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Capibaribe resiste, mas chega ao limite diante do despejo contínuo de esgoto

Especialistas alertam para riscos ecológicos crescentes e para a distância da Região Metropolitana do Recife das metas de saneamento *Por Rafael Dantas Você já imaginou uma região metropolitana que é referência em tecnologia, abriga instituições de ensino de ponta e, ainda assim, tem quatro de suas principais cidades entre as 20 piores do País em saneamento básico? Esse é o cenário enfrentado por Recife, Paulista, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Uma realidade patente aos olhos dos moradores ou turistas que observam os rios da RMR. Mesmo após 13 anos do início do Programa Cidade Saneada (Parceria Público-Privada entre a Compesa e a BRK Ambiental), a cobertura da rede de coleta de esgoto avançou de 30% para 38%, um progresso tímido diante do longo caminho que ainda separa a Região Metropolitana do Recife da universalização do serviço. Ao longo desse intervalo, ao menos a população da capital pernambucana voltou seus olhos com mais atenção para o Rio Capibaribe, em razão da abertura de diversos parques públicos em suas margens. No entanto, essas áreas de lazer e contemplação dividem a paisagem com o odor do esgoto e com as águas escurecidas pelo despejo contínuo de dejetos, além da presença de resíduos sólidos que flutuam na superfície. “Não existe córrego, rio, riacho ou canal no Recife que não esteja poluído”, sentenciou Ronald Vasconcelos, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Ele atua nas áreas de saneamento, drenagem urbana e habitação de interesse social, além de integrar a equipe do projeto Recife Cidade Parque. De acordo com o engenheiro, a carga orgânica despejada nos rios favorece o crescimento da vegetação aquática e se mistura ao lixo, comprometendo o escoamento da água, agravando alagamentos e falhas na drenagem urbana. Com a ampliação do uso dos espaços públicos às margens do Rio Capibaribe, como o Parque das Graças, os odores e os dejetos tornam-se ainda mais evidentes para moradores e visitantes. Em um olhar mais amplo que o da RMR, os indicadores oficiais indicam que em Pernambuco, 70,5% não têm acesso à rede de esgoto. No cenário nacional, 40,3% não têm acesso a essa coleta. Ou seja, o problema não se concentra na capital. O Rio Capibaribe, por exemplo, recebe poluição em vários trechos do seu amplo percurso pelo território pernambucano.  No Ranking do Saneamento 2025 do Instituto Trata Brasil, que foi realizado com 100 cidades brasileiras, a pior situação é de Jaboatão dos Guararapes que foi classificado na 89ª colocação. Apesar de ser um dos municípios com a economia mais pujante do Estado, possui apenas 21,47% de atendimento de esgoto.  O Recife tem uma taxa de cobertura de 41,59%, enquanto que Paulista 40,26% e Olinda apenas 37,38%. Indicadores incompatíveis com o desenvolvimento desses municípios, mas que ajudam a compreender a difícil realidade das populações da RMR. Esgotos a céu aberto e falta de redes coletoras não são exceção. O diretor de Parcerias e Projetos Estratégicos da Compesa, Ricardo Torres, ressalva, no entanto, que há um conjunto de grandes investimentos realizados nos últimos três anos que ainda não estão inseridos nesse relatório, que utiliza ainda os dados do Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico) de 2023. “Os dados do Sinisa têm um atraso muito grande e não refletem os investimentos mais recentes.” Dados da Compesa informam que desde o início da PPP, o volume de esgoto tratado quadruplicou, passando de 540 para 2.000 litros por segundo. Jaboatão dos Guararapes, por exemplo, que é o local mais crítico no ranking, já teve concluída a primeira etapa da ampliação dos serviços de esgotamento sanitário e as obras da segunda etapa estão em fase final. Juntas, elas contemplam 200 mil pessoas e não apareceram nos cálculos do Trata Brasil. O diretor menciona que nos últimos anos, apenas pela empresa privada, foram feitos investimentos superiores aos R$ 300 milhões por ano desde então – e de forma crescente. Além disso, Ipojuca recebeu aportes de R$ 65 milhões do Banco do Nordeste, para obras do SES (Sistema de Esgotamento Sanitário) de Porto de Galinhas. Ao todo, já foram investidos pela concessionária R$ 3 bilhões desde o início do contrato. A expectativa é que esse montante chegue a R$ 9 bilhões até 2037. Acerca do derramamento dos esgotos nos rios, Ricardo Torres afirma que a fiscalização dessa irregularidade não é atribuição da Compesa, mas dos órgãos ambientais competentes – sejam municipais, como as secretarias de Meio Ambiente, ou órgãos estaduais como a  CPRH, e federais como o Ibama ou o ICMBio. De acordo com ele, o papel da Compesa se restringe à operação do sistema de coleta e tratamento onde a rede existe, não à repressão de irregularidades. DISTÂNCIA DA UNIVERSALIZAÇÃO De acordo com o relatório do Instituto Trata Brasil, apenas “um indicador de coleta de esgoto maior ou igual a 90% pode ser considerado adequado, em linha com o Novo Marco Legal do Saneamento Básico”. O desempenho dos principais municípios pernambucanos, portanto, estão bem distantes desse alvo, que é fixado em lei. “Estamos numa situação ainda muito ruim. Conseguimos resolver muito pouco do que estava originalmente previsto em termos de cobertura e tratamento de esgoto”, analisou o engenheiro civil Antonio Miranda, especialista em saúde pública e membro do do Comitê Tecnológico Permanente do CREA-PE. Além do lento avanço da cobertura, mesmo com a PPP do Saneamento, Antonio Miranda levantou um outro problema. A chegada da rede coletora na rua não garante automaticamente a conexão com as residências. Ele destaca que devido aos custos para cada família conectar-se à rede de coleta, muitos preferem permanecer utilizando fossas ou injetando o esgoto nas galerias pluviais, canais, rios e mangues. “Não basta estender redes coletoras e deixar a caixinha na calçada; é preciso garantir que os imóveis se conectem e desativem todas as ligações irregulares. Você faz um grande serviço, uma grande obra, um grande empreendimento e olha para o córrego: continua malcheiroso”, alertou Miranda. “O sistema, quando você observa criticamente, não está funcionando. Não é uma crítica, é uma constatação óbvia.” A Compesa também

