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Bruno Bezerra

“Temos um robusto ecossistema empreendedor cercado por péssimas estradas”

Conhecido pela determinação de seus empreendedores, o Polo de Confecção do Agreste superou mais uma dificuldade ao atravessar o complicado período da pandemia. Hoje o setor se recupera da crise sanitária e econômica e investe em novas tecnologias, principalmente na venda pela internet e, segundo Bruno Bezerra, presidente da CDL (Câmara de Diretores Lojistas) de Santa Cruz do Capibaribe, são boas as perspectivas para o segundo semestre. Mas o polo ainda enfrenta desafios como os transtornos logísticos provocados pela situação das rodovias na região, o antigo problema do abastecimento de água, além de dificuldades na área da segurança. Outro tema que tem trazido dor de cabeça aos empresários do ramo de confecções no Agreste é a isenção concedida pelo Governo Federal nas importações de compras de até US$ 50. Nesta entrevista a Cláudia Santos, Bruno Bezerra analisa as dificuldades e os progressos do setor e como o anúncio do PAC e o fato de a governadora Raquel Lyra ser do Agreste e conhecer a realidade local podem ajudar a solucionar os gargalos do setor. Como está a conjuntura atual do Polo de Confecções, neste pós-pandemia? No decorrer de uma jornada empreendedora de aproximadamente 60 anos, um dos grandes diferenciais do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano tem sido uma incrível capacidade de adaptação para melhor posicionar-se diante de adversidades e oportunidades. Foi assim durante a pandemia e tem sido assim no pós-pandemia. Este ano, por exemplo, depois de décadas, mudamos os dias de funcionamento do Moda Center, a nossa principal feira, que acontece em Santa Cruz do Capibaribe, cidade-mãe do Polo de Confecções do Agreste. Antes era realizada sempre às segundas e nos períodos de alta temporada (maio, junho e novembro/dezembro) aos domingos e segundas. Atualmente a feira acontece às sextas. Uma mudança necessária para ganharmos competitividade e nos adaptar a uma nova dinâmica logística do mercado, além de promover a qualidade de vida dos nossos empreendedores. Outro ponto relevante no pós-pandemia tem sido a profissionalização do processo de digitalização das empresas do polo. Nossos empreendedores entenderam a importância estratégica de dominar as vendas digitais e aliar o físico com o digital no negócio. Como tem sido esse investimento das empresas nas vendas digitais e quais os resultados? Muitas empresas do Polo de Confecções estão conseguindo um excelente nível de maturidade digital. Isso acontece quando o empreendedor de curiosidade aguçada decide investir tempo e recursos financeiros na preparação das equipes e na adequação da estrutura para dominar as vendas online, além de se manter atualizado com as mudanças que acontecem cada vez mais rápido. Os resultados têm sido os melhores possíveis, sobretudo porque os empreendedores não precisam deixar as vendas presenciais por causa das vendas online. Eles estão entendendo que não é um contra o outro, é um com o outro, é o digital como mais um canal de vendas. Qual foi o crescimento de vendas e/ou faturamento do setor no ano passado e quais as perspectivas para este ano? São períodos complicados para termos como referência, pois em 2021 e 2022 houve uma forte influência da pandemia no ambiente de negócios. Já em 2023 houve uma mudança de Governo Federal, depois de uma das mais polarizadas eleições para presidente da República, o que gerou um cenário de incerteza que praticamente paralisou o mercado. A partir do início do segundo semestre de 2023, começamos a ter mais clareza da situação. Esperamos ter boas rodadas de negócio no mês de agosto e um excelente período de alta temporada nos meses de novembro e dezembro. Qual a perspectiva do setor em relação à gestão da governadora Raquel Lyra, que é do Agreste Pernambucano? A expectativa é a melhor possível. Pela primeira vez na história temos uma governadora que é do Agreste Pernambucano e conhece bem o potencial do Polo de Confecções. Contudo, temos também desafios gigantescos. Se levarmos em consideração que a maior parte dos insumos vem de fora de Pernambuco e a maioria também dos clientes que compram no polo vem de outros estados, podemos afirmar que nosso negócio é essencialmente de logística. Hoje temos no Polo de Confecções do Agreste Pernambucano um robusto ecossistema empreendedor cercado por péssimas estradas de todos os lados (do território pernambucano). O problema do abastecimento d’água que se arrasta por décadas e dificulta a promoção de um real desenvolvimento socioeconômico. Sem falar na falta de segurança que afasta compradores do Polo de Confecções com a violência nas cidades que formam o polo e, especialmente, com os assaltos que acontecem constantemente nas estradas que levam até as feiras de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru. O setor já levou essas questões para a governadora? E como o setor avalia o anúncio do PAC que entre outros investimentos prevê adequação da BR 104 (Caruaru – Divisa PB) e a primeira etapa da Adutora do Agreste Pernambucano? Constantemente essas questões são levadas para o Governo do Estado, agora em agosto tivemos reunião com a secretária de Defesa Social para tratar da questão da segurança. A questão da BR-104 em 2024 completará 15 anos. Uma situação lamentável, uma vergonhosa debutante que promove prejuízos ao nosso ambiente de negócios e vem tirando a vida de muitas pessoas com diversos acidentes ao longo de todos esses anos. A questão da água é um apelo de décadas. Durante todo esse tempo nunca desistimos de gritar, por mais que todos parecessem surdos. Como sempre, nos resta continuar trabalhando duro no fortalecimento do Polo de Confecções do Agreste Pernambucano, um dos mais robustos ecossistemas de negócios da América Latina. Por mais que a jornada até aqui diga que não, é nosso dever abraçar a esperança, ainda mais agora com o anúncio do PAC. Vamos seguir cobrando o retorno dos impostos que pagamos, para que nossos governantes façam o que precisa ser feito para melhorar a infraestrutura do Polo de Confecções. Que Deus nos abençoe nessa missão. O setor tem sofrido o impacto do e-commerce internacional que agora tem isenção de imposto de importação em compras até US$ 50? A isenção de imposto

