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Entrevistas

"Sou um radical de centro"

Publicado originalmente no dia 14/12/2015 por Rafael Dantas às 14:03 Em razão do falecimento do ex-governador Joaquim Francisco Cavalcanti, nesta terça-feira (3), registramos os nossos pêsames por essa grande perda para a política pernambucana e voltamos a publicar no nosso site a entrevista que fizemos com ele no ano de 2015. . Há cinco anos sem exercer cargo público, Joaquim Francisco, hoje atua como advogado. Mas não abandonou a política. Participa de debates sobre o cenário político em rádios pernambucanas e alega não estar totalmente descartada uma candidatura em 2018. Nesta entrevista, concedida aos jornalistas Rafael Dantas e Cláudia Santos, ele fala de como se dedica a hobbies como a música e comenta fatos dos quais participou e que marcaram a história recente do País. Como foi sua infância? Nasci no Recife, onde vivi a infância, com fins de semana no interior. Meu pai tinha propriedade rural em Macaparana, Mata Norte. Quando eu tinha 12 anos ele arrendou uma propriedade de João Santos, em Goiana, aí passei anos indo para lá. Minha vida sempre foi urbana e rural. Hoje tenho um sítio pequeno, de dois hectares, em Gravatá. Tenho uma vaca, um garrote e dois cavalos. O segundo lazer é a música, toco de ouvido, mau, e faço aula de canto no Conservatório de Música. Que instrumento o senhor toca? Acordeão, violão, bateria e pandeiro. Mas só para consumo interno. Meu estilo é baião, músicas italianas e brega: Aracy de Almeida, Núbia Lafayette, Alcione, Nelson Gonçalves, Lupicínio Rodrigues. Nesse campo não me modernizei. Também gosto de Valesca, que é mais atual e é uma querida amiga. Quando se formou em direito? Em 1970, aos 22 anos. Meu pai era advogado. Eram três irmãos e 10 irmãs. Naquela época meu avô não dispunha de recursos para todos estudarem. Só podia fazer um doutor, que vinha para o Recife fazer os preparatórios. Meu pai foi prefeito de Macaparana, cidade dele, e deputado estadual. Como foi sua entrada na política? Posso dizer que foi na minha casa. Nasci em 1948, meu pai foi constituinte de 1946 e fundador do PSD. Quando fiz 18 anos, Nilo Coelho, que tinha sido constituinte com meu pai, foi governador e me convidou para ser oficial de gabinete. Depois fui secretário do Trabalho no governo de Moura Cavalcanti, que era primo de meu pai. Dos 18 aos 62 anos tive atividade política permanente, como secretário do trabalho, como diretor do Incra, como oficial de gabinete do governador, ou como coordenador da campanha de Roberto Magalhães, que foi bastante renhida. Na época havia o programa de debates A Marcha das Apurações na rádio Clube, comandado por Geraldo Freire. Tinha o maior índice de audiência da rádio de Pernambuco. Era primeira eleição depois de anos. Como a apuração demorava naquela época, ficamos 14 dias debatendo durante duas horas de programa. No final ganhamos por 89 mil votos. Depois fui prefeito do Recife, depois deputado constituinte, depois fui prefeito de novo, em seguida governador e deputado. Como constituinte em que área trabalhou? Em desenvolvimento urbano. Fui vice-presidente da Comissão de Reforma Urbana. No capítulo da família, defendi o planejamento familiar. Por que? Entendia que naquela época precisávamos ter critérios para que não explodisse a população. Só que havia contra isso os militares que defendiam a tese: homens sem terra para ir para terra sem homens, que era a Amazônia, o Mato Grosso. O que não era o melhor caminho porque são áreas de preservação. Hoje as classes A, B, C, D estão com um nível próximo à taxa de reposição. Mas a classe E ainda apresenta taxa maior. O planejamento familiar tem que ser feito, às vezes, com estímulo à diminuição do número de filhos, outras vezes, para estimular casais a terem mais filhos, como estão fazendo alguns países da Europa. As pessoas entendiam que o planejamento familiar era vasectomia, laqueadura de trompa, política dos países desenvolvidos para segurar o desenvolvimento dos demais países. Mas a visão era ter 1,8 a 2 filhos por casal, que seria taxa de reposição, quando se conseguisse o equilíbrio. O Brasil está terminando a fase do bônus demográfico, temos ainda 8 anos, ou seja, ter uma grande população jovem sustentando uma população velha que está aumentando. Em 2023 atingiremos 9 milhões de pessoas com mais de 80 anos, 14 milhões entre 70 e 80 anos e fora do trabalho, e o número de jovens estagnou. Talvez lá para 2040 faremos o que países da Europa fazem. Se tivéssemos feito o dever de casa nessa área teríamos uma situação mais confortável, nossa população teria se estabilizado em torno dos 160 milhões e não dos 204 milhões. Porque, ao mesmo tempo em que se tinha esse processo, tinha a tecnologia vindo atrás, cada dia mais expulsando a mão de obra. Qual a diferença das campanhas anteriores para as atuais? Estávamos 20 anos sem eleições, houve uma euforia pelo retorno delas. Participei de alguns atos da campanha das Diretas Já, verdadeiras apoteoses. Você queria o direito de votar e de transformar o País. Hoje o eleitor está chocado, não acreditando. A gente nem sabe para aonde vão coisas. Uma hora é reforma política – que não foi feita – outra hora é reforma econômica, uma visão de que se teria que fomentar o emprego e o crédito, do outro lado, tem que cortar e fazer o ajuste fiscal. O senhor concorda com o ajuste? Sem dúvida. Gastou-se muito pelo menos nos três últimos anos. Todos os programas estouraram o orçamento, como Fies, subsídios do BNDES, incentivos fiscais. O Estado brasileiro não cabe mais no PIB. Tem que fazer redução, melhorar a eficiência e promover cortes transitórios. As previsões antes eram de que 2015 teria um semestre de corte e no outro começaria o crescimento. Mas já engoliu 2015 com previsão de redução de – 3% no PIB e vai entrar 2016 com -2% . Acho que o Brasil nunca precisou tanto de centralidade, radicalizar o centro. Eu sou radical de centro. Pejorativamente o centro é visto como

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"Na pandemia, a vida urbana foi mais difícil para os mais pobres".