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Sicredi Recife

Sicredi cresce em Pernambuco e alcança R$ 2,26 bilhões em ativos

Cooperativismo de crédito avança no estado, amplia base de associados e fortalece a economia pernambucana O cooperativismo de crédito segue em expansão em Pernambuco. Em 2025, a Sicredi registrou crescimento de 17,3% em seus ativos no estado, que somaram R$ 2,26 bilhões, acompanhando o avanço nacional do setor. O desempenho ocorreu no mesmo ano em que a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, reforçando a relevância do modelo cooperativista para a inclusão financeira e o desenvolvimento econômico. Além do avanço patrimonial, a Sicredi pernambucana ampliou sua base de associados para 64.160 cooperados, alta de 5,2%, e injetou R$ 957 milhões em crédito na economia local. Os depósitos também cresceram, alcançando R$ 1,65 bilhão, resultado atribuído à confiança dos cooperados e ao fortalecimento do relacionamento de longo prazo. Grupo O Rei das Coxinhas investe em nova operação e inaugura primeira loja no Recife O Grupo O Rei das Coxinhas inaugura, no próximo dia 28 de janeiro, sua primeira unidade no Recife, na Rua Benfica, no bairro da Madalena, marcando a entrada da marca na capital pernambucana com um novo modelo de operação. A abertura integra um movimento de investimento em modernização, tecnologia e reposicionamento da marca, voltado para ampliar presença em mercados urbanos estratégicos. À frente da operação estão Tayane Oliveira, diretora do grupo, e Junio Anderson, diretor de operações. Embarque Digital abre inscrições para a décima turma com bolsas em cursos de tecnologia no Recife A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Educação, em parceria com o Porto Digital, abriu as inscrições para a turma 2026.1 do programa Embarque Digital, que oferece 265 vagas gratuitas em cursos superiores de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas para Internet. As inscrições seguem até 30 de janeiro, são destinadas a estudantes residentes no Recife, egressos da rede pública e que tenham realizado o Enem nos últimos cinco anos. Criado em 2021, o Embarque Digital já formou 785 estudantes e registra 72% de empregabilidade entre os concluintes da turma mais recente. Festival da Rede de Tacaratu valoriza tecelagem artesanal e impulsiona economia criativa no Sertão Entre os dias 27 e 30 de janeiro, o município de Tacaratu, no Sertão de Pernambuco, realiza o I Festival da Rede de Tacaratu – Onde a Tradição Tece o Futuro, iniciativa que une cultura, empreendedorismo e desenvolvimento regional. Promovido pela Prefeitura de Tacaratu, em parceria com o Sebrae e o Instituto Cesar Santos, o evento aposta na valorização da tecelagem artesanal do distrito de Caraibeiras, reconhecido nacionalmente pela produção manual de redes, como estratégia de fortalecimento da economia criativa local.  Ponto Cidadão supera 80% de inserção de jovens no mercado de trabalho em 2025 O Ponto Cidadão inicia 2026 comemorando resultados expressivos na qualificação e empregabilidade de jovens em situação de vulnerabilidade social em Igarassu. Em 2025, mais de 80% dos participantes atendidos pela instituição foram inseridos no mercado de trabalho. No período, 134 jovens concluíram formações pelo projeto Passagem para o Futuro, com cursos nas áreas administrativo-financeira, comportamental, inglês e desenvolvimento web. Criado em 2003, o Ponto Cidadão já formou mais de 2.200 jovens.