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As surpresas do Sul-Americano de vôlei do Recife

Dentro de quadra o Campeonato Sul-Americano de Vôlei não tem surpresas. O Brasil, comandado por José Roberto Guimarães, está atropelando os adversários. O duplo 3 x 0 até agora diante do Chile e Argentina estavam dentro do esperado. A escalação do técnico também está dentro do previsto. A base da equipe que acabou de disputar a Liga das Nações veio para o Recife. A surpresa maior está do lado de fora da quadra. A torcida recifense, após anos sem receber uma partida da seleção, tem feito uma festa “desproporcional” ao torneio, como comentou a campeã olímpica Fabi na partida de estreia, no SporTV. O Geraldão ficou pequeno para a competição que está longe de reunir as maiores equipes do voleibol internacional. Com exceção do Brasil, apenas Argentina ainda compete nos principais torneios mundiais. Mesmo sem nenhuma pernambucana no elenco, como no passado tivemos presenças de Dani Lins e de Jaqueline, a relação de amor com o vôlei merece atenção. “Estou realmente impressionado. O Geraldão ficou muito moderno. Só não estou surpreso com o público, porque em 2002 o estádio estava cheio. A população de Recife ama o voleibol. Este campeonato sul-americano, com certeza, vai entrar na história e será o primeiro de vários outros. E também é fundamental para divulgar o esporte dentro do país e, com isso, crescer o número de praticantes e amantes do voleibol”, afirma o diretor executivo da Confederação Sul-Americana de Vôlei, Marcelo Wangler. O Brasil ainda joga nesta semana diante do Peru e da Colômbia, mas não tem mais ingressos à venda. Há anos o Recife não recebia a seleção de vôlei e nem consegue criar elencos que disputem a elite da Superliga da modalidade. O Sul-Americano é uma demonstração que a cidade merece mais. Temos um público apaixonado e, com a reforma do Geraldão, passamos a contar com um ginásio de alto nível para receber grandes jogos. Que o Recife volte ao calendário da modalidade de forma mais constante. (Foto: Mauricio Val/CBV)

