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“Novos ciclos de investimentos com grandes empresas serão divulgados em breve”

André Teixeira Filho, presidente da Adepe, explica as ações da agência para desenvolver o Estado, como os incentivos aos arranjos produtivos locais, fala dos gargalos na infraestrutura logística e no abastecimento hídrico, e afirma estar otimista com a perspectiva de aportes de players industriais em Pernambuco. Passado o imbróglio mais tenso da Reforma Tributária, em especial nas questões relativas aos incentivos fiscais, o presidente da Adepe (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco) André Teixeira Filho está otimista com a chegada de novos investimentos ao Estado. Ele reconhece que existem gargalos de infraestrutura porém afirma que já estão sendo enfrentados pelo governo, como a condição das estradas. “A governadora vem anunciando rodovias que estão sendo revitalizadas ou duplicadas, como a BR-232 e a BR-104”, ressalta. Natural de Caruaru, onde foi secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Economia Criativa, ele também conhece de perto os problemas de abastecimento de água em Pernambuco. Uma situação corroborada, segundo ele, pelas dificuldades financeiras da Compesa. Nesta entrevista a Cláudia Santos, ele fala da perspectiva de reestruturar a empresa com um empréstimo de R$ 1,1 bilhão (já aprovado pelo Senado) e da possibilidade de uma parceria público-privada. Também informa sobre as ações da agência para incentivar os arranjos produtivos locais e dos planos de estimular o audiovisual no Estado. Quais são os planos da sua gestão à frente da Adepe e como as mudanças na Reforma Tributária impactaram o trabalho da agência que atua com incentivos fiscais para atrair investimentos? Um dos grandes pontos da nossa gestão é a atração de investimentos. Minha gestão iniciou em março de 2023, no acaloramento da Reforma Tributária, que impacta na chegada de novas indústrias e de ciclos de investimentos. Ou seja, um cenário de insegurança no Brasil em que muitas empresas não conseguem investir sem saber o que vai acontecer. Isso dificulta a tomada de decisão. Ainda assim, conseguimos fechar novas atrações de investi mento das empresas Solar Coca-Cola e Ball. Somando as duas, temos quase R$ 700 milhões de novos investimentos. Também teremos um novo ciclo de investimentos da Stellantis, com R$ 13 bilhões. A atração de investimentos é um processo capitaneado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Quando houve uma decisão em torno da Reforma Tributária, conseguimos destravar algumas negociações, que já estão em curso, com grandes fábricas. Isso vem sendo possível porque a governadora do Estado Raquel Lyra brigou pela reforma e pelo novo ciclo de incentivo fiscal das empresas automotivas que saíram de Pernambuco. Depois de tudo isso, eu vejo novos ciclos de investimentos com grandes empresas que serão divulgados em breve. A logística e a infraestrutura são gargalos na atração de investimentos. O que vem sendo feito, neste sentido? Para haver investimentos, é preciso ter estradas boas e uma boa logística. A governadora vem anunciando rodovias que es tão sendo revitalizadas ou duplicadas, como a BR-232 e a BR-104. Estamos fazendo investimento em pouco mais de R$ 2 bilhões para melhorar as estradas e trazer novas indústrias, pois sem es trada não existe logística. E, quando falamos da PE-60, falamos também da Solar que está sediada em Suape e se comprometeu a investir, sabendo que a gente vai fazer um grande investimento entre R$ 60 e R$ 80 mi lhões na estrada. Recentemente conseguimos, junto ao Governo Federal, mais de R$ 100 milhões para melhorar a dragagem inter na do Porto de Suape e conseguir receber navios maiores. Isso vai facilitar que novas rotas cheguem aqui. Eu estou extremamente animado para os próximos anos no Estado. Além das obras de infraestrutura feitas pelo governo para viabilizar melhorias logísticas, a própria Adepe realiza obras para apoiar a implantação de empreendimentos. A agência conduz a aplicação de R$ 52 milhões em obras de requalificação de distritos industriais, mercados públicos e centros comerciais em 13 cidades com o objetivo de proporcionar infraestrutura adequada para operação de empreendimentos em todo Estado. Entre os municípios beneficiados estão Exu, Vitória de Santo Antão, Escada, Canhotinho, Pesqueira, São Bento do Una, Lagoa Grande, Abreu e Lima, Caruaru e Taquaritinga do Norte. Outro fator de impacto na infraestrutura é o abastecimento de água. Como está essa questão, principalmente no interior? A situação da Compesa é que (salvo engano, na ordem de grandeza) a governadora já teve que colocar do caixa do Estado de R$ 300 a R$ 400 milhões só para manutenção da empresa. Não é investimento. Estamos fazendo uma reestruturação e, agora, para investimento estamos fazendo um empréstimo de R$ 1,1 bilhões para que a Compesa consiga prometer e entregar muita coisa que estava no papel há décadas. É o caso da Adutora do Agreste. A gente conseguiu também muita coisa com pequenos investimentos. Tanto a governadora quanto eu somos do Agreste de Pernambuco que é a região que tem mais gente e menos água no Brasil, nascemos com falta de água. Então, uma das cinco principais propostas da governadora é levar água para o Estado como um todo, começando com água encanada nas casas das pessoas. Por isso está se pensando o que fazer com a Compesa daqui para frente, ela tem que ser autossustentável e tem que voltar a fazer investimento em Pernambuco. Qual seria esse futuro? Está em vista a privatização da Compesa, como vem acontecendo na Sabesp? Não. Privatização a governadora já disse que não faz, mas ela está aberta a parcerias público-privadas. Uma concessão é uma parceria e, com ela, abre-se um novo ciclo de investimento. Então a gente está organizando a casa para que a conta seja de investimento e não de manutenção. O pagamento da dívida passada é obrigação do Estado, mas investimentos futuros podem ser feitos por meio de uma parceria com o setor privado. Em relação ao Polo de Confecções, que apesar de sua pujança, enfrenta ainda dois grandes gargalos: a informalidade e o uso de práticas que danificam o meio ambiente. Como a Adepe tem atuado nessas duas áreas? A gente vem trabalhando primeiro com capacitação e qualificação do Polo de Confecções. Rodamos agora uma qualificação para ajudá-los a exportar. Ou

