Arquivos Artigos - Página 5 De 19 - Revista Algomais - A Revista De Pernambuco

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The Chosen: novas temporadas disponíveis na Netflix

A página em branco é o terror do escritor. Como começar? Quais palavras abrirão o texto? Como atrair o primeiro olhar do leitor? Questões que atormentam, não importa a longa estrada de escritos que tenha percorrido. Assim começa a segunda temporada de The Chosen, incluída recentemente no catálogo da Netflix ao lado também da terceira. Contar uma história envolve não apenas o resgate das próprias memórias, é necessária muita pesquisa, debruçar-se sobre diferentes pontos de vista. Na sequência inicial do primeiro episódio, o apóstolo João entrevista alguns discípulos com a seguinte questão: como foi seu primeiro encontro com Jesus? As cenas seguem com uma pegada de documentário. Maria é a última a ser entrevistada. A partir do depoimento da mãe de Jesus, surge a inquietação do apóstolo: como começar a escrever todos aqueles relatos? O episódio é muito bem costurado, tem como norte a relação de João e Tiago com os outros discípulos, pincelada pela vaidade e soberba que passam a destilar após receberem elogio de Jesus. É desse temperamento forte que recebem o conhecido título de “Filhos do Trovão”. Diferente de outras produções do gênero, The Chosen lança-se a uma interpretação livre dos relatos do Novo Testamento Bíblico. Propõe um Jesus mais humano, com sacadas bem-humoradas e grande carisma. As três temporadas da série estão disponíveis na Netflix.

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5 tendências de ESG para ficar atento em 2024!

Por Rafael Coutinho Dutra Nos últimos anos, os aspectos sociais, ambientais e de governança (ESG) ganham protagonismo nas decisões empresariais. Esse movimento é essencial para a sustentação de empresas que desejam um futuro sustentável e comprometido com as pessoas, com o planeta e com práticas conectadas aos desafios dos novos tempos. O termo ESG é jovem, surgiu há vinte anos, em 2004, em um material publicado pelo Banco Mundial em parceria com o Pacto Global das Nações Unidas (ONU) e instituições financeiras de nove países. O material tinha como direcionador a ideia que já está consolidada: "ganha quem se importa". Essa revolução da sustentabilidade, e todos os outros aspectos ESG, destacaram-se, ainda mais, após a criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU em 2015. Os ODS são um conjunto de 17 metas prioritárias e 169 metas de alcance global para que “ninguém no mundo seja deixado para trás”. Esse conceito e o conjunto de ações que compõem a Agenda 2030 são compromissos ligados aos direitos humanos, erradicação da pobreza, luta contra a desigualdade e a injustiça. Não podemos deixar de destacar a importância da igualdade de gênero, o empoderamento das mulheres, as ações contra as mudanças climáticas e a promoção do crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, assim como o emprego pleno e produtivo. Para um futuro que já se fez presente, o trabalho decente para todos, a construção de infraestruturas resilientes, com a promoção da industrialização sustentável, e o fomento à inovação, precisam ocupar o topo dessa lista. Os ODS têm servido como um guia para as empresas que buscam integrar os aspectos ESG em suas operações e decisões. As organizações que adotam práticas ESG estão mais bem posicionadas para prosperar no futuro, demonstrando alinhamento com as principais tendências globais de gestão e de práticas. Uma consequência direta é a construção da reputação de sustentabilidade e responsabilidade, agora