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Arquivos Pernambuco - Revista Algomais - A Revista De Pernambuco

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Pernambuco lidera exportação de frutas no Brasil e mira consolidação como hub logístico do agro

Com mais de 51% das exportações de manga, Estado fortalece estratégia para ampliar presença internacional e atrair investimentos no setor Protagonismo na fruticultura brasileira Pernambuco chega à Fruit Attraction São Paulo 2026 consolidado como referência nacional na exportação de frutas. Em 2025, o Estado respondeu por 51,49% das exportações brasileiras de manga, com 291 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 335,1 milhões. No caso da uva, o Vale do São Francisco concentra 98% das exportações do país, reforçando o peso regional na balança comercial do agronegócio. Impacto econômico e geração de empregos A fruticultura se firma como um dos principais motores da economia pernambucana, com um PIB agropecuário de R$ 11,9 bilhões e geração de 70 a 80 mil empregos. O setor tem papel estratégico sobretudo no Semiárido, onde a produção irrigada impulsiona renda, emprego e desenvolvimento regional, além de ampliar a inserção internacional do Estado. Estratégia logística e Pacto pelo Agro A participação na feira, realizada entre 24 e 26 de março, em São Paulo, integra a estratégia do Governo de Pernambuco para expandir exportações e fortalecer sua posição no comércio global. Nesse contexto, o Pacto pelo Agro surge como principal eixo da política agrícola estadual, reunindo agentes públicos e privados para melhorar a infraestrutura, reduzir custos e ampliar o escoamento da produção pelo Porto de Suape. “Pernambuco já lidera a exportação de frutas no Brasil. O próximo passo é consolidar essa liderança com eficiência logística, redução de custos e ganho de competitividade internacional”, afirma o secretário de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca, Cícero Moraes. Feira impulsiona negócios e conexões internacionais Para o governo estadual, a Fruit Attraction vai além de uma vitrine comercial, funcionando como plataforma de negócios e articulação internacional. “A Fruit Attraction não é apenas uma feira onde se vende fruta. É onde se constroem mercados, se abrem portas e se conectam produtores pernambucanos com compradores do mundo inteiro. É uma plataforma direta de expansão econômica para o nosso Estado”, destaca Moraes. Na edição anterior, o evento reuniu mais de 16 mil visitantes e 400 empresas, movimentando mais de R$ 1 bilhão. Para 2026, a expectativa é alcançar até R$ 1,5 bilhão em negócios e mais de 18 mil participantes. Mercados globais e avanço como hub do agro Com forte presença em mercados como Europa, especialmente Holanda, Espanha e Reino Unido, além dos Estados Unidos e América Latina, Pernambuco amplia sua relevância nas cadeias globais de abastecimento. Atualmente, 88% das exportações de frutas do Estado ocorrem por via marítima, com até 15 mil contêineres refrigerados por ano. “Não se trata de custo, mas de investimento estratégico. Investimento em exportação, em geração de emprego, em renda para o Semiárido e no futuro de Pernambuco. Cada mercado aberto representa mais produção. Cada contrato firmado representa mais trabalho no campo. Cada contêiner exportado representa mais desenvolvimento”, afirma o secretário. *Rafael Dantas é especialista em Gestão Pública (UFRPE), mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local (UFRPE) e doutorando em Comunicação (UFPE). É repórter da Revista Algomais e assina as colunas Pernambuco Antigamente e Gente & Negócios (rafael@algomais.com | rafaeldantas.jornalista@gmail.com)

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Criatividade que gera renda: Por que apostar na economia que nasce na cultura?