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Juraci Dorea 01 Foto Georg Lima

Galeria Marco Zero abre 2026 com primeira individual de Juraci Dórea em Pernambuco

Exposição “O Sertão: somos muitos” reúne mais de 120 obras do artista baiano e propõe amplo panorama de sua produção ao longo de cinco décadas A Galeria Marco Zero inicia seu programa artístico de 2026 com a exposição “O Sertão: somos muitos”, primeira individual de Juraci Dórea em Pernambuco. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra abre ao público no dia 21 de janeiro, às 19h, no Recife, e apresenta mais de 120 obras, entre trabalhos inéditos e produções das décadas de 1970 e 1980, abrangendo linguagens como fotografia, escultura, desenho e pintura. Nascido em 1944, em Feira de Santana, onde vive e produz, Juraci Dórea construiu uma trajetória marcada pela articulação entre cultura popular e arte contemporânea, tomando o sertão como ponto de partida para refletir sobre memória, território e identidade. Ao longo de mais de 60 anos de produção, o artista desenvolveu uma poética profundamente ligada às vivências, símbolos e imaginários do povo sertanejo, incorporando fauna, flora, mitos e paisagens do interior nordestino. Com formação em arquitetura, Dórea transita por diferentes técnicas e linguagens, como escultura, pintura, desenho, fotografia, cinema e poesia. Segundo a curadora Galciani Neves, suas obras “traduzem o complexo contexto sócio-cultural ambiental do interior baiano e versam sobre as relações de boiadeiros, agricultores, tropeiros, feirantes e todas as comunidades que lidam com as condições, vegetação, bichos e clima do bioma da Caatinga”. Materiais como couro e madeira aparecem de forma recorrente, reforçando o vínculo entre narrativa simbólica e materialidade. Um dos destaques da exposição é a apresentação de trabalhos do Projeto Terra, iniciado em 1982 e ainda em desenvolvimento. Pensadas a partir do sertão e para o sertão, essas obras — que incluem esculturas, murais e quadros instalados no interior da Bahia — dialogam diretamente com a paisagem e seus habitantes. Registros fotográficos dessas intervenções, assim como da série “Arte para ninguém”, integram o conjunto exposto na Marco Zero. Ao reunir objetos, esculturas, desenhos em carvão, serigrafias, azulejos e telas, muitos deles inéditos, a mostra evidencia o interesse contínuo de Juraci Dórea pela experimentação e pela ampliação dos sentidos do sertão. Para Galciani Neves, “O Sertão: somos muitos” oferece “uma incursão bastante ampla sobre a poética do artista que decidiu fincar pés, corpo e arte no Sertão”, consolidando um panorama robusto da obra de um dos principais nomes da arte contemporânea do Nordeste. ServiçoExposição: O Sertão: somos muitos, de Juraci DóreaLocal: Galeria Marco Zero – Av. Domingos Ferreira, 3393, Boa Viagem, RecifeAbertura: 21 de janeiro de 2026, às 19hVisitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17hPeríodo: até 5 de março de 2026Entrada: gratuita

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Gestão de fundos do Banco do Nordeste cresce 30% e alcança R$ 21,5 bilhões em 2025

Expansão do patrimônio sob gestão e avanço do InvestAmigo reforçam inclusão financeira e ampliam base de investidores do BNB O Banco do Nordeste (BNB) encerrou 2025 com R$ 21,5 bilhões em patrimônio líquido sob gestão de fundos de investimento. O volume representa um crescimento de 30,1% em relação ao início do ano, quando a área de Ativos de Terceiros administrava R$ 16,6 bilhões, consolidando a expansão da instituição no mercado de investimentos. Base de investidores em expansão O crescimento também foi observado no número de cotistas. A base de investidores passou de 175.579 em 1º de janeiro de 2025 para 223.589 ao final do ano, uma alta de 27,5%. O resultado indica maior capilaridade na distribuição de fundos e fortalecimento da presença do BNB junto a diferentes perfis de clientes. Estratégia e democratização do acesso “Os números de 2025 refletem a força da nossa estratégia de crescimento em Ativos de Terceiros, combinando gestão disciplinada, oferta alinhada ao perfil do investidor e iniciativas que democratizam o acesso aos fundos”, destaca o presidente do BNB, Wanger de Alencar. Segundo o banco, a estratégia tem sido direcionada à ampliação do acesso ao mercado financeiro. InvestAmigo impulsiona inclusão financeira Entre os principais marcos do ano está o lançamento do InvestAmigo, iniciativa voltada à adesão de microinvestidores aos fundos de investimento. “Com o InvestAmigo, avançamos para levar investimento a quem antes ficava de fora, transformando milhares de microinvestidores em participantes do mercado e reforçando a confiança na nossa gestão”, afirma o diretor de Ativos de Terceiros, Antônio Jorge.

