leitura

Debora Compaz

“Precisamos de uma biblioteca inclusiva, abrangendo pessoas que não sabem ler”

Gerente da Rede de Bibliotecas pela Paz, da PCR, Deborah Echeverria fala sobre o trabalho de transformar esses espaços de leitura em ambientes vivos, abertos a várias modalidades artísticas e a pessoas de diferentes faixas etárias e sociais. Uma mudança que repercute no desenvolvimento do prazer de ler e na redução da violência. Quem visita um dos espaços da Rede de Bibliotecas Pela Paz, no Recife, pode, num primeiro momento, ser tomado pela surpresa. O ambiente em nada lembra o recinto sisudo e silencioso das bibliotecas tradicionais: muita cor na decoração, crianças ouvindo contação de histórias, bebês brincado e explorando alegremente objetos, jovens escrevendo poemas em formato de cordel, idosos em rodas de conversa fazendo atividades artesanais. Não por acaso, elas foram apelidadas de “bibliotecas vivas”.  A gerente da rede, Deborah Echeverria, defende que no Brasil o modelo convencional de biblioteca não funciona, porque é elitista. Nesta entrevista a Cláudia Santos, Deborah, que também é proprietária de Editora Cubzac, explica que esses espaços são inspirados nas bibliotecas-parque de Medellín e fazem parte das políticas de prevenção à violência da Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz do Recife. Definindo-se como uma militante em prol do aumento de leitores no País, ela afirma que o papel da sociedade e, em especial dos gestores públicos, nessa causa é fundamental. “Afinal de contas, nossa cultura passa de geração a geração, século a século, muito através do que está escrito”, ressalta. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024, aponta que 53% dos entrevistados não leram nem mesmo parte de uma obra nos três meses anteriores à enquete. Por que você acha que o brasileiro lê tão pouco? Acho que o fator principal é a concorrência que os livros enfrentam com as tecnologias, com vídeos, com os textos curtos das redes sociais. Crianças e os jovens passam muito tempo com o celular na mão. Além disso, a pandemia teve um grande impacto, com escolas fechadas por muito tempo, com programas de leitura sendo cancelados.   Para reverter essa realidade da leitura no Brasil é preciso um esforço conjunto, tanto das secretarias e Ministério da Cultura, como das secretarias e Ministério da Educação para valorizar a biblioteca escolar e incentivar a criança a gostar de ler. Eu organizo um seminário de biblioteca nas escolas para sensibilizar gestores públicos a formar professores para atuarem na biblioteca. Isso é uma política que vem sendo reforçada no Governo Lula. Sempre ressalto a importância de valorizar, não só as bibliotecas das escolas públicas, como das escolas privadas.  Um aspecto importante é a existência do PNLD Literário (Programa Nacional do Livro Didático Literário), um programa de compra de livros para bibliotecas públicas escolares, o maior do mundo em venda de livros. Então, há uma grande quantidade de obras literárias destinadas aos estudantes. Em 2025, pela primeira vez, os livros do PNLD passaram a ser distribuídos nas bibliotecas públicas e nas comunitárias, por intermédio de uma parceria entre o Ministério da Cultura e o MEC. Cada biblioteca recebeu 600 títulos infantis.  Além das bibliotecas escolares, os pais ainda exercem influência na formação de leitores?  Até a penúltima pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, quando se perguntava: “quem mais influencia a leitura?” a resposta mais frequente era a mãe. Na de 2024, a maioria dos entrevistados indicou a escola, os professores. Isso é resultado da política de aquisição e democratização do acesso ao livro. Vale reforçar a importância das bibliotecas nas escolas e as bibliotecas públicas como um espaço de formação do leitor. Crianças, adultos ou jovens que chegam nesses espaços, muitas vezes, não foram formados como leitores, e precisamos atraí-los e transformar essas bibliotecas em espaços que os aproxime da leitura.  Nas bibliotecas municipais que gerencio, que é a Rede de Bibliotecas Pela Paz, há várias atividades para crianças, jovens, adultos e idosos que começam sempre com o livro e depois podem envolver artesanato, dança, cinema. Isso é uma forma de criar vínculo e autonomia para que a pessoa passe a frequentar a biblioteca com as próprias pernas, não só porque a escola leva. Uma criança que frequenta uma biblioteca desde os 6 anos de idade ou até antes, no início da vida, será diferente da que nunca frequentou. Essa formação do leitor também é importante para a sobrevivência das editoras e é uma função da sociedade como um todo.  A Rede de Bibliotecas Pela Paz está subordinada à Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz. Qual a relação das bibliotecas com a prevenção à violência? As Redes de Biblioteca Pela Paz da Prefeitura do Recife, assim como os Compaz, que contam com bibliotecas, nasceram da necessidade de prevenir a violência. São espaços inspirados nas bibliotecas-parque de Medellín (Colômbia). A ideia é fazer com que a criança nem entre no campo da violência porque já passou por outros espaços que a levaram a outros caminhos. Aplicamos, nas bibliotecas do Recife, uma formação em círculos de cultura de paz, usando uma metodologia potente criada por uma americana na prevenção à violência.  É um momento de escuta, pessoas são reunidas em círculo e começam a se colocar. Nossa ligação com a Secretaria de Cidadania e Cultura de Paz está relacionada à nossa missão de prevenção à violência. Nesses espaços, temos vários exemplos de pessoas que, graças ao do gosto pela leitura, transformaram suas vidas. Há uma criança que começou a frequentar uma dessas bibliotecas enquanto o pai vendia água mineral no sinal. E, como passava quase o dia inteiro entre livros, foi tomando gosto pela leitura.  Também temos o caso de um adolescente que vendia pipoca no sinal, frequentava muito a biblioteca e foi contratado como recepcionista pelo Compaz. Hoje é músico e ainda trabalha na biblioteca. Também temos o exemplo de uma mãe que tinha cinco filhos, dois deles foram assassinados pelo tráfico e um foi preso. Os outros dois que frequentavam a biblioteca do Alto Santa Terezinha, desde criança, hoje, já estão no Ensino Médio, preparando-se para o Enem e um deles é estagiário na biblioteca.  Você citou círculos

