Cultura e história

Realismo mágico nordestino marca novo romance de Rafael Setestrelo lançado pela Cepe

Romance de Rafael Setestrelo tem lançamento amanhã (20) pela Cepe e resgata realismo mágico nordestino

Lançamento acontece nesta sexta-feira (20), em Vitória de Santo Antão, e obra resgata memórias do eclipse de 1940 para construir narrativa marcada pela oralidade e pelo imaginário popular nordestino Inspirado em um eclipse solar que marcou o imaginário popular do Nordeste na década de 1940, o escritor pernambucano Rafael Setestrelo lança, nesta sexta-feira (20), o romance A Estrada dos Homens Doidos. Publicada pela Cepe Editora, a obra será apresentada ao público às 19h30, no Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão, em evento que contará com um bate-papo entre o autor e o professor e crítico literário Marcos de Andrade Filho. O livro parte de um episódio real ocorrido em 1º de outubro de 1940, quando um eclipse total do sol mergulhou cidades de Pernambuco, Paraíba e Ceará em uma escuridão repentina, provocando medo e interpretações místicas entre moradores do Sertão e da Zona da Mata. O fenômeno, associado por muitos ao “fim do mundo”, atravessou gerações por meio da oralidade, elemento central na construção narrativa de Setestrelo. A obra dialoga diretamente com memórias familiares do autor, especialmente a história de seu avô, Urbano de Souza Costa, conhecido como Pirrito, que testemunhou o eclipse durante uma caminhada entre Glória do Goitá e Limoeiro. O relato, ouvido durante a infância, ganha contornos ficcionais no romance, funcionando como ponto de ruptura entre realidade e imaginação. “O eclipse surge como um divisor de águas, capaz de revelar o que estava oculto nos personagens”, explica o escritor. Com 60 páginas divididas em dez capítulos, A Estrada dos Homens Doidos acompanha a trajetória dos irmãos Rubem, José e Judá, que se reencontram na vida adulta e seguem juntos rumo a Limoeiro para um velório. Ao longo da jornada, atravessam uma estrada marcada por elementos sobrenaturais e confrontam memórias de um passado familiar atravessado por violência, silêncios e ressentimentos. A narrativa mergulha em temas como as marcas da criação, conflitos familiares e as cicatrizes emocionais que atravessam gerações. Reconhecido por transitar entre diferentes gêneros, como cordel, poesia, teatro e romance, Rafael Setestrelo integra uma nova geração de autores pernambucanos que exploram o realismo mágico a partir de referências culturais nordestinas. A obra se insere no chamado “Ciclo dos Estranhos”, conjunto de produções recentes do autor que também inclui Dom Pirrito (2023) e A Fabulação de Luzia (2025). Segundo o escritor, esse ciclo se caracteriza pela valorização da oralidade e pela abordagem de dimensões psicológicas e históricas da Zona da Mata. A estrutura do romance também chama atenção pelo experimentalismo formal. Ao mesclar tempos narrativos e vozes distintas, muitas vezes sem marcações convencionais de diálogo, Setestrelo propõe uma leitura que exige atenção do público. Para o escritor e membro do Conselho Editorial da Cepe, Roberto Azoubel, a obra revela “arrojo narrativo” e domínio técnico, especialmente na alternância entre narradores e na construção de uma trama densa e multifacetada. Natural de Vitória de Santo Antão, Rafael Setestrelo é professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) desde 2005 e desenvolve projetos que aproximam literatura e cultura popular, como o LiterAtos. Com uma trajetória consolidada, já recebeu prêmios como o Hermilo Borba Filho de Literatura, em 2020, e o Mar que Arrebenta, em 2023, reafirmando seu lugar de destaque na cena literária contemporânea do Estado.

