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“Essa mania de grandeza de Pernambuco pode ser lida como uma maneira de reivindicar centralidade, de não aceitar um papel secundário.”

Caraterística da população de Pernambuco de colocar o Estado sempre numa posição superior, de ser o melhor, o primeiro, o “maior em linha reta” é abordada pela cineasta em seu documentário. Com humor e muita pesquisa, a produção traz entrevistas com artistas e intelectuais e está em fase de captação de recursos para ser finalizada. A  trajetória da cineasta pernambucana Luci Alcântara é atravessada por imagens, memórias e um desejo constante de traduzir o mundo a partir de um ponto de vista próprio, mesmo quando isso significa enfrentar conflitos, tensionar discursos e assumir escolhas narrativas. Foi com esse espírito que ela construiu sua carreira no audiovisual, iniciada ainda na infância, entre sessões no cinema e experiências no teatro, e consolidada ao longo de uma formação plural que passou por assistência de figurino, assistência de direção, direção de arte e de produção, produção executiva, direção e roteiro, no Brasil e montagem no exterior. Do Recife ao Rio de Janeiro, passando por São Paulo e experiências em Nova York e Chicago, Luci percorreu um caminho pouco linear, marcado por aprendizados práticos e uma relação íntima com o fazer cinematográfico. Ao contrário de trajetórias mais convencionais, a de Luci se deu pela formação acadêmica. Graduada em artes cênicas pela UFPE e especializada em estudos cinematográficos pela Unicap, ela também foi atriz comediante. Essa vivência multifacetada não apenas ampliou seu domínio técnico, mas também moldou uma assinatura autoral baseada na escuta, na observação e na construção de narrativas que partem do afeto, mas não abrem mão do conflito. Essa bagagem se reflete diretamente em seu projeto, O Melhor Documentário do Mundo, uma “documédia” que apresenta com humor, ironia e crítica a chamada “megalomania pernambucana”. O filme parte de um traço cultural reconhecível: a tendência local de afirmar grandezas, seja no “maior em linha reta do mundo”, no “melhor Carnaval” ou na ideia de uma terra única e incomparável. Mais do que reforçar ou negar esse imaginário, Luci se propõe a compreendê-lo, ouvindo artistas, intelectuais e personagens que ajudam a construir essa narrativa coletiva. Ainda em fase de captação, o documentário enfrenta um desafio recorrente no cinema independente brasileiro: a falta de recursos financeiros. Com cerca de 60% do material já captado, o projeto precisou ser interrompido, aguardando novas possibilidades de financiamento para sua conclusão. O impasse, no entanto, não diminui a potência da proposta, ao contrário, reforça a dimensão de resistência que marca tanto a trajetória da diretora quanto o próprio fazer cultural em Pernambuco. A entrevista a seguir foi concedida à jornalista Larissa Aguiar. Como sua trajetória no audiovisual a levou até a realização de O Melhor Documentário do Mundo? Hoje me vejo como uma realizadora que foi construída ao longo do tempo, sem atalhos. Minha relação com o cinema começou ainda na infância, quando eu frequentava salas, como o São Luiz, com meus irmãos. Aquela experiência de assistir a filmes de forma quase ritualística moldou não só o meu olhar, mas também o meu desejo de estar dentro daquele universo. Depois vieram o teatro, a dança, a leitura, tudo isso foi ampliando meu repertório sensível e criativo. Profissionalmente, não entrei no cinema como diretora. Passei por várias áreas: comecei pelo figurino, carregando uma bagagem da minha mãe, que era costureira e, depois, fui para a assistência de direção em que aprendi a estruturar uma produção. Trabalhei no Rio de Janeiro, enfrentei dificuldades, inclusive preconceito por ser nordestina e, mais tarde, tive experiências nos Estados Unidos, especialmente com cinema independente. Essa trajetória me deu uma compreensão completa do fazer cinematográfico. Quando comecei a dirigir, já tinha uma base sólida e esse filme é resultado de tudo isso. O título do filme já carrega ironia e identidade. Como surgiu a ideia de transformar essa “mania” pernambucana de grandeza em um documentário? Não surgiu de forma imediata, foi algo que foi se acumulando dentro de mim ao longo dos anos, quase como uma intuição que vai ganhando forma aos poucos. Sempre convivi com pessoas muito ligadas à cultura, intelectuais, artistas, gente que pensa e produz sobre o mundo e, nas viagens que fazia com eles para outros estados, comecei a perceber como Pernambuco era enxergado de fora. Não era exatamente uma crítica; muitas vezes, era uma admiração curiosa, um certo espanto diante de uma identidade tão afirmativa, como se houvesse ali uma energia própria, difícil de traduzir. Com o tempo, isso passou a me inquietar mais profundamente. Comecei a observar melhor esse comportamento no cotidiano, nas falas mais simples, nas expressões populares, nos discursos mais elaborados. Fui me perguntando de onde vinha essa necessidade tão forte de afirmar grandeza, de se colocar sempre em destaque. Mergulhei em uma pesquisa mais estruturada: comprei livros, revisitei referências históricas, busquei entender os contextos culturais e políticos que ajudaram a moldar esse imaginário. Quando percebi, já tinha material suficiente não só para uma reflexão pessoal, mas para a construção de um filme. O título surgiu quase como uma síntese natural desse processo, ele carrega ironia, mas também carrega verdade. Porque, dentro dessa lógica pernambucana de pensar grande, de se afirmar com intensidade, dizer “O Melhor Documentário do Mundo” não é apenas uma provocação, é também uma forma legítima de traduzir esse espírito. Quais foram as principais descobertas ao longo da investigação? Alguma história ou personagem te surpreendeu especialmente? Uma das coisas que mais me impressionou foi perceber como essas cinco palavras:  “melhor”, “maior”, “mais”, “primeiro” e “único” atravessam praticamente todos os discursos. Não importa se a pessoa é do cinema, da música, da literatura ou das artes plásticas, esses termos aparecem o tempo todo, como se fossem um código compartilhado. Também me chamou atenção a forma como diferentes pessoas lidam com essa ideia. Alguns assumem com orgulho, outros ironizam, outros criticam. Esse conjunto de vozes cria um retrato muito rico e complexo. Não é uma visão única, é um mosaico de percepções, e isso, para mim, é o que dá força ao filme. O documentário aposta no humor. Como equilibrar o tom bem-humorado com uma análise mais profunda?

