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forte das cinco pontas

7 fotos dos lugares da Revolução de 1817 antigamente

A Data Magna de Pernambuco, 6 de março, é uma homenagem à Revolução de 1817. A coluna Pernambuco Antigamente publica hoje uma série de fotos antigas de lugares onde aconteceram fatos importantes do movimento que separou temporariamente o Estado do Brasil. As imagens não são da época, mas do início ou meados do século 20, do acervo da Villa Digital e da Biblioteca do IBGE. A atual Praça da República, local onde está o Palácio do Governo, abrigava em 1817 o Erário Público, que foi tomado pelos revolucionários. Foi nesta praça também onde foram expostos os corpos dos líderes do movimento após a sua queda, como do padre João Ribeiro Pessoa. (Foto do Acervo Josebias Bandeira, Fundaj, datada de 1911) . O Forte das Cinco Pontas é o local onde foram presos 150 homens nos dias da Revolução. De acordo com informações no site do Museu da Cidade do Recife “No ano de 1817, o forte passou a abrigar a sede do quartel General Militar. Na revolução republicana de Pernambuco, 150 homens foram presos no forte e em 1825 ao lado do forte foi arcabuzado por ordem de D. Pedro I, imperador do Brasil, o frade carmelita Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, mártir e herói da Confederação do Equador”.  (Biblioteca do IBGE) . O Forte do Brum foi o local onde o então governador de Pernambuco, Caetano Pinto, se refugiou para resistir à Revolução de 1817. Sem condições de resistir, ele deixou o local e foi forçado a embarcar para o Rio de Janeiro. (Acervo da Biblioteca do IBGE, foto de 1957) . Na foto abaixo o Seminário e Igreja de Nossa Senhora da Graça, o Seminário de Olinda, que foi fundamental para formação dos ideiais da revolução. De acordo com Leonardo Dantas “Em todas as revoluções liberais, particularmente nas de 1817 e 1824, a voz do clero de Olinda se fez presente, como observa Oliveira Lima nos comentários ao livro do monsenhor Muniz Tavares: A revolução de 1817 pode quase dizer-se que foi uma revolução de padres, pelo menos constituíram o seu melhor elemento, o que mais provas deu de sinceridade, de isenção, e de devotamento, aqueles onde se recrutaram com poucas exceções, seus dirigentes”. (Imagem da Biblioteca do IBGE) . O nome da Praça Dezessete é uma homenagem à Revolução de 1817. No local estava o antigo Palácio do Governo em 1817, na época sob o comando de Caetano Pinto.  A Ponte Maurício de Nassau era a única travessia construída em 1817 que ligada o Bairro do Recife ao Bairro de São José. Houve uma tentativa de destruí-la na ocasião para isolar os revolucionários. A Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Praça da Jaqueira (Foto da Fundaj), foi o local onde se casou um dos líderes da revolução Domingos Afonso Ferreira com Maria Teodora, filha do comerciante Bento José da Costa. . Confira também um vídeo que a Algomais produziu na ocasião do Bicentenário da Revolução de 1817, sobre uma Caminhada Domingueira temática.   *Por Rafael Dantas é repórter da Algomais (rafael@algomais.com)

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Pernambuco: uma breve história do Leão do Norte

