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3 motivos para ler “Faces do Mangue”, de Paulo Caldas

Livro conecta pensamento social, música e realidade contemporânea do Recife em uma narrativa sensível e crítica *Por Rafael Dantas O livro Faces do Mangue, de Paulo Caldas, é uma obra que ultrapassa a dimensão literária para propor um exercício de memória e reflexão social. A partir de diálogos entre personagens como Josué, Doutor Alexandre e Dona Nilda, a narrativa constrói uma ponte entre passado e presente, articulando referências fundamentais da cultura e do pensamento pernambucano com questões ainda urgentes na sociedade. Um dos grandes méritos do livro é apresentar, de forma acessível, o legado de Josué de Castro. Reconhecido internacionalmente por seus estudos sobre a fome, o autor pernambucano ainda é pouco conhecido pelo grande público local. A obra de Caldas resgata suas ideias sem academicismo excessivo, conectando-as diretamente com a realidade social do mangue e das periferias urbanas. Territórios que permanecem marcados por desigualdades históricas. Outro destaque é a presença simbólica de Chico Science, que teve uma trajetória que marcou a cultura brasileira ao fundir ritmos tradicionais com uma estética contemporânea e crítica. No livro, sua figura emerge como expressão da potência criativa do Recife e como lembrança de uma obra que, mesmo após sua morte precoce, segue atual e provocadora. Para mergulhar no universo do Manguebeat, o autor traz a obra Criança de Domingo, do jornalista José Teles, que também é personagem na trama. Mas é no personagem Josué, um jovem vendedor de frutos do mangue, que vive entre o trabalho precoce e o desejo de conhecimento, que a narrativa encontra seu ponto mais sensível. A construção desse protagonista evidencia a permanência de problemas estruturais, como o trabalho infantil e a exclusão social. Décadas após as denúncias de Josué de Castro e as críticas de Chico Science, a realidade retratada no livro revela continuidades incômodas. Fotografias que infelizmente não são difíceis de presenciar no Recife atual. Ambientado na capital pernambucana, o livro também registra uma cidade viva, marcada por práticas culturais, sociabilidades e uma boemia que resiste ao tempo. Esse pano de fundo urbano contribui para dar densidade à narrativa e reforça a conexão entre espaço, cultura e desigualdade. O protagonista é o fio condutor da trama para apresentar a arte de Chico Science e a ciência de Josué de Castro. É justamente nessa articulação entre cultura e pensamento social que Faces do Mangue encontra sua maior força: ao mesmo tempo em que narra, também provoca. Paulo Caldas convida o leitor a revisitar o Recife e refletir sobre as permanências e contradições nesse Brasil contemporâneo, mas em tom de conversa e na mesa de um bar. Serviço: O livro Faces do Mangue pode ser adquirido no site da Editora Bagaço por R$ 66.

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As 3 arvores

A dimensão da poesia em cena

*Por Paulo Caldas “As três árvores primeiros poemas” de André de Sena reúne em grottesches, sonetos, dísticos e quadras a poesia do autor até então vistas apenas em tímidas edições, são agora, republicadas em um só volume, por certo terão autonomia de voo capaz de alcançar novos leitores, alunos e amigos. Assim, aqui está a produção poética contida no “Bosque da Moeira”, de 2005, “Miratio” de 2008 e “Arviore”, lançado em 2010.  A tentativa comum de buscar a análise do conteúdo poético, aqui é inibida pelo reconhecido talento e considerável bagagem literal do autor. Contudo, difícil não citar dentre a soma dos sumos, preciosos versos constantes ao longo dessas 130 páginas concebidas à verve deste militante do onírico, simbólico e imanestista; também na música adepto do rock progressivo e do experimentalismo.  Agora, resta colher tais preciosidades, por exemplo, no inspirado cenário natural do poema “Girassóis de Água”: Girassóis de água evocam etéreos gênios em raios de estrelas.A sombra se desfaz em giros, e a noite e a clara luzde encantamento divertem-se rindo. Ou no universo intimista no soneto “Paradoxo”: Desconheço o futuro e meu passado é onda, brisa, fumo, sonho altivo…  mas houve tanto instante ensolarado e tanta formosura ainda vivo! A publicação traz o selo da Novo Estilo Edições do Autor, capa e projeto gráfico de Salete Rego Barros. Os exemplares podem ser adquiridos diretamente com o autor pelo email.andredesena.art@gmail.com *Paulo Caldas é escritor

