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Agenda cultural agita o Grande Recife com música, cinema, exposições e frevo neste fim de semana

Do frevo ao cinema ao ar livre, passando por shows, exposições e forró, o Grande Recife reúne opções culturais para todos os públicos no segundo fim de semana de abril O fim de semana dos dias 11 e 12 de abril chega com uma programação cultural diversa no Grande Recife, reunindo shows de grandes nomes da música brasileira, celebrações da cultura nordestina, exposições que dialogam com ancestralidade e natureza, além de atividades gratuitas que valorizam o frevo e o cinema nacional. Entre os destaques estão a turnê comemorativa de Guilherme Arantes, a gravação de DVD de forró na Sala de Reboco e uma intensa agenda no Paço do Frevo e no Cine Apipucos. Guilherme Arantes celebra 50 anos de carreira no Teatro Guararapes Um dos nomes mais emblemáticos da música brasileira, Guilherme Arantes sobe ao palco do Teatro Guararapes, em Olinda, neste sábado (11), às 21h, com a turnê “50 Anos-Luz”. O espetáculo marca meio século de trajetória artística e promete uma noite carregada de emoção e memória afetiva. No repertório, não faltam clássicos que atravessaram gerações, como “Planeta Água”, “Cheia de Charme”, “Amanhã” e “Um Dia, Um Adeus”. Com mais de 30 composições em trilhas de novelas e músicas interpretadas por grandes nomes da MPB, Arantes reafirma sua relevância no cenário musical. Aos 72 anos, o artista vive uma fase de intensa criatividade e prepara o lançamento de um novo álbum inédito em 2026, reforçando sua conexão com o público e sua inquietação artística. “Árvore da Palavra” une ancestralidade e natureza em livro e exposição A fotógrafa pernambucana Roberta Guimarães lança, neste sábado (11), às 15h, no Museu do Estado de Pernambuco, o livro “Árvore da Palavra”, acompanhado da abertura de uma exposição fotográfica no Espaço Cícero Dias. O projeto é resultado de uma pesquisa iniciada em 2018, que investiga a relação entre natureza, espiritualidade e ancestralidade em territórios do Brasil e da África. A obra reúne registros de árvores sagradas, como baobás e irokos, além de reflexões sobre memória, resistência e práticas culturais. A publicação, bilíngue e com mais de 90 páginas, apresenta cinco pilares editoriais que guiam o leitor por uma jornada sensível entre territórios e saberes tradicionais. A exposição segue aberta ao público até o dia 3 de maio, com acesso gratuito. Paço do Frevo promove programação gratuita com música, inclusão e cortejo O Paço do Frevo realiza uma série de atividades gratuitas ao longo do fim de semana, celebrando o mês do choro, o frevo e a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na sexta-feira (10), ao meio-dia, o Conjunto Pernambucano de Choro retorna aos palcos com apresentação no projeto Hora do Frevo. Já no sábado (11), às 14h, acontece a ação “Frevo para Todos”, voltada para adultos com TEA, com visita mediada, oficina e roda de conversa. Encerrando a programação, no domingo (12), às 15h30, o Arrastão do Frevo toma as ruas do Recife com a estreia da Troça Carnavalesca Mista Dom Juan do Monte, em cortejo que segue até o Marco Zero, celebrando a cultura popular pernambucana. Cine Apipucos exibe filmes brasileiros ao ar livre com entrada gratuita O Cine Apipucos segue com sessões gratuitas até o domingo (12), apostando em uma curadoria dedicada ao cinema nacional. As exibições acontecem ao ar livre e incluem produções de destaque, como a animação “O Menino e o Mundo”, indicada ao Oscar. Além dos filmes, o espaço conta com a Cine Feira, reunindo gastronomia, artesanato e economia criativa, promovendo o encontro entre cultura e lazer. No sábado, o Festival Sabores amplia a programação com música e atividades a partir das 16h. Entre os destaques da programação estão o documentário “3 Obás de Xangô”, na sexta-feira, e o drama “Pacarrete”, no sábado, reforçando a diversidade de narrativas do cinema brasileiro. Exposição coletiva “Basta de violência contra as mulheres” ocupa a Galeria Raiz A Galeria Raiz, no Recife Antigo, recebe a partir desta sexta-feira (10), às 18h, a abertura da exposição coletiva “Basta de violência contra as mulheres”. Mais do que uma mostra artística, o projeto se apresenta como um manifesto visual e político diante das múltiplas formas de violência que atingem mulheres no Brasil. Reunindo mais de 30 artistas, a exposição propõe transformar o espaço expositivo em território de escuta, memória e resistência. As obras dialogam com experiências femininas, denunciando silenciamentos históricos e reafirmando a arte como ferramenta de enfrentamento e reflexão. Rony Félix lança álbum “Entreato Contraponto” com show e ação solidária O cantor e compositor Rony Félix apresenta ao público seu segundo álbum autoral, “Entreato Contraponto”, em show neste sábado (11), no Sesc Casa Amarela, com duas sessões, às 17h e 19h. A proposta une música e poesia em uma apresentação intimista, marcada pela sensibilidade e pela reflexão. Além da experiência artística, o evento também assume um caráter social. Parte dos ingressos será destinada à arrecadação de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade, por meio da Mercearia Comunitária do projeto ZN Social.