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Fernando de Noronha aposta no mergulho e convida turistas a desvendar a fauna marinha

Famoso por suas praias paradisíacas, pousadas de alto padrão e restaurantes premiados entre os melhores do Brasil, o Arquipélago de Fernando de Noronha também é uma referência para os amantes do mergulho. Com uma rica biodiversidade marinha e cenários subaquáticos deslumbrantes, Noronha oferece oportunidades de mergulho durante todo o ano, de janeiro a dezembro. Para aqueles que desejam explorar esse universo aquático, é importante entender uma particularidade: dependendo da época do ano em que visitarem a região, o mergulho será realizado em diferentes áreas do mar. De junho a novembro, os mergulhos ocorrem no mar de dentro, entre a ilha e o continente brasileiro, enquanto de dezembro a maio, ocorrem no mar de fora, na parte oposta ao continente. Independentemente da região, a experiência promete ser única. Noronha possui uma das maiores diversidades de pontos de mergulho do mundo, que incluem cavernas, grutas, recifes de corais, paredões e naufrágios, cada um oferecendo suas próprias surpresas e belezas subaquáticas. De acordo com Murilo Del Vechio, da equipe da empresa de receptivo Noronha Tour, o melhor ponto de mergulho é aquele onde o praticante se sinta confortável,  seguro e inserido em um ambiente natural e diverso. “Importante sempre mergulhar com segurança dentro dos limites físicos e de treinamento. Em Fernando de Noronha, há regras específicas da Unidade de Conservação (Parnamar/FN) que devem ser seguidas, como a proibição do toque, coleta ou perseguição dos animais marinhos”, lembra o especialista. Com o suporte de profissionais qualificados, o mergulho é uma atividade segura e inclusiva, podendo ser desfrutada por pessoas com deficiência, desde que não haja contraindicações médicas. Além disso, não há limite de idade. Geralmente, crianças a partir dos oito anos já podem realizar o mergulho de batismo, que é conduzido por um instrutor de maneira individual. Muito popular em Fernando de Noronha, o mergulho de batismo proporciona uma introdução à experiência subaquática. Nessa modalidade, os participantes alcançam uma profundidade máxima de até 12 metros, com duração aproximada de meia hora. Segundo a presidente da Associação das Pousadas de Fernando de Noronha (APFN), Lúcia Smith, há várias experiências positivas que as pessoas que mergulham em Noronha costumam relatar. “A Ilha já ganhou noticiário internacional até mesmo por causa de pedidos de casamento embaixo d’água. Mas, sem dúvida, alguns dos maiores benefícios da atividade são entrar em contato com a natureza, observar a fauna marinha, ter uma maior consciência ambiental, além de aspectos psicológicos como a superação do medo, a euforia de viver uma nova experiência e o autoconhecimento”, atesta. Durante a estadia em Fernando de Noronha, também é possível obter a certificação em mergulho. Essa certificação é obtida após a conclusão de um curso completo, seguindo todas as etapas do treinamento. Com essa certificação, o mergulhador torna-se apto a realizar imersões em qualquer lugar do mundo, desde que respeite os limites do treinamento recebido. Além do mergulho com cilindro, a incrível transparência das águas de Noronha, classificadas como algumas das melhores do mundo, permite a observação de uma variedade de animais marinhos apenas com o uso do snorkel. As praias mais recomendadas para essa experiência são a Praia do Porto, a Baía do Sancho e a Baía dos Porcos. Iago Dino, também da equipe da Noronha Tour, reafirma que não há nenhum momento específico do ano que impossibilite a prática dos mergulhos. “Dá para mergulhar o ano todo, porém, por se tratar de uma ilha oceânica, há variações das condições do mar que podem adiar a saída ou entrada de embarcações na área do porto”, finaliza.

