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Mundo tem recorde de calor no mês de fevereiro, segundo agência Copernicus

(Com informações da Agência Brasil) O Serviço de Alterações Climáticas Copernicus (C3S), órgão de monitoramento climático do programa espacial europeu, anunciou nesta quinta-feira (7) que fevereiro foi oficialmente o mês mais quente já registrado globalmente. Com uma média de temperatura do ar atingindo 13,54ºC, o mês superou a média para o período de 1991 a 2020 em 0,81ºC e ultrapassou o recorde anterior estabelecido em 206 por 0,32ºC. Desde junho de 2023, todos os meses têm registrado recordes históricos de temperatura, sinalizando uma tendência preocupante. O diretor do Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas, Carlo Buontempo, alertou sobre as implicações das concentrações crescentes de gases de efeito estufa, destacando que, sem estabilização, enfrentaremos inevitáveis novos recordes de temperatura global. Fevereiro registrou uma temperatura 1,77ºC superior à média estimada para o período pré-industrial (1850-1900), agravando ainda mais a situação. A tendência de aumento persiste, refletida na média global dos últimos 12 meses, que está 0,68ºC acima da média de 1991-2020 e 1,56ºC superior à média pré-industrial. As anomalias térmicas se estendem além das médias globais, com temperaturas europeias superando em 3,30ºC a média de fevereiro de 1991-2020. Além disso, áreas como o Norte da Sibéria, o centro e Noroeste da América do Norte, América do Sul, África e Oeste da Austrália também experimentaram temperaturas acima da média. O fenômeno El Niño, embora enfraquecido, contribui para a manutenção de altas temperaturas no ar marítimo global, atingindo uma média recorde de 21,06ºC em fevereiro. Em termos de precipitação, fevereiro trouxe variações extremas, com uma faixa úmida da Península Ibérica à Rússia ocidental, e uma área seca abrangendo países mediterrâneos, parte dos Bálcãs, Turquia, Islândia, Norte da Escandinávia e Rússia ocidental. As condições climáticas extremas se estenderam globalmente, destacando a urgência de ações para combater as mudanças climáticas.

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Carol Monteiro Marco Zero 1

A força da mídia independente no cenário da informação digital

Que a era das plataformas desmonetizou os veículos de comunicação e abriu caminho para muitos problemas relacionados à informação não é novidade. No entanto, a mesma onda que derrubou muitas corporações de mídia, fez emergir novas organizações e também empresas de geração de conteúdos desvinculadas de grupos políticos e de conglomerados empresariais. No cenário nacional, cases como o The Intercept Brasil, o Nexo e a Agência Pública já têm notoriedade com grandes coberturas. Mas, no Nordeste e em Pernambuco há experiências relevantes de geração de conteúdo jornalístico, como a agência Marco Zero (no Recife), a Agência Tatu (em Alagoas) e o Eco Nordeste (em Fortaleza). A maioria dessas organizações se reúnem na Ajor (Associação de Jornalismo Digital), criada em 2021. Carolina Monteiro, que é presidente do conselho executivo e deliberativo da Ajor, professora da Unicap e uma das fundadoras da Marco Zero Conteúdo, destaca a pluralidade de vozes e de segmentos que esse jornalismo independente tem ecoado. “A mídia independente traz uma representatividade, ao permitir que grupos e pessoas que são invisibilizadas e historicamente não tiveram tanto espaço nas mídias tradicionais, possam não só ser fontes, como criar os seus próprios veículos e produzir o seu conteúdo. Mas há também o jornalístico investigativo, que é caro, importante e precisa ser praticado por jornalistas experientes. Esse jornalismo, que vejo sendo muito pouco praticado pela mídia tradicional, está sendo feito majoritariamente no Brasil pela mídia independente”. Essas novas mídias estão, dessa forma, ocupando um vácuo deixado pelos veículos mais tradicionais. Um exemplo disso é o avanço dos veículos independentes sobre os desertos de notícias, que são os lugares do País onde já não existe produção de conteúdo jornalístico. Ao mesmo tempo em que a era da plataformização contribuiu para acabar com muitos jornais e rádios no interior, ao captar as verbas de publicidade que iriam para essas empresas, as novas possibilidades de produção e circulação de conteúdos digitais abriram espaço para o nascimento dessas organizações mesmo nas “áreas desérticas”. Sem a necessidade de impressão ou grandes gastos com transmissão, são abertos mesmo nos rincões do País, alguns desses canais, com poucos recursos de operação e com novas propostas de informação. Integram o campo da mídia independente desde organizações com fins lucrativos, a exemplo de startups, como instituições sem fins lucrativos, como cooperativas e ONGs. Além de ocuparem o debate nas grandes metrópoles, Carolina ressalta que muitas dessas novas mídias nasceram das periferias e de grupos historicamente sub-representados pela imprensa tradicional. “São organizações que têm vários meios e formas de distribuição, como newsletters, que têm um papel de curadoria muito importante. Há também as agências de fact checking, que surgem em razão das fake news. Há organizações de nicho e de conteúdos muito específicos, como jornalismo que trata só sobre infância ou só como a gente se relaciona com a alimentação. Quando olhamos só as 140 associadas da Ajor, encontramos uma diversidade enorme de formatos, de territórios e de organizações”, explica Carolina Monteiro. Embora já estejam construindo sua audiência de notícias, com produções de interesse público, um dos desafios dessas mídias é se tornarem mais conhecidas. Outro desafio considerável é formulação de estratégias para a sustentabilidade financeira dessas organizações. A pesquisadora afirma que os caminhos que estão sendo costurados são para a garantia de políticas públicas para fomento dessa produção de conteúdo, a exemplo do que acontece com a cultura. O que está no radar de desejo, porém, é o sustento por parte dos leitores, mas sem restringir o acesso à informação aos que não têm condições financeiras de pagar uma assinatura. É possível conferir a lista de todos os associados da Ajor no site: https://ajor.org.br

