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Pernambuco: uma breve história do Leão do Norte

*Por José Ricardo de Souza A História de Pernambuco, que passou a ser disciplina obrigatória no currículo das escolas da rede estadual de ensino a partir deste ano, é rica em personagens, revoltas, movimentos libertários, e insurreições que até hoje são evocadas quando nos referimos ao estado como sendo o “Leão do Norte“. Os mais entusiastas dizem que o conceito de pátria brasileira foi forjado aqui, nas guerras travadas para expulsar os holandeses, com muito sangue e suor dos indígenas, lusos e escravizados que pegaram em armas contra um inimigo comum. Os pernambucanos nunca foram de baixar a guarda, nem de reconhecer a superioridade daqueles que queriam dominá-los. Nem internamente, como aconteceu na Guerra dos Mascates em 1710, nem externamente quando enfrentou o autoritarismo de D. João VI em 1817 e de seu filho D. Pedro I em 1824. Fomos de lutas épicas: expulsamos os holandeses em 26 de janeiro de 1654 quando eles assinaram a sua rendição no campo do Taborda, demos o primeiro grito de República nas Américas em 10 de novembro de 1710 no antigo Senado da Câmara de Olinda com Bernardo Vieira de Melo, durante a Guerra dos Mascates (feito lembrado por Oscar Brandão da Rocha no seguinte trecho do Hino de Pernambuco “a República é filha de Olinda“), embora esta república tenha sido muito mais inspirada nas repúblicas italianas do que no modelo republicano propriamente dito. A Revolução Pernambucana de 1817 foi um marco na História brasileira por ter sido a única revolta do período colonial que ultrapassou a fase de conspiração e conseguiu de fato tomar o poder durante 75 dias (alguns historiadores falam em 74 dias), sendo inclusive a data magna do Estado – 6 de março, porque nesta data o capitão José de Barros Lima, que ficou conhecido como o “leão coroado”, reagiu a voz de prisão dada pelo militar português Manoel Joaquim Barbosa, matando-o a golpes de espada, o que acabou se tornando o estopim para a revolta. Esta espada encontra-se atualmente na sede do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP), que fica na Rua do Hospício, centro do Recife. Não escondemos que uma das causas do fracasso do movimento foi a contradição entre libertar os escravos ou manter a estrutura escravista que sustentava os engenhos, o qual fez com que os grandes senhores de engenho retirassem seu apoio à causa revolucionária. Isso sempre será lembrado nas comemorações anuais da Revolução Pernambucana de 1817, cuja bandeira elaborada pelo padre João Ribeiro, até hoje empunhamos com orgulho. Não por acaso, foi escolhida como a bandeira mais bonita do Brasil em algumas votações. Quanto aos mortos de 1817, existem várias estatísticas, e os que morreram foram em sua maioria vítimas da repressão do governo joanino instalado no Rio de Janeiro, que prendeu, condenou e executou personagens memoráveis como: Domingos José Martins (noivo de Maria Teodora Costa, eternizados no romance histórico “A Noiva da Revolução” do escritor Paulo Santos de Oliveira, depois transformado no filme “1817 – A Revolução Esquecida” dirigido por Tizuka Yamazaki), Frei Miguelinho, padre Roma. Foi a primeira vez que se condenaram padres no Brasil, daí esta revolta também ser chamada de Revolução dos Padres. A repressão joanina mandou Frei Caneca para os cárceres baianos, e profanou o corpo do padre João Ribeiro, arrastado de Paulista a Recife, mesmo depois de sepultado na capela do Engenho Paulista. Seu crânio hoje descansa desde 29 de outubro de 2001 numa lápide na Igreja de Santa Isabel, logo na entrada do templo religioso, após passar décadas nas dependências do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano. Onze meses antes do “Grito do Ipiranga” antecipamos a emancipação política quando Gervásio Pires e Francisco de Paula Cavalcanti assinaram em 5 de outubro de 1821 a Convenção de Beberibe, acordo que reconheceu a autonomia da Junta Governativa eleita em outubro de 1821, formada por brasileiros, que governou Pernambuco de 26 de outubro de 1821 até setembro de 1822. Durante o período imperial, nos levantamos contra o autoritarismo de D. Pedro I na gloriosa Confederação do Equador de 1824, liderada por ninguém menos que Joaquim do Amor Divino Caneca, Frei Caneca, que dizia “quem bebe de minha caneca, tem sede de liberdade“, um dos poucos personagens históricos brasileiros que nenhum carrasco quis executar, sendo morto por arcabuzeamento (naquela época não podemos falar em fuzilamento, uma vez que os fuzis ainda não haviam sido inventados) em vez de enforcamento. Perdermos a Comarca da Bahia em 1824 como castigo (assim como perdemos Alagoas em 1817), mas quem disse que nos acovardamos? Em 1848 os liberais pernambucanos, do Diário Novo, que ficava na rua da Praia lançaram um manifesto ao mundo, cujas pautas lançadas há mais de 150 anos permanecem pertinentes e atuais. A Revolução Praieira até hoje ecoa nos versos de Chico Science quando nas ladeiras históricas de Olinda a multidão em dias carnavalescos canta a plenos pulmões “A Praieira“. E não parou por aí. Tivemos a Revolta Sebastianista do Rodeador (1820), a Pedrosada (1823), a Guerra dos Cabanos (1832), a Revolta da Pedra do Reino (1825), o Ronca da Abelha (1851), o Cangaço (final do século XIX e começo do século XX), as Ligas Camponesas (década de 60 do século XX), etc. Quem tem Frei Caneca, André Vital de Negreiros, Henrique Dias, Felipe Camarão, Clara Camarão, Anna Paes, Branca Dias, Bernardo Vieira de Melo, Padre Roma, Frei Miguelinho, Padre João Ribeiro, José de Barros Lima (Leão Coroado), Antônio Gonçalves Cruz (Cabugá), Gervásio Pires Ferreira, Malunguinho, Lampião, Francisco Julião, e as heroínas de Tejucupapo não flerta com o despotismo, com o fascismo e muito menos com regimes de exceção. Não é por acaso que Pernambuco até hoje é conhecido como o “Leão do Norte“. Somos guerreiros por natureza, rebeldes por ideal, e libertários por essência! *José Ricardo de Souza é historiador, professor da rede pública estadual de ensino e escritor. Sócio honorário do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP).

