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Terceiro branqueamento em massa afetou de forma moderada ou severa 80% dos corais do planeta

No Brasil, o terceiro evento global (2014- 2017) teve impactos menores, mas deixou os recifes mais vulneráveis a episódios posteriores (Reportagem da Agência Bori | Foto: Freepik) Um levantamento global sobre o terceiro evento de branqueamento em massa de corais, ocorrido entre 2014 e 2017, revela que 80% dos recifes do planeta apresentaram branqueamento moderado ou mais severo, e que 35% sofreram mortalidade também moderada ou elevada. O estudo analisou mais de 15 mil levantamentos de recifes ao redor do mundo e foi publicado na revista Nature Communications na terça (10). Com abrangência geográfica inédita, a pesquisa envolve quase 200 coautores de 143 instituições e 41 países, incluindo cientistas brasileiros das universidades federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Bahia (UFBA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O branqueamento ocorre quando o aumento da temperatura do oceano rompe a associação entre os corais e as microalgas que vivem em seus tecidos e fornecem energia para sua sobrevivência. Sem essas algas, os corais perdem a coloração, reduzem crescimento e reprodução e, em casos mais intensos ou prolongados, podem morrer. Para estimar a extensão dos danos, a equipe internacional combinou dados de satélite sobre temperatura da superfície do mar, produzidos pelo sistema Coral Reef Watch, com observações diretas em campo e levantamentos aéreos realizados em dezenas de países. A calibração entre estresse térmico e danos observados permitiu extrapolar os impactos também para áreas não amostradas diretamente, chegando a uma estimativa de que mais da metade dos recifes do mundo sofreu branqueamento significativo. Os resultados mostram que o impacto desse terceiro evento global foi o mais extenso já documentado até então, superando episódios anteriores. Além das perdas ecológicas, a degradação dos recifes ameaça serviços ecossistêmicos essenciais, como pesca, turismo, proteção costeira e segurança alimentar, com reflexos diretos em economias locais e regionais. No caso do Brasil, o terceiro evento global, entre 2014 e 2017, teve impactos relativamente menores, mas deixou os recifes mais vulneráveis a episódios posteriores, explica Guilherme Longo, pesquisador da UFRN e um dos autores brasileiros do estudo. Ele observa que em 2019 e 2020 houve um branqueamento forte no país, em decorrência de uma das mais intensas ondas de calor marinhas documentadas no Brasil, mas com poucos registros em outros lugares do mundo devido à pandemia, e que abriu caminho para perdas maiores no quarto branqueamento em massa, ocorrido em 2024. “Os branqueamentos sucessivos de 2014-2017, seguido do episódio de 2020 foram determinantes para a mortalidade ainda maior observada no quarto branqueamento, em 2024, com perdas de até 80%. Os corais ficaram muito vulneráveis e não tiveram tempo de se recuperar. Para algumas espécies isso está significando extinção local”, aponta Longo. Segundo o pesquisador, o diferencial do estudo agora publicado é mostrar, em escala global e comparativa sem precedentes, como esses impactos se acumulam ao longo do tempo e ajudam a explicar a gravidade documentada nos eventos mais recentes. Fonte: Agência Bori

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Recife sedia simpósio sobre emergências climáticas e soluções baseadas na natureza