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Justiça mantém prédio do Núcleo de Desenvolvimento Integral com a PCR

O Tribunal de Justiça de Pernambuco determinou a suspensão da ordem de reintegração de posse do terreno onde está localizado o Núcleo de Desenvolvimento Integral do Recife (NDI), situado no bairro de Areias. A decisão, proferida no último sábado (19), anula a liminar emitida na última quinta-feira (17) e assegura a permanência do prédio sob a administração da Prefeitura, após a contestação feita pela Procuradoria do município. A Procuradoria argumentou que a transferência do prédio foi realizada legalmente e que a posse é legítima. O Desembargador considerou que a situação carece de evidências sólidas e da condução de uma investigação probatória para avaliar as circunstâncias que levaram à ocupação ou perda da posse. Ademais, a decisão judicial enfatiza a importância da União se manifestar sobre a destinação do bem, uma vez que o terreno onde o equipamento de saúde foi construído, divergindo da alegação do Governo de Pernambuco, é propriedade da Secretaria de Patrimônio da União. Com mais de dois meses de encerramento após ação do Governo Estadual, estima-se que o NDI poderia atender diariamente a mais de 100 pacientes, estabelecendo, juntamente com o Hospital do Idoso do Recife, um complexo de cuidados integrais de saúde. Operando com uma equipe composta por mais de 70 profissionais, o serviço disponibilizará, na primeira fase de funcionamento, oito especialidades: Geriatria, Serviço Social, Psicologia, Enfermagem, Nutrição, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia. Para as obras, aquisição de equipamentos e mobília, a administração municipal informa ter investido R$ 1,3 milhão e planeja investir R$ 332 mil por mês para manter os serviços.

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Inteligência Artificial descobre traição! Reflexões sobre o Impacto da tecnologia

*Por Rafael Toscano Nos dias atuais, a tecnologia e a inteligência artificial (IA) têm se entrelaçado de maneira notável, redefinindo a maneira como vivemos e nos relacionamos. Uma história recente ilustra esse impacto de forma surpreendente: uma jovem utilizou IA para investigar uma possível traição em seu relacionamento, revelando não apenas uma mudança no panorama das relações pessoais, mas também ressaltando a influência crescente da IA em nossas vidas cotidianas. No centro dessa narrativa intrigante está a influenciadora digital Mia Dio, que suspeitava da infidelidade de seu parceiro. Em vez de recorrer aos métodos tradicionais de investigação, ela se voltou para a tecnologia e a IA para obter respostas. No artigo publicado no portal de notícias “UOL Tilt”, datado de 9 de agosto de 2023, detalhes sobre o enredo se desdobram. Mia decidiu “clonar” a voz de seu namorado por IA, que aliás, custou só U$ 4 dólares, e mandou uma mensagem para um amigo dele insinuando um ato de traição. A isca foi certeira, o amigo confirmou a traição e o namorado foi pego! Se, antigamente, dependeríamos de nossa intuição, de conversas difíceis ou de contratar detetives particulares, hoje temos ao nosso dispor ferramentas poderosas que podem processar vastas quantidades de dados em questão de segundos, inclusive com a capacidade de aprender e reproduzir com precisão as complexas características da voz humana. Contudo, essa história também levanta importantes questionamentos éticos. Até que ponto é justificável invadir a privacidade de outra pessoa, mesmo que em busca da verdade? A linha entre o uso responsável da tecnologia e a violação dos direitos individuais é tênue, e a narrativa reflete o dilema crescente enfrentado por uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente. Além disso, a história destaca como a IA está moldando a maneira como entendemos e interpretamos informações. Algoritmos de análise de sentimento podem identificar emoções em textos e mensagens, e isso tem implicações não apenas em investigações pessoais, mas também no mundo dos negócios e da política, por exemplo. Imagine uma IA analisando discursos de líderes políticos para avaliar o clima emocional do público ou avaliando a satisfação do cliente com base em avaliações online. A IA não apenas coleta dados, mas também os interpreta de maneiras que antes eram inimagináveis. Em última análise, a história acima nos leva a uma reflexão profunda sobre o papel da IA em nossas vidas e sociedade. Enquanto celebramos os avanços tecnológicos que tornam nossas vidas mais convenientes e eficientes, não podemos deixar de considerar os dilemas éticos e as mudanças nas dinâmicas interpessoais que essas tecnologias promovem. A IA está, sem dúvida, transformando nossas vidas de maneiras surpreendentes, mas é nossa responsabilidade avaliar constantemente como essas mudanças impactam nossa humanidade e os valores que consideramos essenciais para um futuro equilibrado e ético. Num mundo onde as ferramentas tecnológicas podem antecipar e mitigar conflitos, mas também podem contribuir para a erosão da confiança mútua. À medida que nos voltamos cada vez mais para algoritmos para obter respostas emocionais, corremos o risco de perder a conexão humana genuína que é essencial para os relacionamentos saudáveis. *Rafael Toscano é gestor financeiro, Engenheiro da Computação e Especialista em Direito Tributário, Gestão de Negócios. Gestor de Projetos Certificado, é Mestre em Engenharia da Computação e Doutorando em Engenharia com foco em Inteligência Artificial aplicada.