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Ordem de Servico IFPE Campus Bezerros JOELMA SILVA GECOM PMB 1

IFPE Campus Bezerros marca avanço na educação do Agreste com assinatura de ordem de serviço

Prefeita Lucielle Laurentino formaliza início das obras com investimento de R$ 18 milhões e foco na formação técnica e superior A cidade de Bezerros, no Agreste pernambucano, deu um passo decisivo para o fortalecimento da educação profissional com a assinatura da ordem de serviço para construção do campus do Instituto Federal de Pernambuco. O ato foi formalizado pela prefeita Lucielle Laurentino, ao lado do reitor José Carlos de Sá, em evento que reuniu autoridades, lideranças e a população. A iniciativa integra a expansão da rede federal de ensino e representa um marco para o município. Com investimento de aproximadamente R$ 18 milhões, o novo campus será construído em uma área de mais de 33 mil metros quadrados, no bairro Santo Amaro II. A estrutura contará com salas de aula, laboratórios, biblioteca, auditório e espaços esportivos, consolidando-se como um polo educacional voltado à formação técnica, profissional e superior. A implantação faz parte da 4ª expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, vinculada ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo Federal. Antes mesmo da conclusão das obras, o IFPE iniciará atividades em sede provisória, oferecendo cursos de qualificação profissional a partir de maio, com aulas no período noturno e aos finais de semana. O modelo pedagógico prevê crescimento progressivo, começando com cursos técnicos integrados ao ensino médio e avançando para formações superiores e pós-graduação. Entre os primeiros cursos ofertados estão capacitações nas áreas de energia e mobilidade elétrica, além de planos futuros que incluem engenharia, tecnologia da informação, energias renováveis, marketing e gastronomia. A expectativa é que mais de mil estudantes sejam beneficiados, ampliando o acesso à educação pública de qualidade e alinhada às demandas do mercado regional.