no presente, como um ativo importante. O hoje e o amanhã pautados pelos ODS. Consultorias de todo o planeta direcionam pesquisas para mapear como os empresários pensam o futuro dos seus negócios a partir das práticas de ESG. Em Pernambuco e no Brasil, proliferam cursos, workshops, palestras, reportagens especiais e eventos de grandes impactos. Os tomadores de decisões, que ocupam o topo da pirâmide empresarial, trilham um caminho ao transformar as ideias em ações, demonstrando que podem viver em equilíbrio permanente com o meio ambiente e com as pessoas. O maior retorno é que haverá chance de futuro para o planeta, o consumidor continuará a comprar e as empresas continuam produzindo sem comprometer seus resultados. Por isso, o motivo da paixão sobre esse assunto. Vamos, agora, prestar atenção a algumas tendências que podem se destacar dentro da imensidão de temas que recobrem o ESG, com foco na equidade, sustentabilidade e redução de emissões. >> 1. Equidade e inclusão A preocupação crescente com o envolvimento das mulheres no ambiente empresarial, de pessoas negras e profissionais com mais de 50 anos pautará o debate e as estratégias em 2024. As empresas que adotarem práticas de equidade e inclusão estarão mais bem posicionadas para atrair e reter talentos, além de atender às demandas de um mercado cada vez mais diverso. 2. Agenda das micro, pequenas e médias para a sustentabilidade As micro, pequenas e médias empresas, que juntas geram um grande impacto na economia brasileira, também devem se preocupar com a adoção de práticas sustentáveis e conexão com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 3. Redução de emissões de gases na origem A redução de emissões de gases do efeito estufa é outra tendência discutida já há uns anos e torna-se ponto crucial. As empresas devem focar nessa redução na fonte. Ou seja, na adoção de medidas para evitar a emissão de gases. 4. Inovação com foco sustentável A inovação é essencial para o sucesso das empresas e elas devem investir em pesquisas e desenvolvimento para criar produtos e serviços alinhados com os ODS. Haverá uma maior preocupação com embalagens retornáveis que permitam e o uso de materiais biodegradáveis. 5. Economia digital A digitalização de operações e o uso de tecnologias que permitem o reúso de água com o controle em tempo real do que está sendo consumido são exemplos desse movimento que não para. Além disso, o desenvolvimento também de aplicativos voltados para as questões ambientais. Empresários, atenção! Algumas estratégias são montadas considerando o cliente como centro do negócio, mas esses clientes compõem um grande ecossistema e são impactados de todas as formas pelos negócios que as empresas desenvolvem. No entanto, agora quem deve ficar no centro de qualquer negócio é o meio ambiente. A empresa deve ser fiel às suas ações e às suas palavras, e deve ser fiel ao que se propõe. Em 2024, as tendências ESG podem ser influenciadas por diversos fatores, como as demandas da sociedade, a cultura de um local, suas especificidades, a evolução tecnológica, a mídia e o entretenimento, as escolhas realizadas pelos consumidores e o comportamento dos influenciadores e líderes de opinião. No entanto, haverá, em 2024, de forma geral, uma divulgação (e a preocupação legítima) ainda mais acelerada com as premissas discutidas aqui, relacionadas nos ODS. Portanto, empresários, fiquem atentos às tendências de ESG para 2024 e comecem a agir agora! *Rafael Coutinho Dutra é professor de graduação e pós-gradução e Mestre em gestão empresarial (omestreemgestao@gmail.com | Instagram: @omestreemgestão)