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Transporte por aplicativo sobe 60,8% no Recife e pressiona orçamento das famílias

Alta registrada pelo IPCA reacende debate sobre “gastos invisíveis” e consumo automático em serviços digitais O custo do transporte por aplicativo registrou a maior alta inflacionária da Região Metropolitana do Recife em 12 meses. De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE e referentes a dezembro de 2025, as corridas por plataformas digitais acumularam aumento de 60,8% no período. O avanço impacta diretamente o orçamento das famílias e chama atenção para o fenômeno dos chamados “gastos invisíveis”, despesas frequentes que passam despercebidas no dia a dia, mas ganham peso quando somadas ao final do mês. Nesse grupo estão pagamentos recorrentes realizados de forma automática ou digital, como taxas em aplicativos, assinaturas pouco utilizadas, pedidos frequentes em serviços de delivery e pequenas compras feitas por impulso. Individualmente, esses valores parecem pouco significativos, mas o acúmulo ao longo do mês pode comprometer uma parcela relevante da renda. Para Joana Macêdo, assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste, o problema está menos na existência dessas despesas e mais na dificuldade de perceber o total gasto. “O problema não é necessariamente o valor ou a natureza do serviço, mas a falta de visibilidade consolidada. Quando os gastos são pulverizados em diferentes plataformas e datas, o consumidor perde a noção do total comprometido no mês”, afirma. Segundo ela, o transporte por aplicativo é um exemplo claro desse mecanismo, pois combina necessidade real de deslocamento com pagamento automático e variação de preço. “A corrida atende a uma necessidade real de deslocamento, mas a dinâmica digital reduz a percepção do custo acumulado. Sem um acompanhamento sistemático, a soma mensal pode surpreender”, diz. Especialistas em finanças comportamentais explicam que esse padrão está ligado ao chamado consumo em “piloto automático”. Para Cristiane Amaral, gerente de Educação Financeira e Liderança Cooperativista do Sicredi, a repetição de pequenas despesas digitais pode ter impacto relevante no orçamento. “O verdadeiro problema não é o pão de queijo ou o café, mas o modo automático. Quando a compra é rápida demais e sem atrito, como no digital, o cérebro não registra aquilo como um gasto consciente”, explica. Segundo ela, um gasto diário de R$ 8, por exemplo, pode representar cerca de R$ 240 no mês ou R$ 2.880 ao longo de um ano.

