Cultura e história

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Fundação Gilberto Freyre celebra 125 anos do sociólogo com evento especial e premiação

Programação gratuita inclui café da manhã, feira de livros, atividades culturais e entrega do Prêmio Gilberto Freyre 2024-2025 A Fundação Gilberto Freyre abrirá suas portas excepcionalmente neste sábado, 15 de março, para comemorar os 125 anos do nascimento de Gilberto Freyre. O evento reunirá visitantes em uma programação diversificada, que inclui visitação à Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre, feira de livros, atividades culturais e a cerimônia de entrega do Prêmio Gilberto Freyre 2024-2025. A celebração começa às 9h com um café da manhã aberto ao público. A partir das 9h30, a Feirinha de Livros oferecerá edições da Fundação Gilberto Freyre, Cepe Editora e Vacatussa. No mesmo horário, crianças poderão participar da Oficina de Desenho Livre, ministrada pelo arte-educador Emerson Pontes. Já os amantes do desenho de observação poderão se reunir no Encontro do Urban Sketchers Recife-Olinda, coletivo internacional que promove encontros ao ar livre. A Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre estará aberta para visitação mediada em três horários (9h30, 10h30 e 11h30). A residência, onde o sociólogo viveu por mais de 40 anos, preserva um rico acervo de mobílias, objetos e obras de arte. “Celebrar os 125 anos de Gilberto Freyre é valorizar a história e o vanguardismo de um dos maiores intérpretes do Brasil”, destaca Fernando Freyre, presidente da Fundação Gilberto Freyre. O ponto alto do evento será a entrega do Prêmio Gilberto Freyre 2024-2025, às 11h. A vencedora do 3º Concurso Internacional de Ensaios, Isabella Mendes Freitas, será homenageada por sua obra Linhas e Curvas, Cinzas e Cores: Estrangeiros e Estrangeirismo na Obra de Gilberto Freyre, que será publicada pela Global Editora. “Temos orgulho de contribuir com o Prêmio Gilberto Freyre há tantos anos, uma iniciativa fundamental para incentivar pesquisas que aprofundam a compreensão da nossa identidade e modernização como sociedade”, afirma Richard Alves, diretor-geral da editora. Além da programação especial deste sábado, a Fundação Gilberto Freyre promoverá ao longo de 2025 diversas ações em homenagem ao sociólogo, incluindo o lançamento do site da Casa-Museu, seminários e publicações inéditas, como a adaptação da obra Nordeste para histórias em quadrinhos. Serviço 📅 Data: Sábado, 15 de março📍 Local: Fundação Gilberto Freyre (Rua Dois Irmãos, 320, Apipucos)🎟️ Entrada gratuita 🔹 Programação: 🚗 Estacionamento gratuito no Marista, com serviço de manobrista a partir das 10h30

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Mostra na Arte Plural Galeria reúne obras de Petronio Cunha e Antonio Paes, explorando colagens e azulejaria