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Protegendo a propriedade intelectual no mercado dos games

*Por Juliano Félix Nos últimos anos, o universo dos videogames passou por uma revolução. De uma indústria associada predominantemente aos jovens, tornou-se um setor vasto e multifacetado, abrangendo diversas faixas etárias e movimentando cifras impressionantes. No epicentro desse fenômeno, jogos eletrônicos despontam não apenas como um entretenimento digital, mas como um conglomerado de propriedade intelectual (PI) valiosa e suscetível à proteção. Proteção por Direitos Autorais: Preservando a Alma do Jogo A magia dos jogos eletrônicos reside em sua concepção artística, histórias envolventes e elementos visuais únicos. Esses elementos, desde as ilustrações até o enredo, são protegidos pelos direitos autorais, pilar fundamental para proteger a alma do jogo. A Lei n.º 9.610/98 (Lei dos Direitos Autorais) garante a proteção desses ativos sem a necessidade de registro, embora este seja crucial para autenticação e resolução de disputas. Além disso, é importante mencionar que a essência técnica por trás da versão eletrônica do jogo, seu código fonte e algoritmos, é também protegida por meio do registro de programa de computador no INPI. Esse registro, além de garantir a proteção jurídica do conteúdo técnico do jogo, oferece uma base sólida para autenticação da autoria e resolução de eventuais litígios relacionados à propriedade intelectual, reforçando assim a proteção integral do jogo em sua totalidade, desde sua estética até sua essência técnica. Proteção por Marcas e Desenhos Industriais: Identidade Visual e Reconhecimento no Mercado Marcas não são apenas símbolos; são a identidade visual que diferencia e identifica um produto. Nomes, logotipos e elementos distintivos associados aos jogos estão protegidos por registros no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Esse processo confere ao titular direitos exclusivos de uso por 10 anos, renováveis, garantindo a singularidade do jogo no mercado competitivo dos games. Além disso, os desenhos industriais, quando dotados de originalidade, são fundamentais para a proteção visual dos elementos físicos do jogo. O registro desses desenhos, tanto tridimensionais quanto bidimensionais, no INPI, assegura uma identidade gráfica única, resguardando aspectos visuais inovadores dos jogos. Um Mundo de Possibilidades: Impacto Econômico e Estratégias Emergentes O mercado global de jogos ultrapassou os US$ 196,8 bilhões em 2022, e esse crescimento só tende a aumentar. Investidores estão de olho nesse setor em expansão, impulsionando startups e promovendo grandes acordos comerciais. Nessas relações, além das proteções individualizadas dos ativos, se mostra imprescindível a adoção de contratos ou acordos comerciais que regulem a exploração econômica da propriedade intelectual envolvida como um todo, tais como, o Contrato de Criação de Obras, Contrato de Desenvolvimento e de Licenciamento de Software. Estratégias para Proteção Contínua A proteção eficaz da Propriedade Intelectual (PI) para os jogos eletrônicos requer uma abordagem estratégica abrangente, incorporando diversas formas de proteção legal. Desde a proteção por Direitos Autorais, que abrange elementos como desenhos, ilustrações e concepção artística, até a segurança do código fonte através do registro no INPI, cada faceta da PI é cuidadosamente considerada. Nesse contexto, a adoção conjunta de estratégias legais e contratuais emerge como um pilar fundamental. Essa combinação visa assegurar a integridade, exploração eficiente e proteção de longo prazo da propriedade intelectual dos jogos, estabelecendo uma base jurídica robusta para enfrentar os desafios dinâmicos do mercado e para garantir a duradoura relevância e valor do jogo. *Juliano Félix, advogado da Escobar Advocacia, atuante com foco na esfera consultiva do Direito Empresarial, Propriedade Intelectual e Direito Contratual.

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O que o triunfo do ultraliberalismo na Argentina significa para a América Latina?

Por Tiago Lima Carvalho A Argentina surpreendeu o mundo ao eleger Javier Milei como seu novo presidente, um candidato que se define como ultraliberal e antiestatista e que propõe uma mudança radical na política e na economia do país. A sua vitória tem consequências importantes para a América Latina, que enfrenta um novo cenário político, económico e social. Por um lado, Milei representa uma ruptura com as tendências populistas e socialistas que marcaram a história recente da região e que geraram crises e conflitos em vários países. Milei se inspira em líderes como Bolsonaro, Trump e Reagan, e se opõe aos governos de Maduro, Morales e Correa. Por outro lado, Milei propõe uma revisão das alianças e blocos regionais e questiona a adesão da Argentina ao Mercosul, principal acordo comercial da América do Sul. Milei critica o protecionismo e o intervencionismo que caracterizam o Mercosul e defende o livre comércio e a abertura econômica com países como Estados Unidos, Chile e Israel. Por fim, Milei gera expectativas e dúvidas nos mercados financeiros, e propõe uma medida polêmica: dolarizar a economia e eliminar o Banco Central. Milei afirma que esta medida poria fim à inflação e à corrupção, mas também implica um risco de hiperdeflação e de perda de soberania monetária. Além disso, Milei anuncia a intenção de renegociar a dívida externa e rever os acordos com o FMI. Estas são algumas das consequências que a eleição de Javier Milei como presidente da Argentina para a América Latina poderia ter, mas teremos que ver como se desenvolve a sua administração e como outros países reagem ao seu mandato. Tiago Lima Carvalho é Bacharel em relações internacionais, Especialista em Direito internacional e Pesquisador em ParaDiplomacia

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Leonardo Antônio Dantas Silva