Evento do CAU/PE reúne especialistas para discutir soluções baseadas na natureza e estratégias de adaptação para cidades vulneráveis As transformações provocadas pelas mudanças climáticas e a necessidade de integrar Soluções Baseadas na Natureza ao planejamento urbano estarão no centro do II Simpósio de Emergências Climáticas em Arquitetura e Urbanismo, que ocorre nos dias 1º e 2 de dezembro de 2025, no Recife. Promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE), o encontro reunirá especialistas de atuação nacional para debater caminhos técnicos capazes de fortalecer as cidades diante de cenários climáticos cada vez mais desafiadores. Soluções baseadas na natureza no planejamento urbano A programação inclui apresentações sobre metodologias inovadoras aplicadas ao urbanismo, com foco em infraestrutura ecológica, manejo sustentável das águas, ampliação de áreas verdes e estratégias de conforto térmico em áreas urbanizadas. Os temas ganham relevância particular na Região Metropolitana do Recife, território marcado por vulnerabilidades socioambientais e dinâmicas hídricas complexas que demandam respostas integradas e sustentáveis. Além das mesas de debate, o simpósio terá uma oficina prática voltada à elaboração de propostas aplicadas a territórios reais. A atividade reunirá técnicos municipais, docentes e estudantes, estimulando o desenvolvimento de soluções replicáveis para o contexto pernambucano e o fortalecimento das capacidades institucionais na adaptação climática. Participação acadêmica e diálogo intersetorial “Para o debate é fundamental para fortalecer o diálogo entre academia, gestão pública e profissionais do setor, contribuindo para a construção de uma agenda metropolitana de resiliência climática baseada em conhecimento técnico”, ressalta José Adriano Pereira, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário UniFBV Wyden, convidado pelo CAU/PE para participar da abertura solene do evento. Sua presença reforça o esforço conjunto entre instituições acadêmicas e gestores públicos na busca por estratégias que respondam aos impactos crescentes das mudanças climáticas. Desafios climáticos e fortalecimento institucional Com o tema “Projetando para o Clima com Soluções Baseadas na Natureza”, o simpósio pretende estimular o intercâmbio de experiências e contribuir para o aprimoramento técnico dos municípios pernambucanos. A proposta é ampliar a capacidade de adaptação das cidades por meio de práticas sustentáveis e planejamento urbano orientado por evidências, fortalecendo a governança diante das emergências climáticas. Serviço

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COP30 em Belém: financiamento, transição e adaptação dominam negociações climáticas

Delegações de 194 países reúnem-se na Amazônia até 21 de novembro de 2025 para discutir how financiar e implementar a Missão 1,5°C A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém até o dia 21 de novembro de 2025, colocou no centro das negociações três eixos: financiamento climático, transição energética justa e adaptação às mudanças climáticas. Delegações de 194 países, mais a União Europeia, chegam ao Parque da Cidade para tentar avançar compromissos práticos que reduzam emissões e protejam populações vulneráveis. Financiamento climático e o “Mapa do Caminho de Baku a Belém” Um dos principais entraves das negociações é a lacuna financeira para viabilizar a transição global para uma economia de baixo carbono. As presidências da COP29 e COP30 apresentaram o documento conhecido como “Mapa do Caminho de Baku a Belém”, que aponta propostas para alcançar um fluxo anual de financiamentos estimado em US$ 1,3 trilhão — valor considerado necessário para apoiar países mais vulneráveis até 2035. No evento também foi anunciado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), com aportes prometidos superiores a US$ 5,5 bilhões, dos quais ao menos 20% devem beneficiar comunidades tradicionais e povos indígenas. Transição energética e justiça social Entre os temas centrais está a saída planejada e acelerada do uso de combustíveis fósseis e a busca por uma transição que proteja trabalhadores e comunidades afetadas. A proposta é criar um programa de trabalho oficial sobre transição justa dentro da estrutura da COP, com diretrizes para políticas públicas que viabilizem requalificação profissional, apoio social e investimentos em alternativas econômicas de baixa emissão. Citação e contexto “A COP30 é a COP da verdade” A afirmação do presidente brasileiro durante a cúpula de líderes resumiu a expectativa de que Belém transforme diálogos em ações concretas — em especial quanto ao financiamento para adaptação e à definição de um roteiro de transição energética: quem começa, em qual prazo e com quais recursos. Organizações da sociedade civil, como o Observatório do Clima, têm cobrado compromissos claros e execução efetiva das promessas feitas nas COPs anteriores. Adaptação, Balanço Global e sociedade civil A pauta da COP30 também inclui a implementação do Global Stocktake (Balanço Global) do Acordo de Paris, que avalia progressos e orienta metas futuras, além da possível definição de indicadores para um Objetivo Geral de Adaptação Climática — ferramentas importantes para medir a resposta dos países aos impactos atuais do aquecimento. A conferência, realizada pela primeira vez na Amazônia, recebeu ampla mobilização da sociedade civil: a Zona Verde do evento e a Cúpula dos Povos reúnem movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas e organizações de mais de 60 países para debater uma transição justa e medidas de proteção territorial. Próximos passos e impactos Os resultados de Belém dependerão da capacidade dos países de convergir em torno de compromissos financeiros mensuráveis e de mecanismos que assegurem responsabilidade e implementação. Se aprovadas, medidas sobre financiamento, adaptação e transição poderão influenciar políticas nacionais, investimentos privados e programas de proteção social, com efeitos diretos em territórios vulneráveis como áreas de floresta tropical e populações indígenas.

