Arquivos Cultura E História - Página 24 De 362 - Revista Algomais - A Revista De Pernambuco

Cultura e história

sonatina

"Sonatina 412", de Fernanda Valença, será lançado neste sábado

Neste sábado, 17, às 15h, a Livraria do Jardim, no Centro do Recife, será o cenário do lançamento de "Sonatina 412", o primeiro livro da advogada e escritora Fernanda Valença. A obra, publicada pela Editora Tamuata, é uma novela memorialística que explora as memórias da autora, centradamente ambientadas no Edifício Sonatina, no bairro do Espinheiro, onde Fernanda passou grande parte de sua vida. O evento gratuito permitirá aos presentes uma imersão nas 97 páginas do livro, que narra sua trajetória desde a infância até a vida adulta. Além da apresentação das histórias que deram origem ao livro, Fernanda Valença participará de um bate-papo especial com sua irmã, Roberta Valença, oferecendo uma visão íntima e pessoal sobre a criação de "Sonatina 412". O evento contará também com a presença de convidados ilustres, incluindo o artista plástico José de Moura, o membro da Academia Paraibana de Letras João Bosco Medeiros de Sousa e o escritor e editor Stefanni Marion, que discutirão a influência da obra na cena literária recifense e na preservação das memórias e identidades. Serviço:Lançamento do livro Sonatina 412Quando: 17 de agosto, sábado, às 16hOnde: Livraria Jardim – Avenida Manoel Borba, 292, Boa Vista, RecifeEntrada: GratuitaInscrição: SymplaValor do livro: R$50

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Esmape 14 LancamentoFreiCaneca Foto LeopoldoConradoNunes

Cepe relança obra de Frei Caneca em Seminário Nacional sobre 1824

A Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) relançou o livro Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, uma obra rara e esgotada, durante o Seminário Nacional “Confederação do Equador e Desafios da Cidadania e do Republicanismo no Brasil”, que ocorre na Escola Judicial de Pernambuco (Esmape), na Ilha Joana Bezerra, Recife. O evento, que vai até a sexta-feira (16), é promovido pela Comissão do Bicentenário da Confederação do Equador, com o apoio da Cepe. João Baltar Freire, presidente da Cepe, destacou a importância do relançamento do livro para a memória dos pernambucanos, enfatizando o valor histórico e educativo da obra. “Recuperar a história de frei Caneca e seus ideais é fundamental, especialmente para as novas gerações. A Cepe pretende seguir lançando mais títulos que tragam novas perspectivas sobre a Confederação do Equador, um movimento que teve início em Pernambuco em 2 de julho de 1824”, afirmou Freire. Com um total de 736 páginas, a nova edição do livro oferece uma coletânea da obra de frei Caneca, líder proeminente do movimento, dividida em dez séries de textos. Inclui também as 28 edições do jornal O Typhis Pernambucano, editado por frei Caneca entre dezembro de 1823 e agosto de 1824. A organização e a introdução são de responsabilidade do historiador Evaldo Cabral de Mello. Frei Caneca, condenado por sua oposição ao autoritarismo imperial, foi executado em 13 de janeiro de 1825. O livro, disponível por R$ 90 na versão impressa e R$ 35 no e-book, será lançado também em Rio de Janeiro, São Paulo e possivelmente em Portugal. O historiador George Cabral, integrante da Comissão do Bicentenário e coordenador do seminário, reforçou a necessidade de manter viva a memória de 1824 e de questionar o presente para fortalecer a democracia. “O silenciamento e o esquecimento dessa história precisam ser combatidos, honrar a memória de 1824 e questionar o presente são fundamentais para manter a democracia”.

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Obra A ponte que nos liga

Unicap recebe exposição para deficientes visuais e auditivos

A Biblioteca da Unicap receberá, de 16 de agosto a 16 de setembro, a exposição “A ponte que nos liga – Exposição para deficientes visuais e deficientes auditivos”. O projeto tem como objetivo levar a arte a pessoas com deficiências visuais e auditivas por meio de tecnologia acessível, utilizando celulares. As visitas mediadas à exposição “Olhar a ponte que nos liga – Mirar el puente que nos une” serão facilitadas através de materiais acessíveis, como Libras, recursos táteis e audiodescrição, desenvolvidos por estudantes dos cursos de Expressão Gráfica, Arquitetura e Design da UFPE. A exposição presta homenagem ao autor espanhol Miguel de Cervantes e sua obra "Dom Quixote", apresentando pinturas criadas pelo artista plástico Marcos Carvalho, a convite do Instituto Cervantes do Recife. Para acessar a audiodescrição das obras, os visitantes devem utilizar a câmera do celular para ler o QR Code de cada peça, permitindo a escuta de um áudio descritivo através de fones de ouvido enquanto exploram o material tátil. Além disso, vídeos com intérpretes de Libras estarão disponíveis por meio dos mesmos QR Codes, sendo necessário manter o celular em modo silencioso ou usar fones de ouvido. A mostra “Acessando a ponte que nos liga” foi realizada anteriormente em 2016 e 2017 e, durante a pandemia, ofereceu visitas guiadas online por vídeos no YouTube. Financiada pelo edital do Pibexc da Proexc, a iniciativa é promovida pelo Departamento de Expressão Gráfica da UFPE em parceria com a Biblioteca da Unicap, com curadoria e coordenação da professora Sandra de Souza Melo, do Departamento de Expressão Gráfica da UFPE.

