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Medidas de restrição sinalizam isolamento mais duro nas próximas semanas

Todos os pernambucanos que experimentaram o medo da primeira onda de Covid-19 e uma paralisação dura da maioria das atividades econômicas, com restrições inclusive no transporte público, podem ter estranhado as restrições atuais, que cobrem apenas o horário noturno, sendo das 22h às 5h para todo o Estado. Apenas um grupo de 63 cidades possui um “toque de recolher” mais amplo, começando a partir das 17h em alguns dias na semana. Essa primeira semana de imposição parcial de isolamento social pode ser um aviso – ou uma preparação – para um novo lockdown, como tem acontecido no mundo inteiro. A suspensão de atividades econômicas e sociais no turno da noite em Pernambuco neste primeiro momento parece mais uma medida simbólica do que de fato uma ação mais direcionada de restrição de movimentação para contenção da pandemia. Evidentemente que endurecer para a realização de festividades e atividades de bares e casas noturnas, que foram afetados diretamente pela medida, indica que nesses lugares reside uma maior preocupação do poder público estadual com a disseminação do vírus. No caso das 63 cidades onde a medida é mais dura, a proibição atinge também as atividades religiosas, com a paralisação de cultos e missas, que é outro ponto que pode estar levantando preocupação das autoridades. “A polícia e os órgãos de fiscalização estarão nas ruas para observar o cumprimento desse novo decreto. Vamos monitorar os dados minuto a minuto e, caso os índices permaneçam piorando, novas medidas restritivas podem ser anunciadas já no início da próxima semana”, afirmou o governador Paulo Câmara na última coletiva, realizada na sexta-feira passada. De acordo com especialistas que analisam o quadro de epidemiologia de Pernambuco, como Jones Albuquerque, do Instituto para Redução de Riscos de Pernambuco (IRRD), o Estado já carece há algum tempo de medidas duras de contenção do vírus. Como publicamos na semana passado, embora o número de mortes no Estado esteja ainda distante dos registros do auge da pandemia, a quantidade de novos casos confirmados da doença já empatou com a crise sanitária dos meses de março a maio de 2020. O ponto chave para a adoção das atuais medidas de restrições, porém, veio da ocupação de leitos hospitalares, que circulou acima de 90% no Estado, se aproximando rapidamente do colapso. Isso porque o Governo de Pernambuco vem aumentando o número de leitos para atender a população vítima de Covid-19. Jones Albuquerque lembra que ainda que o poder público estadual tenha capacidade de aumentar com velocidade o número de leitos hospitalares, a disseminação do vírus pode fazer crescer exponencialmente a quantidade de pacientes do Covid-19 com necessidades de atendimento médico e de internamentos. Pernambuco conta atualmente com aproximadamente dois mil leitos dedicados aos pacientes infectados pelo vírus, sendo 998 de UTI, em 16 municípios. De acordo com informações do Governo do Estado, trata-se da segunda maior rede de leitos de terapia intensiva do País. Apesar disso, no gráfico abaixo, do IRRD, é possível ver a escalada de crescimento da taxa de ocupação de leitos de UTI em Pernambuco. O neurocientista Miguel Nicolelis, em entrevista para a Rede CNN Brasil, afirmou que o mês de março deve ser o pior desde o início da Pandemia. Na sua análise, ele foi ainda mais longe. O pesquisador acredita que será o mês mais difícil da história do Brasil. A exemplo do que aconteceu em outros Países, nas próximas semanas ou talvez nos próximos dias, vejamos as medidas de proteção do Governo de Pernambuco se acentuando para conter o avanço da Covid-19. Além da maior circulação de pessoas e da redução das medidas de prevenção (que é um fenômeno que ocorreu no mundo inteiro, mesmo em vários Países que passaram bem pela primeira onda da pandemia), a disseminação de novas variantes, como a descoberta em Manaus, é outro sinal de alerta. Os estudos iniciais apontam para um maior poder de contaminação dessas variantes do novo coronavírus e os relatos médicos iniciais indicam que ela tem atingido de forma mais frequente um público mais jovem. O remédio do isolamento social é amargo, mas é o tratamento paliativo mais eficiente que o mundo tem experimentado enquanto não há uma taxa de vacinação em massa que cubra a maioria da população e consiga conter a pandemia. Jogam contra esse momento a ausência do Auxílio Emergencial, que ainda não foi decidida pelo Congresso Nacional e pelo Governo Federal, e o próprio cansaço da população diante de um período tão longo de enfrentamento à pandemia. Joga a favor, no entanto, o maior aprendizado da sociedade em como se isolar e se proteger da contaminação após um ano de avanço nas informações sobre a doença e de própria estruturação das residências e empresas para atravessar períodos de maior necessidade de home office ou de atendimento de serviços em delivery, por exemplo. *Por Rafael Dantas, repórter da Revista Algomais e especialista em Gestão Pública (rafael@algomais.com)   Número de casos de Covid-19 empata com pior momento da pandemia    