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Quadrilhão

Quadrilhão leva cortejo junino às ruas do Recife e abre simbolicamente o ciclo do São João

Com 16 quadrilhas da cidade, evento no Dia de São José retoma tradição e reforça a força cultural das festas juninas no Recife O Recife abre simbolicamente o ciclo junino de 2026 com a realização do Quadrilhão, cortejo que reúne 16 quadrilhas juninas da cidade no próximo dia 19 de março. A concentração acontece a partir das 18h no Pátio de São Pedro, de onde os grupos seguem em desfile pelas ruas do Centro até o Marco Zero. A iniciativa antecipa o clima das festas de São João e marca a abertura simbólica dos festejos juninos em Pernambuco. A escolha da data está associada à tradição popular nordestina. Celebrado em 19 de março, o Dia de São José é considerado o marco inicial do ciclo junino porque, historicamente, representa o período em que agricultores aguardam as chuvas para iniciar o plantio do milho, alimento central das festividades juninas e base de diversos pratos típicos consumidos durante o São João. O Quadrilhão surgiu na década de 1980 e ganhou novo impulso no início dos anos 2000, com edições realizadas também em 2011 e 2013. O evento foi retomado no ano passado pela Liga Independente de Quadrilhas Juninas do Recife, com a proposta de reunir os grupos da cidade em uma grande prévia junina. A celebração funciona como um arrasta-pé coletivo que antecipa a temporada de apresentações e concursos de quadrilhas. Nesta edição, participam nove quadrilhas adultas e sete infanto-juvenis filiadas à entidade organizadora, provenientes de sete bairros do Recife. Além dos grupos afiliados, três quadrilhas participam como convidadas: Mirim Couro Quente, do Recife; Mirim Tradição Nordestina, também da capital; e Junina Sanfonar, do município de Afogados da Ingazeira. Durante o percurso, os quadrilheiros caminham pelas ruas realizando evoluções coreográficas e passos tradicionais, conduzidos pelos marcadores que comandam a dinâmica das apresentações. Considerado o maior cortejo junino do Recife, o Quadrilhão ocorre cerca de um mês antes do início das principais programações de São João e reforça a presença das quadrilhas como uma das expressões mais representativas da cultura popular nordestina. Para Roberto Carlos, presidente da liga organizadora, a retomada do evento no Dia de São José também recupera um significado simbólico ligado às origens da festa. “Esse ano resgatamos a tradição da abertura do ciclo junino no dia de São José, quando os sertanejos esperavam a chuva, faziam a oração e plantavam o milho para comer no São João. Então, vamos receber o ciclo junino com um cortejo e uma grande festa para abrir as portas do São João e pedir uma festa de sucesso, paz e manutenção da tradição”, afirma.

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A gente sem Oscar, mas nada discretos

Por José Ricardo de Souza Infelizmente, o Oscar deste ano não foi favorável ao cinema brasileiro. Apesar de cinco indicações, não trouxemos nenhuma estatueta, ao contrário de 2025 quando “Ainda Estou Aqui” ganhou como melhor filme estrangeiro. Apesar disso, ainda temos motivos para comemorar. O longa “O Agente Secreto” está cumprindo bem seu papel. Despertou o interesse pelo cinema pernambucano, estimulou o turismo no centro da cidade do Recife, levou para a tela grande imagens de lugares que fazem parte do cotidiano dos pernambucanos. Não se trata apenas de assistir ao filme, mas de se ver nele representando, seja pela paisagem mostrada ou pela narrativa que lembrou dos ataques dos tubarões na Igrejinha de Piedade, da morte do menino Miguel, e da lenda icônica da perna cabeluda. O filme dialogou com temas diversos, que vão desde a questão da repressão durante a ditadura civil-militar até a nostalgia de um Recife que infelizmente não existe mais. Nunca falamos tanto de cinema em Pernambuco. Foram dezenas de publicações, de reportagens nos jornais a capas de revista, até um Globo Repórter só nosso teve, além é claro das inúmeras resenhas, postagens, artigos, etc. Nem vou citar as dezenas de prêmios nacionais e internacionais que “O Agente Secreto” conquistou. Faltou o Oscar? Sim. Merecia pelo menos o de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Ator (a atuação do Wagner Moura foi impecável). Mas vamos dar a César o que é de César: o Oscar é uma competição, como outra qualquer. Alguém vai ganhar, outros vão perder. E a vida segue igual às fitas de rolo dos antigos filmes que passavam no Cine São Luiz. Pelo menos de uma coisa temos certeza: foi a maior torcida em linha reta desde que o Oscar foi inventado. Valeu Kléber Mendonça Filho. Você e todos que fizeram esta obra foram gigantes e merecem todas as nossas homenagens. Perdemos o Oscar, mas continuamos com molho de sempre: libertários, rebeldes e festivos! *José Ricardo de Souza é professor da rede pública estadual de ensino, historiador e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP) e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais.