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arte maria carmem

Christal Galeria receberá a riqueza das obras de Maria Carmen e Vera Bastos

A Christal Galeria receberá hoje, no dia 14 de agosto, a partir das 18h, a exposição "A Arte como Resistência", que celebra o legado artístico das falecidas artistas Maria Carmen e Vera Bastos, mãe e filha. A mostra, com curadoria de Joana D´Arc Lima, incluirá uma rica coleção de pinturas, desenhos, colagens e esculturas que retratam a vida das artistas entre as décadas de 1970 e 2000. A exposição estará aberta ao público a partir do dia 15 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 9h às 13h. Joana D´Arc destaca que Maria Carmen de Queiróz Bastos foi uma figura fundamental para a arte brasileira, destacando-se entre um grupo predominantemente masculino nos anos 1960 e 1970. Ela participou de exposições coletivas em outros estados e no exterior, além de Bienais e Salões Nacionais de Artes. A exposição também visa reconhecer a importância de Vera Bastos, que, influenciada pela mãe, desenvolveu uma poética surrealista própria. Maria Carmen explorou temas políticos, eróticos e oníricos, e Vera, ao seguir a tradição da mãe, também contribuiu com uma abordagem inovadora à arte. Desde sua inauguração em 2021, a Christal Galeria tem se dedicado a exibir artistas importantes da cena artística pernambucana e nacional. Com uma programação que abrange exposições tanto institucionais quanto experimentais, a galeria busca revelar talentos e oferecer um espaço de influência e reflexão artística. A Christal Galeria está localizada na Rua Estudante Jeremias Bastos, 266, Pina, Recife, e mais informações podem ser obtidas pelo Whatsapp (81) 98952-7183 ou pelo e-mail contato@christalgaleria.com.br.

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Raquel Lyra entrega diplomas aos dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

Homenagem foi feita durante a solenidade de abertura da 17ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural do Estado. Foto: Hesíodo Góes Os dez novos Patrimônios Vivos de Pernambuco foram homenageados com diplomas pela governadora Raquel Lyra na tarde desta segunda-feira (12), durante a abertura da 17ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural do Estado, realizada no Centro Cultural Cais do Sertão, no Recife. A cerimônia, que contou com a presença da vice-governadora Priscila Krause, celebrou mestres, mestras e grupos que se destacam na preservação da cultura popular e tradicional do Estado. A governadora Raquel Lyra expressou sua satisfação com a perpetuação da arte pernambucana, destacando a importância de reconhecer e fortalecer esses patrimônios vivos. "É muito lindo ver a arte de Pernambuco se perpetuando de geração em geração. Para mim é uma honra, como governadora, vivenciar situações como essa", afirmou Lyra. A política pública de Patrimônio Vivo de Pernambuco, criada em 2002, visa a proteção e valorização dos saberes e práticas tradicionais das culturas populares. Ela concede, anualmente, bolsas vitalícias para reconhecer e apoiar esses conhecimentos. A cada ano, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural elege dez mestres, mestras e grupos de diferentes regiões do Estado para integrar essa lista de honraria. O artesão Chico Santeiro e o Clube Vassourinhas de Olinda foram alguns dos novos Patrimônios Vivos reconhecidos. O evento contou ainda com a presença de representantes de instituições culturais, como a presidente da Fundarpe, Renata Borba, o presidente da Empetur, Eduardo Loyo, e o superintendente do Iphan, Gilberto Sobral, além da secretária estadual de Cultura, Cacau de Paula. Os novos Patrimônios Vivos de Pernambuco são:

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Maju Oliveira e Anderson Andrade. Credito das fotos e de Nathalia Queiroz