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Recife vive fim de semana de Páscoa com agenda cultural diversa e acessível

Entre bailes de brega, exposições, cinema ao ar livre e atividades infantis, programação dos dias 4 e 5 de abril reúne opções para todos os públicos na cidade A Semana Santa movimenta o cenário cultural do Recife com uma programação diversa que atravessa música, cinema, exposições e atividades para toda a família. Entre os dias 4 e 5 de abril, equipamentos culturais, espaços públicos e centros de convivência apostam em experiências que vão do brega tradicional às artes visuais contemporâneas, passando pelo frevo, cinema ao ar livre e ações lúdicas voltadas ao público infantil. A agenda reforça o papel da cidade como polo cultural vibrante, oferecendo opções acessíveis e plurais para moradores e visitantes durante o feriado. Tarde do Brega celebra o Domingo de Páscoa com clássicos do gênero O tradicional Clube das Pás promove, no domingo (5), a “Tarde do Brega”, reunindo nomes consagrados do gênero em uma programação marcada pela nostalgia e pela valorização da cultura popular pernambucana. A partir das 13h, a Orquestra das Pás abre os trabalhos, aquecendo o público para uma sequência de apresentações que inclui Vicente Jr Trepidant’s, Banda Chama do Brega, Assis Cavalcanti, Augusto César Filho, Bila do Brega, Marlene Andrade, Léo Bony e Aroldinho. Com ingressos acessíveis, R$ 30 (meia para todos) o evento aposta no clima dançante e afetivo que marca gerações. Um dos diferenciais da tarde é a presença de dançarinos profissionais disponíveis para o público, reforçando a experiência imersiva típica dos bailes do espaço, referência histórica na cena musical do Recife. Museu oferece programação especial e entrada gratuita na Sexta-Feira Santa Durante o feriadão, o Paço do Frevo convida o público a mergulhar na história e na contemporaneidade de um dos maiores símbolos culturais de Pernambuco. De sexta (3) a domingo (5), o museu mantém aberta a exposição interativa “Frevo Vivo”, com entrada gratuita na Sexta-Feira Santa e ingressos populares nos demais dias. No domingo, as visitas mediadas “Doses de Frevo” ampliam a experiência, trazendo ao público recortes históricos e artísticos do ritmo, em sessões distribuídas ao longo do dia. A iniciativa reforça o caráter educativo do espaço, que se consolida como centro de preservação e difusão do frevo. Além da programação imediata, o Paço também abre inscrições para o curso gratuito “Moacir Santos no Frevo”, que será realizado nos dias 10, 11 e 12 de abril, propondo uma imersão criativa na obra do maestro pernambucano. Oficinas criativas e caça aos ovos movimentam o fim de semana Voltado ao público infantil e às famílias, o Plaza Shopping promove uma programação especial de Páscoa entre os dias 3 e 5 de abril, com atividades no piso L4, das 14h às 20h. A iniciativa reúne oficinas criativas, encontros com o Coelhinho da Páscoa e a tradicional caça aos ovos, que ocorre nos dias 4 e 5, em sessões ao longo da tarde. Entre as atrações, estão experiências como pintura de cestinhas e ovos, customização de acessórios, produção de slime e atividades de confeitaria, todas pensadas para estimular a criatividade e a interação das crianças. Com bilheteria no local, o evento transforma o ambiente do shopping em um espaço de convivência e construção de memórias afetivas durante o feriado. Cine Apipucos exibe filmes brasileiros gratuitamente O Cine Apipucos segue com sua proposta de democratizar o acesso ao audiovisual com sessões gratuitas ao ar livre até o domingo (5). A programação contempla diferentes gêneros do cinema nacional, com exibições que vão do drama à animação, sempre em um ambiente pensado para o conforto do público. No sábado e domingo, as sessões acontecem às 16h30, integradas a outras atividades culturais, como a Cine Feira e o Festival Sabores, que combinam gastronomia, música e economia criativa. A iniciativa reforça o uso do espaço público como ponto de encontro cultural e convivência na cidade. Exposição “Onde moram os sonhos” estreia com entrada gratuita A artista visual Marina Zardo inaugura, no sábado (4), às 18h, sua primeira exposição solo, “Onde moram os sonhos”, no Cais do Sertão. Com entrada gratuita na abertura, a mostra reúne 32 obras que transitam entre pintura em óleo e bordado, explorando temas como liberdade feminina, natureza e imaginário. A exposição propõe uma experiência sensorial e simbólica, em que figuras femininas se apresentam em constante transformação, dialogando com elementos do mundo natural e subjetivo. Em cartaz até 3 de maio, a mostra reforça o papel dos equipamentos culturais como espaços de acesso democrático à arte e à reflexão contemporânea.