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Mario Ribeiro

“Solano Trindade é um grande expoente da literatura negra e as pessoas pouco o conhecem”

Mário Ribeiro, Historiador da UPE, fala da vida e obra do autor do poema Tem gente com fome, que foi pioneiro na militância contra o racismo e na criação de uma arte voltada a retratar a realidade da população negra e que este ano completa cinco décadas da sua morte. Poeta, folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante do movimento negro, o pernambucano Solano Trindade tem uma biografia densa. Foi um dos organizadores e idealizadores do 1º Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1934 no Recife e liderado por Gilberto Freyre. No Rio de Janeiro fundou, com o ator, escritor e sambista Haroldo Costa, o Teatro Folclórico Brasileiro. No ano seguinte participou do antológico Teatro Experimental do Negro, projeto idealizado por Abdias Nascimento com a proposta de valorizar o negro e a cultura afro-brasileira e também lançar um novo estilo dramatúrgico. Com o amigo Abdias, criou ainda o Comitê Democrático Afro-brasileiro que se estabeleceu como o braço político do TEN. Sua poesia, forte e criativa, aborda a condição da população negra e retrata uma realidade que permanece atual. Apesar de toda a importância da sua obra e do seu pioneirismo no combate ao racismo no País, Solano Trindade permanece desconhecido no Brasil, mesmo em sua terra, o Recife. Para analisar a importância do poeta pernambucano, Cláudia Santos conversou com o historiador e professor da graduação e pós-graduação da UPE (Universidade de Pernambuco) Mário Ribeiro. Quando Ribeiro estagiava na Casa do Carnaval – situada no Bairro de São José, onde Solano Trindade nasceu – conheceu a escritora negra Inaldete Pinheiro, que lhe apresentou a história de Solano Trindade. Hoje, ele recorre ao poeta em suas aulas, criticando e combatendo o apagamento do protagonismo negro na literatura, na história, na cultura, na política, na vida social como um todo. “A gente precisa investir nesse canal de transformação que é a escola”, propõe. Solano Trindade é um dos pioneiros na valorização da cultura afro-brasileira e da militância no movimento negro. Fale um pouco sobre a vida dele no Recife. Ele nasceu em 1908, no Bairro de São José. Localizado na zona portuária, próximo ao mercado público, à antiga Prainha de Santa Rita, o bairro é o mais preto do Centro do Recife, principalmente no contexto em que Solano nasceu. Por ali circulavam pescadores, vendedores ambulantes e pessoas desempregadas. Até hoje, há ecos dos tempos em que se vivia de pesca naquele entorno, como pescadores vendendo peixe e camarão na beira do rio e na entrada de algumas ruas. O Recife está mergulhado em mangue, no bairro de São José, há ruas e becos com nomes de peixes. Foi nesse contexto que Solano Trindade nasceu, um ambiente de trabalhadores pobres, pessoas pretas, na sua maioria, vivendo a grande efervescência das manifestações culturais. Muitos clubes de frevo, caboclinhos e maracatus surgiram ou tinham sedes por ali. O pai dele era sapateiro e tinha paixão pela cultura popular, a brincadeira do bumba meu boi, o presépio, ele era o velho do pastoril. Então, Solano se aproxima dessas culturas populares por meio do pai. A mãe, para quem Solano lia literatura de cordel, segundo algumas versões, era dona de casa e, de acordo com outras, trabalhava numa fábrica. Ele é um dos percussores do movimento negro no País. Era um estudioso que lia, pesquisava e trazia essa relação de África com o Brasil por meio do seu trabalho, e isso está presente em vários de seus poemas. Em vida, publicou quatro livros, um deles, O Poema de Uma Vida Inteira, foi apreendido pelo Estado Novo num período de grande perseguição e cerceamento daquelas pessoas e práticas consideradas desordeiras ou prejudiciais à ordem e ao bom funcionamento do Estado. Em um de seus poemas chamado Sou Negro, ele diz assim: Sou negro/ meus avós foram queimados/ pelo sol da África/ minhalma recebeu o batismo dos tambores/ atabaques, gongôs e agogôs/ Contaram-me que meus avós vieram de Luanda/ como mercadoria de baixo preço/ plantaram cana pro senhor de engenho novo/ e fundaram o primeiro Maracatu/ Depois meu avô brigou como um danado/ nas terras de Zumbi/ Era valente como o quê/ Na capoeira ou na faca/ escreveu não leu o pau comeu/ Não foi um pai João/ humilde e manso/ Mesmo vovó não foi de brincadeira/ Na guerra dos Malês/ ela se destacou/ Na minhalma ficou/ o samba/ o batuque/ o bamboleio/ e o desejo de libertação. Há muito da ancestralidade e da vivência em sua obra? Sim. Percebe-se um conhecimento dessa ancestralidade e oralidade na obra de Solano, porque muito do que ele escrevia era fruto do que ouvia e via. Então, a vivência e a memória estão muito presentes. O poema Pregões do Recife Antigo, por exemplo, traz o que ele ouvia passando pelo bairro de São José. Há um trecho que diz assim: Ei munguzá/ tá quentinho o munguzá/ istá bom, ispiciá/ de manhã bem cedinho a preta gingando enche de música o bairro de São José/ lá vem o cuscuzeiro/ cuscuz, cuscuz de milho/ e quando o sol vem iluminar a cidade/ as ruas se enchem de balaieiros/ enchendo de ritmo a beleza da terra/ é doce, é doce o abacaxi/ é doce, é doce e é barato. E aí segue falando do vendedor de banana, de manga, de sapoti, de jaca, de cajá. Ele traz, nos seus poemas, esses pregões que eram cantados por trabalhadores da rua, e isso garante sonoridade, musicalidade, presentes até mesmo em obras de denúncia, de crítica, como no poema Tem gente com fome, em que o trem sujo da Leopoldina vai passando pelas estações no Rio de Janeiro, de Caxias até os lugares para os quais ele se deslocava. E vai mostrando pessoas com semblante triste, com fome. É uma grande denúncia da desigualdade social e racial, pois não há como falar de relações étnico-raciais separando o social do racial, a cor da fome é preta, a gente sabe disso. Esse poema, por mais forte que seja, traz essa musicalidade com uma sequência de repetições. Tanto é que esse poema

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Coluna de Mário Neto e volta do Pernambucast marcam os 18 anos da Algomais