Há um certo consenso de que sempre que a humanidade enfrenta momentos muito dramáticos – como uma guerra ou uma pandemia – grandes mudanças são incorporadas. E as cidades – uma das mais fantásticas invenções humanas – devem ser palco de muitas dessas transformações no pós-Covid. Profissionais que participaram do 27º Congresso Mundial de Arquitetos, realizado na semana passada, se debruçaram sobre ideias para que essa transição ocorra no sentido de melhorar a qualidade de vida de todos os moradores urbanos do mundo. O evento, um dos mais importantes na área de arquitetura, seria realizado no Rio mas, em razão da atual conjuntura sanitária, aconteceu de modo virtual. Ao final do encontro, os participantes elaboraram a Carta do Rio de Janeiro, com proposições para o desenvolvimento urbano. Eles defendem um novo padrão de cidade no pós-pandemia, com atenção às mudanças climáticas, à saúde pública e à redução das desigualdades. Para conhecer detalhes do documento, Cláudia Santos conversou com a arquiteta e urbanista Elisabete França, integrante da comissão responsável pela redação da Carta. Ela é secretária executiva da Secretaria Municipal de Habitação da Cidade de São Paulo e disse que um dos pontos mais abordados no congresso foram as favelas e a necessidade de moradia digna para as pessoas em situação de vulnerabilidade. Confira a seguir a entrevista. Quais as fragilidades das cidades que foram expostas com a pandemia e que foram debatidas no 27° Congresso Mundial de Arquitetos?  Logo no início da pandemia, ficou evidente que os mais pobres seriam os mais atingidos. Desde a dificuldade de cumprir os protocolos mínimos estabelecidos, como lavar as mãos e manter o distanciamento social. Nos territórios precários das cidades, caracterizados pela ausência de infraestrutura de redes de saneamento básico, lavar as mãos é um ato quase impossível de ser realizado. Da mesma forma, manter o distanciamento social nas residências precárias e com altos índices de adensamento é algo difícil de ser atendido. Além dessas condições de moradias, a vida urbana também foi difícil para os mais pobres que enfrentam mais dificuldades para trabalhar em home office. Eles precisaram sair das suas casas, utilizar o transporte público. E, ainda, dificuldades existem em relação aos seus filhos que nem sempre conseguem acompanhar aulas online. Ou seja, a pandemia afetou mais fortemente os mais pobres e, por esse motivo, um dos eixos do Congresso – Fragilidades e Desigualdades – foi tratado preferencialmente, de modo a que fosse possível elencar uma série de contribuições sobre o assunto. Quais as mudanças necessárias na economia para tornar a cidade mais acolhedora para cidadãos de todas as classes sociais? Uma melhor distribuição de renda. A desigualdade social que obrigou cerca de 50 milhões de brasileiros a recorrer ao Auxílio Emergencial, descortinou essa triste realidade. Uma cidade acolhedora para todos deve universalizar o saneamento básico, eliminar as moradias precárias e em situação de risco, e permitir acesso a todos a serviços e equipamentos públicos. Como foram as discussões do congresso sobre as favelas? O tema das favelas foi o mais abordado no congresso porque é uma realidade que ficou ampliada com o advento da pandemia. A desigualdade social que esses territórios expressam deve ser combatida e os arquitetos têm um papel importante nessa frente. Eles, cada vez mais, estão interessados e se organizando das mais diversas formas para atuar e mudar a realidade das populações mais pobres. Seja na elaboração e implantação de programas de urbanização de favelas, seja na atuação das assessorias técnicas (ATHIS) que visam a melhorias nas habitações precárias das favelas. Qual a importância dos centros das cidades e como revitalizá-los? Centros de cidade são bem infraestruturados e, mais importante, guardam memórias coletivas dos habitantes. Nesse sentido, precisamos ter mais atenção com os patrimônios construídos das cidades, devemos protegê-lo de ações que por vezes descaracterizam essas partes da cidade. Para tal, é necessário que os centros históricos atraiam mais moradores que são a alma da cidade. Com o aumento da população, vemos atraídos novos negócios e equipamentos. Temos grandes oportunidades nas cidades brasileiras, principalmente um parque construído mas subutilizado. E a pandemia nos trouxe mais um desafio porque, com o home office, provavelmente teremos mais edifícios vazios. Dessa forma, é demandatório que os governos definam políticas públicas que promovam e incentivem o retorno para os centros, aproveitando a infraestrutura existente. E que se criem incentivos para atrair recursos públicos e privados para a construção de novas moradias ou para a requalificação das existentes, sempre observando a diversidade social dos moradores. Assine para ler a entrevista completa na Edição 184.5 da Revista Algomais: assine.algomais.com

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Projeto para Teatro Santa Isabel beneficia cultura, turismo e educação

Há 20 anos, Manaus restaurou o Teatro Amazonas e investiu nos seus corpos artísticos estáveis, ou seja, sua orquestra sinfônica, seu balé e coral. Suas temporadas de ópera, que destacam compositores e a cultura amazônica, passaram a atrair turistas estrangeiros que chegam dos cruzeiros pelo Rio Negro. Em torno do teatro, no Centro Velho de Manaus, surgiram hotéis, o comércio ganhou um movimento maior e a região central foi restaurada. Imagine se acontecesse o mesmo com o Teatro Santa Isabel no Recife? Esse é o objetivo de um projeto ousado, elaborado pela Porto Digital, pela Associação Pernambucana de Ópera, Dança Cênica e Música de Concerto e pela UFPE. Além dos benefícios culturais, com investimentos na Orquestra Sinfônica do Recife, da criação de um balé, de um coral e de formações juvenis desses corpos artísticos, o projeto traria repercussões na economia, na educação e no turismo da cidade. Para saber detalhes, Cláudia Santos conversou com Wendell Kettle, maestro, pianista e compositor, que tem realizado um resgate do repertório operístico brasileiro, e Geber Ramalho, que tem uma longa trajetória ligada ao Porto Digital e é professor do Centro de Informática (CIn) da UFPE, além de compositor, arranjador e músico. Vocês poderiam explicar este projeto que envolve a Orquestra Sinfônica e o Teatro Santa Isabel? Wendell – O projeto foi concebido pelo Porto Digital, pela Associação Pernambucana de Ópera, Dança Cênica e Música de Concerto e pela UFPE propondo um novo modelo de gestão para o Teatro Santa Isabel que visa a colocá-lo num outro patamar dos principais teatros do Brasil. Isso quer dizer que esses teatros têm corpos estáveis. Aqui no Recife temos um só corpo estável que é a Orquesta Sinfônica do Recife e que está um pouco sucateada. Das 120 vagas de músicos, apenas 50 estão preenchidas. Temos aqui cantores líricos e profissionais da dança que poderiam compor um coral lírico do Teatro Santa Isabel e o um Balé Municipal do Recife. Mas, não temos esses corpos estáveis. Esse projeto além de criar um modelo moderno, competitivo e ativo de gestão para o teatro, prevê a criação desses corpos estáveis e a reestruturação da Orquestra Sinfônica. Além dos benefícios artísticos, teremos um fomento da economia criativa em torno dessas atividades e de um outro tipo de turismo. Geber – Pernambuco e o Recife, com toda a sua riqueza musical, têm uma orquestra incompleta e que não se apresenta com frequência. Também temos um teatro, o Santa Isabel, que basicamente é de aluguel de pauta, não um espaço de conteúdo próprio, de experimentação para mostrar as coisas que são feitas aqui. Onde entra o Porto Digital neste projeto? Geber - Estamos interessados na renovação do Centro do Recife e esse projeto faz todo o sentido para renovar a região, porque não envolve apenas a cultura, mas educação, turismo e economia. O segundo ponto é que nós vivenciamos, há 25 anos, o problema de formarmos alunos no Centro de Informática da UFPE, no que havia de mais moderno, e eles iam embora porque não havia mercado para trabalharem aqui. Por isso, criamos o CESAR, depois o Porto Digital: para criar um espaço de trabalho para o pessoal que a gente gastou dinheiro formando e depois foi embora. E os músicos estão na mesma situação que a gente tinha na tecnologia. O papel do Porto Digital é ajudar a desenhar a parte da gestão, baseada na sua experiência que é muito exitosa. O Porto Digital não quer tomar conta do teatro, nem da orquestra, quer ajudar apenas na transição para um modelo baseado em OS (organização social). Fizemos um processo semelhante para uma instituição que pensa no planejamento do Recife, que é a Aries (Agência Recife para Inovação e Estratégia). Faríamos a incubação dessa OS dentro do Porto Digital até ela estar preparada para ser tocada sozinha. É importante salientar que fizemos um benchmarking, consultamos os projetos de sucesso no Brasil. Nos lugares onde uma orquestra funciona, que tem uma boa qualidade musical, tem atividade, onde o teatro funciona como um espaço de experimentação, todos operam no modelo de OS: São Paulo, Minas, Salvador etc. Como funcionaria essa OS? Geber - A ideia de uma organização social, não é a privatização, é para ganhar agilidade, transparência. Numa OS, entrega-se uma política pública para ser tocada por uma entidade privada sem fins lucrativos, que tem um conjunto de controles de governança para não haver desvio. É o que fazemos no Porto Digital. Por isso que Wendell falou que é um novo modelo de gestão. Não é só renovar a orquestra e contratar mais músicos mas pensar num modelo que seja mais sustentável porque permite a captação também de recursos da iniciativa privada para compor com a iniciativa pública e, assim, poder entregar para a população cultura, educação e promover turismo e ter impacto econômico. Existe uma lei que dá as diretrizes para a OS. Qualquer um pode criar uma associação mas para uma associação virar uma organização social é necessária uma decisão do governo federal, estadual ou municipal. Para que o governo conceda essa atribuição, precisa haver certos requisitos como, por exemplo, ter um conselho de administração com representantes do governo e da sociedade. Há um conjunto de regras que regem as organizações que viram OS. Essa organização vai ter um setor de captação de recursos. Em São Paulo, por exemplo, 50% da orquestra é paga com um contrato de gestão da prefeitura e os outros 50% são captados em patrocínio, Lei Rouanet, doações, temporadas, aluguel de teatro. O fato é que o poder público hoje não tem finanças que permitam ter uma orquestra e o conjunto de atividades que deveria ter. Um ponto é bom esclarecer: os músicos que são funcionários públicos da orquestra continuam com o mesmo tipo de contrato, ninguém muda. Agora, os novos músicos serão contratados num modelo de CLT. Como o Santa Isabel entra neste projeto? Wendell - O teatro seria uma espécie de autarquia, uma instituição autônoma. Em São Paulo, existe a rede de teatros municipais, geridos pela Secretaria

