Cultura e história

Um Sábado em 30

Clássico pernambucano “Um Sábado em 30” retorna ao Teatro de Santa Isabel em sessão única no Dia Mundial do Teatro

Montagem premiada reúne gerações de atores, atualiza a crítica social de Luiz Marinho e reafirma a força da dramaturgia local em apresentação especial no Recife Na celebração do Dia Mundial do Teatro, o Recife recebe, nesta sexta-feira (27), uma montagem que sintetiza tradição, memória e atualidade das artes cênicas pernambucanas. O clássico Um Sábado em 30, de Luiz Marinho, ganha apresentação única no Teatro de Santa Isabel, às 20h, reunindo um elenco premiado e reafirmando a força de uma dramaturgia que atravessa gerações sem perder relevância. uma das mais longevas do teatro nacional. Nesta nova encenação, assinada por Galharufas Produções em parceria com o Teatro Raízes de Pernambuco, o espetáculo reafirma seu lugar como um marco cultural ao dialogar com o presente sem abrir mão de sua essência original. A montagem recente chega respaldada pelo reconhecimento da crítica e do público. Vencedora do prêmio de Melhor Elenco no Janeiro de Grandes Espetáculos, a peça também concorre na categoria de Melhor Espetáculo. O destaque se deve, em grande parte, ao encontro potente entre gerações no palco: nomes consagrados como Clenira Melo, Ivanildo Silva e Renato Phaelante dividem cena com novos talentos, criando uma dinâmica que equilibra experiência e frescor. Ambientada no contexto da Revolução de 1930, a narrativa acompanha uma família burguesa conservadora confrontada por transformações sociais e afetivas. Entre conflitos de classe e convenções morais, o enredo se constrói a partir de situações que expõem tensões ainda reconhecíveis na sociedade contemporânea. O humor, elemento central da obra, surge como ferramenta crítica — uma marca da comédia de costumes que sustenta o texto de Marinho. Entre os personagens, destaca-se Sá Nana, figura octogenária que conduz o ritmo da peça com ironia e sagacidade. Interpretada por Iza Fernandes, a personagem rendeu à atriz uma indicação a Melhor Atriz no mesmo festival, consolidando-se como um dos pontos altos da encenação. Suas intervenções, carregadas de humor ácido, funcionam como comentário social e catalisador das tensões dramáticas. Sob a direção de Roberto Oliveira, a montagem preserva o texto original de Luiz Marinho ao mesmo tempo em que o atualiza em termos de ritmo e encenação. O resultado é um espetáculo que não apenas reverencia a história do teatro pernambucano, mas também reafirma sua vitalidade no cenário contemporâneo.

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Marcela Dias Credito Matheus Lohan 01

