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Criatividade que gera renda: Por que apostar na economia que nasce na cultura?

Terra de uma vasta riqueza cultural e artística, Pernambuco ostenta grande potencial para ampliar os benefícios da indústria criativa. O setor é democrático ao distribuir renda para os criativos e a cadeia de fornecedores, mas ainda enfrenta desafios como a informalidade. *Por Rafael Dantas Pernambuco reúne uma das cenas culturais criativas mais vibrantes do País e não faltam símbolos dessa potência. Do cinema premiado de O Agente Secreto à grandiosidade da Fenearte, passando pela energia das festas populares, como o Carnaval e o São João, o Estado constrói seus próprios troféus com câmeras, barro e a inventividade que atravessa gerações. Se por muito tempo essa produção foi tratada como periférica, hoje ela ganha novo patamar. No desenho do próximo ciclo de desenvolvimento, a economia criativa desponta como um dos pilares estratégicos para as próximas décadas, segundo as discussões do projeto Pernambuco em Perspectiva. As linguagens da economia criativa de Pernambuco são muitas e se espalham por praticamente todo o território. O Agreste, por exemplo, abriga uma potente produção ligada à confecção e à moda. O Recife é solo fértil da indústria audiovisual. A Zona da Mata Norte é berço de manifestações culturais, como o maracatu. O artesanato, como se vê nos corredores da Fenearte, está presente em praticamente todas as cidades. E ainda nem falamos da música, das artes plásticas, da literatura e de tantas outras expressões. Nas discussões sobre o novo ciclo de desenvolvimento de Pernambuco, a economista Tânia Bacelar, sócia da consultoria econômica Ceplan, destaca que a economia criativa deve ser um dos pilares da economia do Estado. Entre outros aspectos, ela ressalta que o setor distribui renda de forma muito democrática, beneficiando uma vasta cadeia de fornecedores, e potencializa outros setores, como o turismo. “É um tipo de atividade que mobiliza muita gente. Então, para um país como o nosso, que tem um problema de desemprego, de subemprego grande, a economia criativa cai como uma luva”, resume a economista. A produção cultural tem essa marca: ela é generosa do ponto de vista da criação de oportunidade de inserção para o processo produtivo.” BARREIRA DA FORMALIZAÇÃO Para incentivar esse setor tão popular e potente no desenvolvimento social, o Brasil e Pernambuco já têm políticas públicas em andamento há décadas. Os editais de cultura, a promoção de feiras e a capacitação desses produtores não é mais uma novidade. No entanto, há uma série de entraves que impede um melhor aproveitamento desse potencial. Muitos produtores de cultura de Nazaré da Mata, por exemplo, conhecidos pela tradição do maracatu passam por imensas dificuldades. A beleza da manifestação, tão presente nas peças publicitárias do turismo e do lazer do Nordeste, ofusca uma realidade dura vivida por vários dos grupos que mantêm essa herança com muito sentimento, mas poucos recursos. “A Mata Norte é um dos maiores celeiros de economia criativa. Mas muitos vivem com cachês muito abaixo do que outras áreas culturais conseguem. Falta apoio também para que esses grupos consigam acessar os editais e transformar suas ideias em projetos”, avalia o jornalista e produtor cultural Salatiel Cícero. Ele aponta um fator que é presente na maioria das linguagens desse setor em Pernambuco. “O artista faz arte. Ele não quer saber da burocracia.” A distância entre a produção criativa e o acesso à linguagem dos editais de cultura é grande. Daí a pensar em modelos de negócios que dependam menos do poder público e sejam mais sustentáveis, há uma corrida ainda maior. Um diagnóstico que aponta para uma primeira urgência, segundo Tânia Bacelar: o enfrentamento da informalidade. “Esse é um segmento produtivo importante, mas que ainda enfrenta muita dificuldade de organização. A gente vive numa sociedade que requer formalidades. A economia criativa é uma atividade muito rica e poderosa, mas muito informal”, avalia a economista. Uma realidade que impõe um esforço das políticas públicas para simplificação dos processos, no que for possível, e capacitação ou o desenvolvimento de estruturas de apoio que contribuam para vencer essa barreira.  Tânia aponta o estímulo à formação de cooperativas como um caminho possível para avançar na formalização dessas atividades. Ela também observa que, diante da resistência de mestres mais antigos em criar um CNPJ ou elaborar projetos, incentivar as gerações mais jovens das famílias ligadas à produção cultural pode ser uma estratégia eficaz para transformar essa realidade. FALTA DE DADOS É UM DESAFIO DA ECONOMIA CRIATIVA Outro problema no horizonte é a falta de dados. Espalhada por diferentes regiões e linguagens, a economia criativa ainda carece de informações mais precisas sobre o tamanho da produção e seus fluxos. Sem esse mapeamento, produtores enfrentam mais dificuldade para acessar mercados e o poder público encontra limites para planejar ações de desenvolvimento para o setor. Pernambuco já deu um passo importante no mapeamento da economia criativa. Um dos marcos foi a realização do Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato, demandado pela Adepe (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco) ao Laboratório O Imaginário, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). O levantamento ouviu quase 900 pessoas em 89 municípios, identificou as singularidades de cada região de desenvolvimento e apontou diretrizes para fortalecer os trabalhadores, ampliar mercados, qualificar produtos e valorizar os territórios. Mesmo com esse passo inicial, Camila Bandeira, diretora de economia criativa da Adepe, reconhece que há uma dificuldade de encontrar dados do setor. Diante da potencialidade e da forte demanda que vem dos produtores, o próximo estudo a ser encomendado pela agência será no setor audiovisual. “A gente ainda tem muita dificuldade de ter dados mais consolidados sobre a economia criativa. Cada território tem suas potências e suas fragilidades. O próximo passo é justamente fazer um estudo voltado para o audiovisual, porque é um setor que tem crescido muito e que a gente ainda precisa entender melhor”, afirmou Camila. Esse segmento, inclusive, tem um grau muito maior de formalização e de capacidade de elaboração de projetos. Uma realidade que difere muito da maioria das demais linguagens da economia criativa.  Em relação à economia criativa da cultura afro-brasileira da Mata Norte, Salatiel Cícero lançou a plataforma digital Casa do