A Algomais chega à sua maioridade com presentes para os leitores. Uma novidade das nossas edições digitais será a coluna SobreTudo, assinada pelo jornalista e apresentador Mário Neto. Outra inovação para celebrar os 18 anos será uma edição especial do Pernambucast, podcast/vídeocast da Algomais, que será retomado com uma temporada especial temática sobre gestão, carreiras e vida profissional. Com 35 anos de jornalismo profissional, entre as grandes emissoras de TV e rádio de Pernambuco, Mário Neto passa a assinar mensalmente a coluna SobreTudo, que será publicada na edição semanal da Algomais, com republicação no site e nas redes sociais. “A SobreTudo será um espaço para falar de economia, política, comportamento, com informações relevantes e curiosas, conteúdos de interesse do público dos leitores da Algomais”, conta o novo colunista. A volta do Pernambucast é um desejo antigo da redação e dos leitores que se concretiza neste semestre. Os programas serão veiculados no Youtube, Spotify e principais plataformas de podcasts. A temporada contará com entrevistas de temas relacionados a gestão, carreiras e vida profissional, realizadas pela redação da Algomais com os sócios da TGI Consultoria, especializada no tema. UM POUCO DE HISTÓRIA Muitas transformações aconteceram de março de 2006 para cá. A revista nasceu com uma circulação de 6 mil exemplares impressos, principalmente para os públicos A e B, defendendo sempre os interesses de Pernambuco. As pautas abordam notícias relacionadas a economia, urbanismo, cultura e saúde, em suas diversas ramificações. Nessas quase duas décadas, a Algomais se diferenciou por produzir um jornalismo de soluções, com pautas propositivas e foco na resolução dos principais problemas do Estado. Nessa trajetória de influenciar o debate público local, a revista cobriu os primeiros passos do projeto Parque Capibaribe (dentro da cobertura do movimento O Recife que Precisamos, nas eleições municipais de 2012). Dentro da sua trajetória, a revista inovou também ao tratar da paradiplomacia, a partir de 2016, que avançou no Estado e no município. No ano passado, a cobertura da amputação do trecho pernambucano da Transnordestina incendiou o debate na comunidade empresarial, chegando ao campo político. A mobilização pernambucana em torno da pauta da ferrovia mudou o direcionamento das políticas públicas de integração regional que caminhavam para alijar Pernambuco dessa importante ferrovia. PREMIAÇÕES A atuação em defesa dos temas estratégicos do Estado levou a Revista Algomais a receber muitos prêmios jornalísticos nos últimos anos. A redação foi agraciada com prêmios da Fiepe, do Cristina Tavares, da Urbana-PE, de Turismo de Pernambuco, do Sebrae, da Fecomércio PE, da Ademi-PE, entre outros. A revista foi finalista em alguns dos principais prêmios nacionais, como o CNH (de economia), Estácio (de ensino superior) e do FEAC (desenvolvimento social). TRANSIÇÃO DIGITAL Durante a fase impressa, ininterrupta e mensal por 14 anos, a Algomais chegou a ter uma tiragem de 25 mil exemplares. Diante das transformações da sociedade e do consumo de notícias, a transição do impresso para o digital aconteceu em 2020, no início da pandemia. Deixamos de ser uma revista impressa e mensal para termos edições semanais, que circulam para nossos assinantes por email e pelo WhatsApp. “Vale ressaltar que nesses 18 anos, sempre trabalhamos tendo como norte a nossa Carta de Princípios que traz valores como independência, sinceridade e direito ao contraditório na atuação jornalística“, destaca a editora da Algomais Cláudia Santos. “Trata-se de um posicionamento importante porque, apesar de todas as transformações que o setor de comunicação vivenciou, principalmente no campo tecnológico, acreditamos que a credibilidade ainda é o insumo mais precioso do jornalismo”.

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Brasil não promove jornalismo plural, alerta Repórteres Sem Fronteiras