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"Ajustes nas mudanças do IR devem continuar surgindo"

Há muito tempo se fala na necessidade de se promover mudanças no imposto de renda. A tabela do IR, por exemplo não era corrigida pela inflação desde 2015. Há duas semanas, finalmente, o Governo Federal apresentou o projeto de Lei 2337/21, com modificações da “mordida do leão” para pessoas físicas, empresas e investimentos financeiros. Se não foi a reforma esperada por muitos, a proposta traz mudanças significativas e gerou críticas da classe empresarial, que alega sofrer um aumento da carga tributária. Nesta semana, relatório apresentado na Câmara dos Deputados por Celso Sabino (PSDB-PA), mudou uma série de pontos na reforma proposta pelo governo. Para explicar o projeto encaminhado pelo Ministério da Economia, as mudanças realizadas pelo relator e os impactos que todas essas modificações podem provocar, Cláudia Santos conversou com André Morais, presidente do Conselho Regional de Economia de Pernambuco. O economista também analisou as possíveis mudanças nos regimes do MEI (microempreendedor individual), do Simples e do Lucro Presumido, conforme antecipou o secretário da Receita Federal José Tostes. O senhor poderia resumir as mudanças no imposto de renda previstas na proposta do Ministério da Economia? A proposta da reforma está dividida em três grandes frentes: pessoa física, jurídica e investimentos. Para as pessoas físicas, a reforma vai mexer na tabela de imposto de renda, atualização nos valores dos imóveis e tributação de lucros/dividendos. Em relação à tabela de IR, a proposta da reforma amplia a faixa de isenção, que antes era de R$ 1.903,98 para R$ 2.500. Segundo o governo, só esse aumento de faixa promete que mais de 5,6 milhões de pessoas deixariam de pagar imposto de renda. Para a declaração de imposto simplificada, o desconto será de até 20%, limitado a quem tem renda de até R$ 40 mil por ano. Em se tratando das remessas para os chamados paraísos fiscais, teriam um aumento na alíquota, indo para 30%. A proposta também prevê a atualização dos imóveis incidindo apenas 5% de imposto sob a diferença. Hoje, ao vender um imóvel, o cidadão paga entre 15% e 22%. Já os lucros e dividendos, que hoje são isentos, passariam a ser tributados em 20% na fonte. O governo alega que essa não tributação gera uma distorção na economia, pois estimula a pejotização, assim como pode forçar novos investimentos, visto que boa parte dos lucros poderiam ser reinvestidos na empresa. Para as empresas, teríamos uma redução gradativa de alíquota, que hoje é de 15% para 12,5% em 2022 e 10% em 2023. O adicional de 10% para as empresas de maior porte continua. Para os investimentos, a promessa é de uma alíquota única de 15% para produtos de renda fixa, como Tesouro Direto e CDB, (que hoje é escalonada, começando em 22,5% e caindo para 15% em 2 anos). Já as operações em bolsa passariam a ter uma apuração trimestral e não mais mensal como é hoje, mantendo, também, a alíquota única de 15%. Já os fundos imobiliários, em que os cotistas recebem dividendos, devem passar a ser tributados também com alíquota de 20%, além do ganho de capital na venda das cotas, que reduziria de 20% para 15%. Empresários, tributaristas e agentes financeiros criticam a proposta argumentado que ela vai provocar um aumento da tributação, pesando a carga sobre as empresas, além de aumentar a burocracia. O senhor concorda? É uma preocupação legítima. A nossa tributação, além de elevada, é complexa. Quando posta em cadeia, percebemos o quanto é alta. Essa é a grande crítica. Porém, a ideia principal da reforma é de um rearranjo dos impostos a fim de simplificar, como no caso do CBS (contribuição sobre bens e serviços) que vem para substituir o PIS/Pasep em várias frentes em âmbito federal. Se bem-sucedida, além do ganho de produtividade das empresas, com essa simplificação teremos uma maior transparência da população quanto aos impostos que paga. Todas as etapas da reforma se mostram alinhadas a modelos mais transparentes, que gerem mais eficiência no nosso sistema tão complexo de arrecadação. Mas, na prática, o que vimos foi a proposta de acabar com os juros sobre capital próprio (JCP) e uma redução de forma muito tímida da alíquota do imposto de renda para pessoas jurídicas. O senhor acha que esta reforma afasta o investidor e compromete o emprego? O que afasta investidor é falta de segurança jurídica, complexidade tributária e instabilidade política. Portanto, concomitante a essa proposta de reforma, são necessários outros instrumentos que desburocratizem e tragam mais segurança e transparência para o investidor, seja ele da bolsa ou da economia real. Um problema que poderemos ver à frente, visto que historicamente a nossa taxa de juros é alta, e já está retomando essa trajetória, é vermos empresas sendo vendidas para o empresário viver de juros. Ainda não sabemos em que grau, mas certamente deve acontecer e impactar negativamente nos empregos. Um grupo de 120 empresários solicitou ao Congresso mais tempo para debater a proposta e que seja criada uma comissão especial para analisar o projeto. O senhor acredita que a partir dessas medidas possa surgir um acordo? Uma reforma desta magnitude precisa ser mais bem debatida, tendo em vista os impactos que ela pode causar, não sendo recomendável que tramite de forma apressada, pois podemos correr riscos de erros graves e que podem ser difíceis de se reparar no futuro. Acho salutar que se chegue num consenso, e Guedes já se mostrou receptivo às críticas e tem feito encontros com empresários para debater a questão. Portanto, acredito que ainda deveremos ver alterações no texto base. O ministro já sinalizou a empresários que a Receita Federal talvez tenha errado na dose das medidas, e que, segundo ele, a reforma deverá ser neutra, ou seja, haverá uma redistribuição das cobranças e não um aumento da carga tributária.