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salatiel cicero

Curso gratuito de comunicação para projetos culturais abre inscrições em Pernambuco

Formação online voltada a artistas e produtores culturais começa em 10 de março e aborda planejamento, divulgação e estruturação técnica de projetos Artistas e produtores culturais de Pernambuco já podem se inscrever no Módulo II do curso Gestão de Projetos Culturais, que oferece formação gratuita em comunicação para projetos culturais. As matrículas começaram nesta quarta-feira (4) e as aulas serão realizadas entre os dias 10 e 31 de março, em formato online. A iniciativa integra o Programa Nacional dos Comitês de Cultura, coordenado pelo Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). A formação é voltada para profissionais interessados em participar de editais e prêmios culturais, como Funcultura, Lei Aldir Blanc, Lei Rouanet, Banco do Nordeste e Caixa Cultural. Segundo os organizadores, o aumento das oportunidades de financiamento também elevou as exigências técnicas para apresentação e execução de projetos culturais. De acordo com o especialista em comunicação de projetos culturais Salatiel Cícero, uma das principais dificuldades enfrentadas por artistas está justamente na estruturação técnica das propostas. “O artista sabe criar, mas muitas vezes não foi preparado para estruturar o projeto como o edital exige. Comunicação não é só divulgação nas redes sociais, como o Instagram e Facebook. Vai muito além disso, quando trata-se de divulgação artística. É planejamento, orçamento, equipe e prestação de contas. Sem isso, até um projeto potente pode se tornar invisível”, afirma. O curso aborda temas como planejamento de comunicação, definição de público, estruturação de equipe, organização de orçamento e preparação de registros para prestação de contas. A metodologia é online, com aulas disponíveis para acesso no momento mais conveniente para os participantes. No dia 18 de março, também será realizada uma live tira-dúvidas com duração de 60 minutos. Podem participar artistas, grupos, coletivos, instituições e produtores culturais das 12 Regiões de Desenvolvimento de Pernambuco, incluindo a Região Metropolitana do Recife, Mata Norte e Sul, Agreste e diversas regiões do Sertão. ServiçoCurso: Gestão de Projetos Culturais – Módulo IIInscrições: a partir de 4 de marçoPeríodo das aulas: 10 a 31 de marçoFormato: onlineInscrições: https://comitedeculturape.org.br/Mais informações: www.instagram.com/comitedecultura_pe

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Quadrilhas do Recife têm até 16 de março para disputar subvenção junina da Prefeitura

Edital garante apoio financeiro em duas parcelas e reforça política de incentivo a uma das tradições mais emblemáticas do Nordeste A Prefeitura do Recife abriu inscrições para o edital de Subvenção Junina, iniciativa que garante apoio financeiro a quadrilhas da capital pernambucana interessadas em montar seus espetáculos para o ciclo de São João. Os grupos têm até o próximo dia 16 de março para se candidatar. O incentivo será pago em duas parcelas, uma antes e outra após o período junino, assegurando fôlego financeiro a uma das manifestações culturais mais celebradas do Nordeste. Coordenada pela Secretaria de Cultura do Recife e pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, a subvenção busca fortalecer o balancê, incentivar a continuidade dos grupos e garantir que as quadrilhas mantenham o padrão artístico que caracteriza o São João recifense. Os espetáculos, marcados por coreografias elaboradas, figurinos detalhados e enredos que retratam costumes, desafios e esperanças do povo nordestino, movimentam comunidades inteiras e mobilizam centenas de brincantes. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet, no site www.culturarecife.com.br . Para auxiliar os proponentes, a gestão municipal disponibiliza atendimento presencial e telefônico no Núcleo de Cultura Cidadã, localizado no Pátio de São Pedro, casa 39, área central da cidade. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, pelo telefone (81) 99321-1517. Podem concorrer ao edital quadrilhas com sede e atuação comprovadas no Recife, representadas ou não por associações, federações ou entidades sem fins lucrativos. É necessário comprovar diretoria eleita, inscrição no Concurso de Quadrilhas Juninas promovido pela Prefeitura e participação em pelo menos dois ciclos juninos realizados na capital desde 2023. O resultado do chamamento público será divulgado em abril, após o período destinado a recursos. As quadrilhas habilitadas receberão o apoio financeiro em duas etapas: a primeira antes do São João e a segunda após a aprovação da prestação de contas referente ao primeiro repasse, reforçando o compromisso com a transparência na aplicação dos recursos públicos. No ciclo de 2025, o edital destinou mais de R$ 360 mil a 16 quadrilhas da cidade. De acordo com critérios como número de participantes e categoria, adulta ou infantojuvenil, os valores individuais variaram entre R$ 18,2 mil e R$ 25,1 mil. A expectativa é que o novo edital mantenha o papel estratégico da subvenção como instrumento de valorização cultural e de estímulo à economia criativa, que ganha força no período junino e movimenta bairros, costureiras, coreógrafos, músicos e produtores culturais em toda a cidade.