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Festival Pernambuco Meu País Verão leva programação gratuita a Itamaracá neste fim de semana

Edição especial no Litoral Norte reúne artistas nacionais e pernambucanos e aposta na cultura como motor do turismo e da economia local O Festival Pernambuco Meu País Verão desembarca em Itamaracá com uma edição especial no Litoral Norte, reunindo três dias de programação gratuita à beira-mar, nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro. A iniciativa do Governo de Pernambuco, por meio da Secult-PE, Fundarpe e Empetur, com apoio da Prefeitura de Itamaracá, traz ao palco nomes como Lia de Itamaracá, Thiaguinho, Raphaela Santos, Xanddy Harmonia, Gaby Amarantos, Ara Ketu, É o Tchan e Natanzinho Lima, além de expressões da cultura popular e artistas locais. O projeto integra a diretriz estadual de valorização da cultura como vetor de desenvolvimento regional e inclusão social, com impacto direto em cadeias como turismo, comércio e economia criativa. Após passar por Camaragibe, Recife, Jaboatão dos Guararapes e São José da Coroa Grande, a edição de verão chega à Ilha de Itamaracá como parte da estratégia de descentralização das políticas culturais e de consolidação de um calendário contínuo de ocupação cultural no estado. “Esta edição do Pernambuco Meu País Verão mostra como a gestão da governadora Raquel Lyra chega de verdade às pessoas, com alcance nos territórios e uma adesão que só cresce a cada cidade. Conseguimos ver um retorno concreto na vida cultural, no movimento da economia local e na forma como estamos fortalecendo essa conexão entre cultura, oportunidades e desenvolvimento”, destaca a secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula. O presidente da Empetur, Eduardo Loyo, ressalta a importância do evento para o fortalecimento do turismo no Litoral Norte: “A ideia é repetir o sucesso alcançado em São José da Coroa Grande, fortalecendo não só Itamaracá, mas todas as cidades do Litoral Norte, que são lindíssimas, têm enorme importância turística e potencial para receber grandes eventos”. ServiçoO quê: Festival Pernambuco Meu País Verão – ItamaracáQuando: 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiroOnde: Em frente à Fortaleza de Santa Cruz (Forte Orange), ItamaracáQuanto: GratuitoAtrações: Lia de Itamaracá, Thiaguinho, Raphaela Santos, Xanddy Harmonia, Gaby Amarantos, Ara Ketu, É o Tchan, Natanzinho Lima, entre outros Programação Pernambuco Meu País Verão – Itamaracá: 30/01 – Sexta-feira18h – Coco Chinelo de Iaiá19h – Carlinhos Bala20h30 – Douglas Leon22h30 – Caninana00h30 – Natanzinho LimaDJ Luan Sobral nos intervalos 31/01 – Sábado18h – Coco de Mulheres19h – Lia de Itamaracá20h30 – Gaby Amarantos22h30 – Raphaela Santos00h30 – ThiaguinhoDJ Vibra nos intervalos 01/02 – Domingo16h30 – Grêmio Recreativo Cultural e Arte Gigante do Samba17h40 – Almir Rouche19h40 – Ara Ketu21h40 – É o Tchan23h40 – Xanddy HarmoniaDJ Ari Falcão nos intervalos

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Quando a orquestra toca, o frevo toma conta: YouTube celebra o Carnaval 2026