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“O Agente Secreto” vence dois Globos de Ouro e consolida momento histórico do cinema brasileiro

Filme de Kleber Mendonça Filho conquista os prêmios de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator de drama, com Wagner Moura, ampliando reconhecimento internacional “O Agente Secreto” acaba de alcançar mais um marco inédito para o audiovisual brasileiro ao vencer o Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. A conquista reforça a trajetória excepcional do longa na temporada de premiações internacionais e amplia sua projeção entre as principais produções do cinema mundial. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme já vinha acumulando reconhecimento da crítica ao se tornar a primeira produção brasileira a vencer o Critics Choice Awards de Melhor Filme Internacional, além de integrar o seleto grupo de obras que alcançaram o chamado trifecta, com prêmios concedidos pela National Society of Film Critics (NSFC), pelo New York Film Critics Circle (NYFCC) e pela Los Angeles Film Critics Association (LAFCA). A atuação de Wagner Moura, agora consagrada com o Globo de Ouro, tem sido apontada como um dos grandes destaques do filme, contribuindo para a força dramática da narrativa ambientada no Brasil de 1977. Em sua nona semana em cartaz no país, o longa já ultrapassou 1,1 milhão de espectadores, enquanto segue ampliando seu alcance internacional, com lançamentos recentes e previstos em mercados europeus. Com uma carreira sólida nos festivais e premiações, “O Agente Secreto” consolida-se como um dos filmes brasileiros mais premiados dos últimos anos e fortalece a presença do cinema nacional no circuito global, em um momento de grande visibilidade para produções fora do eixo hollywoodiano.

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CAIXA Cultural Recife celebra Naná Vasconcelos com show inédito

Espetáculo “Amém & Amem – Naná Vasconcelos 80 Anos” ocupa o palco de 12 a 14 de janeiro e integra as comemorações pelos 165 anos da CAIXA A CAIXA Cultural Recife recebe, de 12 a 14 de janeiro de 2026, o espetáculo “Amém & Amem – Naná Vasconcelos 80 Anos”, um tributo ao percussionista pernambucano que marcou a história da música brasileira e mundial. A temporada integra as comemorações pelos 165 anos da CAIXA e acontece no ano em que se completa uma década da morte de Naná, reunindo no palco Virgínia Rodrigues, Zé Manoel, Lucas dos Prazeres e Marivaldo dos Santos. O show propõe um encontro artístico que revisita o universo sonoro plural e espiritual de Naná Vasconcelos, combinando ancestralidade, improvisação e experimentação. A apresentação do dia 13 de janeiro contará com intérprete de Libras e será seguida de um bate-papo entre público e artistas, ampliando o caráter formativo e afetivo da homenagem. Reconhecido internacionalmente, Naná Vasconcelos (1944–2016) foi eleito nove vezes o Melhor Percussionista do Mundo pela revista Down Beat e venceu oito prêmios Grammy. Nascido no Recife, projetou os sons do berimbau e das raízes brasileiras para o mundo em parcerias com nomes como Milton Nascimento, Don Cherry, Pat Metheny, Egberto Gismonti, Gato Barbieri, Jean-Luc Ponty e a banda Talking Heads. O repertório do espetáculo reúne composições autorais, parcerias emblemáticas e influências de Heitor Villa-Lobos e Milton Nascimento, sob direção musical de Marivaldo dos Santos e direção artística de André Brasileiro. “Esse é um encontro que celebra as sementes musicais plantadas por Naná. Quatro artistas profundamente impactados por sua obra se reúnem para homenagear o mestre, guiados pelo afeto e pela força criativa que ele nos ensinou”, comenta o diretor. Além do show, na terça-feira (13), das 14h às 17h, Lucas dos Prazeres e Marivaldo dos Santos ministram uma oficina de percussão, com foco em técnicas corporais e instrumentais, criação coletiva de grooves e improvisação rítmica. Serão oferecidas 20 vagas, e as inscrições devem ser feitas no site da CAIXA Cultural. ServiçoAmém & Amem – Naná Vasconcelos 80 AnosLocal: CAIXA Cultural Recife – Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do RecifeDatas: 12 a 14 de janeiro de 2026 (segunda a quarta)Horário: 20hIngressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia – clientes CAIXA e casos previstos em lei), no site da CAIXA CulturalSessão do dia 13 com intérprete de Libras e bate-papo com os artistasClassificação: Livre | Acesso para pessoas com deficiência

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Entre fragmentações globais e novas disputas de poder, o mundo entra em um ciclo de incertezas