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Recife vai sediar os Sul-Americanos de Vôlei entre os próximos dias 19 e 30

O Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, conhecido como Geraldão, assume o papel de anfitrião para os campeonatos de voleibol Sul-Americano, tanto no masculino como no feminino. Organizados pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV) e pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), com apoio da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Esportes, esses eventos prometem uma dose de competição de alto nível e inclusão local. Para isso, o Geraldão está passando por adaptações específicas, visando ao campeonato feminino programado de 19 a 23 deste mês e o masculino entre 26 e 30. A competição inclui times do Brasil, Argentina, Peru, Chile e Colômbia tanto no masculino quanto no feminino. Durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (15), o prefeito do Recife, João Campos, compartilhou que mais de 8 mil ingressos serão disponibilizados gratuitamente para estudantes da rede municipal e jovens envolvidos em atividades relacionadas ao voleibol, como os participantes do Compaz e associações de bairro. O objetivo é democratizar o acesso ao esporte e permitir que as crianças da cidade e jovens tenham a oportunidade de presenciar uma competição internacional de perto. O presidente da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), Radamés Lattari, elogiou as capacidades do Geraldão e da cidade do Recife em sediar eventos desse porte, destacando a volta do torneio feminino após 14 anos. Ele expressou confiança na força da equipe brasileira em ambas as competições, masculina e feminina. FORÇA MÁXIMA A equipe do técnico José Roberto Guimarães já está convocada, com força máxima para a competição. As levantadoras são Macris e Roberta, as ponteiras/opostas são Rosamaria e Tainara, as opostas chamadas são Lorenne, Lorrayna e Kisy. As centrais são Carol, Diana, Lorena e Thaisa, ponteiras serão Gabi, Julia Bergmann, Maiara Basso e Pri Daroit. O treinador traz ainda ao Recife as líberos Natinha e Nyeme. É a base do time que disputou o último mundial. Os ingressos estão disponíveis para compra no site www.bilheteriadigital.com.