(Da Agência Brasil) A Organização Não Governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou nesta semana relatório em que alerta que não há no Brasil políticas suficientes para promover a pluralidade no jornalismo nacional. De acordo com a organização, o país carece “de uma política mais robusta e estruturada de promoção da pluralidade e diversidade jornalística”. “Num contexto de recentes ataques ao Estado Democrático de Direito no Brasil, a urgência de assegurar normas e políticas que fortaleçam um jornalismo livre, plural e de confiança é crucial para a própria democracia brasileira”, diz o documento, acrescentando que “o Brasil segue distante de um marco normativo que proteja e promova o pluralismo, a diversidade e um jornalismo forte e relevante”. A pluralidade ou diversidade do jornalismo é defendida pela organização como condição necessária para garantir uma cobertura equilibrada e inclusiva dos acontecimentos, promovendo uma sociedade mais informada. Além disso, outra recomendação é a criação de novas mídias locais para combater os chamados “desertos de notícias”. Estima-se que 26 milhões de brasileiros de 2,7 mil cidades do país não têm qualquer noticiário local. O diretor do RSF na América Latina, Artur Romeu, lembrou que o sistema informativo no Brasil é caracterizado por uma excessiva concentração da propriedade da mídia na mão de poucos grupos econômicos e que essa situação é agravada pela fragilidade dos setores de comunicação pública, comunitária e de mídia periférica, popular ou independente. “Fragilidade essa que está muito associada a uma falta de incentivos e garantias institucionais para que esses veículos possam operar numa situação de menor precariedade no seu trabalho”, destacou. Em 2017, uma pesquisa do RSF, em parceria com o Intervozes, concluiu que as quatro maiores redes de televisão concentravam 70% da audiência nacional, o que configuraria, segundo essas organizações, um oligopólio nas comunicações, o que é proibido pelo parágrafo 5º do Artigo 220 da Constituição brasileira Para promover a diversidade no jornalismo do país, o relatório do Repórteres Sem Fronteiras sugere a oferta de subsídios estatais, a taxação das plataformas digitais para financiar a diversidade do jornalismo no Brasil, bem como distribuição da publicidade estatal “segundo critérios claros e não discriminatórios”. Para a organização, falta vontade política para promover essa agenda, sejam dos governos de esquerda ou de direita. “Nas últimas duas décadas, apesar de gestões que se declararam comprometidas com a construção de um ambiente midiático plural e diverso, o país vivenciou, na prática, a flexibilização das poucas regras anti-concentração na propriedade de emissoras de radiodifusão”, afirma o documento. Mídia Periférica A falta de políticas para o jornalismo independente, periférico e popular, “que desempenha um papel crucial para a formação de cidadãos informados, críticos e participativos”, é apresentada pelo RSF como a mais preocupante de todas. O portal de notícias Desenrola e Não Me Enrola de São Paulo é uma dessas mídias periféricas. Lançado em 2013, o veículo afirma que faz jornalismo com objetivo de “registrar e refletir sobre as transformações sociais e a identidade cultural dos sujeitos e territórios periféricos”. O cofundador do site, o jornalista Ronaldo Matos, que atua na Rede Jornalistas das Periferias, defende que a mídia periférica é necessária porque muitas pautas de interesses dessas comunidades não têm espaço nos veículos comerciais. “As mídias independentes com a atuação das periferias e favelas têm o grande papel de disseminar informações para essa população que não tem esse noticiário garantido nos jornais tradicionais que eles estão acostumados a consumir”, destacou. Matos ressaltou que outra função do jornalismo periférico, além da cobertura dos acontecimentos, é o de “letramento midiático”, que é a habilidade de consumir informações de forma crítica, possibilitando, por exemplo, diferenciar fatos de notícias falsas. “A cultura de consumir notícias é elitizada. Ela pertence a uma classe social que nos domina. Precisamos, cada vez mais, tomar decisões que vão mexer com a nossa vida, baseada numa leitura qualificada do jornalismo no Brasil”, explicou. Uma das ações das mídias periféricas em São Paulo é a distribuição de notícias em telas digitais em comércios das periferias e favelas paulistas. Atualmente, são 15 telas instaladas em mais de 10 distritos das periferias de São Paulo, que alcançam uma média de 500 mil pessoas por mês. Ronaldo Matos conta, por outro lado, que essas mídias enfrentam graves problemas de financiamento. Elas costumam se sustentar por assinaturas do público, por vaquinhas, por meio de editais públicos voltados ao setor cultural, e também por meio de parcerias com os veículos tradicionais. “Elas acabam sucateadas, tendo valores de recursos de pagamentos muito baixos. Você tem carga horária elevada e muita precarização. Além disso, são feitas, em sua maioria, por profissionais negros que se formaram em universidades e não foram aceitos pelo mercado de trabalho do jornalismo tradicional. Não tiveram espaço nas TVs, nos grandes jornais, nas grandes emissoras de rádio”, completou. Em 2019, Ronaldo coordenou uma pesquisa que mapeou 97 iniciativas de comunicação local na cidade de São Paulo. Do total do conteúdo distribuído por essas mídias, 80% eram de produção autoral. Desses veículos, 64% funcionavam com dois a cinco profissionais e oito de cada dez desses profissionais tinham outra atividade para completar a renda. Apoio estatal e taxação de plataformas O RSF afirma que o número reduzido de empresas de comunicação contempladas pela publicidade governamental representa um entrave para a promoção de um ambiente jornalístico plural e diverso no país. “Sem o desenvolvimento e implementação de uma política voltada para mídias não comerciais, independentes e regionais, um fomento concreto à ampliação da variedade de vozes nas comunicações brasileiras segue inexistente”, diz o documento. Sobre as propostas de taxação das plataformas que usam conteúdo jornalístico em tramitação no Congresso Nacional, o RSF diz que elas podem representar um alívio para o setor, mas alerta que os projetos existentes precisam ser aperfeiçoados para financiar a pluralidade no jornalismo. “[Os projetos] seguem o modelo adotado em países como Austrália e Canadá, onde plataformas negociam com veículos de comunicação valores pelo uso dos seus conteúdos, mas não define claramente que tipo de utilização de conteúdos jornalísticos ensejaria remuneração nem estabelece critérios para contemplar