*Por José Ricardo de Souza A História de Pernambuco, que passou a ser disciplina obrigatória no currículo das escolas da rede estadual de ensino a partir deste ano, é rica em personagens, revoltas, movimentos libertários, e insurreições que até hoje são evocadas quando nos referimos ao estado como sendo o “Leão do Norte“. Os mais entusiastas dizem que o conceito de pátria brasileira foi forjado aqui, nas guerras travadas para expulsar os holandeses, com muito sangue e suor dos indígenas, lusos e escravizados que pegaram em armas contra um inimigo comum. Os pernambucanos nunca foram de baixar a guarda, nem de reconhecer a superioridade daqueles que queriam dominá-los. Nem internamente, como aconteceu na Guerra dos Mascates em 1710, nem externamente quando enfrentou o autoritarismo de D. João VI em 1817 e de seu filho D. Pedro I em 1824. Fomos de lutas épicas: expulsamos os holandeses em 26 de janeiro de 1654 quando eles assinaram a sua rendição no campo do Taborda, demos o primeiro grito de República nas Américas em 10 de novembro de 1710 no antigo Senado da Câmara de Olinda com Bernardo Vieira de Melo, durante a Guerra dos Mascates (feito lembrado por Oscar Brandão da Rocha no seguinte trecho do Hino de Pernambuco “a República é filha de Olinda“), embora esta república tenha sido muito mais inspirada nas repúblicas italianas do que no modelo republicano propriamente dito. A Revolução Pernambucana de 1817 foi um marco na História brasileira por ter sido a única revolta do período colonial que ultrapassou a fase de conspiração e conseguiu de fato tomar o poder durante 75 dias (alguns historiadores falam em 74 dias), sendo inclusive a data magna do Estado – 6 de março, porque nesta data o capitão José de Barros Lima, que ficou conhecido como o “leão coroado”, reagiu a voz de prisão dada pelo militar português Manoel Joaquim Barbosa, matando-o a golpes de espada, o que acabou se tornando o estopim para a revolta. Esta espada encontra-se atualmente na sede do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano (IAHGP), que fica na Rua do Hospício, centro do Recife. Não escondemos que uma das causas do fracasso do movimento foi a contradição entre libertar os escravos ou manter a estrutura escravista que sustentava os engenhos, o qual fez com que os grandes senhores de engenho retirassem seu apoio à causa revolucionária. Isso sempre será lembrado nas comemorações anuais da Revolução Pernambucana de 1817, cuja bandeira elaborada pelo padre João Ribeiro, até hoje empunhamos com orgulho. Não por acaso, foi escolhida como a bandeira mais bonita do Brasil em algumas votações. Quanto aos mortos de 1817, existem várias estatísticas, e os que morreram foram em sua maioria vítimas da repressão do governo joanino instalado no Rio de Janeiro, que prendeu, condenou e executou personagens memoráveis como: Domingos José Martins (noivo de Maria Teodora Costa, eternizados no romance histórico “A Noiva da Revolução” do escritor Paulo Santos de Oliveira, depois transformado no filme “1817 – A Revolução Esquecida” dirigido por Tizuka Yamazaki), Frei Miguelinho, padre Roma. Foi a primeira vez que se condenaram padres no Brasil, daí esta revolta também ser chamada de Revolução dos Padres. A repressão joanina mandou Frei Caneca para os cárceres baianos, e profanou o corpo do padre João Ribeiro, arrastado de Paulista a Recife, mesmo depois de sepultado na capela do Engenho Paulista. Seu crânio hoje descansa desde 29 de outubro de 2001 numa lápide na Igreja de Santa Isabel, logo na entrada do templo religioso, após passar décadas nas dependências do Instituto Arqueológico, Histórico, Geográfico Pernambucano. Onze meses antes do “Grito do Ipiranga” antecipamos a emancipação política quando Gervásio Pires e Francisco de Paula Cavalcanti assinaram em 5 de outubro de 1821 a Convenção de Beberibe, acordo que reconheceu a autonomia da Junta Governativa eleita em outubro de 1821, formada por brasileiros, que governou Pernambuco de 26 de outubro de 1821 até setembro de 1822. Durante o período imperial, nos levantamos contra o autoritarismo de D. Pedro I na gloriosa Confederação do Equador de 1824, liderada por ninguém menos que Joaquim do Amor Divino Caneca, Frei Caneca, que dizia “quem bebe de minha caneca, tem sede de liberdade“, um dos poucos personagens históricos brasileiros que nenhum carrasco quis executar, sendo morto por arcabuzeamento (naquela época não podemos falar em fuzilamento, uma vez que os fuzis ainda não haviam sido inventados) em vez de enforcamento. Perdermos a Comarca da Bahia em 1824 como castigo (assim como perdemos Alagoas em 1817), mas quem disse que nos acovardamos? Em 1848 os liberais pernambucanos, do Diário Novo, que ficava na rua da Praia lançaram um manifesto ao mundo, cujas pautas lançadas há mais de 150 anos permanecem pertinentes e atuais. A Revolução Praieira até hoje ecoa nos versos de Chico Science quando nas ladeiras históricas de Olinda a multidão em dias carnavalescos canta a plenos pulmões “A Praieira“. E não parou por aí. Tivemos a Revolta Sebastianista do Rodeador (1820), a Pedrosada (1823), a Guerra dos Cabanos (1832), a Revolta da Pedra do Reino (1825), o Ronca da Abelha (1851), o Cangaço (final do século XIX e começo do século XX), as Ligas Camponesas (década de 60 do século XX), etc. Quem tem Frei Caneca, André Vital de Negreiros, Henrique Dias, Felipe Camarão, Clara Camarão, Anna Paes, Branca Dias, Bernardo Vieira de Melo, Padre Roma, Frei Miguelinho, Padre João Ribeiro, José de Barros Lima (Leão Coroado), Antônio Gonçalves Cruz (Cabugá), Gervásio Pires Ferreira, Malunguinho, Lampião, Francisco Julião, e as heroínas de Tejucupapo não flerta com o despotismo, com o fascismo e muito menos com regimes de exceção. Não é por acaso que Pernambuco até hoje é conhecido como o “Leão do Norte“. Somos guerreiros por natureza, rebeldes por ideal, e libertários por essência! *José Ricardo de Souza é historiador, professor da rede pública estadual de ensino e escritor. Sócio honorário do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP) e membro da Academia de Letras e Artes da Cidade do Paulista (ALAP).