O projeto “Quando a Orquestra Toca” valoriza músicos e orquestras de frevo, ampliando a visibilidade do ritmo que é símbolo do Carnaval pernambucano e da cultura brasileira Recife e Olinda serão palco, no Carnaval 2026, de uma das mais abrangentes iniciativas de valorização cultural já realizadas pelo YouTube no Brasil. Com foco nas orquestras de frevo, a plataforma lança em Pernambuco um projeto que une pesquisa inédita, preservação da memória, ações presenciais e capacitação, reforçando o papel da cultura como vetor de desenvolvimento econômico e social.  O projeto, nomeado “Quando a Orquestra Toca – O Brasil freva junto”, parte de uma ideia simples e profundamente simbólica: é o som das orquestras que ativa o frevo, a dança, a festa e a memória coletiva. Antes do passo e da folia, existe a música. E é ela que conecta território, identidade e pertencimento.  Pesquisa   O núcleo do projeto é um inventário cultural das orquestras de frevo de Recife e Olinda, realizado pela Quaest Pesquisa e Consultoria a pedido do YouTube. O estudo multimétodos, mapeia a trajetória, os desafios e o impacto socioeconômico desses grupos, gerando uma base de dados inédita. Antes do lançamento público, o Relatório e o Mapa das Orquestras serão entregues aos maestros em reconhecimento ao seu protagonismo.  O levantamento identificou 322 grupos musicais de Frevo em Recife e Olinda, evidenciando a dimensão real do ecossistema que sustenta o Carnaval e a cultura pernambucana ao longo do ano, e não apenas nos dias de festa. O estudo mostra que o frevo é central na vida dos músicos, mas essa centralidade não se traduz em renda. A maioria dos maestros e músicos precisa manter outras profissões para sobreviver, revelando os desafios estruturais do trabalho cultural, especialmente fora do período carnavalesco.  Na etapa qualitativa, foram entrevistados 20 atores no total, entre maestros e maestrinas de orquestras de frevo de Recife e Olinda. As entrevistas foram realizadas de forma presencial e em profundidade, ao longo de 18 encontros.   O levantamento identificou 322 grupos musicais de Frevo em Recife e Olinda, evidenciando a dimensão real do ecossistema que sustenta o Carnaval e a cultura pernambucana ao longo do ano, e não apenas nos dias de festa. O estudo mostra que o frevo é central na vida dos músicos, mas essa centralidade não se traduz em renda. A maioria dos maestros e músicos precisa manter outras profissões para sobreviver, revelando os desafios estruturais do trabalho cultural, especialmente fora do período carnavalesco.  A diretora de Sustentabilidade e Riscos da Quaest, Marina Siqueira, destaca o valor do trabalho: “O ineditismo da pesquisa está em tratar o frevo não apenas como patrimônio simbólico, mas como um sistema cultural, econômico e territorial que precisa ser compreendido com evidências.”  Curta Documentários  A iniciativa também contempla uma série de ações que conectam memória e futuro, incluindo curta documentários produzidos pelo canal do YouTube @AmadoMundo sobre os saberes e histórias das orquestras, criando um acervo audiovisual permanente. Os filmes serão lançados em um evento aberto ao público, no dia 02 de fevereiro no Paço do Frevo, e após a data, oferecidos gratuitamente para a rede pública de ensino de Recife e disponibilizados na plataforma.  “Os documentários contarão as histórias e os personagens por trás do Galo da Madrugada, do maracatu e das Orquestras Henrique Dias e Maestro Oséas. Todos poderão ser vistos gratuitamente no canal do Amado Mundo no YouTube a partir de 3 de fevereiro”, explicou o publisher do Amado Mundo, Guilherme Amado.  Cultura  Essa atuação local se conecta a um impacto nacional mais amplo. Segundo estudo da Oxford Economics, o YouTube contribuiu com R$ 4,94 bilhões para o PIB brasileiro em 2024 e viabilizou mais de 130 mil empregos equivalentes em tempo integral.   “O YouTube é, ao mesmo tempo, palco cultural e motor econômico. Quando investimos em criatividade, estamos investindo em renda, emprego, pertencimento e identidade. Nosso compromisso é dar voz aos muitos Brasis, dando visibilidade às culturas locais, fortalecendo comunidades e conectando criadores a oportunidades reais de desenvolvimento social e econômico em todo o país”, afirma Alana Rizzo, Diretora de Políticas Públicas e Relações Governamentais do YouTube para a América Latina.  Outro eixo central é a casa Carnaval das Memórias, que funcionará no Centro Histórico de Olinda durante o período carnavalesco, para convidados. O espaço foi concebido como um lugar vivo de encontro, exibição e celebração, reunindo arquivos audiovisuais, ativações culturais e experiências presenciais que colocam as orquestras no centro da narrativa.  Lançamento e Programação  Longevidade do patrimônio   Além da preservação, o projeto aposta na longevidade. Em parceria com a startup de impacto Hub.Periférico, que faz parte da Associação Fruto da Favela, serão oferecidas às orquestras, fazedores de cultura e jovens, oficinas de empreendedorismo criativo e criação de conteúdo, com foco em visibilidade, governança e sustentabilidade financeira. A proposta é garantir que tradição e inovação andem lado a lado, colaborando na construção de caminhos concretos para o futuro dessas instituições culturais.  Impacto do YouTube na Economia Criativa  Segundo pesquisa realizada pela Oxford Economics realizada em 2024 sobre o ecossistema do YouTube  · 81% dos usuários dizem encontrar conteúdo que reflete sua cultura. · 71% dos criadores que monetizam afirmam que o YouTube gerou oportunidades em suas regiões. · 65% dos brasileiros acreditam que a plataforma ajuda a preservar a história e cultura locais.