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Pesquisa comprova que mulheres sofrem mais que homens no ambiente de trabalho

Um levantamento Zenklub/Conexa revelou que a saúde mental das colaboradoras está pior que a dos colaboradores no ambiente do trabalho. A apuração ocorreu por meio do Índice de Bem-Estar Corporativo (IBC), que considera diversos fatores para avaliar a saúde mental no mundo corporativo. Exaustão, relacionamento com líderes e autonomia e participação tiveram a maior diferenciação entre os gêneros, com as mulheres registrando pior pontuação. As pacientes da plataforma tiveram um IBC de 63,9, frente a 68,1 dos homens. O índice, que vai de uma escala de 0 a 100, considera que 78 pontos é o mínimo para que um ambiente de trabalho seja considerado saudável. Considerando os fatores separadamente, as mulheres registraram 8,9 pontos percentuais (p.p) de diferença para os homens em relação à exaustão; 4,2 (p.p) no que diz respeito ao relacionamento com líderes; e 4,6 (p.p) em autonomia e participação. “Tem uma série de fatores estruturais comportamentais da sociedade que corroboram para que os índices de saúde mental das mulheres sejam piores que os dos homens, como a tripla jornada de trabalho (emprego, casa e filhos), cobrança por padrões estéticos, falta de equidade de gênero e ocorrências de assédio no ambiente de trabalho”, afirma Maria Barreto, vice-presidente Comercial da Conexa. Para chegar aos números, a plataforma contou com a participação de mais de 13 mil mulheres, que responderam uma avaliação que considera nove dimensões diferentes: conflitos e situações abusivas, preocupação constante com o trabalho, desconexão do trabalho, autonomia e participação, exaustão, volume de demanda, relacionamento com líder, relacionamento com colegas e clareza das responsabilidades. Em 2023, as mulheres foram responsáveis por cerca de 64% do total das sessões de terapia realizadas pelo Zenklub. Entre as motivações, destacam-se o autoconhecimento (16%), ansiedade (13%), problemas em relacionamentos amorosos (7%), conflitos familiares (7%) e autoestima (4%). Os homens possuem motivações semelhantes, mas representam apenas 34% das sessões. “Ver que as mulheres procuram mais por terapia mostra que a busca por ajuda profissional é cada vez menos vista como um tabu”, diz Maria. Segundo dados da plataforma de consultas, cerca de 50% das mulheres que são atendidas possuem algum grau de má condição de saúde mental, em uma escala entre levemente doente, limítrofe para a doença mental, moderadamente doente, marcadamente doente, gravemente doente e doença mental extremamente grave. Conexa e Zenklub se uniram recentemente para se consolidarem no mercado como a maior empresa digital de saúde da América Latina. As startups têm estudos e pesquisas com o intuito de identificar questões ligadas à saúde do corpo e da mente. A Conexa cuida do paciente de maneira integrada.

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Edital Caatinga disponibiliza R$ 16 milhões para plantio de espécies nativas

O Edital Caatinga, que destinará R$ 16 milhões para o plantio de 500 mil mudas de espécies nativas da caatinga, já está disponível para consulta pública no portal da Agência Estadual de Meio Ambiente – CPRH. O documento foi publicado na edição de quarta-feira, 1° de maio, do Diário Oficial do Estado (DOE). Podem participar do edital as organizações da sociedade civil (OSC), individualmente ou em rede, bem como associações e fundações de direito privado, sem fins econômicos, que realizem ações voltadas ao meio ambiente e atendam aos requisitos estabelecidos no Decreto Estadual 44.474/2017. É necessário também comprovar experiência em recuperação ambiental e reflorestamento. As organizações têm até o dia 9 deste mês para enviar questionamentos sobre o edital, e a entrega da documentação e das propostas deve ser feita até o final de maio, por meio do e-mail protocolovirtual@cprh.pe.gov.br. O resultado final está previsto para ser publicado em 19 de agosto, e a assinatura do Termo de Fomento está marcada para 26 de agosto. O cronograma detalhado pode ser consultado no edital de chamamento público 01/2024. Os recursos, provenientes do Fundo de Compensação Ambiental vinculado à CPRH, serão utilizados para regenerar cerca de 300 hectares de áreas degradadas localizadas em Unidades de Conservação ou suas respectivas Zonas de Amortecimento, no semiárido pernambucano, incluindo aquelas utilizadas na agricultura familiar, em sistemas agroflorestais. As organizações selecionadas pelo Edital Caatinga serão responsáveis pela primeira fase do programa. Uma das exigências do edital é a participação de mão-de-obra local nas regiões que receberão o processo de reflorestamento, bem como o monitoramento do plantio. Além disso, o edital propõe a implementação de estratégias de sensibilização e mobilização para garantir o envolvimento efetivo dos proprietários de terras. O Edital Caatinga faz parte do programa Plantar Juntos, que visa o reflorestamento de Pernambuco, com a meta de plantar quatro milhões de mudas florestais de espécies nativas dos biomas do estado até 2026. Para acessar o Edital Caatinga, clique aqui: Link do Edital , Ana Luiza Ferreira, secretária de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha de Pernambuco (Semas-PE) “Esta é a primeira de diversas outras iniciativas que lançaremos este ano em Pernambuco para regenerar florestas e garantir uma melhor qualidade de vida dos pernambucanos, especialmente daqueles que dependem diretamente dos recursos que o meio ambiente oferece. Estudos indicam que a caatinga será um dos biomas mais atingidos pelas mudanças climáticas, se nada for feito. E esse é um dos instrumentos para chegarmos à justiça social e climática que desejamos”.