*Por Francisco Cunha Desde que me entendo de gente (na prática, depois que entrei na Faculdade de Arquitetura) que acompanho a trajetória de Leonardo Dantas Silva, sobretudo por conta de sua monumental obra editorial (mais de 300 títulos publicados, 30 dos quais como autor), sem falar de suas criações como a Frevioca e o Baile da Saudade, além dos discos que produziu. Confesso que, no início, o fazia à distância, com receio de me aproximar e levar um fora dada a fama de irascível que tinha. Até que precisei usar uma frase sua (“o Recife é um museu vivo da história de Pernambuco”) num livro que eu estava escrevendo e o procurei diretamente por telefone. Ele, depois de ouvir o meu pedido, nem titubeou: “Eu nunca disse isso!”. Diante de afirmação tão peremptória, fiquei em dúvida. Pedi um tempo para refazer minha pesquisa e desliguei. Refiz a pesquisa e, como tinha imaginado, lá estava a frase, com referências e tudo. Mandei para ele e recebi como resposta: “É mesmo, eu disse!” A partir daí, desfeito um pouco do meu receio original, passei a procurá-lo com mais frequência para tirar dúvidas e pedir orientações sobre pesquisas e, numa dessas conversas telefônicas, recebi o convite: “Apareça lá em casa, no fim da tarde, para comer uma tapioca…”. Tomei coragem e fui lá algumas vezes. Foram ocasiões muito agradáveis e muito esclarecedoras. O conhecimento de Leonardo era enciclopédico, a memória riquíssima em detalhes, sua biblioteca gigantesca, suas histórias embasadas, detalhadas e pitorescas e, ao fim e ao cabo, sua companhia agradável, não obstante a indisfarçável intolerância para com os pretenciosos do conhecimento e os rasos de espírito. Uma vez confessou, entre saudoso de tempos intelectualmente mais estimulantes e conformado: “O problema, hoje em dia, é que não temos mais com quem conversar…”. Diante dos reiterados convites que eu fazia pelas redes sociais, para as nossas Caminhadas Domingueiras, Leonardo, tomando conhecimento delas, se desculpava por não poder participar com comentários do tipo: “Não posso porque, além das várias cirurgias que fiz, sofro do coração e dos pulmões por conta da poeira de livros e jornais velhos que aspirei.” Depois que passei a ter uma convivência menos distante com ele, a impressão que me ficou é a de que Leonardo foi talvez um dos últimos representantes de uma geração sui generis de pernambucanos (ou “pernambucanizados”) “enciclopédicos”, oriundos do Século 20, da estirpe de seu mestre José Antônio Gonçalves de Melo, de Mário Melo, de Josué de Castro, de Ulisses Pernambucano, de Valdemar de Oliveira, de Pinto Ferreira, de Mauro Mota, de José Luiz Mota Menezes e de vários outros, sem falar no mestre dos mestres, Gilberto Freyre. Aqui, no espaço desta coluna final de cada número da Algomais, fui companheiro de Leonardo, um dos mais antigos colaboradores da publicação com a sua seção Arruando por Pernambuco, por boa parte da história da revista, e me coube a tarefa de escrever no seu lugar e em sua homenagem, no espaço que seria seu e que, hoje, chega o momento de, infelizmente, estar sendo publicado pela última vez. E isso me faz refletir sobre a efemeridade de nossa passagem pelo plano terrestre e sobre a importância da obra que deixamos por aqui. E a de Leonardo é oceânica. Escrevi logo que soube do seu falecimento: “Estão menores a cultura e a historiografia pernambucanas”. Disse e reafirmo. Tenho certeza de que, desde Francisco Pereira da Costa, de cuja obra aliás foi responsável pela reedição dos 10 volumes do monumental Anais Pernambucanos, ninguém como Leonardo fez tanto pela sistematização e pela divulgação da historiografia pernambucana. Você já está fazendo falta, Leonardo! Vá na certeza de que nós, artífices e leitores da Algomais, lhe somos muito gratos pelo conhecimento que você tão generosamente compartilhou conosco, com tanta qualidade e por tanto tempo. Siga em paz o seu caminho pela eternidade “deixando (como disse do enciclopédico Mário Melo, o amigo comum Nelson Ferreira), na sua cidade um mundo de saudades sem igual”!