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CAIXA Cultural Recife celebra Naná Vasconcelos com show inédito

Espetáculo “Amém & Amem – Naná Vasconcelos 80 Anos” ocupa o palco de 12 a 14 de janeiro e integra as comemorações pelos 165 anos da CAIXA A CAIXA Cultural Recife recebe, de 12 a 14 de janeiro de 2026, o espetáculo “Amém & Amem – Naná Vasconcelos 80 Anos”, um tributo ao percussionista pernambucano que marcou a história da música brasileira e mundial. A temporada integra as comemorações pelos 165 anos da CAIXA e acontece no ano em que se completa uma década da morte de Naná, reunindo no palco Virgínia Rodrigues, Zé Manoel, Lucas dos Prazeres e Marivaldo dos Santos. O show propõe um encontro artístico que revisita o universo sonoro plural e espiritual de Naná Vasconcelos, combinando ancestralidade, improvisação e experimentação. A apresentação do dia 13 de janeiro contará com intérprete de Libras e será seguida de um bate-papo entre público e artistas, ampliando o caráter formativo e afetivo da homenagem. Reconhecido internacionalmente, Naná Vasconcelos (1944–2016) foi eleito nove vezes o Melhor Percussionista do Mundo pela revista Down Beat e venceu oito prêmios Grammy. Nascido no Recife, projetou os sons do berimbau e das raízes brasileiras para o mundo em parcerias com nomes como Milton Nascimento, Don Cherry, Pat Metheny, Egberto Gismonti, Gato Barbieri, Jean-Luc Ponty e a banda Talking Heads. O repertório do espetáculo reúne composições autorais, parcerias emblemáticas e influências de Heitor Villa-Lobos e Milton Nascimento, sob direção musical de Marivaldo dos Santos e direção artística de André Brasileiro. “Esse é um encontro que celebra as sementes musicais plantadas por Naná. Quatro artistas profundamente impactados por sua obra se reúnem para homenagear o mestre, guiados pelo afeto e pela força criativa que ele nos ensinou”, comenta o diretor. Além do show, na terça-feira (13), das 14h às 17h, Lucas dos Prazeres e Marivaldo dos Santos ministram uma oficina de percussão, com foco em técnicas corporais e instrumentais, criação coletiva de grooves e improvisação rítmica. Serão oferecidas 20 vagas, e as inscrições devem ser feitas no site da CAIXA Cultural. ServiçoAmém & Amem – Naná Vasconcelos 80 AnosLocal: CAIXA Cultural Recife – Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do RecifeDatas: 12 a 14 de janeiro de 2026 (segunda a quarta)Horário: 20hIngressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia – clientes CAIXA e casos previstos em lei), no site da CAIXA CulturalSessão do dia 13 com intérprete de Libras e bate-papo com os artistasClassificação: Livre | Acesso para pessoas com deficiência

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Exposição “Vidas em Cordel” é prorrogada no Cais do Sertão após recorde de público no Recife

Mostra do Museu da Pessoa supera marcas nacionais, reúne mais de 66 mil visitantes e segue em cartaz até janeiro A exposição “Vidas em Cordel” teve sua temporada prorrogada no Centro Cultural Cais do Sertão, no Recife, após registrar o maior público de toda a trajetória do projeto no país. A passagem pela capital pernambucana reuniu mais de 66 mil visitantes e resultou na gravação de 720 histórias de vida, coletadas na cabine interativa instalada no espaço expositivo. O desempenho no Recife superou com folga outras edições da mostra. O número de visitantes foi mais que o dobro do registrado em São Paulo, segunda cidade com maior público, que contabilizou pouco mais de 28 mil espectadores e 216 relatos gravados no Museu da Língua Portuguesa. Diante do sucesso, a organização decidiu estender o período de visitação até o dia 18 de janeiro, aproveitando o fluxo ampliado de público durante as férias e o recesso de fim de ano. Promovida pelo Museu da Pessoa, com patrocínio oficial da Petrobras, a exposição une literatura de cordel e xilogravura para transformar em arte histórias de brasileiros célebres e anônimos. As obras são apresentadas em versos e imagens que destacam trajetórias marcantes e valorizam a diversidade cultural, social e humana do país. No Recife, a mostra ocupa a sala Todo Gonzaga, no segundo andar do Cais do Sertão. A exposição apresenta grandes painéis ilustrados com xilogravuras, minibiografias dos personagens retratados e textos explicativos sobre a tradição do cordel. O público também tem acesso a cordéis distribuídos gratuitamente, QR Codes com conteúdos interativos, espaço para registro fotográfico e uma cabine de gravação de depoimentos, que passam a integrar o acervo do Museu da Pessoa. O projeto já percorreu cinco estados e soma mais de 80 mil visitantes presenciais e 190 mil acessos online. Além da experiência física, o conteúdo da exposição pode ser acessado virtualmente, com materiais exclusivos disponíveis em plataforma digital. A Programação Cultural do Museu da Pessoa é viabilizada pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura, com patrocínio da Petrobras e apoio de instituições públicas e privadas, incluindo o Governo de Pernambuco, por meio do Centro Cultural Cais do Sertão. ServiçoExposição: “Vidas em Cordel”, do Museu da PessoaQuando: até 18 de dezembroVisitação: das 10h às 16h (terça a sexta) e das 13h às 18h (sábados e domingos)Onde: Centro Cultural Cais do Sertão – Avenida Alfredo Lisboa, s/n, Recife AntigoQuanto: acesso gratuito

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Mestre J. Borges RRENATO LUIZ PRODUTOR CULTURAL Easy Resize.com