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Fernando de Noronha

5 destinos pernambucanos para ficar de olho no Dia do Turismo Ecológico

Hoje, 1º de março, celebramos o Dia do Turismo Ecológico, uma ocasião especial que destaca a importância do Ecoturismo. Essa prática vai além da simples apreciação da natureza; ela abraça a responsabilidade de proteger os ambientes naturais e de respeitar as comunidades locais durante as visitas a esses locais. O Turismo Ecológico não apenas oferece experiências enriquecedoras para os visitantes, mas também desempenha um papel crucial na conservação da biodiversidade e na preservação de ecossistemas frágeis. Ao explorar áreas naturais de maneira consciente, os praticantes do ecoturismo contribuem para a sustentabilidade ambiental, minimizando o impacto negativo e promovendo a preservação. Pernambuco, conhecido por sua rica diversidade ambiental, oferece vários destinos ecológicos encantadores. Aqui estão cinco deles:

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Sprite Hannah Carvalho

Sprite, Pacto Global e Instituto Limpa Brasil promovem limpeza de praias no Recife

Foto: Hannah Carvalho A Sprite, que recentemente anunciou a transição de sua icônica garrafa verde para uma versão transparente, visando facilitar e ampliar a reciclagem, revela agora sua adesão e parceria ao projeto Blue Keepers, associado à Plataforma de Ação pela Água e Oceano do Pacto Global da ONU – Rede Brasil. Essa colaboração tem como objetivo a implementação de um calendário de ações de limpeza em rios, praias e lagoas em diversas cidades brasileiras. As iniciativas serão conduzidas ao longo do ano e contarão com o suporte e parceria de Andina, FEMSA e Solar, fabricantes do Sistema Coca-Cola Brasil nessas regiões. A The Coca-Cola Company, ao repensar a gestão de resíduos para criar soluções benéficas para a sociedade e o meio ambiente, anuncia não apenas a mudança na garrafa de Sprite, mas também a adesão ao Pacto Global da ONU no Brasil. O calendário de ações de limpeza de rios, praias e lagoas é parte integrante do compromisso da empresa com um Mundo Sem Resíduos, reforçando seu papel como signatária do Pacto Global da ONU pela economia circular. O processo de limpeza teve início em 11 de dezembro de 2022, em Recife (PE), seguido por Salvador (BA) em 17 de dezembro, e está programado para ocorrer ao longo de 2023 em Manaus (AM), Fortaleza (CE), Santos (SP), Salvador (BA), Recife (PE), Itanhaém (SP) e Rio de Janeiro (RJ). As ações serão retomadas em 2024. Cada cidade contemplará pelo menos quatro iniciativas de mobilização, sensibilização e coleta, com Sprite e a iniciativa Blue Keepers unindo esforços para apoiar, fortalecer e dar visibilidade às iniciativas e organizações não governamentais locais que já atuam e têm histórico na limpeza de praias, rios e áreas naturais. O Instituto Limpa Brasil, participante deste projeto, estará em seu segundo ano promovendo ações em Recife. A quinta ação de limpeza em Recife será liderado localmente pelo Instituto Limpa Brasil e acontecerá no próximo dia 2 de março de 2024, sábado, a partir das 8h na Av. Boa Viagem, Praia de Boa Viagem, nº 2682 (entre Quiosque 16 e 17) em Recife/PE. A ação de limpeza será aberta ao público local devendo apenas confirmar a participação com uma inscrição simples através do link https://bit.ly/mutirao-boaviagem2