Terra de uma vasta riqueza cultural e artística, Pernambuco ostenta grande potencial para ampliar os benefícios da indústria criativa. O setor é democrático ao distribuir renda para os criativos e a cadeia de fornecedores, mas ainda enfrenta desafios como a informalidade. *Por Rafael Dantas Pernambuco reúne uma das cenas culturais criativas mais vibrantes do País e não faltam símbolos dessa potência. Do cinema premiado de O Agente Secreto à grandiosidade da Fenearte, passando pela energia das festas populares, como o Carnaval e o São João, o Estado constrói seus próprios troféus com câmeras, barro e a inventividade que atravessa gerações. Se por muito tempo essa produção foi tratada como periférica, hoje ela ganha novo patamar. No desenho do próximo ciclo de desenvolvimento, a economia criativa desponta como um dos pilares estratégicos para as próximas décadas, segundo as discussões do projeto Pernambuco em Perspectiva. As linguagens da economia criativa de Pernambuco são muitas e se espalham por praticamente todo o território. O Agreste, por exemplo, abriga uma potente produção ligada à confecção e à moda. O Recife é solo fértil da indústria audiovisual. A Zona da Mata Norte é berço de manifestações culturais, como o maracatu. O artesanato, como se vê nos corredores da Fenearte, está presente em praticamente todas as cidades. E ainda nem falamos da música, das artes plásticas, da literatura e de tantas outras expressões. Nas discussões sobre o novo ciclo de desenvolvimento de Pernambuco, a economista Tânia Bacelar, sócia da consultoria econômica Ceplan, destaca que a economia criativa deve ser um dos pilares da economia do Estado. Entre outros aspectos, ela ressalta que o setor distribui renda de forma muito democrática, beneficiando uma vasta cadeia de fornecedores, e potencializa outros setores, como o turismo. “É um tipo de atividade que mobiliza muita gente. Então, para um país como o nosso, que tem um problema de desemprego, de subemprego grande, a economia criativa cai como uma luva”, resume a economista. A produção cultural tem essa marca: ela é generosa do ponto de vista da criação de oportunidade de inserção para o processo produtivo.” BARREIRA DA FORMALIZAÇÃO Para incentivar esse setor tão popular e potente no desenvolvimento social, o Brasil e Pernambuco já têm políticas públicas em andamento há décadas. Os editais de cultura, a promoção de feiras e a capacitação desses produtores não é mais uma novidade. No entanto, há uma série de entraves que impede um melhor aproveitamento desse potencial. Muitos produtores de cultura de Nazaré da Mata, por exemplo, conhecidos pela tradição do maracatu passam por imensas dificuldades. A beleza da manifestação, tão presente nas peças publicitárias do turismo e do lazer do Nordeste, ofusca uma realidade dura vivida por vários dos grupos que mantêm essa herança com muito sentimento, mas poucos recursos. “A Mata Norte é um dos maiores celeiros de economia criativa. Mas muitos vivem com cachês muito abaixo do que outras áreas culturais conseguem. Falta apoio também para que esses grupos consigam acessar os editais e transformar suas ideias em projetos”, avalia o jornalista e produtor cultural Salatiel Cícero. Ele aponta um fator que é presente na maioria das linguagens desse setor em Pernambuco. “O artista faz arte. Ele não quer saber da burocracia.” A distância entre a produção criativa e o acesso à linguagem dos editais de cultura é grande. Daí a pensar em modelos de negócios que dependam menos do poder público e sejam mais sustentáveis, há uma corrida ainda maior. Um diagnóstico que aponta para uma primeira urgência, segundo Tânia Bacelar: o enfrentamento da informalidade. “Esse é um segmento produtivo importante, mas que ainda enfrenta muita dificuldade de organização. A gente vive numa sociedade que requer formalidades. A economia criativa é uma atividade muito rica e poderosa, mas muito informal”, avalia a economista. Uma realidade que impõe um esforço das políticas públicas para simplificação dos processos, no que for possível, e capacitação ou o desenvolvimento de estruturas de apoio que contribuam para vencer essa barreira.  Tânia aponta o estímulo à formação de cooperativas como um caminho possível para avançar na formalização dessas atividades. Ela também observa que, diante da resistência de mestres mais antigos em criar um CNPJ ou elaborar projetos, incentivar as gerações mais jovens das famílias ligadas à produção cultural pode ser uma estratégia eficaz para transformar essa realidade. FALTA DE DADOS É UM DESAFIO DA ECONOMIA CRIATIVA Outro problema no horizonte é a falta de dados. Espalhada por diferentes regiões e linguagens, a economia criativa ainda carece de informações mais precisas sobre o tamanho da produção e seus fluxos. Sem esse mapeamento, produtores enfrentam mais dificuldade para acessar mercados e o poder público encontra limites para planejar ações de desenvolvimento para o setor. Pernambuco já deu um passo importante no mapeamento da economia criativa. Um dos marcos foi a realização do Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato, demandado pela Adepe (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco) ao Laboratório O Imaginário, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). O levantamento ouviu quase 900 pessoas em 89 municípios, identificou as singularidades de cada região de desenvolvimento e apontou diretrizes para fortalecer os trabalhadores, ampliar mercados, qualificar produtos e valorizar os territórios. Mesmo com esse passo inicial, Camila Bandeira, diretora de economia criativa da Adepe, reconhece que há uma dificuldade de encontrar dados do setor. Diante da potencialidade e da forte demanda que vem dos produtores, o próximo estudo a ser encomendado pela agência será no setor audiovisual. “A gente ainda tem muita dificuldade de ter dados mais consolidados sobre a economia criativa. Cada território tem suas potências e suas fragilidades. O próximo passo é justamente fazer um estudo voltado para o audiovisual, porque é um setor que tem crescido muito e que a gente ainda precisa entender melhor”, afirmou Camila. Esse segmento, inclusive, tem um grau muito maior de formalização e de capacidade de elaboração de projetos. Uma realidade que difere muito da maioria das demais linguagens da economia criativa.  Em relação à economia criativa da cultura afro-brasileira da Mata Norte, Salatiel Cícero lançou a plataforma digital Casa do

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Estudante de Pernambuco vence concurso internacional de redação sobre a paz