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Visita Guiada da primeira edicao 2024 Creditos Icaro Benjamin

Visita guiada acessível leva audiodescrição a pontos históricos do Centro do Recife

Projeto Visões Sonoras da Cidade promove experiência inclusiva com audiodescrição e Libras em percurso por locais simbólicos da capital pernambucana Uma iniciativa que une acessibilidade, patrimônio e inclusão vai ocupar as ruas do Centro do Recife no dia 19 de março. Em sua segunda edição, o projeto Visões Sonoras da Cidade realiza uma visita guiada aberta ao público, transformando paisagens urbanas em experiências narradas por meio da audiodescrição. A proposta busca ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual à arquitetura e aos elementos históricos da cidade, contribuindo para fortalecer o sentimento de pertencimento e a relação com o espaço urbano. A atividade contará com audiodescrição ao vivo e simultânea, além de interpretação em Libras. O percurso terá início às 14h, em frente ao Mercado de São José, seguindo para o Pátio do Terço, passando pelo Pátio de São Pedro e encerrando no Parque de Esculturas Francisco Brennand. A visita funcionará também como um teste público, permitindo avaliar as percepções e experiências dos participantes diante das audiodescrições elaboradas para cada local. Desenvolvido pela Com Acessibilidade Comunicacional e financiado pelo Governo do Estado de Pernambuco por meio do Funcultura, o projeto revela cenários e características desses espaços para pessoas com deficiência visual e também para pessoas neurodivergentes, incentivando uma vivência mais sensorial e inclusiva da cidade. “A ideia do projeto surgiu da convivência com pessoas cegas ou com baixa visão, e da percepção de que a relação com a cidade era auditiva e espacial, mas faltavam referências visuais. Com a audiodescrição, é possível traduzir o espaço em palavras, permitindo que diferentes públicos compreendam detalhes arquitetônicos como dimensões, cores, materiais, formas e estética. É um trabalho detalhado, que envolve visitas técnicas, pesquisa, elaboração de roteiro, revisão, gravação e edição”, explica a audiodescritora, idealizadora do Visões Sonoras da Cidade e diretora-executiva da Com Acessibilidade Comunicacional, Liliana Tavares. Na primeira edição, realizada em 2024 com incentivo da Lei Paulo Gustavo por meio da Prefeitura do Recife, foram produzidas audiodescrições de seis paisagens emblemáticas da área central, como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus, a Torre Malakoff, o casario da Rua da Aurora, a fachada do Teatro de Santa Isabel e a Praça da República. O material produzido ficará disponível no YouTube e também por meio de QR Codes instalados em placas nos pontos culturais contemplados. ServiçoVisita guiada acessível – Visões Sonoras da CidadeData: 19 de marçoHorário: 14hLocal de saída: em frente ao Mercado de São José, Centro do RecifeMais informações: https://comacessibilidade.com.br/visoes-sonoras-da-cidade/

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Festival Pernambuco meu País

Governo de Pernambuco abre convocatória nacional para integrar programação cultural do Estado