Pernambucana Marcela Dias leva ao circuito paulista a exposição inédita UMBO

Artista pernambucana apresenta 22 novas obras em São Paulo e aprofunda pesquisa sobre pintura como processo, memória e transformação A artista pernambucana Marcela Dias inaugura, no dia 28 de março, a exposição individual UMBO em São Paulo, em uma articulação que amplia a presença da produção nordestina no circuito contemporâneo de artes visuais. Realizada pela Marco Zero em parceria com a Galeria Claraboia, a mostra reúne 22 obras inéditas produzidas entre 2025 e 2026 e segue em cartaz até 2 de maio. Com texto crítico assinado por Ariana Nuala, a exposição se estrutura como um recorte consistente da pesquisa pictórica da artista, marcada por experimentações que tensionam a ideia de imagem acabada. Em UMBO, a pintura se apresenta menos como representação e mais como campo de investigação. As telas são construídas a partir de camadas sucessivas, onde cores diluídas convivem com áreas de apagamento e reconfiguração. O gesto pictórico, longe de ser ocultado, é exposto como parte fundamental da obra: raspagens, diluições e acúmulos revelam os caminhos percorridos pela artista, aproximando o espectador do próprio processo de criação. Essa lógica processual dialoga com o conceito de pentimento, em que marcas de versões anteriores permanecem visíveis, instaurando uma temporalidade expandida na superfície da tela. Em vez de ocultar o erro ou a revisão, Marcela Dias os incorpora como elementos constitutivos da imagem, criando composições que parecem sempre em estado de latência. O conjunto de trabalhos evita a fixação em uma leitura única. Embora evoquem, em alguns momentos, paisagens ou formas orgânicas, as imagens escapam de qualquer definição estável. Operam em uma zona intermediária entre memória e invenção, sugerindo territórios que se constroem por sobreposição e deslocamento. O título da exposição, UMBO, reforça essa ideia ao remeter a um ponto de emergência — uma espécie de núcleo a partir do qual a forma se projeta e reorganiza o espaço ao redor. A leitura crítica de Ariana Nuala sublinha o caráter quase orgânico dessas composições, comparando-as a estruturas que se expandem a partir de si mesmas, criando espaços internos e camadas de sentido. Nesse contexto, cada obra se configura como um campo aberto, onde a pintura não apenas se apresenta, mas se pensa enquanto acontece. Os títulos atribuídos às obras ampliam esse horizonte interpretativo. Expressões como cordilheiras invisíveis, janelas e jardins e pequenas explosões silenciosas funcionam como extensões poéticas da imagem, sem, no entanto, delimitá-la. Ao contrário, atuam como dispositivos que convidam o público a atravessar a superfície da pintura e construir seus próprios percursos de leitura. Formada e mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco, a artista vem consolidando uma trajetória marcada pela coerência investigativa. Exposições recentes, como Longe, enfim, na Garrido Galeria, e Desertos e esconderijos, no Acervo Diária, já indicavam esse interesse por processos abertos e pela materialidade da pintura. Sua produção também integra o acervo do Banco do Nordeste.

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Celebracao do cinema pernambucano foto de @LARIMORA

Cinema pernambucano amplia circulação nacional com sessões gratuitas em São Paulo

Iniciativa “Encontros do Cinema Pernambucano” leva recortes contemporâneos e clássicos da produção do estado à capital paulista, reforçando intercâmbio cultural e formação de público A produção audiovisual pernambucana segue ampliando seu alcance para além das fronteiras regionais. Nos dias 24 de março e 2 de abril, o projeto Encontros do Cinema Pernambucano realiza sua segunda turnê em São Paulo, com duas sessões gratuitas que articulam diferentes recortes estéticos e políticos do cinema produzido no estado. A iniciativa, idealizada e curada por Thor Neukranz, consolida-se como uma plataforma de difusão e debate, ao promover o encontro entre realizadores e público em territórios diversos. Criado a partir de exibições ao ar livre na Rua Mamede Simões, no Recife, o projeto já contabiliza mais de 200 sessões e expandiu sua atuação para outros espaços culturais, circulando também por festivais nacionais e internacionais. A proposta vai além da exibição de filmes: trata-se de um movimento de formação de público e de fortalecimento de redes no campo do cinema autoral pernambucano, reconhecido por sua inventividade e densidade temática. A programação tem início na terça-feira (24), com uma sessão dedicada ao cinema pernambucano queer contemporâneo, em parceria com a produtora Cremoso Filmes. O encontro ocorre no Soberano, espaço simbólico localizado no centro histórico paulistano. A sessão reúne três curtas-metragens que vêm se destacando em circuitos de festivais no Brasil e no exterior, evidenciando novas abordagens narrativas e representativas. Entre os títulos exibidos está Ginga (2025), de Camila Silva, que acompanha o despertar afetivo de uma adolescente negra em meio às dinâmicas de trabalho doméstico que atravessam sua casa. Já Shoes Off, De Pés Descalços (2023), de Everton Melo, que participa de conversa com o público após a sessão, narra a experiência de um imigrante brasileiro em Nova York inserido no processo criativo de um artista. Completa a mostra o curta Lança Foguete (2025), de William Oliveira, que mescla ficção científica e drama ao abordar o luto pela perda de uma jovem trans no Recife. Já no dia 2 de abril, a programação se desloca para o Sol y Sombra, no bairro do Bixiga, com a exibição do longa Árido Movie (2005), dirigido por Lírio Ferreira, um dos marcos do cinema pernambucano contemporâneo. Após a sessão, o público participa de um bate-papo com Lirinha, integrante do elenco do filme e figura central da cena cultural do estado, também conhecido por sua atuação à frente da banda Cordel do Fogo Encantado. Além das exibições, as duas noites contam com discotecagem do DJ Thiago Cassis, reforçando o caráter híbrido e festivo da iniciativa. A passagem por São Paulo também incluiu ações formativas e culturais prévias, como a participação na programação da Casa de Francisca, com apresentações de frevo, curadoria de curtas e debates sobre o cinema pernambucano, além da abertura do semestre dos cursos de cinema da Universidade Anhembi Morumbi.