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Francisco Alexandre sudene

Sudene intensifica articulação para retomada da Transnordestina em Pernambuco

Obras devem avançar com licitação dos lotes até o fim de 2026 e regularização ambiental dos trechos A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) intensificou a articulação institucional para garantir a continuidade do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina. Em reunião com gestores da Infra S.A., estatal vinculada ao Ministério dos Transportes e responsável pela obra, ficou definido que os lotes previstos para Pernambuco serão licitados até o fim de 2026, reafirmando o compromisso do Governo do Brasil com um dos principais corredores logísticos do Nordeste. Alinhamento entre órgãos federais O encontro reuniu o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, e o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Ludolfo, e teve como foco assegurar o cumprimento do cronograma e a retomada das frentes de obra no estado. “A Sudene está acompanhando de forma permanente o andamento da execução da obra da ferrovia em Pernambuco, atuando como instância de articulação entre os órgãos federais e reforçando o compromisso do Governo do Brasil com a retomada e a conclusão desse empreendimento estruturante para o desenvolvimento regional”, destacou Francisco Alexandre. Publicações no Diário Oficial indicam avanço Nos últimos dias, duas publicações no Diário Oficial da União apontaram progressos no trecho Salgueiro–Suape. Entre elas, o aviso de licitação para contratar empresa de consultoria técnica especializada responsável pela supervisão e apoio à fiscalização das obras do Lote SPS 04, entre Custódia e Arcoverde, além da elaboração do Projeto de Recuperação e Manutenção Ferroviária e da supervisão dos Lotes SPS 01, SPS 02 e SPS 03, que vão de Salgueiro a Custódia. Licença ambiental e próximos passos Outro comunicado confirmou a conclusão da transferência da Licença de Instalação ambiental do trecho SPS, antes sob responsabilidade da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), para a Infra S.A. A expectativa é que o edital do primeiro trecho a ser retomado, entre Custódia e Arcoverde, com 73 quilômetros de extensão, seja publicado no início de março. Crédito do FNE impulsiona emprego e reduz inadimplência no Nordeste, aponta estudo da Sudene Empresas que receberam financiamento do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) passaram a empregar, em média, 5,6% mais do que companhias semelhantes sem acesso ao crédito, segundo avaliação divulgada pela Sudene. O levantamento também identificou queda expressiva da inadimplência da carteira do Fundo, que recuou de 3,3% em 2013 para patamares entre 1,7% e 1,9% em 2020 e 2021, indicando maior sustentabilidade financeira do instrumento. A pesquisa analisou dados de 2000 a 2021 e reforça o papel do FNE como principal política de crédito voltada ao fortalecimento dos pequenos negócios e ao desenvolvimento regional. Sudene e Fiepe alinham pauta estratégica para infraestrutura e desenvolvimento industrial no Nordeste A Sudene intensificou o diálogo institucional com a Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) para discutir temas considerados centrais à competitividade regional, como infraestrutura, reforma tributária e instrumentos de incentivo ao setor produtivo. Em encontro realizado no Recife, as entidades trataram especialmente da retomada do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, apontada como obra estruturante para a integração logística e o fortalecimento da indústria. Também foram avaliados os possíveis efeitos da nova legislação tributária sobre os incentivos fiscais e os mecanismos de desenvolvimento regional, em uma agenda voltada ao planejamento de longo prazo para Pernambuco e o Nordeste.

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Suape 2026

Suape cresce 38,6% em janeiro de 2026 e amplia liderança logística no Nordeste

Alta na movimentação de cargas, avanço nas atracações e desempenho em granéis líquidos e contêineres reforçam o protagonismo do complexo industrial portuário pernambucano entre os portos públicos do país. Crescimento na movimentação e nas atracações O Porto de Suape iniciou 2026 com crescimento geral de 38,6% na movimentação de cargas em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foram contabilizadas 2.193.515 toneladas no período, confirmando o aquecimento das operações logo no primeiro mês do ano. O número de atracações também apresentou avanço expressivo, com 135 navios, alta de 26,2% em relação a janeiro de 2025, indicador associado ao aumento da demanda e da confiança do mercado no hub logístico do Nordeste. Liderança em granéis líquidos e vocação energética Líder nacional na operação de granéis líquidos entre os portos públicos, Suape registrou crescimento de 57,7% nesse segmento. O volume de petróleo e derivados alcançou 1.403.501 toneladas, o equivalente a 64% de toda a carga movimentada em janeiro. “Começamos 2026 com um crescimento robusto e consistente em todos os segmentos. O aumento de quase 40% na movimentação total demonstra a confiança do mercado, a eficiência das nossas operações e o acerto das estratégias voltadas à expansão e diversificação das atividades portuárias”, destacou Armando Monteiro Bisneto. Desempenho dos contêineres e da cabotagem As operações de contêineres mantiveram trajetória ascendente, com crescimento de 4% em janeiro. O Tecon Suape movimentou 54.883 TEUs (unidade equivalente a 20 pés). No acumulado de 2025, o avanço foi de 7,54%, consolidando a liderança do porto na cabotagem entre os portos públicos brasileiros. Diversificação de cargas e projeções para 2026 A diversificação do sexto porto público mais movimentado do Brasil também se confirmou com a expansão das operações de granéis sólidos, que cresceram 65,4%, e de carga geral solta, com alta de 46%, incluindo produtos como bobinas de aço, equipamentos eólicos, açúcar ensacado e vergalhões. “Os indicadores de janeiro reforçam a solidez e a competitividade de Suape. Crescemos em volume, ampliamos a diversidade de cargas e mantivemos a liderança em segmentos estratégicos. Esse desempenho nos projeta para um 2026 ainda mais promissor”, ressaltou José Constantino.

