura📅 23 de abril de 2026📍 Teatro RioMar Recife (piso L4)🎟️ Ingressos: R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira), à venda no App do RioMar Recife

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27.09.2023 Banda Sinfonica do Recife 4 Marcos Pastich Prefeitura do Recife

Agenda cultural do Recife e arredores fervilham de arte, música e tradição no fim de semana

Do circuito das artes visuais aos palcos e às ruas, a capital pernambucana e cidades vizinhas transformam o fim de semana em um mosaico vibrante de experiências culturais, unindo memória, inovação e celebração popular Entre exposições de forte densidade simbólica, shows históricos, festas populares e experiências para todas as idades, o Recife e cidades próximas entram no último fim de semana de março, dos dias 28 e 29, com uma programação que traduz a diversidade cultural pernambucana. Do circuito institucional às manifestações de rua, a agenda reúne eventos gratuitos e pagos. Exposição Tereza Costa Rêgo ocupa a CAIXA Cultural Recife A CAIXA Cultural Recife recebe a mostra “Tereza Costa Rêgo – Sem Concessões”, que reúne 30 obras da artista pernambucana em um percurso que atravessa erotismo, política e memória. Com entrada gratuita, a exposição apresenta desde gravuras da década de 1980 até trabalhos monumentais como Apocalipse de Tereza, reafirmando a potência de uma narrativa feminina e nordestina na arte brasileira. Exposição água como memória e urgência no Museu do Estado No Museu do Estado de Pernambuco, a exposição “Sobre águas”, da artista Vera Reichert, propõe uma imersão sensorial em torno da água como elemento vital e simbólico. Com mais de 100 obras, a mostra articula arte, ciência e crítica ambiental, transformando a visita em um convite à reflexão sobre o futuro do planeta. Bossa Nova em despedida histórica no Teatro RioMar O Teatro RioMar Recife recebe, no domingo (29), o espetáculo “Bossa Sempre Nova”, que marca a última turnê de Roberto Menescal. Ao lado de Patty Ascher e Danilo Caymmi, o show revisita clássicos como Chega de Saudade e O Barquinho, reafirmando a vitalidade do gênero. Recife segue em festa pelos 489 anos As comemorações do aniversário do Recife seguem com programação gratuita espalhada pela cidade. Entre os destaques do fim de semana: cortejos de bois no Bairro do Recife, espetáculos circenses no Parque da Tamarineira e a estreia da peça “O Cão” no Teatro de Santa Isabel. Jazz e Blues ocupam a Mata Sul ​​A Usina de Arte realiza o Usina Jazz & Blues Festival, reunindo shows gratuitos e experiências culturais em meio ao parque artístico-botânico. A programação conecta música, natureza e arte contemporânea, com apresentações ao longo dos dias 28 e 29. Reflexão e humor em “Também Queria Te Dizer” No Teatro Luiz Mendonça, o espetáculo “Também Queria Te Dizer”, estrelado por Emílio Orciollo Neto, propõe uma narrativa intensa sobre relações humanas a partir de cartas que abordam temas como culpa, amor e morte, em tom tragicômico. Caça aos ovos  O Shopping Patteo Olinda promove, nos dias 28 e 29, uma Caça aos Ovos de Páscoa com circuito interativo para crianças. A atividade é gratuita, mas com vagas limitadas e inscrição prévia. Frevo, shows e maratona no Paço do Frevo O Paço do Frevo abre cedo no domingo (29) para receber o público após a Maratona Internacional do Frevo, com shows gratuitos de Nena Queiroga e Bia Villa-Chan na Praça do Arsenal. Brega ganha nova geração no Clube das Pás O Clube das Pás recebe o lançamento da banda DNA do Brega, reunindo nomes tradicionais do gênero em um show que mistura nostalgia e renovação. Maré Cultural ocupa o Recife Antigo A Rua do Bom Jesus recebe a Maré Cultural, feira que reúne 62 artesãos pernambucanos, fortalecendo a economia criativa e integrando a programação cultural do aniversário da cidade. Glauber Rocha em diálogo com artes visuais Na Arte Plural Galeria, o evento “Profecias do Sertão” promove debate, exibição de filmes e visita guiada inspirados na obra de Glauber Rocha. Festival de Hambúrguer  O Plaza Shopping Casa Forte recebe mais uma edição do Festival de Hambúrguer, reunindo operações gastronômicas especializadas em versões artesanais do prato que se reinventou na cena urbana. O evento combina diversidade de sabores com uma programação musical ao vivo. Expo Bonsai no Recife Antigo A Livraria Jaqueira Recife Antigo abre espaço para a Expo Bonsai 2026, evento que reúne cultivadores, especialistas e admiradores da arte milenar japonesa. Mais do que uma exposição, a programação inclui oficinas, palestras e demonstrações técnicas que revelam o cuidado e o tempo envolvidos na construção dessas árvores em miniatura. Amparo 60 A Amparo 60 Galeria promove visita guiada à exposição Recife Original Style, que reúne obras de diferentes artistas em diálogo com a paisagem, os códigos visuais e as narrativas urbanas da cidade. A mostra propõe um olhar múltiplo sobre o Recife contemporâneo, atravessando linguagens como pintura, fotografia e intervenções gráficas.