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Aldeia animal arvore Fotos de Mozart Souto

Desenvolvimento não é sinônimo de destruição

Por Sávio Delano, advogado e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PE. Foto: Mozart Souto A proposta de “compensação ambiental” apresentada pelo Exército Brasileiro para justificar o desmatamento da Mata Atlântica, na construção da Escola de Sargentos em plena APA Aldeia-Beberibe, exige reflexão crítica. Em tempos de emergência climática, a insistência em destruir uma das áreas mais sensíveis da região metropolitana do Recife é incompreensível e contraria o que a ciência, a sociedade e a própria legislação ambiental vêm sinalizando de forma inequívoca. Não se trata aqui de negar a importância do desenvolvimento econômico, tampouco de demonizar a presença de um equipamento militar em Pernambuco. Ao contrário: defendemos que preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem andar juntos. A experiência mundial mostra que os países que melhor conciliaram prosperidade com qualidade de vida foram justamente aqueles que entenderam que o meio ambiente não é obstáculo, mas ativo estratégico. É neste sentido que se revela inaceitável a narrativa de que o desmatamento da Mata Atlântica seria um “mal necessário” para o progresso. A proposta do Exército, além de insuficiente, revela-se distorcida em seus fundamentos. Não se pode falar em compensação quando a área já é protegida por lei — tanto pela Lei da Mata Atlântica quanto pela legislação de proteção aos mananciais. A criação de uma unidade de conservação, apresentada como gesto de avanço, esbarra nesse paradoxo: proteger aquilo que a Constituição e a legislação já asseguram, mas que agora se pretende fragilizar. Soma-se a isso a preocupante omissão do Governo do Estado de Pernambuco, que, diante de um empreendimento de tamanha magnitude e evidente impacto socioambiental, tem se mantido silencioso ou conivente. A ausência de uma postura firme e transparente do poder público estadual não apenas fragiliza os instrumentos de proteção ambiental existentes, como também compromete o princípio da gestão compartilhada e democrática das Áreas de Proteção Ambiental, transformando o debate em um monólogo militar em vez de um processo participativo e republicano.Verifica-se, ainda, que o projeto do Exército prevê a instalação de uma área destinada a um Parque de Obuses, o que amplia significativamente os potenciais impactos ambientais e sociais da obra. Isso significa que, além do desmatamento, a região — hoje essencial para a proteção dos mananciais e da biodiversidade — poderá ser submetida a uma atividade militar de alto impacto, completamente incompatível com a função socioambiental do território. A ausência de informações claras sobre essa previsão evidencia a falta de transparência no processo e reforça o risco que o empreendimento representa tanto para o meio ambiente quanto para as comunidades locais. Há, ainda, um aspecto político que não pode ser ignorado. Em pleno momento pré-eleitoral, deputados e lideranças políticas locais se apressam em vestir o manto do “desenvolvimentismo” para angariar votos. O mais grave é ver até parlamentares da oposição, que deveriam fiscalizar o governo, se colocando na posição de defensores do ministro da Defesa — revelando que a lógica eleitoral tem pesado mais do que o compromisso com o futuro ambiental da região. Esse pragmatismo oportunista ignora que o verdadeiro desenvolvimento precisa ser sustentável, e que os custos ambientais desse projeto recairão sobre as próximas gerações. O debate, portanto, não se resume a ser a favor ou contra o progresso. Trata-se, antes, de uma reflexão necessária sobre até que ponto continuaremos tratando a destruição ambiental como moeda de troca política e eleitoral, ou se seremos capazes de buscar alternativas locacionais e soluções inteligentes que conciliem prosperidade econômica, segurança nacional e proteção ambiental. Cabe ao Estado brasileiro — e, em especial, ao Exército, enquanto instituição historicamente associada à proteção da soberania e do território — reafirmar o compromisso com a preservação da vida e com o cumprimento dos princípios constitucionais que orientam a defesa do meio ambiente como bem de uso comum e essencial à vida das presentes e futuras gerações.