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"Precisamos de um grande processo de inclusão digital do idoso."

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 67% da população com 60 anos ou mais no Brasil tem apenas o ensino fundamental incompleto. Uma situação desafiadora, como ressalta o economista João Cavalcanti, diante de uma sociedade que demanda cada vez mais capacitação das pessoas, não só para o trabalho, mas também para viver neste mundo tão digital. Por isso Cavalcanti, que é professor da disciplina de Análise de Conjuntura e Cenários Econômicos da Católica Business School, defende a necessidade de ampliar a inclusão digital do idoso. Nesta conversa com Cláudia Santos, o economista, que também é sócio-fundador do GrupoSALTE, ressalta que 20% dos lares brasileiros têm como renda principal a do familiar idoso. “Essa populaçãopassa a ser estratégica não só para as políticas públicas, como para as empresas”, salienta Cavalcanti que atua há 25 anos na área de empreendedorismo. A chamada economia prateada, composta por essas pessoas de cabelos grisalhos, é promissora e desconhecida pelas empresas. “O comportamento do consumidor idoso é diferente, aquele impulso por acumular bens é bem menor. Isso pode provocar uma grande mudança no mercado que ainda é muito baseado no consumo excessivo e no acúmulo de bens”, adverte. Cavalcanti salienta que a população idosa também é composta em sua maioria por mulheres que desejam expandir seus horizontes, em contraposição à repressão que viveram na juventude. “Enquanto parte dos homens idosos tendem à procrastinação, as mulheres idosas tendem à experimentação”, diferencia o economista que também fornece algumas dicas para os jovens sobre como se planejarem para a velhice. Qual o impacto do envelhecimento da população na economia brasileira? Estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que dos 71 milhões de lares brasileiros, cerca de 20% deles têm como renda principal a do idoso. Numa outra perspectiva, o consumo de cerca de 30,6 milhões de brasileiros dependem da renda do idoso. Boa parte dessa renda vem das aposentadorias mas a participação dos idosos no mercado de trabalho também tem crescido, passou de 5,9% em 2012 para 7,2% em 2020. Essa população passa a ser estratégica não só para as políticas públicas, como para as empresas. Além do envelhecimento cada vez maior, por causa da base populacional, temos sistematicamente queda na taxa de natalidade. Estimativas indicam que a partir de 2060 a população brasileira começará a diminuir. Segundo o IBGE, em 2060, os idosos representarão 25% da população brasileira. Quais os desafios para a saúde pública e para a previdência? Os desafios vão além da saúde e da previdência, pois, por exemplo, 67% das pessoas com 60 anos ou mais, têm apenas o ensino fundamental incompleto, numa sociedade que demanda cada vez mais capacitação das pessoas, não só para o trabalho mas, também, para viver neste mundo tão digital. Mas, sem dúvida, a saúde e a previdência são as mais impactadas. No âmbito da previdência, a base que gera a poupança que financiará as aposentadorias está diminuindo de maneira relativa, enquanto a parcela da população que irá usar essa poupança só aumenta. Isso inevitavelmente levará a ciclos de revisão do sistema previdenciário, aumentando sempre a idade mínima de aposentadoria e aumentando o tempo de contribuição. Também teremos necessariamente um aumento da demanda global por serviços de saúde. Mas, além disso, é necessária uma requalificação da matriz desses serviços que melhor atenda as necessidades do idoso. Então, teremos uma mudança quantitativa e qualitativa nos investimentos em saúde. A pandemia de alguma forma afetou esse cenário? Mais de 70% das mortes pela Covid-19 recaíram sobre as pessoas de 60 anos ou mais. O efeito, além da perda devastadora emocionalmente, leva a uma grande crise financeira nas famílias que dependiam desses idosos. Essa grande mortalidade, além da dor, também representa uma perda permanente da principal fonte de renda de milhares de famílias. Além disso, a perda de renda das famílias, agravada pela pandemia, levará a um aumento da precarização dos meios dos idosos, pois uma parte maior da sua renda terá que suprir as necessidades da família com uma renda menor, devido ao desemprego. Essa precarização, a médio prazo, pode levar a um aumento das demandas por serviços de saúde. Os idosos estão permanecendo mais tempo no mercado de trabalho, cada vez mais disruptivo, com transformações constantes. Como eles podem acompanhar essa evolução? Você acredita serem necessárias políticas públicas para a atualização de suas habilidades? Não tenho a menor dúvida de que precisamos ter um grande processo de inclusão digital do idoso para, não só ampliar sua trajetória de aprendizagem em geral mas, também, para sua interação social. Por outro lado, fazendo isso de forma ampla e adequada ao idoso, aumentaremos bastante a autonomia deles nos serviços do dia a dia. Outro grande desafio será o desenvolvimento de segurança digital, visando a esse público que já é a maior vítima de crimes cibernéticos. Assine a Algomais e leia a entrevista completa na edição 184.1: assine.algomais.com

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"É positivo para o PSB de Pernambuco a entrada de Dino e Freixo no partido."