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Governo de Pernambuco negocia compra de vacina russa

O Governo de Pernambuco anunciou que abrirá negociação para aquisição da vacina Sputnik V com a diretoria da fábrica brasileira responsável pelo imunizante, a farmacêutica União Química. O poder público estadual fará uma proposta de compra direta de doses. A reunião acontecerá na próxima terça-feira (02/03), quando o governador Paulo Câmara estará em Brasília. A iniciativa é uma ação conjunta do Fórum de Governadores do Brasil. A Sputnik V é o imunizante que tem sido usado na Argentina e em outros países da América Latina. Em todos os testes já publicados em revistas científicas, a vacina apresentou mais de 90% de eficácia contra o novo coronavírus. Ela será produzida no País em fábricas nas cidades de Brasília e Guarulhos. O laboratório União Química protocolou na Agência Nacional de Vigilância Sanitária o pedido para uso emergencial no Brasil de 10 milhões de doses. A iniciativa dos Governadores acontece poucos dias após o Supremo Tribunal Federal permitir a compra direta dos imunizantes por Estados e municípios. Em decisão do STF foi emitida no dia (23) após uma ação protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A medida foi autorizada apenas para caso de descumprimento do Plano Nacional de Vacinação pelo governo federal ou de insuficiência de doses previstas para imunizar a população.

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João Campos anuncia vacinação de mais um grupo de idosos

O prefeito do Recife, João Campos anunciou mais uma ampliação no Plano Recife Vacina. Já é possível fazer o agendamento de idosos a com 75 anos para receber a vacina que protege contra o novo coronavírus. A imunização desse público será iniciada já hoje (27). Para dinamizar ainda mais a operacionalização do plano, a gestão municipal também reforçou a estrutura de logística com a ampliação em quatro pontos de drive-thru. “Estamos acompanhando de maneira atenta o cenário das capitais brasileiras e o agravamento da crise do coranavírus. A vacina é o único caminho efetivo para vencer a pandemia, por isso a gente anuncia a ampliação da faixa de vacinação. A partir de hoje, às 18h, todos os idosos do Recife com 75 anos ou mais poderão se cadastrar e fazer o agendamento para, a partir de amanhã, se vacinar em um de nossos centros. Também estamos expandindo a nossa capacidade de vacinação. A partir deste final de semana, começam a funcionar mais quatro drive-thrus na nossa cidade”, informou o prefeito. Ele também fez um apelo para a participação da população nos cuidados preventivos para disseminação da doença. “É fundamental a participação de cada um e de cada uma no Recife, tomando os cuidados necessários: o distanciamento, o uso de máscara, evitar aglomeração, para que a gente possa vencer a pandemia. Nós estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance: ampliação da vacinação, abertura de novos leitos de UTI, estamos fazendo a nossa parte e temos certeza que podemos contar com vocês. Vamos agir com muita responsabilidade e firmeza para garantir que vidas serão salvas”, disse. O agendamento deve ser realizado através do site www.conectarecife.recife.pe.gov.br ou do app Conecta Recife, disponível gratuitamente na PlayStore, para Android, e AppStore, para quem utiliza o sistema iOS. A população residente no Recife poderá fazer o cadastro e, se estiver entre os grupos prioritários, agendar o dia, hora e local para receber a imunização. Caso a pessoa seja acamada, é possível sinalizar a condição marcando a opção disponível durante o cadastro para, dessa forma, receber a visita domiciliar de uma das equipes volantes da Secretaria de Saúde. NOVOS LOCAIS – O Recife passa a ter 16 pontos para vacinação, ampliando de 5 para 9 os pontos de drive-thru. Eles funcionarão no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), na Tamarineira; Parque de Exposição de Animais, no Cordeiro; Fórum Ministro Artur Marinho – Justiça Federal de Pernambuco (Avenida Recife), no Jiquiá; Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Dois Irmãos; e Juizados Especiais do Recife, na Imbiribeira. Os drives também continuam funcionando no Parque da Macaxeira, no Geraldão, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária; e no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Bairro do Recife. Além dos drive-thrus, a Secretaria de Saúde disponibiliza também novos centros onde funcionam salas de vacina: Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Dois Irmãos; Parque de Exposição de Animais, no Cordeiro; Upinha Dr. Hélio Mendonça, no Córrego do Jenipapo. Os outros centros continuam funcionando na Unidade de Cuidados Integrais (UCIS) Guilherme Abath, no Hipódromo; Compaz Ariano Suassuna, no Cordeiro; Ginásio Geraldão, na Imbiribeira; e UPA-E Fernando Figueira, no Ibura. Todos os locais funcionam das 7h30 às 18h30, de domingo a domingo.