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Lei Geral do Licenciamento Ambiental – Principais Mudanças

 Por Ivon Pires Filho Em 17 de julho de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 2.159/2021, que institui a Lei Geral do Licenciamento Ambiental no Brasil. Foram 267 votos a favor e 116 contrários. O texto incorporou a maioria das emendas do Senado e seguiu para sanção presidencial. Em 8 de agosto, o presidente sancionou a lei com 63 vetos, alterando pontos centrais do projeto. O novo marco legal padroniza tipologias de licenças e agiliza o licenciamento ambiental, oferecendo mais segurança jurídica aos empreendedores. Críticos alertam para riscos de flexibilização excessiva na proteção de terras indígenas e quilombolas, e na preservação de biomas como a Mata Atlântica — cuja flexibilização foi vetada. De igual forma, os estados e municípios não poderão flexibilizar os respectivos licenciamentos com normas menos rígidas que as federais. A competência para licenciar seguirá as regras da Lei Complementar nº 140/2011, mantendo a atuação de órgãos federais, estaduais e municipais. A Licença por Adesão e Compromisso (LAC)  permite o licenciamento por autodeclaração e cumprimento de requisitos pré-definidos. Ficará restrita a empreendimentos de baixo impacto e pequeno porte. O veto impede seu uso para empreendimentos de médio porte ou impacto. A Licença Ambiental Especial (LAE) será aplicada a projetos prioritários, mas não poderá ser analisada em fase única. Será mantido o modelo trifásico — Licença Prévia, de Instalação e de Operação — com trâmites mais rápidos. A Licença Ambiental Única (LAU) reunirá planejamento, instalação e operação em um único procedimento, enquanto a Licença de Operação Corretiva (LOC) permitirá regularizar empreendimentos que operam sem licença válida. Atividades como cultivo agrícola e pecuária de pequeno porte ficam dispensadas de licenciamento. Ampliações e pavimentações de infraestrutura existente poderão ser licenciadas por LAC. Projetos públicos rurais deverão estar inscritos no Cadastro Ambiental Rural antes do licenciamento ou da supressão de vegetação. A lei mantém a responsabilização criminal e administrativa por operar sem licença. Empresas que contratarem atividades licenciáveis sem exigir a licença poderão responder solidariamente. A pena para operar sem licença será de seis meses a dois anos de detenção. Continuará sendo exigida a compensação por impactos diretos e indiretos, além da responsabilidade solidária de agentes financeiros que financiem empreendimentos sem licença. A lei entra em vigor em 180 dias. A LAE terá eficácia imediata por Medida Provisória, permitindo a análise de empreendimentos estratégicos. O governo enviará ao Congresso projeto para substituir dispositivos vetados.  Ivon Pires Filho é advogado e sócio fundador do Pires Advogados; Doutor em Direito Ambiental pela Universidade da Virgínia; Consultor Internacional de organismos da ONU (Banco Mundial, FAO e UNEP); participou da elaboração de leis no Brasil e no exterior, como a LC nº 140/2011 e o Novo Código Florestal.