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Projeto educacional em Ipojuca prevê distribuição de 26 mil livros e formação de 892 educadores

Iniciativa do Instituto Brasil Solidário terá duração de três anos e inclui ações em leitura, educação ambiental e educação financeira na rede municipal O Instituto Brasil Solidário (IBS) realiza, nos dias 23 e 24 de fevereiro, uma nova etapa do projeto educacional desenvolvido em Ipojuca. A iniciativa integra um programa de três anos em parceria com a rede municipal de ensino e prevê, ao longo desse período, a distribuição de mais de 26 mil livros para todas as escolas do município, além de ações estruturadas voltadas à leitura, educação ambiental e educação financeira. Nesta fase, cerca de 150 educadores participam de formações e atividades práticas nas unidades escolares. A etapa dá continuidade ao trabalho iniciado em novembro de 2025, quando aproximadamente 7 mil livros foram entregues às bibliotecas das escolas municipais e foram realizadas visitas técnicas para orientação sobre o uso do acervo literário. Atualmente, a rede municipal de Ipojuca atende mais de 15 mil alunos e conta com 892 educadores. A programação inclui encontros formativos sobre rotina literária, mediação de leitura, educação financeira por meio de jogos pedagógicos e educação ambiental aplicada ao cotidiano escolar. No primeiro dia, estão previstas apresentação institucional do IBS, palestra sobre criação de ambientes alfabetizadores e atividades práticas na Escola Municipal Ministro Jarbas Passarinho, como a implantação do Programa LEVE — Local de Entrega Voluntária Escolar —, além de ações com jogos educativos e acompanhamento do uso da biblioteca. No segundo dia, as atividades presenciais ocorrem na Escola Municipal Aderbal Jurema, com implantação do LEVE, vivências pedagógicas e acompanhamento técnico. À tarde, os educadores participam de apresentações sobre o uso de jogos de educação financeira em sala de aula e de palestra voltada à educação ambiental, com foco no papel da escola na construção de práticas sustentáveis e no engajamento da comunidade. Ao longo dos três anos de atuação em Ipojuca, o projeto prevê a ampliação de espaços de leitura, distribuição de acervos literários, entrega de kits pedagógicos de educação ambiental, jogos educativos de educação financeira e sustentabilidade, materiais formativos para educadores, além de ações de educomunicação e incentivo ao protagonismo estudantil. Com 25 anos de atuação, o Instituto Brasil Solidário desenvolve projetos educacionais em redes públicas de ensino em todo o Brasil, com foco na formação continuada e no fortalecimento das práticas pedagógicas. Serviço:Projeto educacional do Instituto Brasil Solidário em IpojucaData: 23 e 24 de fevereiroLocal: Escolas Municipais Ministro Jarbas Passarinho e Aderbal JuremaMais informações: www.brasilsolidario.org.br

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Manifesto Regionalista

100 anos do Congresso Regionalista de 1926 e a formação de um pensamento sobre o Nordeste