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Aena anuncia reformas no Aeroporto do Recife

A Aena Brasil deu início ontem (25) às obras de revitalização do Aeroporto Internacional do Recife Guararapes – Gilberto Freyre. Os trabalhos, que incluem a renovação completa dos banheiros, além de melhorias no sistema de climatização, sinalização, pintura, iluminação e acessibilidade, entre outros itens. As obras emergenciais fazem parte do contrato da concessionária com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Inicialmente prevista para ser realizada em 2020, esta primeira etapa da melhoria do aeroporto foi adiada por causa da pandemia do novo coronavírus. Além do terminal do Recife, outros cinco também serão reformados, todos administrados pela Aena Brasil. Apesar de a empresa estar trabalhando para que as obras não atrapalhem a experiência do passageiro no aeroporto, alguns serviços e estruturas terão de ser adaptadas até a conclusão do trabalho. Todos os terminais contam com sinalização e esquema de segurança operacional a fim de que não haja incidentes. “As obras visam dar mais conforto e melhorar a qualidade de atendimento ao passageiro. Pedimos desculpas pelos transtornos iniciais, mas, ao final do processo, poderemos oferecer um terminal melhor para os nossos usuários”, explica Diego Moretti, diretor do Aeroporto Internacional do Recife. As revitalizações acontecem nos terminais gerenciados pela Aena, que além do Recife também comanda dos aeroportos de Maceió (AL), Aracaju (SE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Juazeiro do Norte (CE). Um segundo bloco de melhorias, na área de operações, está sendo programado e deverá ser entregue até junho de 2023.

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Clima econômico melhora no Brasil no primeiro trimestre, diz FGV

Da Agência Brasil O Indicador de Clima Econômico do Brasil subiu 5,1 pontos do último trimestre de 2020 para o primeiro trimestre deste ano e chegou a 72,3 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos. O dado, que reflete a opinião de especialistas em economia do país, foi divulgado hoje (26) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No primeiro trimestre deste ano, o clima econômico chegou ao maior patamar desde o primeiro trimestre de 2020 (98 pontos), mas ainda está abaixo da média dos últimos dez anos (77,8 pontos). A alta foi puxada pelo Indicador da Situação Atual, que subiu 11,7 pontos do último trimestre de 2020 para o primeiro trimestre deste ano. Apesar disso, a avaliação sobre o momento presente continua em patamar baixo, de 25 pontos. O Indicador de Expectativas por sua vez, apesar de estar em um patamar mais elevado (137,5 pontos), recuou 9,2 pontos no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o trimestre anterior. Na América Latina, o clima econômico teve uma melhora mais acentuada que no Brasil: de 9,8 pontos. Apesar disso, o desempenho da região está abaixo do brasileiro (70,5 pontos). Entre os dez países da região mostrados na pesquisa, o Brasil aparece em terceiro lugar, atrás de Paraguai (122,2 pontos) e Chile (95,8 pontos). PIB A maioria dos especialistas (66,7% dos entrevistados) revisou para baixo sua projeção para 2021 do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos do Brasil, em relação ao trimestre anterior. Segundo os especialistas, o PIB brasileiro deve fechar o ano com crescimento de 3,1%.