Edital do Governo de Pernambuco selecionará propostas artísticas para compor a programação cultural e turística do Estado em 2026 e 2027 O Governo de Pernambuco lançou, nesta semana, o edital da Convocatória Nacional Pernambuco Meu País 2026/2027, iniciativa que busca selecionar propostas artístico-culturais para integrar a programação de eventos apoiados pelo Estado ao longo de um ano. As inscrições estarão abertas entre os dias 17 de março e 8 de abril, exclusivamente pela plataforma digital do Mapa Cultural de Pernambuco, e contemplarão atividades previstas nos ciclos turístico e cultural — com exceção dos períodos carnavalesco e junino, que possuem editais específicos. A chamada pública é conduzida pela Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e pela Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur). A iniciativa integra a política pública do Festival Pernambuco Meu País, que tem como objetivo promover a circulação de artistas e ampliar o acesso da população a diferentes linguagens culturais nas quatro macrorregiões do Estado. A proposta do edital é consolidar uma programação diversa e inclusiva, estimulando o intercâmbio entre agentes culturais, comunidades e territórios. Podem participar artistas individuais, grupos, bandas, coletivos, companhias artísticas e também profissionais reconhecidos por notório saber em suas áreas, especialmente no caso de atividades formativas e intervenções culturais. No total, o edital contempla 13 categorias artísticas: artesanato, artes circenses, artes visuais, atividade formativa, audiovisual, culturas populares, dança, design e moda, fotografia, gastronomia, literatura, música e teatro e ópera. As propostas poderão resultar em diferentes formatos de programação, como shows, cortejos, performances, exposições, recitais de poesia, concertos, contação de histórias, espetáculos e vivências criativas. Além das expressões artísticas tradicionais, o edital também abre espaço para manifestações culturais oriundas das periferias urbanas, incluindo linguagens como hip hop, graffiti, brega-funk e passinho, além de intervenções urbanas, atividades itinerantes e ações culturais em espaços públicos. Segundo a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula, a convocatória integra uma estratégia de fortalecimento das políticas culturais do Estado. “O edital reconhece a cultura como um eixo fundamental de desenvolvimento social e econômico. Ao abrir essa convocatória nacional, o Governo de Pernambuco amplia as oportunidades para que a arte e a criatividade pernambucanas circulem e dialoguem com públicos diversos”, afirma. A presidente da Fundarpe, Renata Borba, destaca que a iniciativa busca ampliar o alcance territorial das políticas culturais. “A convocatória fortalece a diversidade da programação e estimula a circulação de artistas e saberes, garantindo que a agenda cultural alcance diferentes públicos e territórios”, pontua. Já o presidente da Empetur, Eduardo Loyo, ressalta o impacto da programação cultural também no turismo estadual. “O Festival Pernambuco Meu País movimenta as cidades, atrai visitantes e revela um dos maiores diferenciais do Estado, que é o acolhimento do seu povo. A convocatória é um convite para que artistas ocupem palcos e ruas, mostrando que Pernambuco vive cultura e turismo durante todo o ano”, afirma. Processo de seleção O processo de seleção das propostas ocorrerá em duas etapas. A primeira é a análise documental, que verificará a conformidade dos documentos enviados no formulário de inscrição. Na sequência, as propostas habilitadas passarão por uma análise artística, que avaliará o histórico e o material apresentado pelos artistas ou grupos inscritos, considerando a categoria escolhida. De acordo com o cronograma do edital, a análise documental ocorrerá entre 9 e 15 de abril, enquanto o resultado preliminar será divulgado em 22 de abril. Após o período de recursos e a avaliação artística, o resultado final está previsto para 15 de maio. Todas as etapas serão publicadas no Mapa Cultural de Pernambuco e no portal Cultura PE.

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O Agente Secreto não leva nenhuma estatueta, mas faz história no Oscar