Aluna da rede pública de Palmares é a primeira brasileira a vencer competição do Lions Internacional e leva mensagem de inclusão e empatia ao cenário global Pernambuco volta a ganhar projeção internacional na área da educação com uma conquista inédita. A estudante Adriane Mirelly, de 13 anos, da rede municipal de ensino de Palmares, na Mata Sul do estado, tornou-se a primeira brasileira a vencer o Concurso Internacional de Redação sobre a Paz, promovido pelo Lions Clubs International. A jovem, que possui deficiência visual, foi selecionada entre participantes de diversos países. A redação premiada abordou temas como empatia, respeito às diferenças e a construção da paz a partir das relações humanas, destacando valores ligados à convivência e à inclusão. “Aprendi que enxergar não é só com os olhos. A gente também enxerga com o coração. A paz começa quando respeitamos as diferenças e olhamos para o outro com amor”, destacou Adriane. O anúncio oficial ocorreu no dia 19 de março de 2026, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, durante uma sessão solene do Lions Day, o que ampliou a repercussão internacional da conquista. Como reconhecimento, a estudante receberá um prêmio de US$ 5 mil, além de uma viagem com despesas custeadas para participar da Convenção Internacional do Lions, em julho de 2026, em Hong Kong. Para o Lions Clube de Palmares, o resultado representa um marco histórico para o município e para o país. “Estamos diante de um momento histórico. Adriane é a primeira brasileira a alcançar esse reconhecimento internacional e mostra ao mundo a força da educação pública e da cultura de paz construída desde a base”, destacou Tiago Lima, representante da instituição. A conquista também mobilizou autoridades locais, que ressaltaram o papel da educação pública como ferramenta de transformação social e valorização de talentos. A trajetória da estudante reúne elementos de inclusão, superação e protagonismo juvenil, conectando Pernambuco ao debate global sobre educação e cultura de paz.

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Menor que em 2025: Páscoa deve injetar R$ 410,9 milhões em Pernambuco

A Fecomércio-PE projeta que a Páscoa de 2026 movimente R$ 410,9 milhões na economia pernambucana, uma retração de 2,9% em relação ao ano anterior, sinalizando desaceleração no consumo. O estudo mostra a sensibilidade do período a variáveis-chave: cada ponto de alta na intenção de consumo adiciona R$ 4,02 milhões às vendas, enquanto o avanço do endividamento retira cerca de R$ 6,19 milhões por ponto percentual. A pressão inflacionária sobre itens típicos é outro vetor relevante, com destaque para o chocolate, que acumula alta de 26,3% em 12 meses, bem acima do índice geral de 3,81%. Esse fator tem levado o consumidor a substituir produtos. Apesar da moderação, a data segue estratégica para o varejo no primeiro semestre, sustentando o fluxo de caixa do setor mesmo em um ambiente mais restritivo. Turismo internacional dispara em Pernambuco O fluxo de passageiros internacionais no Aeroporto Internacional do Recife mais que dobrou no primeiro bimestre de 2026, com crescimento de 115% em relação ao mesmo período do ano anterior. O total de viajantes foi de 66,3 mil viajantes entre embarques e desembarques. O resultado reflete a intensificação das ações de promoção turística do Governo de Pernambuco, que ampliou sua presença em eventos e mercados estratégicos, além de investir na captação de novos voos. A Argentina lidera como principal emissor de turistas, concentrando mais da metade das chegadas internacionais. Os demais destaques são na sequência Portugal, Uruguai, Chile e Espanha. Lucro recorde e crédito em alta no BNB O Banco do Nordeste do Brasil fechou 2025 com lucro líquido de R$ 3,1 bilhões, um salto de 31,6% em relação ao ano anterior. O desempenho veio acompanhado de expansão na carteira de crédito, que alcançou R$ 68,4 bilhões em contratações, representando uma alta de 11,6%. Os desembolsos também avançaram, somando R$ 64,1 bilhões, crescimento de 5,8%. No microcrédito, um dos carros-chefes da instituição, os números reforçam a escala da operação: R$ 13,4 bilhões no Crediamigo e R$ 9,5 bilhões no Agroamigo. Já o agronegócio movimentou R$ 12,8 bilhões em financiamentos, com alta de 15,3%.  Drones reduzem em até 75% o tempo de pulverização no Vale do São Francisco O uso de drones agrícolas vem acelerando a transformação produtiva no Vale do São Francisco, com ganhos expressivos de eficiência, custo e produtividade na fruticultura, segundo a empresa GM Drone e Tecnologia. Em uma área de um hectare, a pulverização que antes levava mais de uma hora com trator agora é realizada em cerca de seis minutos, reduzindo também em até 25% os custos da operação. A tecnologia permite monitoramento detalhado das lavouras, identificação de pragas e mapeamento do solo com alta precisão. Expansão farmacêutica injeta R$ 3,2 milhões e reforça interiorização em Pernambuco O Grupo AMR Saúde acelera sua presença em Pernambuco com a abertura de 16 novas lojas, investimento de R$ 3,2 milhões e geração inicial de 112 empregos, com potencial de superar 180 vagas no médio prazo. O movimento ocorre em um mercado regional aquecido, onde o varejo farmacêutico nordestino movimenta R$ 28,6 bilhões e cresce acima da média nacional, consolidando o estado como principal base da rede na região, com 89 unidades. A estratégia aposta na interiorização e no ganho de escala das farmácias independentes, com faturamento médio de R$ 240 mil por loja, quatro vezes acima da média nacional do segmento. Senac Pernambuco é reconhecido com Selo ODS Educação pelo segundo ano consecutivo O Senac Pernambuco recebeu, pelo segundo ano seguido, a certificação do Selo ODS Educação, concedida pelo Instituto Selo Social a iniciativas alinhadas à Agenda 2030 da ONU. A premiação ocorreu na última quarta-feira (18), no Parque Dona Lindu, reunindo instituições de todo o país. Com 16 projetos aprovados, a Faculdade Senac PE se destacou por ações voltadas a áreas como educação de qualidade, redução das desigualdades e saúde e bem-estar, reforçando seu papel na formação de profissionais comprometidos com o desenvolvimento sustentável e o impacto social.