O movimento, que resultou no Manifesto Regionalista e no evento, que aconteceu na Faculdade de Direito do Recife, valoriza as raízes nordestinas e defende o desenvolvimento do País a partir do fortalecimento da sua articulação regional. Seus ideais repercutem até hoje nas artes e na política econômica. *Por Rafael Dantas H á 100 anos acontecia no Recife o Congresso Regionalista do Nordeste. Organizado por Gilberto Freyre, esse encontro de intelectuais, que aconteceu na Faculdade de Direito do Recife, faz um contraponto a muitos ideais do modernismo brasileiro que bebiam de “estrangeirismos” e menosprezam as raízes culturais. A obra que nasce desse evento, o Manifesto Regionalista, valoriza as nossas tradições na culinária, na arquitetura, nas artes e defendia o desenvolvimento do País a partir do fortalecimento da sua articulação regional. Reflexões e provocações que ecoam ainda hoje no Brasil. O movimento regionalista, segundo o historiador e professor da UFPE, George Cabral, é uma contraposição ao que emergiu na Semana de Arte Moderna, em 1922, realizada em São Paulo. “Ele vai afirmar, sobretudo, os valores historicamente construídos em nossa região em contraposição àquilo que os nossos pensadores consideravam como estrangeirismos, como imposições de modismos que nada tinham a ver com a nossa tradição histórica. Esse movimento propõe que o Brasil se voltasse às suas raízes históricas, buscando aquilo que havia de positivo nelas para a sobrevivência e para a elaboração de uma civilização nos trópicos”. Em outras palavras, era um posicionamento firme para renegar tudo o que havia de imposições europeias sobre a cultura local que nada tinham a ver com um país tropical. Não é por acaso, por exemplo, que há no livro – publicado anos após o Congresso – uma valorização radical da cultura alimentar e, mesmo, da nossa arquitetura. Freyre critica o fato de os tradicionais cafés da cidade não incluírem em seus cardápios os pratos típicos da região, que corriam o risco de desaparecer, caso não fossem reconhecidos e preservados. “Gilberto Freyre e as pessoas que participaram no movi – mento procuravam valorizar esses elementos que estavam sendo sistematicamente des – valorizados, com o argumen – to de que eram coisas arcaicas e que deviam ser substituídas por tendências europeias”, explica George Cabral. O Mestre de Apipucos destacava nesse livro que o Brasil já era uma combinação, uma mistura, especialmente o Nordeste. No congresso de 1926, ele já defendia que a região era a principal “bacia” em que estavam combinadas as misturas de sangue e de valores portugueses, indígenas, espanhóis, franceses, africanos, holandeses, judeus, ingleses, alemães e italianos. UMA REUNIÃO DE INTELECTUAIS Apesar de Gilberto Freyre ser uma figura central desse movimento, vários são os intelectuais do Nordeste que o integram. O artista plástico José Américo de Almeida e o escritor José Lins do Rego são apontados como alguns dos colaboradores paraibanos. O jurista, diplomata e escritor Pontes de Miranda é um representante alagoano desse movimento. O escritor e historiador Câmara Cascudo é um dos integrantes do Rio Grande do Norte. A maioria dos nomes listados, no entanto, são mesmo de Pernambuco. Alguns dos principais escritores e artistas locais foram Cícero Dias, Luís Jardim, Barbosa Lima Sobrinho. Manuel Bandeira foi citado como um poeta solidário ao movimento. No Congresso, é criado também o Centro Regionalista do Nordeste que teve como presidente o advogado, escritor e professor Odilon Nestor, anfitrião das reuniões. A Província foi o jornal em que se prolongou o regionalismo proposto pelo congresso, que recebia as contribuições de vários desses intelectuais. O próprio Diario de Pernambuco foi também o veículo onde foi publicado parte do manifesto. Gilberto Freyre chega a afirmar que o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisa Social, que daria origem anos após à Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco), é “de algum modo, filho ou neto do Movimento Regionalista”. Apesar de ser uma articulação de intelectuais e do enraizamento desses debates em publicações e na criação de instituições, segundo o relato do sociólogo, no prefácio da edição de 1955 do Manifesto Regionalista, o encontro tinha um “tom de conversa”, “inacadêmico” e acompanhado de sequilhos e doces regionais, preparados por “mãos de sinhás”. Curioso notar, em tempos que falamos tanto hoje em polarização, que o Manifesto Regionalista incluiu na mesma discussão pessoas de pensamentos muito diversos. Gilberto Freyre cita que participaram “homens politicamente de ‘esquerda’ como Alfredo Morais Coutinho’ e da extrema ‘direita’ como Carlos Lyra Filho”. Apesar desse tom, o historiador e professor da UPE Johnnys Alencar lembra que o movimento recebeu críticas ao ser considerado um projeto político disfarçado. “Apesar de dizer que era um grupo ‘apolítico’, o Manifesto propunha alterações na forma de organização do País, trocando os estados por regiões culturais. Para muitos, isso soava como um desejo de voltar a um passado político e social que já não existia mais, ignorando as transformações que estavam em curso no Brasil. Por isso, o movimento foi acusado de ser uma reação contra o progresso e as novas realidades urbanas”. Independente das críticas que recebeu, como o próprio Freyre recebe muitas atualmente, há de se ressaltar o pioneirismo de tantas discussões e a forma como essas ideias foram concebidas. O escritor e jornalista Mário Hélio, inclusive, ressalta que o livro é fruto do movimento e do congresso e não o contrário. Ou seja,foram as discussões que nasceram nessa confluência de reflexões dos intelectuais que gerou o registro que temos hoje. “O Manifesto Regionalista é um produto editorial de 1952, publicado inclusive por uma editora chamada Região, cujo nome por si só mostra sua “filiação” a uma “genealogia”, que se prolonga ainda no Movimento Armorial e no Mangue Beat. As ideias centrais do Manifesto, que é um desdobramento do Congresso, não o contrário, são estas: a ação dos poderes públicos e particulares para enfrentar os problemas econômicos e sociais do Nordeste, onde se incluem a habitação, as estradas, o turismo, a valorização das belezas naturais e, nestas, por sua vez, estão reflexões sobre o meio ambiente, que implica em legislação e educação”. O NORDESTE FORMULADO NO MANIFESTO REGIONALISTA George Cabral ressalta que os estados da

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Safra 2026 em Pernambuco deve crescer mais de 50%, projeta IBGE

Produção agrícola no estado pode saltar de 71,8 mil para 109,3 mil toneladas, acompanhando expansão prevista para o Nordeste A produção agrícola de Pernambuco deverá registrar forte expansão em 2026, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste (BNB), a safra no estado deve passar de 71.836 toneladas em 2025 para 109.316 toneladas em 2026, um aumento de 37.480 toneladas, o que representa crescimento de 52,2%. Pernambuco no contexto regional O desempenho pernambucano acompanha a tendência de crescimento projetada para o Nordeste, cuja produção de grãos deverá alcançar 28,3 milhões de toneladas em 2026, avanço de 2,2% em relação à safra anterior. O estudo aponta que o resultado regional será impulsionado principalmente por estados como Piauí, Ceará e Paraíba, mas a projeção para Pernambuco indica recuperação significativa da produção agrícola estadual no próximo ciclo. Fatores que explicam a expansão Segundo análise do Etene, o avanço da safra está associado à ampliação da área plantada, à expectativa de condições climáticas favoráveis e ao processo contínuo de modernização tecnológica no campo. De acordo com a analista Hellen Cristina Rodrigues Saraiva Leão, “O agronegócio é o grande motor dessa expansão, sendo responsável por cerca de 94% da produção do estado. O crescimento é sustentado tanto pela ampliação da área plantada quanto pela expectativa de condições climáticas favoráveis”. Cenário nacional contrasta com avanço local Enquanto Pernambuco e parte do Nordeste projetam crescimento da produção agrícola, o cenário nacional é de retração. Para o Brasil, o IBGE estima colheita de 339,9 milhões de toneladas de grãos em 2026, o que representa queda de 1,8% em relação à safra de 2025, indicando que o desempenho estadual ocorre em um contexto menos favorável no plano nacional.