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onu secom

Pernambuco irá sediar evento do Pacto Global da ONU

Pernambuco vai sediar o próximo evento Conexão ODS realizado pelo Pacto Global da ONU no Brasil. O Conexão ODS é um encontro que une a gestão pública, a iniciativa privada, as organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para dialogar sobre ações relacionadas à sustentabilidade. Ana Luiza Ferreira, secretária de Meio Ambiente, Sustentabilidade “O evento mobiliza empresas do setor privado para debater e atingir os 17 ODS. E a governadora já havia demonstrado interesse em promover aqui em Pernambuco”. Os ODS são ações para proteção do meio ambiente e do clima, o fim da pobreza e uma vida mais próspera para todas as pessoas, nas quais as Nações Unidas estão contribuindo para atingir a Agenda 2030 no Brasil. Entre alguns objetivos estão água potável e saneamento, energia limpa e acessível, fome zero e agricultura sustentável.

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Restrição de dados de internet móvel é tema central da Campanha #LiberaMinhaNet

Igualdade de acesso à internet ganha força com a campanha #LiberaMinhaNet, evidenciando as ilegalidades no acesso à rede móvel no Brasil Quem nunca se deparou com a notificação “Você atingiu 100% da sua franquia de dados e sua velocidade foi reduzida”? Justamente nos momentos em que mais precisamos, seja para realizar transações financeiras, solicitar um transporte por aplicativo ou verificar a veracidade de notícias no WhatsApp. Em um cenário onde grande parte da população brasileira depende exclusivamente da internet móvel para se conectar, a iniciativa #LiberaMinhaNet surge como um manifesto contra a disparidade no acesso a esse serviço. A Coalizão Direitos na Rede, em colaboração com o data_labe e o IRIS, lança a campanha #LiberaMinhaNet como um apelo à equidade no acesso à internet. A proposta visa abolir o atual sistema de franquia de dados e implementar planos de internet móvel que garantam uma velocidade mínima após o consumo dos dados, promovendo a liberdade de acesso sem restrições. De acordo com a pesquisa do Instituto de Defesa do Consumidor – IDEC/2021, 52% das pessoas entrevistadas não conseguem acessar serviços públicos devido às limitações de seus pacotes de dados, que restringem o acesso a apenas alguns aplicativos e redes sociais. Samara Souza, jornalista envolvida em produções audiovisuais como diretora de fotografia e colaboradora do Centro Popular do Audiovisual (CPA), explica que a campanha #LiberaMinhaNet busca promover reflexões sobre inclusão social, cidadania e dignidade. Samara Souza “O acesso aos dados móveis promove algo essencial para um ser cidadão que é poder ter plenos direitos de se comunicar, de ser porta voz de suas perspectivas. Com esse caminho, nos conectamos em rede com trocas de ideias, saberes, e podemos usar a tecnologia para o desenvolvimento enquanto comunidade. A limitação, além de ser um fator excludente de pessoas sem renda, aumenta o abismo de acesso a informações. Na Amazônia, onde os fatores geográficos também excluem territórios por falta de rede, deixa de integrar uma parte importante que são as bases mais com as cidades”. Serviços x Conexão Com o rápido avanço da tecnologia, o acesso à internet móvel tornou-se indispensável para a efetivação de direitos básicos, incluindo o uso de serviços públicos digitais como emissão de carteira de