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Letras Serranas

*Paulo Caldas  Numa dessas décadas que cumprimos, tive a chance de ler o “Tratado de lavação da burra”, Editora Bagaço, escritos de outro craque das letras serranas: o “alagoano” de Gravatá, Ângelo Monteiro.  Ao iniciar a leitura de “Vozes do Esconderijo”, de Admaldo Matos de Assis, peço emprestada a expressão de Ângelo e afirmo: Lavei a burra… E explico: não é no cotidiano que a gente encontra textos que obedecem às virtudes da receita do bem escrever.  Por isso os aplausos são encaminhados para o palco onde refletores iluminam a capacidade de síntese, além de notável habilidade de traduzir dramas do cotidiano para o âmbito da ficção, com elogiável equilíbrio no manejo dos símbolos sagrados.  Os refletores destacam ainda a construção dos perfis físicos e psicológicos dos personagens, enriquecida por detalhes certificadores cuidadosamente colhidos pela verve do autor. Entre as citações, é possível encontrar pérolas que vão além das Russas: Machado de Assis, Cícero, Homero… Garcia Márquez.   A publicação traz o selo da Livro Rápido Editora, diagramação de Camila Alcoforado, concepção de capa de Andreza Souza. Revisão de Bosco Farias. Os exemplares podem ser adquiridos pelo whats app 81.9994.6471.  *Paulo Caldas é escritor

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labaredas contorcionistas

Labaredas contorcionistas

*Por Paulo Caldas Desde o lançamento de “Os dedos das santas parecem faiscar” (Editora Patuá), em 2023, a poesia livre de Cecita Rodrigues (nome que arquiva o convencional Conceição), se impõe aos conteúdos arcaicos e conceitos estéticos remotos. Neste “para dançar na cerca elétrica”, dois anos depois, Cecita declara guerra a quem não declara a paz.  O texto é denso e sobretudo destaca o humano com metáforas agudas encontradas, por exemplo, nas imagens do poema “A mulher que amei”:  “Tesouro íntimo é contorcionista nas labaredas delicado assombro enterra segredos em minha cara desenterra verdades de minha pele se liberta pelo gás metano” Aqui e noutros trechos, Cecita assume o perfil da escritora mulher – no sentido amplo do termo; sentimentos expostos, altiva, nariz pra cima e olho no olho consolida seus espaços no hoje da literatura. Publicado com o selo da Patuá, o livro traz o posfácio assinado pelo professor Lourival Holanda, edição de Eduardo Lacerda; capa, projeto gráfico e diagramação de Alessandro Romio. São Paulo 2025. Os exemplares podem ser comprados pelo site da Patuá ou pelo whats app da autora: 8538-3301. Contato: Instagram @cecitarodrigues. *Paulo Caldas é escritor 