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Johnnys Alencar UPE

Manifesto Regionalista de 1926: “A autenticidade brasileira foi buscada no passado rural do Nordeste”

Para o professor Johnnys Alencar (UPE), o Manifesto Regionalista de 1926 ajudou a consolidar uma visão conservadora da identidade nordestina, que ainda influencia a forma como a região é percebida no Brasil. O Manifesto Regionalista, fruto do Congresso Regionalista do Nordeste que aconteceu em 1926, marcou profundamente a maneira como o Nordeste passou a ser interpretado no imaginário cultural brasileiro. Ao exaltar o passado colonial e rural da região como fonte da verdadeira identidade nacional, o documento propôs uma leitura crítica do modernismo do Sudeste e defendeu valores associados à tradição açucareira, à arquitetura, à culinária e às formas de vida herdadas do período colonial. Para o professor e pesquisador Johnnys Alencar, da Universidade de Pernambuco (UPE), no Campus Petrolina, essa proposta não foi neutra. Segundo ele, o movimento construiu uma visão saudosista que silenciou conflitos históricos, como a escravidão, e contribuiu para fixar a imagem do Nordeste como espaço da tradição — muitas vezes associada à ideia de atraso. Nesta entrevista à Revista Algomais, o docente analisa as críticas ao Manifesto em seu tempo e explica por que seus dilemas sobre identidade, autenticidade e globalização continuam atuais. O que o senhor considera como mensagem central do Manifesto Regionalista de 1926? Para destacar uma ideia central do Manifesto Regionalista eu tenho como ponto de partida a noção presente no documento de que a verdadeira e mais autêntica identidade nacional não está nas novidades modernas, mas sim no passado rural e colonial do Nordeste açucareiro. Gilberto Freyre colocou dois mundos em conflito. De um lado, o Nordeste tradicional e os seus engenhos, sua arquitetura adaptada ao calor, sua culinária e suas ruas estreitas. Do outro lado, estaria o modernismo do Sudeste, sobretudo São Paulo e Rio de Janeiro, visto como uma importação estrangeira que despreza as raízes. É crucial entender, portanto, que esse elogio ao Nordeste como a região onde reside a autêntica identidade brasileira não era neutro, pois, o Manifesto faz uma leitura conservadora e saudosista do passado que eleva a cultura dos senhores de engenho como modelo, mas que silencia os conflitos e a violência daquele sistema, como a escravidão. Na verdade, defender essa tradição colonial era uma reação de intelectuais em torno desse movimento que viam o poder econômico e político do Nordeste patriarcal entrar em decadência diante da ascensão do Sudeste industrial. E essa visão tem uma influência profunda e duradoura na forma como lemos o Nordeste até hoje. Como ele influencia a nossa leitura atual do Nordeste? O manifesto ajudou a cristalizar a imagem do Nordeste como o lugar da tradição por excelência no Brasil. É a região vista como a mais autêntica, a que guarda a verdadeira cultura nacional. Isso gerou um repertório de símbolos poderosos (a comida, a música, a religiosidade) que são usados tanto como forma para evocar orgulho quanto de forma estereotipada para atacar a região. Assim, essa associação forte entre Nordeste e tradição colonial acabou por vincular a região, num imaginário nacional, a uma ideia de atraso. Se a autenticidade está toda no passado rural, o Nordeste passa a ser visto, muitas vezes, como um espaço parado no tempo, resistente à modernidade, em contraste com um Sul dinâmico e moderno. Quais as críticas que esse movimento enfrentou em sua época? O Movimento foi criticado em várias frentes. Talvez a crítica que mais se sobressaia diga respeito a como este foi visto como um projeto conservador e saudosista. No período, muitos entenderam que o manifesto não era só sobre cultura, mas sim uma tentativa de resgatar o poder e o prestígio de uma elite nordestina que estava perdendo espaço para a economia industrial do Sudeste. Os críticos ao Movimento também estruturaram suas críticas em uma contradição no argumento central dos regionalistas. Estes destacavam que o principal argumento do movimento, ao atacar o modernismo paulista, se dava pela acusação de este ser uma cópia de modas estrangeiras, no entanto, identificavam que a tradição defendida pelo movimento, a exemplo das casas-grandes, da religião e da organização social, também vinha de fora, era herança direta da colonização portuguesa. Então, inspirados nesses críticos até podemos pensar qual era de fato a autenticidade defendida? Por fim, havia críticas ao seu projeto político disfarçado. Pois, apesar de dizer que era um grupo “apolítico”, o Manifesto propunha alterações na forma organização do país, trocando os estados por regiões culturais. Para muitos, isso soava como um desejo de voltar a um passado político e social que já não existia mais, ignorando as transformações que estavam em curso no Brasil. Por isso, o movimento foi acusado de ser uma reação contra o progresso e as novas realidades urbanas. Que discussões propostas por esse movimento permanecem contemporâneas? Essa é uma pergunta muito necessária, pois, por mais que o Movimento tivesse uma postura conservadora e um projeto específico, nos colocou em contato com uma discussão que é bastante atual ainda hoje, o dilema entre autenticidade e globalização, pois ainda hoje nos perguntamos: Como se conectar com o mundo sem perder a própria identidade? Embora não tenhamos uma resposta consensual para essa pergunta elaboramos posturas e formas de ver essa relação quando discutimos a homogeneização cultural global tensionada pelas relações capitalistas e a luta pela valorização das produções locais, das línguas, dos saberes tradicionais. Outra provocação evocada pelo Movimento que ainda permanece contemporânea diz respeito a tentativa de elaborar uma compreensão que seja capaz de nos responder o que une um país como o Brasil já que neste território reside tanta diversidade? O Movimento e o Manifesto também não encerram essa questão, e mesmo com seu foco no Nordeste, nos coloca para pensar ainda hoje, como podemos compreender o Brasil a partir de suas diversidades regionais. Para entender melhor como esse movimento ajudou a moldar a ideia de Nordeste e influenciou debates que atravessam o presente, leia também a reportagem especial “100 anos do Congresso Regionalista de 1926 e a formação de um pensamento sobre o Nordeste”, da Revista Algomais, assinada pelo repórter Rafael Dantas, que aprofunda esse percurso histórico e suas reverberações