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rugendas Fotos Acervo do Instituto Ricardo Brennand

Agenda cultural movimenta o Recife e Região Metropolitana no fim de semana

Da cena teatral contemporânea às celebrações da cultura popular, passando por exposições, shows e atividades para toda a família, o Grande Recife oferece uma programação diversa e marcada por debates sociais, memória e experiências sensoriais neste fim de semana. Com uma agenda que articula diferentes linguagens e territórios culturais, o Recife e cidades vizinhas destacam sua vitalidade artística ao reunir produções locais, nacionais e internacionais. Entre os destaques estão uma tragicomédia premiada, exposições que dialogam com memória e identidade, eventos populares de forte apelo simbólico e opções de lazer voltadas ao público infantil e familiar. Exposição: olhar indígena sobre Rugendas no Instituto Ricardo Brennand O Instituto Ricardo Brennand apresenta a exposição Todos falam de mim, ninguém me representa, que propõe um diálogo entre a obra do pintor alemão Rugendas e a produção do artista indígena Ziel Karapotó. A mostra questiona representações históricas dos povos indígenas e propõe novas narrativas a partir de perspectivas contemporâneas, reafirmando o papel da arte como ferramenta crítica e educativa. Tragicomédia Humanismo Selvagem A companhia curitibana Bife Seco apresenta, no Teatro Apolo, a tragicomédia Humanismo Selvagem, em circulação nacional. A montagem, que celebra os 15 anos do grupo, propõe uma imersão nas tensões de uma família marcada por heranças de exploração, abordando temas como racismo estrutural e desigualdade social. Com direção e texto de Dimis, o espetáculo combina humor ácido e terror psicológico em uma narrativa que expõe fissuras sociais do Brasil contemporâneo. No elenco, destaque para Luiz Bertazzo, também conhecido por sua atuação no cinema. As apresentações seguem até o sábado (22), com ingressos acessíveis e recursos de acessibilidade em sessões específicas. Exposição Vereda Interior Na Torre Malakoff, a exposição Vereda Interior, do fotógrafo Gustavo Pimentel, apresenta um percurso visual que entrelaça memória, afetos e paisagens do sertão pernambucano. O trabalho, desenvolvido ao longo de quase duas décadas, ressignifica experiências pessoais do artista em imagens que transitam entre o documental e o poético. A mostra propõe uma leitura sensível do sertão contemporâneo, distante de estereótipos, e reforça a relevância da fotografia pernambucana no cenário artístico nacional. A visitação é gratuita e segue até maio. Clube das Pás celebra 138 anos Símbolo da cultura popular recifense, o Clube das Pás comemora 138 anos com uma programação especial. No sábado, a celebração é reservada a associados, com apresentações da Orquestra das Pás e da banda Super Oara. Já no domingo (22), o público pode participar da tradicional Super Manhã de Sol, a partir das 13h, com shows de artistas locais e repertório que percorre clássicos da música nacional e internacional, além da presença de dançarinos profissionais.  