Estudo da Fecomércio PE aponta crescimento em setores ligados ao consumo doméstico e destaca impacto prolongado do torneio sobre o varejo
A Copa do Mundo de 2026 deverá impulsionar as vendas de produtos ligados ao entretenimento doméstico, alimentação e conveniência em Pernambuco. A projeção é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio PE), que analisou o comportamento do varejo em edições anteriores do torneio e identificou tendências para o período da competição deste ano.
De acordo com o levantamento, os efeitos da Copa do Mundo sobre o comércio não ocorrem de forma homogênea. Historicamente, parte do orçamento das famílias é direcionada para produtos associados à experiência de assistir aos jogos em casa, favorecendo segmentos como eletroeletrônicos, supermercados e bebidas. Em 2014, durante a Copa realizada no Brasil, o setor de móveis e eletrodomésticos registrou crescimento nominal de 16% em Pernambuco.
Os dados também mostram mudanças no padrão de consumo durante o torneio. Em 2018, as vendas de combustíveis cresceram 15,3%, enquanto o comércio de tecidos, vestuário e calçados recuou 13,4%. Já os supermercados apresentaram crescimento médio de cerca de 5% no volume de vendas nos meses de Copa entre 2002 e 2018. “Para 2026, identificamos oportunidades principalmente nos setores de eletroeletrônicos e alimentação. As vendas de televisores, por exemplo, já apresentavam crescimento de 18% no início do ano, movimento associado à preparação dos consumidores para acompanhar os jogos em casa”, comenta Rafael Lima, economista da Fecomércio Pernambuco.
O estudo também avaliou o comportamento dos preços de produtos tradicionalmente consumidos durante o campeonato. Segundo dados do IBGE analisados pela entidade, as carnes acumulam alta de 7,45% nos últimos 12 meses, enquanto a picanha registra avanço de 6,35%, indicando pressão sobre itens frequentemente presentes em encontros entre amigos e familiares durante os jogos.
A Fecomércio PE destaca ainda que a edição de 2026 terá características inéditas, com 48 seleções participantes e 39 dias de competição. O período ampliado coincide com datas importantes para o comércio pernambucano, como o Dia dos Namorados e os festejos juninos. “A extensão da competição cria uma janela mais longa para a atividade econômica, permitindo que o varejo e os serviços desenvolvam estratégias integradas ao longo de várias semanas. Em Pernambuco, esse movimento ganha relevância adicional pela sobreposição com o ciclo junino, que já exerce forte influência sobre setores como comércio, alimentação, entretenimento, hospedagem e turismo. A convergência desses eventos tende a ampliar o fluxo de consumidores e a estimular gastos em diferentes segmentos da economia”, afirma Rafael Lima.