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A porta para a Europa está aberta: o que o acordo Mercosul–UE muda para Pernambuco

Com novas oportunidades para o agronegócio, a indústria e a atração de investimentos, o Estado ganha acesso a um mercado de 450 milhões de consumidores, mas enfrenta o desafio de se preparar para competir com os europeus. *Por Rafael Dantas A porta está aberta. Com a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, Pernambuco passa a ter acesso facilitado a um dos maiores mercados consumidores do mundo, em um momento em que o multilateralismo global é posto à prova. Do outro lado, há oportunidades, investimentos e novos parceiros. Mas atravessar essa porta não será simples. Nem todos estão prontos. Além disso, a chegada de concorrentes do Velho Mundo tende a redesenhar o jogo econômico nos próximos anos. A exemplo do que se projeta no cenário nacional, o agronegócio tende a ser um dos grandes beneficiados pelo acordo. Em Pernambuco, o polo de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco desponta como destaque. Fora do campo, o Estado também vislumbra um avanço mais qualificado em setores de maior valor agregado, como a indústria de alimentos processados e bebidas, bem como a produção petroquímica, de plásticos e resinas de Suape. Soma-se a isso o potencial de atração de investimentos europeus em energia renovável, indústria verde e infraestrutura, apontados por especialistas como vetores estratégicos de crescimento de longo prazo. “A assinatura do Acordo Mercosul–União Europeia tende a trazer impactos positivos e relevantes para o crescimento econômico do Estado de Pernambuco, especialmente quando analisada à luz do comércio exterior e da economia internacional. Em primeira instância, destaca-se a ampliação do acesso ao mercado europeu, um bloco que reúne mais de 450 milhões de consumidores e responde por cerca de 15% do PIB mundial”, destacou o economista Demorval dos Santos. Os dados são da Eurostat, o Serviço de Estatísticas da União Europeia. O economista aponta que diante da redução ou eliminação de tarifas, nossos produtos de maior vantagem competitiva são açúcar, frutas tropicais (uva, manga), sucos e derivados do agronegócio. Esses ganham ainda mais competitividade. “Além dos produtos da agricultura, Pernambuco tem sido destaque na exportação de combustíveis minerais, lubrificantes, máquinas e equipamentos de transporte, produtos químicos e animais vivos. Atualmente, a União Europeia já figura entre os principais destinos das exportações pernambucanas, e o acordo tende a ampliar esse fluxo, reduzindo custos e barreiras comerciais”. EXPECTATIVAS DO CAMPO No Vale do São Francisco, principal vitrine do agronegócio pernambucano no mercado internacional, as expectativas são positivas. José Gualberto, presidente da Valexport, destaca que algumas frutas da região já têm forte inserção externa, especialmente a uva. No caso da manga, a vantagem competitiva já existe. “A manga já não paga nada para entrar na Europa. Somos o maior exportador de manga do mundo para a Europa”, afirma. Segundo ele, a expectativa é de expansão dos volumes, acompanhando a tendência mundial de aumento do consumo de frutas. A uva, por sua vez, aparece como o produto que mais deve sentir os efeitos diretos do acordo. Hoje, explica Gualberto, a tributação varia conforme a época do ano, entre 8% e 12%, o que pesa sobre a rentabilidade do setor. “A uva é muito importante no São Francisco. Aí teremos um ganho grande”, afirmou o empresário, ao apontar que a eliminação dessas tarifas representa uma diferença expressiva para a eficiência e a remuneração da cadeia produtiva. Ele ressalta, no entanto, que essa abertura não será exclusiva do Brasil, já que outros países também terão acesso facilitado ao mercado europeu. Para Gualberto, mais do que ampliar mercados, a inserção internacional impõe um padrão mais elevado de produção. “A vantagem de ter inserção em mercados internacionais é que obriga a melhorar qualidade, eficiência, produtividade e a cadeia produtiva de forma geral”. Esse processo envolve certificações e compromissos sociais, ambientais e trabalhistas. O principal gargalo, segundo ele, está no crédito: a fruticultura irrigada exige investimentos altos e de maturação longa. “Precisamos crescer, aumentar áreas, para aproveitar esse acordo, mas hoje não temos linhas de crédito adequadas”, diz, destacando que juros elevados e a falta de políticas específicas limitam a expansão da produção. OPORTUNIDADES E AMEAÇAS NA INDÚSTRIA Se no campo o acordo tende a abrir novos mercados, na indústria o movimento funciona mais como um limiar a ser atravessado. Para Maurício Laranjeira, gerente de Política Industrial da Fiepe, o tratado entre Mercosul e União Europeia não representa um ponto de chegada mas o início de um percurso. “O acordo não é um evento; é um processo”, adverte. Do lado industrial, os ganhos devem se concentrar nos segmentos que já chegam a essa porta com maior preparo competitivo, capacidade de inovação e inserção em cadeias globais. Pernambuco possui ativos relevantes para tentar essa travessia. Além dos setores já mencionados,  alimentos e bebidas processados, química e petroquímica, há grandes oportunidades para o Complexo de Suape e para as atividades ligadas à transição energética e à indústria verde. Ainda assim, Laranjeira ressalta que o tratado apenas destrava o acesso formal. “O acordo cria a porta. Atravessar ou não vai depender muito da preparação e da coordenação regional”, observa. O economista Demorval dos Santos avalia que o acordo fortalece o papel do Complexo Industrial Portuário de Suape como ativo estratégico. “Em 2025, por exemplo, o porto movimentou mais de 23 milhões de toneladas, com crescimento consistente no comércio exterior. A intensificação das relações comerciais com a Europa tende a consolidar Suape como hub logístico internacional, atraindo novas rotas marítimas, operadores logísticos e empresas exportadoras”. O acordo também amplia o potencial de atração de investimentos estrangeiros diretos vindos da União Europeia, segundo o economista. Ao reduzir incertezas e oferecer maior previsibilidade regulatória, Pernambuco passa a se posicionar como uma plataforma estratégica para empresas europeias interessadas em acessar o mercado brasileiro e sul-americano. A tendência é de maior interesse em setores como indústria, energia, química, farmacêutica e infraestrutura logística, nos quais escala produtiva, localização e integração regional são fatores decisivos. Para parte do parque industrial, porém, a abertura da porta também expõe fragilidades. Segmentos menos internacionalizados e com menor valor agregado devem sentir primeiro