Arte e Afeto: A conexão entre pai e filho na exposição “Recortes Gráficos” A relação entre arte e memória ganha um novo capítulo na exposição “Recortes Gráficos”, que abre no dia 18 de março na Arte Plural Galeria (APG), no Recife. A mostra destaca o diálogo visual entre Petronio Cunha e Antonio Paes, pai e filho, que compartilham não apenas laços familiares, mas também uma trajetória criativa singular. Com cerca de 40 obras, a exposição traz colagens, painéis em azulejos, esculturas e técnicas gráficas, reforçando a influência mútua e a individualidade de cada artista. Com mais de 50 anos de carreira, Petronio Cunha se consolidou como um nome icônico da arte pernambucana, com trabalhos que marcaram o design gráfico e a cenografia cultural da região. Sua produção mescla referências arquitetônicas e experimentações visuais, explorando o uso de adesivo vinílico recortado, além de composições murais em azulejos. Segundo a curadora Joana D’Arc Lima, “Petronio Cunha é uma espécie de artista patrimônio no nosso meio”, destacando sua capacidade de transitar entre figuração e abstração com um olhar inovador. Já Antonio Paes segue seu próprio percurso, ampliando o diálogo com as artes visuais por meio da técnica do “Pochoir”, semelhante ao estêncil. Sua produção carrega influências da gravura, do jazz e da paisagem natural, refletindo uma abordagem interdisciplinar que complementa a herança criativa paterna. Para ele, esta exposição é um momento de reconhecimento e partilha: “Uma oportunidade para mostrarmos a imensa conexão que temos por meio da arte”. Além das obras principais, a exposição reserva um espaço especial para os cadernos de desenho de Petronio, oferecendo ao público uma visão íntima de seu processo criativo. Outro destaque são as esculturas em arame, que representam a leveza e a fluidez da experimentação artística dos dois artistas, reafirmando a arte como elo entre gerações. Serviço 📍 Exposição “Recortes Gráficos”📅 Abertura: 18 de março de 2025, das 18h às 21h (para convidados)👀 Visitação: A partir de 19 de março, de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, das 14h às 18h📍 Local: Arte Plural Galeria (Rua da Moeda, 140 – Recife Antigo)🎟 Entrada franca📲 Instagram: @arte_plural_galeria

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Curta Taquary Foto Tarciso Augusto

18º Curta Taquary: Festival Internacional de Curtas-Metragens promove diversidade e debate social

Evento acontece na cidade de Taquaritinga do Norte O Curta Taquary, festival de curtas-metragens, chega à sua 18ª edição entre os dias 20 e 26 de março. Realizado na cidade de Taquaritinga do Norte, em Pernambuco, o evento consolidou-se como uma vitrine para a diversidade cinematográfica, com uma programação que valoriza temas sociais, culturais e políticos. Com mais de 70 filmes selecionados, distribuídos em 12 mostras competitivas e não competitivas, o festival destaca a produção audiovisual independente, tanto nacional quanto internacional. As exibições são gratuitas e acontecem em diferentes espaços da cidade, incluindo praças e escolas, promovendo acessibilidade e formação de público. Além da exibição de curtas, o evento conta com oficinas, debates e painéis temáticos, abordando questões como diversidade, representatividade e sustentabilidade no cinema. Uma novidade desta edição é a inclusão de uma mostra dedicada às produções indígenas e afro-brasileiras, reforçando o compromisso do festival com a pluralidade de narrativas. O Curta Taquary também se destaca pelo incentivo às novas gerações de cineastas, promovendo intercâmbio entre realizadores e aproximando a comunidade do fazer cinematográfico. O evento reafirma o papel do audiovisual como ferramenta de expressão e transformação social, colocando Taquaritinga do Norte no mapa do cinema independente. A programação completa e detalhes sobre as atividades podem ser conferidos no site oficial do festival e em suas redes sociais. Serviço: 18º Curta Taquary Período: de 16 a 22 de março de 2025 Locais: Taquaritinga do Norte, Poção, Jataúba, Brejo da Madre de Deus, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama Gratuito Mais informações: curtataquary.org e @curtataquary (Instagram)