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O Ano do Nirvana

*Paulo Caldas  “O Ano do Nirvana”, de Walther Moreira Santos, é uma obra que transita entre o cotidiano opressivo e a busca pela fuga. Narrada na primeira pessoa acompanha Laura, funcionária pública protegida pelo prestígio de um tio poderoso e corrupto. No ambiente de trabalho, ela é alvo do rancor de Marinete, colega que construiu carreira meritória — desde a aprovação em concurso público até a ocupação de cargos ao longo de décadas, experiência que deixou marcas profundas em seu rosto. Obediente aos preceitos do bem escrever, o autor seduz o leitor cena por cena. O conteúdo alterna o clima de nepotismo, regalias e conflitos com o alívio encontrado nos fins de semana em cenários cuidadosamente construídos, como um trecho de praia em uma cidade violenta e tomada por turistas. A esse ambiente soma-se a figura definida por Ele, um garoto de programa cujo esboço bem delineado reforça o vazio que permeia a paixão entre Laura e Patrício, um namorado convencional. Com perfil de romance amoroso, narrativa e diálogos bem construídos, “O Ano do Nirvana” conquistou o Prêmio Kindle de Literatura, um dos mais importantes concursos literários do Brasil, promovido pela Amazon Brasil, Audible e Grupo Editorial Record. A publicação traz o selo da Editora José Olímpio. Os exemplares podem ser adquiridos pelo e-mail sac@record.com.br. *Paulo Caldas é escritor

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Mata Sul recebe o I Usina Jazz & Blues Festival

Evento gratuito reúne artistas, celebra matrizes africanas da música e marca a inauguração de nova obra de Artur Lescher na Usina de Arte A Mata Sul pernambucana amplia seu mapa cultural com a estreia do Usina Jazz & Blues Festival, realizado entre os dias 27 e 29 de março, na Usina de Arte, em Água Preta. Com programação gratuita e centrada na convergência entre música, memória e território, o evento articula apresentações de jazz e blues com a inauguração da obra “Óculo”, do artista Artur Lescher, consolidando o espaço como um polo de experimentação artística no interior do estado. A primeira edição do festival ocupa o prédio da antiga destilaria com shows de nomes como Jazz Blues Band, Esquinas do Blues, Os Caras do Blues, Bella Schneider & Band, Mallavoodoo e Clave de Fá. Mais do que uma sequência de apresentações, a curadoria propõe um diálogo entre linguagens que compartilham raízes na cultura africana, reconhecendo no blues um ponto de partida para diversas vertentes da música contemporânea, incluindo o jazz. A iniciativa também se insere em uma estratégia mais ampla de descentralização cultural. Ao apostar em gêneros historicamente associados a circuitos urbanos e especializados, o festival tensiona fronteiras e amplia o acesso a essas sonoridades no interior pernambucano. Para a presidente da Usina de Arte, Bruna Pessôa de Queiroz, o encontro simboliza a potência das trocas culturais atravessadas pelo tempo e pelo deslocamento geográfico, ao mesmo tempo em que movimenta a economia local, com espaços como o Mercado dos Arcos funcionando durante toda a programação. Entre os destaques, a cantora e compositora Bella Schneider sobe ao palco no sábado (28), acompanhada por Eugene Lamy Alves, Wilson Alves, Glebson Henrique e Heverton Alves. A artista antecipa uma apresentação marcada pela intensidade e pela improvisação, além de um diálogo direto com o público. “São estilos que falam sobre encontro, troca e verdade humana”, afirma, ao destacar a liberdade criativa como eixo central do show. Encerrando o festival, a banda Clave de Fá reforça o papel desses eventos na circulação musical e na formação de público. Para a vocalista Isabella Andrade, iniciativas como essa são fundamentais para fortalecer a cena e ampliar o alcance de propostas autorais, sobretudo em gêneros que historicamente encontram menos espaço nos circuitos comerciais. Além da música, a programação marca a inauguração de “Óculo”, segunda obra de Artur Lescher instalada na Usina de Arte. Produzida em aço inoxidável, a peça funciona como uma espécie de lente que enquadra a paisagem ao redor, evocando o elemento arquitetônico homônimo uma abertura circular que permite iluminação e ventilação, presente desde a Antiguidade em estruturas como o Panteão Romano. Sem molduras ou distanciamento, a obra propõe uma experiência direta com o espaço, conectando passado e presente a partir da observação. Instalada onde funcionou a Usina Santa Terezinha, a Usina de Arte se consolidou como um parque artístico-botânico que integra arte contemporânea, meio ambiente e desenvolvimento social. Com mais de 45 obras distribuídas em uma área de 44 hectares e um processo contínuo de reflorestamento com mais de mil espécies, o espaço articula ações que vão da formação cultural à geração de renda para a comunidade local.