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Estilista transforma tradição da arte popular pernambucana em força da moda autoral internacional

Criações inspiradas na cerâmica de Tracunhaém ganham projeção fora do país e reforçam identidade cultural da moda pernambucana Em Tracunhaém, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, a tradição da arte em barro moldou a identidade cultural do município desde os séculos XVII e XVIII, quando povos indígenas e populações africanas escravizadas passaram a trabalhar a argila retirada do próprio território. Conhecida internacionalmente por suas esculturas que retratam santos, trabalhadores rurais e cenas do cotidiano nordestino, a cidade vê agora essa herança cultural ganhar novos contornos por meio da moda autoral, que traduz em tecido aquilo que antes se expressava principalmente na cerâmica. À frente da marca Rafretá, um estilista pernambucano vem se destacando ao transformar referências da arte popular em roupas que dialogam diretamente com o território. As criações utilizam cores terrosas, texturas orgânicas e processos manuais, aproximando o vestuário da estética construída há gerações pelos artesãos locais. A camisa Estandarte Pernambucano é uma das peças mais representativas dessa proposta, reunindo elementos culturais do estado e expressando uma moda artesanal, construída a partir do pertencimento e da memória coletiva. A relação do estilista com a criação começou ainda na infância, quando improvisava roupas para bonecas com materiais disponíveis em casa. Durante a pandemia, a costura deixou de ser apenas prática manual e passou a representar expressão criativa e sustento profissional. Com a primeira máquina de costura emprestada por uma vizinha, iniciou-se uma trajetória marcada pela persistência, disciplina e dedicação. Hoje, cada peça nasce de pesquisa, desenhos e experimentações, com prioridade para tecidos naturais como algodão, linho e seda, reforçando a preocupação com sustentabilidade e qualidade. No ateliê instalado em uma antiga casa de família, sete pessoas participam de todas as etapas da produção, e uma única camisa pode levar cerca de sete horas para ser concluída. Inicialmente voltada para moda festa e vestidos de noiva, a marca ampliou sua atuação para figurinos ligados aos ciclos culturais nordestinos, como Carnaval e festas juninas. A visibilidade cresceu quando artistas da música brasileira passaram a vestir suas criações, entre eles Almério, Raí, Lipe Lucena e Taiguara Borges. Nos últimos anos, as peças da Rafretá passaram a circular também fora do Brasil, com encomendas destinadas a países da Europa e aos Estados Unidos, especialmente França, Portugal e Alemanha, além de brasileiros residentes no exterior que buscam roupas conectadas à identidade cultural do Nordeste. Esse movimento acompanha um processo mais amplo de valorização da moda pernambucana contemporânea, que vem ganhando reconhecimento ao unir identidade cultural, produção artesanal e sustentabilidade. Mesmo diante de desafios estruturais e de preconceitos enfrentados ao longo do percurso, o estilista mantém no ateliê um espaço que preserva a atmosfera afetiva de casa de família, ao mesmo tempo em que abriga processos contemporâneos de criação. Para ele, ver alguém vestindo uma peça produzida em Tracunhaém confirma que a arte local pode atravessar fronteiras sem perder suas raízes.