Longa pernambucano chega ao Oscar após trajetória internacional premiada e reforça a força do cinema nordestino no cenário global Mesmo sem conquistar nenhuma estatueta no Academy Awards (Oscars), O Agente Secreto saiu do tapete vermelho deixando a marca e o tempero do cinema produzido no Nordeste. A presença do longa na maior premiação da indústria cinematográfica mundial amplia a visibilidade das produções brasileiras e consolida o reconhecimento internacional de um filme que já construiu uma trajetória expressiva ao longo da temporada de premiações. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa chega ao Oscar após acumular mais de 70 prêmios em festivais e premiações internacionais, firmando-se como uma das produções brasileiras mais celebradas dos últimos anos. O desempenho ao longo do circuito global ajudou a projetar ainda mais o cinema pernambucano e brasileiro no cenário internacional, um ano após a vitória de Ainda Estou Aqui. A frustração maior da noite ficou na categoria Melhor Filme Internacional, considerada a disputa mais dolorosa para os brasileiros. O prêmio acabou ficando com Valor Sentimental, que levou a estatueta na categoria em que O Agente Secreto era visto como um forte concorrente após sua trajetória vitoriosa ao longo do ano. Michael B. Jordan ficou com o melhor ator, categoria que era disputada por Wagner Moura. O prêmio máximo da noite, que também era disputado pelo filme pernambucano, ficou com Uma batalha após a outra. Ainda assim, a presença do filme em quatro categorias no Oscar representa o momento de prestígio do audiovisual brasileiro no exterior. O resultado alimenta a expectativa sobre os próximos passos do cinema pernambucano, que nas últimas décadas tem revelado diretores, histórias e estéticas capazes de dialogar com o mundo. Mais que sinalizar novas conquistas internacionais no futuro, o reconhecimento também evidencia o potencial da economia criativa de Pernambuco como motor de geração de empregos, inovação cultural e projeção global para o Estado.

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Espetáculo “SomemoS”

Agenda cultural do fim de semana reúne teatro infantil, experiências sensoriais e celebração da memória pernambucana

Programação dos dias 14 e 15 de março inclui espetáculo musical para crianças, atividades gratuitas de Páscoa, experiência sonora na CAIXA Cultural e homenagem aos 126 anos de Gilberto Freyre, além de prévia do ciclo junino no Centro da cidade Com programação que une teatro, música, memória e tradições populares, o Recife oferece uma agenda cultural diversificada para o fim de semana de 14 e 15 de março. Entre espetáculos infantis, experiências sensoriais, atividades gratuitas e celebrações da história pernambucana, a cidade reúne opções para diferentes públicos, sobretudo para famílias com crianças. A seguir, confira alguns dos destaques da programação cultural que movimentam teatros, centros culturais e espaços históricos da capital. Princesas e magia no palco Neste domingo (15), o Teatro Luiz Mendonça recebe uma apresentação única do musical infantil “Gênio e o mundo ideal das princesas”, às 16h30. Produzido pela Helena Siqueira Produções, o espetáculo retorna após uma estreia marcada pela forte adesão do público infantil e aposta em uma narrativa cantada ao vivo para conduzir a plateia por um universo de fantasia e aventura. A trama acompanha o retorno do Gênio, personagem clássico das histórias infantis, que surge para contar a trajetória de sete princesas conhecidas do imaginário popular: Jasmine, Bela, Rapunzel, Ariel, Moana, Tiana e Elsa. Na montagem, as personagens são apresentadas como figuras corajosas e independentes, que buscam mais do que o tradicional “final feliz” ao lado de um príncipe. O espetáculo propõe uma releitura contemporânea das princesas, enfatizando autonomia, sonhos e liberdade, em uma narrativa voltada ao público familiar. Experiência sensorial para crianças Também voltado ao público infantil, o espetáculo “SomemoS” ocupa a programação da CAIXA Cultural Recife neste fim de semana. Com sessões gratuitas no sábado (14) e no domingo (15), às 14h e às 17h, a proposta convida crianças de 6 a 11 anos a mergulhar em uma experiência artística centrada na escuta e na experimentação sonora. Criado pelos artistas Ronan Gil e Sarah Brabo-Durand, o projeto constrói uma dramaturgia sonora a partir de materiais cotidianos, como água, argila, tecidos e utensílios domésticos, transformando sons aparentemente banais em matéria estética. A cenografia foi concebida para um ambiente imersivo, sem a separação tradicional entre palco e plateia, incentivando a participação do público. Desenvolvido em diálogo com crianças do Brasil e da França, o espetáculo propõe uma abordagem pedagógica e sensorial, estimulando percepção, colaboração e curiosidade artística. Teatro gratuito celebra a Páscoa A programação infantil também marca presença no Shopping Tacaruna, que inicia neste sábado (14) a agenda especial Toca da Páscoa. As apresentações acontecem no rooftop do shopping, sempre às 17h, com entrada gratuita. No sábado, o público poderá conferir o Teatro de Fantoches da Turma do Mizack, que traz histórias lúdicas e bem-humoradas voltadas às crianças. Já no domingo (15), quem assume o palco é o grupo Humanotoche, responsável por um espetáculo que apresenta o tradicional personagem do Coelho da Páscoa. A iniciativa integra uma série de apresentações que seguem até o fim do mês e busca transformar o espaço em um ambiente de convivência e lazer familiar durante a temporada pascal. Memória e sabores na casa de Gilberto Freyre A programação cultural do domingo também inclui uma homenagem a um dos intelectuais mais influentes do país. A Fundação Gilberto Freyre celebra os 126 anos de nascimento de Gilberto Freyre com visitação gratuita à Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre, localizada em Apipucos. Aberta ao público das 9h às 12h30, a casa onde o sociólogo viveu por mais de quatro décadas recebe visitantes para visitas guiadas em três horários — 9h30, 10h30 e 11h30. Ao final do percurso, os participantes são convidados a cantar “parabéns” e compartilhar bolos típicos preparados por boleiras pernambucanas, como bolo de mandioca, bolo de fubá com goiabada e o tradicional bolo de rolo, patrimônio cultural imaterial de Pernambuco. A celebração reforça o legado de Freyre na valorização da cultura nordestina e da formação social brasileira, tema central de obras como Casa-Grande & Senzala.