trabalho, habilitação, consulta a benefícios do INSS e informações de saúde, entre outros. Segundo dados da pesquisa TIC Domicílios de 2022, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 149 milhões de usuários de internet residem nos centros urbanos do país. Dessa impressionante cifra, 62% (cerca de 92 milhões) acessam a internet exclusivamente por meio de dispositivos móveis, como smartphones. Esse dado destaca a crescente importância dos celulares como o principal meio de acesso à web no Brasil. Entretanto, as operadoras de telefonia, por meio do modelo de franquia de dados implementado desde 2016, impõem restrições significativas aos usuários. Esse modelo limita a quantidade de dados disponíveis para o uso da internet móvel, obrigando os usuários a adquirirem pacotes adicionais. O Nordeste está em segundo lugar na lista de regiões sem internet A pesquisa TIC Domicílios de 2022 revela que 36 milhões de brasileiros não têm acesso à internet, e a região Nordeste corresponde a 28% desse montante. Uma das pessoas afetadas é Regilane Alves, moradora do Assentamento Maceió, no município de Itapipoca, Ceará. “Na comunidade não pega muito bem, então meus dados móveis nunca funcionam bem lá, de vez em quando eu consigo área em cima da geladeira, deixo o celular pra carregar as mensagens e depois respondo”, relata Regilane.  Para ela, assim como para várias outras pessoas, a internet hoje é imprescindível tanto para trabalho quanto para os estudos. Essa falta de conectividade já fez com que Regilane passasse por alguns constrangimentos. “Eu quase perdi uma oportunidade de emprego por conta dessa dificuldade de área. Eu era jovem assessorada do CETRA e surgiu uma vaga em um projeto e me chamaram para uma entrevista, eles mandaram mensagem num dia de sexta e eu só fui saber no domingo a noite porque uma menina que trabalhava lá morava na comunidade vizinha e veio me dizer que eles queriam falar comigo, aí eu coloquei o celular em cima da geladeira e liguei para o coordenador técnico e deu tudo certo. Foi meu primeiro emprego de carteira assinada”, conta. O levantamento, assim como a pesquisa do Idec, também aponta que pessoas acima de 60 anos, com baixa escolaridade, pobres e pessoas negras são as mais excluídas do mundo digital. “O acesso à comunicação transforma a vida das pessoas, impactando não somente aquela região mas também modificando sua realidade. Facilitando o acesso à educação, saúde, qualidade de vida”, afirma Samara. Ao restringir o acesso à internet e permitir o uso gratuito de dados apenas para alguns aplicativos específicos, as operadoras violam princípios fundamentais da Constituição Federal e do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014). O modelo atual não apenas compromete a neutralidade da rede, mas também contradiz a ideia de uma internet aberta, acessível e igualitária. A campanha #LiberaMinhaNet destaca o respaldo legal para sua causa, citando a Constituição Federal (art. 170 e art. 174), a Lei 12.965/14 (art. 7o) que reconhece o acesso à internet como serviço essencial, e o Decreto nº 8.771/16 que aborda as hipóteses de quebra da neutralidade. Ao encorajar a sociedade a aderir à campanha, #LiberaMinhaNet busca promover uma mudança significativa no cenário do acesso à internet no Brasil, visando uma rede mais justa, aberta e acessível a todos e todas. Para mais informações, acesse: https://liberaminhanet.direitosnarede.org.br/