Show internacional O município de Paulista recebe, no domingo (22), o show internacional ROMANCES, do cantor venezuelano Armando Fuentes. A apresentação integra o encerramento da segunda edição da Seresta North Way. Com repertório que passeia por boleros, tangos, baladas e pop latino, o espetáculo aposta na nostalgia e no romantismo para dialogar com o público, em um evento que também valoriza a integração entre artistas locais e internacionais. Exposicao na Galeria Marco Zero A exposição Diálogos do Acervo, em cartaz na Galeria Marco Zero, reúne mais de 40 obras de artistas de diferentes gerações, como Abelardo da Hora e Montez Magno. A proposta curatorial enfatiza conexões entre produções históricas e contemporâneas, estimulando leituras cruzadas entre linguagens, temas e períodos. A mostra segue até abril e convida o público a explorar relações visuais e conceituais no campo das artes plásticas. Festival de gastronomia e música no Plaza Shopping O Festival de Hambúrguer do Plaza chega à sua nona edição reunindo gastronomia, música ao vivo e atividades para toda a família. Realizado ao ar livre, o evento aposta em um clima nostálgico, com hamburguerias artesanais, shows e espaço kids. Com acesso gratuito, a programação acontece entre sexta e domingo, oferecendo também experiências como flash tattoo e apresentações musicais de bandas locais. Infantil: oficinas e caça aos ovos na Páscoa do Plaza Voltada ao público infantil, a Páscoa do Plaza oferece oficinas criativas, encontros com o coelhinho e atividades interativas. Entre as opções estão pintura de ovos, confecção de acessórios e experiências sensoriais como a criação de slime. A programação acontece no fim de semana, com ingressos para oficinas e atividades que estimulam criatividade e convivência familiar. Lançamento infantil no Recife Antigo A Livraria Jaqueira, no Recife Antigo, recebe no domingo (22) o lançamento do livro Nara e o Rádio Mágico, da autora Mari Bigio. A obra acompanha as aventuras de uma capivara pelas ruas do Recife. O evento contará com sessão de autógrafos e atividades voltadas ao público infantil, consolidando o espaço como ponto de encontro entre literatura e formação de novos leitores. Baile do Macumbeiro  No Pátio de São Pedro, o Baile do Macumbeiro realiza sua segunda edição com o tema Noite das Iyás, homenageando mulheres de terreiro. O evento, gratuito, celebra as tradições de matriz africana e reforça o combate à intolerância religiosa. A programação inclui apresentações culturais e homenagens a lideranças femininas, além da participação do Som da Rural, consolidando o baile como espaço de resistência, memória e afirmação cultural. Experiência sensorial em Lumiar, de Marina Mahmood O solo de dança Lumiar, da artista recifense Marina Mahmood, estreia sua circulação gratuita no domingo (22), no Teatro do Parque, propondo uma experiência imersiva que articula corpo, natureza, música ao vivo e audiovisual. Construído como um ritual contemporâneo, o espetáculo investiga estados de presença e reconexão por meio da dança com elementos naturais, em diálogo com a trilha executada ao vivo. A apresentação também inclui exibição de videodanças, como o premiado Corpo Onírico. Com circulação por diferentes territórios da cidade, o projeto reforça o acesso democrático à arte e amplia seu impacto ao integrar ações formativas com estudantes da rede pública, conectando criação artística, educação e território. Palestra-performance  A artista-pesquisadora Gabi Holanda apresenta a palestra-performance Ensaio sobr.e o chão no Teatro Fernando Santa Cruz, em Olinda, nos dias 21 e 22 de março. A obra propõe uma reflexão sobre conflitos socioambientais e modos de resistência a partir da relação entre corpo, memória e território. A apresentação