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Foto Bismarck Passos

Circo e frevo se unem em espetáculo itinerante pelo interior de Pernambuco

Projeto gratuito mistura palhaçaria, música ao vivo e a história do frevo, valorizando a cultura nordestina. Foto: Bismarck Passos O Coletivo 3º Ato estreia neste sábado (15), no Agreste pernambucano, o espetáculo Frevo na Ponta do Nariz, que combina a energia do frevo com a magia do circo. A iniciativa leva apresentações gratuitas a diversas cidades do estado, unindo palhaçaria, música ao vivo e interação com o público para contar a história do frevo, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Os palhaços Carambola, Dunga e Geleia conduzem o público em uma jornada repleta de humor, acrobacias e dança, explorando as origens do frevo e sua importância na identidade pernambucana. A trilha sonora fica por conta de uma mini orquestra ao vivo, que, a cada cidade visitada, recebe músicos locais selecionados em um intercâmbio cultural, promovendo a valorização da cena artística regional. Com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura, Frevo na Ponta do Nariz terá apresentações no Agreste, na Mata Sul e no Sertão, passando por João Alfredo, Limoeiro, Palmares, Catende, Sertânia e Arcoverde. O espetáculo reforça o vínculo entre circo e frevo, duas tradições enraizadas na cultura nordestina, celebrando a resistência e a alegria do povo pernambucano. Serviço📍 João Alfredo – Auditório da Faculdade Vale do Pajéu🗓 15 de março | ⏰ 15h30 📍 Limoeiro – Centro de Criação Galpão das Artes🗓 15 de março | ⏰ 19h30 🎭 Classificação indicativa: Livre🎟 Entrada gratuita

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Exposição “A Terra Cansa” provoca reflexão sobre mudanças climáticas

Coletiva reúne sete artistas para abordar os impactos ambientais e as relações humanas com a natureza. A imagem de abertura é da obra de Antonio Mendes, uma Composição sólida para violão e viola (2025) A Christal Galeria, no Recife, abre sua programação de 2025 com a exposição coletiva “A Terra Cansa”, reunindo sete artistas que exploram, por meio de diferentes linguagens, a relação entre humanidade e meio ambiente. A mostra, que fica em cartaz a partir de hoje, 13 de março, até o dia 30 de maio, propõe um olhar sensível sobre as transformações climáticas e seus impactos nos modos de vida. Participam da coletiva Adalgisa Campos (SP), Antonio Mendes (PE), Arbos (PE), Izidório Cavalcanti (PE), Max Motta (PE), Thaes Arruda (SE) e Tássio Mello (PE), cada um trazendo sua pesquisa e estética para um diálogo transdisciplinar. A metáfora “humanos em gotas” permeia os trabalhos apresentados, conectando arte, filosofia, antropologia e ciência. As obras abordam desde as inquietações sobre o tempo e a degradação ambiental até a relação indissociável entre o “planeta água” e as práticas humanas. Segundo a galerista Christiana Asfora, a iniciativa reforça o compromisso da Christal Galeria com a sustentabilidade socioambiental. “A Christal Galeria reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a sustentabilidade, alinhando suas práticas artísticas a um programa que busca refletir sobre as mudanças climáticas e seus impactos no planeta”, destaca. A abertura, hoje (13), contará com a performance “Varal” de Tássio Mello, na qual o artista mergulha a bandeira do Brasil em cimento antes de pendurá-la para secar, ao som do hino nacional tocado ao contrário, misturado a vozes de protesto. A curadoria destaca que as obras funcionam como um alerta, trazendo “ranhuras e rachaduras que revelam espaços para a construção de outros mundos e modos de vida”, conforme descreve a crítica de arte Joana D’Arc Lima. Serviço 📍 Local: Christal Galeria – Rua Estudante Jeremias Bastos, 266, Pina, Recife-PE📅 Período: 13 de março a 30 de maio de 2025💰 Entrada gratuita📞 Mais informações: WhatsApp (81) 98952-7183 | E-mail: contato@christalgaleria.com.br

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andei por ai

Eu fui junto

* Paulo Caldas “Andei por aí”, lançamento de Lourdes Meireles Leão, pode parecer, à primeira vista, considerando seu aspecto visual, mais uma publicação daquelas em que os autores guardam imagens selecionadas de suas experiências pelo mundo e as exibem como troféus de tais aventuras. No entanto, a escrita de Lourdes vai além das publicações comuns a esse gênero, graças ao enfoque concedido a temas abrangentes. Os registros contemplam aspectos socioeconômicos, sociológicos, antropológicos e histórico-culturais, sem, contudo, adotar formatos didáticos ou acadêmicos. Ao longo do texto, a autora evita critérios rígidos de técnicas literárias, optando por uma narrativa fluida e agradável, semelhante a uma prosa entre amigos, numa boa conversa em torno de tulipas de chope. O projeto visual primoroso assinado pela design Bel Caldas torna o livro atrativo do ponto de vista estético, tanto quanto o formato: 28 por 21 centímetros, que foge dos padrões convencionais. Os exemplares podem ser adquiridos através do WhatsApp: 81.8856.8856. *Paulo Caldas é Escritor —