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Seca fica mais branda no Nordeste segundo última atualização do Monitor de Secas

(Do Monitor das Secas) Na comparação entre fevereiro e março, em termos de severidade da seca, houve um abrandamento do fenômeno em seis dos nove estados nordestinos: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Já em Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe o fenômeno se manteve com severidade estável nesse período. O quadro geral da região em março se configura como a situação mais branda de seca no Nordeste desde agosto de 2023. Em termos de áreas com seca, o Nordeste teve uma redução significativa da área total com seca de 83% para 55% entre fevereiro e março, o que representa o menor percentual de área com o fenômeno entre todas as regiões do Brasil. Essa diminuição foi resultado da queda das áreas com seca em todos os nove estados nordestinos em março. A seguir estão os destaques por estado da região Nordeste. Cenário nacional Entre fevereiro e março, em termos de severidade da seca, houve um abrandamento do fenômeno em 11 unidades da Federação, conforme a última atualização do Monitor de Secas: Acre, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rondônia. Já em outros seis estados a seca se intensificou nesse período: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Roraima, São Paulo e Tocantins. Em termos de severidade, a seca ficou estável em sete unidades da Federação: Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Sergipe. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina não houve registro do fenômeno, que deixou de ser verificado no Rio de Janeiro. Na comparação entre fevereiro e março, quatro estados registraram o aumento da área com seca: Amapá, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Em 13 unidades da Federação houve uma diminuição da extensão da seca: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Em outras sete unidades da Federação, a área com o fenômeno se manteve estável: Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Tocantins. Já o Rio Grande do Sul e Santa Catarina seguiram livres de seca em março, mês em que o Rio de Janeiro deixou de registrar o fenômeno. Cinco unidades da Federação registraram seca em 100% do território em fevereiro deste ano: Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Tocantins. Para percentuais acima de 99% considera-se a totalidade dos territórios com seca. Nas demais unidades da Federação que registraram área com seca, os percentuais variaram de 1% a 89%. Com base no território de cada unidade da Federação acompanhada, o Amazonas lidera a área total com seca de março, seguido por Pará, Mato Grosso, Bahia e Minas Gerais. No total, entre fevereiro e março, a área com o fenômeno caiu de 6,84 milhões para 6,41 milhões de km², o equivalente a 75% do território brasileiro.

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9º Recife Coffee começa neste sábado (04), com o Café na Rua, no Recife Antigo