Festival Mestre J. Borges divulga programação completa

Evento será realizado de 18 a 21 de dezembro, em Bezerros, com atividades gratuitas em diversos polos culturais da cidade A programação do 1º Festival Mestre J. Borges, que acontece entre os dias 18 e 21 de dezembro, em Bezerros, no Agreste pernambucano, foi divulgada pela organização. O evento homenageia o xilogravurista e cordelista J. Borges, falecido em julho de 2024, e reúne atividades distribuídas em oito polos, com acesso gratuito ao público. A agenda contempla oficinas culturais, exposições, visitas guiadas, apresentações musicais, concursos de xilogravura e cordel, rodas de conversa e outras ações relacionadas ao legado do artista. Segundo o material enviado à imprensa, o festival busca promover a difusão da obra de J. Borges no período que marca o aniversário do seu nascimento, no dia 20 de dezembro, além de estimular cultura, turismo e economia local. A programação inclui atividades no Memorial J. Borges, Estação da Cultura, Praça da Bandeira, Centro de Artesanato de Pernambuco e outros espaços da cidade. Entre os destaques estão premiações dos concursos, rodas de conversa sobre a influência do artista na xilogravura, exibições audiovisuais e apresentações musicais. O público terá acesso também a exposições temáticas sobre a obra do homenageado e oficinas conduzidas por artistas ligados ao universo da xilogravura e do cordel. De acordo com a organização, temas como inclusão, acessibilidade, sustentabilidade, desenvolvimento econômico e conectividade cultural serão abordados ao longo dos quatro dias, com programação voltada tanto à população local quanto a visitantes. Serviço 1º Festival Mestre J. BorgesData: 18 a 21 de dezembro de 2025Local: Diversos polos culturais em BezerrosEntrada: GratuitaAtenção: A programação poderá sofrer alterações. >>PROGRAMAÇÃO COMPLETA Quinta-feira, dia 18/12/2025 – Viaduto do B. Nossa Senhora Aparecida (antiga Cohab) 16h30 – Entrega da intervenção artística de Xilogravura Sexta-feira, dia 19/12/2025 – Memorial J. Borges  08h – Visitação ao “Espaço Mestre J. Borges” 09h – Exposição “Raízes e Matrizes do Mestre J. Borges” 09h – Exposição “As Xilogravuras do Mestre J. Borges” 09h30 – Oficina de Cordel com o Poeta Severino Pedro 09h30 – Oficina de Xilogravura com Pablo Borges Sexta-feira, dia 19/12/2025 – Estação da Cultura  10h – Visitação ao Museu de Antiguidades 10h – Visitação ao Museu do Papangu 10h – Exposição de Xilogravuras (artistas bezerrenses) 10h – Oficina de Xilogravura com Gustavo Borges Sexta-feira, dia 19/12/2025 – Praça da Bandeira  15h – Microfone Aberto 15h30 – Premiação do Concurso de Xilogravura 16h – Encontro de Repentistas 16h30 – Premiação do Concurso de Cordel 17h30 – Exibição do “Cine J. Borges” 20h30 – Banda de Pífanos Nossa Senhora de Lourdes 21h – Banda Musical Cônego Alexandre Cavalcanti (Retreta) Sábado, dia 20/12/2025 – Memorial J. Borges 08h – Visitação ao “Espaço Mestre J. Borges” 09h – Exposição “Raízes e Matrizes do Mestre J. Borges” 09h – Exposição “As Xilogravuras do Mestre J. Borges” 09h30 – Oficina de Xilogravura com Bacaro Borges Sábado, dia 20/12/2025 – Estação da Cultura 10h – Visitação ao Museu de Antiguidades 10h – Visitação ao Museu do Papangu 10h – Exposição de Xilogravuras (artistas bezerrenses) Sábado, dia 20/12/2025 – Centro de Artesanato de Pernambuco (Unidade Bezerros) 10h – Lançamento Coletivo de Trabalhos Literários 13h30 – Roda de Conversa Cultural “A influência de J. Borges na Xilogravura”, com participação de Bacaro Borges, Pablo Borges, Edna Silva e Oficina Embuá (Mediador: Carlos Gomes) 15h – Palestra Cultural “J. Borges: o homem que ‘virou’ artista porque leu e vendeu folhetos”, com Maria do Rosário da Silva 15h30 – Roda de Conversa Cultural “No Ritmo da Xilogravura e do Baião”, com Onildo Almeida & Joquinha Gonzaga (Mediador: Lunas Costa) Sábado, dia 20/12/2025 – Mercado Barra Branca  12h – Cesso Santos 16h – Waldir Lyra Sábado, dia 20/12/2025 – Palco Mestre J. Borges 20h – Forró Rei do Cangaço 21h30 – Entrega do Prêmio Mestre J. Borges – In Memoriam 21h35 – Fala da Júlia Filizola, filha de Ângelo Filizola 21h45 – Entrega do Prêmio Mestre J. Borges 21h50 – Fala de Fátima Bernardes  22h – Benil e Convidados (Amazan, Alcymar Monteiro, Novinho da Paraíba e mais) Sábado, dia 20/12/2025 – Praça da Bandeira – Centro   16h às 21h – Vitrine Criativa – Edição Festival Mestre J. Borges Domingo, dia 21/12/2025 – Memorial J. Borges 08h – Visitação ao “Espaço Mestre J. Borges” 09h – Exposição “Raízes e Matrizes do Mestre J. Borges” 09h – Exposição “As Xilogravuras do Mestre J. Borges” Domingo, dia 21/12/2025 – Estação da Cultura  10h – Visitação ao Museu de Antiguidades 10h – Visitação ao Museu do Papangu 10h – Exposição de Xilogravuras (artistas bezerrenses) Domingo, dia 21/12/2025 – Mercado Barra Branca   12h – Renilda Cardoso 15h – Grupo Musical do 4º BPM e amigos Domingo, dia 21/12/2025 – Praça Praça da Bandeira – Centro   16h às 21h – Vitrine Criativa – Edição Festival Mestre J. Borges  Domingo, dia 21/12/2025 – Ateliê Bacaro Borges 16h30 – Recreação Infantil 17h – Coral de Idosos do CCI  17h30 – Folcpopular 18h – Morganna Bernardo