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Fortaleza 2024 Foto Arthur Henrique

Bruno Hrabovsky estreia turnê “Rock ao Piano – 1975” no Recife

Pianista curitibano abre nova fase do projeto no Teatro de Santa Isabel com releituras de clássicos do rock. Foto: Arthur Henrique O pianista Bruno Hrabovsky escolheu o Recife para a estreia de sua nova turnê, “Rock ao Piano – 1975”, uma celebração aos 50 anos de lançamentos icônicos do rock mundial. O espetáculo acontece nos dias 21 e 22 de março, às 20h, no Teatro de Santa Isabel. Conhecido por transformar grandes sucessos do rock em interpretações ao piano, o curitibano retorna à capital pernambucana após três apresentações esgotadas no mesmo palco. O concerto reúne um repertório que passeia por diferentes estilos do rock, trazendo versões instrumentais de clássicos lançados em 1975. Entre as músicas escolhidas, estão “Wish You Were Here” (Pink Floyd), “Bohemian Rhapsody” (Queen) e “Houses of the Holy” (Led Zeppelin). Nesta edição, Hrabovsky também inclui homenagens a artistas brasileiros, como Raul Seixas, com “Tente Outra Vez”, e Rita Lee, com “Ovelha Negra”. A apresentação será realizada no piano Steinway do Teatro de Santa Isabel, sem amplificação ou efeitos, recriando a experiência de um concerto erudito. Os ingressos estão disponíveis antecipadamente online, e, caso restem bilhetes, também poderão ser adquiridos na bilheteria do teatro nos dias do evento. Após o espetáculo, o artista atenderá o público e disponibilizará produtos exclusivos do projeto, como CDs e camisetas. Serviço:📍 Rock ao Piano – 1975, com Bruno Hrabovsky📅 Quando: 21 e 22 de março, às 20h📌 Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio, Recife)🎟️ Ingressos: R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia) | Camarotes a partir de R$ 60🔗 Vendas antecipadas online