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Um exemplo perto de nós e viável para nosso povo

*Por Débora Almeida A minha experiência na Colômbia, conhecendo as cidades de Bogotá e Medellín, mostra a importância e o bom exemplo da gestão pública atuando na qualidade de vida das pessoas. Fica claro a existência da preocupação com a segurança, mas sem esquecer social. Um dos lemas mais falados por lá é que o “o melhor deve ser para os mais pobres” e que se não se consegue acabar com a pobreza os gestores devem focar em dar mais dignidade para as pessoas. Conhecemos uma série de iniciativas com que visam diminuir a violência e garantir uma vida melhor para as pessoas, chamou a atenção os complexos estruturados que são repletos de atividades culturais e esportivas, tudo isso integrado a um sistema de transporte público eficiente com teleféricos, BRTs, metrô e ônibus. Ficou claro, nas nossas reuniões com os gestores públicos colombianos, que a diminuição dos índices de violência é resultado dessas ações voltadas para o social, educação e segurança. Tudo isso gera uma sensação de pertencimento das pessoas e cuidam dos equipamentos instalados nas cidades. A insegurança pode ser combatida com o estímulo à convivência social, pois quanto maior o número de pessoas na rua, mais segura a cidade se torna. Por isso, uma das medidas de combate à violência adotadas na Colômbia foram, justamente, a criação de espaços de convivência e não o aumento do policiamento. Portanto, a pacificação se deu também por meio do urbanismo social, que propôs intervenções a fim de fomentar o convívio entre as pessoas e mudar a relação da população com a cidade. A partir disso, foi possível criar um ambiente seguro para todos os moradores de locais antes considerados violentos e perigosos. Graças às mudanças, Medellín é um exemplo dos resultados alcançados com o número de homicídios na cidade despencando com o passar dos anos. No início dos anos 1990, a taxa de homicídio era de 360 por 100 mil habitantes. Caindo para 160 por 100 mil habitantes em 2000 para 35,3 em 2005. Manteve-se nesse patamar nos três anos seguintes, mas em 2009 voltou a crescer, chegando a 94 mortes por 100 mil habitantes. Nos quatro anos seguintes, caiu novamente: 86 (em 2010), 69,6 (em 2011), 52 (em 2012) e 38 (em 2013). E seguiu reduzindo, com 14 mortes em 2020. Por trás das soluções implementadas nas favelas da cidade, há também importantes acordos com a população, com as empresas envolvidas e com o terceiro setor. Para definir esses pactos de convivência, de uso e de cidadania, todos esses atores são reunidos e, assim, dialogam e formalizam o comprometimento. Além disso, para lembrar os moradores desses pactos, frases relacionadas ficam expostas em diversos lugares da comunidade. Essa ação tem o intuito de provocar uma verdadeira transformação da cultura do local e, consequentemente, fomentar a transformação social. Ficou a lição que precisamos parar de olhar o mapa da cidade para aplicar políticas baseadas em áreas. É importante ver os indicadores por bairro e ouvir suas necessidades. É preciso reconhecer, valorizar e potencializar o que há em cada território. Quais são os bairros mais violentos? O que eles precisam? A transformação lá não foi só urbana, mas cultural. Qualificar o serviço público não é só uma questão estética, mas também ética. Ficamos muito felizes com que vimos e com as nossas conversas com a população. Na nossa bagagem de volta ao Brasil ficou que é possível atuar com foco nas pessoas, todos que interagiram comigo comentavam o espanto e a falta de conhecimento desta realidade. Tudo é possível se trabalharmos com força, foco e vontade. Vamos juntos mudar essa realidade. Por Debora Almeida, deputada estadual (PSDB) e duas vezes prefeita de São Bento do Una

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A importância dos contratos relacionados à propriedade intelectual

