Participação feminina chega a 36,8% dos vínculos em estabelecimentos com mais de 100 empregados no estado, enquanto diferença salarial persiste em 10,6%
As mulheres ocupavam 36,8% dos vínculos empregatícios em empresas com 100 ou mais funcionários em Pernambuco, em dezembro de 2025. Ao todo, eram 232,9 mil postos de trabalho femininos entre os 632,4 mil registrados nesses estabelecimentos. Os dados fazem parte do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo governo federal em conjunto com o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial.
Do total de mulheres empregadas nessas empresas no estado, 167,7 mil são negras (72%), enquanto 65,2 mil são não negras (27,9%). Entre os homens, que somam 399,4 mil vínculos, 302,5 mil são negros (75,7%) e 96,9 mil não negros (24,2%). O levantamento também aponta crescimento expressivo da presença feminina no mercado formal, especialmente entre mulheres pretas e pardas, que tiveram alta de 29% no país entre 2023 e 2025.
Apesar do avanço na ocupação, a desigualdade salarial permanece. Em Pernambuco, a remuneração média das mulheres é de R$ 2.990,85, contra R$ 3.348,16 dos homens — uma diferença de 10,6%. Entre mulheres negras, o rendimento médio é ainda menor, de R$ 2.668,61, enquanto mulheres não negras recebem, em média, R$ 3.820,20. Já os homens não negros lideram com média salarial de R$ 4.463,68.
No cenário nacional, a disparidade é ainda maior: mulheres ganham, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas de grande porte. Segundo a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a desigualdade vai além do salário. “Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”.
O levantamento também mostra que 27,6% das empresas pernambucanas com mais de 100 empregados adotam políticas de incentivo à contratação de mulheres. Entre as iniciativas, 20,6% são voltadas para mulheres negras, 18,1% para mulheres com deficiência, 16,2% para mulheres LGBTQIAP+ e 6,5% para vítimas de violência doméstica. Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o desafio envolve também a progressão profissional: “Não é somente a igualdade de salário na mesma função. Nós estamos falando da necessidade da promoção de valorização das mulheres na ascensão nas carreiras”.