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A revolução silenciosa do microcrédito no campo em Pernambuco

Pequenos financiamentos somaram mais de R$ 1 bilhão em 2025 e transformaram a vida de agricultores familiares no Estado e no Nordeste. O crédito impulsiona a produção e fortalece economias locais *Por Rafael Dantas Produtora rural no Sítio Brabo, distrito de Custódia, no Sertão do Pajeú, Josefa Barros, 50 anos, cria cabras leiteiras, juntamente com a família, e transforma a produção em queijo, requeijão, iogurte e doce de leite. Apesar de viver do campo há muitos anos, a dificuldade de pagar a conta de luz para mover toda a atividade estava desanimando a todos. Ela pensava até em “voltar para a vida do candeeiro”. Um pequeno aporte de crédito, no entanto, transformou a vida da família. A tecnologia da energia solar chegou à propriedade, aliviou as despesas e abriu um novo horizonte. “Foi uma transformação para nossas vidas”, celebra Josefa. “Depois disso deu para a gente se organizar e comer melhor. Antes não estava dando.” Com as placas solares instaladas e a conta de energia praticamente reduzida às taxas do sistema, o financiamento da implantação da energia solar passou a caber no orçamento da família. A economia, que chega perto de R$ 1 mil por mês, trouxe alívio imediato e abriu espaço para novos planos de investimento na criação de animais e na produção de derivados do leite. A história de Josefa não está isolada. Apenas no ano passado, foram mais de 87 mil contratos de microcrédito rural firmados apenas pelo BNB (Banco do Nordeste do Brasil). A instituição federal é responsável atualmente por 94% dos financiamentos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) na região, segundo dados do Banco Central. Longe dos holofotes dos grandes anúncios empresariais ou de megaempreendimentos públicos, o avanço do microcrédito rural representa uma revolução silenciosa que está acontecendo no campo. Em Pernambuco, os desembolsos desse tipo de financiamento realizados apenas pelo BNB para pequenos produtores já ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão. Nos últimos cinco anos, o volume de recursos contratados cresceu 222%. Esses financiamentos, operados com baixos valores (até R$ 12 mil para homens e R$ 15 mil para mulheres) e juros reduzidos, têm viabilizado mudanças concretas na vida das famílias agricultoras. O dinheiro é usado em diferentes frentes, como a compra de equipamentos para beneficiar a produção, para a instalação de estruturas de captação de água, incentivo à práticas agroecológicas, entre outras melhorias na propriedade.  No Sítio Brabo, os efeitos da chegada da energia solar ultrapassaram rapidamente os limites da propriedade de Josefa. A eletricidade passou a alimentar equipamentos como pasteurizador, iogurteira e tachos usados na produção de derivados de leite e transformou a pequena agroindústria familiar em um ponto de beneficiamento para outras produtoras da Associação de Mulheres da comunidade. Com mais estrutura, o leite de várias criadoras passou a ser processado ali, ampliando a produção coletiva e abrindo novas oportunidades de renda para as famílias da região, como a venda para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). O novo cenário também incentivou outros investimentos. Animada com os resultados, a família contratou um segundo microcrédito para ampliar o rebanho caprino e reforçar a infraestrutura da propriedade, incluindo melhorias no acesso à água e na irrigação para garantir alimento aos animais, mesmo nos períodos mais secos. Os planos não param por aí. Quando quitarem os financiamentos atuais, Josefa pretende investir em novos equipamentos, como uma desnatadeira e uma prensa adequada para a produção de queijos de cabra. A ideia é diversificar ainda mais os produtos e ganhar escala.  EFEITOS NO CAMPO Quando uma política pública impacta a vida de um agricultor, toda a família é beneficiada e os efeitos transbordam para os seus vizinhos. Quando são milhares de pequenas histórias florescendo na terra conhecida pelas restrições hídricas, muitas sementes são lançadas nesse solo fértil de resiliência da Caatinga. Na avaliação de Caetano De Carli, superintendente federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Pernambuco e professor da Ufape (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco), a explosão de microcrédito rural nos últimos anos tem sido fundamental para fortalecer a agricultura familiar. Entre os frutos dessa política pública, ele destaca o aumento da produção de alimentos, a contribuição no controle da inflação e mesmo a estruturação dessas atividades. “A gente nunca teve um volume de recursos tão grande sendo aplicado na agricultura familiar, especialmente no Nordeste”, exaltou Caetano. “Essa política pública tem sido certamente a principal responsável pelos avanços que a gente teve na produção de alimentos dos agricultores familiares aqui em Pernambuco e em todo o Nordeste. Com certeza está sendo responsável por segurar o preço dos alimentos.” O impacto do crédito também aparece quando se observa a economia das pequenas cidades do interior. Na avaliação do economista Paulo Guimarães, da consultoria econômica Ceplan, a agricultura familiar já deixou de ser apenas uma atividade de combate à pobreza e passou a desempenhar papel relevante no desenvolvimento local. Em municípios com até 20 mil habitantes, a maioria no Sertão, Agreste e Zona da Mata, a produção familiar pode responder por entre 30% e 40% da renda total. “A agricultura familiar já há algum tempo deixou de ser apenas uma atividade de subsistência e se tornou um importante segmento econômico”, afirmou. Esse dinheiro, explica o economista, tende a permanecer dentro do próprio município. “Grande parte dessa renda circula localmente porque os próprios produtores e suas famílias consomem produtos e serviços da região, mercados, farmácias, oficinas, prestadores de serviço.” Esse movimento cria um efeito multiplicador que vai além da propriedade rural. Contribui para desenvolver as cidades e fixar a população no campo. NOVAS GERAÇÕES NA PRODUÇÃO FAMILIAR No Sítio Conceição, na zona rural de Cachoeirinha, no Agreste pernambucano, a rotina da família de Miguel Pereira da Silva, 57 anos, sempre girou em torno do gado e do milho. Por muitos anos, a produção se manteve pequena, suficiente para tocar a propriedade, mas sem grandes sobras para investir. Ao lado do filho, José Miguel da Silva, 30 anos, e com acesso ao microcrédito, muita coisa começou a mudar. Com o financiamento, eles conseguiram