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Paudalho ganha destaque nacional com mapeamento que identifica 19 casas de culto afro-indígenas

Dossiê digital reúne fotos, textos, vídeos e geolocalização de terreiros e evidencia importância cultural e ancestral do município pernambucano A cidade de Paudalho, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, passou a integrar o mapa nacional e internacional das tradições afro-indígenas após a divulgação do “Dossiê Território Ancestral”, levantamento que identificou 19 casas de culto em funcionamento. A pesquisa, disponível em plataforma digital, reúne fotografias, textos, vídeos e geolocalização dos espaços dedicados à Jurema Sagrada, Umbanda, Candomblé e práticas de matriz afro-indígena. O resultado posiciona o município entre as regiões com maior concentração de terreiros no Brasil. Metodologia baseada em escuta e protagonismo religioso O projeto foi idealizado por Jaifalerì, Babalossayn do Ylê Axé Xangô Ayrá, que assina a pesquisa ao lado da produtora cultural Belisa Alves, Filha de Oxum, e do fotógrafo Edgar Lira, Filho de Ogum. A iniciativa parte de uma perspectiva interna das tradições, operando como instrumento de afirmação identitária e enfrentamento ao racismo religioso. A equipe percorreu áreas urbanas, rurais e de difícil acesso para registrar práticas, rezas, ritos e saberes transmitidos por gerações. “Mapear não é invadir, é proteger”, afirma Belisa Alves, destacando que a escuta feita por praticantes gera confiança e troca de saberes que pesquisas externas não alcançam. Registro audiovisual reforça preservação da memória O fotógrafo Edgar Lira produziu mais de 140 imagens oficiais, registrando lideranças, espaços sagrados e objetos rituais, compondo um acervo que integra também o documentário “Território Ancestral”. A criação busca demonstrar que tecnologia e ancestralidade se complementam na preservação cultural. O material foi apresentado durante a Mostra Território Ancestral, que reuniu mães e pais de santo, pesquisadores e moradores para lançar o dossiê, exibir o documentário e oferecer devolutiva pública à comunidade. Desafios institucionais e afirmação cultural Apesar dos convites, instituições municipais e estaduais tiveram baixa participação na Mostra, fato que, segundo a coordenação, evidencia fragilidades estruturais no apoio às religiões de matriz afro-indígena e reforça o impacto da intolerância religiosa. Ainda assim, o trabalho aponta caminhos para o fortalecimento das redes espirituais, ampliação da visibilidade dos terreiros e produção de conhecimento a partir das próprias comunidades. “Este trabalho é continuidade”, diz Jaifalerì. “É a certeza de que as próximas gerações terão acesso à história que sempre existiu, mas que muitas vezes foi silenciada. A ancestralidade não é passado: é presente e futuro.” Acesso aberto ao dossiê e contextualização histórica O dossiê completo pode ser consultado no site territorioancestral.com.br, que disponibiliza conteúdos multimídia e informações detalhadas sobre cada casa de culto. A pesquisa também está presente no perfil @mapeamentoancestral no Instagram, além do documentário gratuito no YouTube. Paudalho, município de cerca de 56 mil habitantes localizado a pouco mais de 40 quilômetros do Recife, carrega uma formação histórica marcada por aldeamentos indígenas, o rio Capibaribe e antigos engenhos de cana-de-açúcar, elementos que moldaram a identidade local.

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Usina de Arte Credito Andrea Rego Barros

Festival Arte na Usina 2025 reúne programação gratuita e grandes nomes da música na Mata Sul de Pernambuco

