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Faculdade de Direito do Recife ganha livro que revisita quase dois séculos de história

Obra do professor e juiz André Melo será lançada nesta quinta (6/11), no Espaço Memória da FDR, e analisa a produção historiográfica sobre a mais tradicional escola jurídica do país A trajetória da Faculdade de Direito do Recife (FDR), uma das instituições mais emblemáticas da educação jurídica brasileira, é revisitada no livro “Uma história das histórias da Faculdade de Direito do Recife: no bicentenário dos cursos jurídicos no Brasil”, que será lançado nesta quinta-feira (6), às 19h, no Espaço Memória da FDR. A obra é assinada pelo professor e juiz André Melo Gomes Pereira, egresso da casa, e publicada pela Editora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O evento contará com apresentação do professor George Galindo, orientador da tese que deu origem ao livro. Fruto de sua pesquisa de doutorado em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB), o trabalho de André Melo analisa como a história da FDR foi escrita ao longo do tempo. O autor examina os estudos de nove professores que contribuíram para a construção da memória institucional: Phaelante da Câmara, Odilon Nestor, Clóvis Beviláqua, Vamireh Chacon, Nelson Saldanha, Nilo Pereira, Gláucio Veiga, Pinto Ferreira e João Maurício Adeodato. O levantamento se baseia não apenas nas obras desses autores, mas também em documentos raros, atas, dossiês e registros históricos preservados no Arquivo e na Biblioteca da FDR. “A análise permite uma visão da cultura jurídica brasileira, notadamente como o próprio campo jurídico se autocompreende historicamente por meio do exemplo eloquente de uma das duas primeiras faculdades de direito do Brasil e daquela que mais esforço empreendeu para escrever a sua própria história”, afirma André Melo, que atualmente leciona na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para o professor, compreender essa tradição é essencial para entender a formação da cultura jurídica nacional. O livro destaca ainda como a história sempre esteve presente na FDR sob diferentes perspectivas: em pesquisas sobre temas históricos em geral, em estudos sobre a história do direito e na produção específica de textos e crônicas sobre a própria instituição. “A história está presente na faculdade em três perspectivas: produção de investigações de temas históricos em geral por professores, alunos e egressos; produção específica sobre história do direito; e produção de textos, livros e artigos sobre a história da FDR, incluindo crônicas e memórias”, detalha o autor. No prefácio, George Galindo ressalta que a “obra é uma porta aberta para diversos futuros possíveis sobre como conceber a cultura jurídica brasileira”. O lançamento integra as ações preparatórias para o bicentenário dos cursos jurídicos no Brasil, que será celebrado em 2027. Fundada em 1827, a FDR — originalmente sediada em Olinda e transferida para o Recife em 1854 — tornou-se referência nacional e símbolo da formação jurídica no país. Desde 1946, faz parte da Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). ServiçoLançamento do livro: “Uma história das histórias da Faculdade de Direito do Recife: no bicentenário dos cursos jurídicos no Brasil”Autor: André Melo Gomes PereiraEditora: UEPB – 568 páginasData: 06/11/2025Horário: 19hLocal: Espaço Memória da Faculdade de Direito do Recife (FDR/UFPE) – Praça Adolfo Cirne, s/n – Boa Vista – Recife-PE

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BARBARA DE ALENCAR Retrato imaginario feito pelo pintor Ernane Pereira.3