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Museu de Fauna da Caatinga Jaquelyne Costa

Museu de Fauna da Caatinga ultrapassa 30 mil visitantes no Semiárido

Espaço científico da Univasf amplia ações de educação ambiental e preservação da biodiversidade O Museu de Fauna da Caatinga (MFC), mantido pelo Centro de Conservação e Manejo de Faunas da Caatinga (Cemafauna Caatinga) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), ultrapassou a marca de 30 mil visitantes desde sua criação, em 2012. O resultado destaca a atuação do museu como espaço dedicado à educação científica, à conservação da biodiversidade e à difusão de informações sobre o bioma Caatinga. Único museu do Vale do São Francisco voltado exclusivamente à fauna da Caatinga, o MFC apresenta ao público a diversidade biológica do Semiárido por meio de exposições científicas com mais de 70 peças de animais taxidermizados, além de materiais didáticos e atividades educativas. O espaço integra as ações de pesquisa, conservação e extensão desenvolvidas pelo Cemafauna ao longo de quase 18 anos de atuação. Ao longo desse período, o museu recebeu visitantes de todos os estados brasileiros e também do exterior, com registros de públicos provenientes da França, Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra. Estudantes, pesquisadores, professores, gestores ambientais e turistas encontram no local uma oportunidade de conhecer espécies nativas, compreender os desafios da conservação e reconhecer o valor ecológico da Caatinga. Mais do que um espaço expositivo, o museu contribui para a formação de uma consciência ambiental crítica. As visitas guiadas apresentam informações científicas acessíveis e contextualizadas, colaborando para a valorização do bioma e para o entendimento das relações entre fauna, clima e atividades humanas no Semiárido. Para a coordenadora do Cemafauna Caatinga, professora Patrícia Nicola, o museu tem relevância científica e educacional: “O museu vai além da educação científica. Ele funciona como uma salvaguarda de coleções biológicas que documentam a biodiversidade da Caatinga e o trabalho desenvolvido por nossas equipes ao longo dos anos. Entre os exemplares preservados estão espécies descobertas pelo Cemafauna, como uma nova espécie de Amphisbaena, a borboleta Melanistis caatingensis, além de insetos emblemáticos descritos em pesquisas recentes, como o besouro Athyreus arretado e a formiga Eurhopalothrix oxente. Esses registros reforçam a importância de fazer ciência no Semiárido, especialmente em um bioma ainda pouco estudado quando comparado a outros do país.” Segundo a pesquisadora, o acervo contribui para estudos taxonômicos, ecológicos e de conservação, além de subsidiar futuras pesquisas e políticas ambientais. ServiçoMuseu de Faunas da Caatinga – MFC | Cemafauna Caatinga / UnivasfLocal: Campus de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), sede do Cemafauna Caatinga, BR 407, Km 12, C1, Perímetro Irrigado Senador Nilo Coelho, Petrolina-PE Funcionamento:De segunda a quinta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17hSexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 16hInformações: museu.cemafauna@univasf.edu.br Visitas guiadas (até 50 pessoas):Agendamento: https://calendly.com/museu-cemafauna-univasf Visitas particulares (1 a 10 pessoas):Agendamento: https://calendly.com/mfc_particulares

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Plataforma gratuita reúne 18 filmes nacionais para assistir no Carnaval