S emanas atrás, dois políticos que tinham forte identificação com seus partidos – Marcelo Freixo que era do PSOL e Flávio Dino, do PCdoB – surpreenderam ao declararem sua filiação ao PSB. Nesta conversa com Cláudia Santos, a cientista política, professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Nara Pavão, analisa como essas duas figuras, de atuação reconhecida nacionalmente, podem beneficiar a legenda socialista, em especial em Pernambuco. Nara comenta também as perspectivas para as próximas eleições e afirma que o presidente Jair Bolsonaro tem chances de se reeleger. Segundo a cientista política, ele conta com uma base de eleitores incondicionalmente fiel e pode trabalhar os resultados da vacinação e da recuperação econômica (que deve acontecer no ano que vem) a seu favor. Mas caso seja rejeitado nas urnas, ela acredita que tentará um golpe, porém não contará com o apoio de setores da sociedade e, provavelmente, não terá sucesso. Autora de uma pesquisa sobre fake news nas eleições de 2018, ela assegura que as notícias falsas não têm a capacidade de mudar o voto das pessoas, mas é munição para acirrar ainda mais a polarização. Como a senhora analisa a filiação de Marcelo Freixo e Flávio Dino ao PSB? Acho que há dois efeitos. O primeiro deles é sobre a fragmentação partidária. Esses dois políticos estão saindo de partidos menores para um partido um pouco mais estruturado. Então, isso é visto positivamente porque o sistema partidário brasileiro é muito fragmentado e a ida desses dois políticos para um partido um pouco mais forte sinaliza na direção da redução da fragmentação. Claro que o PSOL e o e o PCdoB não deixam de existir porque esses dois políticos saíram desses partidos. Mas, essa saída é boa porque diminui um pouco essa fragmentação. São políticos de peso que vão para o mesmo partido e para um partido que já era um pouco mais forte do que aqueles que eles estão deixando para trás. Outro efeito é que tanto o Dino quanto o Freixo são políticos claramente associados com à esquerda. Não são ambíguos em relação a isso. Já o PSB é um partido um pouco amorfo, principalmente no nível nacional. Ele não tinha uma marca ideológica muito forte. Com a ida desses dois políticos claramente de esquerda, o PSB assume mais o seu perfil de esquerda mesmo. E isso fica mais claro, sinaliza para população que o PSB é um partido de esquerda. Então, eu acho que os dois efeitos são bons. Existe a possibilidade do PCdoB se fundir ao PSB? É possível ter sucesso uma frente da esquerda e centro-esquerda? Em relação à primeira parte da pergunta, eu não saberia dizer quais são as reais intenções do PCdoB e se de fato quer se fundir ao PSB. Agora, é possível, sim, ter uma frente de esquerda e de centro-esquerda. A de centro-esquerda é a que estão querendo costurar. Na verdade, quem conseguir ganhar o centro, seja a esquerda, seja a direita, vai ter uma vantagem muito grande em 2022. E no atual momento, a esquerda está sendo mais capaz de flertar com centro do que a direita, e muito devido à moderação dos atores de esquerda, que entendem que o momento requer essa união e essa moderação. Ou seja, em razão dessa aproximação da esquerda com o centro, como também pelas ações deliberadas de Lula de tentar costurar uma aliança que envolva forças mais moderadoras, é muito possível que se forme uma coalizão de centro-esquerda. Quais as repercussões que essa situação traz para o cenário político de Pernambuco? Isso é muito positivo para o PSB. Pernambuco é um Estado muito petista, a força do PT e do lulismo é muito forte no Estado e no Recife. Então, é muito positiva para o PSB essa identificação mais forte com as forças de esquerda, com partidos de esquerda e com líderes claramente de esquerda. E não me refiro apenas a essa aproximação do PSB com Flávio Dino e com Freixo mas, também, à aproximação de Lula com PSB. Inclusive ele está combinando uma vinda a Pernambuco para, exatamente, costurar essas alianças. Então, eu acho que isso tende a fortalecer o PSB no nível estadual e no nível nacional, ao se apresentar mais claramente como um partido de esquerda ou de centro-esquerda. Huck e Amoêdo desistiram de se candidatar para a Presidência da República. Por que candidaturas encaradas como “terceira via” continuam inviáveis na conjuntura atual? A polarização é muito forte. O PT, Lula e as forças de esquerda estão se unindo mais, se identificando e se assumindo mais enquanto forças de esquerda e, principalmente, enquanto forças de oposição ao Bolsonaro. E tem também o lado bolsonarista que é bastante forte, bastante coeso e que representa, sim, um peso importante para 2022. Se você perguntar para a população, grande parte dela não gostaria de votar em Lula e em Bolsonaro. Existe essa demanda por uma terceira via. O que não existe é consenso a respeito do formato, da cara dessa terceira via. Não é fácil preencher e criar uma terceira via viável e com apelo que inspire consenso na população num momento de alta polarização. Não é um trabalho trivial. Amoêdo não seria um consenso, eu não o vejo como uma terceira via. Huck seria, porque ele, inclusive, tem se apresentando como a terceira via, como alguém que está muito no centro e que teria capacidade de diálogo e que seria um outsider. Por isso avaliava a candidatura dele como sendo a que poderia ter maior sucesso nesse sentido. Amoêdo não acho que conseguiria se apresentar como uma terceira via viável, acho que ele já é muito associado a forças da centro-direita. Ele é um centro-direita diferente da direita tradicional, acho que a demanda para esse tipo de político é muito baixa no sistema atual. LEIA A ENTREVISTA COMPLETA NA EDIÇÃO 183.4 DA REVISTA ALGOMAIS: assine.algomais.com

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"Corremos o risco de um novo apagão"