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lideranca afetiva

Liderança afetiva: o novo livro de Bruno Montarroyos propõe relações com empatia e feedback

Autor propõe uma abordagem humanizada para líderes, inspirando conexões genuínas e crescimento mútuo. Fotos: Karla Vidal. Recém-lançado, o livro Liderança Afetiva: Praticando a arte do feedback com afetividade, de Bruno Montarroyos, convida líderes e leitores em geral a repensarem a forma como interagem com as pessoas ao seu redor. Com uma proposta que desafia práticas tradicionais, a obra destaca a importância de valorizar o outro como ser humano e utiliza o feedback como ferramenta de conexão, inspiração e transformação. “Ele nasceu da minha experiência e inquietação ao perceber que o ato de dar feedback, essencial para qualquer relação humana, é frequentemente negligenciado ou, quando praticado, costuma ser frio, técnico e desconectado”, compartilha Montarroyos. A obra tem como público-alvo líderes que buscam criar laços reais com suas equipes, mas vai além do universo corporativo. Pais, professores e qualquer pessoa que deseje transformar conversas difíceis em oportunidades de crescimento podem se beneficiar da leitura. “Em vez de punir ou recompensar, podemos ajudar pessoas a crescer. É um convite à prática da liderança afetiva, que conecta, inspira e transforma”, reforça o autor, que também aborda conceitos inspirados em referências como Marshall Rosenberg e Phil Stutz. Escrito com linguagem acessível, o livro combina teorias profundas com exemplos práticos, permitindo que o leitor aplique os ensinamentos em seu dia a dia. Montarroyos acredita que liderar com afetividade é um esforço constante, uma prática diária de empatia e reconhecimento dos próprios erros. A inspiração para o projeto veio não apenas de experiências pessoais, mas também do desejo de compartilhar uma abordagem que gera segurança e confiança nas relações humanas. Bruno Montarroyos traz em sua bagagem experiências e formação acadêmica que dão peso à obra. Ele é Mestre em Ciência Política, especialista em Big Data e Políticas Educacionais e atua como Líder de Divisão no SERPRO. A motivação para o livro surgiu das dificuldades que enfrentou ao tentar motivar e gerar segurança em seus liderados. “Quando comecei a ter sucesso nisso e recebi depoimentos e agradecimentos, passei a querer ajudar outros líderes a sentirem o mesmo: a gratidão de contribuir para tornar a vida de seus liderados mais maravilhosa”, afirma. O livro Liderança Afetiva já está disponível para compra na Amazon e promete ser uma leitura transformadora, tanto no âmbito profissional quanto pessoal. Para adquirir, basta acessar o link: Liderança Afetiva na Amazon.

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O mundo intimista de Val (por Paulo Caldas)

A poesia de Valdenides Cabral faz morada no universo intimista do seu lirismo. Nesse mundo, o Recife é a Meca onde a paraibana/potiguar compõe poemas a mancheia, afagos embandeirados aos rios e pontes, ruas e becos, em companhia de Manuel, o menino alumbrado que empina estrelas. Braços dados com Bandeira, tocam o chão que fora de Mota, Ascenso, Pena, Cunha Melo, eu e outros tantos eus que lemos este Pulsar (Scortecci Editora – projeto visual de Daniela Jacinto). Os escritos transmitem as emoções dos bons livros de poesia, perceptíveis, a exemplo dos versos de “Arrecifes”: “Noites de estrelas vivas, de beijos molhados, de cheiros de amor entranhado na pele do tempo”. No poema “Viagem”, Valdenides escreve: “Sentada no dorso da palavra, levanto voo rumo ao horizonte do improvável. E na turbulência dos sentidos, pouso no mais tênue ramo de girassol”. Nos versos de “Vital” mostra momentos virtuosos: “Preciso que o amor sinta saudade de mim de novo, e me arrebate em meus sonhos de louca e me ensine a viver novamente”. Mais adiante, ela declara no “Recife Número 6”,: “Recife se decompondo dentro de mim com esse mar por trás dos meus olhos” *Paulo Caldas é Escritor Aquisição de exemplares com a autora pelo fone: (81) 996018780