Itaú Cultural Play disponibiliza produções de diferentes regiões do Brasil em seu catálogo de streaming (Com informações da Agência Brasil) Para quem prefere passar os dias de folia em casa durante o Carnaval, a dica é aproveitar a programação do Itaú Cultural Play, que recebeu 18 filmes nacionais de várias regiões do país. As produções estão disponíveis gratuitamente na plataforma de streaming e reúnem curtas-metragens, documentários e obras voltadas ao público infantil. Entre os destaques está o curta Recife Frio, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que retrata a capital pernambucana sob uma mudança climática extrema. Com linguagem de documentário, a ficção aborda temas como especulação imobiliária, desigualdade social e impacto do turismo. Também integra a seleção o documentário Brasiliana: o musical negro que apresentou o Brasil ao mundo, de Joel Zito Araújo, que conta a história da companhia fundada em 1949, no Rio de Janeiro, por artistas negros que excursionaram por 90 países. A plataforma reúne ainda produções de outras regiões do país, como o documentário Empate, de Sergio de Carvalho, sobre o movimento seringueiro no Acre nas décadas de 1970 e 1980, e o curta Dasilva Daselva, de Anderson Mendes, que apresenta a vida e a obra do artista e ecologista Sebastião Corrêa da Silva. O Cariri paraibano é cenário do documentário Serão, de Caio Bernardo, que retrata a extração manual de cal e o trabalho na indústria têxtil a partir do cotidiano de uma família. Do Espírito Santo, estão disponíveis os curtas Depois Deste Desterro, de Renan Amaral, ambientado no contexto da ditadura militar em 1968, e Canto das Areias, de Maíra Tristão, que resgata a memória de uma vila soterrada pelas dunas. A programação inclui ainda a coleção Cine Curtinhas, com oito filmes voltados ao público infantil, como PiOinc, Abraços, O Jardim Mágico e Eu e o boi, o boi e eu, que abordam amizade, imaginação e elementos da cultura popular. Além de ampliar o acesso ao cinema brasileiro, a iniciativa reúne obras de diferentes gêneros e temáticas, valorizando produções independentes e regionais. A proposta é oferecer uma alternativa cultural gratuita para quem deseja aproveitar o feriado assistindo a filmes nacionais. ServiçoOs filmes estão disponíveis gratuitamente no site itauculturalplay.com.br.

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maracatu nazare

Nazaré da Mata recebe Encontro Estadual de Maracatus de Baque Solto com mais de 70 grupos no Carnaval

Evento reúne mais de 10 mil brincantes e transforma a Capital Estadual do Maracatu em palco da tradição centenária da Zona da Mata Norte Nazaré da Mata será novamente o centro das atenções do Carnaval pernambucano na próxima segunda-feira (16), com a realização do tradicional Encontro Estadual de Maracatus de Baque Solto. A partir das 8h, o som dos chocalhos dos caboclos de lança, os estandartes e os instrumentos anunciam a saída dos grupos, que ocuparão ruas e praças da cidade em um grande cortejo cultural. Reconhecida como Capital Estadual do Maracatu, Nazaré da Mata receberá 70 nações de baque solto e mais de 10 mil brincantes. O evento celebra uma tradição marcada pelo encontro das culturas indígena, africana e europeia, fortemente enraizada na Zona da Mata Norte de Pernambuco, e atrai moradores, turistas e visitantes interessados em acompanhar de perto essa manifestação centenária. A concentração acontece no Parque dos Lanceiros, no bairro do Juá, de onde os grupos seguem em desfile até a Praça Herculano Bandeira, conhecida como Praça da Catedral, no Centro. No local, os maracatus se apresentam ao longo de todo o dia, com a participação de mais de 140 mestres e contramestres, que improvisam versos enquanto a percussão e os metais conduzem o ritmo do espetáculo. A abertura do encontro terá um caráter simbólico, com a apresentação do Maracatu de Baque Solto Mirim Sonho de Criança, que há 27 anos atua na formação cultural de crianças e adolescentes. Também se destacam o Maracatu Feminino de Baque Solto Coração Nazareno, ligado à Associação das Mulheres de Nazaré da Mata, e o tradicional Maracatu Cambinda Brasileira, que soma 108 anos de história. Além dos grupos locais, participam maracatus de municípios como Aliança, Araçoiaba, Condado, Tracunhaém, Buenos Aires, Glória do Goitá e Lagoa de Itaenga. O Encontro Estadual de Maracatus de Baque Solto é promovido pela Prefeitura de Nazaré da Mata, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, com apoio da Fundarpe, da Secretaria de Cultura de Pernambuco, da Empetur e do Governo do Estado, reforçando o papel do evento na preservação do patrimônio cultural e no fortalecimento do Carnaval da Mata Norte. ServiçoO quê: Encontro Estadual de Maracatus de Baque SoltoQuando: Segunda-feira, 16 de fevereiroOnde: Praça da Catedral, Centro de Nazaré da MataHorário: A partir das 8h

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Johnnys Alencar UPE

Manifesto Regionalista de 1926: “A autenticidade brasileira foi buscada no passado rural do Nordeste”