T roca de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, banhos mais rápidos e o desligamento de aparelhos eletroeletrônicos. Quem vivenciou, em 2001, o apagão no País, certamente recorda-se de ter tomado medidas como essas para reduzir o consumo de eletricidade em 20%. Caso contrário, sofreria aumento na conta de luz. Passados 20 anos, eis que estamos novamente numa situação de risco iminente de corte de energia elétrica em todo o País. Para saber sobre os motivos que levaram, mais uma vez, o Brasil a essa situação, Cláudia Santos conversou com Ricardo Baitelo, coordenador de projetos do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente). Baitelo aponta gargalos como a falta de planejamento, a necessidade de ampliação do sistema de transmissão de eletricidade e a não realização de leilões de energia nos últimos dois anos. Mas o especialista reconhece avanços ocorridos nessas últimas duas décadas como a diversificação da matriz energética com fontes renováveis e destaca que o Nordeste passou de importador para fornecedor de energia para a região Sudeste. Ele adverte, porém, que a MP da privatização da Eletrobras, que tramita no Congresso, concede uma reserva de mercado às usinas termoelétricas, o que pode pesar no bolso dos consumidores na hora de pagar a tarifa, além de elevar em 25% a emissão de gases de efeito estufa do setor de energia. Confira a entrevista a seguir. Como chegamos a essa situação de crise hidrológica e energética? Temos enfrentado, nos últimos anos, um risco de racionamento em maior ou menor grau por uma série de fatores, como uma variação do regime hidrológico – menos chuvas, um nível menor dos reservatórios das hidrelétricas – e, principalmente, de planejamento. Depois do racionamento em 2001, podemos dizer que o sistema elétrico e as decisões governamentais se aprimoraram para evitar que aquela situação acontecesse de novo. O racionamento provocou esse trauma político e, a partir de então, procurou-se mudar o planejamento, diversificar a matriz energética e melhorar o sistema de transmissão de eletricidade. Nesse sentido, o Brasil está em vantagem, não existe outro país continental com um sistema interligado como o nosso. Apesar disso, ainda existem gargalos. Nos últimos anos, houve novamente um gap de planejamento. O reflexo disso é que, durante os dois últimos anos, o governo optou por não fazer leilões de energia porque a demanda estava baixa, em razão da crise econômica e da pandemia. Então se considerou, naquela época, que o sistema estava folgado e que não era necessário fazer leilões, pelo menos até a demanda se recuperar. Mas a questão é que os leilões contratam empreendimentos que vão ficar prontos depois de três, quatro, cinco anos, é um planejamento para o futuro. Os setores de energia renováveis – eólica e solar – pediram para que esses leilões acontecessem mas o governo resolveu pausar durante esses dois anos. Se esses leilões tivessem acontecido, teríamos um parque maior de eólica e solar que poderia atender o sistema. Como não aconteceram, continuamos usando as usinas térmicas cada vez mais nesses cenários emergenciais, inclusive importando energia da Argentina e do Uruguai. Somado a isso, é que agora temos uma matriz elétrica que é o dobro daquela de 20 anos atrás, mas temos novos gargalos de transmissão de eletricidade. Existem muitos empreendimentos, principalmente de energia solar, que querem ser contratados no mercado livre e estão tendo que esperar porque é necessário um reforço da transmissão. É possível resolver essa problemática, mas não dá para resolver para amanhã. Corremos o risco de um novo apagão? Sim, corremos o risco. Apesar de o governo afastar o risco de racionamento, a sua comunicação está sugerindo que as pessoas não consumam tanta energia nos horários de pico. Se o risco não estivesse aí, a comunicação não seria dessa forma, porque o governo é o primeiro interessado em que essa situação não aconteça porque tem impacto sobre a sociedade e a economia. É a restrição do uso de energia impedindo a retomada econômica que o Brasil precisa. Hoje há algumas medidas paliativas que podem ser adotadas. Dá para contratar mais térmicas, que são mais caras e têm um impacto direto na tarifa do consumidor, não mais na bandeira vermelha, mas bandeira vermelha patamar 2, que é ainda mais cara. Também é possível implantar a eficiência energética que é o último ponto a ser usado. Seria a adoção de um conjunto de medidas de uso racional, como a substituição de equipamentos, consciência de uso etc., que passam também pelo gerenciamento da demanda. Tem bastante gordura para evitar mas historicamente se lança muito pouco mão dessa alternativa. Como o sistema é interligado, todo o País sofreria o apagão. Mas existe uma diferença em relação ao racionamento de 2001. O Nordeste naquela época era um notório importador de energia e hoje, ao contrário, a região apresenta uma geração bem grande de eólica com a missão de destinar energia para os estados mas, também, enviá-la para o Sudeste, que é o grande polo de consumo. Mas há que se prestar atenção nos gargalos que mencionei, na dinâmica do sistema, porque a eólica e a solar são fontes flexíveis, que têm que despachar energia quando ela está sendo gerada pelo sol e pelo vento (elas não podem ser armazenadas), diferente das despacháveis, como as hidrelétricas com reservatório e as térmicas. Essa dinâmica também tende a afetar o cenário de racionamento. Para citar um exemplo, está sendo discutida agora pela MP da Eletrobras, a contratação de térmicas que operam o tempo todo e não de forma emergencial. Isso também tende a afetar de maneira negativa a eólica e a solar. Estamos num paradoxo no qual temos o risco de falta de energia mas desperdiçamos energia eólica e solar. Então, voltamos à questão da transmissão que precisa ser reforçada. Você poderia explicar melhor esse gargalo na transmissão? A questão é bastante técnica mas o foco é que a prioridade tem quer ser dada para essas fontes flexíveis. Quando há sol e vento, elas têm que escoar a energia para o sistema. E a gente vem de um sistema que foi durante

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"Quando retornarmos à normalidade, a universidade vai voltar diferente"

E m maio do ano passado, ainda na primeira onda da Covid-19, Marcelo Carneiro Leão foi eleito reitor da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco). De lá pra cá, tem enfrentado muitas dificuldades. A principal delas originada do corte de 21% no orçamento da instituição e sobre esse valor cortado há ainda 13,8% bloqueado pelo MEC. Neste período, o reitor tem presenciado também aceleradas transformações no ambiente acadêmico provocadas pela introdução repentina do ensino remoto. Nesta entrevista a Cláudia Santos, o reitor da UFRPE fala sobre as mobilizações que as universidades públicas têm realizado junto ao Congresso Nacional e à sociedade para a recomposição orçamentária das instituições. Conhecido por sua grande interatividade nas mídias sociais, Marcelo Carneiro Leão também comenta os desafios para implantar o blended learning, ou ensino híbrido de qualidade no País. Esse é um caminho sem volta, segundo Carneiro Leão, que é pós-doutor no uso das tecnologias da informação e comunicação no ensino de ciências pela Universitat de Barcelona. “Quem esteve no dia 15 de março de 2020 aqui na Rural, vivenciou um dia histórico: o último dia em que a Universidade Federal Rural de Pernambuco funcionou naquele formato. Isso serve para todas as instituições superior de ensino. Teremos uma nova universidade, o impacto que a pandemia causou não permite retornar da mesma forma que antes”, vaticina o reitor. Quais as consequências desses cortes no orçamento da universidade? Já vínhamos sofrendo, desde 2015, um decréscimo orçamentário que se agravou nos últimos dois anos e, principalmente, neste ano. Comparativamente – vou informar os números específicos da Rural – tivemos um corte de 21% no orçamento em relação ao ano anterior e sobre esse orçamento cortado ainda tem 13,8% bloqueado pelo MEC. Nosso orçamento é dividido em duas grandes áreas: investimento e custeio. No investimento, estamos zerados, tínhamos R$ 16,6 milhões, hoje temos um recurso de R$ 42 mil que é para a acessibilidade, já vem carimbado, e duas emendas, uma para o Instituto Menino Miguel, R$ 250 mil, e R$ 150 mil para Parnamirim (Estação de Agricultura Irrigada de Parnamirim, um campus avançado). Ou seja, não tenho nada para fazer de investimento este ano se não for recomposto o orçamento. Isso é grave, mas ainda mais grave é a situação do custeio que inclui pagamentos de água, luz, bolsa, terceirizados etc. Tivemos que cortar vários postos de terceirizados nas áreas de limpeza, transporte, recepção, só não cortamos em segurança. Fizemos um corte grande. Mantivemos as bolsas dos alunos e vamos reavaliar daqui a dois meses porque esperamos que alguma coisa seja recomposta desses 21%, caso contrário, ficaremos sem condição. Com toda certeza, se hoje estivéssemos com aulas presenciais, talvez não chegássemos no próximo mês com condições de manter a universidade funcionando, com o restaurante universitário aberto, aumento de energia etc. Sem isso, ganhamos um fôlego de dois a três meses. Mas, se não houver recomposição, vai ser bem problemático. Que ações as universidades públicas têm feito para reverter essa situação? A única forma de reversão é no Congresso Nacional na forma de um projeto de lei. A Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) está mobilizada. Estamos mobilizando nossos senadores e deputados, conversando com eles sobre a possibilidade de uma recomposição orçamentaria por meio de um projeto de lei. Já fizemos o que preventivamente como gestor teríamos que fazer que são esses cortes para ganhar um certo fôlego. Estamos fazendo ações também junto à sociedade. Estamos participando de divulgações, de entrevistas, de mobilizações, para que a própria sociedade perceba a importância das universidades no seu cotidiano, no enfrentamento da pandemia e pressione os parlamentares para a recomposição orçamentária. Qual tem sido a receptividade dos deputados e senadores? Os parlamentares independentes e oposicionistas absorvem a ideia e estão participando e colaborando. Infelizmente, existe uma base negacionista muito complexa mas acreditamos que possa haver algum movimento favorável numa parte dessa base. É aquela base de políticos que, ao perceber que a sociedade está se mobilizando para um lado, eles vão junto. Então, estamos mobilizando a sociedade e as entidades para ver se eles se sentem pressionados e, como vai ter uma eleição ano que vem, talvez isso mude um pouco o pensamento deles sobre essa questão orçamentária. O senhor acha que as universidades deveriam estar mais próximas da população, inclusive para ela entender a importância dessas instituições? Com certeza. Essa é uma das questões que a gente tem sempre que pensar e as universidades têm que fazer um mea culpa. Nós passamos muito tempo sem nos comunicarmos bem com a sociedade e parte dela acha que a universidade é algo isolado, uma ilha, não percebe a importância da formação dos profissionais, da pesquisa que é desenvolvida e da extensão. E isso permitiu que pessoas inescrupulosas começassem a passar a visão de que aqui na universidade só havia balbúrdia, sexo, drogas, e que aqui ninguém fazia nada. Uma parte da sociedade se apropriou dessa informação de forma equivocada por culpa também da universidade. Hoje, temos trabalhado a necessidade de melhorar o nosso diálogo, nossa comunicação com a sociedade. Há uma cultura que precisa ser vencida nas universidades – que existe até pela questão de financiamento – que é se preocupar em publicar papers etc. e não ir, por exemplo, para as periferias. O que é que as periferias das cidades sabem da universidade? Como os projetos de extensão podem impactá-las? Então, isso está servindo como um subproduto bom da pandemia, dessa crise orçamentária, que é a necessidade de repensarmos essa relação sociedade/universidade. Leia a entrevista completa na edição 183.2 da Revista Algomais: assine.algomais.com