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27.09.2023 Banda Sinfonica do Recife 4 Marcos Pastich Prefeitura do Recife

Agenda cultural do Recife e arredores fervilham de arte, música e tradição no fim de semana

Do circuito das artes visuais aos palcos e às ruas, a capital pernambucana e cidades vizinhas transformam o fim de semana em um mosaico vibrante de experiências culturais, unindo memória, inovação e celebração popular Entre exposições de forte densidade simbólica, shows históricos, festas populares e experiências para todas as idades, o Recife e cidades próximas entram no último fim de semana de março, dos dias 28 e 29, com uma programação que traduz a diversidade cultural pernambucana. Do circuito institucional às manifestações de rua, a agenda reúne eventos gratuitos e pagos. Exposição Tereza Costa Rêgo ocupa a CAIXA Cultural Recife A CAIXA Cultural Recife recebe a mostra “Tereza Costa Rêgo – Sem Concessões”, que reúne 30 obras da artista pernambucana em um percurso que atravessa erotismo, política e memória. Com entrada gratuita, a exposição apresenta desde gravuras da década de 1980 até trabalhos monumentais como Apocalipse de Tereza, reafirmando a potência de uma narrativa feminina e nordestina na arte brasileira. Exposição água como memória e urgência no Museu do Estado No Museu do Estado de Pernambuco, a exposição “Sobre águas”, da artista Vera Reichert, propõe uma imersão sensorial em torno da água como elemento vital e simbólico. Com mais de 100 obras, a mostra articula arte, ciência e crítica ambiental, transformando a visita em um convite à reflexão sobre o futuro do planeta. Bossa Nova em despedida histórica no Teatro RioMar O Teatro RioMar Recife recebe, no domingo (29), o espetáculo “Bossa Sempre Nova”, que marca a última turnê de Roberto Menescal. Ao lado de Patty Ascher e Danilo Caymmi, o show revisita clássicos como Chega de Saudade e O Barquinho, reafirmando a vitalidade do gênero. Recife segue em festa pelos 489 anos As comemorações do aniversário do Recife seguem com programação gratuita espalhada pela cidade. Entre os destaques do fim de semana: cortejos de bois no Bairro do Recife, espetáculos circenses no Parque da Tamarineira e a estreia da peça “O Cão” no Teatro de Santa Isabel. Jazz e Blues ocupam a Mata Sul ​​A Usina de Arte realiza o Usina Jazz & Blues Festival, reunindo shows gratuitos e experiências culturais em meio ao parque artístico-botânico. A programação conecta música, natureza e arte contemporânea, com apresentações ao longo dos dias 28 e 29. Reflexão e humor em “Também Queria Te Dizer” No Teatro Luiz Mendonça, o espetáculo “Também Queria Te Dizer”, estrelado por Emílio Orciollo Neto, propõe uma narrativa intensa sobre relações humanas a partir de cartas que abordam temas como culpa, amor e morte, em tom tragicômico. Caça aos ovos  O Shopping Patteo Olinda promove, nos dias 28 e 29, uma Caça aos Ovos de Páscoa com circuito interativo para crianças. A atividade é gratuita, mas com vagas limitadas e inscrição prévia. Frevo, shows e maratona no Paço do Frevo O Paço do Frevo abre cedo no domingo (29) para receber o público após a Maratona Internacional do Frevo, com shows gratuitos de Nena Queiroga e Bia Villa-Chan na Praça do Arsenal. Brega ganha nova geração no Clube das Pás O Clube das Pás recebe o lançamento da banda DNA do Brega, reunindo nomes tradicionais do gênero em um show que mistura nostalgia e renovação. Maré Cultural ocupa o Recife Antigo A Rua do Bom Jesus recebe a Maré Cultural, feira que reúne 62 artesãos pernambucanos, fortalecendo a economia criativa e integrando a programação cultural do aniversário da cidade. Glauber Rocha em diálogo com artes visuais Na Arte Plural Galeria, o evento “Profecias do Sertão” promove debate, exibição de filmes e visita guiada inspirados na obra de Glauber Rocha. Festival de Hambúrguer  O Plaza Shopping Casa Forte recebe mais uma edição do Festival de Hambúrguer, reunindo operações gastronômicas especializadas em versões artesanais do prato que se reinventou na cena urbana. O evento combina diversidade de sabores com uma programação musical ao vivo. Expo Bonsai no Recife Antigo A Livraria Jaqueira Recife Antigo abre espaço para a Expo Bonsai 2026, evento que reúne cultivadores, especialistas e admiradores da arte milenar japonesa. Mais do que uma exposição, a programação inclui oficinas, palestras e demonstrações técnicas que revelam o cuidado e o tempo envolvidos na construção dessas árvores em miniatura. Amparo 60 A Amparo 60 Galeria promove visita guiada à exposição Recife Original Style, que reúne obras de diferentes artistas em diálogo com a paisagem, os códigos visuais e as narrativas urbanas da cidade. A mostra propõe um olhar múltiplo sobre o Recife contemporâneo, atravessando linguagens como pintura, fotografia e intervenções gráficas.

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Como “O Agente Secreto” despertou orgulho, memória e redescoberta do Centro do Recife

