Mostra de cinema mobiliza Recife para debate ambiental e projeta cidade do futuro

A partir desta semana, o Recife entra em cena não apenas como cenário, mas como protagonista de um debate urgente: o futuro ambiental da cidade. A Mostra de Cinema Recife Cidade Parque, realizada em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), reúne uma programação gratuita de curtas-metragens que abordam as transformações climáticas e urbanas da capital pernambucana. Com sessões voltadas a estudantes nos dias 28 e 29 de abril e uma exibição aberta ao público em 12 de maio, a iniciativa aposta no audiovisual como ferramenta de sensibilização e formação crítica.

A proposta da mostra vai além da exibição de filmes: busca provocar reflexão coletiva sobre os desafios ambientais que já impactam o Recife, como o aumento da temperatura, eventos extremos e a vulnerabilidade de áreas urbanas. Ao final de cada sessão, o público será convidado a participar de debates com pesquisadores e realizadores, ampliando o diálogo entre ciência, cultura e sociedade.

A curadoria privilegia produções com forte identidade local, como Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, que imagina uma inversão climática na cidade, transformando seu clima tropical em um cenário frio e melancólico. O filme dialoga com documentários como Ameaças Climáticas do Recife, de Íris Samandhi, que apresenta um retrato direto dos impactos das mudanças climáticas nas áreas centrais e periféricas, e Águas Que Arrebentam, que acompanha a experiência de moradores do Ibura diante das chuvas intensas.

A programação também inclui a animação Céu Fumaça, de Jader Gudin, que traz a emergência climática sob a perspectiva das crianças, e o documentário Entre Margens, que resgata a relação histórica entre moradores e o Rio Capibaribe, revelando como as transformações urbanas alteraram modos de vida tradicionais. Em comum, as obras constroem um mosaico de narrativas que conectam memória e território.

A mostra integra o projeto Recife Cidade Parque – Plano de Qualidade da Paisagem, desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em parceria com a Prefeitura do Recife. A iniciativa propõe uma reconfiguração urbana baseada no conceito de “cidade azul-verde”, que busca reconectar a malha urbana aos seus sistemas naturais, como rios, estuários e áreas verdes.

Com horizonte em 2037, quando o Recife completará 500 anos, o projeto prevê a criação de corredores ambientais e espaços públicos integrados, promovendo o chamado “enverdecimento” da cidade. A proposta articula planejamento urbano, sustentabilidade e qualidade de vida, apontando caminhos para enfrentar os desafios impostos pela crise climática.

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