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Rede Muda Mundo lança Programa de Qualificação de Iniciativas Sociais

A Rede Muda Mundo, por meio da Associação Incubadora Porto Social, deu início ao CAIS – Programa de Qualificação de Iniciativas Sociais. O prefeito João Campos participou do lançamento desta iniciativa, que visa potencializar ações sociais com apoio financeiro da Prefeitura. Com um orçamento de R$ 1 milhão, o programa contemplará 75 projetos, buscando impulsionar o desenvolvimento da cidade. O CAIS tem como propósito proporcionar mentorias, estruturação e aceleração a projetos de impacto social. A colaboração entre o setor público e a sociedade civil é a chave para o sucesso desse programa. João Campos ressaltou a importância dessa parceria, mencionando que o desafio maior é iniciar as iniciativas, e o papel do programa é fortalecer e ampliar seu alcance. O evento também marcou o anúncio do Edital CAIS Recife 2023, que abre inscrições para Empreendimentos Sociais e novas ações sociais. Os projetos selecionados, provenientes da Região Metropolitana do Recife, serão avaliados por uma comissão especializada. Com sete edições anteriores, o CAIS já contribuiu para o aprimoramento de 350 iniciativas na cidade. O objetivo do CAIS Recife 2023 é fomentar a conexão entre pessoas e fortalecer as redes da sociedade civil, contribuindo para a redução da desigualdade social. O programa está alinhado com a Agenda 2030, buscando a profissionalização de iniciativas e projetos de impacto, tanto no setor já atendido quanto na expansão para outras áreas, como saúde e educação.

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marcus andre silva

“Podemos aprender com o mangue a nos adaptar às mudanças climáticas”

Marcus André Silva, Professor do Departamento de Oceanografia da UFPE, alerta que o processo de modificação do clima tem ocorrido de forma mais acelerada do que apontavam as previsões, mas que o Brasil tem potencial para adotar soluções para mitigar os danos do fenômeno, muitas delas baseada na natureza. Diante dos efeitos das mudanças climáticas, que seguem em ritmo acelerado, teremos que encontrar soluções que se adaptem à natureza ao invés de confrontá-la. A recomendação é do professor do Departamento de Oceanografia da UFPE Marcus André Silva. Ele sugere que em alguns lugares do Recife, poderemos não recorrer à fria engenharia que ergue barreiras de concreto para impedir a cheia da maré, mas deixar que a água invada e depois vá embora. “Em Veneza, por exemplo, nas macro-marés, alguns lugares são alagados e todo veneziano sai de galocha”, compara o professor que também é coordenador substituto do Centro de Estudos Avançados da universidade. Assim como Chico Science inspirou-se na riqueza da vida no mangue para produzir a sua arte, Marcus Silva, pelas vias da ciência, nos convida também a aprender com esse ecossistema que convive com as oscilações da maré. Nesse sentido, até a palafita pode se tornar uma boa solução, desde que receba modificações para que se transformar numa moradia digna aos ribeirinhos. Nesta entrevista a Cláudia Santos, o oceanógrafo fala dessas soluções, explica como acontece o complexo processo de elevação do nível dos oceanos e alerta que temos que ser ligeiros em abandonar práticas como o uso de combustíveis fósseis porque o curso das mudanças climáticas está mais adiantado do que mostraram as previsões dos estudiosos. Como se dá o processo de elevação do nível dos oceanos? Não é um processo simples, ele envolve uma série de características físicas associadas à água, principalmente a do mar, e ao processo de mudança climática, que começou a partir da Revolução Industrial. Esse evento provocou o aumento das emissões de gás carbônico na atmosfera, que age como um filtro, impedindo que o calor seja dissipado