Evento bate recorde em número de cafeterias participantes estima receber 200 mil pessoas neste ano. Foto: Filipe Ramos A nona edição do Recife Coffee, promovida pela Associação de Cafeterias de Especialidades de Pernambuco (ASCAPE), está programada para acontecer de 05 de maio a 09 de junho, contando com a participação de 40 cafeterias distribuídas pelo Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Taquaritinga do Norte e Gravatá. O evento de abertura, conhecido como Café na Rua, ocorrerá um dia antes, no sábado (04/05), das 9h às 17h, na Av. Rio Branco, Recife Antigo, oferecendo degustação gratuita de cafés, feira, palestras, shows e atividades culturais. Durante o período do festival de cafés especiais, cada cafeteria participante apresentará uma sugestão do barista, composta por café, salgado e sobremesa, ao preço de R$ 41,90. As opções oferecidas durante o Recife Coffee atendem a diversos gostos, incluindo opções vegetarianas, funcionais e tanto bebidas geladas quanto quentes. De acordo com a organização do evento, além de impulsionar o setor de cafeterias especializadas no estado, a proposta é difundir a cultura dos cafés especiais para um público mais amplo. “A ideia é ampliar o alcance, ‘furando a bolha’ e levando o universo do café especial para todos”, diz a barista e empreendedora Ane Wink, vice-presidente da ASCAPE. Neste ano, o Recife Coffee registra recorde de cafeterias participantes, contabilizando 40 estabelecimentos da Região metropolitana e interior.  Do Recife, participam das cafeterias: 81 Coffee Co., A Vida é Bela Café, Aurora Café, Borsoi Café, Café com dengo, Café do Brejo, Café Mais Prosa, Casa Mendez, Castigliani, Celeste Café, Coffee Cube (Jaqueira e Torre), Elã Cafés Especiais, Emê Cafeteria e Bistrô, Ernest Café e Bistrô, Furdunço Café e Bistrô, Grão Cheff, Kaffe (Espinheiro e Boa Viagem), La Fuent, Livraria da Praça, O melhor cantinho da cidade, Palasti (Aurora e Ilha do Leite), Pingo Café e Arte, Por Enquanto Café, Pure Cafés Especiais, Santa Clara (Graças e Parnamirim) e Versado Café (Boa Viagem, Derby e Graças). Além da capital pernambucana, entram no circuito cafeterias de Olinda, com a participação do Zoco Café, Xêro Café e Arte, Cafeliê e Olinda Café; Jaboatão dos Guararapes, com o Fridda Café e Nouve Café; Taquaritinga do Norte, representada pela Takwary; e Gravatá, que estreia no festival, contando com a presença d’Arte Café e Cozinha.  Segundo o presidente da ASCAPE, Daniel Oliveira, o já tradicional festival se tornou um importante evento para impulsionar o setor de cafeteriasde especialidades no Recife e demais cidades participantes. “O Recife Coffee, além de ter como objetivo divulgar o café especial, é também uma oportunidade da cafeteria se tornar mais conhecida e aumentar sua a receita, consequentemente”, explica Daniel. De acordo com o presidente da ASCAPE, o festival vem crescendo, não só em números de cafeterias participantes, mas também na qualidade das “sugestões dos baristas”, uma preocupação das próprias cafeterias com a melhoria do que está sendo entregue para os clientes. A organização espera que mais de 200.000 pessoas visitem as cafeterias durante o período oficial do festival, com um aumento projetado de 15% em relação ao ano anterior. “Observamos um crescimento de cafeterias que vêm trabalhando com cafés especiais. Isso é ótimo, pois tem espaço no mercado para que todos possam trabalhar, trazendo mais experiência de café especial para os clientes. E estamos otimistas para este ano, com uma expectativa de crescimento do setor em Pernambuco de 10%, em relação ao ano passado. Além disso, somente no Recife, no último ano, passamos de sete torrefações para 12, um outro indicador que o mercado de cafés especiais vem crescendo no estado”, completa o presidente da ASCAPE, Daniel Oliveira. 

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Capacitação profissional para a consolidação dos negócios