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Economia brasileira cresce 2,3% em 2025 e fica em 6º lugar no ranking do G20

PIB alcança R$ 12,7 trilhões e é impulsionado principalmente pela agropecuária A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025 e alcançou a sexta posição no ranking de crescimento entre os países do G20, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e consolidados pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. O Produto Interno Bruto (PIB) somou R$ 12,7 trilhões no ano, marcando o quinto ano consecutivo de expansão da atividade econômica. A lista é liderada pela Índia, seguida por Indonésia e China. O Brasil aparece à frente dos Estados Unidos, maior economia do mundo, e de países como Japão e Alemanha, que registraram crescimento inferior a 1%. Confira o ranking dos países que mais cresceram em 2025:1º) Índia: 7,5%2º) Indonésia: 5,1%3º) China: 5%4º) Arábia Saudita: 4,5%5º) Turquia: 3,6%6º) Brasil: 2,3%7º) EUA: 2,2%8º) Canadá: 1,7%9º) União Europeia: 1,6%10º) Reino Unido: 1,4%11º) Japão: 1,1%12º) Coreia do Sul: 1%13º) França: 0,9%14º) Itália: 0,7%15º) México: 0,6%16º) Alemanha: 0,4% Agropecuária lidera o crescimento Pela ótica da produção, a agropecuária foi o principal motor do PIB brasileiro em 2025, com expansão de 11,7%, influenciada pelo aumento da produção e da produtividade de culturas como soja e milho. O setor de serviços avançou 1,8%, enquanto a indústria cresceu 1,4%, com destaque para a extração de petróleo e gás, que teve alta de 8,6% nas indústrias extrativas. O desempenho do campo respondeu por 32,8% do crescimento total da economia no ano, consolidando seu papel como um dos pilares da atividade produtiva nacional. Consumo e investimentos Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, impulsionado pela melhora do mercado de trabalho, ampliação do crédito e programas de transferência de renda. O consumo do governo teve alta de 2,1%, enquanto os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, avançaram 2,9%, apoiados pela importação de máquinas, desenvolvimento de software e expansão da construção. Apesar do resultado positivo, os dados indicam desaceleração em relação a 2024, quando o crescimento havia sido de 3,4%. A perda de ritmo é associada ao ciclo de juros elevados adotado para conter a inflação ao longo de 2025. Perspectivas para 2026 A Secretaria de Política Econômica projeta crescimento de 2,3% para 2026, com desaceleração da agropecuária e maior contribuição da indústria e dos serviços. A expectativa é de que a redução da taxa básica de juros estimule setores como construção e produção industrial, além de favorecer o consumo e a expansão do crédito.

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Sudene intensifica articulação para retomada da Transnordestina em Pernambuco