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Capa do livro

UFPE recebe lançamento de livro sobre novos tributos do consumo e reforma tributária

Obra de professores da UFPE e USP aborda IBS, CBS e a transição para o modelo de IVA até 2033 O sistema tributário brasileiro vive um momento de inflexão com a implementação das novas regras sobre o consumo. A regulamentação da Emenda Constitucional nº 132/2023 e da Lei Complementar nº 214/2025 marca o início da transição para o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), considerado um dos principais avanços estruturais da economia nacional nas últimas décadas. Nesse contexto, os professores Eric Castro e Silva e Roberto Quiroga Mosquera lançam o livro Aspectos essenciais do imposto e da contribuição sobre bens e serviços, com o objetivo de esclarecer os fundamentos do novo sistema. O lançamento da obra acontece no próximo dia 17 de abril, às 10h30, na Faculdade de Direito do Recife, como parte da programação do bicentenário da instituição. O evento reúne especialistas e interessados em compreender as mudanças que impactam diretamente empresas, juristas e o ambiente de negócios no país. O livro detalha os pilares do novo modelo tributário, com destaque para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirão gradualmente o sistema atual. Um dos pontos centrais da análise é a adoção da não-cumulatividade ampla e imediata, mecanismo que busca eliminar o chamado “efeito cascata”, historicamente responsável por elevar os custos de produção no Brasil. Com prefácio do ministro do STJ, Luiz Alberto Gurgel de Faria, que define o estudo como uma “ruptura histórica”, a publicação também dialoga com experiências internacionais, como as adotadas no Canadá e na Europa, contribuindo para uma transição segura e eficiente até 2033, prazo estabelecido para a substituição completa dos tributos atuais. ServiçoLançamento do livro Aspectos essenciais do imposto e da contribuição sobre bens e serviçosData: 17 de abrilHorário: 10h30Local: Faculdade de Direito do Recife

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Sebrae promove ação para conectar pequenos negócios a grandes empresas em Pernambuco

Conexões Corporativas reúne setores de panificação e reparação automotiva em encontros com empresas-âncoras no Recife, com foco em qualificação e integração produtiva O Sebrae/PE realiza, nesta quarta-feira (8), no Recife, duas edições do Conexões Corporativas, iniciativa voltada a aproximar micro e pequenas empresas de grandes companhias que atuam como empresas-âncoras em seus segmentos. A ação tem como objetivo fortalecer cadeias produtivas relevantes para a economia pernambucana, ampliando oportunidades de mercado, promovendo troca de conhecimento e contribuindo para a melhoria de processos produtivos. A atividade também marca o lançamento do projeto de Encadeamento Produtivo. A programação contempla dois encontros com recortes setoriais. Às 16h, o foco será o segmento de panificação, reunindo empresários de padarias, casas de bolo e fabricantes de biscoitos em torno da Grande Moinho Cearense. Já às 19h30, o encontro será direcionado ao setor de reparação automotiva, com a participação da Ekko Parts, reunindo proprietários de oficinas, além de serviços de lanternagem, pintura e manutenção automotiva. A proposta é estimular um ambiente de qualificação empresarial, inovação e integração a cadeias de fornecimento mais estruturadas, com impacto direto em setores marcados pela predominância de micro e pequenos negócios. Participam como representantes das empresas-âncora Sebastian Pedro, Gerente Regional PE/PB/RN da Grande Moinho Cearense, e Eriberto Marc, CEO da Ekko Parts. A expectativa é reunir cerca de 80 participantes em cada encontro, entre empresários, executivos de grandes empresas, representantes de instituições empresariais, integrantes do poder público, instituições financeiras, profissionais da imprensa e influenciadores digitais. Os interessados podem comparecer ao local no dia do evento, sem necessidade de inscrição prévia. No estado, os dois segmentos evidenciam relevância econômica e desafios estruturais. O setor de panificação reúne cerca de 10,7 mil empresas ativas em Pernambuco, com predominância de MEIs (61,8%), seguido por microempresas (34,8%) e empresas de pequeno porte (3,4%), com concentração na Região Metropolitana do Recife e presença em polos como Caruaru e Zona da Mata. Já o setor de reparação automotiva conta com aproximadamente 13,5 mil empresas, também majoritariamente compostas por pequenos negócios, com forte presença territorial em diferentes regiões do estado. O projeto de Encadeamento Produtivo busca promover a aproximação entre pequenos negócios e grandes empresas âncoras, criando oportunidades de fornecimento, troca de conhecimento e aprimoramento de processos produtivos. A iniciativa conta com apoio dos sindicatos da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios (Sindirepa) e da Indústria de Panificação e Confeitaria (Sindipão). O Sebrae atua como articulador e executor, oferecendo consultorias, capacitações e soluções voltadas à gestão, inovação e acesso a mercados. “Esperamos que os participantes saiam do encontro com uma compreensão clara sobre o Encadeamento Produtivo e tenham acesso a uma jornada estruturada, voltada ao desenvolvimento dos seus negócios. A proposta é fortalecer a gestão, a inovação e a competitividade das empresas, com o apoio do Sebrae e das empresas âncoras”, destaca Henrique Malaquias, gestor estadual de Indústria do Sebrae/PE. Serviço:Conexões Corporativas – Encadeamento ProdutivoData: 8 de abrilHorários: 16h (Grande Moinho Cearense) e 19h30 (Ekko Parts)Local: Sede do Sebrae/PE – Recife