Empregadores criam universidades corporativas e programas de desenvolvimento de liderança para aprimorar habilidades dos colaboradores À medida que as organizações reconhecem a necessidade de um aprendizado contínuo e personalizado para seus colaboradores, o treinamento corporativo e qualificação profissional se consolidam nos mais diversos setores empresariais como um diferencial sobre a concorrência. Com o objetivo de garantir a continuidade operacional, impulsionar a produtividade e a satisfação dos clientes, além de promover um ambiente de trabalho estável, as empresas pernambucanas têm se debruçado sobre projetos que, além de abrirem um leque de oportunidades de crescimento para as equipes, também asseguram uma força de trabalho mais preparada para os desafios. Diferenciando-se das instituições de ensino convencionais, as universidades corporativas desenvolvem programas e cursos personalizados, alinhados aos objetivos, desafios e cultura específica de cada empresa. Segundo um relatório recente divulgado pelo LinkedIn, intitulado “Aprendizagem no Local de Trabalho”, 93% das empresas demonstram preocupação com a retenção de talentos. Além disso, a pesquisa indica que a adoção de atividades proativas contribui para a construção de uma cultura organizacional sólida e para a identificação de novos talentos em mercados cada vez mais competitivos. Teoria x prática“Essa crescente percepção empresarial mostra claramente a necessidade de uma troca maior com o mundo acadêmico. E o mundo acadêmico precisa estar mais conectado ao mercado de trabalho. A experiência teórica precisa se complementar com as necessidades práticas de cada perfil de negócio”, analisa Gustavo Delgado, coordenador dos cursos de gestão da UniFBV. Para preencher esta lacuna, Gustavo está em constante contato com empresas que buscam apoio para a execução de iniciativas focadas na qualificação customizada, de acordo com as necessidades de cada segmento, levando as empresas para dentro da universidade. Um dos caminhos para isto é a criação de grades específicas para o nicho das que buscam por orientação. “Junto a isso, alunos de cursos que se encaixem nos temas abordados participam e enriquecem seus conhecimentos. A ideia é gerar um ambiente de troca. O fato inegável é que a teoria fica muito aquém da prática e as empresas acabam tendo que preencher esta lacuna”, avalia o coordenador. MotivaçãoA proposta é clara: a capacitação personalizada fortalece a cultura empresarial, que gera funcionários engajados e motivados. Um exemplo de sucesso desta prática é da Locar Gestão de Resíduos, grupo com mais de quatro mil colaboradores, sediado em Recife e com filiais em diversas cidades do país e na Bolívia. A empresa lançou a sua Universidade Corporativa em dezembro, com o objetivo de capacitar todos os funcionários, independentemente do nível hierárquico ou área de atuação. A universidade da Locar oferece módulos abrangendo temas como educação financeira, planejamento e organização do trabalho e oratória. As ações incluem ainda cadernos de ativação com mensagens curtas e ilustrações para leituras rápidas e motivacionais, além de encontros quinzenais, promovendo palestras com assuntos que podem ser replicados no dia a dia. Em formato online, as explanações, voltadas para os gestores, ficam disponíveis a todos os funcionários, que podem acompanhar tudo pela plataforma da empresa. A trajetória dos gestores também é compartilhada com mensagens para estimular os colaboradores através das experiências vivenciadas pelas lideranças. “Não usamos modelos prontos. Tudo é elaborado por nós, em um projeto individualizado, pensado e planejado exclusivamente para a nossa equipe. Também usamos uma plataforma nossa, personalizada. Nossa meta é facilitar o acesso a novas oportunidades, com ferramentas que geram crescimento dentro do grupo”, resume Carolina Buarque, CEO da Locar Gestão de Resíduos, que abraçou a iniciativa e participa ativamente de todo o seu planejamento. Ainda de acordo com a executiva, cada módulo é pensado para chegar a todos os níveis hierárquicos e isso envolve desde os temas a serem abordados até a linguagem mais atrativa para cada setor. EngajamentoOutra empresa genuinamente pernambucana que investe no desenvolvimento de seus colaboradores é o Grupo Trino, especializado em logística, armazenamento e serviços há mais de 30 anos, por meio do Programa de Desenvolvimento de Liderança. O PDL é uma iniciativa criada para capacitar os colaboradores por meio de práticas estimulantes para o seu aperfeiçoamento. A ação conta com encontros mensais de equipes de lideranças, reunindo os funcionários do Recife e de outros estados em uma plataforma online. A cada ano, o Grupo modifica a metodologia de aprendizado e desenvolvimento dos temas abordados. “Um aspecto diferenciado que torna o projeto ainda mais eficaz é a participação ativa da diretoria. O envolvimento da gestão traz mais engajamento em uma metodologia que apresenta bons resultados há três anos e que prometem se repetir em 2024”, destaca Cláudia Dowsley, diretora de Capital Humano do Trino. O Grupo também foca em iniciativas de capacitação para o aumento da participação feminina no seu quadro de colaboradores. Para elas, a iniciativa mais recente foi a segunda edição do curso de formação de Operadoras de Empilhadeira, realizado neste primeiro semestre, que selecionou 20 mulheres, que passaram por capacitação com direito a certificado de conclusão do curso. PadronizaçãoCom 15 unidades nas cinco regiões do Brasil, incluindo a localizada no Shopping RioMar, no bairro do Pina, o restaurante Pobre Juan também criou a sua metodologia de ensino própria através da Universidade Pobre Juan (UniPJ). A metodologia consiste na capacitação para os funcionários por meio de plataforma digital com temas relacionados à hospitalidade, gastronomia, processos internos e qualidade de vida. Além dos cursos online, o grupo também cria aulas de acordo com as necessidades das equipes, para a troca de experiências e conhecimento com especialistas presencialmente. “O projeto tem dado muito certo por dois motivos: ao mesmo tempo que a marca garante a padronização de seus treinamentos, também fomenta oportunidades de crescimento para seus colaboradores. Seu principal pilar é a constante busca por excelência” comenta Naiara Leal, head da equipe de Gente e Gestão do grupo.

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BNDES investe R$ 1,8 bilhão no projeto Sertão Vivo, no semiárido do Nordeste

O projeto da Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semiárido (AP1MC) foi escolhido no edital de seleção pública do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para implementar a Unidade de Planejamento, Monitoramento, Avaliação e Aprendizagem (PMEL) da iniciativa “Sertão Vivo”. Com o potencial de beneficiar mais de 400 mil famílias em situação de vulnerabilidade social na região, o programa “Sertão Vivo” possui um investimento total de cerca de R$ 1,8 bilhão para os nove estados do Nordeste. Esse montante é composto por recursos reembolsáveis e não reembolsáveis do BNDES, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Green Climate Fund (GCF). Segundo a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o “Sertão Vivo” é inspirado na exitosa experiência brasileira de enfrentamento à pobreza rural e combate à fome. “Através da iniciativa, são realizados investimentos de acesso à água e de assistência técnica em unidades da agricultura familiar, para elevar a produtividade e a renda das comunidades e a resiliência às adversidades climáticas no bioma caatinga”, explicou. Sob a gestão da AP1MC, a unidade PMEL atuará de forma abrangente em toda a iniciativa “Sertão Vivo”. O projeto concentra-se na gestão do conhecimento, aprendizado, monitoramento e realização de verificações regulares, visando promover a harmonização entre os projetos estaduais, ampliar sua abrangência e facilitar a troca de experiências entre os beneficiários finais, os agricultores familiares.