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Numa ação solidária Cepe disponibiliza 14 e-books

Numa atitude solidária voltada para todos os brasileiros que estão fazendo a sua parte neste momento de necessário isolamento social, em função da pandemia do Coronavírus, a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) disponibiliza 14 e-books para download gratuito. Os títulos, alguns premiados, estão disponíveis para o público leitor na loja de e-books da Amazon, Apple, Kobo, Livraria Cultura e Google Play Books, até o dia 31 de março, pelo menos. Porém, a editora considera estender esse prazo, inclusive com a renovação dos títulos. Além dos 14 e-books gratuitos, o público poderá contar também com o conteúdo aberto da revista Continente e do Suplemento Pernambuco no site de cada um dos produtos. O gerente de marketing, Rafael Chagas, destaca o dever da Cepe, especialmente neste momento, de estimular a leitura e facilitar o acesso ao livro. “Entendemos que este é um período em que as pessoas entrarão em contato profundo com suas famílias e consigo mesmas. A oferta de conteúdos diversificados para se enfrentar esta fase da maneira mais proveitosa possível deve ser pensada por qualquer empresa que, de alguma forma, trabalhe com cultura. Disponibilizar parte do nosso catálogo gratuitamente em sua versão digital é justamente isso: fazer com que o leitor viaje, em completa segurança, com a sua própria imaginação”, enfatiza. LANÇAMENTOS De acordo com o editor, Diogo Guedes, mesmo com os eventos presenciais de lançamento suspensos, a Cepe continua com o seu cronograma de publicações, mostrando também um catálogo variado. “Diante de um cenário em que se pede para as pessoas ficarem o máximo possível em casa, a leitura é uma das melhores formas de escapar da sensação de isolamento — afinal, um leitor está sempre em diálogo com quem escreveu e movimenta-se por outras histórias, universos, pensamentos”, diz. Este mês a editora publicou um dos vencedores do Prêmio Cepe Nacional de Literatura, A menina que engoliu o céu estrelado, uma narrativa infantojuvenil que mistura o fantástico com o regional. “Também em março lançamos um romance irônico, Opulência, do escritor e tradutor Luis Krausz, que pensa o excesso e os rituais da burguesia paulista na segunda metade do século 20. Fora da prosa, temos o fundamental lançamento de Poemas reunidos, com os versos de Jorge Lopes, nome fundamental da poesia urbana recifense”, conta. O editor lembra ainda de outros lançamentos marcantes para o catálogo da editora. “A Cepe se debruça sobre o cinema com dois títulos que mostram, de formas diferentes, a vivacidade do cenário local: A história da eternidade, que traz o roteiro original de Camilo Cavalcanti para o seu filme premiadíssimo, e Antologia da crítica pernambucana, de André Dib e Gabi Saegesser, que recupera os textos e debates na imprensa sobre o cinema pernambucano. Também abordando o cinema, mas passando por muitas outras linguagem, com os desenhos animados e a arte contemporânea, a Cepe Editora ainda lançou, pelo Selo Pernambuco, o livro A arte queer do fracasso, estudo essencial e criativo de Jack Halberstam sobre identidade LGBTQI+, gênero, a ideia de fracasso no capitalismo e, claro, Bob Esponja, Procurando Nemo e Fuga das galinhas.” SERVIÇO Confira a lista dos 14 e-books disponíveis para download e a sinopse deles: Caminho áspero e outros poemas (poesia) Autor: Severino Filgueira Sinopse: Normalmente associado à chamada Geração 65 da literatura pernambucana, Severino Filgueira é, na verdade, um poeta que escapa de classificações, que talvez se enquadrasse mais na famosa tradição de poetas “malditos”. Caminho áspero e outros poemas é uma coletânea em que se percebem as múltiplas facetas deste artista singular, um grande esteta de formas fixas, em especial do soneto. Mulher sob a influência de um algorítimo (poesia) Autora: Rita Isadora Pessoa Sinopse: Em Mulher sob a influência de um algorítmo, a autora percorre dezenas de possibilidades de existências femininas autônomas, relacionadas entre si ou arbitrárias, em busca de uma mulher que sempre escapa, fugidia. Nesse livro de poemas de Rita Isadora Pessoa, o algoritmo da linguagem tem a função de oráculo e a contingência dos números acompanha o gesto de desaparecimento de uma mulher que se recusa a ser escrita em linguagem java ou html. O livro foi vencedor da categoria Poesia na terceira edição do Prêmio Nacional Cepe de Literatura. Vácuos (poesia) Autor: Mbate Pedro Sinopse: Em sete poemas distribuídos nas 80 páginas do livro, o moçambicano Mbate Pedro empreende uma profunda busca de si mesmo, através da escrita. São poemas longos, que transportam cada leitor como sombras no vácuo, em uma leitura fluida, leve e ilimitada que passeia entre a dialética do amor e a morte, a perda e a vulnerabilidade, entre outros sentimentos e formas de sentir. Em um jogo de palavras difícil de determinar onde os poemas começam e terminam. O filho das viúvas (ficção) Autor: Pedro Veludo Sinopse: A descoberta acidental de um livro num sebo é o ponto de partida para esta história. Enquanto o texto relata a busca intensa de Catrônfilo, o protagonista, pela identidade da mãe, o narrador procura obsessivamente a identidade do autor do livro. Qual das quatro “mães” será a do protagonista e quem escreveu a história? A busca do autor passa a ser o mote da vida do narrador. Diversos enredos se desenvolvem e entrelaçam neste livro, vencedor do Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2018, seguindo uma linha que tange o realismo mágico, levando a um surpreendente final. Os olhos de Diadorim e outros ensaios (ensaios) Autor: Wander Melo Miranda Sinopse: Neste conjunto de ensaios, o autor parte de uma indagação renovadora sobre as condições da própria crítica literária atual, a partir da qual testa hipóteses e soluções na tentativa de descrever e resolver impasses, reunindo textos dispersos, escritos e maturados em sua totalidade, no seu característico estilo dinâmico e enxuto que singulariza sua escrita. 30 entrevistas da Continente (ensaios) Organizadora: Adriana Dória Sinopse: “São trinta copos de chopp, são trinta homens sentados, trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustrados”, escreveu o porta Carlos Pena Filho. Neste livro, são 30 entrevistas publicadas na revista Continente, selecionadas entre tantas outras, no intervalo de 10 anos. Aqui, o leitor