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Victor Marques prefeito

Victor Marques assume Prefeitura do Recife e promete manter ritmo de obras e investimentos

Novo prefeito destaca continuidade da gestão e anuncia entregas em infraestrutura, habitação e serviços públicos nos próximos meses O engenheiro civil Victor Marques tomou posse como prefeito do Recife nesta segunda-feira (6), em cerimônia realizada na Câmara Municipal. Ele assume o cargo após a renúncia de João Campos, com quem foi eleito vice-prefeito em 2024, em primeiro turno, com 78,11% dos votos válidos, a maior votação da história da capital pernambucana. Em seu discurso, o novo gestor enfatizou a continuidade das ações da administração municipal e a manutenção do ritmo de entregas. “Há cinco anos e um pouco mais de três meses, eu venho dedicando todos os dias da minha vida ao trabalho imenso e apaixonante de ajudar a fazer do Recife um lugar mais justo, digno, desenvolvido e melhor de se viver”, afirmou. Ele também destacou avanços na área de educação, com ampliação de vagas em creches. “Mais do que triplicamos o número de vagas de creche que foram asseguradas em toda história. Batemos recorde, sendo a capital que mais gerou novas vagas em todo Brasil. E vamos seguir em frente porque esse é um compromisso permanente”, disse. Na área de infraestrutura, Victor Marques ressaltou investimentos em obras de redução de risco e urbanização. “O Recife também se tornou a capital brasileira com mais investimentos em obras de morro do país. O nosso compromisso será sempre em fazer o melhor e fazer bem-feito, protegendo mais de 120 mil pessoas que viviam em área de risco”, pontuou. Ele reforçou ainda o modelo de gestão baseado em diálogo. “Não fizemos promessas: firmamos compromissos. O nosso Governo será sempre o da escuta e do diálogo”, destacou. O prefeito também projetou as próximas entregas, com foco em obras estruturadoras e intervenções urbanas. “Já nos próximos meses, vamos entregar obras de grande impacto na vida da cidade, como as urbanizações das comunidades de Roque Santeiro e da UE-40, e das margens do Rio Pina; os reservatórios nas alças da BR-232 e no entorno da Avenida Mascarenhas de Moraes, que vão ajudar a diminuir significativamente os alagamentos”, afirmou. Segundo ele, o cronograma inclui ainda empreendimentos habitacionais, novas creches, equipamentos de saúde e ações de mobilidade. “Vamos seguir avançando, porque o trabalho vai seguir bem-feito. Temos time, temos projetos, temos recursos garantidos e muita capacidade de realizar”, declarou. Formado em engenharia civil pela Universidade de Pernambuco, Victor Marques estava à frente da Secretaria de Infraestrutura do Recife e, entre 2021 e 2024, atuou como chefe de gabinete da Prefeitura, participando da coordenação de ações estratégicas da gestão municipal.