Filme de Kleber Mendonça Filho mobiliza o público pernambucano, fortalece a identidade cultural, reativa o Cinema São Luiz e reacende debates sobre o futuro do Centro da cidade. *Por Rafael Dantas O Agente Secreto já levou mais de 2,2 milhões de pessoas às salas de cinema. Na sua trajetória nas telonas, o filme cheio de pirraça já faturou mais de 60 troféus, incluindo os prestigiosos Globo de Ouro e Festival de Cannes. Se a obra de Kleber Mendonça Filho impressiona plateias internacionais, com quatro indicações ao Oscar, os efeitos no público pernambucano acontecem em muitas dimensões. Trata-se de uma conexão visceral que ultrapassa a tela e se entranha na identidade, na memória e no orgulho de quem se vê refletido nesse enredo e na paisagem que o cerca. O trauma do período da ditadura militar é nacional, mas a enigmática perna cabeluda, a folia carnavalesca do frevo e as imagens do Centro do Recife, em um período de muito mais vitalidade, são alguns dos ingredientes desse roteiro que entrelaçam memórias e sentimentos muito peculiares aos pernambucanos. Tanto nos que viveram aquela época quanto nas gerações mais jovens que não testemunharam aquele tempo mas caminham hoje por um Centro decadente, atravessado por fantasmas e permanências. Um espaço onde passado e presente seguem em disputa. O encantamento dos pernambucanos por O Agente Secreto está ligado a um sentimento de pertencimento e orgulho, na análise do pesquisador Paulo Cunha. Professor aposentado da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e docente da Pós-Graduação na Unicap (Universidade Católica de Pernambuco), ele considera que há um núcleo cinéfilo que faz coro ao sucesso da obra, mas destaca sobretudo a adesão de um contingente mais amplo, que acompanha a trajetória do filme por reconhecer nele uma produção feita em Pernambuco que alcançou visibilidade internacional. “O público mais geral está acompanhando e achando curioso que Pernambuco tenha sido o local de produção de um filme com uma trajetória tão impactante no mundo”, afirma. “O público mais geral está acompanhando e achando curioso que Pernambuco tenha sido o local de produção de um filme com uma trajetória tão impactante no mundo.” Paulo Cunha Esse envolvimento se alimenta tanto da memória das filmagens nas ruas quanto da repercussão em premiações. Um fenômeno que transforma a obra em mais um símbolo de afirmação cultural do Estado. “Desde a época das filmagens, as pessoas comentam, lembram das ruas interditadas e de terem visto atores circulando pela cidade”, observa. Segundo o pesquisador, esse encantamento tem ainda um efeito cultural relevante, ao aproximar o cinema do cotidiano das pessoas e reforçar a relação entre a cidade e sua representação na tela. Ao se reconhecer nos espaços e nas histórias exibidas, parte do público passa a enxergar o filme não apenas como entretenimento, mas como expressão da identidade urbana. Para explicar o encantamento emocional dos pernambucanos com O Agente Secreto, a psicóloga Josefina Campos toma de empréstimo um termo da psicologia analítica, elaborado pelo psiquiatra Carl Gustav Jung: a função transcendente. Ela explica que “se trata de um movimento psíquico que ocorre quando aspectos profundos e inconscientes da psique são içados e, como resultado, tornam-se disponíveis à consciência, permitindo maior integração na personalidade. Esse é um fator importante para ampliar o senso de si mesmo e isso é uma função que a arte em geral promove, mas que esse filme, pela profusão de imagens e lacunas, cumpre com maestria”. “Há um movimento psíquico que ocorre quando aspectos profundos e inconscientes da psique são içados e se tornam disponíveis à consciência, permitindo maior integração na personalidade. É uma função que a arte promove e que esse filme cumpre com maestria.” Josefina Campos Em outras palavras, significa que o filme não apenas desperta emoções mas ajuda o espectador a organizar internamente aquilo que muitas vezes estava difuso ou adormecido. Ao trazer à superfície memórias, afetos e conflitos ligados à cidade, à história e à identidade, a narrativa permite que esses conteúdos sejam reconhecidos e integrados à consciência. O encantamento, portanto, não é só estético ou narrativo, mas psíquico. Ao se ver refletido na tela, o público amplia a compreensão de si mesmo e do lugar que ocupa na própria história. “A cena do Carnaval em frente ao cinema São Luiz é praticamente o ponto máximo do filme, onde alegria e tristeza, vida e morte, tensão e descontração, se fundem numa estranha conciliação de paradoxos, como só o Carnaval sabe fazer. Um momento com uma carga emocional arrebatadora”, exemplifica a psicóloga. Josefina aponta ainda que a própria participação do grupo Os Guerreiros do Passo, um Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Recife, é uma importante representação dessa memória afetiva e cultural do recifense. AUTORRECONHECIMENTO NAS TELONAS O sotaque local, vários rostos conhecidos, expressões pra lá de populares – afinal, raparigou ou não raparigou? – e os espaços onde a vida acontecia, e ainda acontece, ocuparam um lugar nas telonas que para o público mais amplo cabia apenas a cidades como Paris, Nova York ou Londres. Não que o Recife nunca tenha sido exposto à sétima arte. Muitos filmes do próprio Kléber Mendonça Filho fizeram isso, como Aquarius e Retratos Fantasmas. A produção local já é reconhecida pelos cinéfilos como uma das melhores do País há muito tempo. Mas nenhum outro havia atingido tal popularidade, a ponto de virar tema do Carnaval e até assunto de bar. Os lugares das locações de O Agente Secreto têm se tornado roteiro de visitas turísticas e o próprio Cinema São Luiz registrou um aumento de público. Isso sem esquecer do sucesso de vendas da camisa da troça Pitombeira. Meio que, como na lenda do Toque de Midas, em que tudo que era tocado pelo rei da mitologia grega se tornava ouro, as diversas referências pernambucanas, pirraçadamente colocadas nas cenas, ganharam status ou aumentaram o que já tinham.  “Há uma identidade cultural e geográfica que se inscreve com abundância e isso é  preponderante para o senso de pertencimento experimentado pelo público, especialmente do Nordeste, de Pernambuco e do Recife, em diferentes camadas de