para o espaço. Isso faz com que o planeta retenha mais calor. O oceano é um elemento importante no balanço da temperatura do planeta. Esses 2/3 de água que fazem parte da superfície da Terra retém 90% do calor que é absorvido da radiação solar. Se o continente não tivesse a parcela de oceano, a temperatura entre dia e noite oscilaria bastante. Um exemplo é o deserto do Saara, que é carente de água. Durante o dia ele chega a quase 50°C e, à noite, a temperatura está abaixo de zero. Enquanto no Recife, às margens do Atlântico, mesmo no inverno, a temperatura ficar abaixo de 20° é muito raro, porque recebemos o calor do oceano. Uma vez que aumenta o calor retido no planeta, a temperatura da superfície do mar também aumenta e aí a água vai expandir, vai haver o processo de expansão térmica, um fenômeno físico. Mas esse fenômeno não acontece apenas na superfície do oceano. Se focarmos na temperatura do Atlântico tropical, por exemplo, ela é mais quente até mais ou menos uns 100m de profundidade. Mas no oceano profundo, a 4 mil metros, as temperaturas caem para 4°C. Essa é uma água mais fria, que vem do Ártico e da Antártica. Nos oceanos há uma circulação que conecta a circulação superficial da água, que é basicamente induzida pelo vento, e a circulação profunda, induzida pelas diferenças de temperatura e salinidade que comandam a densidade da água. Então, se a gente tem uma água gelada mais densa ela vai empurrar uma água mais quente e menos densa. Basta pensar num aquário: se colocarmos água gelada de um lado e água quente do outro e juntarmos essas duas águas, a água gelada tende a circular por baixo e a água quente vai circular por cima. Existe um processo que é a circulação profunda da água do mar que vem dos polos para a região tropical e a água quente vai passar a fluir na superfície ao ser empurrada pela água fria da profundidade. Um processo que é contínuo. Acontece que há um aquecimento dos polos, principalmente do Ártico, que está perdendo massa de gelo, de permafrost, o gelo permanente do Ártico. As previsões apontam que essa água doce, que está aportando do desgelo da calota polar, tem a tendência de enfraquecer a circulação profunda. Ela é doce porque quando a água marinha congela, o sal fica na superfície. E, como eu disse, além da temperatura, a salinidade também aumenta a densidade dessa água e ela afunda, fazendo com que ela seja a bomba, o propulsor dessa circulação profunda. Mas com o aporte de água doce do derretimento da calota das geleiras, a água está menos salina, o que diminui a densidade da água do mar do Ártico enfraquecendo essa circulação profunda. Aí, ocorre o enfraquecimento do que chamamos de Célula de Revolvimento Meridional. Ela conecta as principais correntes num processo em que a circulação superficial da água do mar retira calor dos trópicos e o leva para as regiões temperadas e aos polos. A Célula de Revolvimento Meridional funciona como grande trocador de calor do planeta mas, ao enfraquecer, leva o planeta a reter mais calor na superfície do oceano tropical e diminuir o transporte de calor superficial para as regiões temperadas dos hemisférios sul e norte que tendem a ficar mais frias. Por isso que hoje falamos de mudança climática e não de aquecimento global, porque há uma transformação do clima no planeta todo onde algumas regiões apontam ficar mais frias e, outras, mais quentes. Além disso, essa água profunda também está esquentando, logo também está expandindo. Então, não temos só o processo da radiação e da temperatura da atmosfera induzindo a circulação e a temperatura da superfície do mar mas, também, uma tendência de aquecimento de toda a água do oceano. Isso é um processo lento, que as previsões avaliam começar em 2100 e evoluir ao longo do dos séculos. Então o processo é muito mais complexo do que o

