Menos ultraprocessados, mais alimentos naturais: a importância da alimentação na prevenção do câncer de intestino
Durante o Março Azul, especialistas destacam que priorizar alimentos naturais, ricos em fibras e que favorecem o microbioma intestinal é um passo essencial na prevenção do câncer colorretal, um dos mais comuns no Brasil. Entenda na entrevista com a nutricionista Rebeca Pessoa, da Clínica NutriGen O Março Azul reforça o alerta para a prevenção do câncer de intestino, o segundo tipo mais incidente no país quando somados homens e mulheres. Mais do que falar sobre exames e diagnóstico precoce, a campanha amplia o debate sobre um fator decisivo na redução de riscos: a alimentação. Estudos apontam que padrões alimentares baseados em produtos ultraprocessados, pobres em fibras e ricos em gorduras e açúcares estão diretamente associados ao desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais e ao câncer colorretal. Para a nutricionista Rebeca Pessoa, da Clínica NutriGen, a mudança começa pelas escolhas diárias. “Quando priorizamos alimentos in natura e minimamente processados, oferecemos ao intestino os substratos necessários para o equilíbrio da microbiota, que é um dos principais fatores de proteção contra processos inflamatórios e tumorais”, afirma. Fibras alimentares e microbiota intestinal As fibras alimentares desempenham papel central na modulação da microbiota intestinal. Atuam como substrato fermentável para bactérias benéficas do cólon, favorecendo a produção de metabólitos bioativos, especialmente os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como butirato, acetato e propionato, compostos com reconhecida ação anti-inflamatória, imunomoduladora e protetora da mucosa intestinal. Uma alimentação rica em fibras Aumenta o volume fecal e melhora o trânsito intestinal. Reduz o tempo de contato de potenciais carcinógenos com a mucosa colônica. Estimula a produção de butirato, principal fonte energética dos colonócitos. Contribui para a integridade da barreira intestinal Segundo a nutricionista Rebeca Pessoa, a ingestão regular de frutas, verduras, leguminosas, sementes e cereais integrais exerce papel direto na prevenção do câncer colorretal, ao modular a composição e a diversidade da microbiota e reduzir processos inflamatórios crônicos. É importante destacar que os efeitos benéficos das fibras dependem de regularidade e diversidade alimentar. O consumo esporádico não promove adaptações sustentáveis na microbiota. A constância é determinante para o fortalecimento da barreira intestinal e manutenção da eubiose. Ultraprocessados e inflamação Na contramão da alimentação natural estão os produtos ultraprocessados, que devem ser evitados ou consumidos com moderação. “Esses alimentos são pobres em nutrientes protetores e ricos em aditivos químicos, gorduras inflamatórias, sódio e açúcares. O consumo frequente favorece a disbiose intestinal, resistência à insulina, ganho de peso e um ambiente propício ao desenvolvimento de câncer”, alerta. Ela destaca que a mudança não precisa ser radical. “O primeiro passo é reduzir a frequência. Trocar o biscoito recheado por uma fruta com aveia, substituir o embutido por uma proteína fresca e incluir saladas nas principais refeições já gera impacto positivo”. Montando um prato protetor A composição das refeições é outro ponto essencial. “Um prato protetor para o intestino precisa ter cores, variedade e equilíbrio. Metade deve ser composta por vegetais, um quarto por proteínas de boa qualidade e o outro por carboidratos integrais”, orienta. A hidratação também entra como fator indispensável. “Sem água, a fibra não exerce sua função. O consumo adequado de líquidos é fundamental para o bom funcionamento intestinal”. Prevenção começa no dia a dia Além da alimentação, o estilo de vida completo influencia na saúde intestinal. “Praticar atividade física, dormir bem e controlar o estresse são pilares que atuam em conjunto com a nutrição. O intestino responde ao nosso comportamento diário”. Rebeca reforça que a prevenção é uma construção contínua. “Não se trata de dieta restritiva, mas de um padrão alimentar possível e sustentável. Comer comida de verdade é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o risco de câncer de intestino”. Como proteger o intestino por meio da alimentação Alimentos aliadosFrutas com casca e bagaçoVerduras e legumesFeijão, lentilha e grão-de-bicoAveia, chia e linhaçaArroz integral e outros cereais integrais Alimentos para reduzirEmbutidosRefrigerantes e bebidas açucaradasMacarrão instantâneoSalgadinhos de pacoteBiscoitos recheados e produtos com aditivos químicos Quantidade diária de fibras Entre 25 g e 38 g por dia para adultos Hábitos que fazem diferençaBeber água ao longo do diaManter horários regulares para as refeiçõesPraticar atividade físicaEvitar longos períodos sentado Com informação, escolhas conscientes e acompanhamento profissional, o Março Azul reforça que a prevenção do câncer de intestino começa antes mesmo dos exames, dentro da rotina alimentar e do cuidado diário com a saúde. Inteligência artificial amplia precisão da colonoscopia na prevenção do câncer colorretal O avanço da inteligência artificial aplicada à colonoscopia, exame padrão-ouro para o rastreio do câncer de intestino, tem elevado a qualidade diagnóstica e a segurança do procedimento. De acordo com a diretora médica da Endogastro e presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva em Pernambuco, Leliane Alencar, a tecnologia atua como um sistema de apoio em tempo real durante o exame, aumentando a taxa de detecção de pólipos e reduzindo a possibilidade de falhas diagnósticas. A médica ressalta que a doença pode permanecer por anos sem apresentar sintomas e que a realização da colonoscopia na faixa etária recomendada, a partir dos 45 anos para indivíduos de risco habitual, é fundamental para o diagnóstico precoce, permitindo alcançar índices de cura que podem chegar a 90 por cento. No Norte e Nordeste, a Clínica Endogastro é a única a utilizar o recurso de inteligência artificial nos exames de colonoscopia, ampliando o acesso regional a essa tecnologia. Expansão hospitalar em Oncologia O Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, inaugura nesta quarta-feira (4), a primeira etapa da sua nova área de Oncologia, em um movimento estratégico que reforça o posicionamento da instituição como referência em alta complexidade no Nordeste. A ampliação total contempla novos consultórios, unidades de internação e áreas ainda mais modernas para infusão de quimioterápicos e outras terapias, dobrando a capacidade de atendimento até o fim do primeiro semestre. ABRH-PE realiza discussão prática com foco na NR1 Nesta quarta-feira (04), acontece o Esquenta RH 5.0: Saúde no Centro da Estratégia. Um encontro estratégico promovido pelo Grupo Belz em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos, ABRH-PE, com foco na