Bárbara de Alencar, a protomártir da Independência

Bárbara Pereira de Alencar, pernambucana, nascida no Exu, na Fazenda Caiçara, em 11 de fevereiro de 1760, e falecida em Fronteiras (PI) no dia18 de agosto de 1832, foi a primeira prisioneira política da história do Brasil e, por sua participação ativa na República Pernambucana de 1817, tornou-se protomártir da Independência do Brasil. Casando-se aos 22 anos, transferiu-se para o Crato, no sul do Ceará. Foi mãe de cinco filhos; dois deles, José Martiniano de Alencar e Carlos José dos Santos, foram estudar no Seminário de Olinda; onde vieram se inteirar das ideias do liberalismo europeu do Século 17, fundamentos do ideário da República de Pernambuco de 1817. Comerciante no Ceará, Dona Bárbara teve papel ativo na divulgação da ideologia liberal que deu causa ao movimento revolucionário, como se depreende da carta do sábio naturalista Manuel Arruda da Câmara (1752-1810), endereçada ao padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, datada de 2 de outubro de 1810, na qual o sábio naturalista a trata por “heroína”: “viúva dos Sertões de Pernambuco, mas domiciliada na Vila do Crato do Ceará”. Com a Proclamação da República de Pernambuco de 1817, dona Bárbara Pereira de Alencar, proclamou a República do Crato, que teve a duração de oito dias. Na repressão à República do Crato, pelas forças imperiais, a família teve confiscados todos os seus bens, documentos e papéis, sendo sua matriarca presa e recolhida, em um poço no Quartel de 1ª Linha, entre a Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção e a Cadeia do Crime (depois Cadeia Pública). De lá, saiu para as prisões do Recife e posteriormente da Bahia. Foi a única mulher recolhida à Cadeia da Bahia, quando da Devassa dos Revolucionários de 1817, tendo sido pronunciada em 13 de setembro de 1818, intimada em 30 de setembro de 1819, incluída no Perdão das Cortes de Lisboa em 6 de fevereiro de 1818 e liberada em 30 de setembro de 1819. Assim, Dona Bárbara Pereira de Alencar tornou-se a primeira mulher, prisioneira política do Brasil. Quando da sua prisão em um poço, na Fortaleza de Assunção, onde mal podia permanecer em pé, “conta-se que gritava desesperadamente, dias e dias a fio”, ainda hoje o local é assinalado com a inscrição: “Aqui gemeu Bárbara Pereira de Alencar sob a tirania do Governador Sampaio”. Ao ser enviada para a prisão da Bahia, foi vestida com um camisolão, vestimenta igual à da sua escrava que a acompanhava, mas ao subir no navio uma negra na multidão, que olhava o embarque dos prisioneiros, jogou um chalé para que se cobrisse. Seu filho, o padre José Martiniano de Alencar ganhou notoriedade política, sendo eleito deputado pelo Brasil junto às Cortes de Lisboa (1820); seu outro filho, Tristão Gonçalves Araripe, que veio a ser nomeado Presidente do Ceará, veio a ser morto em combate com as forças imperiais em 30 de outubro de 1825. Dona Bárbara Pereira de Alencar, morreu depois de várias peregrinações em fuga da perseguição política em 1832 na cidade piauiense de Fronteiras, mas foi sepultada em Campos Sales, no Ceará. Seu túmulo encontra-se em processo de tombamento. Quando das Comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil, o seu nome permaneceu no esquecimento pelo Canal History (que produziu uma série sobre as mulheres e a Independência, mas não citou Bárbara de Alencar) e pela própria Academia Brasileira de Letras, em seus vários pronunciamentos.

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7 fotos da Avenida Conde da Boa Vista Antigamente

*Por Rafael Dantas, repórter da Algomais Um dos principais corredores do Recife, a Avenida Conde da Boa Vista viveu diferentes momentos da cidade, viu muitas demolições, reformas, transição do modo de transporte, sem nunca deixar o protagonismo nessa região central. De acordo com a Fundaj: “Em 1840, Francisco do Rego Barros, o Conde de Boa Vista, presidente da província de Pernambuco, aterrou o mangue onde hoje existe o Bairro da Boa Vista para expandir o centro da cidade, sendo iniciada a construção da atual Avenida Conde de Boa Vista. Inicialmente nomeada como Rua Formosa pela população devido à beleza do local, teve sua denominação mudada para Rua Conde da Boa Vista pela prefeitura após a morte do Conde da Boa Vista em 1870. Atualmente a Avenida é uma das artérias mais movimentadas da capital pernambucana, estima-se que seu movimento diário seja de mais de 20 mil veículos e 40 mil pessoas”. Confira abaixo as imagens garimpadas nos acervos da Fundaj e IBGE. Vista aérea da Avenida Conde da Boa Vista e da Avenida Guararapes, ao fundo (Biblioteca do IBGE) Registro de 1910, da Avenida Conde da Boa Vista, na esquina com a Rua da Aurora (Acervo Benício Dias, Fundaj) Destaque para a calçada de pedra portuguesa na avenida Conde da Boa Vista (Acervo Benício Dias, Fundaj) Casario na Avenida Conde da Boa Vista (Acervo Benício Dias, Fundaj) Observação da avenida a partir da janela de uma das casas (Acervo Benício Dias, Fundaj) Registro da Biblioteca do IBGE (sem data) Avenida Conde da Boa Vista, em 1943, em um período de reurbanização do bairro (Acervo Benício Dias, Fundaj) VEJA TAMBÉM

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