Espetáculo poético “Na boca muitos nomes” estreia no Teatro Hermilo Borba Filho

Apresentação faz um diálogo entre voz, corpo, ritmo e som, com base no recital de poemas autorais da artista Maju e do artista Oliveira. Foto: Nathalia Queiroz O espetáculo de poesia "Na boca muitos nomes", idealizado pela poeta e musicista Maju e pelo poeta e músico Carlos Gomes Oliveira, estreia no dia 16 de agosto, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife. Esta apresentação surge de uma imersão intitulada "Mover é um rasgar-se e remendar-se: processos de um corpo em poesia", que envolveu um processo de três meses com especialistas em corpo, interpretação de Libras e artes visuais. O projeto, incentivado pela Lei Paulo Gustavo, explora a poesia através de uma combinação única de elementos cênicos e performáticos. Após a estreia no Teatro Hermilo Borba Filho, o espetáculo será exibido no Festival Pernambuco Meu País em Triunfo, Sertão de Pernambuco, no dia 18 de agosto, e no Festival Palavra Cifrada na Livraria do Jardim, Recife, no dia 31 de agosto. A performance visa além da leitura convencional de poesia, propondo arranjos vocais inovadores e o uso do violão pelos poetas Maju e Oliveira, incorporando timbres e melodias que enriquecem a experiência poética. "Na boca muitos nomes" integra a poética dos livros recém-lançados de Maju e Oliveira e conta com a participação da tradutora de Libras Anderson Andrade, da bailarina e terapeuta somática Isabela Severi, e da artista visual Bárbara Melo. O espetáculo explora a interação entre poesia, música, Libras, dança, teatro e artes visuais, oferecendo uma experiência multimodal que valoriza a acessibilidade e a expressão artística em suas diversas formas. “Os profissionais do corpo, da tradução em Libras e das artes visuais estarão com a gente nessa imersão, trazendo para os seus corpos as próprias vivências sobre os poemas e performances, devolvendo suas “vozes”, suas “personas”, para a construção do espetáculo, sobretudo na presença de Bela Severi cenicamente nos corpos dos poetas, Anderson Andrade numa tradução em Libras enriquecida com o diálogo desse corpo em poesia, e de Bárbara Melo, pondo suas obras visuais repletas de rasgos, como cenário e cena poética”, detalham os poetas Maju e Oliveira.

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Zulu Araujo

Primeiro dia do Seminário Nacional País do Carnaval debate as várias facetas da festa

O Seminário Nacional País do Carnaval, que terá início na próxima terça-feira (13/08) na Sala Aloísio Magalhães da Fundaj, visa explorar as diversas facetas do Carnaval no contexto das transformações sociais e culturais atuais. Com curadoria de Silvana Meireles e Renato L, o evento ocorrerá ao longo de três dias e contará com a produção de Janaína Guedes e o incentivo da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura, da Prefeitura do Recife e da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). O primeiro dia se concentrará em discutir temas como a evolução da festa e sua relação com a indústria cultural e as tradições regionais. A abertura do seminário apresentará debates sobre a festa popular, abordando tanto a tradição quanto a contemporaneidade do Carnaval. Participarão das discussões Paulo Cesar Miguez de Oliveira, economista e reitor da Universidade Federal da Bahia, e Rita de Cássia Araújo, historiadora e pesquisadora da Fundaj. Outro painel destacará a comparação entre as tradições carnavalescas de Salvador e Rio de Janeiro, com a presença do arquiteto e mestre em Cultura e Sociedade, Zulu Araújo, e Rita Fernandes, jornalista e presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio de Janeiro. Silvana Meireles, uma das curadoras, comentou que o seminário surgiu de conversas sobre as mudanças no Carnaval e a necessidade de reunir gestores, acadêmicos e artistas para debater essas transformações. “País do carnaval nasceu numa mesa de bar de uma conversa entre mim e Renato sobre as nossas experiências do carnaval de 2024 como foliões ou como observadores de carnavais em Pernambuco e outros lugares. Falamos sobre as significativas mudanças da festa no Brasil, principalmente nos últimos anos. No final do papo, achamos importantes reunir gestores, acadêmicos, ativistas e artistas num debate? E assim nasceu o seminário”, disse Silvana Meireles, uma das curadoras do evento. “Será um momento interessante para que a gente possa refletir, discutir sobre essa grande festa que é o carnaval no Brasil. Uma das maiores festas populares no mundo e como tal precisa ser tratada com muito carinho, com muita dedicação, muito respeito e, sobretudo, políticas públicas”, disse Zulu Araújo, um dos convidados do dia. Já Rita de Cássia Araújo destacou o caráter plural do evento. “Vai ser uma oportunidade excelente pra conhecer essa grande festa pública brasileira, não só em Pernambuco Bahia e Rio de Janeiro que já são consagrados, mas também Belo Horizonte e São Paulo, onde a festa de rua emergiu com força nesse século”, concluiu. As inscrições são gratuitas, com inscrições pelo sympla.

