“A afetividade é um pilar muito forte que norteia o trabalho pedagógico do Colégio Madre de Deus.”
Colégio Madre de Deus inovou ao implantar, há mais de 50 anos, uma pedagogia baseada em Maria Montessori, que defendia o respeito à singularidade e à autonomia do aluno. Filha da fundadora Marlúcia Sá, e hoje à frente da gestão juntamente com o irmão, Christiana Cruz afirma adaptar-se às novas demandas contemporâneas, sem perder os valores da instituição que há cinco décadas vem formando gerações Com 53 anos de história, o Colégio Madre de Deus consolida um modelo de empresa familiar na educação, combinando tradição pedagógica, gestão profissionalizada e formação integral de alunos. O colégio constrói uma trajetória educacional que ultrapassa o ambiente escolar e se insere na própria história de muitas famílias pernambucanas. Fundada pela educadora Marlúcia Sá, a instituição nasceu com a proposta de oferecer uma abordagem pedagógica diferenciada, inspirada nos princípios da educadora italiana Maria Montessori, valorizando a individualidade da criança, a afetividade no processo de aprendizagem e o respeito ao ritmo de cada estudante. Hoje, a escola segue sendo conduzida pela família fundadora. A direção é compartilhada entre Christiana Cruz e seu irmão, Gerez Figueiredo, enquanto a terceira geração já começa a se integrar à rotina da instituição. Nesse percurso, o colégio se expandiu para quatro unidades e passou a oferecer serviços da educação infantil ao ensino médio. Em entrevista concedida a Larissa Aguiar, Christiana Cruz reflete sobre o desafio de administrar uma empresa familiar no setor educacional, fala sobre sucessão, profissionalização da gestão e os caminhos para manter a identidade pedagógica em um mercado cada vez mais competitivo. Como surgiu o Colégio Madre de Deus e qual era o propósito inicial da instituição? O Madre de Deus surgiu há 53 anos a partir da inquietação da sua fundadora, Marlúcia Sá, que desejava construir uma proposta educacional diferente daquela que predominava nas escolas da época. O projeto nasceu de uma convicção muito clara: era possível educar de outra forma, com mais atenção ao desenvolvimento da criança, ao vínculo afetivo e à construção de um ambiente de aprendizagem mais humano. Foi a partir dessa visão que começou a ser estruturado o que viria a se tornar o Colégio Madre de Deus. No início, a escola foi pensada como um espaço onde o processo educativo respeitasse o tempo e a individualidade de cada aluno. Inspirada pela metodologia desenvolvida por Maria Montessori, Marlúcia Sá buscou criar um ambiente pedagógico que valorizasse a autonomia da criança e estimulasse a curiosidade natural pelo aprendizado. A abordagem montessoriana foi escolhida justamente por trazer uma perspectiva inovadora para aquele momento histórico, ao reconhecer a criança como protagonista do próprio desenvolvimento e não apenas como receptora de conteúdos. Maria Montessori, que foi a primeira mulher italiana a se tornar médica, desenvolveu sua metodologia a partir de observações científicas sobre o comportamento e o processo de aprendizagem infantil. Ao perceber que as crianças aprendiam melhor em ambientes preparados e estimulantes, ela propôs uma reorganização da própria estrutura da sala de aula, com mobiliário adaptado à altura das crianças e atividades que incentivavam a exploração, a autonomia e a concentração. Esses princípios serviram como inspiração direta para a construção do projeto pedagógico do Madre de Deus. Assim, desde sua origem, a escola foi pensada como um espaço em que o cuidado com a formação humana caminhasse junto com o desenvolvimento acadêmico. O objetivo não era apenas transmitir conteúdos, mas formar crianças capazes de pensar, se expressar e desenvolver suas potencialidades. Esse olhar atento para o aluno e para suas particularidades marcou profundamente os primeiros passos da instituição e ajudou a consolidar sua identidade educacional. Com o passar dos anos, a escola cresceu e ampliou sua atuação mas manteve os fundamentos que deram origem ao projeto inicial. A proposta montessoriana continuou sendo uma referência importante, ainda que novas abordagens pedagógicas tenham sido incorporadas ao longo do tempo. Mesmo diante das transformações do mundo contemporâneo, como as mudanças tecnológicas e as novas demandas educacionais, o princípio que orientou a criação do colégio permanece vivo: oferecer uma educação que respeite a individualidade da criança, valorize a afetividade e contribua para a formação integral de cada aluno. Quais foram os maiores desafios enfrentados pela família nos primeiros anos da escola? Todo começo é desafiador. Construir uma escola com uma proposta pedagógica diferenciada exige coragem e muita dedicação. O primeiro grande desafio foi consolidar a metodologia e mostrar às famílias que aquele modelo de educação faria diferença na formação das crianças. A base do nosso trabalho sempre foi acreditar que cada aluno é único. Quando se parte desse princípio, o compromisso se torna ainda maior porque a escola precisa oferecer um ambiente que respeite essas singularidades. Com o tempo, os alicerces da instituição foram se fortalecendo. O trabalho pedagógico consistente de excelência e resultados foi gerando confiança nas famílias e permitindo que a escola crescesse. Hoje temos quatro unidades e continuamos enfrentando desafios porque as crianças e as famílias mudaram muito ao longo dessas cinco décadas. Em empresas familiares, valores e princípios costumam atravessar gerações. Quais são os pilares inegociáveis da gestão do colégio? Os valores são absolutamente inegociáveis. O respeito é um deles. Respeito ao aluno, à família, aos professores e à singularidade de cada pessoa que convive dentro da escola. É a partir desse princípio que se constrói um ambiente de confiança, diálogo e formação, no qual cada estudante é incentivado a desenvolver seu potencial e crescer com responsabilidade, caráter e compromisso com o outro. Esses valores também vêm do contexto familiar que deu origem à instituição. Nós fomos criados dentro desse ambiente e absorvemos naturalmente esses princípios. A educação não se faz apenas com conteúdo acadêmico mas, também, com formação humana. Por isso, a afetividade é um pilar muito forte aqui dentro. Maria Montessori dizia que todo conhecimento passa primeiro pelo coração. Essa ideia continua extremamente atual e norteia nosso trabalho pedagógico. Quando os valores são sólidos, a instituição consegue se adaptar às mudanças sem perder sua identidade. Ao longo dos 53 anos, fomos incorporando novas práticas pedagógicas, tecnologias e metodologias. Hoje trabalhamos com metodologias ativas e