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O interior já tinha desigualdade, com a pandemia, houve um agravamento

Na semana passada, José Patriota, presidente da Amupe (Associação dos Municípios de Pernambuco) esteve presente em vários veículos de comunicação para falar sobre a iminente falta de oxigênio nos hospitais do interior do Estado. Apesar de resolvido o problema, Patriota ressalta outras dificuldades que há anos assolam os municípios – como falta de água, déficit habitacional, desigualdade econômica e social – que foram agravadas com a pandemia. Mas, nesta conversa com Cláudia Santos, ele aponta soluções para o desenvolvimento dos municípios na retomada pós-Covid-19: investimento em educação, saneamento básico, reestruturação da órgãos que hoje, segundo ele, estão “cambaleando”, como Sudene e Dnocs. Patriota ressaltar ainda a necessidade de suspender a MP que subtraiu R$ 11 bilhões dos Fundos Constitucionais do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro Oeste (FCO) para destinar a projetos de parcerias público privadas. Esses fundos são um dispositivo crucial para a geração de receitas dos bancos públicos regionais, como o Banco do Nordeste. “O BNB é extremamente importante para o desenvolvimento da região”, alerta Patriota. Confira a seguir a entrevista. Quais os problemas enfrentados pelos municípios do interior durante esta pandemia? São vários problemas. Não estávamos preparados para lidar com o vírus e uma pandemia dessa magnitude, com efeitos tão danosos na vida das pessoas. Além disso, a condução nacional atrapalha. Temos conhecimento de que no mundo inteiro quem conduz a política integradora com todos os entes federativos é o governo central que tem o papel de coordenar, dar as diretrizes e criar as estratégias, ajudar na implantação de ações que possam mitigar os efeitos da pandemia. Temos uma situação esdrúxula do governo central negar e em determinado momento boicotar os encaminhamentos da ciência. Isso deixa os municípios que estão na ponta numa situação mais exposta. Outra questão é que essa contrainformação gera desencontros, porque o presidente da República não deixa de ser um líder e a Não estávamos preparados para lidar com o vírus e uma pandemia dessa magnitude, com efeitos tão danosos na vida das pessoas. E temos uma situação de o governo central negar e até boicotar os encaminhamentos da ciência liderança dele tem que estar a serviço da vida, de uma orientação única. Mas ocorre o contrário. Essa situação reflete diretamente nas pessoas e as pessoas não moram na União, nem no Estado, moram no município, é com o governo local que se relacionam. É muito difícil uma autoridade dizer uma coisa e a autoridade maior dizer outra. Já tínhamos uma condição econômica de desigualdade muito grande, agora, com a pandemia, tivemos um agravamento. Subiram as taxas de desemprego, subemprego e suas consequências que é a violência, a fome. E como o governo não tomou providências, o caminho mais seguro – que era a vacina no tempo certo e adequado – não me resta alternativa senão providenciar estrutura hospitalar de internamento e UTI. Isso foi providenciado. Ao mesmo tempo, tivemos que promover o distanciamento social para reduzir a propagação do vírus, o que tem impacto na economia. Temos milhões de desempregados num mercado que cada dia se tecnifica, se especializa e já não vinha absorvendo essa mão de obra sobrante. Durante a história, os governos não promoveram a política mais importante para uma sociedade se desenvolver que é a educação. Hoje, enfrentamos a falta de investimento, as universidades passando dificuldades enormes, não temos pesquisas, nossos cérebros vão embora. O Brasil se descuidou muito e isso na corrida da competição com China, Bloco Europeu e Estados Unidos, ficamos como um país gigante adormecido, com toda a condição, com gente inteligente, mas fica difícil se não tiver uma política estruturante e permanente nessa área de educação e inovação tecnológica. A pandemia está aí e não temos produção própria de vacina. É muito difícil de separar a pandemia do contexto socioeconômico. Dois terços do Nordeste está no semiárido, com dificuldade de abastecimento regular de água potável, de acesso a saneamento e outras questões de infraestrutura como moradia. Aí, surge uma situação dessa, que é muito complexa, porque os prefeitos têm que redirecionar todo o seu orçamento para a saúde. Como está a infraestrutura nos municípios para atender os pacientes com Covid? As unidades de saúde estão adequadas para atendimentos dentro da nossa realidade e a integração do Estado com a regionalização das UTIs. Hoje, Pernambuco é o primeiro Estado do Norte/Nordeste que mais tem UTI e o terceiro no Brasil. Há um fluxo integrado da rede estadual com a municipal, desde os agentes de saúde até os laboratórios. Qual é a dificuldade? Insumos. E, aí, entramos no contexto nacional e internacional da falta de uma política séria voltada para a população. Não temos vacina e a também a infraestrutura de oxigênio, por exemplo, estourou. Mas há hospitais sem fornecimento de oxigênio? Não, houve uma ameaça. Tivemos um sinal amarelo, mas nos reunimos com o secretário de Saúde, com o governador e com as empresas produtoras. Temos uma produção de oxigênio suficiente para atender mas temos uma deficiência de logística para a entrega que poderia não suportar a demanda que aumentou muito. Inclusive a indústria não sofreu nada ainda, continua recebendo oxigênio. Tivemos que estudar com as empresas de logística que entendem do assunto. O Estado montou uma operação em que há uma central de plantão emergencial de fornecimento de gases hospitalares para normalizar o abastecimento e disponibilizou 30 mil metros cúbicos de oxigênio. A central é composta por membros da Amupe, do Estado, das empresas envolvidas, na qual monitoramos a situação 24 horas por dia. Em situação de emergência, todos os prefeitos estão sabendo quais as providências tomar, quem acionar, etc. Então isso está administrado. Como está a situação social das cidades? O interior reproduziu o modelo da capital e toda cidadezinha tem um cinturão de pobreza nos bairros em volta do centro. São pessoas que migraram do campo para a cidade, desempregadas, que não têm casa própria ou como pagar um aluguel. O Auxílio Emergencial chegou agora, mas entrou no lugar do Bolsa Família, não houve o acúmulo dos benefícios. Esse foi o