A Agenda TGI – Painel 2026 analisa os impactos da geopolítica, do clima e da inteligência artificial nos cenários global e local *Por Rafael Dantas Seja na economia, na política ou no meio ambiente, o mundo vive um contexto fragmentado de turbulência e poucos consensos, ao mesmo tempo que está intensamente conectado pelas novas tecnologias. Foi sobre esse fio condutor dramático e complexo que os consultores Francisco Cunha e Fábio Menezes realizaram as análises da Agenda TGI – Painel 2026. Um panorama impactado pelas mudanças climáticas, a guerra comercial entre Estados Unidos e China, além do avanço da inteligência artificial e do crime organizado. Um horizonte que exige estratégia e, simultaneamente, visão de curto e longo prazo.  Para fazer a leitura dos cenários do mundo, do Brasil, de Pernambuco e do Recife, Francisco e Fábio analisaram os grandes fenômenos globais que dão a temperatura e a direção de muitas decisões. Os principais destacados pelos consultores são a guerra fria 2.0 (geopolítico), o processo de “desglobalização” (econômico), o aumento da temperatura (climático) e o avanço da inteligência artificial (tecnológico).  Diretamente relacionado às fragmentações geopolíticas e econômicas, o avanço da China em direção ao protagonismo da economia mundial é um fator relevante nesse tabuleiro. Fábio Menezes apresentou um mapa (veja na página seguinte) impressionante que expõe como os asiáticos ultrapassaram os Estados Unidos enquanto principal parceiro comercial da maioria dos países do mundo. Um sintoma que afeta a balança comercial mas, também, a relação entre as nações. De acordo com cálculo do laboratório de pesquisa econômica Econovis, enquanto o crescimento do comércio internacional entre 2000 e 2014 foi de 167%, o desempenho chinês saltou 1.200% no mesmo período. Uma força que já “amedronta os Estados Unidos”, segundo o consultor Fábio Menezes. “A curva de crescimento da China é também mais forte do que a americana e isso faz com que as placas tectônicas da geopolítica se movam muito”, alertou Fábio Menezes. Após ser atropelado pelos chineses na América do Sul e Central, na África e em parte da Europa, os Estados Unidos passaram a dificultar o multilateralismo econômico – criado por eles e que predominou nas últimas décadas – e rivalizar com os Brics, bloco que tem os chineses como protagonistas. “A China é o principal parceiro comercial de 156 dos 191 países que compõem a ONU. A perspectiva dos especialistas é que a China caminhe para ocupar esse lugar [de maior economia do mundo] brevemente, até a década de 30.” O ápice dessa fragmentação econômica e geopolítica neste ano foi a imposição do chamado tarifaço, pelo presidente Donald Trump. Um terremoto nas relações comerciais em que todos os países estão aprendendo a se equilibrar. MEIO AMBIENTE E TECNOLOGIA Enquanto as relações comerciais entre as maiores potências do mundo se tensionam, bagunçando muitos negócios, as mudanças climáticas representam outra variável crítica inclusive para a sobrevivência humana. Um estudo realizado pelo Climate Central, em parceria com a World Weather Attribution e a Cruz Vermelha Internacional, revelou que o calor extremo aumentou em 195 países entre 2024 e 2025. Mesmo diante do cenário de agravamento da crise ambiental, com muitas tragédias se alastrando pelo planeta, seja de forma abrupta, como uma enchente, ou de maneira mais sorrateira, como o avanço das regiões áridas, o enfrentamento desse problema ainda não é levado como prioridade global. O fracasso no avanço de acordos mais contundentes na COP-30, que aconteceu no Brasil, é um exemplo disso.  “A decisão da COP-30 exclui o plano de Lula contra os combustíveis fósseis e atendeu à demanda de outros países, como a Europa. O que pude perceber é que sempre existe a expectativa de uma grande mudança, mas parece cada vez mais difícil. O que vemos são pequenos avanços gradativos, entrando ponto a ponto”, afirmou Fábio Menezes. Há uma questão econômica de base ainda distante de ser resolvida. “Os países industrializados, os países ricos, que enriqueceram explorando recursos naturais, não querem parar com isso. E os países menos desenvolvidos, que por serem menos industrializados preservaram um pouco mais seus recursos naturais, querem que os ricos ajudem a pagar essa conta.” Se a temperatura vai dando o seu recado, com catástrofes sobre catástrofes, outra mudança significativa que afeta trabalhadores do mundo inteiro é o crescimento avassalador da inteligência artificial. Uma transição tecnológica mas completamente alinhada às tensões econômicas e geopolíticas, visto que a China também está à frente nessa corrida. Mas, deixando as potências de lado, o grande fator em discussão é como o mundo vai lidar com a destruição de postos de trabalho, inclusive no setor de tecnologia, com a revolução da IA.  “Esse novo mundo híbrido que vivemos é atravessado pela convivência entre a inteligência natural, a humana, e a inteligência artificial, que cresce exponencialmente. A IA se insere nesse ambiente de antagonismos simultâneos: o real e o virtual, o físico e o digital, a verdade e a desinformação. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. A tecnologia, impulsionada pela inteligência artificial, é hoje uma variável que reorganiza a economia, o trabalho, a comunicação e a forma como entendemos a própria realidade”, destacou o consultor Francisco Cunha. Um dos alertas emitidos na Agenda TGI – Painel 2026 é que a automação de tarefas por meio da IA pode levar ao desemprego estrutural em vários setores, inicialmente para trabalhos de baixa qualificação. Os consultores ressaltaram que apesar de a IA também criar novas profissões, a transição requer requalificação em larga escala para que a mão de obra possa se adaptar. O Recife, por exemplo, já tem feito um esforço nessa direção com o incentivo de formações de base tecnológica e mesmo o programa Embarque Digital. Mas essa é uma corrida global, que ainda estamos assistindo. Essa agenda, inclusive, se entrelaça com a econômica e a ambiental, pois a IA demanda investimentos robustos em data centers. Essas estruturas, por sua vez, consomem muita energia. Uma pressão a mais para a geração a partir de matrizes renováveis. BRASIL NESSE CONTEXTO O Brasil, Pernambuco e o Recife são impactados pelas turbulências do mundo híbrido e fragmentado.