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Recife visto do alto: 7 fotos aéreas mostram como era a cidade antigamente

Registros históricos revelam rios, pontes e bairros do Recife antes da intensa verticalização e da expansão urbana das últimas décadas Do acervo da Biblioteca do IBGE, reunimos uma seleção de sete imagens aéreas que mostram o Recife visto de cima em diferentes décadas do século passado. No ano em que a cidade celebra 489 anos, os registros ajudam a observar como a paisagem urbana da capital pernambucana se transformou ao longo do tempo. Captadas de ângulos elevados, as fotografias revelam uma cidade com menos prédios, maior presença de áreas verdes e uma ocupação urbana mais espaçada. A verticalização ainda era discreta e bairros que hoje são densamente construídos aparecem com grandes áreas abertas e arborizadas. As imagens também destacam a geografia singular do Recife. Vistos do alto, rios, pontes e ilhas ganham protagonismo e mostram como esses elementos estruturam o desenho da cidade e orientam sua expansão urbana. Comparadas com o cenário atual, as fotos sugerem uma dinâmica menos intensa do que a observada hoje. Mais do que registros históricos, os enquadramentos aéreos funcionam como um convite para revisitar o Recife do passado e perceber, de cima, as mudanças que moldaram a capital pernambucana ao longo de quase cinco séculos. Confira abaixo. Clique nelas para ampliar e contemplar com detalhes de cada retrato. 1. Destaque para a Praça da República e para os palácios do Governo e da Justiça   2. Rua da Aurora. Foto tirada do alto do edifício Capelinha, em 1957   3. Rio Capibaribe, em 1957   4. Ponte Buarque de Macedo   5. Bairro da Boa Vista   6. Avenida Guararapes, em 1952. (Foto: Faludi, Stivan; Santos, Lindalvo Bezerra dos) ..7. Vista a partir do Forte das Cinco Pontas   Juntas, as imagens formam um panorama raro do Recife visto do alto em diferentes momentos do século passado. Ao destacar áreas como a Praça da República, a Rua da Aurora, a Avenida Guararapes e o entorno do Rio Capibaribe, os registros ajudam a compreender como a capital pernambucana foi se transformando ao longo do tempo. Em um dia de celebrar o aniversário, olhar a cidade por essas perspectivas aéreas também é uma forma de reconhecer a trajetória urbana que moldou o Recife que conhecemos hoje. *Rafael Dantas é repórter da Revista Algomais e assina as colunas Pernambuco Antigamente e Gente & Negócios (rafael@algomais.com | rafaeldantas.jornalista@gmail.com)

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Como “O Agente Secreto” despertou orgulho, memória e redescoberta do Centro do Recife