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“O Agente Secreto” vence prêmios no Satellite Awards e ultrapassa 2,5 milhões de espectadores no Brasil

Filme de Kleber Mendonça Filho conquista Melhor Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura e já soma mais de 70 prêmios no circuito mundial O longa “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, segue ampliando seu alcance no Brasil e no exterior. A produção pernambucana já foi vista por 2,5 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros e continua em cartaz mesmo após 19 semanas de exibição, ocupando atualmente cerca de 330 salas no país. De acordo com dados do Filme B, entre os longas indicados ao Oscar de Melhor Filme, é o título com maior bilheteria no Brasil, apesar de ter o menor orçamento entre os concorrentes. A trajetória internacional também ganhou novo destaque nesta semana. O filme foi premiado no Satellite Awards, organizado pela International Press Academy, nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator de Drama, concedido a Wagner Moura. Com esse reconhecimento, a produção já acumula mais de 70 prêmios ao redor do mundo, consolidando-se como um dos títulos brasileiros mais celebrados da atual temporada de premiações. Nos próximos dias, o público terá a oportunidade de assistir ao longa em sessões especiais em 35mm realizadas em diferentes cidades do Brasil. A iniciativa oferece uma experiência diferenciada ao recuperar a exibição em película, formato tradicional do cinema que valoriza a fotografia e a atmosfera da obra. Ambientado em 1977, o filme acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia que retorna ao Recife tentando deixar para trás um passado misterioso. No entanto, ao chegar à cidade em busca de tranquilidade, descobre que o lugar está longe de ser o refúgio que imaginava. A produção é uma coprodução internacional liderada pela Cinemascópio, com participação das empresas MK2 Films, One Two Films e Lemming. No Brasil, a distribuição é realizada pela Vitrine Filmes, com patrocínio da Petrobras. O longa segue em campanha para o Oscar 2026, onde concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Wagner Moura), Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco. Serviço“O Agente Secreto” segue em exibição em cinemas do Brasil e em sessões especiais em 35mm. O filme também já está disponível em plataformas de streaming.

