Copom reduz Selic para 14,25%, mas setor produtivo cobra novos cortes nos juros
Foto: José Cruz/Agência Brasil

(Com informações da Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. Esta foi a terceira queda consecutiva dos juros básicos da economia, em um cenário marcado pela desaceleração da inflação, mas ainda cercado por incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e aos seus impactos sobre os preços de combustíveis e alimentos.

Em comunicado, o Banco Central afirmou que a decisão foi tomada diante de um ambiente de elevada incerteza, destacando a necessidade de cautela na condução da política monetária. A instituição também observou sinais de aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre de 2026, com recuperação de setores cíclicos e resiliência do mercado de trabalho, embora as expectativas de inflação permaneçam acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

A redução dos juros, no entanto, foi considerada insuficiente por entidades representativas da indústria e dos trabalhadores. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o corte não altera de forma significativa as condições de crédito para empresas e famílias. “Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também avaliou que a redução foi limitada e defendeu cortes mais expressivos. “Manter os juros nesse patamar absurdo continua sufocando o setor produtivo, encarecendo o crédito e penalizando diretamente a classe trabalhadora, que segue pagando a conta da lógica do rentismo”, declarou a central em comunicado. Já a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) classificou a decisão como positiva, mas ressaltou que a Selic segue em nível restritivo, o que encarece o crédito, adia investimentos e dificulta um crescimento econômico mais consistente.

O Banco Central informou que os próximos movimentos dependerão da evolução dos indicadores econômicos e das perspectivas para a inflação, com o objetivo de garantir a convergência dos preços para a meta nos próximos anos.

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