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35 LUCYANA BELTRAO AGO 2025

Bullying – um problema antigo, com desafios cada vez mais atuais

*Por Lucyana Beltrão O bullying não é um fenômeno recente, nem exclusivo desta geração. Ele sempre existiu. Em outras épocas, também havia apelidos, exclusões, humilhações e relações marcadas pelo desrespeito. A diferença é que, hoje, seus efeitos parecem mais profundos, e isso não é por acaso. Vivemos um tempo em que as relações se tornaram mais expostas, mais rápidas e, muitas vezes, mais superficiais. As redes sociais ampliaram o alcance das interações, bem como das violências. O que antes se restringia ao ambiente escolar ou a pequenos grupos, agora ultrapassa fronteiras, invade a casa, atravessa a noite e acompanha crianças e adolescentes em todos os momentos. A comparação ganhou escala, a exposição se tornou permanente e o julgamento, muitas vezes, não encontra pausa. O que antes terminava no portão da escola agora continua no silêncio do quarto, sem intervalo e sem respiro para uma ‘recuperação’, nem que seja momentânea. Esse cenário tem impactos diretos na saúde emocional de crianças e jovens. Sentir-se excluído, ridicularizado ou constantemente avaliado fragiliza vínculos, afeta a construção da identidade e intensifica a sensação de não pertencimento. O bullying, nesse contexto, deixa de ser um episódio isolado e passa a ocupar um lugar contínuo na experiência de vida, com muitas consequências. Diante disso, a família assume um papel ainda mais relevante. A presença, a escuta e o acolhimento tornam-se estruturantes, não apenas como discurso, mas como prática cotidiana. Os valores precisam ser vividos, incorporados nas relações, percebidos nas atitudes mais simples. No entanto, há um descompasso importante entre gerações. Muitos adultos foram criados em uma realidade em que estar em casa significava estar protegido, e repassam isso aos filhos desta geração. Contudo, hoje, essa fronteira deixou de existir. Dentro do próprio quarto, os adolescentes – especialmente eles – podem estar expostos a críticas, comparações e violências silenciosas mediadas por telas. Documentários e séries como ‘O dilema das redes’, ‘13 Reasons why’ (13 razões por quê) e o recentemente lançado ‘Anatomia do post’, mostram o poder que os grupos de adolescentes e as redes sociais têm na vida dos jovens. Isso exige dos pais não apenas cuidado, mas presença ativa, capaz de acompanhar um mundo que já não é o mesmo de antes. É desafiador, mas necessário, imprescindível para um desenvolvimento saudável e um futuro mais equilibrado. Somos profundamente influenciados pela sociedade em que vivemos, e os adolescentes não são diferentes. Eles aprendem observando como os adultos se relacionam, como lidam com diferenças, como reagem ao erro, ao conflito e à frustração. Em uma cultura marcada pela pressa, pelo julgamento e pela baixa escuta, não surpreende que essas mesmas características apareçam nas relações entre os jovens, na forma como se tratam, como veem e dividem o mundo em grupos. O comportamento não surge do vazio; ele é construído nas experiências e nos modelos que são oferecidos a eles diariamente. Nesse contexto, a família é essencial. Conversar, entender que são cérebros em formação, que até os 25 anos ainda estão em pleno desenvolvimento (O cérebro do adolescente, Daniel Siegel) é muito importante para se ter tolerância com os erros deles, e para fazer com que percebam que não importa o tamanho do problema causado, porque é com a família que precisam contar. Esta presença e compreensão também são formas de evitar que sofram ou pratiquem bullying. A escola também ocupa um lugar central, como um dos principais espaços de convivência. É ali que as diferenças se tornam concretas, que o encontro com o outro se impõe e que os conflitos ganham forma. Por isso, seu papel vai muito além do ensino de conteúdos. Precisa se constituir como um espaço intencional de formação de relações, onde o convívio é aprendido, mediado e refletido. Isso implica não reduzir o conflito a um problema a ser eliminado rapidamente, mas compreendê-lo como parte do processo educativo. Implica criar tempo e espaço para a escuta, para a elaboração e para a reparação, sustentando uma presença adulta que orienta sem humilhar e que intervém sem romper vínculos. Reduzir o enfrentamento do bullying a campanhas ou punições, é simplificar um fenômeno que é, essencialmente, relacional. O respeito não se ensina por imposição, mas pela experiência. Ele se constrói no cotidiano, nas pequenas interações, na forma como adultos tratam uns aos outros e como se dirigem às crianças. Não há coerência em exigir empatia em ambientes onde ela não é vivida, nem em cobrar respeito de quem cresce sendo desrespeitado. É preciso também ampliar o olhar sobre os envolvidos. A vítima necessita de acolhimento, proteção e apoio emocional consistente. Mas o agressor não pode ser reduzido a um rótulo. Seu comportamento precisa ser enfrentado com firmeza, mas também compreendido em sua origem, para que possa ser transformado. Punir, isoladamente, não educa; apenas interrompe temporariamente uma manifestação que tende a se repetir sob outras formas. O enfrentamento do bullying exige, portanto, uma responsabilidade compartilhada. Família, escola e sociedade precisam atuar de forma coerente, alinhando discurso e prática. Quando essa coerência existe, não apenas se reduz a incidência de comportamentos agressivos, mas também se fortalece a capacidade de convivência, de escuta e de reconhecimento do outro. No fundo, o bullying não diz apenas sobre crianças e adolescentes. Ele revela a qualidade das relações que estamos construindo e o tipo de convivência que estamos legitimando. Mais do que eliminar um comportamento, trata-se de formar sujeitos capazes de viver com as diferenças sem transformá-las em ameaça. É nesse ponto que a educação, em casa, na escola e na sociedade, deixa de ser apenas transmissão e passa a ser, de fato, formação humana. *Lucyana Beltrão é neuropsicóloga, especialista em educação infantil e supervisora pedagógica da Escola Vila Aprendiz