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1824: a derrota revolucionária e os efeitos do fim da Confederação do Equador

*Por Rafael Dantas A República instalada em 1824 no coração do Nordeste brasileiro não teve vida longa. Em menos de seis meses, o governo foi derrotado e os líderes fugiram ou foram presos. O maior ícone, Frei Caneca, foi julgado e fuzilado perto do Forte das Cinco Pontas. A queda dos revolucionários derramou sangue, sonhos e deixou sequelas políticas e econômicas. Algumas estão sendo enfrentadas ainda hoje. O primeiro impacto da vitória de Dom Pedro I sobre os confederados foi a dissolução de uma forte classe política e intelectual engajada na então província. O presidente da Confederação do Equador, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, conseguiu fugir para a Inglaterra. Frei Caneca, foi preso, condenado e morto. As demais lideranças tiveram destinos parecidos. A força que irrompeu em 1817, na Revolução Pernambucana, e em 1821, na Convenção de Beberibe, e que voltou a abalar Dom Pedro I em 1824, ficaria contida após essa derrota. O próximo movimento de grande proporção no Estado aconteceria apenas quase 25 anos depois, na Revolução Praieira. Os ideais libertários e mais avançados que circulavam na colônia foram abafados. “Com a repressão do governo central ao movimento da Confederação do Equador, vários personagens foram silenciados. No entanto, devemos considerar que foi um momento muito importante, não apenas para a história em Pernambuco, mas para a história do Brasil. Dom Pedro I consegue impor sua força nas províncias da região, no entanto, não foi suficiente para pacificar todas elas. Outros movimentos revolucionários foram surgindo, resultado, inclusive, das contestações que tinham como base liberdade e igualdade. Contestando as formas de governo e a própria repressão do governo central”, ressalta o professor de história da Universidade de Pernambuco, Carlos André Silva de Moura. Os ideais, muito sofisticados para a época, ficaram como um legado da revolução. Para isso foi fundamental o papel exercido pela imprensa, antes e durante o período da Confederação do Equador. “Os jornais como Typhis Pernambucano, coordenado por Frei Caneca, foram fundamentais para a divulgação das ideias de liberdade que foram construídas”. Seja pela imprensa ou pela habilidade retórica e de articulação dos seus líderes, essa revolução conseguiu também ter uma adesão popular. Um fato que contribuiu para a permanência dessas ideias, mesmo diante de um governo autoritário que se instalou. “A Confederação do Equador extrapolou outros movimentos anteriores, pois passou de uma simples conspiração. Concretamente, a Confederação decretou um processo de independência, também com a participação popular, que foi marcante. Além disso, os próprios questionamentos sobre a condição dos escravizados, anos depois, vai levar à criação de vários movimentos abolicionistas. Não só em Pernambuco, mas em diversas partes do Brasil”, analisa Carlos André. Ao derrotar os revolucionários pernambucanos com o exército imperial, Dom Pedro I conseguiu consolidar também a mais centralizadora Constituição, que foi imposta em 1824. Era justamente ela um dos motivos que contribuiu para a explosão da revolução. Para o historiador Flávio Cabral, professor da Unicap, essa Carta, que foi a mais longeva de toda a história do Brasil, deixou um legado perverso para o País. Ela só viria ser derrubada em 1891, já no período republicano, após o longo governo de Dom Pedro II. “Ficamos amordaçados, aceitando goela abaixo a imposição de um déspota. Era uma Constituição arbitrária que tem uma invenção maquiavélica, como dizia Frei Caneca, que era o Poder Moderador. O imperador poderia interferir em todos os poderes”, afirmou o Flávio Cabral. A centralização do poder no governo central é um “legado” dessa derrota pernambucana. Contestada pela Confederação do Equador, que defendia claramente uma posição federalista, como nos Estados Unidos, a força concentrada da governança brasileira não foi abandonada. Os debates promovidos pelo ex- governador Eduardo Campos, que defendiam uma revisão do Pacto Federativo, quase 200 anos depois daquela revolução, permanecem ainda por serem resolvidos. Inicialmente pela capital do Império no Rio de Janeiro e atualmente em Brasília, a concentração de poder no governo e nos poderes legislativos centrais é um fato. Uma expressão que exemplifica a dificuldade dos governos locais diante desse cenário é das marchas dos prefeitos com o “pires na mão” em direção ao Planalto. A busca de recursos para tocar a gestão dos municípios passou também a ser das emendas parlamentares. Seja do Governo Federal, da Câmara ou do Senado, estão na capital as decisões sobre o destino da maior parte dos recursos arrecadados no País. O relatório publicado neste ano pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios) exemplifica a continuidade do problema da concentração de poder. “O início deste ano nas prefeituras municipais é marcado, dentre outras atividades, pela preocupação com a situação fiscal, posto que ao menos metade dos municípios do País encerrou o ano de 2023 com déficit primário”, alertou o comunicado sobre as expectativas das contas municipais em 2024. Um problema de lá do Século 19 que, em outras nuances, permanece presente no Século 21. Além da centralização administrativa e econômica do Império, o “Poder Moderador”, criado por Dom Pedro I na Constituição de 1824, com frequência é evocado pela extrema direita brasileira atualmente. Na leitura contemporânea dos grupos que atentam contra a democracia, o “Poder Moderador” que, no passado, pertenceu ao imperador, seria hoje de competência dos militares. Portanto, outro fantasma que sobreviveu com a derrota da Confederação do Equador. PARA ALÉM DA CENTRALIZAÇÃO POLÍTICA A manutenção do poder pelo Império contribuiu também para a estabilidade de muitas mazelas sociais do País, como a escravidão e mesmo a desigualdade na análise de Flávio Cabral. “O Império manteve o pobre no mesmo lugar, os povos originários sem condições, além da continuidade da escravidão. Muitas ‘heranças’ que temos hoje são frutos desse conservadorismo que se manteve com a Constituição de 1824. É bom lembrar que ela foi a que mais durou no Brasil”, afirmou o historiador. “O País teve muitas chances de mudança, mas desperdiçou um bocado delas”. A vitória de Dom Pedro, na avaliação de Flávio Cabral, promove uma conservação social do País. “Houve uma independência, mas sem mortificar as estruturas da propriedade, do latifúndio, da escravidão e não se promoveu uma