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"Dá para aplacar a fome e ganhar muito dinheiro com a biodiversidade brasileira"

Num momento em que se discute os caminhos para Pernambuco e o Brasil saírem dessa crise sanitária e econômica, a química de produtos naturais Cláudia Sampaio Lima aponta o uso racional e sustentável da biodiversidade brasileira como solução. Cláudia, que é professora da UFPE, alerta que existe um mundo de oportunidades em bionegócios que podem beneficiar de pequenos produtores às grandes indústrias, mantendo a floresta em pé. Para isso é necessária a união da sociedade, da academia e do governo. E é com essa filosofia que o ITCBio (Instituto Tecnológico das Cadeias Biossustentáveis) foi criado. Nesta conversa com Cláudia Santos, Cláudia Lima que é diretora do instituto, fala dos projetos da entidade, analisa os gargalos da inovação no País, cuja iniciativa privada não costuma investir em pesquisa, e aponta saídas com a bioeconomia. Na sua opinião quais os principais gargalos para o desenvolvimento da inovação no Brasil e, especialmente, em Pernambuco? No Brasil temos um problema muito sério de comunicação entre universidades e empresas. Fora do País, quem investe em inovação é a iniciativa privada. Tive a oportunidade de conhecer alguns centros de pesquisas, tanto na Europa quanto nos EUA, e o que observei é que a inovação é financiada pelas empresas que precisam se colocar no mercado e lançar novos produtos. E quem é que pode colocar as empresas à frente do mercado? São as universidades, são as cabeças pensantes que trabalham fazendo pesquisa básica, mas também pesquisa aplicada. Existe uma preocupação dos governos no exterior de também incentivar a pesquisa pública. Mas no Brasil, o que acontece é que o governo financia tudo: pesquisas básica e aplicada. Por que São Paulo tem um nível de comportamento empreendedor mais arrojado que as outras cidades brasileiras? É porque lá as universidades são financiadas pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), existe um polo industrial muito forte e uma parte dos impostos das empresas vão para essa fundação, para as universidades, para financiar projetos de pesquisa. Ou seja: impostos são revertidos em ciência e inovação. O que impede uma maior participação da iniciativa privada nos investimentos de ciência e pesquisa e da academia em atuar com inovação com as empresas? Professor universitário tem a mania de achar que a sua pesquisa é a coisa mais importante do universo. Eles pensam algo como: “quem tiver interesse que venha até a mim porque eu tenho vários artigos publicados em revistas nacionais e internacionais”. Só que a comunicação dessa forma não funciona. Por outro lado, as empresas têm muita pressa, não financiam pesquisa básica, eles querem a solução pronta, não entendem que existem pesquisas que estão patenteadas, que levaram 15 anos, com muita gente trabalhando. É aquela história de tentativa e erro, tentativa e acerto. E, muitas vezes, a pesquisa leva 15 anos porque os recursos são minguados, não há como pagar uma equipe. Por que outros países do Brics, como a Índia, Rússia, China, desenvolveram vacinas contr a Covid e o Brasil, não? Ouvi uma frase, já conhecida, que me bateu muito forte esta semana: brasileiro tem síndrome de vira-lata. Não valorizamos o trabalho local. Será que o Brasil não tem condições de desenvolver a vacina? Ele tem e já tinha há muito tempo. E por que o Brasil não estava fabricando vacina e o IFA (insumo farmacêutico ativo)? Por falta de incentivos. Fazia-se o feijão com arroz, e muito bem- -feito, porque erradicamos muitas doenças com vacinas do Instituto Butantan, da Fiocruz. Veja, eu tenho mestrado e doutorado em farmácia, faço palestras há muito tempo sobre insumos naturais nas quais sempre digo: se houvesse um bloqueio internacional, o País iria morrer doente. O que é o ITCbio? O instituto foi concebido dentro da UFPE, com trabalhos multidisciplinares. Todavia, não foi muito bem na universidade porque um grupo de professores ficou incomodado com essa situação de a pesquisa ser levada para a sociedade. Eu digo para meus alunos: “temos a obrigação de devolver para a sociedade os investimentos que ela fez em nós porque o meu salário e a universidade de vocês quem paga é a sociedade”. Como a gente pode retribuir, ao menos, minimamente, esse investimento? É fazendo ciência de qualidade e levando para a sociedade. Com esse pensamento, aprovamos dois grandes projetos com a Sudene, envolvemos num deles mais de 60 pessoas e atuamos em três Estados – Pernambuco, Bahia e Piauí – com projetos colaborativos. Foi a partir deles que nasceu o ITCbio (Instituto Tecnológico das Cadeias Biossustentáveis). Focamos em bioeconomia. A proposta do ITCbio é atender a sociedade, sem discriminações, desde agricultores familiares que precisam de um apoio em inovação até grandes indústrias. A sociedade é quem precisa de ciência, tecnologia e inovação e a partir dessa demanda, o ITCbio busca, com especialistas das universidades e dos institutos de pesquisas, ferramentas para resolver os problemas demandados. Sempre digo que ao se reunirem três ou quatro pessoas de áreas distintas para analisar um mesmo problema, cada uma terá um toque diferente. Se você consegue trabalhar de forma colaborativa, ouvindo todos os parceiros, você consegue uma solução muito mais ampla. A essência da bioeconomia é utilizar ferramentas científicas tecnológicas para apoiar cadeias produtivas sustentáveis, desde o básico, a produção do alimento, do bioinsumo até o consumidor final, passando pelas empresas. Você poderia falar um pouco dos projetos que desenvolvem? Temos uma diversidade grande de projetos. Vou falar de um simples, mas que promoveu uma diferença para a sociedade: o Jequiá Sustentável. O Jequiá é uma área do Recife que tem a única torre intacta de atracação do Zepelim do mundo. Existem três comunidades com vulnerabilidade socioeconômica muito alta que habitam o entorno do parque, que tem um conteúdo histórico fabuloso, mas, por não ter investimento, parecia um local abandonado. O que as pessoas fazem com um terreno que parece abandonado? Normalmente jogam lixo. Fizemos um trabalho nas comunidades e instauramos hortas suspensas de espécies orgânicas e medicinais junto com a Secretaria de Meio Ambiente do Recife. Elas eram suspensas porque, dessa forma, ficam protegidas de animais, e o

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