Evento em Água Preta reúne artistas consagrados e iniciativas culturais integradas ao fortalecimento econômico e social da região. Foto: Andrea Rego Barros O Festival Arte na Usina — Safra 2025 chega à sua 11ª edição entre os dias 5 e 7 de dezembro, em Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco, consolidando-se como uma das principais agendas culturais da região. Com programação totalmente gratuita, o evento reúne shows no Pátio da Indústria, incluindo apresentações de Adilson Ramos, Almério, Joyce Alane e Natascha Falcão, além de artistas locais, atrações circenses, missa de abertura e atividades que reforçam seu papel como vetor cultural e turístico. Tradição, renovação e impacto territorial Com o tema “Tradição e Renovação”, a edição destaca a necessidade de valorizar a história local ao mesmo tempo em que projeta novos caminhos para o futuro, alinhando-se ao trabalho contínuo desenvolvido pela Usina de Arte. A região, antes marcada pela monocultura da cana-de-açúcar, vem ampliando alternativas econômicas, especialmente no turismo e na cultura, refletindo um movimento crescente de protagonismo comunitário. Esse processo se reflete em ações estruturadas da Usina de Arte, que atua na formação, democratização do acesso à cultura e promoção de oportunidades. O projeto já se tornou parte expressiva da dinâmica local, fomentando novas vocações e contribuindo para a integração de jovens em diversas áreas de conhecimento, ao mesmo tempo em que amplia o repertório cultural da comunidade. Depoimentos e efeitos econômicos “Quando começamos o projeto da Usina, nosso objetivo era transformar economicamente a região, e hoje, por meio da cultura e do turismo, existe um movimento efervescente de desenvolvimento, a economia gira, as pessoas têm mais oportunidades, sonhos mais ousados. Ver nossos jovens nas universidades, por exemplo, é motivo de muito orgulho”. A avaliação da presidente da Usina de Arte, Bruna Pessôa de Queiroz, reforça o papel estruturante da iniciativa no território. A percepção é compartilhada por empreendedores, que apontam o festival como catalisador de visibilidade, circulação de visitantes e fortalecimento de negócios locais, cujos efeitos se estendem para além dos dias da programação. Perspectivas e fortalecimento da cadeia cultural regional A Usina de Arte também integra ações de formação, preservação ambiental e estímulo ao empreendedorismo, apoiadas por equipamentos como o Parque Artístico-Botânico, a Escola de Música, a Biblioteca e o Fab Lab Mata Sul. Com cerca de 12 mil visitantes esperados para a edição deste ano, a iniciativa reforça o impacto contínuo do projeto na economia local, no turismo e na valorização do território, que recebe semanalmente cerca de 1.500 pessoas. Serviço Programação Dia 05/12:16h30 – Lona de Circo – Cia. Master Circo18h – Missa de Agradecimento – Capela de Santa Terezinha19h – Wilson Monteiro e Orquestra Emoções20h – Grupo Alcano22h – Adilson Ramos Dia 06/12:16h30 – Lona de Circo – Cia. Master Circo19h – Júnior Praxe21h30 – Natascha Falcão23h – Forró na Caixa Dia 07/12:10h – Lona de Circo – Cia. Master Circo19h – Joyce Alane21h30 – Almério

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O Poste: 21 anos de contracolonização e fortalecimento do Teatro Negro em Pernambuco

Grupo fundado mantém pesquisa em matriz afroindígena, forma novas gerações e amplia circulação nacional e internacional com linguagem cênica própria. *Por Rafael Dantas O que começou como um grupo especializado em iluminação cênica se transformou, ao longo de duas décadas, em um dos mais importantes núcleos de teatro negro, pesquisa artística e formação de jovens no Recife. Criado em 2004, o Grupo O Poste Soluções Luminosas hoje é empresa formalizada, escola, espaço cultural e referência de ações afirmativas no campo das artes. Fundado por Naná Sodré, atriz, diretora, pesquisadora e professora de Artes Cênicas da UFPE, o grupo desenvolve uma pesquisa continuada de matriz afroindígena e sustenta práticas cênicas que deslocam o eurocentrismo de suas estruturas. Da luz à cena: uma transição natural Quando surgiu, o Poste realizava projetos de iluminação de espetáculos. Montava refletores, acompanhava ensaios, dialogava com equipes de figurino e maquiagem. Mas, como lembra Naná Sodré, a vocação artística do grupo já apontava para outro caminho. A partir de 2008, o coletivo assume definitivamente sua identidade como grupo de teatro de pesquisa, ampliando repertórios, métodos e linguagens. Hoje, o grupo desenvolve dramaturgia, direção, sonoplastia, dança, cinema, formação continuada e ações comunitárias. Com sede no Recife e formado atualmente por Naná Sodré, Agrinez Melo e Samuel Santos, O Poste direciona suas criações para ações afirmativas voltadas à negritude. A metodologia própria — construída na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” — articula movimentações dos Orixás do Candomblé e guias da Umbanda/Jurema. A prática reafirma a busca por um corpo cênico ancestral e atualizado, conectando linguagens, espiritualidades e memórias da diáspora africana. Um quilombo urbano no centro do Recife O espaço físico do grupo, no centro da cidade, abriga a Escola O Poste de Antropologia Teatral, que funciona como principal base financeira e pedagógica. São cursos de 6 a 8 meses com professores, pesquisadores e mestres ligados a práticas negras, afro-indígenas e populares, como capoeira, cavalo-marinho, caboclinho e terreiros de matriz africana. Naná define o espaço como um quilombo urbano: aberto a crianças, jovens, adultos e idosos; a pessoas de múltiplos gêneros; e estruturado para acolher diversidade e promover autonomia. “Nós somos um quilombo urbano.” Teatro negro como projeto político e estético O Poste assume-se como grupo de teatro negro, com estética e narrativas ancoradas em vivências afro-indígenas. Trabalha pesquisas como “o corpo ancestral na cena contemporânea”, desenvolvida em terreiros do Recife, e atua para fortalecer representatividade, identidade e letramento racial no campo artístico. “Estar em cena enquanto pessoa negra, dizendo textos que dialogam com a nossa realidade, muda estruturas”, afirma Naná. O grupo também se inspira na trajetória de artistas e pensadores como Abdias Nascimento e Solano Trindade, figuras que, para Naná, abriram caminhos estéticos e políticos que hoje sustentam a cena negra no país. Ao reconhecer-se como “sementes” desses criadores, O Poste inscreve sua prática em uma linhagem que atravessa o Teatro Experimental do Negro, a poesia de terreiro, as performatividades afroindígenas e os processos de contracolonização que antecedem e orientam a pesquisa contemporânea do coletivo. Formação de jovens e construção de futuros Além das próprias produções, o Poste mantém o Postinho, núcleo formado por quatro jovens entre 20 e 22 anos que passaram por uma formação de dois anos e meio. Eles já assinam projetos, conquistam editais e desenvolvem seus próprios espetáculos. A formação inclui estética, história, processos de criação e também temas como elaboração de projetos, emissão de nota fiscal, contratos, direitos trabalhistas e organização financeira — preparando-os para autonomia e liderança. “Queremos que eles ocupem espaços de poder. Que uma dessas jovens esteja no futuro na cadeira da Cultura da Prefeitura do Recife, por exemplo”, diz Naná. Impacto social: arte que chega onde nunca houve teatro Ao longo dos anos, o grupo levou espetáculos a cidades sem teatros ou equipamentos culturais, viajando pelo rio São Francisco, passando por municípios de Minas e Bahia, e circulando também por localidades periféricas de Pernambuco. O objetivo é simples e profundo: garantir fruição estética a quem nunca teve acesso. Como resume Naná Sodré: “A gente sempre gosta de desaguar nossas artes em lugares onde a fruição estética e artística precisa de uma força. Escolhemos cidades em que as pessoas nunca tinham assistido teatro na vida. Se não tinha teatro, era justamente pra lá que a gente ia.” O Poste também tem atuado diretamente na construção de pautas estruturantes para o setor cultural. A partir de discussões promovidas pelo grupo e de sua participação ativa na cena artística pernambucana, políticas de incentivo passaram a incorporar perspectivas raciais e de representatividade. Um dos resultados mais significativos desse processo foi a inclusão de critérios de cotas e ações afirmativas no Funcultura, medida que ampliou o acesso de artistas negros aos mecanismos públicos de fomento e reposicionou o debate sobre equidade no ambiente cultural do Estado. Afroempreendedorismo como mudança de paradigma Para Naná, o afroempreendedorismo vai além de “negros empreendendo”: é um movimento de transformação estrutural. O grupo defende que o protagonismo negro no teatro, na gestão, na formação e nos espaços de decisão gera impacto direto em políticas públicas, modelos de ensino, representatividade e justiça simbólica — especialmente para crianças e jovens que se reconhecem em artistas, pesquisadores e gestores negros. “Nós sabemos que o racismo não vai acabar de uma hora para outra. Então pensamos como sementes. O que fazemos agora é para florescer no futuro”, afirma. Experiência internacional A trajetória internacional de O Poste também se consolidou nos últimos anos, ampliando o alcance da pesquisa afroindígena do grupo. Após a pandemia, a companhia integrou a Mostra Lusófona, no Piauí, apresentando Ombela — espetáculo que dialoga em português e em umbundo, língua tradicional angolana. Foi ali, em uma rodada de negócios promovida pelo Sebrae, que o grupo estabeleceu conexões com curadores de diversos países, o que abriu portas para novas circulações. Além dessa experiência, o coletivo já levou seus trabalhos à Dinamarca, Uruguai e Portugal, em ações independentes que reforçam a presença transnacional da companhia e ampliam o diálogo do teatro negro produzido no Recife com outras