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remo 2024

14 fotos dos esportes no Recife há um século

As Olimpíadas de 2024 estão chegando ao fim, entre alegris e tristezas para o Brasil em Paris. Os Jogos Olímpicos sempre reúnem desde as modalidades mais populares e tradicionais, como futebol, vôlei, atletismo e natação, como envolve esportes menos conhecidos do público brasileiro. Muito além do futebol, num resgate de imagens da prática esportiva no Recife na década de 1920, a coluna Pernambuco Antigamente traz imagens de partidas de pólo aquático, criquete, jóquei, remo, tênis, além de algumas brincadeiras de praia. Confira! A maioria das fotos são da Revista da Cidade, que circulou entre 1926 e 1929, mas há algumas fotos também do Acervo da Fundaj, da Villa Digital. O remo é uma das atividades típicas da época, com várias fotos no Rio Capibaribe . Jóquei, na Madalena .Time feminino em Jogo de Cricket, no ano de 1908, no bairro do Espinheiro (Acerbo Josebias Bandeira/Fundaj) . Tênis praticado no Recife . Polo Aquático . Vôlei (Acervo Benício Dias, Fundaj, sem data de identificação) . Mergulho . Brincadeiras de praia . . . .*Por Rafael Dantas, repórter da Revista Algomais (rafael@algomais.com | rafaeldantas.pe@gmail.com)

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amar elos vermelhos

Os Elos de Márcia Basto

*Paulo Caldas Ora intimista, ora com olhar voltado para além da linha do Horizonte, Márcia Meira Basto, no seu recente “Amar elos vermelhos”, se impõe ante a lida cotidiana e suas armadilhas. Ciosa no trato da escrita, miscigena elementos de fina prosa poética com frases leves, tal gestos sinuosos de um gracioso balé. Quando desnuda a verdade, abre as cortinas do escuro e revela elogiosa capacidade de síntese, sem espaço para palavras perdidas. Deixa transparecer angústias, ansiedades, certezas de esperanças para trocar, por dores e tristezas, risos e poesia.  Sob o ponto de vista da estética, faz uso com destreza, por exemplo, do modo gerúndio, ação verbal com duração de tempo indefinida; bem como adota símiles e metáforas nascidas do notável talento com a sutileza da sua verve. Conhecida pelo apego às letras de Clarice Lispector, abraça uma permanente motivação para dedicar-se exclusivamente à literatura. A publicação, com o selo da Editora Labrador, traz esmerado projeto gráfico de Amanda Chagas e ilustrações internas de Maurízio Manzo. Os exemplares podem ser adquiridos nas Livrarias do Jardim, Leitura e na Amazon. *Escritor  

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