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Josefina Campos

O Agente Secreto: reverberações psíquicas em três dimensões

Filme de Kléber Mendonça Filho mobiliza memória, identidade cultural e símbolos locais que dialogam profundamente com o público *Por Josefina Campos Sendo “O Agente Secreto”, de Kléber Mendonça Filho, um filme tão plural na oferta de imagens e significados, qualquer análise sobre sua repercussão no público exige observar elementos centrais de suas cenas e de sua narrativa. Ambientada nos anos 1970, a obra propõe desde o título uma provocação: afinal, quem é o agente secreto da história? A pergunta atravessa toda a trama. Seria o protagonista Armando/Marcelo, pesquisador foragido que tenta escapar de eventos traumáticos do passado? Ou seriam aqueles que lhe oferecem abrigo e proteção, como Dona Sebastiana, Elza e o Sr. Alexandre? A própria ideia de “agente secreto” se abre para múltiplas interpretações. Em determinado plano simbólico, até mesmo a Perna Cabeluda, figura lendária do imaginário recifense, surge como metáfora. Uma presença misteriosa que ecoa o clima de vigilância e medo da época. Nesse sentido, a expressão poderia remeter também aos agentes da repressão da ditadura, militares ou aliados do poder econômico, que operavam nas sombras em defesa da chamada “ordem”. O título do filme, portanto, já nasce como uma metáfora aberta. Outro aspecto marcante da obra é o paradoxo entre ação e silêncio. Embora tenha elementos de thriller político, o filme se constrói com muitas pausas, lacunas e zonas de obscuridade. Em diversos momentos, a narrativa flerta com o onírico, povoada por simbolismos e ambiguidades. Os personagens falam pouco, mas expressam muito por meio de gestos, olhares e silêncios. Esse tipo de construção convida o espectador a preencher sentidos e mobiliza camadas profundas da experiência emocional. Para compreender esse processo de envolvimento psíquico, é possível recorrer a um conceito da psicologia analítica de Carl Gustav Jung: a chamada função transcendente. Trata-se de um movimento psíquico no qual conteúdos inconscientes são tocados, emergem e se tornam disponíveis à consciência, favorecendo uma maior integração da personalidade. A arte frequentemente produz esse efeito, ampliando o senso de si mesmo. O “O Agente Secreto”, pela densidade de suas imagens e lacunas narrativas, parece estimular esse processo com especial intensidade. Um dos eixos centrais da trama é a questão da identidade. Personagens precisam ocultar quem são para sobreviver, adotando nomes falsos. Armando busca pistas sobre sua origem materna. Já Fernando, o médico, carrega marcas profundas em seu próprio processo de formação identitária, atravessado pela ausência dos pais. Paralelamente, jovens pesquisadoras investigam conexões que permitam compreender melhor a memória sociopolítica daquele período. Em meio a apagamentos e silêncios, típicos das ditaduras, há também aqueles que, simbolicamente, “dão o sangue” para preservar a memória. A dimensão da identidade também se expressa com força no plano cultural e geográfico. O filme está profundamente enraizado no território de Recife e de Pernambuco, algo que gera forte identificação com o público local. Elementos simbólicos da cultura regional aparecem de forma orgânica ao longo da narrativa: o Cinema São Luiz, verdadeiro protagonista geográfico do filme; a referência aos ataques de tubarão na capital pernambucana; a presença da La Ursa, figura tradicional do carnaval; e a citação da mangaba, fruta típica da região. A trilha sonora também reforça essa identidade cultural. Em uma cena emblemática de suspense, surge a música “A Briga do Cachorro com a Onça”, executada pela Banda de Pífanos de Caruaru, referência incontornável da cultura musical pernambucana. Um dos momentos mais impactantes do filme ocorre durante o carnaval em frente ao Cinema São Luiz. Na cena, alegria e tensão se entrelaçam, vida e morte convivem, e os paradoxos do enredo se condensam em uma sequência visualmente poderosa. O frevo toma conta da rua, com participação dos Guerreiros do Passo, grupo reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. O resultado é um clímax emocional que mistura memória afetiva, festa popular e drama histórico. Essa forte presença de símbolos locais também provoca uma reação coletiva entre os recifenses. Ao ver sua cidade, seus costumes e sua cultura projetados para o mundo, parte do público reage com orgulho e entusiasmo, algo que já se apresenta em manifestações populares como bonecos gigantes representando Kléber Mendonça Filho e Wagner Moura, além de blocos carnavalescos inspirados no filme e até a presença da lendária Perna Cabeluda no Galo da Madrugada. É o orgulho recifense, como se costuma dizer, “em linha reta”. Os personagens também contribuem para esse retrato simbólico da cultura nordestina. Dona Sebastiana aparece como a clássica “mainha” que resolve qualquer problema, seja um conflito doméstico ou um embate com a autoridade. O Sr. Fernando surge como o trabalhador bonachão, apaixonado por futebol e pelos rituais simples da vida cotidiana. Já o delegado Euclides encarna uma figura ambígua de poder, mistura de cordialidade e autoritarismo, lembrando os velhos “capitães do mato” da história brasileira. São personagens que ecoam tipos sociais reconhecíveis no imaginário coletivo da região. No plano nacional, o impacto do filme também passa por dois fatores importantes. O primeiro é a revisitação de um período histórico marcado pela repressão da ditadura militar. Ao trazer à tona experiências vividas entre silêncios, mentiras e violência institucional, o filme funciona como um lembrete: isso aconteceu com o país. A narrativa revela o alcance da vigilância estatal ao mostrar que a perseguição não recaía apenas sobre militantes políticos, mas também sobre cidadãos comuns, como o protagonista, um pesquisador acadêmico. Recontar essa história tem um valor simbólico profundo. A ausência de memória histórica consistente pode gerar, no imaginário coletivo, uma espécie de dissonância psíquica. Uma lacuna entre realidade e narrativa oficial. Recuperar essas experiências ajuda a recompor esse tecido simbólico e fortalece a consciência coletiva sobre o passado. O segundo fator é o reconhecimento internacional do filme. “O Agente Secreto” vem acumulando prêmios e projeção em festivais ao redor do mundo, ampliando o prestígio do cinema brasileiro contemporâneo. Na corrida pelo Oscar, a produção conquistou quatro indicações importantes: Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco. Agora, resta ao público brasileiro acompanhar e torcer. Mais do que uma disputa por estatuetas, o sucesso do filme reforça