Para o professor Johnnys Alencar (UPE), o Manifesto Regionalista de 1926 ajudou a consolidar uma visão conservadora da identidade nordestina, que ainda influencia a forma como a região é percebida no Brasil. O Manifesto Regionalista, fruto do Congresso Regionalista do Nordeste que aconteceu em 1926, marcou profundamente a maneira como o Nordeste passou a ser interpretado no imaginário cultural brasileiro. Ao exaltar o passado colonial e rural da região como fonte da verdadeira identidade nacional, o documento propôs uma leitura crítica do modernismo do Sudeste e defendeu valores associados à tradição açucareira, à arquitetura, à culinária e às formas de vida herdadas do período colonial. Para o professor e pesquisador Johnnys Alencar, da Universidade de Pernambuco (UPE), no Campus Petrolina, essa proposta não foi neutra. Segundo ele, o movimento construiu uma visão saudosista que silenciou conflitos históricos, como a escravidão, e contribuiu para fixar a imagem do Nordeste como espaço da tradição — muitas vezes associada à ideia de atraso. Nesta entrevista à Revista Algomais, o docente analisa as críticas ao Manifesto em seu tempo e explica por que seus dilemas sobre identidade, autenticidade e globalização continuam atuais. O que o senhor considera como mensagem central do Manifesto Regionalista de 1926? Para destacar uma ideia central do Manifesto Regionalista eu tenho como ponto de partida a noção presente no documento de que a verdadeira e mais autêntica identidade nacional não está nas novidades modernas, mas sim no passado rural e colonial do Nordeste açucareiro. Gilberto Freyre colocou dois mundos em conflito. De um lado, o Nordeste tradicional e os seus engenhos, sua arquitetura adaptada ao calor, sua culinária e suas ruas estreitas. Do outro lado, estaria o modernismo do Sudeste, sobretudo São Paulo e Rio de Janeiro, visto como uma importação estrangeira que despreza as raízes. É crucial entender, portanto, que esse elogio ao Nordeste como a região onde reside a autêntica identidade brasileira não era neutro, pois, o Manifesto faz uma leitura conservadora e saudosista do passado que eleva a cultura dos senhores de engenho como modelo, mas que silencia os conflitos e a violência daquele sistema, como a escravidão. Na verdade, defender essa tradição colonial era uma reação de intelectuais em torno desse movimento que viam o poder econômico e político do Nordeste patriarcal entrar em decadência diante da ascensão do Sudeste industrial. E essa visão tem uma influência profunda e duradoura na forma como lemos o Nordeste até hoje. Como ele influencia a nossa leitura atual do Nordeste? O manifesto ajudou a cristalizar a imagem do Nordeste como o lugar da tradição por excelência no Brasil. É a região vista como a mais autêntica, a que guarda a verdadeira cultura nacional. Isso gerou um repertório de símbolos poderosos (a comida, a música, a religiosidade) que são usados tanto como forma para evocar orgulho quanto de forma estereotipada para atacar a região. Assim, essa associação forte entre Nordeste e tradição colonial acabou por vincular a região, num imaginário nacional, a uma ideia de atraso. Se a autenticidade está toda no passado rural, o Nordeste passa a ser visto, muitas vezes, como um espaço parado no tempo, resistente à modernidade, em contraste com um Sul dinâmico e moderno. Quais as críticas que esse movimento enfrentou em sua época? O Movimento foi criticado em várias frentes. Talvez a crítica que mais se sobressaia diga respeito a como este foi visto como um projeto conservador e saudosista. No período, muitos entenderam que o manifesto não era só sobre cultura, mas sim uma tentativa de resgatar o poder e o prestígio de uma elite nordestina que estava perdendo espaço para a economia industrial do Sudeste. Os críticos ao Movimento também estruturaram suas críticas em uma contradição no argumento central dos regionalistas. Estes destacavam que o principal argumento do movimento, ao atacar o modernismo paulista, se dava pela acusação de este ser uma cópia de modas estrangeiras, no entanto, identificavam que a tradição defendida pelo movimento, a exemplo das casas-grandes, da religião e da organização social, também vinha de fora, era herança direta da colonização portuguesa. Então, inspirados nesses críticos até podemos pensar qual era de fato a autenticidade defendida? Por fim, havia críticas ao seu projeto político disfarçado. Pois, apesar de dizer que era um grupo “apolítico”, o Manifesto propunha alterações na forma organização do país, trocando os estados por regiões culturais. Para muitos, isso soava como um desejo de voltar a um passado político e social que já não existia mais, ignorando as transformações que estavam em curso no Brasil. Por isso, o movimento foi acusado de ser uma reação contra o progresso e as novas realidades urbanas. Que discussões propostas por esse movimento permanecem contemporâneas? Essa é uma pergunta muito necessária, pois, por mais que o Movimento tivesse uma postura conservadora e um projeto específico, nos colocou em contato com uma discussão que é bastante atual ainda hoje, o dilema entre autenticidade e globalização, pois ainda hoje nos perguntamos: Como se conectar com o mundo sem perder a própria identidade? Embora não tenhamos uma resposta consensual para essa pergunta elaboramos posturas e formas de ver essa relação quando discutimos a homogeneização cultural global tensionada pelas relações capitalistas e a luta pela valorização das produções locais, das línguas, dos saberes tradicionais. Outra provocação evocada pelo Movimento que ainda permanece contemporânea diz respeito a tentativa de elaborar uma compreensão que seja capaz de nos responder o que une um país como o Brasil já que neste território reside tanta diversidade? O Movimento e o Manifesto também não encerram essa questão, e mesmo com seu foco no Nordeste, nos coloca para pensar ainda hoje, como podemos compreender o Brasil a partir de suas diversidades regionais. Para entender melhor como esse movimento ajudou a moldar a ideia de Nordeste e influenciou debates que atravessam o presente, leia também a reportagem especial “100 anos do Congresso Regionalista de 1926 e a formação de um pensamento sobre o Nordeste”, da Revista Algomais, assinada pelo repórter Rafael Dantas, que aprofunda esse percurso histórico e suas reverberações