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Recife e seus cinemas de rua: imagens de uma cidade que aprendeu a sonhar na tela grande

No embalo da indicação de O Agente Secreto ao Oscar 2026, seleção de fotos resgata salas históricas do Recife e relembra uma tradição cultural espalhada por toda a cidade No embalo da indicação de O Agente Secreto ao Oscar 2026, a coluna Pernambuco Antigamente propõe uma viagem visual e afetiva pelos cinemas de rua que marcaram a história do Recife. Muito antes do consumo doméstico de filmes em telas individuais, eram essas salas espalhadas pela cidade, nos bairros e, sobretudo, no Centro, que concentravam o encontro do público com as novidades da sétima arte e ajudavam a moldar a vida cultural urbana. O Recife chegou a ter dezenas de cinemas distribuídos por diferentes regiões. Bairros como Casa Amarela, com o Cine Rivoli, e a Torre, com sua própria sala, conviviam com uma forte concentração de cinemas no Centro da cidade, que reunia o maior número desses espaços. Segundo Lúcia Gaspar, da Fundação Joaquim Nabuco, o primeiro cinema do Recife foi o Pathé, inaugurado em 1909, na Rua Nova. Meses depois, surgiu o Royal, na mesma via, que funcionou até 1954. O Teatro Santa Isabel também chegou a operar como cinema, em 1913. Antes da inauguração do mais emblemático cinema da capital, diversas outras salas já haviam deixado sua marca na paisagem urbana, como o Moderno, o Glória e o Ideal. O São Luiz, símbolo maior dessa tradição, só viria na década de 1950. Como registra Lúcia Gaspar no artigo Cinemas Antigos do Recife, “O cinema São Luiz, pertencente ao grupo de Luiz Severiano Ribeiro, foi inaugurado no térreo do Edficio Duarte Coelho, no dia 7 de setembro de 1952, com modernas e luxuosas instalações”. Hoje, mesmo com o fechamento de muitas dessas salas, o Recife ainda preserva uma herança significativa dos cinemas de rua. Essa resistência se expressa tanto na permanência do Cine São Luiz — espaço de forte valor simbólico e estético, inclusive na obra de Kleber Mendonça Filho — quanto nas salas mantidas pela Fundação Joaquim Nabuco e algumas poucas salas no interior, que continuam reafirmando a importância da experiência coletiva do cinema. As imagens reunidas a seguir ajudam a reconstituir essa memória e a dimensão cultural que essas salas tiveram na formação da cidade.. Clique nas imagens para ampliar.. Cine Rivoli, em Casa Amarela, na década de 1980 (Página Recife Antigamente) Cinema da Torre Cinema São Luiz Cine Teatro do Parque (Foto: Antônio Tenório/Museu da Cidade do Recife) .Cine Art Palácio (Foto: Gustavo Maia/página do Facebook Prédios do Recife) Cine Trianon  (frame do vídeo e livro Cinemas de Rua do Recife – Ontem e Hoje, de Lucas Rigaud, com a pesquisa da arquiteta Kate Saraiva) Cinema Veneza Foto: Kleber Mendonça Filho, 1991 Cine Albatroz (Imagem recuperada com o ChatGPT) Agora, é hora de torcer pelo Oscar. E, se estiver pelo Recife, vale aproveitar a ocasião para passar pelo Cine São Luiz ,não apenas para assistir a um filme, mas para vivenciar um espaço que segue projetando, na tela e na cidade, a memória viva do cinema. *Por Rafael Dantas, repórter da Revista Algomais (rafael@algomais.com)

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