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Ricardo Maciel foto O Poste Solucoes Luminosas do Recife realiza estreia do projeto Luz negra o negro em estado de representacao levando Awon Irugbin para terreiro e quilombo

Espetáculo “Àwọn Irúgbin” circula por terreiro, quilombo e Recife em projeto sobre identidade negra

Peça do grupo O Poste integra o projeto “Luz negra: o negro em estado de representação” e promove apresentações gratuitas na Região Metropolitana do Recife O grupo O Poste Soluções Luminosas, do Recife, iniciou em março a circulação do projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”, com apresentações do espetáculo teatral “Àwọn Irúgbin”. A iniciativa reúne ações de fruição, formação e intercâmbio artístico e conta com uma temporada gratuita pela Região Metropolitana do Recife, incluindo apresentações em espaços culturais, terreiro de matriz africana e quilombo. A estreia do circuito aconteceu no início do mês no Ilê Asé Iya Omim Opará, em Jaboatão dos Guararapes, e no Quilombo do Catucá, em Camaragibe. A programação segue ao longo de março no Espaço O Poste, localizado no bairro da Boa Vista, no centro do Recife, com sessões às sextas-feiras e sábados. Ao todo, o atual circuito reúne oito apresentações abertas ao público. “O projeto ‘Luz negra: o negro em estado de representação’ traz como proposta ações de fruição, formação, criação e intercâmbio internacional nos quilombos, terreiros de matrizes africanas, teatros e na nossa casa, o Espaço O Poste. 2026 já é um ano histórico para nós porque ‘o negro em estado de representação’ é uma conquista coletiva que dialoga com memória, identidade e futuro”, declara Samuel Santos, diretor do espetáculo. O espetáculo “Àwọn Irúgbin”, cujo título significa “sementes” em iorubá, acompanha histórias que entrelaçam experiências da negritude e da cultura indígena. Em cena, quatro jovens artistas — Cecília Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thallis Ítalo, integrantes do Núcleo O Postinho — interpretam personagens e vivências que abordam identidade racial, ancestralidade, gênero e transformação social, em uma narrativa construída a partir das próprias experiências do elenco. “Essa obra teatral, que celebra o protagonismo da juventude, é uma criação coletiva a partir das escrevivências de cada atriz e ator do elenco, onde passado, presente e futuro se encontram nas cenas. A peça compartilha memórias, com cada cena falando da sua própria vida como corpo negro, unindo identidade e ancestralidade”, acrescenta Cecília Chá. ServiçoEspetáculo “Àwọn Irúgbin” – Projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”Classificação indicativa: livreDatas: 13 e 14; 20 e 21; 27 e 28 de março (sextas-feiras e sábados)Horário: 19hLocal: Espaço O Poste – Rua do Riachuelo, nº 641, Boa Vista, RecifeEntrada: gratuita

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Pernambuco: uma breve história do Leão do Norte