Filme de Kleber Mendonça Filho mobiliza o público pernambucano, fortalece a identidade cultural, reativa o Cinema São Luiz e reacende debates sobre o futuro do Centro da cidade. *Por Rafael Dantas O Agente Secreto já levou mais de 2,2 milhões de pessoas às salas de cinema. Na sua trajetória nas telonas, o filme cheio de pirraça já faturou mais de 60 troféus, incluindo os prestigiosos Globo de Ouro e Festival de Cannes. Se a obra de Kleber Mendonça Filho impressiona plateias internacionais, com quatro indicações ao Oscar, os efeitos no público pernambucano acontecem em muitas dimensões. Trata-se de uma conexão visceral que ultrapassa a tela e se entranha na identidade, na memória e no orgulho de quem se vê refletido nesse enredo e na paisagem que o cerca. O trauma do período da ditadura militar é nacional, mas a enigmática perna cabeluda, a folia carnavalesca do frevo e as imagens do Centro do Recife, em um período de muito mais vitalidade, são alguns dos ingredientes desse roteiro que entrelaçam memórias e sentimentos muito peculiares aos pernambucanos. Tanto nos que viveram aquela época quanto nas gerações mais jovens que não testemunharam aquele tempo mas caminham hoje por um Centro decadente, atravessado por fantasmas e permanências. Um espaço onde passado e presente seguem em disputa. O encantamento dos pernambucanos por O Agente Secreto está ligado a um sentimento de pertencimento e orgulho, na análise do pesquisador Paulo Cunha. Professor aposentado da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e docente da Pós-Graduação na Unicap (Universidade Católica de Pernambuco), ele considera que há um núcleo cinéfilo que faz coro ao sucesso da obra, mas destaca sobretudo a adesão de um contingente mais amplo, que acompanha a trajetória do filme por reconhecer nele uma produção feita em Pernambuco que alcançou visibilidade internacional. “O público mais geral está acompanhando e achando curioso que Pernambuco tenha sido o local de produção de um filme com uma trajetória tão impactante no mundo”, afirma. “O público mais geral está acompanhando e achando curioso que Pernambuco tenha sido o local de produção de um filme com uma trajetória tão impactante no mundo.” Paulo Cunha Esse envolvimento se alimenta tanto da memória das filmagens nas ruas quanto da repercussão em premiações. Um fenômeno que transforma a obra em mais um símbolo de afirmação cultural do Estado. “Desde a época das filmagens, as pessoas comentam, lembram das ruas interditadas e de terem visto atores circulando pela cidade”, observa. Segundo o pesquisador, esse encantamento tem ainda um efeito cultural relevante, ao aproximar o cinema do cotidiano das pessoas e reforçar a relação entre a cidade e sua representação na tela. Ao se reconhecer nos espaços e nas histórias exibidas, parte do público passa a enxergar o filme não apenas como entretenimento, mas como expressão da identidade urbana. Para explicar o encantamento emocional dos pernambucanos com O Agente Secreto, a psicóloga Josefina Campos toma de empréstimo um termo da psicologia analítica, elaborado pelo psiquiatra Carl Gustav Jung: a função transcendente. Ela explica que “se trata de um movimento psíquico que ocorre quando aspectos profundos e inconscientes da psique são içados e, como resultado, tornam-se disponíveis à consciência, permitindo maior integração na personalidade. Esse é um fator importante para ampliar o senso de si mesmo e isso é uma função que a arte em geral promove, mas que esse filme, pela profusão de imagens e lacunas, cumpre com maestria”. “Há um movimento psíquico que ocorre quando aspectos profundos e inconscientes da psique são içados e se tornam disponíveis à consciência, permitindo maior integração na personalidade. É uma função que a arte promove e que esse filme cumpre com maestria.” Josefina Campos Em outras palavras, significa que o filme não apenas desperta emoções mas ajuda o espectador a organizar internamente aquilo que muitas vezes estava difuso ou adormecido. Ao trazer à superfície memórias, afetos e conflitos ligados à cidade, à história e à identidade, a narrativa permite que esses conteúdos sejam reconhecidos e integrados à consciência. O encantamento, portanto, não é só estético ou narrativo, mas psíquico. Ao se ver refletido na tela, o público amplia a compreensão de si mesmo e do lugar que ocupa na própria história. “A cena do Carnaval em frente ao cinema São Luiz é praticamente o ponto máximo do filme, onde alegria e tristeza, vida e morte, tensão e descontração, se fundem numa estranha conciliação de paradoxos, como só o Carnaval sabe fazer. Um momento com uma carga emocional arrebatadora”, exemplifica a psicóloga. Josefina aponta ainda que a própria participação do grupo Os Guerreiros do Passo, um Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Recife, é uma importante representação dessa memória afetiva e cultural do recifense. AUTORRECONHECIMENTO NAS TELONAS O sotaque local, vários rostos conhecidos, expressões pra lá de populares – afinal, raparigou ou não raparigou? – e os espaços onde a vida acontecia, e ainda acontece, ocuparam um lugar nas telonas que para o público mais amplo cabia apenas a cidades como Paris, Nova York ou Londres. Não que o Recife nunca tenha sido exposto à sétima arte. Muitos filmes do próprio Kléber Mendonça Filho fizeram isso, como Aquarius e Retratos Fantasmas. A produção local já é reconhecida pelos cinéfilos como uma das melhores do País há muito tempo. Mas nenhum outro havia atingido tal popularidade, a ponto de virar tema do Carnaval e até assunto de bar. Os lugares das locações de O Agente Secreto têm se tornado roteiro de visitas turísticas e o próprio Cinema São Luiz registrou um aumento de público. Isso sem esquecer do sucesso de vendas da camisa da troça Pitombeira. Meio que, como na lenda do Toque de Midas, em que tudo que era tocado pelo rei da mitologia grega se tornava ouro, as diversas referências pernambucanas, pirraçadamente colocadas nas cenas, ganharam status ou aumentaram o que já tinham.  “Há uma identidade cultural e geográfica que se inscreve com abundância e isso é  preponderante para o senso de pertencimento experimentado pelo público, especialmente do Nordeste, de Pernambuco e do Recife, em diferentes camadas de