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Recife amplia vacinação contra covid-19 para nova faixa etária

A partir desta quinta-feira (25), os idosos com 78 e 79 anos vão poder agendar a vacinação contra a covid-19, na capital pernambucana. O anúncio foi feito pelo prefeito João Campos através das redes sociais. A ampliação do público alvo foi possível após o Recife receber, na quarta-feira (24), mais doses da vacina Oxford/AstraZeneca, enviadas pelo Ministério da Saúde – que contemplará esse novo grupo. Essa população deve se cadastrar no Conecta Recife e agendar data, hora e local para receber a vacina. Até o momento, o Recife soma 69.701 pessoas imunizadas contra a covid-19, sendo que 12.309 delas já receberam a segunda dose e concluíram o esquema vacinal. Desse total, 32.847 são idosos acima de 80 anos, o que representa 83% das 39.626 pessoas nessa faixa etária cadastradas no Conecta Recife. Desde o início da operacionalização do Plano Recife Vacina, já foram imunizados, no total, 33.652 idosos, entre eles 2.431 acamados; 35.598 trabalhadores da saúde; e 451 pessoas a partir de 18 anos com deficiência severa institucionalizadas. Desse total, 12.309 pessoas já receberam a segunda dose da vacina e concluíram o esquema vacinal. Para tomar a vacina, esses idosos precisam realizar o agendamento pelo Conecta Recife, iniciativa que faz parte da transformação digital realizada pela Prefeitura do Recife. Através do www.conectarecife.recife.pe.gov.br ou app gratuito disponível nas lojas PlayStore, para Android; e AppStore, para dispositivos iOS, a população pode fazer o cadastro e, se estiver dentro de algum grupo prioritário, agendar o dia, hora e local para receber a imunização. Caso a pessoa seja acamada, é possível sinalizar a condição marcando a opção disponível durante o cadastro para, dessa forma, receber a visita domiciliar de uma das equipes volantes da Secretaria de Saúde. AQUISIÇÃO DE VACINAS – O prefeito João Campos anunciou, nesta quarta-feira (24), em Brasília, que a capital pernambucana irá retomar as tratativas junto aos laboratórios para a aquisição de vacinas contra o novo coronavírus. O anúncio foi feito um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar Estados e municípios a adquirirem doses de imunizantes em caso de descumprimento do Plano Nacional de Imunização (PNI) pelo Governo Federal ou de insuficiência de doses para garantir a proteção da população. As equipes da Prefeitura do Recife já estão buscando laboratórios de todo o mundo que tenham capacidade de vender a vacina para o Recife. Também está sendo avaliada a criação de uma frente junto com outros municípios, a Frente Nacional de Prefeitos, para se construir um consórcio, que poderá adquirir vacinas e distribuir aos municípios. —- A Prefeitura do Recife informa que, devido à alta procura no agendamento da vacinação contra a covid-19 para idosos com 78 anos ou mais no Conecta Recife, o sistema precisou passar por ajustes necessários. O prazo para regularização e início do agendamento deste novo grupo está previsto para às 18h desta quinta-feira (25), com início da vacinação já para esta sexta (26).

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4 fotos aéreas da cidade do Recife em 1925

Na pesquisa de imagens antigas do Recife, a coluna Pernambuco Antigamente encontrou esta raridade. Em um tempo sem drones e com muito mais restições de voos que nos nossos dias, a Revista de Pernambuco publicou uma série de 4 fotografias aéreas da capital pernambucana. Na imagem, a parte inferior fica o Bairro da Boa Vista. No centro, conectado nessa imagem por duas pontes, a Ilha de Antônio Vaz (bairros de Santo Antônio e São José no destaque). Na parte superior da imagem o Bairro do Recife, com vários navios ao fundo. . Nesta fotografia é possível ver um dos extremos do Bairro de Santo Antônio, onde ficam o Palácio do Campo das Princesas e o Teatro Santa Isabel. As duas pontes do lado direito da foto são as conexões para o Bairro do Recife . O destaque da fotografia abaixo fica para a Rua da Aurora, com atenção é possível ver o suntuoso prédio da Assembleia Legislativa de Pernambuco e o Ginásio Pernambucano na parte inferior direita da imagem. . Por fim, a última imagem dessa série é para o Porto do Recife, que foi destaque da edição passada. Enquanto na última semana observamos as chegadas e partidas do cais, hoje a imagem é apenas distante da movimentação de um navio no local. . . *Por Rafael Dantas, jornalista e repórter da Revista Algomais. Ele assina as colunas Gente & Negócios e Pernambuco Antigamente (rafael@algomais.com | rafaeldantas.jornalista@gmail.com)