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Itinerário das Letras

*Por Paulo Caldas “Nos Bastidores da Poesia”, reunião de textos sobre autores brasileiros e portugueses, comentados pela escritora Maria de Lourdes Hortas, cumpre itinerário de visitas àqueles que se atêm ao desafio de manusear palavras. Braços dados ora aos bardos discretos, ora com os irrequietos sonhadores envolvidos no tecer de símiles, metáforas e imagens alegóricas, Lourdes Hortas caminha por gerações que se sucedem sem se deter em gêneros, movimentos, estilos, épocas, por intimistas ou universalistas. Em cada parada, mostra o zelo de quem cuida do que ama, ela abraça um poeta e em cada gesto revela um mimo do melhor de suas letras, lavradas pelo Recife das elegias de Mauro, solitude de Bandeira, irreverência de Jomard, a diversidade infinita de Jaci, versos portugueses- recifenses de Rodrigues de Paiva, a bravura ressonante dos escritos de Juarez Correia e Natanael Lima. Dentre as meninas, beija a serenidade em Maria do Carmo Barreto Campello, o bucólico em Celina Holanda, a geometria concebida por Vernaide Wanderley. Dos prosadores, destaca a veia telúrica de Maximiano e a sóbria ficção de Dória Matos. Quando das paradas no além mar, repete os afagos ao rever um Camões de amores, o universo de Pessoa e nos arredores de Florbela Espanca (de Viçosa a Matosinhos) outras divas, a princípio relegadas às cláusulas dos conventos ou mais tarde mimadas nos delirantes salões da realeza. “Nos Bastidores da Poesia” deve ter espaço reservado nas estantes intelectuais ou dos ávidos pelo desnudar dos enigmas da literatura, e de quem as letras cultiva. O livro traz o selo da Imagética Edições, projeto visual Edvaldo Passos, e impressão da Luci Artes Gráficas. O livro pode ser adquirido através do @imageticaedicoes. *Paulo Caldas é escritor