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FIEPE firma cooperação para impulsionar investimentos sustentáveis na Caatinga

Parceria com Instituto Amazônia+21 busca transformar o bioma em polo de desenvolvimento socioambiental e econômico A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) deu mais um passo em sua agenda de sustentabilidade ao firmar um acordo com o Instituto Amazônia+21 para atrair investimentos de impacto socioambiental na Caatinga. A iniciativa, assinada pelos presidentes Bruno Veloso (FIEPE) e Marcelo Thomé (Instituto Amazônia+21), pretende mobilizar recursos comerciais e filantrópicos para viabilizar soluções sustentáveis em um bioma que ocupa 84% do território pernambucano e 11% do país. Durante o lançamento da Facility Investimentos Sustentáveis, Veloso ressaltou a importância estratégica da iniciativa. “Esse trabalho identifica grandes projetos com vários parceiros. Vamos aprofundar e dar prosseguimento a essa atuação, que vai desenvolver diversos projetos estruturadores para o nosso estado. A Caatinga representa 11% do território nacional e 84% do território de Pernambuco. O que discutirmos é uma oportunidade de pensar em novos caminhos. Nossa gestão tem como um dos pilares a governança social, ambiental e corporativa, e iremos assumir o compromisso de ajudar a transformar boas ideias em ações concretas, com impacto real para quem vive e empreende em uma região com tanto potencial de desenvolvimento”, afirmou. Para Thomé, a criação de um fundo catalítico voltado à Caatinga é um instrumento essencial para garantir segurança jurídica e atrair capital em larga escala. “A gente precisa não só conservar o bioma Caatinga, como também restaurar. Quanto mais ativos naturais tivermos, mais negócios e inclusão econômica. É um ciclo de prosperidade virtuoso a partir da mobilização inteligente e orientada do capital, primeiro numa etapa filantrópica, para originar os projetos e, na sequência, trazendo veículos comerciais e recursos em volume para que esses bons projetos virem negócios”, destacou. A relevância do acordo foi reforçada por lideranças do setor produtivo e ambiental. “Na Caatinga habitam em torno de 30 milhões de pessoas e é um território de grandes possibilidades. Essa forma de financiamento vai poder transformar toda essa potencialidade em negócio, emprego e melhoria de qualidade de vida”, avaliou Anísio Coelho, presidente do Contema/FIEPE. Já o secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho, destacou que “desenvolvimento é termos solução sustentável, que a gente precisa caminhar de mãos dadas com economia e meio ambiente”. O evento contou ainda com a participação de representantes do Ibama, CPRH e dirigentes regionais da FIEPE, que ressaltaram a urgência de políticas conjuntas para garantir desenvolvimento econômico sem comprometer a preservação ambiental.

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Brasil enfrenta desafio para ampliar financiamento climático às florestas na COP30