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Cepe promove Live sobre história das milícias

As relações do Estado com organizações paramilitares, conteúdo central do livro Um espião silenciado (Cepe 2020) será tema de estreia da série de lives Passeando pelas páginas. O lançamento do conceito desenvolvido pela Cepe para promover o debate em torno de autores e obras do seu catálogo será no dia 26, às 20h, no canal da Editora no YouTube. Nesse encontro, o autor do título, o historiador Raphael Alberti, e o pesquisador titular da Casa Oswaldo Cruz Ricardo Santos, conversarão sobre a atuação das milícias ao longo da história. Em Um espião, Alberti narra a misteriosa morte de um personagem real, agente duplo no pré-1964, focado no ambiente da década. Já Ricardo Santos pesquisa essas entidades do século 20 até a atualidade. Os pesquisadores analisarão como essas organizações podem estar inseridas dentro do governo e de que forma podem interferir nas nossas vidas. A grande conexão do tema da live com o livro é compreender semelhanças e diferenças de organizações paramilitares nos anos 60 e na atualidade. Outro aspecto desse encontro é entender as relações desses grupos com o Estado, formas de atuação e combates a personalidades progressistas nas diferentes épocas citadas. “Fala-se muito em milícia. A época que pesquisei esses grupos ainda não eram denominadas de milícias, mas organizações terroristas anticomunistas, que tinham elos com o Governo da Guanabara. Se tivéssemos estudado, valorizado o passado, talvez não estivéssemos vivendo hoje situações semelhantes”, alerta Raphael. De acordo com as pesquisas do escritor, as organizações paramilitares não estão fora do Estado, “elas são o Estado”, diz. Para o autor, a versão oficial tende passar a ideia de que há um combate contra essas instituições, mas na verdade estão sendo fortalecidas pelo sistema político. Raphael Alberti alerta para os perigos de o governo utilizar a máquina estatal para coibir, perseguir movimentos e militantes, ativistas de direitos humanos, progressistas a favor da comunidade LGBTQ+, antirracistas ou qualquer outra pessoa que vá contra os interesses desses institutos. “Nesta situação quem denuncia práticas ilegais, pode se sujeitar a sofrer retaliações, assim como no passado. A realidade é que a própria população, a sociedade civil residente nos locais onde as milícias atuam, sofrem com o abuso na cobrança extorsiva no preço do gás, água e com a falta de liberdade de expressão”, completa Raphael Alberti. Um espião silenciado está com a primeira tiragem quase esgotada, com boa aceitação em outros Estados, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo. Em Caruaru, onde reside o autor, o título está à venda na livraria Imperatriz. O escritor é finalista em duas categorias do II Prêmio Book Brasil: Autor revelação e E-book crônica, com o título lançado pela Cepe Editora. Os vencedores serão escolhidos mediante voto online e popular, que começou no dia 1º e segue até o dia 27 deste mês. Para votar basta entrar no link: https://www.premiobookbrasil.com/vote-aqui Um espião silenciado é resultado de um trabalho de 10 anos de pesquisa, que ganhará versão para o cinema. O autor já roteirizou 60% do filme em parceria com o roteirista carioca Vitor Garcia. SOBRE O AUTOR Raphael Alberti nasceu no Rio de Janeiro e é mestre em história, política e bens culturais pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas. Atualmente é professor de História no município de Caruaru, em Pernambuco.