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Armadura, escudo, espada

*Paulo Caldas Em “Poemas Recifenses” Valmir Jordão celebra a liturgia da cidade. E o Recife não é qualquer cidade e nem Valmir Jordão é qualquer poeta. O Recife é sim roubada das águas, solo de sal e lama. Jordão, um cavaleiro quixotesco, armadura de versos, montado em cavalos marinhos, impondo o escudo do olhar crítico, empunhando o lápis, a viril espada da sua verve. Por entre ruas e becos, templos e bares desses santos bairros ilhados, Valmir cavalga sobre pedras pisadas por passistas, diante das palafitas de um povo caranguejo, entre os lamentos sonoros das alfaias, saídos das paredes que, olhos abertos, ocultam os mortos, assombram os vivos. E por este burgo o poeta tem passe livre: Saudade, Amizade, União, Imperatriz e Imperador; observa, verseja e posta: “pedintes pobres e pretos”, no sabor do realismo ácido. Ele vai ao lírico “deslumbrado entre beijos e no deleite de corpos que se buscam, após a ponte giratória” e volta ao épico em críticas ao social sob a ótica de Bashô: “sem massa nem tapioca, o que rola são picadas de muriçoca”. Em vários trechos o poeta paga tributo ao Capibaribe, rio tatuado em poesia gravada na pele, no peito e na alma recifense. O livro tem o selo da editora Escalafobética, diagramação e edição de Eduardo Nascimento Júnior, imagens de contracapa de Elimar Pereira, ilustrações Tony Braga e impressão gráfica da Editora Babeco. *Paulo Caldas é escritor

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Pesquisa: Recife é a cidade com maior investimento por aluno no NE