Estudo da CPI/PUC-Rio revela que apenas 2% dos recursos internacionais destinados ao país foram aplicados em ecossistemas florestais, apesar do aumento geral no financiamento climático O financiamento climático está no centro das negociações da COP30, marcada para novembro em Belém, onde países em desenvolvimento, como o Brasil, buscam captar US$ 1,3 trilhão anuais das nações mais ricas para ações ambientais. Um estudo recente do Climate Policy Initiative, vinculado à PUC-Rio, revela que apenas 2% dos recursos internacionais recebidos pelo Brasil foram direcionados às florestas, apontando para um desafio significativo na preservação desses ecossistemas vitais. Joana Chiavari, advogada especialista em Direito Ambiental e diretora do CPI/PUC-Rio, destaca a importância estratégica das florestas tropicais para o combate às mudanças climáticas: “Elas desempenham um duplo papel: como fontes de emissão de CO2 (quando desmatadas ou degradadas) e como sumidouras de carbono (quando conservadas), podendo, ainda, capturar CO2 da atmosfera através da restauração florestal. Desta forma, as florestas têm capacidade de mitigar ou agravar a crise climática, dependendo da sua gestão”. O estudo também indica que o setor que engloba florestas, agricultura e pesca enfrenta mais resistência para atrair capital privado devido à complexidade do retorno sobre investimento, apesar de o financiamento para esse segmento ter crescido 286% globalmente entre 2018 e 2023. No Brasil, entre 2021 e 2022, o país recebeu R$ 26,6 bilhões por ano em financiamento climático internacional, um crescimento de 84% em relação ao período anterior, com destaque para investimentos em energia renovável, que representam 53% do total. Embora os recursos direcionados para florestas sejam insuficientes, o governo brasileiro tem adotado iniciativas para atrair capital estrangeiro, como a Plataforma de Investimentos Climáticos e Transformação Ecológica (BIP), o Eco Invest Brasil e a emissão de títulos soberanos sustentáveis. “Compreender o status atual de financiamento é crucial para medir o impacto dessas iniciativas e ampliar sua efetividade”, finaliza Chiavari.

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Cecilia Costa UFPE

“A APA Aldeia-Beberibe é um tesouro ameaçado. Precisamos de coerência e coragem para defendê-la”