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Amado Mundo lança concurso cultural e vai levar um espectador para Lisboa

Promoção acontece durante a live de acompanhamento do Oscar e inclui passagem, hospedagem e jantar exclusivo no restaurante Cícero Durante a transmissão ao vivo do Oscar, o projeto Amado Mundo vai promover um concurso cultural que premiará um participante com uma viagem para Lisboa. A iniciativa convida o público a torcer pelo cinema brasileiro enquanto acompanha a live organizada pelo grupo, transformando a cerimônia em uma experiência interativa nas redes sociais. O vencedor ganhará uma viagem para a capital portuguesa, com passagem aérea e hospedagem pagas para uma pessoa. Além disso, o prêmio inclui um jantar exclusivo no restaurante Cícero, em Lisboa, espaço que celebra a arte e a cultura brasileiras na cidade. A experiência gastronômica será assinada pela chef brasileira Alessandra Montagne, reconhecida internacionalmente e que em breve abrirá um restaurante no Museu do Louvre, em Paris. O jantar especial reforça a proposta do prêmio de conectar a produção cultural brasileira com sua presença no cenário internacional. Para participar, é preciso publicar durante a live do Amado Mundo um vídeo de até 15 segundos no Instagram ou no X mostrando a torcida pelo cinema brasileiro no Oscar e indicando que está acompanhando a transmissão. O participante deve marcar o perfil do Amado Mundo, usar a hashtag #AmadoMundoNoOscar e seguir a página do projeto. O perfil também precisa estar aberto para que o vídeo possa ser localizado pela organização. A cobertura do Amado Mundo sobre o Oscar começa no dia 15 de março, às 19h, uma hora antes da cerimônia, com uma live dedicada a acompanhar os bastidores e a repercussão da principal premiação do cinema mundial. A transmissão terá análise das categorias, comentários sobre os indicados e espaço para a torcida pelas produções brasileiras. O programa será apresentado pelos jornalistas Guilherme Amado e Beatriz Bulla, direto do estúdio no Brasil, com participação do jornalista e crítico Miguel Barbieri, colunista do Amado Mundo. De Los Angeles, a jornalista, roteirista e crítica Isabella Faria entra ao vivo trazendo o clima da cidade, a movimentação dos brasileiros e as expectativas antes e durante a entrega das estatuetas.

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