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Maria Arraes e a Senadora Jussara Lima PSD

Projeto de Maria Arraes sobre saúde mental nas empresas é aprovado no Senado

O plenário do Senado Federal aprovou ontem (28) o Projeto de Lei 4.358/23. Na foto a Deputada Federal Maria Arraes e a Senadora Jussara Lima O Projeto de Lei 4.358/23, de autoria da deputada federal Maria Arraes (SD-PE), propõe a instituição do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, com o objetivo de reconhecer as corporações que adotam medidas efetivas para promover o bem-estar dos funcionários. Maria Arraes, deputada federal “Conquistamos hoje um novo e potente instrumento para romper o silêncio e quebrar o estigma em torno do sofrimento psíquico. Todas as trabalhadoras e trabalhadores têm direito a exercer suas funções em um ambiente saudável e inclusivo. Já as empresas ganham, com menos afastamentos por esgotamento profissional e maior produtividade”. Regulamento e próximos passos As organizações que obtiverem o certificado terão o direito de exibi-lo em suas comunicações, evidenciando ao mercado e à sociedade o compromisso assumido com a saúde mental. Os critérios para a certificação abrangem desde a capacitação de lideranças até a oferta de recursos de apoio psicológico e psiquiátrico, além de incentivos ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional e estímulo à alimentação saudável. A concessão do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental será realizada por uma comissão nomeada pelo Poder Executivo, incumbida de atestar a conformidade das práticas desenvolvidas pelas empresas com as exigências da lei. O certificado terá validade de dois anos, sendo necessária uma nova avaliação para a renovação após esse período. O projeto agora segue para sanção presidencial.

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