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Chuvas intensas colocam Recife em alerta e afetam serviços públicos

Prefeitura suspende aulas e atividades não essenciais após acumulado de até 70 mm em poucas horas O Centro de Operações do Recife (COP) informou que o Recife entrou em estágio de alerta às 5h desta terça-feira (7), em razão das fortes chuvas que atingem a capital. O nível indica impacto direto na rotina urbana, com alterações provocadas pela situação meteorológica. Diante do cenário, a Prefeitura do Recife suspendeu as aulas na rede municipal de ensino e os serviços não essenciais no período da manhã. A orientação é que a população evite deslocamentos pela cidade, reduzindo a exposição a áreas de risco e possíveis transtornos. Nas últimas 12 horas, foram registrados acumulados de até 70 mm de chuva em alguns pontos, com maior intensidade concentrada em um intervalo de seis horas. Moradores de áreas vulneráveis devem buscar locais seguros e podem acionar a Defesa Civil do Recife pelos telefones 0800.081.3400 e 3036-4873. Serviço📞 Defesa Civil do Recife: 0800.081.3400 / 3036-4873

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Pé-de-Meia reduz abandono escolar em Pernambuco em 50% em dois anos

Programa federal alcança mais de 366 mil estudantes no estado e contribui para queda nas reprovações e no atraso escolar Após dois anos de implementação, o programa Pé-de-Meia apresenta resultados expressivos em Pernambuco, com a redução de 50% na taxa de abandono escolar no ensino médio da rede pública. O índice caiu de 1,6%, em 2022, para 0,8% em 2024, evidenciando o impacto do incentivo financeiro na permanência dos jovens nas salas de aula. Ao todo, 366.435 estudantes pernambucanos foram beneficiados, o equivalente a mais de 73% dos alunos do ensino médio da rede pública estadual. Além da diminuição do abandono, os dados indicam melhora no desempenho educacional: a taxa de reprovação caiu 38% no mesmo período, enquanto o atraso escolar (distorção idade-série) teve redução de 17% entre 2022 e 2025. O perfil dos participantes reforça o caráter social do programa, voltado a estudantes de famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com renda de até meio salário mínimo por pessoa. Em Pernambuco, 51,4% dos beneficiários são meninas e 75% são negros, entre pretos e pardos. Também foram contemplados 4.075 estudantes indígenas desde o início da iniciativa. Os estudantes recebem R$ 200 mensais mediante comprovação de frequência escolar e R$ 1.000 ao final de cada ano concluído com aprovação, além de um bônus para quem participa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no último ano. Enquanto o valor mensal pode ser utilizado no dia a dia, o incentivo anual é depositado em poupança e só pode ser sacado após a conclusão do ensino médio, como forma de estimular a continuidade dos estudos. Em todo o Brasil, o programa já alcançou 5,6 milhões de estudantes, com investimento total de R$ 18,6 bilhões. No período, a taxa de abandono escolar no país foi reduzida em 43%, consolidando o Pé-de-Meia como uma das principais estratégias para ampliar o acesso, a permanência e a conclusão do ensino médio público.