*Por Gustavo Escobar A propriedade intelectual (PI) é uma chave mestra da economia contemporânea, salvaguardando criações oriundas do engenho humano. Estas criações, protegidas por diversas legislações ao redor do mundo, incluem invenções (protegidas por patentes), marcas, designs industriais, segredos de negócio, direitos autorais (que protegem obras literárias, artísticas, musicais, cinematográficas e software) e direitos conexos (como os direitos dos artistas intérpretes ou executantes, dos produtores de fonogramas e dos organismos de radiodifusão). A multiplicidade e diversidade de objetos protegidos por PI realça sua importância no cenário econômico e cultural global.  Neste cenário, os contratos emergem como ferramentas indispensáveis para garantir que os direitos associados à PI sejam devidamente tratados e respeitados, como a segurança jurídica - um contrato bem redigido proporciona estabilidade e clareza sobre os direitos e deveres de cada parte envolvida, reduzindo a ambiguidade e potenciais conflitos. Por exemplo, em acordos de coautoria para uma obra literária, um contrato específico pode determinar quem detém os direitos de adaptação cinematográfica, minimizando disputas futuras. Outro ponto é sobre transferência e licenciamento - os contratos permitem que os direitos de PI sejam transferidos ou licenciados. Considere o caso da indústria farmacêutica: uma empresa pode desenvolver uma nova droga e licenciá-la para produção e distribuição por outra empresa, recebendo royalties sobre as vendas. Isso facilita a entrada de produtos no mercado e a recuperação de investimentos em pesquisa. Já um ativo intangível bem protegido por contratos pode aumentar o valor de mercado de uma empresa. Por exemplo, marcas valiosas, como “Apple” ou “Coca-Cola”, são ativos que, respaldados por contratos de licenciamento, podem gerar receitas substanciais. Contratos de PI também podem estabelecer cláusulas de confidencialidade, protegendo informações vitais de serem divulgadas. Em setores como o de tecnologia, onde o segredo industrial é crucial, um contrato pode prevenir que inovações sejam copiadas ou vazadas antes do lançamento oficial. Acordos de PI, como parcerias de pesquisa entre universidades e empresas, incentivam a cooperação. Por exemplo, uma universidade pode descobrir uma nova tecnologia, enquanto uma empresa possui a infraestrutura para comercializá-la. Um contrato bem elaborado beneficia ambas as partes, garantindo a partilha equitativa dos lucros e a continuidade da pesquisa. Outro ponto muito importante é sobre adaptação a diferentes jurisdições. Dada a natureza global da economia, é comum que contratos de PI envolvam partes de diferentes países. Tais contratos devem considerar as particularidades legais de cada jurisdição. Por exemplo, o regime de patentes pode variar entre países, e um contrato internacional deve abordar essas nuances para evitar litígios. Dessa forma, em um mundo onde a inovação é rapidamente convertida em capital, garantir os direitos de propriedade intelectual através de contratos robustos é essencial. Tais documentos não apenas protegem criações, mas também facilitam a colaboração, a comercialização e a expansão de fronteiras, consolidando a propriedade intelectual como o coração pulsante da economia moderna. * Gustavo Escobar é Advogado especialista em Propriedade Intelectual, Direito Empresarial e Proteção de Dados, sócio da Escobar Advocacia.

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Palestina X Israel: duas narrativas e um conflito

*Por Tiago Lima A atual guerra entre a Palestina e Israel é um conflito complexo e de longa data que requer uma análise cuidadosa dos diversos aspectos envolvidos. Primeiramente, é fundamental ressaltar a importância da imparcialidade da imprensa, principalmente a ocidental, na cobertura desse conflito. A cobertura jornalística deve buscar apresentar os fatos de maneira equilibrada, sem viés, para que o público possa formar sua própria opinião. É crucial compreender que tanto a Palestina quanto Israel têm suas próprias narrativas e responsabilidades nesse conflito. A Palestina não deve ser automaticamente vista como a vilã, pois Israel também tem sua parcela de responsabilidade em ações que geram sofrimento para a população palestina. No entanto, é importante reconhecer que Israel é famosa por seu desenvolvimento de sistemas de defesa de última geração, o que lhe confere uma vantagem significativa em termos de poder de fogo em comparação com o Hamas. No sábado (07), o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fez declarações abertamente genocidas: “Vamos transformar Gaza numa ilha deserta. Aos cidadãos de Gaza, eu digo: vocês devem partir agora. Iremos atacar todos e cada um dos cantos da faixa”. Evacuar ou ser bombardeada — só que os cidadãos de Gaza não tem para onde correr. O Hamas, por sua vez, é um grupo extremista que detém o poder na Faixa de Gaza desde 2006 e busca a destruição do Estado de Israel. É fundamental ressaltar que a maioria dos integrantes do Hamas é de palestinos, mas isso não implica que todo palestino seja membro desse grupo. Confundir os palestinos com o Hamas é o equivalente a generalizar todos os afegãos como membros da Al-Qaeda. Os conflitos persistentes na região, apesar das interferências da comunidade internacional e das tentativas de manutenção da paz, abriram espaço para o fortalecimento do Hamas. Recentemente, lideranças do grupo anunciaram uma grande operação de retomada de território, lançando milhares de foguetes contra Israel, causando estragos em várias cidades. A terra que é frequentemente chamada de "Terra Santa" tem um valor espiritual significativo para várias religiões e é um ponto central para a identidade de muitos. No entanto, essa designação não garante a paz, e ambos os lados têm uma história de disputas territoriais e reivindicações legítimas. É importante destacar que a população palestina vive sob constante ameaça e ataques por parte de Israel, o que a impede de viver em paz. Nesse contexto, a mídia muitas vezes tende a retratar a Palestina como a vilã apenas quando ela revida, o que contribui para uma visão unilateral da situação. Não há um lado certo nesse conflito, mas é essencial mostrar os dois lados da moeda para uma compreensão completa. É importante que a comunidade internacional continue a buscar soluções diplomáticas para esse conflito de longa data, visando a segurança e a paz para ambas as partes envolvidas. A atual situação na região é um lembrete de que a paz no Oriente Médio é um desafio complexo e que requer esforços persistentes de todas as partes interessadas. Tiago Lima Carvalho é Bacharel em relações internacionais e Especialista em Direito Internacional