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Prefeitura do Recife recebe Selo de Cidade Inteligente

O Recife reafirma sua posição como uma das principais capitais da inovação no Brasil ao receber um Selo durante o Connected Smart Cities GovTech, evento que destaca soluções digitais para o setor público. A Prefeitura do Recife foi premiada nesta segunda-feira (29) em São Paulo (SP), em reconhecimento ao seu engajamento em diversas áreas avaliadas, incluindo ações autodeclaradas e desempenho nos Rankings anteriores do Connected Smart Cities. Além do prêmio, a equipe da prefeitura, através da Emprel, está presente no evento, apresentando os principais projetos de inovação aberta da cidade, acessíveis através da loja de soluções da Emprel. Durante o evento, houve participação em diversos painéis abordando temas como Inovação Aberta, Soluções em IoT para Cidades Inteligentes, Acessibilidade e Cidadania Digital, além de um painel da ANCITI sobre Cidades Inteligentes. Algumas das soluções apresentadas durante o evento incluem o Absens, Integra.aí, Vamoo, Supervisão, Saúde Conectada, Regulação da Saúde da Sua Cidade e Prontuário Eletrônico de Saúde, cada uma contribuindo para melhorar diversos aspectos da vida urbana e dos serviços públicos na cidade do Recife. Bernardo D’Almeida, diretor-presidente da Empresa Municipal de Informática do Recife (Emprel) “Estamos muito felizes por mais um reconhecimento que estamos recebendo. Todas as premiações são fruto de um trabalho em que muitas pessoas estão envolvidas e estão na linha de frente da transformação digital do Recife. O Gov Tech é um evento muito importante, nacionalmente, e vamos levar este selo com muita alegria e com a certeza que estamos no caminho certo na democratização e digitalização dos serviços públicos municipais, dando acesso ao cidadão recifense”. Connectoway conquista quatro Prêmios em evento internacional da Huawei no México A Connectoway, empresa do mercado de Telecom, conquistou quatro prêmios durante o Huawei Eco-Summit Latam, que ocorreu na última quinta (25), no México. Os prêmios conquistados foram: Optical partner of the year; Comercial market partner of the year; Distribution partner of the year; e VAP partner of the year. As premiações foram concedidas pela gigante de tecnologia Huawei, que reconhece o compromisso da Connectoway com a inovação, a excelência e a entrega de soluções excepcionais aos seus clientes.  O CEO da Connectoway, Carlos Cartaxo, e o head de telecom, Igor Campos, estiveram presentes na solenidade. Para Carlos Cartaxo, a premiação demonstra o compromisso da empresa em oferecer a melhor experiência ao cliente. “Estamos muito felizes e gratos pelo reconhecimento da nossa dedicação em oferecer serviços de alta performance ao cliente. Este prêmio não só valida o nosso compromisso com a excelência, mas também fortalece ainda mais a nossa parceria com a Huawei e reforça a nossa posição como referência no mercado de tecnologia”, enfatizou. EXPOISP Brasil – Olinda prevê movimentar R$ 50 milhões na área de internet e telecom A EXPOISP Brasil – Olinda 2024, feira de negócios do setor de ISP e Telecom, está celebrando sua 8ª edição. Organizado pela Start Produções e Eventos, e com a montagem a cargo da Evolution Promoções e Eventos, o evento contará com a participação de mais de cem expositores, que apresentarão ao mercado produtos, tendências e soluções de marcas tanto nacionais quanto internacionais. Com uma expectativa de público visitante de 15 mil pessoas, a EXPOISP Brasil – Olinda 2024 acontecerá entre os dias 8 e 10 de maio, no Pernambuco Centro de Convenções. Profissionais da área podem se inscrever gratuitamente através do site do evento.

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1964: Vozes dos cárceres, templos e do exterior contra a Ditadura em Pernambuco