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Raynaia Uchoa 6

Livro infantil resgata memória das travessias no Rio Capibaribe e destaca cultura popular do Recife

Obra de Catharina Rosendo relembra a história dos barqueiros e será lançada com programação cultural na Zona Norte Antes da construção de muitas pontes, eram os barcos que garantiam a conexão entre bairros do Recife. Essa relação histórica com o Rio Capibaribe inspira o livro infantil Acorda Rio – Memórias de uma travessia, da artista visual pernambucana Catharina Rosendo. A obra será lançada neste domingo (22), às 15h, no Jardim Secreto do Poço, na Zona Norte da capital. O livro resgata a trajetória do barqueiro Antônio José da Cunha, conhecido como Pai, que mantém até hoje a travessia entre os bairros do Poço da Panela e da Iputinga. Herdado de gerações anteriores, o ofício atravessa o tempo como símbolo de resistência e preservação de saberes tradicionais, mesmo diante das transformações urbanas que afastaram a cidade de seus rios. Com narrativa poética e ilustrações em aquarela feitas pela própria autora, a obra convida leitores a enxergar os rios como territórios vivos da memória recifense. O título faz referência à corda utilizada por Pai na condução do barco, funcionando como metáfora de ligação entre passado e presente. O livro também conta com recurso de audiodescrição via QR code, ampliando o acesso ao público. “Essa história nasceu de conversas à beira do rio, de idas e vindas sobre a travessia. Foi assim que conheci Pai, barqueiro de ofício herdado do pai e do avô, como quem herda não apenas um trabalho, mas também respeito e cuidado com a natureza. Esse ofício foi um dos mais importantes da cidade. Conectava bairros, comércios e territórios. Criava pontes antes que elas existissem. Abria, em silêncio, rotas de fuga para quem buscava liberdade. Os canoeiros, junto com Pai, ajudaram a erguer a cidade”, explica a autora. O lançamento acontece no Dia Mundial da Água e contará com roda de conversa, sessão de autógrafos e exibição do curta Entre Margens, dirigido por estudantes e inspirado na mesma travessia que deu origem ao livro. O projeto foi viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo em Pernambuco, com apoio do Governo do Estado e do Ministério da Cultura. ServiçoEvento: Lançamento do livro Acorda Rio – Memórias de uma travessiaData: Domingo, 22 de marçoHorário: 15hLocal: Jardim Secreto do Poço

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Realismo mágico nordestino marca novo romance de Rafael Setestrelo lançado pela Cepe

Romance de Rafael Setestrelo tem lançamento amanhã (20) pela Cepe e resgata realismo mágico nordestino

Lançamento acontece nesta sexta-feira (20), em Vitória de Santo Antão, e obra resgata memórias do eclipse de 1940 para construir narrativa marcada pela oralidade e pelo imaginário popular nordestino Inspirado em um eclipse solar que marcou o imaginário popular do Nordeste na década de 1940, o escritor pernambucano Rafael Setestrelo lança, nesta sexta-feira (20), o romance A Estrada dos Homens Doidos. Publicada pela Cepe Editora, a obra será apresentada ao público às 19h30, no Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão, em evento que contará com um bate-papo entre o autor e o professor e crítico literário Marcos de Andrade Filho. O livro parte de um episódio real ocorrido em 1º de outubro de 1940, quando um eclipse total do sol mergulhou cidades de Pernambuco, Paraíba e Ceará em uma escuridão repentina, provocando medo e interpretações místicas entre moradores do Sertão e da Zona da Mata. O fenômeno, associado por muitos ao “fim do mundo”, atravessou gerações por meio da oralidade, elemento central na construção narrativa de Setestrelo. A obra dialoga diretamente com memórias familiares do autor, especialmente a história de seu avô, Urbano de Souza Costa, conhecido como Pirrito, que testemunhou o eclipse durante uma caminhada entre Glória do Goitá e Limoeiro. O relato, ouvido durante a infância, ganha contornos ficcionais no romance, funcionando como ponto de ruptura entre realidade e imaginação. “O eclipse surge como um divisor de águas, capaz de revelar o que estava oculto nos personagens”, explica o escritor. Com 60 páginas divididas em dez capítulos, A Estrada dos Homens Doidos acompanha a trajetória dos irmãos Rubem, José e Judá, que se reencontram na vida adulta e seguem juntos rumo a Limoeiro para um velório. Ao longo da jornada, atravessam uma estrada marcada por elementos sobrenaturais e confrontam memórias de um passado familiar atravessado por violência, silêncios e ressentimentos. A narrativa mergulha em temas como as marcas da criação, conflitos familiares e as cicatrizes emocionais que atravessam gerações. Reconhecido por transitar entre diferentes gêneros, como cordel, poesia, teatro e romance, Rafael Setestrelo integra uma nova geração de autores pernambucanos que exploram o realismo mágico a partir de referências culturais nordestinas. A obra se insere no chamado “Ciclo dos Estranhos”, conjunto de produções recentes do autor que também inclui Dom Pirrito (2023) e A Fabulação de Luzia (2025). Segundo o escritor, esse ciclo se caracteriza pela valorização da oralidade e pela abordagem de dimensões psicológicas e históricas da Zona da Mata. A estrutura do romance também chama atenção pelo experimentalismo formal. Ao mesclar tempos narrativos e vozes distintas, muitas vezes sem marcações convencionais de diálogo, Setestrelo propõe uma leitura que exige atenção do público. Para o escritor e membro do Conselho Editorial da Cepe, Roberto Azoubel, a obra revela “arrojo narrativo” e domínio técnico, especialmente na alternância entre narradores e na construção de uma trama densa e multifacetada. Natural de Vitória de Santo Antão, Rafael Setestrelo é professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) desde 2005 e desenvolve projetos que aproximam literatura e cultura popular, como o LiterAtos. Com uma trajetória consolidada, já recebeu prêmios como o Hermilo Borba Filho de Literatura, em 2020, e o Mar que Arrebenta, em 2023, reafirmando seu lugar de destaque na cena literária contemporânea do Estado.