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Paixão de Cristo do Pina celebra 40 anos entre palco e comunidade

Montagem do Grupo Teatral Achylles Coqueijo reúne mais de 80 integrantes e celebra quatro décadas de formação cultural, fé e resistência comunitária no Pina Quatro décadas depois de sua criação, a Paixão de Cristo do Pina reafirma, em 2026, seu lugar como uma das mais duradouras expressões do teatro comunitário pernambucano. Com um elenco de mais de 80 integrantes e duas apresentações programadas — no dia 30 de março, no Teatro RioMar, e no dia 3 de abril, em frente à Paróquia Nossa Senhora do Rosário do Pina —, o espetáculo articula fé, memória e formação cultural em uma montagem que atravessa gerações no bairro do Pina, no Recife. Realizada pelo Grupo Teatral Achylles Coqueijo (GTAC), a encenação mobiliza crianças, jovens e adultos da comunidade, que desde dezembro se dedicam a ensaios intensivos. Dividido em dois atos e composto por mais de 20 cenas, o espetáculo combina teatro, dança e música para narrar episódios centrais da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, investindo em uma linguagem acessível e, ao mesmo tempo, esteticamente elaborada. O retorno ao palco do Teatro RioMar, após quase uma década , marca um movimento simbólico de reconexão com estruturas formais da cena teatral. Reconhecido pela Fundação de Cultura do Recife, o GTAC mantém um diferencial raro: é o único grupo comunitário do estado a encenar a Paixão de Cristo em formato de palco italiano, recurso que amplia a dimensão cênica da montagem e evidencia sua capacidade técnica. A edição comemorativa dos 40 anos também incorpora um gesto de celebração da própria trajetória. Em um momento especial da apresentação, cinco atores que interpretaram Jesus ao longo das décadas retornam ao palco, sintetizando a continuidade do projeto e reforçando a ideia de memória viva que sustenta o grupo. A iniciativa evidencia o caráter formativo do GTAC, onde o tempo não apenas acumula experiências, mas constrói vínculos duradouros entre arte e comunidade. Fundado por Frei Achylles e por Dom Magnus Lopes, atual bispo da Diocese do Crato (CE), o grupo nasceu com a proposta de evangelizar por meio da linguagem artística. Ao longo dos anos, consolidou-se também como um espaço de formação social e cultural para jovens da periferia recifense. Além da Paixão de Cristo, o coletivo assina montagens como o Auto de Natal e a História de São Francisco, ampliando sua atuação no calendário cultural local. Durante o período da pandemia, a adaptação do espetáculo para as ruas em frente à paróquia fortaleceu o vínculo com os moradores e garantiu a continuidade da tradição mesmo em um cenário adverso. A escolha de manter, em 2026, uma apresentação gratuita no espaço público reafirma esse compromisso com o acesso democrático à cultura, estabelecendo um diálogo direto com o território onde o grupo se originou.

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Um Sábado em 30

Clássico pernambucano “Um Sábado em 30” retorna ao Teatro de Santa Isabel em sessão única no Dia Mundial do Teatro