Dados do anuário Multi Cidades – Finanças dos Municípios do Brasil, lançado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), apontam que as cidades selecionadas da Região Nordeste ampliaram os recursos aplicados em educação em 2018. Dos 25 municípios analisados, apenas sete tiveram retração no gasto na área, sendo três capitais. O estudo apontou ainda as despesas por aluno das cidades selecionadas do Nordeste. Recife (PE) teve o maior gasto, com R$ 9.709,00, seguida por Camaçari (BA), com R$ 8.701,82; e Salvador (BA), com R$ 8.382,59. Os valores são corrigidos pelo IPCA médio de 2018. Das capitais, Teresina (PI) foi a que registrou a maior queda: 9,8%, caindo de R$ 565,3 milhões aplicados em 2017 para R$ 510 milhões em 2018. Outras duas capitais aparecem nessa situação: João Pessoa (PB), com redução de 2%, e São Luís (MA), com queda de 1,8%. Já os principais avanços entre as cidades selecionadas pelo estudo foram Nossa Senhora do Socorro (SE), com aumento de 48,4%, ampliando o gasto de R$ 78,2 milhões em 2017 para R$ 116 milhões em 2018; Camaçari (BA), que aumentou de R$ 226,4 milhões para R$ 287,5 milhões, no período analisado, com alta de 27%; e Caruaru (PE), com aumento de 22,1%, passando de R$ 182,6 milhões para R$ 223 milhões. Em sua 15ª edição, a publicação utiliza como base números da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentando uma análise do comportamento dos principais itens da receita e despesa municipal, tais como ISS, IPTU, ICMS, FPM, despesas com pessoal, investimento, dívida, saúde, educação e outros. O Multi Cidades – Finanças dos Municípios do Brasil foi viabilizado com o apoio da Estratégia ODS, União Europeia, ANPTrilhos, Huawei, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Saesa, Sanasa Campinas e Prefeitura de São Caetano do Sul. Panorama Brasil: despesa municipal com educação atinge seu maior valor histórico Segundo análise feita pelo anuário Multi Cidades, após três anos consecutivos de queda, as despesas com educação cresceram em 3,7% em 2018, passando de R$ 157,76 bilhões, em 2017, para R$ 163,55 bilhões. Esse valor supera o montante de 2014 e assume o maior patamar de recursos aplicados à área desde 2002, início da série histórica. Os valores são corrigidos pelo IPCA médio do ano. Essa alta é reflexo do avanço real de 5,8% da receita total dos municípios. Entre as verbas destinadas à educação, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) tiveram elevações de 3,4% e 8,5%, respectivamente, o que representou um incremento de R$ 3,94 bilhões ao financiamento da educação em 2018. As receitas do Fundeb, que chegaram a R$ 91,06 bilhões, significaram 55,7% de todo o desembolso municipal com educação. O saldo Fundeb das cidades, ou seja, a diferença entre o valor que destinam ao Fundo e o que recebem, ficou positivo em R$ 44,84 bilhões. Já os recursos do FNDE participaram com 7,1% do gasto total com educação. As transferências voluntárias também tiveram uma expansão de 6,8%, em relação a 2017, com destaque para o aumento daquelas provenientes dos estados (15,1%), enquanto que as da União recuaram 8,1% no mesmo período. No entanto, o montante total das transferências voluntárias compôs apenas 1,6% do total da despesa com educação. Os municípios do Centro-Oeste foram os que experimentaram a maior variação, de 5,7%, seguidos pelos da Região Nordeste, com 4,6%. Próximas do desempenho da média nacional ficaram as cidades das regiões Sudeste (3,4%) e Norte (3,6%). Já as da Região Sul tiveram um aumento bem mais tímido, de 1,6%. Em termos absolutos, o crescimento dos gastos no campo educacional foi puxado pelo resultado do Sudeste e do Nordeste. Gasto por aluno O gasto médio por aluno matriculado na rede municipal cresceu 3,7% em 2018, passando de R$ 6.829,10, em 2017, para R$ 7.079,12. Esse desempenho se deu por conta do movimento de relativa estabilização no número de matrículas nas unidades de ensino geridas pelas prefeituras, cuja alta foi de apenas 1.388 estudantes em todo o país. Assim, o gasto por aluno refletiu a mesma performance da despesa com educação. Entretanto, apesar da elevação, o custo por matriculado ainda permanece ligeiramente inferior ao de 2015, de R$ 7.090,31, quando atingiu o maior patamar da série histórica. Os municípios das regiões Norte e Nordeste alcançaram as menores médias de gasto por aluno, de R$ 5.251,16 e R$ 5.388,66, respectivamente. Já o Centro-Oeste, o Sul e o Sudeste obtiveram uma média bem superior, de R$ 7.802,92, R$ 8.330,78 e R$ 8.908,32 por estudante, respectivamente.

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Sobre os trilhos da saudade

* Por Paulo Caldas Lembranças com cheiro de saudade se traduzem no conteúdo deste “Memórias afetivas Marias – a avó contou. A neta escreve”, de Fátima Brasileiro, texto temperado com pitadas de ficção e encantamentos, mas que se veste de firmeza nas críticas às mudanças que soterraram bens preciosos das épocas de então. O clima do livro, no entanto, é afável, entremeado por histórias singelas de fundo moral, aqui ali intertextualizadas com trechos de música e poesia. O decorrer dos capítulos é um filme cujas imagens se movem do futuro ao passado, momento em que a escritora aciona a carretilha da película e as cenas surgem no universo da leitura, giram tal as rodas das diligências dos antigos filmes de faroeste. A questão temporal caracterizada na crônica “A confissão”, que retrata a decisão de um antigo padre interiorano, para impor a penitência pelo pecado do falso testemunho, foi semelhante a do diretor John Patrick Shanley do filme Dúvida, em 2008. Essa história de histórias dos tempos de antanho tem narrativa aconchegante, qual o colo das avós, vividas sob o gentil sereno das noites sertanejas. Produzido pela Cepe Editora, o livro tem projeto gráfico assinado por Joselma Firmino e ilustração com fotos em preto e branco do acervo da autora. *Paulo Caldas é escritor

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