Inadimplência em Recife chega a 32,1% e atinge maior nível em 32 meses

A inadimplência das famílias do Recife alcançou 32,1% em julho, o maior percentual dos últimos 32 meses, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, analisada pela Fecomércio PE. O índice era de 30,3% em junho e de 24,9% em julho de 2025. Em números absolutos, o resultado representa aproximadamente 188,3 mil famílias com dívidas em atraso.

Capacidade de pagamento

Também cresceu a parcela das famílias que afirmam não ter condições de quitar os débitos em atraso. O percentual chegou a 18,1% em julho, o maior desde setembro de 2023. Em junho, o índice havia sido de 17,4% e, um ano antes, de 13,5%. Ao todo, cerca de 106 mil famílias declararam não ter capacidade financeira para regularizar as dívidas.

Endividamento também avança

O endividamento das famílias recifenses chegou a 81,4% em julho, acima dos 79,9% registrados em junho e dos 80,4% de julho de 2025. O percentual corresponde a aproximadamente 476,7 mil famílias. O levantamento mostra, portanto, crescimento tanto da parcela de consumidores que possuem dívidas quanto daqueles que estão com pagamentos em atraso.

Impacto sobre o consumo

Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, o comprometimento da renda pode limitar o consumo nos próximos meses. “O cenário é preocupante. As famílias inadimplentes acumulam, em média, cerca de 70 dias de atraso no pagamento das dívidas e permanecem aproximadamente 35 semanas com a renda comprometida. Esse contexto tende a limitar a capacidade de consumo nos próximos meses, impondo ao comércio o desafio de estimular as vendas durante as próximas datas comemorativas”, afirma.

O economista da Fecomércio PE, Rafael Lima, avalia que a melhora do mercado de trabalho ainda não recompôs a capacidade financeira de parte das famílias. “Mesmo com a expansão do emprego formal e as sucessivas reduções na taxa de desocupação em Pernambuco, os indicadores de inadimplência em Recife continuam em trajetória de alta. Logo, a melhora do mercado de trabalho ainda não foi suficiente para recompor a capacidade financeira de parte das famílias, que seguem com elevado comprometimento da renda. Por outro lado, a redução da taxa Selic para 14% pode contribuir para uma diminuição gradual do custo do crédito, favorecendo a renegociação de dívidas e estimulando compras nos próximos meses”, explica.

Deixe seu comentário

Assine nossa Newsletter

No ononno ono ononononono ononono onononononononononnon