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Agenda CECON Renan Oliveti

Centro de Convenções de Pernambuco fecha 2025 com 201 eventos e mais de 1,6 milhão de participantes

Equipamento consolida novo patamar no turismo de negócios e no entretenimento e projeta crescimento sustentável para 2026. Foto: Renan Oliveti O Pernambuco Centro de Convenções (CECON) encerrou 2025 com resultados expressivos que reforçam seu protagonismo no mercado de eventos do Nordeste. Ao longo do ano, o equipamento sediou 201 eventos entre feiras, congressos, convenções, encontros corporativos, espetáculos, formaturas e grandes atrações culturais, reunindo um público total de 1.687.290 participantes e impulsionando a economia local. O fluxo de visitantes gerado pelas atividades do CECON teve impacto direto na cadeia produtiva de serviços, especialmente nos setores de hotelaria, alimentação, transporte e comércio. O desempenho reflete a retomada definitiva do setor de eventos em Pernambuco e o fortalecimento do turismo de negócios no Estado, ampliando a relevância econômica do equipamento. Para o CEO do Centro de Convenções, Antônio Peçanha, os números confirmam um ciclo de consolidação institucional e estratégica. “Este foi um ano de consolidação. Conseguimos entregar resultados acima das expectativas e reafirmar o CECON como um protagonista regional no segmento de eventos. Os números mostram que o mercado reconhece o equipamento como um espaço moderno, confiável e preparado para operações de grande porte”, afirma. A ocupação dos espaços internos também registrou desempenho elevado. O Pavilhão de Feiras contabilizou 95 dias de realização de eventos, abrigando encontros de relevância nacional, enquanto o Teatro Guararapes somou 129 dias de atividade, mantendo-se entre os principais palcos culturais do Nordeste. “Avançamos na qualificação da operação, no relacionamento com produtores, entidades e associações, e especialmente na melhoria da experiência de quem realiza e de quem participa dos eventos. Isso tem sido fundamental para ampliar a confiança no nosso equipamento”, destaca Peçanha. Outro destaque de 2025 foi a consolidação da área externa como polo de grandes shows em Pernambuco. O espaço recebeu 13 apresentações de grande porte, reunindo cerca de 280 mil pessoas e atraindo turnês de artistas nacionais de diferentes estilos musicais. “A performance da nossa área externa colocou o CECON em um novo patamar no circuito de entretenimento nacional. Conseguimos receber produções de grande visibilidade, com alto nível de entrega técnica e experiência para o público. Isso fortalece enormemente nossa presença no mercado e abre portas para projetos ainda maiores em 2026”, comemora o CEO.

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Transnordestina 2025

Transnordestina: Para Pecém tudo, para Suape nada! Por quê?