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Solar Porto de Galinhas completa 40 anos e marca a evolução do turismo no litoral de Pernambuco

Primeiro hotel da antiga vila de pescadores acompanhou e impulsionou a transformação do destino em um dos mais visitados do Brasil Pioneirismo na hotelaria de Porto de Galinhas Inaugurado em fevereiro de 1986, o Solar Porto de Galinhas surgiu como o primeiro hotel da então pequena vila de pescadores localizada no município de Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco. Naquele período, a região ainda recebia principalmente visitantes que chegavam para passeios de um dia e retornavam ao Recife no fim da tarde, já que praticamente não havia estrutura organizada de hospedagem. Ao apostar na permanência dos turistas e na experiência de hospedagem à beira-mar, o empreendimento acabou desempenhando um papel decisivo na formação da atividade turística local. A iniciativa ajudou a estimular o comércio, atrair investimentos e impulsionar a cadeia produtiva do turismo em um momento em que Porto de Galinhas ainda não figurava entre os principais destinos nacionais. Crescimento do destino turístico Quatro décadas depois, o cenário mudou completamente. Porto de Galinhas se consolidou como um dos destinos turísticos mais relevantes do Brasil, reunindo cerca de 20 mil leitos em meios de hospedagem e recebendo aproximadamente 1,2 milhão de visitantes por ano. A permanência média de 5,3 dias reforça a capacidade do balneário de manter os turistas por mais tempo, movimentando a economia local e fortalecendo o setor. Nesse processo de crescimento, o Solar Porto de Galinhas é reconhecido como um dos empreendimentos pioneiros que apostaram no potencial da região quando ainda não havia demanda consolidada nem estrutura turística desenvolvida. “A decisão de investir aqui, nos anos 80, foi vista como ousada, mas o meu pai, Artur Maroja, um veranista da então desconhecida Porto de Galinhas, que nada entendia de turismo, acreditou no potencial do destino. Ao estimular a permanência dos visitantes, ajudamos a movimentar o comércio local e a fortalecer toda a cadeia do turismo”, destaca Otaviano Maroja, diretor comercial do hotel. Ampliação do público e reconhecimento internacional Nos primeiros anos de operação, o público do hotel era formado majoritariamente por moradores do Recife. Com o aumento da visibilidade do destino, o perfil dos visitantes passou a incluir turistas de outros estados, como São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Posteriormente, o fluxo internacional também ganhou força, com visitantes vindos da Argentina, Portugal, Chile, Uruguai e Paraguai. A promoção turística articulada por entidades como a Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas e o Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau contribuiu para consolidar o destino em mercados nacionais e internacionais, ampliando a presença da região no mapa do turismo global. Hotel cresce junto com o destino Ao longo de quatro décadas, o Solar Porto de Galinhas ampliou sua estrutura para acompanhar o crescimento da demanda turística. Atualmente, o hotel possui 140 acomodações distribuídas em um terreno de aproximadamente 8 mil metros quadrados e mantém o perfil de hospedagem voltado ao lazer, com localização estratégica próxima à vila e o conceito “pé na areia”. Para a direção do empreendimento, a comemoração dos 40 anos representa também um marco simbólico na história do destino. “Celebrar 40 anos é celebrar a própria evolução de Porto de Galinhas. Crescemos junto com o destino e continuamos acreditando no seu potencial para as próximas gerações”, conclui Otaviano Maroja.

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3 motivos para ler “Faces do Mangue”, de Paulo Caldas