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Seminário internacional no Recife debate clima, governança e sistemas alimentares na América Latina

Evento da Plataforma Semiáridos reúne especialistas, organizações e governos para discutir soluções diante da crise climática A Plataforma Semiáridos da América Latina promove, no dia 8 de abril, no Recife, o seminário “América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança”. Realizado em parceria com o Centro Sabiá, o encontro busca ampliar o debate sobre os desafios enfrentados nas regiões semiáridas e destacar respostas construídas a partir dos próprios territórios, com foco em sistemas alimentares, autonomia e governança. A iniciativa reúne mais de 40 representantes de territórios indígenas, comunidades camponesas, organizações da sociedade civil, governos subnacionais e redes latino-americanas. Ao longo da manhã, serão realizados dois painéis de discussão com o objetivo de compartilhar experiências e construir caminhos frente à emergência climática, conectando diferentes realidades da América Latina. O primeiro painel, “Sistemas alimentares e crise climática”, propõe refletir sobre os impactos das mudanças climáticas na produção de alimentos e destacar estratégias de resiliência desenvolvidas por comunidades locais. Já o segundo, “Autonomia territorial, incidência e governança”, abordará o fortalecimento de capacidades políticas e arranjos institucionais em contextos marcados por desigualdade, conflitos e instabilidade climática, ressaltando o papel de estados e municípios na formulação de políticas públicas mais eficazes. A Plataforma Semiáridos é uma articulação que reúne mais de quinze organizações em dez países latino-americanos com regiões semiáridas. A iniciativa busca sistematizar experiências, fortalecer a sociedade civil e influenciar políticas públicas relacionadas ao uso e à gestão dos territórios, com foco nas demandas de povos indígenas e comunidades rurais. Para Carlos Magno Morais, coordenador do Centro Sabiá, o encontro também antecipa debates estratégicos para os próximos meses. “Ele nos prepara para a Caatinga Climate Week, que acontecerá em julho, em Caruaru, e que vem se consolidando como um espaço fundamental para posicionar a Caatinga no centro do debate climático global. Mas, antes disso, Recife cumpre aqui uma função essencial: a de escuta das vozes dos semiáridos da América Latina, que historicamente foram tratadas como zonas de sacrifício, mas que hoje se afirmam como territórios de soluções”, pontua Morais. Ele acrescenta: “Ao mesmo tempo, este encontro nos convida a refletir sobre os rumos políticos da região. Vivemos um contexto de profundas transformações, e as decisões políticas, ou a ausência delas, têm impacto direto sobre a vida das pessoas. Estudos internacionais já indicam que milhões de pessoas na América Latina poderão ser forçadas a migrar até 2050 por conta das mudanças climáticas, cenário que tende a se agravar na ausência de políticas públicas consistentes ou quando caminham na direção contrária. Por isso, mais do que um espaço de debate, este é um espaço de afirmação: a adaptação climática passa necessariamente pelos territórios, pela valorização dos seus conhecimentos e pela construção de políticas que estejam à altura dos desafios já postos”, finaliza Carlos. Serviço Seminário “América Latina desde os Territórios: clima, sistemas alimentares e governança”Data: 08 de abrilHorário: 8h30 às 13hLocal: R. São Gonçalo, 118 – Boa Vista, Recife – PE

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“O setor de moda vem enfrentando uma tempestade perfeita.”