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Mary Del Priore

Mary Del Priore: “O Manifesto Regionalista nos ensinou a pensar a modernidade sem arrancá-la do chão”

A historiadora comenta o Manifesto Regionalista de Gilberto Freyre e analisa como o debate entre tradição e modernidade segue estruturando a cultura brasileira quase um século depois. Quase cem anos após a publicação do Manifesto Regionalista, de Gilberto Freyre, suas ideias continuam provocando leituras, críticas e revisões. Longe de ser apenas um documento de época, o texto permanece como referência para pensar identidade, cultura e modernidade no Brasil. A historiadora Mary Del Priore respondeu ao repórter Rafael Dantas sobre o legado do regionalismo freyriano e discute de que modo o antigo embate entre tradição e modernidade ainda atravessa as artes e o pensamento cultural contemporâneo. Quais ideias do Manifesto Regionalista continuam atuais no Brasil de hoje? Nunca escondi minha admiração por Gilberto Freyre. Sei que isso incomoda. Entre colegas e críticos, a confissão soa quase como heresia, num campo intelectual que lamentavelmente aprendeu a lê-lo sobretudo a partir de suas omissões, silêncios e zonas de conforto. Mas talvez seja justamente por isso que Freyre continue a me interessar. Não como doutrina, muito menos como modelo intocável, e sim como sensibilidade, como forma de olhar o Brasil quando ainda não sabíamos, ou fingíamos não saber, o quanto ele era complexo, contraditório e desigual. O Manifesto Regionalista é um bom exemplo dessa ambiguidade fecunda. Ele não nasce como texto ingênuo nem como exercício de nostalgia. Tampouco é simples reação provinciana a um modernismo centralizador. O que Freyre propõe ali é algo mais raro e mais difícil: uma modernidade com lastro, uma atenção ao chão, ao clima, à casa, aos ritmos da vida cotidiana. Um cosmopolitismo enraizado, aprendido fora do país, mas aplicado com rigor ao mundo tropical. Nesse Manifesto, Gilberto Freyre propôs muito mais que a defesa do Nordeste: formulou um método de pensar o Brasil a partir de suas regiões reais, sociais e culturais, e não de abstrações administrativas ou modismos importados. Seu regionalismo não é separatista nem provinciano, mas profundamente nacional, ao afirmar que o país se constrói pela articulação viva de suas diferenças. Por que o cotidiano e a vida material são tão centrais na leitura de Freyre sobre o Brasil? Freyre acreditava que as sociedades se revelavam menos nos grandes discursos do que nos detalhes aparentemente banais. A disposição das casas, os modos de comer, de dormir, de rezar, de cantar, os gestos repetidos no interior da família e da vizinhança dizem mais sobre uma civilização do que seus tratados políticos. Essa convicção atravessa o Manifesto e explica por que o Nordeste ali não aparece como cenário exótico nem como resíduo arcaico, mas como laboratório histórico. Um espaço onde passado colonial, mestiçagem e adaptação ao meio produziram formas singulares de convivência. A influência da antropologia cultural aprendida nos Estados Unidos é decisiva nesse ponto. Ao rejeitar hierarquias raciais e evolucionismos simplificadores, Freyre encontra fundamento para pensar a mestiçagem como força criadora e não como desvio. O Nordeste aparece então como espaço de mistura, de adaptação e de invenção, distante