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Cine PE debate empreendedorismo cultural na pandemia

Como os artistas das regiões Norte e Nordeste estão se reinventando durante a pandemia? Como fazer girar a economia criativa neste momento de crise sanitária nos estados dessas regiões? Essas são algumas questões que serão discutidas hoje (25), às 19h, ao vivo, no programa Quintas do Cine PE, no YouTube do festival. A curadoria e a mediação dessas conversas, que contam com o apoio da Lei Aldir Blanc, são de Alfredo Bertini, diretor do Cine PE. Nessa edição, o debate vai trazer especificidades das linguagens do audiovisual, da música e do teatro. “A nossa intenção é que seja uma conversa leve, descontraída, tentando entender na prática como é possível empreender na área da cultura nessas regiões, que muitas vezes têm suas produções culturais tão estereotipadas no cenário nacional”, diz Bertini. O primeiro convidado da conversa é Almir Rouche, cantor e compositor com 34 anos de carreira. Com a pandemia, o artista vem promovendo lives no estilo voz e violão e tem se engajado em causas que considera fundamentais, como a solidariedade àqueles profissionais que compõem o mercado da cultura. Já Emanoel Freitas, artista, diretor, gestor e produtor cultural, atuante na cidade de Belém, deve falar a partir da sua experiência no teatro. Freitas possui MBA em Gestão Empresarial pela Universidade da Amazônia. É também coach certificado pela SBCoaching, e especialista em Gerontologia pelo Instituto Albert Einstein. E, para completar o papo, Bertini vai conversar também com Vânia Lima, sócia-fundadora do grupo Têm Dendê Produções, que atua na área de criação e produção audiovisual. Com um trabalho sediado na Bahia, o grupo possui 21 anos de atividades e uma cartela de obras produzidas e coproduzidas no Brasil, Estados Unidos, Panamá, Costa Rica e Dinamarca. Na próxima semana, dia 4, o tema será “Produzir conteúdo televisivos ou investir em modelos prontos?”, com André Sady, do Canal Brasil, e Gustavo Almeida, da EPC/TVPE. Serviço: Quintas do Cine PE – Os novos desafios de empreender na área da cultura no Norte e Nordeste Quando: Quinta-feira (25/2), às 19h Convidados: Almir Rouche (Música/PE), Emanuel Freitas (Teatro/PA) e Vânia (Audiovisual/BA) Mediador: Alfredo Bertini Onde: YouTube do festival Quanto: Gratuito, com patrocínio da Lei Aldir Blanc

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ICMS: Combustíveis e Alice no Pais das Maravilhas – Por Luiz José de França