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Os rios que eu encontro vão seguindo comigo (por Bruno Bezerra)

Muitas pessoas costumam falar que o rio corta a cidade, quando na verdade, ele não corta a cidade. O que ocorre é que, ou cidade abraça ou a cidade sufoca o rio. E isso acontece pelo simples fato de que ele já estava naquele lugar bem antes da cidade. O Recife durante um bom tempo abraçou o rio Capibaribe. Entretanto, com um crescimento acelerado, o Recife passou a sufocar o Capibaribe. O mestre Ariano Suassuna certa vez escreveu: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. Sem fugir da realidade, uma luz de esperança surgiu na margem esquerda do Capibaribe. Era o extraordinário Projeto Parque Capibaribe, que nasceu com o propósito de reintegrar o rio e a cidade do Recife. No primeiro momento, uma experiência que logo se mostrou exitosa, nascia o Jardim do Baobá, uma pequena área, uma espécie de degustação, com a incrível capacidade de mostrar todo o poder de transformação do projeto. Há pouco tempo, uma nova etapa do Parque Capibaribe começou a sair do papel, mais uma importante intervenção. Nascia assim o Parque das Graças, que transformou uma das áreas mais degradadas do trecho urbano do rio Capibaribe em um ambiente agradável, com a magia de reestabelecer a integração do rio com aquela parte da cidade. O Parque das Graças descortinou o Capibaribe e criou uma preciosa oportunidade para as pessoas encontrarem o rio. Isso me fez lembrar o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, que cravou em um poema Os rios que eu encontro vão seguindo comigo. Seguindo as pegadas poéticas de João Cabral, é fundamental engajar as escolas (públicas e privadas) com o projeto Parque Capibaribe, para criar novas oportunidades lúdicas de encontros, que possam semear e cultivar a sustentabilidade no coração dos alunos, mostrando a importância socioambiental de cuidar do rio, para que possamos, desde muito cedo, conectar as crianças com o rio, como afluentes límpidos que avivam o Capibaribe. Como resultado já no curto prazo, teremos de maneira perene e impactante, a garotada educando os adultos. O Capibaribe é, literalmente, o rio das capivaras. O projeto Parque Capibaribe deve ser também uma excelente oportunidade para que possamos discutir e melhorar a relação entre humanos e capivaras no Recife. Segundo alguns biólogos, preservar a vegetação nativa de margens de rios e cursos de água, deixar as gramas de praças e parques sempre baixas, para que não virem um atrativo para as capivaras, e a construção de muretas em áreas em que elas correm perigo são medidas apropriadas para o manejo na zona urbana. Além da colocação de placas, alertando a população sobre a presença das capivaras e orientando para não incomodar ou se aproximar dos animais. O projeto Parque Capibaribe precisa cumprir sua missão no Recife e crescer, ganhar musculatura para subir firme e forte da foz até a nascente do Capibaribe na serra do Jacarará, localizada no município de Poção, Agreste Pernambucano. Tudo com a mesma determinação de um peixe que sobe um rio no período da piracema para garantir a reprodução da espécie. O projeto Parque Capibaribe precisa seguir recuperando áreas degradadas e reintegrando o rio com todas as cidades banhadas por ele. Eu acredito que a essência do projeto Parque Capibaribe é criar oportunidades para que as pessoas encontrem o rio Capibaribe, criando assim um encantamento capaz de gerar uma sagrada simbiose com o poder de formar uma nova geração comprometida com o resgate do Capibaribe e com uma cidade melhor, mais humana e ambientalmente responsável. Bruno Bezerra É administrador de empresas, atual presidente da CDL Santa Cruz do Capibaribe-PE e coordenador do projeto socioambiental Bichos da Caatinga. Foto de abertura: Márcio Cabral de Moura