Montagem premiada reúne gerações de atores, atualiza a crítica social de Luiz Marinho e reafirma a força da dramaturgia local em apresentação especial no Recife Na celebração do Dia Mundial do Teatro, o Recife recebe, nesta sexta-feira (27), uma montagem que sintetiza tradição, memória e atualidade das artes cênicas pernambucanas. O clássico Um Sábado em 30, de Luiz Marinho, ganha apresentação única no Teatro de Santa Isabel, às 20h, reunindo um elenco premiado e reafirmando a força de uma dramaturgia que atravessa gerações sem perder relevância. uma das mais longevas do teatro nacional. Nesta nova encenação, assinada por Galharufas Produções em parceria com o Teatro Raízes de Pernambuco, o espetáculo reafirma seu lugar como um marco cultural ao dialogar com o presente sem abrir mão de sua essência original. A montagem recente chega respaldada pelo reconhecimento da crítica e do público. Vencedora do prêmio de Melhor Elenco no Janeiro de Grandes Espetáculos, a peça também concorre na categoria de Melhor Espetáculo. O destaque se deve, em grande parte, ao encontro potente entre gerações no palco: nomes consagrados como Clenira Melo, Ivanildo Silva e Renato Phaelante dividem cena com novos talentos, criando uma dinâmica que equilibra experiência e frescor. Ambientada no contexto da Revolução de 1930, a narrativa acompanha uma família burguesa conservadora confrontada por transformações sociais e afetivas. Entre conflitos de classe e convenções morais, o enredo se constrói a partir de situações que expõem tensões ainda reconhecíveis na sociedade contemporânea. O humor, elemento central da obra, surge como ferramenta crítica — uma marca da comédia de costumes que sustenta o texto de Marinho. Entre os personagens, destaca-se Sá Nana, figura octogenária que conduz o ritmo da peça com ironia e sagacidade. Interpretada por Iza Fernandes, a personagem rendeu à atriz uma indicação a Melhor Atriz no mesmo festival, consolidando-se como um dos pontos altos da encenação. Suas intervenções, carregadas de humor ácido, funcionam como comentário social e catalisador das tensões dramáticas. Sob a direção de Roberto Oliveira, a montagem preserva o texto original de Luiz Marinho ao mesmo tempo em que o atualiza em termos de ritmo e encenação. O resultado é um espetáculo que não apenas reverencia a história do teatro pernambucano, mas também reafirma sua vitalidade no cenário contemporâneo.

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Pernambucana Marcela Dias leva ao circuito paulista a exposição inédita UMBO

Artista pernambucana apresenta 22 novas obras em São Paulo e aprofunda pesquisa sobre pintura como processo, memória e transformação A artista pernambucana Marcela Dias inaugura, no dia 28 de março, a exposição individual UMBO em São Paulo, em uma articulação que amplia a presença da produção nordestina no circuito contemporâneo de artes visuais. Realizada pela Marco Zero em parceria com a Galeria Claraboia, a mostra reúne 22 obras inéditas produzidas entre 2025 e 2026 e segue em cartaz até 2 de maio. Com texto crítico assinado por Ariana Nuala, a exposição se estrutura como um recorte consistente da pesquisa pictórica da artista, marcada por experimentações que tensionam a ideia de imagem acabada. Em UMBO, a pintura se apresenta menos como representação e mais como campo de investigação. As telas são construídas a partir de camadas sucessivas, onde cores diluídas convivem com áreas de apagamento e reconfiguração. O gesto pictórico, longe de ser ocultado, é exposto como parte fundamental da obra: raspagens, diluições e acúmulos revelam os caminhos percorridos pela artista, aproximando o espectador do próprio processo de criação. Essa lógica processual dialoga com o conceito de pentimento, em que marcas de versões anteriores permanecem visíveis, instaurando uma temporalidade expandida na superfície da tela. Em vez de ocultar o erro ou a revisão, Marcela Dias os incorpora como elementos constitutivos da imagem, criando composições que parecem sempre em estado de latência. O conjunto de trabalhos evita a fixação em uma leitura única. Embora evoquem, em alguns momentos, paisagens ou formas orgânicas, as imagens escapam de qualquer definição estável. Operam em uma zona intermediária entre memória e invenção, sugerindo territórios que se constroem por sobreposição e deslocamento. O título da exposição, UMBO, reforça essa ideia ao remeter a um ponto de emergência — uma espécie de núcleo a partir do qual a forma se projeta e reorganiza o espaço ao redor. A leitura crítica de Ariana Nuala sublinha o caráter quase orgânico dessas composições, comparando-as a estruturas que se expandem a partir de si mesmas, criando espaços internos e camadas de sentido. Nesse contexto, cada obra se configura como um campo aberto, onde a pintura não apenas se apresenta, mas se pensa enquanto acontece. Os títulos atribuídos às obras ampliam esse horizonte interpretativo. Expressões como cordilheiras invisíveis, janelas e jardins e pequenas explosões silenciosas funcionam como extensões poéticas da imagem, sem, no entanto, delimitá-la. Ao contrário, atuam como dispositivos que convidam o público a atravessar a superfície da pintura e construir seus próprios percursos de leitura. Formada e mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco, a artista vem consolidando uma trajetória marcada pela coerência investigativa. Exposições recentes, como Longe, enfim, na Garrido Galeria, e Desertos e esconderijos, no Acervo Diária, já indicavam esse interesse por processos abertos e pela materialidade da pintura. Sua produção também integra o acervo do Banco do Nordeste.

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