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Quadrilhão

Quadrilhão leva cortejo junino às ruas do Recife e abre simbolicamente o ciclo do São João

Com 16 quadrilhas da cidade, evento no Dia de São José retoma tradição e reforça a força cultural das festas juninas no Recife O Recife abre simbolicamente o ciclo junino de 2026 com a realização do Quadrilhão, cortejo que reúne 16 quadrilhas juninas da cidade no próximo dia 19 de março. A concentração acontece a partir das 18h no Pátio de São Pedro, de onde os grupos seguem em desfile pelas ruas do Centro até o Marco Zero. A iniciativa antecipa o clima das festas de São João e marca a abertura simbólica dos festejos juninos em Pernambuco. A escolha da data está associada à tradição popular nordestina. Celebrado em 19 de março, o Dia de São José é considerado o marco inicial do ciclo junino porque, historicamente, representa o período em que agricultores aguardam as chuvas para iniciar o plantio do milho, alimento central das festividades juninas e base de diversos pratos típicos consumidos durante o São João. O Quadrilhão surgiu na década de 1980 e ganhou novo impulso no início dos anos 2000, com edições realizadas também em 2011 e 2013. O evento foi retomado no ano passado pela Liga Independente de Quadrilhas Juninas do Recife, com a proposta de reunir os grupos da cidade em uma grande prévia junina. A celebração funciona como um arrasta-pé coletivo que antecipa a temporada de apresentações e concursos de quadrilhas. Nesta edição, participam nove quadrilhas adultas e sete infanto-juvenis filiadas à entidade organizadora, provenientes de sete bairros do Recife. Além dos grupos afiliados, três quadrilhas participam como convidadas: Mirim Couro Quente, do Recife; Mirim Tradição Nordestina, também da capital; e Junina Sanfonar, do município de Afogados da Ingazeira. Durante o percurso, os quadrilheiros caminham pelas ruas realizando evoluções coreográficas e passos tradicionais, conduzidos pelos marcadores que comandam a dinâmica das apresentações. Considerado o maior cortejo junino do Recife, o Quadrilhão ocorre cerca de um mês antes do início das principais programações de São João e reforça a presença das quadrilhas como uma das expressões mais representativas da cultura popular nordestina. Para Roberto Carlos, presidente da liga organizadora, a retomada do evento no Dia de São José também recupera um significado simbólico ligado às origens da festa. “Esse ano resgatamos a tradição da abertura do ciclo junino no dia de São José, quando os sertanejos esperavam a chuva, faziam a oração e plantavam o milho para comer no São João. Então, vamos receber o ciclo junino com um cortejo e uma grande festa para abrir as portas do São João e pedir uma festa de sucesso, paz e manutenção da tradição”, afirma.

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A gente sem Oscar, mas nada discretos