Cecília Costa, pesquisadora da UFPE, destaca a importância da Área de Proteção Ambiental, situada na  Região Metropolitana do Recife, e os riscos de projetos como o Arco Viário e a Escola de Sargentos. Ela ressalta a necessidade urgente de políticas públicas que valorizem os serviços ambientais para proteger esse patrimônio natural. Cecília Costa, doutora em ecologia e pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco, acumula mais de uma década de estudos na APA (Área de Proteção Ambiental) Aldeia-Beberibe, situada na Região Metropolitana do Recife. Com trabalhos que vão desde o levantamento de biodiversidade até a percepção ambiental das comunidades locais, ela é uma das vozes acadêmicas na defesa desse território que está sob alvo de muitas tensões. Nesta entrevista, Cecília detalha a riqueza biológica da região, os riscos impostos por projetos como o Arco Viário e a Escola de Sargentos, e a urgência de implantar políticas públicas que reconheçam e remunerem os serviços ambientais prestados pela floresta. Ao longo da conversa, a professora compartilha percepções valiosas sobre a defaunação (perda de animais) histórica no Nordeste, a presença de espécies ameaçadas como a jaguatirica, o papel estratégico da vegetação na recarga dos aquíferos e o potencial da APA para se tornar referência em desenvolvimento sustentável. Ela alerta: “Precisamos sair da politicagem e ter coerência. O desenvolvimento precisa ser compatível com os objetivos da APA”. A APA Aldeia-Beberibe pode resistir à pressão da especulação imobiliária já existente e dos grandes empreendimentos anunciados, como o Arco Metropolitano e a Escola de Sargentos do Exército? Já existem várias questões que precisam ser resolvidas, e é muito importante não ampliar ainda mais o problema. Esses empreendimentos promovem mais desmatamento e fragmentação da Mata Atlântica nesse território, trazendo ainda mais gente para o local, o que pode comprometer definitivamente os objetivos da APA. Além da fragmentação e do desmatamento, e do Arco Viário Metropolitano é a maior ameaça à integridade da APA pois causa atropelamentos da fauna, poluição sonora e atmosférica. Essa será uma rodovia que receberá intenso tráfego de caminhões para conectar o Porto de Suape com as empresas que estão mais ao norte da região metropolitana. Além da poluição atmosférica, existem as cargas perigosas que representam um risco para a contaminação das águas superficiais e do lençol freático da região, usados para abastecimento da população.  Os projetos do Arco e da Escola de Sargentos têm uma série de impactos negativos para a conservação da biodiversidade e dos serviços ambientais da região, mas o principal problema é o adensamento populacional. Infelizmente, o governo nunca conseguiu resolver as consequências disso. Não há fiscalização que dê conta de impedir a constante invasão de áreas para moradias, além do aumento dos empreendimentos imobiliários que ampliam o uso dos recursos naturais, além da produção de lixo, esgoto e impermeabilização do solo.  Existe algum território em Pernambuco em que o poder público conseguiu dar conta da especulação imobiliária? Não tem. O maior exemplo que a gente tem talvez seja a praia mais linda do Brasil, que é Porto de Galinhas. Ela está altamente adensada, com esgoto sem tratamento e já em processo de verticalização, que também já começou a acontecer em Aldeia.  Então, a gente tem que evitar projetos que promovam mais adensamento populacional no território, porque assim a gente consegue manter os serviços ambientais desse território que são tão importantes para a qualidade de vida na Região Metropolitana do Recife.  De quais serviços ambientais a senhora está tratando? Uma coisa importantíssima acerca da Mata Atlântica em avançado processo de regeneração, como é o caso da APA, é que ela remove e armazena o gás carbônico da atmosfera. Esse é o principal causador do aquecimento global, das mudanças climáticas que estamos vendo. Toda vez que a mata aumenta sua biomassa, ou seja, está se tornando mais densa, significa que ela está estocando carbono. E toda vez que ela está se tornando mais rala ou sendo removida, significa que ela está liberando gás carbônico para a atmosfera.  O trecho de floresta no território do Exército aumentou bastante em biomassa nos últimos 40 anos e, desde a criação da APA em 2010, outros trechos também estão se recuperando. Então esse é o cenário ideal para a remoção de carbono da atmosfera, de modo que uma alternativa rentável e sustentável para a região é o pagamento aos moradores por serviços ambientais e a venda de créditos de carbono.  Há também duas áreas de abastecimento público de água dentro da APA Aldeia-Beberibe. Uma delas é a barragem de Botafogo e a outra é o Açude do Prata, que fica dentro do Parque Estadual de Dois Irmãos. Esta última, é uma água de excelente qualidade, por estar dentro de uma unidade de conservação de proteção integral, sendo um ótimo exemplo para compreender como a natureza contribui para produzir água de qualidade, além de reduzir os custos com o tratamentoda da água. Assegura a boa saúde da população que usa dessa água.  As florestas da APA Aldeia-Beberibe também provêm vários outros serviços ambientais que quase ninguém dá valor, pois não se paga por eles e nem se pensa sobre eles. Se eu perguntar quanto você pagou de taxa de polinização este mês, você vai falar: “Não paguei nada”. Apesar disso, você se alimentou de mamão, laranja, milho, café e muitos outros frutos ou grãos, o que significa que os insetos fizeram o serviço de polinização.  Quanto você pagou de taxa de ar puro? Quanto você pagou de taxa de produção de solo fértil? Quanto você pagou de taxa de chuva?  Você certamente vai me responder: “Também não paguei por nada disso”. Mas então quem está fazendo esse serviço? São milhares de espécies que trabalham dia e noite gratuitamente para manter todos esses serviços e assim assegurar nossa qualidade de vida. Mas se não dermos as condições necessárias para que os ecossistemas continuem trabalhando, eles irão colapsar e nossa qualidade de vida também. Já existem lugares onde os polinizadores estão desaparecendo e os agricultores têm que alugar colmeias ou pagar para as pessoas levarem os pólens de

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Pernambuco vence Prêmio MapBiomas com inovação em gestão ambiental