Obras devem avançar com licitação dos lotes até o fim de 2026 e regularização ambiental dos trechos A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) intensificou a articulação institucional para garantir a continuidade do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina. Em reunião com gestores da Infra S.A., estatal vinculada ao Ministério dos Transportes e responsável pela obra, ficou definido que os lotes previstos para Pernambuco serão licitados até o fim de 2026, reafirmando o compromisso do Governo do Brasil com um dos principais corredores logísticos do Nordeste. Alinhamento entre órgãos federais O encontro reuniu o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, e o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, e teve como foco assegurar o cumprimento do cronograma e a retomada das frentes de obra no estado. “A Sudene está acompanhando de forma permanente o andamento da execução da obra da ferrovia em Pernambuco, atuando como instância de articulação entre os órgãos federais e reforçando o compromisso do Governo do Brasil com a retomada e a conclusão desse empreendimento estruturante para o desenvolvimento regional”, destacou Francisco Alexandre. Publicações no Diário Oficial indicam avanço Nos últimos dias, duas publicações no Diário Oficial da União apontaram progressos no trecho Salgueiro–Suape. Entre elas, o aviso de licitação para contratar empresa de consultoria técnica especializada responsável pela supervisão e apoio à fiscalização das obras do Lote SPS 04, entre Custódia e Arcoverde, além da elaboração do Projeto de Recuperação e Manutenção Ferroviária e da supervisão dos Lotes SPS 01, SPS 02 e SPS 03, que vão de Salgueiro a Custódia. Licença ambiental e próximos passos Outro comunicado confirmou a conclusão da transferência da Licença de Instalação ambiental do trecho SPS, antes sob responsabilidade da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), para a Infra S.A. A expectativa é que o edital do primeiro trecho a ser retomado, entre Custódia e Arcoverde, com 73 quilômetros de extensão, seja publicado no início de março. Crédito do FNE impulsiona emprego e reduz inadimplência no Nordeste, aponta estudo da Sudene Empresas que receberam financiamento do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) passaram a empregar, em média, 5,6% mais do que companhias semelhantes sem acesso ao crédito, segundo avaliação divulgada pela Sudene. O levantamento também identificou queda expressiva da inadimplência da carteira do Fundo, que recuou de 3,3% em 2013 para patamares entre 1,7% e 1,9% em 2020 e 2021, indicando maior sustentabilidade financeira do instrumento. A pesquisa analisou dados de 2000 a 2021 e reforça o papel do FNE como principal política de crédito voltada ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao desenvolvimento regional. Sudene e Fiepe alinham pauta estratégica para infraestrutura e desenvolvimento industrial no Nordeste A Sudene intensificou o diálogo institucional com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) para discutir temas considerados centrais à competitividade regional, como infraestrutura, reforma tributária e instrumentos de incentivo ao setor produtivo. Em encontro realizado no Recife, as entidades trataram especialmente da retomada do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, apontada como obra estruturante para a integração logística e o fortalecimento da indústria. Também foram avaliados os possíveis efeitos da nova legislação tributária sobre os incentivos fiscais e os mecanismos de desenvolvimento regional, em uma agenda voltada ao planejamento de longo prazo para Pernambuco e o Nordeste.

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Incerteza dispara no mundo do trabalho em 2026, aponta relatório do GPTW

Estudo sobre tendências em gestão de pessoas revela desafios em liderança, contratação e formatos de trabalho no Brasil e na América Latina Incerteza cresce entre empresas e líderes O mundo do trabalho entra em 2026 marcado por maior instabilidade, segundo a 8ª edição do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas do Great Place To Work (GPTW). O estudo mostra que a incerteza em relação às perspectivas de negócios alcançou 35,4% em 2026, o maior índice da série histórica, frente aos 16% registrados em 2019. Embora o otimismo ainda seja predominante, o avanço desse sentimento reflete um cenário de transformações rápidas e pressões sobre as organizações. Desenvolvimento da liderança lidera prioridades Entre os principais desafios da gestão de pessoas, o desenvolvimento e a capacitação da liderança ocupam o primeiro lugar, com 57,4% das respostas, o maior percentual dos últimos cinco anos. Na sequência aparecem a transformação da cultura organizacional e o engajamento das equipes. A pesquisa também indica mudança no perfil de liderança valorizado pelas empresas, com maior foco na entrega de resultados. “Essa alteração diz muito sobre o cenário de mudanças rápidas e tomadas de decisão eficiente que vivemos e acende um alerta”, afirma Daniela Diniz, diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW e coordenadora do estudo. Contratação e inteligência artificial ganham relevância A dificuldade para contratar profissionais qualificados também cresce entre as prioridades das empresas, passando de 12% para 21,9%. O levantamento mostra ainda aumento da atenção à inteligência artificial, que subiu de 9% para 18,7%. Apesar disso, competências como resolução de problemas complexos, resiliência e pensamento crítico seguem no topo das exigências para os profissionais. O relatório aponta que muitas organizações ainda concentram os investimentos em tecnologia, sem avançar na capacitação das pessoas para o uso estratégico dessas ferramentas. Saúde mental e formatos de trabalho em nova fase O estudo identifica uma mudança na forma como as empresas tratam a saúde mental, que deixou de figurar entre os principais desafios, indicando maior maturidade na abordagem do tema. “Esse movimento indica uma maior maturidade na abordagem do assunto, com avanços em orçamento, práticas mais estruturadas e crescimento das empresas que realizam mapeamento de riscos psicossociais, possivelmente impulsionados por exigências regulatórias no país e pelo aprendizado acumulado ao longo dos últimos anos”. Em relação aos formatos de trabalho, o modelo 100% presencial lidera, mas empresas que adotam regimes híbridos ou remotos relatam menos dificuldades para preencher vagas, evidenciando o impacto do formato na atração de talentos.