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Estudante pernambucano é selecionado em programa de estudos na França

O jovem pernambucano Sevan Saraiva, com 22 anos de idade, está pronto para iniciar uma nova fase de sua vida na França, onde buscará se especializar em design e programação. Após passar por uma jornada educacional na Escola Técnica Estadual Cícero Dias – NAVE Recife, uma parceria entre o instituto Oi Futuro e a Secretaria de Estado de Educação de Pernambuco, Sevan partirá nesta quinta-feira, 17 de agosto, rumo à Universidade da Borgonha. Lá, ele terá a oportunidade de explorar a bolsa de estudos conquistada para o curso Métiers du Multimédia et de l’Internet (Negócios de Multimídia e Internet), aprofundando-se em áreas como UX design, comunicação e desenvolvimento de softwares. O trajeto de Pernambuco até a França foi moldado por uma série de desafios. Criado em um ambiente humilde, Sevan enfrentou a realidade de pais com baixa escolaridade e uma renda familiar inferior a dois salários mínimos. No entanto, a valorização da educação sempre esteve presente em sua vida. Sevan sempre nutriu uma paixão por animação desde a infância, encantado pelos desenhos da Disney e sonhando com a produção de conteúdos semelhantes. Movido por essa paixão, ele ingressou no NAVE em 2016, buscando aprofundar seu conhecimento na área. O projeto educacional inovador do NAVE combina o ensino médio com a Educação Profissional e Tecnológica, oferecendo formações direcionadas à economia criativa e tecnologia, unindo o Ensino Médio público a cursos técnicos profissionais em tecnologias digitais. Durante seus três anos no ensino médio na Escola Técnica Estadual Cícero Dias, NAVE Recife, Sevan foi exposto a uma proposta curricular abrangente, abrangendo competências como ilustração, design gráfico e gestão de projetos, habilidades essenciais para seu desenvolvimento. Foi durante uma dessas aulas que um professor apresentou à turma o curta-metragem “La beauté est dans la rue”, produzido em uma das principais escolas de animação da França, despertando em Sevan o desejo de estudar no exterior. Após concluir o ensino médio, Sevan foi aceito no curso de Arquitetura da UFPE. Dois anos depois, ele teve a oportunidade de se juntar à equipe da Oi por meio do programa Geração NAVE, um programa focado na empregabilidade e desenvolvimento de carreira para alunos que saem da escola. De acordo com dados, 93% dos ex-alunos do programa ingressaram no Ensino Superior, um contraste significativo com a média brasileira de 37,4%. Dos 7% que não seguiram para a universidade, 80% estão inseridos no mercado de trabalho, sendo 59% em áreas relacionadas à formação do NAVE. Determinado a realizar seu sonho de aprimorar seus estudos na França, Sevan dedicou-se a aprender francês por conta própria durante a pandemia e se inscreveu em várias universidades do país. Sua dedicação foi recompensada com aprovações em três delas, sendo a Universidade da Borgonha sua escolha final. Lá, ele foi agraciado com uma bolsa de estudos, permitindo-o vivenciar uma matriz curricular abrangente e alinhada com seus objetivos profissionais. Além disso, Sevan continuará a contribuir com a Oi remotamente, equilibrando seus estudos com suas responsabilidades como Designer UX na empresa. “Minha motivação para escolher este curso é o resultado de minha experiência como ex-aluno e colaborador atual da Oi, uma vez que a grade curricular da universidade abrange disciplinas como design de interfaces, criação e edição de conteúdo multimídia, desenvolvimento web e full-stack e análise de dados, cobrindo competências essenciais para o setor de tecnologia. Estou ansioso para absorver conhecimento e continuar a trilhar o caminho que iniciei no ensino médio”, compartilha Sevan.