Por José Ricardo de Souza Infelizmente, o Oscar deste ano não foi favorável ao cinema brasileiro. Apesar de cinco indicações, não trouxemos nenhuma estatueta, ao contrário de 2025 quando “Ainda Estou Aqui” ganhou como melhor filme estrangeiro. Apesar disso, ainda temos motivos para comemorar. O longa “O Agente Secreto” está cumprindo bem seu papel. Despertou o interesse pelo cinema pernambucano, estimulou o turismo no centro da cidade do Recife, levou para a tela grande imagens de lugares que fazem parte do cotidiano dos pernambucanos. Não se trata apenas de assistir ao filme, mas de se ver nele representando, seja pela paisagem mostrada ou pela narrativa que lembrou dos ataques dos tubarões na Igrejinha de Piedade, da morte do menino Miguel, e da lenda icônica da perna cabeluda. O filme dialogou com temas diversos, que vão desde a questão da repressão durante a ditadura civil-militar até a nostalgia de um Recife que infelizmente não existe mais. Nunca falamos tanto de cinema em Pernambuco. Foram dezenas de publicações, de reportagens nos jornais a capas de revista, até um Globo Repórter só nosso teve, além é claro das inúmeras resenhas, postagens, artigos, etc. Nem vou citar as dezenas de prêmios nacionais e internacionais que “O Agente Secreto” conquistou. Faltou o Oscar? Sim. Merecia pelo menos o de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Ator (a atuação do Wagner Moura foi impecável). Mas vamos dar a César o que é de César: o Oscar é uma competição, como outra qualquer. Alguém vai ganhar, outros vão perder. E a vida segue igual às fitas de rolo dos antigos filmes que passavam no Cine São Luiz. Pelo menos de uma coisa temos certeza: foi a maior torcida em linha reta desde que o Oscar foi inventado. Valeu Kléber Mendonça Filho. Você e todos que fizeram esta obra foram gigantes e merecem todas as nossas homenagens. Perdemos o Oscar, mas continuamos com molho de sempre: libertários, rebeldes e festivos! *José Ricardo de Souza é professor da rede pública estadual de ensino, historiador e escritor. Membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP) e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP). Criador do projeto Muita História pra Contar. @josericardope01 nas principais redes sociais.

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Visita Guiada da primeira edicao 2024 Creditos Icaro Benjamin

Visita guiada acessível leva audiodescrição a pontos históricos do Centro do Recife

Projeto Visões Sonoras da Cidade promove experiência inclusiva com audiodescrição e Libras em percurso por locais simbólicos da capital pernambucana Uma iniciativa que une acessibilidade, patrimônio e inclusão vai ocupar as ruas do Centro do Recife no dia 19 de março. Em sua segunda edição, o projeto Visões Sonoras da Cidade realiza uma visita guiada aberta ao público, transformando paisagens urbanas em experiências narradas por meio da audiodescrição. A proposta busca ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual à arquitetura e aos elementos históricos da cidade, contribuindo para fortalecer o sentimento de pertencimento e a relação com o espaço urbano. A atividade contará com audiodescrição ao vivo e simultânea, além de interpretação em Libras. O percurso terá início às 14h, em frente ao Mercado de São José, seguindo para o Pátio do Terço, passando pelo Pátio de São Pedro e encerrando no Parque de Esculturas Francisco Brennand. A visita funcionará também como um teste público, permitindo avaliar as percepções e experiências dos participantes diante das audiodescrições elaboradas para cada local. Desenvolvido pela Com Acessibilidade Comunicacional e financiado pelo Governo do Estado de Pernambuco por meio do Funcultura, o projeto revela cenários e características desses espaços para pessoas com deficiência visual e também para pessoas neurodivergentes, incentivando uma vivência mais sensorial e inclusiva da cidade. “A ideia do projeto surgiu da convivência com pessoas cegas ou com baixa visão, e da percepção de que a relação com a cidade era auditiva e espacial, mas faltavam referências visuais. Com a audiodescrição, é possível traduzir o espaço em palavras, permitindo que diferentes públicos compreendam detalhes arquitetônicos como dimensões, cores, materiais, formas e estética. É um trabalho detalhado, que envolve visitas técnicas, pesquisa, elaboração de roteiro, revisão, gravação e edição”, explica a audiodescritora, idealizadora do Visões Sonoras da Cidade e diretora-executiva da Com Acessibilidade Comunicacional, Liliana Tavares. Na primeira edição, realizada em 2024 com incentivo da Lei Paulo Gustavo por meio da Prefeitura do Recife, foram produzidas audiodescrições de seis paisagens emblemáticas da área central, como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus, a Torre Malakoff, o casario da Rua da Aurora, a fachada do Teatro de Santa Isabel e a Praça da República. O material produzido ficará disponível no YouTube e também por meio de QR Codes instalados em placas nos pontos culturais contemplados. ServiçoVisita guiada acessível – Visões Sonoras da CidadeData: 19 de marçoHorário: 14hLocal de saída: em frente ao Mercado de São José, Centro do RecifeMais informações: https://comacessibilidade.com.br/visoes-sonoras-da-cidade/