*Por José Ricardo de Souza A História de Pernambuco, que passou a ser disciplina obrigatória no currículo das escolas da rede estadual de ensino a partir deste ano, é rica em personagens, revoltas, movimentos libertários, e insurreições que até hoje são evocadas quando nos referimos ao estado como sendo o “Leão do Norte“. Os mais entusiastas dizem que o conceito de pátria brasileira foi forjado aqui, nas guerras travadas para expulsar os holandeses, com muito sangue e suor dos indígenas, lusos e escravizados que pegaram em armas contra um inimigo comum. Os pernambucanos nunca foram de baixar a guarda, nem de reconhecer a superioridade daqueles que queriam dominá-los. Nem internamente, como aconteceu na Guerra dos Mascates em 1710, nem externamente quando enfrentou o autoritarismo de D. João VI em 1817 e de seu filho D. Pedro I em 1824. Fomos de lutas épicas: expulsamos os holandeses em 26 de janeiro de 1654 quando eles assinaram a sua rendição no campo do Taborda, demos o primeiro grito de República nas Américas em 10 de novembro de 1710 no antigo Senado da Câmara de Olinda com Bernardo Vieira de Melo, durante a Guerra dos Mascates (feito lembrado por Oscar Brandão da Rocha no seguinte trecho do Hino de Pernambuco “a República é filha de Olinda“), embora esta república tenha sido muito mais inspirada nas repúblicas italianas do que no modelo republicano propriamente dito. A Revolução Pernambucana de 1817 foi um marco na História brasileira por ter sido a única revolta do período colonial que ultrapassou a fase de conspiração e conseguiu de fato tomar o poder durante 75 dias (alguns historiadores falam em 74 dias), sendo inclusive a data magna do Estado – 6 de março, porque nesta data o capitão José de Barros Lima, que ficou conhecido como o “leão coroado”, reagiu a voz de prisão dada pelo militar português Manoel Joaquim Barbosa, matando-o a golpes de espada, o que acabou se tornando o estopim para a revolta. Esta espada encontra-se atualmente na sede do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP), que fica na Rua do Hospício, centro do Recife. Não escondemos que uma das causas do fracasso do movimento foi a contradição entre libertar os escravos ou manter a estrutura escravista que sustentava os engenhos, o qual fez com que os grandes senhores de engenho retirassem seu apoio à causa revolucionária. Isso sempre será lembrado nas comemorações anuais da Revolução Pernambucana de 1817, cuja bandeira elaborada pelo padre João Ribeiro, até hoje empunhamos com orgulho. Não por acaso, foi escolhida como a bandeira mais bonita do Brasil em algumas votações. Quanto aos mortos de 1817, existem várias estatísticas, e os que morreram foram em sua maioria vítimas da repressão do governo joanino instalado no Rio de Janeiro, que prendeu, condenou e executou personagens memoráveis como: Domingos José Martins (noivo de Maria Teodora Costa, eternizados no romance histórico “A Noiva da Revolução” do escritor Paulo Santos de Oliveira, depois transformado no filme “1817 – A Revolução Esquecida” dirigido por Tizuka Yamazaki), Frei Miguelinho, padre Roma. Foi a primeira vez que se condenaram padres no Brasil, daí esta revolta também ser chamada de Revolução dos Padres. A repressão joanina mandou Frei Caneca para os cárceres baianos, e profanou o corpo do padre João Ribeiro, arrastado de Paulista a Recife, mesmo depois de sepultado na capela do Engenho Paulista. Seu crânio hoje descansa desde 29 de outubro de 2001 numa lápide na Igreja de Santa Isabel, logo na entrada do templo religioso, após passar décadas nas dependências do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano. Onze meses antes do “Grito do Ipiranga” antecipamos a emancipação política quando Gervásio Pires e Francisco de Paula Cavalcanti assinaram em 5 de outubro de 1821 a Convenção de Beberibe, acordo que reconheceu a autonomia da Junta Governativa eleita em outubro de 1821, formada por brasileiros, que governou Pernambuco de 26 de outubro de 1821 até setembro de 1822. Durante o período imperial, nos levantamos contra o autoritarismo de D. Pedro I na gloriosa Confederação do Equador de 1824, liderada por ninguém menos que Joaquim do Amor Divino Caneca, Frei Caneca, que dizia “quem bebe de minha caneca, tem sede de liberdade“, um dos poucos personagens históricos brasileiros que nenhum carrasco quis executar, sendo morto por arcabuzeamento (naquela época não podemos falar em fuzilamento, uma vez que os fuzis ainda não haviam sido inventados) em vez de enforcamento. Perdermos a Comarca da Bahia em 1824 como castigo (assim como perdemos Alagoas em 1817), mas quem disse que nos acovardamos? Em 1848 os liberais pernambucanos, do Diário Novo, que ficava na rua da Praia lançaram um manifesto ao mundo, cujas pautas lançadas há mais de 150 anos permanecem pertinentes e atuais. A Revolução Praieira até hoje ecoa nos versos de Chico Science quando nas ladeiras históricas de Olinda a multidão em dias carnavalescos canta a plenos pulmões “A Praieira“. E não parou por aí. Tivemos a Revolta Sebastianista do Rodeador (1820), a Pedrosada (1823), a Guerra dos Cabanos (1832), a Revolta da Pedra do Reino (1825), o Ronca da Abelha (1851), o Cangaço (final do século XIX e começo do século XX), as Ligas Camponesas (década de 60 do século XX), etc. Quem tem Frei Caneca, André Vital de Negreiros, Henrique Dias, Felipe Camarão, Clara Camarão, Anna Paes, Branca Dias, Bernardo Vieira de Melo, Padre Roma, Frei Miguelinho, Padre João Ribeiro, José de Barros Lima (Leão Coroado), Antônio Gonçalves Cruz (Cabugá), Gervásio Pires Ferreira, Malunguinho, Lampião, Francisco Julião, e as heroínas de Tejucupapo não flerta com o despotismo, com o fascismo e muito menos com regimes de exceção. Não é por acaso que Pernambuco até hoje é conhecido como o “Leão do Norte“. Somos guerreiros por natureza, rebeldes por ideal, e libertários por essência! *José Ricardo de Souza é historiador, professor da rede pública estadual de ensino e escritor. Sócio honorário do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP).

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Noronha2B 2026 começa hoje em Fernando de Noronha com programação gratuita