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Mary Del priore

Mary Del Priore analisa a relevância de Gilberto Freyre no mundo contemporâneo

Os 125 anos de Gilberto Freyre: como suas ideias sobre identidade, cultura e mestiçagem permanecem atuais No ano em que se comemoram os 125 anos de nascimento de Gilberto Freyre, seu legado segue vivo e provoca debates sobre identidade, cultura e sociedade. Autor de obras fundamentais para a compreensão do Brasil, Freyre antecipou questões que hoje ganham ainda mais relevância, como a mestiçagem, a interdisciplinaridade na produção acadêmica e a fluidez das relações raciais e sociais no país. Para discutir a atualidade de suas ideias e os desafios de sua interpretação no presente, conversamos com a historiadora Mary Del Priore, especialista na história da vida privada e da cultura no Brasil. Na entrevista, Del Priore destaca a visão inovadora de Freyre, que rompeu com paradigmas acadêmicos de sua época ao unir história, antropologia e literatura na análise da sociedade brasileira. Além disso, comenta como o sociólogo antecipou fenômenos globais, como a diversidade resultante das migrações e os desafios da identidade nacional em um mundo cada vez mais interconectado. Quais os temas que Gilberto Freyre escreveu e discutiu na sua época que a Sra considera mais vanguardistas e permanecem atuais?  Autor da obra fundamental sobre a cultura brasileira, GF antecipou um tema de grande relevância atual: a mestiçagem, agora visível em todo o mundo. A globalização, o capitalismo e as migrações Sul-Norte transformaram os países que, no século XVI, colonizaram o Oriente e as Américas. Embora hoje tentem fechar fronteiras e erguer muros, é tarde demais: as novas gerações de imigrantes estão mestiçando a Europa e a América do Norte. Essa diversidade é evidente nos esportes, na mídia, nas Forças Armadas, nas artes, na política e nas Academias. Há “morenos”, café-créme, mixed-blood, mestizos, misticci, mischling. Eles consomem alimentos estrangeiros, dançam ritmos variados, vestem-se e se penteiam inspirados pelo Outro, adotam costumes e crenças antes desconhecidos por seus avós. Essa miscigenação, pioneiramente descrita por GF, é hoje chamada de globalização. No entanto, os wokistas veem a mestiçagem como “estupro”, ignorando deliberadamente os estudos de milhares de historiadores que, como mostrou GF, confirmam a importância da mestiçagem, evidente desde 1872, quando o primeiro censo do Império registrou mais pardos (mestiços) do que brancos. As mestiçagens biológicas e culturais são fatos históricos indiscutíveis e continuam a moldar o mundo, não podendo ser ignoradas. Acerca da forma dos seus textos e dos espaços que ele ocupou no debate público, a Sra observa que houve inovação também por parte de Gilberto Freyre? Imenso estilista da palavra, introdutor de poesia e humor em seus textos, GF é autor de um livro irresistível não apenas pela riqueza de informações e documentos, mas também pela beleza de sua escrita. Já em 1933, ele antecipou abordagens que só se tornaram populares a partir dos anos 1980: a antropologia histórica e a história da vida privada. Ao aproximar a antropologia social e cultural da história, da literatura e das artes, inaugurou uma nova categoria de saber. GF foi um pioneiro da interdisciplinaridade entre nós, privilegiando estudos sobre temas como família, casamento, culinária, moradia, sexualidade, crenças, entre outros. Contudo, a atual formação monodisciplinar de muitos cientistas sociais não permite apreciar seu pioneirismo em focar a intimidade e o cotidiano como espaços de contradições e permanências na vida de um povo. Em pleno 2025, a Sra destacaria alguma ou algumas reflexões propostas por Gilberto Freyre que não são ainda bem conhecidas ou discutidas pela sociedade? Que aspectos da obra dele merecem uma maior atenção na sociedade contemporânea? Gilberto Freyre destacou temas que merecem atenção, entre eles o despotismo e o mandonismo ainda presentes. No entanto, considero fundamentais seus estudos sobre o pardo e o mestiço, que desconstroem a falácia de que o Brasil é negro e branco, como nos EUA. De acordo com o último Censo do IBGE de 2022, os pardos representam 45,3% da população. Gilberto Freyre pioneiramente narrou a história da mobilidade social deste povo “junto e misturado”. A consolidação do modelo binário que separa “brancos” e “negros” ocorreu nos anos 1990, quando pesquisadores do IPEA, adotaram essa categorização. Em vez de utilizarem a nomenclatura “não brancos”, eles optaram por agrupar pretos e pardos sob o termo “negros”, em consonância com as demandas do Movimento Negro. O resultado foi o aumento do número de “negros” no censo de 2000. A decisão foi absurda, pois o Brasil nunca foi uma nação birracial como os Estados Unidos, onde uma gota de sangue negro define a identidade racial da pessoa. O convívio fluido e sem barreiras descrito por Gilberto Freyre foi substituído por uma cultura de ódio e desconfiança, alimentada por interpretações apressadas e radicais de movimentos contemporâneos.