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Filmes do Agreste são destaque no Circuito Penedo de Cinema

“Azul Marinho” e “Menina Semente”, produções do Agreste pernambucano, representam a nova geração do audiovisual regional em um dos principais festivais do país Dois curtas-metragens produzidos no Agreste de Pernambuco foram selecionados para o 15º Circuito Penedo de Cinema, um dos eventos audiovisuais mais importantes do Brasil. As obras “Azul Marinho”, de Paulo Conceição e Stephany Gabrielly, e “Menina Semente”, de Túlio Beat, representam a potência criativa e o crescente reconhecimento do cinema agrestino no cenário nacional. Produções com raízes no Agreste pernambucano Com trajetórias marcadas por participações e prêmios em festivais no Brasil e no exterior, os realizadores simbolizam uma nova fase do audiovisual regional. “Azul Marinho” nasceu das oficinas de audiovisual ministradas pelo professor da rede municipal de Caruaru, Paulo Conceição, criador do FestCine Itaúna. O curta foi desenvolvido na Escola Municipal Maria Félix, no Sítio Juá, e reflete o olhar criativo dos estudantes sobre a preservação do meio ambiente. Já “Menina Semente”, dirigido pelo multipremiado artista visual e cineasta Túlio Beat, referência na produção independente de Caruaru, surgiu no contexto do Desafio Criativo MMA – Moda, Música e Audiovisual, iniciativa com mentoria de Nestor Mádenes e Leopoldo Nóbrega, promovida pelo Armazém da Criatividade/Porto Digital Caruaru. Reconhecimento em festival nacional A seleção dos filmes entre mais de 1.400 produções inscritas reforça o destaque do Agreste pernambucano no mapa do cinema nacional. As duas obras concorrem na Mostra Velho Chico de Cinema Ambiental, categoria dedicada a produções com foco em temas ecológicos e sociais. Valorização da produção independente O reconhecimento dos curtas no festival alagoano reafirma o papel do Agreste como um polo criativo do audiovisual, com artistas e educadores que transformam o cotidiano em narrativa cinematográfica. A presença das obras em um evento de relevância nacional também estimula a formação de novos talentos e a difusão de histórias produzidas fora dos grandes centros. Serviço

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