*Por Francisco Cunha Desde o redesenho, em 2003, do antigo traçado da ferrovia Transnordestina, com a criação do que se chamou de “Nova Transnordestina”, partindo de Eliseu Martins, no Piauí, e bifurcando em Salgueiro para os portos de Pecém (Ceará) e Suape (Pernambuco), que sinto cheiro de queimado em relação à contemplação dos interesses de Pernambuco. Nunca entendi, por exemplo, o porquê de a construção começar do interior para o Porto de Suape e, não, do porto para o interior como seria o mais lógico. Afinal, se fosse do porto para o interior, ela poderia ir sendo logo operada com o transporte de carga, tanto de importação quando de exportação ou, mesmo, distribuição interna, como era o caso de combustíveis cuja demanda é enorme, em especial após a instalação da Refinaria Abreu e Lima. Depois, informaram que a bitola de Salgueiro para Pecém seria mista e a de Salgueiro para Suape larga, o que conferia ao trecho cearense muito mais competitividade. Sem falar do abandono pela concessionária da malha métrica centenária que interligava os portos do Nordeste Oriental (RN/PB/PE/AL) entre si e, eles, com o interior, além da criação de uma outra empresa que tratou de desativar progressivamente todos os trechos dessa região.  E o cheiro de queimado só fazia aumentar ao longo do tempo até que as labaredas surgiram, aos 45 minutos do segundo tempo do Governo Bolsonaro, entre o Natal e o Ano Novo em 2022, com a exclusão do trecho pernambucano do contrato de concessão. Aí, ficou explícita a urdidura nefasta de beneficiar Pecém em detrimento de Suape.  Depois de uma mobilização pernambucana, da qual fez parte ativa a Revista Algomais, conseguiu-se fazer com que o trecho eliminado do contrato de concessão fosse assumido pelo Governo Lula e passasse a fazer parte do novo PAC, com a previsão de um valor correspondente a 10% do custo estimado do trecho a ser concluído entre Custódia e Suape (algo em torno de R$ 400 milhões). Enquanto isso, a Sudene, por determinação do Ministério da Casa Civil, liberou R$ 5,6 bilhões dos Fundos de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e de Investimentos do Nordeste (Finor) e já assegurou até 2026 mais R$ 2,6 bilhões, praticamente a totalidade do FDNE até lá, para o trecho do Ceará. Comparando os números e fazendo uma conta elementar, é possível concluir que, enquanto o Ceará já anuncia o começo do funcionamento do seu trecho para 2026, o pernambucano levará na melhor das hipóteses, 10 anos para ser concluído (se forem garantidos recursos anuais equivalentes a 10% do valor total, como ocorrido em 2025).  Isso, sem falar das dúvidas técnicas que remanescem para o trecho de Custódia a Suape considerando que a sua mera retirada do contrato de concessão tem implicações que levam, na prática, à necessidade de uma reconfiguração do próprio projeto. Por exemplo: como não mais será transportado minério de ferro para Suape desde o interior do Piauí (que só irá para Pecém), tem sentido manter a bitola larga nesse trecho já que ela requer um investimento bem maior e, por conseguinte, uma tarifa mais cara para cargas leves? Em sendo assim, o traçado deve permanecer o mesmo? Não seria o caso de implantar, pelo menos a bitola mista? Além dessas, pelo que dá a entender da opinião de técnicos independentes, muitas outras questões são cabíveis, o que aponta para a necessidade de rediscussão da própria configuração da ferrovia. Todavia, o que se tem visto é a licitação para reinício da construção a partir de Custódia com as mesmas especificações técnicas do projeto original. Para quem está na janela, como é o meu caso, observando as questões estratégicas relativas a Pernambuco há quase cinco décadas, salta aos olhos a atual falta de densidade política para tratar a questão da Transnordestina, um eixo logístico de fundamental importância para o desenvolvimento estadual. Quando se compara, então, com a mobilização que está sendo feita pelo estado do Ceará, chega a ser humilhante o vazio da articulação pernambucana. Desde que Pernambuco perdeu importância nacional pela mudança do centro de gravidade da economia nordestina para à do Sudeste e pela brutal perda da maioria do seu território como represália à Revolução Pernambucana de 1817 e à Confederação do Equador de 1824 (Comarca das Alagoas e Comarca do São Francisco, respectivamente), observou-se a permanência de uma forte representação política com bancadas federais e estaduais expressivas e aguerridas. Fazendo um hiper-resumo histórico desse período, pode-se dizer que Pernambuco virou, no contexto nacional, um estado fraco do ponto de vista econômico, mas permaneceu politicamente forte, inclusive finalizando o Século 20 com a ascensão à Vice-Presidência da República de um natural do Estado (Marco Maciel) e iniciando o Século 21 com outro chegando à própria Presidência (Lula). Mas nos dias que correm, a apatia em relação à garantia do trecho pernambucano da Transnordestina nas condições em que o Porto de Suape precisa é impressionante. Sem ele, o porto perde um requisito fundamental para a sua competitividade que é a retaguarda ferroviária. Não existe nenhum porto competitivo no mundo que não a tenha. Pelo andar devagar quase parando da maria fumaça pernambucana e pelo que estou pressentindo daqui a pouco o processo de retomada vai ser interrompido por causa de indefinições técnicas e/ou falta de recursos, enquanto o trem-bala cearense vai chegar desembestado no Porto de Pecém. Parece que Pernambuco virou uma espécie de gato maracajá do semiárido nordestino em expansão. Um destino muito triste para quem já foi considerado o Leão do Norte! Talvez só nos reste orar pela proteção do Padrinho Padre Cícero mesmo sabendo que ele era cearense…

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“2026 será o Ano Cultural Brasil-China e uma ótima oportunidade de aproximação de Pernambuco com os chineses”