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Atividade econômica do Brasil cresceu 2,5% em 2025, aponta Banco Central

Indicador do BC mostra avanço puxado pela agropecuária e estabilidade no fim do ano A atividade econômica brasileira registrou crescimento em 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 2,5% no ano passado em relação a 2024. O desempenho foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que avançou 13,1%, enquanto a indústria cresceu 1,5% e o setor de serviços teve alta de 2,1%. Desconsiderando a agropecuária, o indicador apresentou aumento de 1,8% no período. Resultado de dezembroEm dezembro de 2025, o IBC-Br recuou 0,2% na comparação com novembro, considerando os dados dessazonalizados. Na comparação com dezembro de 2024, houve crescimento de 3,1%, sem ajuste sazonal. Já no trimestre encerrado em dezembro, em relação ao trimestre finalizado em setembro, o índice apresentou alta de 0,4%, sinalizando desaceleração no ritmo da atividade econômica. Relação com a política monetáriaO IBC-Br é utilizado como instrumento para acompanhar a evolução da economia e reúne informações dos setores de indústria, comércio, serviços e agropecuária, além do volume de impostos. O indicador auxilia o Comitê de Política Monetária (Copom) nas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. A Selic é o principal mecanismo do BC para controlar a inflação, cuja meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Inflação e jurosEm janeiro, o aumento das tarifas de energia elétrica e dos preços da gasolina levou a inflação oficial a fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,44% em 2025, dentro do intervalo de tolerância da meta. Com a moderação do crescimento econômico e o recuo da inflação para a meta, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva, no fim de janeiro, e informou que iniciará a redução dos juros na próxima reunião, em março, sem indicar a magnitude do corte. Diferença entre IBC-Br e PIBO IBC-Br é divulgado mensalmente e utiliza metodologia diferente da aplicada ao Produto Interno Bruto (PIB), calculado oficialmente pelo IBGE. Segundo o Banco Central, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.” O PIB mede a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país. No terceiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1%, resultado considerado de estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para 3 de março.

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Carnaval do Recife reúne mais de 3,7 milhões de foliões e movimenta R$ 2,8 bilhões

Festa contou com 50 polos, mais de três mil atrações e alcançou 99% de aprovação do público, segundo balanço da Prefeitura Balanço geral da festaO Carnaval do Recife 2026 reuniu mais de 3,7 milhões de pessoas em seis dias de programação e injetou R$ 2,8 bilhões na economia local, segundo dados divulgados pela Prefeitura. A festa contou com 50 polos espalhados pela cidade, mais de três mil atrações e gerou cerca de 60 mil empregos temporários. Mais de 10 mil servidores municipais atuaram na organização do evento, que alcançou 99% de aprovação entre os foliões. Recordes de público e economiaDurante coletiva realizada na Quarta-feira de Cinzas (18), o prefeito João Campos apresentou o balanço oficial do Carnaval, acompanhado do vice-prefeito Victor Marques e de secretários municipais. “O Carnaval do Recife nunca decepciona, mas sempre surpreende. Tivemos recorde de público, recorde de movimentação econômica, recorde de ocupação hoteleira. Foram 3,7 milhões de foliões ao longo dos dias de festa e mais de R$ 2,8 bilhões injetados na economia”, afirmou. Segundo o prefeito, pesquisas apontaram que 99% dos foliões aprovaram a festa e mais de 98% pretendem retornar no próximo ano. Turismo e ocupação hoteleiraA rede hoteleira do Recife registrou 97% de ocupação durante o período carnavalesco. O Aeroporto Internacional do Recife contabilizou mais de 150 voos extras e um total estimado de 502.205 passageiros, considerando embarques e desembarques no pré-Carnaval, Carnaval e pós-Carnaval. A estadia média dos visitantes foi de 5,15 dias, e cerca de 51% dos turistas participaram do Carnaval do Recife pela primeira vez, indicando renovação do público e ampliação do alcance turístico da festa. Cultura popular e atraçõesAs manifestações culturais pernambucanas representaram 98% das mais de três mil atrações do Carnaval. Mais de 250 blocos, troças, bois, caboclinhos, afoxés e maracatus participaram dos cortejos. O evento também contou com o Circuito Leda Alves da Cultura Popular e com o maior palco já montado no Marco Zero, com 70 metros de largura e 18,5 metros de altura. Artistas e agremiações tradicionais desfilaram por diversos polos, reforçando o protagonismo da cultura popular no Carnaval do Recife.