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MOBILIDADE METRO Tom Cabral

Algomais é finalista do Prêmio Urbana-PE de Jornalismo

No próximo dia 22 de agosto, serão anunciados os vencedores da 19ª edição do Prêmio Urbana de Jornalismo – Engenheiro Pelópidas Silveira. Neste ano, a cerimônia volta a ser realizada presencialmente – depois de três anos sendo exibida de forma online – e acontecerá no Armazém Blu’nelle, no bairro de Santo Amaro. A Algomais está na final, na categoria fotografia, com o trabalho Mobilidade nos Trilhos, do fotógrafo Tom Cabral. O Prêmio Urbana de Jornalismo é promovido pela Urbana-PE em parceria com o Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope) e tem o objetivo de incentivar reportagens que abordem o tema mobilidade urbana. “Estamos felizes em voltar a nos reunir para celebrar este prêmio que trata de um assunto tão importante para as cidades”, celebra o presidente da Urbana-PE, Luiz Fernando Bandeira.   Jailson da Paz, presidente do Sindicato dos Jornalistas também reforça a relevância do Prêmio. “É uma iniciativa merecedora de aplauso. Ele reconhece e estimula a prática do bom jornalismo, que se torna cada vez mais necessária neste tempo de avanço das notícias falsas e da desinformação”. Os trabalhos foram inscritos nas categorias Reportagem em Texto, Reportagem Audiovisual (TVs, rádios e podcasts) e Fotografia. Os nove finalistas anunciados abaixo foram os que receberam as melhores notas de uma comissão formada por jornalistas indicados pelo Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco e por um júri técnico do setor de transportes. O ganhador de cada categoria, receberá, cada um, prêmio no valor de R$ 4.000,00. Ao vencedor do Grande Prêmio Urbana de Jornalismo, o trabalho que obtiver maior nota dentre todos os inscritos, será concedido uma premiação adicional de R$ 6.000,00. Conheça os finalistas da 19ª edição do Prêmio Urbana: Categoria Fotografia 1 – Bloqueio de túnel alagado é reforçado – Bruno Campos, do Jornal do Commercio 2 – Nova Rota à beira-mar para pedalar – Bruno Campos, do Jornal do Commercio 3 – Mobilidade nos trilhos – Tom Cabral, da Revista Algomais Categoria Reportagem em Texto 1 – Calçadas: caminho para a cidadania – Marília Parente, do Portal Leia Já 2 – Estudo Mobilize 2022 – Mobilidade Urbana em Dados e nas Ruas do Brasil – Marco de Souza, do Portal Mobilize Brasil. 3 – Trânsito Travado – Roberta Soares, do Jornal do Commercio Categoria Audiovisual 1 – Eleições 2022: Desafios – Mobilidade, infraestrutura e turismo – Natália Ribeiro, da TV Jornal 2 – RotaViva – Pela preservação da vida – Roberta Soares, do Podcast Programa RotaViva 3 – Rotas da exaustão – Tércio Saccol, do Canal Vós

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joao lula pedro

Que obras no Recife serão beneficiadas com recursos do PAC?

Intervenções do governo federal na capital pernambucana englobam construção de habitacionais,  obras de urbanização, requalificação do Mercado de São José, restauração do patrimônio histórico, além de obras em creches e escolas No Recife, o Novo PAC vai beneficiar, neste primeiro momento, 27 obras e serviços. Dentro das ações do programa federal na capital pernambucana, destacam-se  intervenções como a construção de 952 unidades habitacionais; obras de urbanização em áreas de vulnerabilidade socioambiental, como a do Pilar; a requalificação do Mercado de São José; e restauração do patrimônio histórico, a exemplo da obra de cobertura da Igreja de São José de Ribamar e restauração das Igrejas de Santo Antônio e do Carmo. O programa também vai viabilizar obras em creches e escolas e de contenção de encostas.  O Novo PAC também vai garantir melhorias na rede de esgotamento sanitário e abastecimento de água na cidade, investimentos na rede de saúde e na área de transportes, com a construção de corredores exclusivos de ônibus. A partir de setembro, no âmbito do Programa, o Governo Federal ainda vai lançar editais que somam R$ 136 bilhões para a seleção de outros projetos prioritários de estados e municípios nas áreas de Cidades (urbanização de favelas, abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos, mobilidade urbana e prevenção a desastres naturais); Saúde (UBSs, policlínicas e maternidades); Educação (creches, escolas e ônibus escolares); Cultura (CEUs da cultura e projetos de patrimônio histórico); e Esportes. A partir desta nova etapa, outras obras poderão ser realizadas no Recife dentro do Novo PAC. JOÃO CAMPOS “Quero parabenizar o presidente Lula por retomar o maior Programa de desenvolvimento do país. O Novo PAC é um marco na reconstrução do Brasil. Uma nação que volta a colocar o pobre no orçamento. O Programa também vai possibilitar um reforço nas ações que já estamos fazendo no Recife, apoiando os investimentos na educação, as obras de contenção de barreiras e de urbanização das áreas mais vulneráveis de nossa cidade”. COMPAZ –  Durante o lançamento do Novo PAC, no Rio de Janeiro, o Governo Federal também anunciou a nacionalização dos Centros Comunitários da Paz (Compaz). Ao todo serão,  o Programa vai contemplar a construção de 40 Centros Comunitários pelo país. 

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