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125 anos de Gilberto Freyre: o olhar pioneiro do Mestre de Apipucos

O sociólogo pernambucano antecipou debates da atualidade sobre temas como ecologia, globalização, o valor cultural da gastronomia e a urbanização *Por Rafael Dantas Autor de mais de 80 publicações que explicam o Brasil e o Nordeste, Gilberto Freyre completaria neste mês 125 anos. O Mestre de Apipucos teve uma trajetória intelectual marcada por antecipações de debates que em nossos dias seguem na agenda pública do País. As discussões ecológicas, os desafios do desenvolvimento urbano, a questão racial, entre tantas outras, estiveram em seus livros e artigos. Análises que mobilizam pesquisadores de vários lugares do mundo e que seguem contribuindo para o pensamento crítico no Brasil, mesmo muitas décadas após sua escrita. O mais famoso livro de Freyre, Casa Grande & Senzala, foi escrito quando ele era ainda um jovem pesquisador com pouco mais de 30 anos. Ele deixou outros clássicos que confundem os admiradores da sua obra sobre o mais apreciado, como Nordeste, Açúcar e Sobrados e Mucambos. Até a sua terceira idade, o sociólogo publicou vorazmente. Além dos livros, seu pensamento estava impresso em jornais, com destaque para o Diario de Pernambuco, onde escreveu por décadas. Fernando Freyre Filho, presidente da Fundação Gilberto Freyre, revela que, além das publicações que o avô fez em vida, ele deixou ainda quase uma dezena a ser publicada após a sua morte. Além disso, a fundação tem lançado coletâneas e versões em quadrinhos dos seus clássicos. Porém, mais que volumosa, a obra de Gilberto Freyre tratava de temáticas que explodiriam no debate público anos e até décadas depois. A pauta ecológica, que está diariamente nos jornais brasileiros e mundiais, era assunto dos artigos e publicações do sociólogo, mesmo na primeira fase da sua longa vida de escritor. Contrapondo-se a uma visão de precariedade e diminuição da região, que ainda está em desconstrução no País, em Nordeste (1937), Gilberto Freyre não nega os desafios da seca mas reivindica o reconhecimento dos valores naturais locais e reafirma o papel econômico do setor sucroalcooleiro para o País. Mais que isso, aponta um olhar muito peculiar da posição regional como berço da história nacional. “Porque através daqueles dias mais difíceis de nação da civilização portuguesa nos trópicos, a terra que primeiro prendeu os luso-brasileiros, em luta com outros conquistadores, foi essa de barro avermelhado ou escuro. Foi a base física, não simplesmente de uma economia ou de uma civilização regional, mas de uma nacionalidade inteira”. Além do olhar para o valor do solo massapê, o sociólogo discute questões ambientais e, especialmente, de trabalho do homem que movia a economia da época. Ele não alivia as críticas às péssimas condições de trabalho, de moradia e de alimentação. Chega a afirmar em Nordeste que as condições da jornada laboral de sua época representavam “talvez um trabalho mais penoso do que no tempo da escravidão. Porque os senhores de terras de cana e os armazenários de açúcar dispõem hoje de menor número de trabalhadores para o esforço agrícola” Quase 100 anos depois, é difícil não fazer pontes entre esses debates, circunscritos aos trabalhadores braçais da época, com discussões contemporâneas relacionadas à qualidade de vida profissional, redução de jornadas, burnout, entre outras pautas econômicas e laborais. Mencionando vários pesquisadores da época, Freyre descreve teorias que afirmam que o menor desenvolvimento físico e até produtivo do homem na época tinha relação com aspectos como má saúde pública, má alimentação, má dormida, entre outros. Ao mencionar trabalhos de médicos brasileiros do Século 19, o sociólogo chega a relacionar os problemas de saúde da população com a destruição das matas e a falta de cuidado na conservação dos animais. A diretora executiva da Fundação Gilberto Freyre, Jamille Barbosa, destaca que o Mestre de Apipucos teve uma contribuição relevante sobre a ecologia, especialmente nas relações do homem com a natureza. “Ele tratou de uma ecologia mais humana. Não é aquele conceito de meio ambiente sacralizado, idealizado. Ele queria realmente estudar esse meio ambiente que é afetado pelo homem e esse homem que é afetado pelo meio ambiente. De que forma esse meio ambiente condicionou a forma do ser humano de estar, de se alimentar, de conviver. Isso é muito presente na obra de Gilberto. Bem como da forma que esse homem vai afetando negativamente esse meio ambiente”, afirmou Jamille. Mais do que escrever e refletir sobre o convívio harmônico com a natureza, ele vivenciou isso no seu sítio em Apipucos, que abriga a Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre. Toda a área verde no entorno da residência é vista pela pesquisadora como uma forma do sociólogo colocar em prática o que ele defendia nos livros e artigos. Em um momento que o mundo se volta para a adaptação às mudanças climáticas e discute o impacto do ser humano no meio ambiente, muitas reflexões e preocupações do pensador pernambucano permanecem atuais. Pesquisador da obra de Freyre, Anco Márcio Tenório Vieira, professor do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPE, aponta dois pioneirismos da obra do pensador pernambucano. “O primeiro, é um tema que perpassa toda a obra de Freyre e que foi relevada ao seu tempo, mas que hoje, na nossa contemporaneidade, é a principal pauta destas primeiras décadas do Século 21: a ecologia e a economia autossustentável. Freyre foi um crítico contumaz do modelo de progresso que orientou e vinha orientando o mundo ocidental e ocidentalizado e um defensor incansável da economia autossustentável, de soluções ecológicas no campo urbanístico, da arquitetura e da construção civil, da moda, da produção de alimentos, da industrialização”. O segundo pioneirismo destacado pelo docente da UFPE diz respeito ao conceito de regionalismo. “Freyre vai pensar o Brasil a partir das regiões, das suas especificidades sociais, econômicas, culturais, religiosas, ecológicas etc. Freyre vai assentar o seu conceito de regionalismos em cima da tríada Tradição, Região, Modernidade; Tradição, Região, Modernismo; ou Tradição, Região, Modernização”. Anco Márcio explica que, para Freyre, a tradição era o conjunto de experiências sociais, estéticas e culturais originadas das influências lusas, ibéricas, africanas e ameríndias. Essas influências se miscigenaram e se transformaram ao longo do tempo, dando origem