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Inteligência Artificial descobre traição! Reflexões sobre o Impacto da tecnologia

*Por Rafael Toscano Nos dias atuais, a tecnologia e a inteligência artificial (IA) têm se entrelaçado de maneira notável, redefinindo a maneira como vivemos e nos relacionamos. Uma história recente ilustra esse impacto de forma surpreendente: uma jovem utilizou IA para investigar uma possível traição em seu relacionamento, revelando não apenas uma mudança no panorama das relações pessoais, mas também ressaltando a influência crescente da IA em nossas vidas cotidianas. No centro dessa narrativa intrigante está a influenciadora digital Mia Dio, que suspeitava da infidelidade de seu parceiro. Em vez de recorrer aos métodos tradicionais de investigação, ela se voltou para a tecnologia e a IA para obter respostas. No artigo publicado no portal de notícias "UOL Tilt", datado de 9 de agosto de 2023, detalhes sobre o enredo se desdobram. Mia decidiu “clonar” a voz de seu namorado por IA, que aliás, custou só U$ 4 dólares, e mandou uma mensagem para um amigo dele insinuando um ato de traição. A isca foi certeira, o amigo confirmou a traição e o namorado foi pego! Se, antigamente, dependeríamos de nossa intuição, de conversas difíceis ou de contratar detetives particulares, hoje temos ao nosso dispor ferramentas poderosas que podem processar vastas quantidades de dados em questão de segundos, inclusive com a capacidade de aprender e reproduzir com precisão as complexas características da voz humana. Contudo, essa história também levanta importantes questionamentos éticos. Até que ponto é justificável invadir a privacidade de outra pessoa, mesmo que em busca da verdade? A linha entre o uso responsável da tecnologia e a violação dos direitos individuais é tênue, e a narrativa reflete o dilema crescente enfrentado por uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente. Além disso, a história destaca como a IA está moldando a maneira como entendemos e interpretamos informações. Algoritmos de análise de sentimento podem identificar emoções em textos e mensagens, e isso tem implicações não apenas em investigações pessoais, mas também no mundo dos negócios e da política, por exemplo. Imagine uma IA analisando discursos de líderes políticos para avaliar o clima emocional do público ou avaliando a satisfação do cliente com base em avaliações online. A IA não apenas coleta dados, mas também os interpreta de maneiras que antes eram inimagináveis. Em última análise, a história acima nos leva a uma reflexão profunda sobre o papel da IA em nossas vidas e sociedade. Enquanto celebramos os avanços tecnológicos que tornam nossas vidas mais convenientes e eficientes, não podemos deixar de considerar os dilemas éticos e as mudanças nas dinâmicas interpessoais que essas tecnologias promovem. A IA está, sem dúvida, transformando nossas vidas de maneiras surpreendentes, mas é nossa responsabilidade avaliar constantemente como essas mudanças impactam nossa humanidade e os valores que consideramos essenciais para um futuro equilibrado e ético. Num mundo onde as ferramentas tecnológicas podem antecipar e mitigar conflitos, mas também podem contribuir para a erosão da confiança mútua. À medida que nos voltamos cada vez mais para algoritmos para obter respostas emocionais, corremos o risco de perder a conexão humana genuína que é essencial para os relacionamentos saudáveis. *Rafael Toscano é gestor financeiro, Engenheiro da Computação e Especialista em Direito Tributário, Gestão de Negócios. Gestor de Projetos Certificado, é Mestre em Engenharia da Computação e Doutorando em Engenharia com foco em Inteligência Artificial aplicada.

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