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Festival Pernambuco meu País

Governo de Pernambuco abre convocatória nacional para integrar programação cultural do Estado

Edital do Governo de Pernambuco selecionará propostas artísticas para compor a programação cultural e turística do Estado em 2026 e 2027 O Governo de Pernambuco lançou, nesta semana, o edital da Convocatória Nacional Pernambuco Meu País 2026/2027, iniciativa que busca selecionar propostas artístico-culturais para integrar a programação de eventos apoiados pelo Estado ao longo de um ano. As inscrições estarão abertas entre os dias 17 de março e 8 de abril, exclusivamente pela plataforma digital do Mapa Cultural de Pernambuco, e contemplarão atividades previstas nos ciclos turístico e cultural — com exceção dos períodos carnavalesco e junino, que possuem editais específicos. A chamada pública é conduzida pela Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e pela Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur). A iniciativa integra a política pública do Festival Pernambuco Meu País, que tem como objetivo promover a circulação de artistas e ampliar o acesso da população a diferentes linguagens culturais nas quatro macrorregiões do Estado. A proposta do edital é consolidar uma programação diversa e inclusiva, estimulando o intercâmbio entre agentes culturais, comunidades e territórios. Podem participar artistas individuais, grupos, bandas, coletivos, companhias artísticas e também profissionais reconhecidos por notório saber em suas áreas, especialmente no caso de atividades formativas e intervenções culturais. No total, o edital contempla 13 categorias artísticas: artesanato, artes circenses, artes visuais, atividade formativa, audiovisual, culturas populares, dança, design e moda, fotografia, gastronomia, literatura, música e teatro e ópera. As propostas poderão resultar em diferentes formatos de programação, como shows, cortejos, performances, exposições, recitais de poesia, concertos, contação de histórias, espetáculos e vivências criativas. Além das expressões artísticas tradicionais, o edital também abre espaço para manifestações culturais oriundas das periferias urbanas, incluindo linguagens como hip hop, graffiti, brega-funk e passinho, além de intervenções urbanas, atividades itinerantes e ações culturais em espaços públicos. Segundo a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula, a convocatória integra uma estratégia de fortalecimento das políticas culturais do Estado. “O edital reconhece a cultura como um eixo fundamental de desenvolvimento social e econômico. Ao abrir essa convocatória nacional, o Governo de Pernambuco amplia as oportunidades para que a arte e a criatividade pernambucanas circulem e dialoguem com públicos diversos”, afirma. A presidente da Fundarpe, Renata Borba, destaca que a iniciativa busca ampliar o alcance territorial das políticas culturais. “A convocatória fortalece a diversidade da programação e estimula a circulação de artistas e saberes, garantindo que a agenda cultural alcance diferentes públicos e territórios”, pontua. Já o presidente da Empetur, Eduardo Loyo, ressalta o impacto da programação cultural também no turismo estadual. “O Festival Pernambuco Meu País movimenta as cidades, atrai visitantes e revela um dos maiores diferenciais do Estado, que é o acolhimento do seu povo. A convocatória é um convite para que artistas ocupem palcos e ruas, mostrando que Pernambuco vive cultura e turismo durante todo o ano”, afirma. Processo de seleção O processo de seleção das propostas ocorrerá em duas etapas. A primeira é a análise documental, que verificará a conformidade dos documentos enviados no formulário de inscrição. Na sequência, as propostas habilitadas passarão por uma análise artística, que avaliará o histórico e o material apresentado pelos artistas ou grupos inscritos, considerando a categoria escolhida. De acordo com o cronograma do edital, a análise documental ocorrerá entre 9 e 15 de abril, enquanto o resultado preliminar será divulgado em 22 de abril. Após o período de recursos e a avaliação artística, o resultado final está previsto para 15 de maio. Todas as etapas serão publicadas no Mapa Cultural de Pernambuco e no portal Cultura PE.

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