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Coco Negras e Negros do Leitão Lança EP “Coisa de Cinema”

Grupo homenageia a cultura quilombola com novas canções em projeto audiovisual. O grupo Coco Negras e Negros do Leitão apresenta seu novo EP intitulado “Coisa de Cinema”, já disponível em link. Composto por seis faixas, sendo quatro inéditas e duas regravações, o projeto foi desenvolvido a partir de um desafio do produtor Leonardo Lemos, que incentivou os integrantes a criar músicas para os curtas “No Leitão Onde Estiver” e “Leitão da Carapuça: um século de Resistência”, ambos dirigidos por Luiz Galdino. As novas canções retratam a vivência e a força da cultura quilombola, como em “Isso é coisa de Cinema”, que celebra o cotidiano, e “Não deixe o Coco Acabar”, que clama pela continuidade da tradição. Outras faixas, como “Dona da Casa” e “Meu Mamão”, são clássicos do repertório do grupo, enquanto “Águas do Rio Pajeú” presta homenagem ao Rio do Pajé, berço de seus ancestrais. Gravado em Afogados da Ingazeira, o EP conta com a produção executiva de Leonardo Lemos e a direção musical de Isabella Brito, entre outros colaboradores. O lançamento reforça o compromisso do grupo em valorizar e disseminar a rica cultura do samba de coco e a tradição quilombola. Serviço: Lançamento do EP “Coisa de Cinema” do Coco Negras e Negros do Leitão Local: Online, acessível pelo link: Coco Negras e Negros do Leitão – Coisa de CinemaDescrição: O grupo Coco Negras e Negros do Leitão apresenta seu novo EP “Coisa de Cinema”, que conta com seis faixas, incluindo quatro inéditas e duas regravações. O projeto homenageia a cultura quilombola e foi desenvolvido para os curtas “No Leitão Onde Estiver” e “Leitão da Carapuça: um século de Resistência”. As canções celebram a vivência do cotidiano, a continuidade das tradições e a força da cultura afro-brasileira.

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