Terceira edição do evento que une audiovisual e turismo acontece de 3 a 6 de março e destaca conexões com África, Ásia e Iberoamérica Começa hoje (3) a terceira edição do Noronha2B – Film Commission Forum, em Fernando de Noronha (PE), com o tema “Sul Global Sustentável”. Até o dia 6 de março, o arquipélago recebe profissionais do audiovisual, do turismo e do setor público para discutir novas alianças internacionais, circulação de obras e sustentabilidade. Durante quatro dias, Noronha se transforma na capital das film commissions brasileiras, com atividades gratuitas abertas a profissionais da área e ao público em geral. A programação reúne o laboratório de projetos N2B WIP LAB e ações formativas para realizadores, além de exibições de filmes ao ar livre, mesas de debate, oficinas, masterclasses e shows voltados também à comunidade local. Entre os destaques estão os painéis do Ministério da Cultura sobre a Film Commission Nacional. “Foram dois anos de escuta da sociedade e trabalho interministerial para elaboração de diretrizes de uma política de internacionalização e de atração de produções audiovisuais para o Brasil”, explica Márcio Tavares, secretário-executivo do MinC. “Vamos apresentar um modelo que corresponde aos anseios do setor, e cria um novo capítulo na história do audiovisual brasileiro”, acrescenta. Para a organização, o evento busca integrar cultura, turismo e desenvolvimento econômico. “Queremos pensar nossa soberania através do vínculo com outras culturas, para além da geopolítica ocidental”, define Zeca Brito, diretor artístico do N2B. “Buscamos construir uma produção audiovisual que resulte em pertencimento, buscando a conquista de novas plateias e a atração de investimentos para o Brasil”, finaliza. A programação de cinema inclui a exibição de produções africanas com a presença de seus realizadores, como Fradique (“Ar Condicionado”) e Samira Vera-Cruz (“Sumara Maré”), além dos títulos “Maré Viva Maré Morta”, de Claudia Daibert, e “Seeds”, de Renato do Val e Yugo Romanelli, que passaram por edições anteriores do laboratório. Paralelamente, o N2B WIP LAB selecionou três projetos na categoria Work in Progress e sete na categoria Desenvolvimento, oriundos de seis estados brasileiros, com acompanhamento de tutores ligados a festivais e instituições do setor audiovisual. As atividades acontecem em diferentes pontos da ilha: os painéis são realizados no Forte Nossa Senhora dos Remédios; as sessões de cinema e as cerimônias de abertura e encerramento ocorrem na Praça São Miguel; e a programação da sexta-feira é concentrada no Auditório do ICMBio. O evento conta com patrocínio de Ancine, Embratur, Ministério do Turismo, Banco do Nordeste e Ministério da Cultura, além de apoio de instituições ligadas ao audiovisual, ao turismo e à preservação ambiental. Serviço3º Noronha2B – Film Commission ForumQuando: de 3 a 6 de março de 2026Site: noronha2b.com

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Curta Taquary anuncia 63 filmes para a 19ª edição no Agreste

Festival acontece de 16 a 22 de março, em seis cidades pernambucanas, com programação gratuita e obras de 16 estados O Curta Taquary divulgou a lista de selecionados para sua 19ª edição, que será realizada de 16 a 22 de março de 2026 em seis municípios do Agreste pernambucano. Ao todo, 63 curtas-metragens foram escolhidos entre 967 inscritos, vindos de 16 estados brasileiros. As exibições e atividades formativas acontecem em Taquaritinga do Norte, Toritama, Jataúba, Brejo da Madre de Deus, Santa Cruz do Capibaribe e Poção, com acesso gratuito ao público. A nova edição confirma o alcance nacional do festival, com filmes das cinco regiões do país distribuídos em dez mostras competitivas: Brasil, Pernambucana, Agreste, Primeiros Passos, Universitária, Curtas Fantásticos, Diversidade, Dália da Serra, Por Um Mundo Melhor e Criancine. Criado em 2005, o Curta Taquary é um dos eventos de cinema mais longevos de Pernambuco. Em quase duas décadas, já exibiu mais de dois mil curtas e formou um público superior a 200 mil pessoas, entre sessões presenciais e on-line. A Mostra Brasil reúne produções de diferentes gêneros, como documentário, ficção e animação. Entre os títulos selecionados estão “Akaîutĩ”, de JP Mello, Kaline Cassiano e Sylara Silvério (RN); “Arame farpado”, de Gustavo de Carvalho (SP); “Jacaré”, de Victor Quintanilha (RJ); “Safo”, de Rosana Urbes (SP); e “Umassuma – lascas de memórias”, de Guaracy Britto Jr. e Andrei Miralha (PA). Na Mostra Pernambucana, dez obras representam a produção local. Integram a seleção filmes como “Dynamite som – o futuro é lamento negro”, de Lia Letícia e Pedro Severien; “Os arcos dourados de Olinda”, de Douglas Henrique; “Recife tem um coração”, de Rodrigo Sena; e “Trincheiras”, de Lucas da Rocha e Maria Clara Almeida. Também compõem a mostra títulos como “Amargo”, de Bruno Araujo, e “Um dia havia de ver o mar”, de Odilia Nunes. A Mostra Agreste reforça o vínculo do festival com o território onde nasceu. Entre os selecionados estão “Alto dos Mouras, das louceiras, dos mestres do barro”, de Rosangela Araújo; “Lonjy-Abaré”, de Marcelo dos Santos e Mateus Sá; e “Zefinha de Bernardo”, de David Biriguy. As produções abordam saberes populares, memória e identidade cultural da região. Voltada a novos realizadores, a Mostra Primeiros Passos reúne cinco títulos, como “A lenda da pedra do índio chorão”, de Fabio Fernando (RJ), e “Trapo”, de João Chimendes (RS). A Mostra Universitária destaca produções acadêmicas, entre elas “Sertão 2138”, de Deuilton B Júnior (PE), e “Rosetta”, de Isabela Paulovic Szalontai (SP). O festival também abre espaço para o cinema de gênero na Mostra Curtas Fantásticos, com obras como “Não desça as escadas”, de Gustavo Cardoso (SP), e “O ingazeiro”, de Tobias Rezende (MG). A Mostra Diversidade reúne títulos como “As cantadeiras”, de Silvia Ribeiro, Cintia Viana, Helena Tenderini e Amandine Goisbault (PE), e “Fale a ela o que me aconteceu”, de Pethrus Tibúrcio (PE). Na Mostra Dália da Serra, dedicada a produções com forte relação com o interior e a formação cultural, estão “1954”, de Modesto de Barros e Pedro Severien (PE), e “Encantados”, do Coletivo Cinema no Interior. Já a Mostra Por Um Mundo Melhor apresenta obras com temática socioambiental, como “A árvore de lixo”, de Silvio Kurzlop (PR), e “O voo do rio”, de Delano Queiroz (CE). Encerrando a programação competitiva, a Mostra Criancine reúne produções voltadas ao público infantil, a exemplo de “Bumba meu boto”, de Chrys Williams e Paulo Accioly (AL), “Rua 27”, de Gabi Saegesser, Nathalia Flor e Roma Julia (PE), e “Zé Lins e o cangaceiro”, de Eduardo P. Moreira (PB). Além das exibições, o Curta Taquary mantém ações formativas, como oficinas e o Encontro de Cinema e Educação, realizado desde 2017. O festival também reforça sua política ambiental: há quatro edições, planta uma muda de árvore para cada filme inscrito. Em parceria com a Compesa – Companhia Pernambucana de Saneamento, a iniciativa já garantiu o plantio de quase três mil mudas em escolas, praças, assentamentos e áreas próximas ao Rio Capibaribe. A programação completa da 19ª edição será divulgada nos próximos dias no site oficial e nas redes sociais do festival.