O ano de 2025 foi difícil para o Polo de Confecções do Agreste que amargou queda nas vendas, segundo o integrante do Conselho Consultivo da CDL de Santa Cruz do Capibaribe. Mas o empresário afirma que o setor reage com a entrada em marketplaces, como Shopee e Mercado Livre, marcando uma transição não só do físico para o digital mas, também, do atacado para o varejo online. Em um cenário marcado por instabilidade econômica, pressão internacional e mudanças profundas no comportamento do consumidor, o Polo de Confecções do Agreste pernambucano atravessou 2025 sob tensão mas, também, revelou sinais claros de reinvenção. Trata-se de um ambiente desafiador, em que fatores macroeconômicos e transformações globais impactam diretamente o cotidiano de milhares de empreendedores. Ainda assim, o polo demonstra resiliência ao buscar alternativas para se manter competitivo em meio a um mercado cada vez mais exigente e dinâmico. O diagnóstico é de Bruno Bezerra, empreendedor e integrante do Conselho Consultivo da CDL de Santa Cruz do Capibaribe, que acompanha de perto os movimentos de um dos setores mais relevantes da economia regional. Em entrevista concedida à jornalista Larissa Aguiar, Bezerra traça um panorama detalhado do desempenho recente do polo, apontando a queda nas vendas como um dos principais sinais de alerta. Ele também chama atenção para desafios estruturais históricos que persistem e para um ambiente competitivo cada vez mais complexo, marcado pela presença de produtos importados e pela transformação dos canais de consumo. Ainda assim, o empresário destaca a capacidade adaptativa dos empreendedores locais, uma característica que, segundo ele, tem sido fundamental para garantir não apenas a sobrevivência mas, também, a contínua transformação do setor ao longo dos anos. Essa capacidade de adaptação se manifesta de diferentes formas, seja na busca por novos mercados, na incorporação de tecnologias ou na reformulação de modelos de negócio. O polo, que historicamente se destacou pela força do atacado, passa agora a dialogar com novas possibilidades, especialmente no ambiente digital. Esse movimento exige não apenas investimentos mas, também, uma mudança de mentalidade em que inovação deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade constante para acompanhar as exigências do consumidor contemporâneo. Como o senhor avalia o desempenho do setor de confecções em Santa Cruz do Capibaribe e no Agreste pernambucano ao longo de 2025?  O ano de 2025 foi muito difícil para o setor têxtil e de confecções no Brasil inteiro. No Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco não foi diferente. Fiz um levantamento com 200 empresas nos meses da alta temporada de fim de ano e 7 em cada 10 relataram que venderam menos em 2025 em relação ao mesmo período de 2024. O setor de moda vem enfrentando uma verdadeira tempestade perfeita, que drena o caixa dos varejistas e, consequentemente, impacta fabricantes e atacadistas. Além da concorrência desleal das roupas chinesas, há também uma economia desaquecida, pressão inflacionária e renda estagnada, fatores que fazem com que roupas e acessórios percam prioridade no consumo. Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias ultrapassa o patamar de 78%, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Esse cenário é agravado ainda pela proliferação das apostas online, que vêm funcionando como um ralo financeiro. Em 2025, o brasileiro gastou, em média, R$ 164 por mês com esse tipo de aposta. Segundo dados do Banco Central, os gastos com apostas online chegam a cerca de R$ 30 bilhões por mês no Brasil. Esse dinheiro deixa de circular na economia real, especialmente no comércio popular. Houve crescimento real no faturamento e na produção ou o setor ainda enfrenta instabilidade pós-pandemia e oscilações econômicas recentes? No levantamento que realizei com uma amostra de 200 empresas, durante os meses da alta temporada de fim de ano, os dados revelam um cenário de retração no setor. Cerca de 7 em cada 10 empresas relataram que venderam menos em 2025 quando comparado ao mesmo período de 2024, o que evidencia uma queda significativa no desempenho geral do polo nesse intervalo. Esse resultado indica que, apesar de alguns sinais pontuais de reação, o setor ainda enfrenta instabilidade, reflexo das oscilações econômicas recentes e dos impactos que se prolongaram no pós-pandemia. Ao mesmo tempo, há uma parcela menor de empresas que conseguiu crescer: 2 em cada 10 afirmaram ter vendido mais, demonstrando que, mesmo em um cenário adverso, existem nichos ou estratégias que conseguem gerar resultados positivos. Por fim, apenas 1 em cada 10 empresas manteve o mesmo nível de vendas do ano anterior, o que reforça a percepção de um ambiente econômico desafiador e pouco estável. Esses números mostram que o setor ainda não alcançou uma recuperação consistente e segue operando sob incertezas, exigindo dos empresários maior capacidade de adaptação e planejamento diante das variações do mercado. Quais segmentos dentro do Polo de Confecções apresentaram melhor desempenho no último ano e por quê? O segmento fitness cresceu de forma expressiva no Polo de Confecções do Agreste, especialmente em Santa Cruz do Capibaribe, consolidando-se como um dos destaques recentes dentro da produção local. Esse avanço não se limita apenas ao aumento do número de empresas atuando nesse nicho, mas também se reflete na diversificação das marcas e na ampliação da presença desse tipo de produto no mercado nacional. Além da expansão quantitativa, houve também uma evolução significativa na qualidade das peças produzidas. As empresas passaram a investir mais em tecnologia têxtil, acabamento e design, buscando atender a um consumidor cada vez mais exigente. Esse aprimoramento contribuiu para fortalecer a competitividade do segmento, permitindo que os produtos do polo alcancem novos mercados e ampliem sua aceitação. Esse movimento é resultado direto da reinvenção da moda fitness que, nos últimos anos, incorporou elementos da moda casual. As peças deixaram de ser pensadas exclusivamente para a prática de atividades físicas e passaram a dialogar com tendências de estilo, comportamento e identidade, acompanhando mudanças no modo de vestir da sociedade contemporânea. Com isso, a moda fitness deixou de ser uma roupa restrita às academias e passou a ocupar um espaço mais amplo

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