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Maioria dos brasileiros defende fim da escala 6×1 sem corte de salário

Pesquisa nacional mostra apoio amplo à redução da jornada de trabalho, mas rejeição cresce quando há risco de perda de renda (Com informações da Agência Brasil) Uma pesquisa da aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. O levantamento, realizado entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro nas 27 unidades da Federação, ouviu 2.021 pessoas com mais de 16 anos. Segundo o estudo, 84% defendem que os trabalhadores tenham pelo menos dois dias de descanso por semana, indicando forte adesão à proposta de flexibilização da jornada de trabalho. Conhecimento sobre o debate De acordo com o CEO da Nexus, , 62% dos entrevistados sabem que há discussões no governo federal e no Legislativo sobre o tema. “A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, disse Tokarski. Em termos gerais, 63% se mostram favoráveis ao fim da escala 6×1, mas o apoio diminui significativamente quando há possibilidade de redução de salário. Impacto da renda na opinião Quando questionados sobre a hipótese de trabalhar menos e ganhar menos, apenas 28% mantêm apoio ao fim da escala. Outros 40% aceitam a mudança somente se não houver impacto no rendimento. Para Tokarski, o cenário reflete a realidade econômica do país. “É quase um viés de desejo. Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar. Acho que é um pouco isso que o dado evidencia ali para a gente”. Diferenças políticas O apoio à proposta é maior entre eleitores do presidente , com 71% favoráveis, enquanto entre votantes de o índice é de 53%. Entre os que apoiaram Lula no segundo turno de 2022, 15% se disseram contrários e 15% não opinaram. Já entre eleitores de Bolsonaro, 32% rejeitam a proposta e 15% não têm posição definida. Tramitação no Congresso A mudança na jornada depende da aprovação de uma proposta de emenda constitucional em tramitação no . Se o texto avançar, o fim da escala 6×1 será implementado de forma gradual: no primeiro ano permanecem as regras atuais; no seguinte, o número de dias de descanso semanais sobe de um para dois. A jornada máxima poderá cair de 44 para 40 horas semanais a partir de 2027 e atingir o teto de 36 horas em 2031, ainda com debate sobre a possibilidade de redução salarial. A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados acreditam que a proposta será aprovada, contra 35% que não esperam o avanço do projeto.

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Hemobrás bate recordes na captação de plasma e no fornecimento de medicamentos ao SUS