Plataforma Ecológico-Econômica garante reconhecimento nacional por uso de tecnologia no monitoramento e combate ao desmatamento. Foto: Tércio Amaral O Governo de Pernambuco foi premiado nacionalmente na categoria Políticas Públicas do Prêmio MapBiomas, graças à implementação da Plataforma Ecológico-Econômica, considerada um marco na modernização da gestão ambiental do Estado. A premiação foi entregue durante cerimônia realizada nesta segunda-feira (7), no Insper, em São Paulo, e recebida pela vice-governadora Priscila Krause, representando a governadora Raquel Lyra, ao lado do presidente da CPRH, José Anchieta. Lançada em dezembro de 2024, com investimento de R$ 1,8 milhão, a plataforma digital já ultrapassou 17 mil acessos e oferece funcionalidades como mapeamento de desmatamento ilegal, relatórios ambientais preliminares, séries históricas de dados e análises espaciais que orientam políticas públicas. “Esse prêmio reconhece o esforço coletivo da gestão Raquel Lyra e da equipe da CPRH. A plataforma representa um grande avanço na gestão ambiental de Pernambuco, facilitando tanto a tomada de decisão do Estado quanto o processo de licenciamento para os empreendedores”, afirmou José Anchieta. A vice-governadora Priscila Krause ressaltou o caráter estratégico da iniciativa. “Este prêmio é um reconhecimento ao trabalho da CPRH e de todas as equipes que se dedicaram à criação da plataforma. Mais do que uma conquista técnica, é uma ferramenta que fortalece a nossa capacidade de proteger o meio ambiente e promover um desenvolvimento mais sustentável”, declarou. Ela também destacou os resultados já visíveis na redução do desmatamento e o impacto de programas como o Plantar Juntos e o Noronha Verde. O secretário de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, Daniel Coelho, definiu a plataforma como um divisor de águas na política ambiental de Pernambuco. Para a governadora Raquel Lyra, o reconhecimento traduz o compromisso da gestão estadual com o futuro: “Pernambuco tem avançado em muitas direções e não poderia ser diferente quando se trata de meio ambiente e sustentabilidade. O time do Governo de Pernambuco está de parabéns não apenas pelo prêmio, mas pelo trabalho realizado diariamente com entregas que fazem a diferença no presente e no futuro das cidadãs e cidadãos pernambucanos.”

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Comunidades reforçam pedido por RESEX no Litoral Sul de Pernambuco

Campanha destaca papel do manguezal de Rio Formoso na segurança alimentar, na cultura e no equilíbrio climático Na véspera do Dia Internacional da Pescadora e do Pescador, comunidades tradicionais e organizações civis renovam o apelo pela criação da Reserva Extrativista (RESEX) do Rio Formoso, no litoral sul de Pernambuco. A proposta, que tramita há mais de 15 anos, visa proteger cerca de 2.240 hectares de manguezais entre os municípios de Sirinhaém, Rio Formoso e Tamandaré, garantindo o sustento de mais de 2.300 pescadores e pescadoras artesanais. O território abriga o último grande manguezal não urbano do estado e constitui um super ecossistema marinho, essencial para a reprodução de espécies ameaçadas como o peixe-boi, o cavalo-marinho e o mero. “A criação da RESEX do Rio Formoso é urgente para garantir a proteção legal de um território que já é cuidado coletivamente pelas comunidades tradicionais há décadas”, ressalta Nátali Piccolo, da Conservação Internacional (CI-Brasil). A proteção do mangue também está diretamente ligada à mitigação da crise climática. Além de armazenarem até quatro vezes mais carbono do que florestas tropicais, os manguezais atuam como barreiras naturais contra tempestades e filtram a água. Seu valor cultural é igualmente relevante, com espécies como caranguejo-uçá, aratu e ostra compondo a base da pesca artesanal e da culinária local. “Sem mangue limpo, não tem mariscada. E sem mariscada, não tem fungi”, diz Marô do Fungi, pescadora e cozinheira de Rio Formoso. Para fortalecer a mobilização, foi lançada a campanha #SemMangueSemBeat, que oferece uma plataforma online com cartas, informações e ferramentas para que a sociedade pressione o governo estadual a apoiar a criação da RESEX. O nome faz referência ao movimento Manguebeat, ícone da resistência cultural pernambucana, e reforça que proteger o mangue é também preservar a identidade do estado. ServiçoMais informações sobre a campanha: www.semmanguesembeat.com.brSobre a Conservação Internacional: www.conservacao.org.br

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