Professor da FGV-Rio, Evandro Carvalho fala do evento a ser realizado no Recife, no ano que vem, que visa estimular a aproximação do País com o Gigante Asiático. Afirma que Pernambuco tem uma relação “deficiente” com a China, ao contrário de alguns estados do Nordeste. Ele também analisou o poder do Brics e a relação conflituosa de Trump com o Brasil e o país de Xi Jinping. Berço da primeira República do Brasil e com uma forte cultura que remonta à sua história, Pernambuco, segundo o Evandro Carvalho, professor de Direito da FGV-Rio, apresenta caractrerísticas que facilitariam uma relação econômica mais próxima com a China. “Na filosofia do Tao há uma passagem que diz algo como ‘você olha para a mãe, saberá como são os seus filhos’, ou seja, conhecer o passado é se prevenir contra danos no presente. Isso está muito presente na cultura chinesa, essa valorização da origem das coisas.  Os chineses trabalham muito a questão da história”, constata. Mas Pernambuco também tem um porto moderno e parques tecnológicos que interessam aos chineses. Porém, as relações comerciais com o Gigante Asiático ainda são tímidas e muitas vezes realizadas por intermédio de entidades de São Paulo. “Mas alguns estados nordestinos estabeleceram uma relação direta com os chineses”, alerta o professor que está trazendo para o Estado em 2026 – o Ano Cultural Brasil-China – um evento da revista China Today, que visa promover essa aproximação. Nesta entrevista a Cláudia Santos, Evandro Carvalho – que também é professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense e da Cátedra Wutong do College of Sinology and Chinese Studies da Universidade de Língua e Cultura de Pequim – fala  da relação de Pernambuco com os chineses. Também  analisa o embate de Donald Trump com o Brasil e o país de Xi Jinping e defende uma institucionalização do Brics. Alguns analistas dizem que Trump decretou a maior tarifação para o Brasil para servir de exemplo, como um recado para a China. Você compartilha desta análise? Diante da ascensão chinesa, Donald Trump quer fortalecer a economia dos EUA. É uma tentativa de conter a China para que ela não se torne a maior economia do mundo e isso possa gerar transformação nas relações de poder do sistema internacional e nos padrões de conduta, valores e visões. A China é o maior parceiro comercial de quase 140 países e tem uma política externa de investimento cada vez mais expansiva. Então, essa é a primeira preocupação de Trump.  Além disso, o método dele para que os países considerem os EUA como principal parceiro é agressivo e antipático. Ele prefere negociações bilaterais, que são sempre muito difíceis. Tem pavor ao multilateralismo e, ao invés de buscar a via diplomática, força uma negociação desejando que a outra parte já inicie de joelhos.  Os países que resistem a isso tornam essa negociação mais dura e ele não tem paciência com esse “jogo de xadrez” mais complexo com figuras como Putin, Xi Jinping e Lula.  Já a Europa, teve um comportamento de submissão às condições estabelecidas por Trump. É um caminho errado porque ele respeita quem o desafia. A presença chinesa na América Latina é outro problema para os EUA por várias razões, incluindo, indiretamente, razões militares. Diante do risco de conflitos entre grandes potências mundiais e se os EUA conseguirem renovar a doutrina Monroe, de América para os americanos, terão recursos disponíveis para aguentar uma guerra, porque terão uma área com terras raras, minérios, petróleo e alimentos.   A presença chinesa gera desconforto e impõe limites aos EUA. Outro fator é o apoio de Trump à expansão da extrema-direita. Bolsonaro chegou a dizer que, se caísse a proibição da sua inelegibilidade e ele fosse novamente presidente, tiraria o Brasil do Brics. É como se dissesse: “Se eu for protegido, lhe entrego tudo que você quer”. Isso era música aos ouvidos do Trump, mas ninguém contava com a capacidade do Lula de lidar com essa situação.  Nesse contexto, qual o papel do Brics?  Com a expansão recente, incluindo Emirados Árabes Unidos, Irã, Egito e Indonésia, o Brics amplia sua legitimidade, tanto do ponto de vista populacional, quanto econômico. O PIB global que esse grupo representa já era maior que o do G5 e agora é maior que o do G7. Mas não é apenas um grupo de países visando acordos econômicos. Há uma agenda reformista que distingue o Brics de qualquer outro acordo ou agrupamento de países mais voltados às questões de parcerias econômicas.  Quando falamos em reformas como a da ONU, FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio e da Organização Mundial da Saúde, o Brics quer ter maior participação, maior poder de influência no mundo, para ampliar a força, a legitimidade dos países em desenvolvimento. É um grupo que precisa ser ouvido pela força que tem por “N” razões. A China gabarita todos os itens. A Rússia não é tão forte quanto o Brasil do ponto de vista econômico, mas é forte militarmente. A Indonésia tem uma grande força no mercado, e uma população que ultrapassou à do Brasil.  Ter uma agenda reformista não significa que o grupo contesta a ordem internacional, pelo contrário, a China e a Rússia estão bem confortáveis no Conselho de Segurança da ONU. Não é uma questão de implodir a ordem, mas avaliar como as diferenças dos países podem ser manejadas. A segunda questão é que essa ampliação aumenta a complexidade do grupo e eu acho isso muito interessante, desafiador, mas a realidade desses países tão diversos é uma grande vantagem. No passado, com a ideia de globalização da década de 90, as diferenças eram vistas de forma negativa. Mas a globalização na perspectiva chinesa é baseada na noção de que a harmonia está nas diferenças.  Eu defendo a institucionalização do Brics, que seria transformá-lo numa organização internacional. Há críticas a essa proposta, como o risco de trazer custos aos estados, burocratizar o processo decisório etc. Porém, não vejo que a institucionalização precise necessariamente significar uma estrutura pesada. Uma secretaria administrativa internacional pode

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