Estatal federal avança na nacionalização dos hemoderivados e amplia a produção de medicamentos para o Sistema Único de Saúde A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) alcançou marcos históricos em 2025 ao registrar 217,7 mil litros de plasma coletados junto à hemorrede nacional, formada por hemocentros públicos e bancos de sangue privados. O volume representa crescimento de 8,7% em relação a 2024, quando foram captados 200,2 mil litros. O plasma é a matéria-prima essencial para a produção de medicamentos hemoderivados utilizados no tratamento de diversas doenças. Fornecimento recorde de medicamentos ao SUS No mesmo período, a Hemobrás também atingiu recorde no fornecimento de medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Foram enviados 658 mil frascos de albumina, imunoglobulina e fatores VIII e IX da coagulação, além de 1,3 bilhão de unidades internacionais do medicamento recombinante fator VIII, denominado Hemo-8r. O aumento no envio dos hemoderivados está diretamente ligado à ampliação da coleta de plasma, enquanto a produção do medicamento recombinante acompanhou a elevação da demanda do Ministério da Saúde. Impacto social e produção nacional de medicamentos Os resultados refletem avanços no processo de nacionalização da produção de hemoderivados e recombinantes, conforme afirmou a presidente da Hemobrás, Ana Paula Menezes. “Nós seguimos no nosso desafio de garantir que o plasma dos doadores de sangue no Brasil retorne à população na forma de medicamentos. Evitando o desperdício desse bem tão precioso, capaz de salvar vidas e melhorar a saúde de milhares de brasileiros e brasileiras. Foi um ano de consolidação da virada de chave pela qual a empresa tem passado com a entrega das fábricas e o início efetivo das etapas de produção nacional”. O plasma excedente coletado nos hemocentros é destinado à Hemobrás para fabricação dos medicamentos distribuídos pelo SUS. Avanço estratégico e novos investimentos O crescimento também indica que a estatal está se aproximando da meta de recolher 500 mil litros de plasma por ano até 2030, com previsão de alcançar 300 mil litros ainda em 2026. Para impulsionar esse resultado, estão em curso investimentos de R$ 116 milhões do Governo Federal, por meio do Novo PAC, para aquisição de equipamentos de armazenamento e congelamento ultrarrápido nos hemocentros. Além disso, negociações com bancos de sangue privados, mediadas pela Associação Brasileira de Bancos de Sangue (ABBS), devem ampliar a participação do setor privado na captação de plasma. Produção de recombinantes e fortalecimento da soberania nacional A Hemobrás também projeta um cenário otimista para a ampliação do fornecimento de medicamentos recombinantes ao SUS. O diretor de Desenvolvimento Industrial, Antônio Edson de Lucena, destaca: “Nosso fator VIII de coagulação recombinante, que batizamos de Hemo-8r, é responsável por uma verdadeira transformação na qualidade de vida das pessoas com hemofilia. Hoje, o SUS proporciona que essas pessoas façam o tratamento profilático, permitindo que elas tenham um dia a dia com muito mais qualidade, com menos restrições. Mas não vamos parar por aí. Estamos estudando novas parcerias para incorporar novos medicamentos recombinantes ao portfólio da empresa, diversificando as possibilidades de atendimento aos usuários do SUS”. A ampliação das etapas nacionais de produção fortalece a soberania do Brasil na fabricação de medicamentos de alto custo usados no tratamento de diversas doenças ligadas ao sangue.

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Indústria de Pernambuco fecha 2025 em queda, apesar de reação em dezembro

Produção industrial recua 3,8% no acumulado do ano, segundo a PIM Regional do IBGE Desempenho anual da indústriaA produção industrial de Pernambuco encerrou 2025 com retração acumulada de 3,8% em relação a 2024, conforme a Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional), divulgada pelo IBGE. O resultado ficou abaixo da retração observada na média da região Nordeste, indicando um desempenho mais fraco da indústria pernambucana ao longo do ano. Resultado de dezembroNa passagem de novembro para dezembro, a produção industrial do estado registrou crescimento de 0,8%. Na comparação com dezembro de 2024, houve alta de 1,5%, configurando uma recuperação pontual no último mês do ano, embora insuficiente para reverter o resultado negativo acumulado de 2025. Setores com maior crescimentoEntre as atividades industriais, os principais destaques positivos no acumulado do ano foram a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com crescimento de 7%, e a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que avançou 6,6%. Esses segmentos, associados a cadeias produtivas mais complexas, contribuíram para atenuar a queda da indústria geral no estado. Segmentos em retraçãoNo sentido oposto, os piores desempenhos foram registrados na fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores, que teve queda de 69%, e na fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com recuo de 15,8%. Já a fabricação de produtos alimentícios apresentou diminuição de 1,4%, enquanto a de bebidas recuou 0,4% no acumulado do ano. ServiçoA Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional) é divulgada mensalmente pelo IBGE e acompanha o desempenho das indústrias extrativas e de transformação em 17 estados e no Nordeste. A próxima divulgação está prevista para 13 de março.

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