O ICMS é um tributo fundamental nas receitas públicas dos Estados, possuindo cobrança de forma objetiva. Se compro algo, se alguém vende isso de forma profissional ou habitual, há o destaque do tributo e, portanto, pago na aquisição do bem. A alíquota, o seu percentual, vai do critério do essencial para o seletivo, considerando o seu uso e hábito. Atualmente, o presidente da República, ou melhor desde o começo da pandemia (janeiro, fevereiro e março de 2020) vem defendendo mudanças no ICMS sobre o preço dos combustíveis, visando uma cobrança uniforme, ou seja, um valor fixo para cada litro de gasolina, diesel ou álcool consumido, conforme Projeto de Lei encaminhado ao Congresso Nacional este mês. O ICMS dos combustíveis, quando o produto chega na bomba do posto, já está com a cadeia paga ou pelo fabricante ou pelo distribuidor, na condição de substituto fiscal, na lógica de apuração do ICMS – ST, em que o fornecedor antecipa o imposto a ser pago pela cadeia. Desta maneira, o preço dos combustíveis na bomba não muda no varejo, salvo se houver política de preços considerando o sistema de precificação a ser adotado. O ICMS, num quadro de estagnação econômica é a sobrevivência para os Estados e Municípios e a “cereja” do bolo para quem quer fazer populismo fiscal. Há, em diversos áudios, lives, twitters do presidente da República, dois eixos de uma mudança. Por Lei Complementar (que é o que foi encaminhado para o Congresso na semana passada) e por isenção via decreto (?) ou Projeto de Lei. Analisemos um a um. Para que o atual PLC (Projeto de Lei Complementar) seja aprovado, faz-se mister a maioria absoluta de votos na Câmara e no Senado. Resta claro que – por força da Constitucionalidade do tema – inclusive quanto à essencialidade e seletividade dispostas na própria Constituição Federal que governador algum terá ou teria competência legal para interferir na alteração da alíquota de ICMS. Olhando, prima facie, sobre o texto encaminhado e noticiado pela imprensa, há o aspecto da duvidosa legalidade de uma alíquota baseada em valor percentual fixo, desprezando inclusive oscilações negativas de preços, que repercutem ou deveriam repercutir nas bombas de combustível, atropelando ainda mais no contexto de discussão da reforma tributária, o debate e a necessária alteração sobre a lógica do ICMS, unindo-se ou não ao ISS, num improvável IVA. Quanto à isenção, a regra do Art. 155 da Constituição da República veda a União criar tributos cuja competência seja dos Estados. Em resumo: nem a União pode isentar o ICMS e nem pode fazê-lo por qualquer meio – seja por decreto, seja por PL, por expressa vedação constitucional, salvo o Projeto de Lei Complementar a que nos referimos antes. Sobra (o que a imprensa noticia nos últimos 10 dias) ao Governo da União praticar a isenção seletiva em tributos sobre consumo, com reduções de alíquota federais que, ressalte-se, sem demonstrar a fonte de compensação, levará o atual mandatário a se ver tête-a-tête com o Tribunal de Contas da União em face do que determina o Art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal e o Art. 113 das Disposições Constitucionais Transitórias. Há, por fim, a necessária discussão sobre o tributo sobre consumo. Fazer políticas públicas e intervenções no sistema de preços não é prudencial considerando tudo o que dissemos acima. Impostos sobre o consumo devem ser neutros. O mundo anda neste sentido. Que se fusionem tributos! Que se criem novas categorias tendo por fundamento a racionalização do sistema e o financiamento justo e solidário dos encargos da União e dos demais entes federados! Mas fatiar ainda mais, setorizar ainda mais um segmento essencial, em um país que desprezou outras formas de escoar a sua produção econômica, dada a sua dimensão continental, é simplesmente querer justificar o improvável, o delírio. O fato da base única sobre o consumo ter sido inteiramente fatiada de acordo com diversos setores da economia – já há muitos anos – e contra os quais se insurgiu o presidente atual em sua campanha de 2018, prometendo reconstruir o Pacto Federativo – fez com que a tributação sobre o consumo no Brasil tenha se tornado setorial, o que é um retrocesso total, pois não comporta a realidade econômica atual, especialmente diante da era digital, onde as diferenciações setoriais são contrárias à ideia de neutralidade, indispensável à tributação do consumo. E é nisto em que deveria concentrar-se o Governo Federal. Reformar os tributos sobre o consumo. Mas onde está a reforma? Quem é o seu protagonista? Até a reforma chegar e ante a penúria e falência dos Municípios e Estados, não faz sentido – sobretudo nos Estados do Norte e Nordeste – fazer política fiscal com os resíduos constitucionais dados na esfera do ICMS, sobretudo em tempos de incerteza econômica, agravados pela COVID-19. E o pior: nem empréstimos internacionais estes entes podem contrair para alinhar as contas publicas, em face das vedações expressas no tocante à legislação para perseguir saídas de autofinanciamento fora do País, posto que a União é necessariamente – por força de Lei – fiadora destes empréstimos. É uma espiral que não se resolve com uma batalha de cartas e com condenações antecipadas, frutos de delírios e de absurdos. O atual estágio da esquizofrenia fiscal adotada pelo Governo Federal nos lembra o conto de Alice no Pais das Maravilhas. Alice, uma menina curiosa, segue um Coelho Branco de colete e relógio, mergulhando sem pensar na sua toca. A protagonista é projetada para um novo mundo, repleto de animais e objetos antropomórficos, que falam e se comportam como seres humanos. No País das Maravilhas, Alice se transforma, vive aventuras e é confrontada com o absurdo, o impossível, questionando tudo o que aprendeu até ali. A menina acaba fazendo parte de um julgamento sem sentido e sendo condenada à morte pela Rainha de Copas, tirana que mandava cortar a cabeça de todos que a incomodavam. Quando é atacada pelos soldados da Rainha, Alice acorda, descobrindo que toda a viagem se tratou de um sonho. A disfuncionalidade do sistema tributário, baseado

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