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Você sabia que já existiu um trem de luxo ligando Recife a Fortaleza?

Nos anos 1970, o Expresso Asa Branca cruzava o Nordeste por trilhos e simbolizava um projeto de integração hoje esquecido. Em 1975, entrou em operação o Expresso Asa Branca, trem de passageiros da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que ligava Recife a Fortaleza, passando pela Paraíba. Durante cerca de cinco anos, ele percorreu aproximadamente 1.100 km, conectando cidades e estados por trilhos. Segundo o historiador André Cardoso, estudar o Asa Branca permite revelar “uma conectividade ferroviária entre capitais e estados nordestinos que estava consolidada, mas que durante a segunda metade do século XX foi gradualmente desmobilizada”. Luxo, propaganda e identidade nordestina Divulgado como “expresso de luxo”, o Asa Branca oferecia poltronas estofadas, carro-restaurante e reduzia o tempo de viagem entre Recife e Fortaleza de cerca de 48 para 23 horas. Seu nome fazia referência à música de Luiz Gonzaga, aproximando o trem da identidade cultural nordestina.O autor destaca que a ferrovia era mais do que transporte: “constituiu-se como um símbolo de modernidade, integração regional e identidade cultural”. O começo do fim dos trens de passageiros O Expresso Asa Branca surgiu em um período de crise das ferrovias. Ramais eram fechados, estações abandonadas e os investimentos migravam para o transporte rodoviário. Nesse contexto, “sob alegações de déficit, a malha ferroviária foi sendo aos poucos apagada, sem se considerar sua importância histórica e sua função social no desenvolvimento de diversas localidades nordestinas”, observa o autor. O que se perdeu com os trilhos Com a extinção do Asa Branca e de outros trens interestaduais, o Nordeste passou a depender quase exclusivamente das estradas. Isso significou perda de mobilidade, aumento de custos e isolamento de várias cidades do interior. Como resume o historiador: “o resultado deste processo significou não apenas a extinção de um serviço, mas também a perda de um horizonte de integração que poderia ter transformado a mobilidade regional”. Texto baseado no artigo “O Expresso Asa Branca e o transporte ferroviário de passageiros entre capitais nordestinas no século XX”, de André Luiz Rocha Cardoso, publicado na revista A História e suas Interfaces.

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Filme brasileiro “O Agente Secreto” vence Spirit Award de Melhor Filme Internacional

Longa de Kleber Mendonça Filho conquista sua primeira vitória na premiação do cinema independente dos Estados Unidos (Com informações da Agência Brasil) O longa-metragem brasileiro O Agente Secreto venceu neste domingo (15) o Film Independent Spirit Awards na categoria Melhor Filme Internacional. Esta foi a terceira indicação do diretor Kleber Mendonça Filho à premiação e sua primeira vitória. Em seu discurso, ele dedicou o prêmio a programadores de cinema e jovens cineastas de todo o mundo. “Eles têm a chance de fazer filmes emocionante sobre a vida, sobre pessoas, sobre seu bairro. Cinema é uma manifestação da própria memória e um ato político”, destacou o diretor, que também citou o ator alemão Udo Kier, integrante do elenco do filme e que morreu em novembro de 2025. A premiação foi anunciada no palco por Wagner Moura, protagonista de O Agente Secreto, que também comentou o reconhecimento recebido pelo cinema brasileiro. O cineasta Adolpho Veloso venceu na categoria Melhor Fotografia por seu trabalho em Sonhos de Trem. “Fico muito feliz com isso”, disse o ator ao anunciar a vitória de Veloso. “É tão difícil fazer o que fazemos. Costumamos enfrentar grandes crises, infelizes com o que fazemos e pensando que poderíamos ter feito algo melhor. Faço um grande agradecimento a todos que participaram do filme. Este prêmio vai para todos”, afirmou o cineasta. O Spirit Awards é considerado uma das principais premiações do cinema independente dos Estados Unidos.

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