Segunda reportagem da série Memórias do Golpe em Pernambuco registra movimentos de resistência durante a ditadura civil-militar, que completou 60 anos. *Por Rafael Dantas O Estado que viu seu governador deposto no Golpe de 1964, que chorou os primeiros assassinatos do novo regime e assistiu à primeira tortura pública na sua capital, também responderia aos ditadores com uma forte resistência. Da ruptura política até a reabertura, em 1985, em Pernambuco brotaram movimentos estudantis, nos presídios ou mesmo nas igrejas. A repressão castigava, retirava algumas lideranças de cena, mas não conseguia sufocar as críticas internas e do exterior. Os pernambucanos exilados também fizeram barulho no cenário internacional. O time de lideranças com atuação no Estado que firmaram posição contrária à ditadura civil-militar de 1964 incluía nomes como o ex-governador Miguel Arraes, o religioso Dom Helder Camara (ambos cearenses, mas com atuação em Pernambuco), o educador Paulo Freire, entre outros tantos intelectuais, militantes e políticos. O termo ditadura civil-militar tem sido empregado por estudiosos para ressaltar que o golpe teve participação e aderência de setores civis, como imprensa e mesmo a igreja e a classe empresarial no golpe. As críticas ao regime operavam nas brechas que a censura não conseguia calar, como nos comunicados internos da ala progressista da Igreja Católica, nas pichações que povoavam os prédios e viadutos do Recife, entre outros tantos ringues de batalha. “Ao longo da ditadura, o protagonismo da resistência foi mudando. No primeiro momento vemos a importância do movimento estudantil, que era muito atuante. Os trabalhadores urbanos e rurais também ganharam notoriedade internacional, com figuras como Gregório Bezerra, Francisco Julião e Paulo Freire. Há também os sindicalistas, militantes políticos e do movimento feminista pela anistia, além da Igreja Católica”, destacou o professor de história da UPE (Universidade de Pernambuco) Thiago Nunes Soares. MOVIMENTOS ESTUDANTIS ATIVOS O movimento estudantil pernambucano vivia um momento de grande efervescência no início dos anos 1960, quando foi duramente afetado pelo golpe. A intervenção nas direções das universidades e escolas secundárias, perseguições e a repressão policial às lideranças passaram a marcar esse novo período. Organizações como a Ares (Associação Recifense dos Estudantes Secundaristas) e a Ubes ( União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) passaram a ser permanentemente monitoradas pela força policial nos encontros e seminários que promoviam. O relatório da Comissão da Verdade Dom Helder Camara sobre os movimentos estudantis relata que: “As proibições de reuniões e de manifestações estudantis dentro das universidades chegaram a considerar conversas entre três pessoas nos corredores das escolas como ‘reunião’ e, nesse sentido, proibidas de acontecer. Os restaurantes universitários eram pontos de encontros importantes para o movimento estudantil e, por essa razão, eram permanentemente vigiados, sendo monitorados por funcionários da própria faculdade ou por policiais travestidos de estudantes à serviço da repressão, sempre na tentativa de localizar ‘estudantes considerados subversivos’, que vinham sendo procurados pela polícia, ou visando se antecipar às iniciativas de mobilização para a realização de quaisquer tipos de eventos ou manifestações públicas”. Após os primeiros momentos pós-ruptura de 1964, com as perseguições políticas e o fechamento de estruturas sociais de reivindicação, o então estudante secundarista Marcelo Mário Melo é convocado sigilosamente para ajudar a reorganizar a luta estudantil. Ele conta que os movimentos populares sofreram muito com a repressão nas universidades e escolas, que eram ambientes típicos para convocação e formação de novos quadros de militantes. “Não tínhamos nenhuma experiência de clandestinidade. Cada um vivia se escondendo, era um salve-se quem puder. Com o tempo, entre maio e junho, fui convocado para reunião com velhos dirigentes do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Íamos de olho fechado, em um carro, para o encontro. Fiquei encarregado de reestruturar o partido na área do movimento secundarista”, afirmou Marcelo, que teve que adotar um nome falso e, a partir daí, pintar os cabelos de loiro e usar um bronzeador que deixava sua pele avermelhada. Toda essa atuação de reestruturar o movimento estudantil já era considerada ilegal desde 1964 pelas novas leis aprovadas pela ditadura, que foram ficando mais rígidas a cada ano. Apesar da repressão, o estudante lembra que nos primeiros anos da ditadura, o regime não conseguiu abafar completamente os esforços de organização popular. O relatório da Comissão da Verdade também afirmava isso, ressaltando que mesmo diante da repressão, o movimento comandado por organizações políticas clandestinas desenvolvia uma política eficaz de aproximação junto aos estudantes. “As mobilizações dos anos 1965, 1966, 1967 e 1968 envolveram várias reivindicações: aumento de vagas; absorção dos excedentes (alunos aprovados além do número de vagas oferecidas); melhoria dos restaurantes universitários (na qualidade e preço cobrado por refeição); democratização em todos os órgãos e instâncias universitárias (até então comandados pelos professores por meio das chamadas congregações e conselhos universitários); e a mais importante, a Reforma Universitária, bandeira antiga do movimento estudantil, agora retomada de modo mais incisivo face às investidas da ditadura no sentido da privatização das universidades públicas”, descreveu o relatório. Durante a ditadura não foram poucos os casos de prisões, desaparecimentos, torturas e assassinatos de estudantes. No período de 1968 a 1974 ocorreu um progressivo processo de desmantelamento do movimento estudantil devido à intensa repressão sobre suas lideranças e organizações representativas. A UNE (União Nacional dos Estudantes), já operando clandestinamente, organizou o Congresso de Ibiúna em 1968, resultando na prisão de numerosos líderes estudantis, incluindo toda a delegação de Pernambuco, composta por 30 estudantes das diversas instituições de ensino superior na região. Mesmo assim, a UNE permaneceu em operação no País durante todo o período ditatorial. O GRITO DOS PRESÍDIOS O militante Marcelo Mário Melo atuou nesse esforço de reorganização do movimento estudantil e do Comitê Regional do PCB e depois na formação do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) até ser encontrado no Rio Grande do Norte, em Nísia Floresta, e ser preso pela ditadura, já em 1971. Começava então um segundo campo de batalhas pelo qual ele atuou e que muitos outros pernambucanos deixaram suas marcas: os presídios. É difícil imaginar como pessoas encarceradas conseguiam incomodar o governo. Mas suas reivindicações, críticas e denúncias escapavam pelos ferrolhos que os prendiam.

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