tanto do atraso quanto da pureza imaginada. O regionalismo que emerge do Manifesto é aberto, poroso, atento às trocas e às continuidades, consciente de que a cultura se constrói por sobreposições e não por exclusões. É verdade que o texto idealiza aspectos do mundo patriarcal e atenua conflitos de raça e classe. Essas críticas são justas e necessárias. Mas talvez seja um erro ler o Manifesto apenas pelo que ele não viu. Sua força está menos nas respostas que oferece do que nas perguntas que inaugura. Ao deslocar o olhar da nação para as regiões, Freyre abriu caminho para que o Brasil começasse a se pensar no plural. Influenciou a historiografia cultural, estimulou o regionalismo nas artes e na literatura, alimentou debates sobre patrimônio, memória e identidade e repercutiu, ainda que de modo desigual, em políticas culturais e educacionais mais sensíveis à diversidade. O debate entre tradição e modernidade, tão presente em 1926, ainda estrutura discussões contemporâneas? Com o tempo, seu regionalismo deixou de ser programa para tornar-se ética do olhar. É assim que ele reaparece hoje nas artes. No cinema nordestino contemporâneo, por exemplo, o regional não é paisagem decorativa, mas experiência vivida. As cidades e o sertão surgem como personagens, carregados de memória, de conflitos silenciosos, de heranças que insistem. A casa, o bairro, o território já não simbolizam harmonia, mas tensão, ruína, permanência incômoda. Trata-se de um regionalismo sem inocência, que não suaviza o real, mas o torna mais denso. Na fotografia, essa herança se manifesta na recusa do cartão-postal e do folclore fácil. O Nordeste é mostrado como território vivido, marcado por trabalho, religiosidade, migração, envelhecimento. Ruínas, corpos, gestos e silêncios revelam temporalidades longas, fazendo do espaço um arquivo sensível da história. Na literatura, o legado se torna ainda mais conflituoso. O sertão e a cidade aparecem como territórios simbólicos e psicológicos, atravessados por violência, oralidade, memória e silêncio. A tradição é retomada não como herança pacificada, mas como problema histórico. Terra, trabalho, família e ancestralidade reaparecem sob perspectivas críticas, sobretudo afro-brasileiras, que ampliam e tensionam o horizonte aberto por Freyre. A música e o folclore talvez sejam os campos onde essa herança se mostra mais persistente e mais reinventada. Freyre nunca viu as manifestações populares como curiosidades exóticas. Ritmos, cantigas, festas e narrativas orais lhe interessavam como formas de conhecimento e de transmissão cultural. Ao longo do tempo, o folclore deixou de ser pensado como resíduo do passado e passou a ser compreendido como repertório vivo. A música nordestina contemporânea continua a operar esse gesto. Dialoga com tradições sem fossilizá-las, transforma heranças em comentário crítico do presente e faz da memória uma ferramenta de criação e resistência. O que mudou e o que permanece do regionalismo de Freyre ao longo do tempo? O que mudou desde Freyre é evidente. Onde antes se afirmava a tradição, hoje ela é interrogada. Onde se buscava harmonia, emergem conflitos. A casa patriarcal aparece em ruínas. A região já não é apenas matriz da nação, mas espaço de crítica e de resistência. Ainda assim, algo permanece. O Manifesto

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