Livro conecta pensamento social, música e realidade contemporânea do Recife em uma narrativa sensível e crítica *Por Rafael Dantas O livro Faces do Mangue, de Paulo Caldas, é uma obra que ultrapassa a dimensão literária para propor um exercício de memória e reflexão social. A partir de diálogos entre personagens como Josué, Doutor Alexandre e Dona Nilda, a narrativa constrói uma ponte entre passado e presente, articulando referências fundamentais da cultura e do pensamento pernambucano com questões ainda urgentes na sociedade. Um dos grandes méritos do livro é apresentar, de forma acessível, o legado de Josué de Castro. Reconhecido internacionalmente por seus estudos sobre a fome, o autor pernambucano ainda é pouco conhecido pelo grande público local. A obra de Caldas resgata suas ideias sem academicismo excessivo, conectando-as diretamente com a realidade social do mangue e das periferias urbanas. Territórios que permanecem marcados por desigualdades históricas. Outro destaque é a presença simbólica de Chico Science, que teve uma trajetória que marcou a cultura brasileira ao fundir ritmos tradicionais com uma estética contemporânea e crítica. No livro, sua figura emerge como expressão da potência criativa do Recife e como lembrança de uma obra que, mesmo após sua morte precoce, segue atual e provocadora. Para mergulhar no universo do Manguebeat, o autor traz a obra Criança de Domingo, do jornalista José Teles, que também é personagem na trama. Mas é no personagem Josué, um jovem vendedor de frutos do mangue, que vive entre o trabalho precoce e o desejo de conhecimento, que a narrativa encontra seu ponto mais sensível. A construção desse protagonista evidencia a permanência de problemas estruturais, como o trabalho infantil e a exclusão social. Décadas após as denúncias de Josué de Castro e as críticas de Chico Science, a realidade retratada no livro revela continuidades incômodas. Fotografias que infelizmente não são difíceis de presenciar no Recife atual. Ambientado na capital pernambucana, o livro também registra uma cidade viva, marcada por práticas culturais, sociabilidades e uma boemia que resiste ao tempo. Esse pano de fundo urbano contribui para dar densidade à narrativa e reforça a conexão entre espaço, cultura e desigualdade. O protagonista é o fio condutor da trama para apresentar a arte de Chico Science e a ciência de Josué de Castro. É justamente nessa articulação entre cultura e pensamento social que Faces do Mangue encontra sua maior força: ao mesmo tempo em que narra, também provoca. Paulo Caldas convida o leitor a revisitar o Recife e refletir sobre as permanências e contradições nesse Brasil contemporâneo, mas em tom de conversa e na mesa de um bar. Serviço: O livro Faces do Mangue pode ser adquirido no site da Editora Bagaço por R$ 66.

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forte das cinco pontas

7 fotos dos lugares da Revolução de 1817 antigamente

A Data Magna de Pernambuco, 6 de março, é uma homenagem à Revolução de 1817. A coluna Pernambuco Antigamente publica hoje uma série de fotos antigas de lugares onde aconteceram fatos importantes do movimento que separou temporariamente o Estado do Brasil. As imagens não são da época, mas do início ou meados do século 20, do acervo da Villa Digital e da Biblioteca do IBGE. A atual Praça da República, local onde está o Palácio do Governo, abrigava em 1817 o Erário Público, que foi tomado pelos revolucionários. Foi nesta praça também onde foram expostos os corpos dos líderes do movimento após a sua queda, como do padre João Ribeiro Pessoa. (Foto do Acervo Josebias Bandeira, Fundaj, datada de 1911) . O Forte das Cinco Pontas é o local onde foram presos 150 homens nos dias da Revolução. De acordo com informações no site do Museu da Cidade do Recife “No ano de 1817, o forte passou a abrigar a sede do quartel General Militar. Na revolução republicana de Pernambuco, 150 homens foram presos no forte e em 1825 ao lado do forte foi arcabuzado por ordem de D. Pedro I, imperador do Brasil, o frade carmelita Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, mártir e herói da Confederação do Equador”.  (Biblioteca do IBGE) . O Forte do Brum foi o local onde o então governador de Pernambuco, Caetano Pinto, se refugiou para resistir à Revolução de 1817. Sem condições de resistir, ele deixou o local e foi forçado a embarcar para o Rio de Janeiro. (Acervo da Biblioteca do IBGE, foto de 1957) . Na foto abaixo o Seminário e Igreja de Nossa Senhora da Graça, o Seminário de Olinda, que foi fundamental para formação dos ideiais da revolução. De acordo com Leonardo Dantas “Em todas as revoluções liberais, particularmente nas de 1817 e 1824, a voz do clero de Olinda se fez presente, como observa Oliveira Lima nos comentários ao livro do monsenhor Muniz Tavares: A revolução de 1817 pode quase dizer-se que foi uma revolução de padres, pelo menos constituíram o seu melhor elemento, o que mais provas deu de sinceridade, de isenção, e de devotamento, aqueles onde se recrutaram com poucas exceções, seus dirigentes”. (Imagem da Biblioteca do IBGE) . O nome da Praça Dezessete é uma homenagem à Revolução de 1817. No local estava o antigo Palácio do Governo em 1817, na época sob o comando de Caetano Pinto.  A Ponte Maurício de Nassau era a única travessia construída em 1817 que ligada o Bairro do Recife ao Bairro de São José. Houve uma tentativa de destruí-la na ocasião para isolar os revolucionários. A Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Praça da Jaqueira (Foto da Fundaj), foi o local onde se casou um dos líderes da revolução Domingos Afonso Ferreira com Maria Teodora, filha do comerciante Bento José da Costa. . Confira também um vídeo que a Algomais produziu na ocasião do Bicentenário da Revolução de 1817, sobre uma Caminhada Domingueira temática.   *Por Rafael Dantas é repórter da Algomais (rafael@algomais.com)

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